IMPACTOS DO BRUXISMO DO SONO NA VIDA DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511171935


Annykecy Viterbino Fragoso
João Luiz Pereira Leal da Silva
Victor Souza Lima


RESUMO 

O bruxismo é contextualizado como uma atividade parafuncional caracterizada pelo ranger e apertar involuntário dos dentes, com prevalência maior em jovens adultos, particularmente universitários, devido a fatores psicossociais e acadêmicos que aumentam o estresse e comprometem a qualidade do sono. Foi realizada uma revisão bibliográfica de caráter quantitativo, abrangendo publicações entre 2019 e 2024. As fontes incluem bases de dados como PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os critérios de inclusão envolveram estudos completos em português e inglês que abordam cientificamente os impactos do bruxismo do sono na vida de estudantes universitários. Destaca-se o papel do estresse e da ansiedade na gênese do distúrbio, sobretudo na população estudantil, ressaltando consequências para a saúde emocional, cognitiva e para o desempenho acadêmico. São apresentadas as ferramentas diagnósticas existentes e as abordagens terapêuticas recomendadas, enfatizando a importância do tratamento multidisciplinar. Reforça-se a complexidade do bruxismo do sono entre universitários e a necessidade de intervenções que integrem aspectos clínicos, psicológicos e educacionais. O trabalho conclui que o reconhecimento precoce e o manejo adequado do distúrbio podem melhorar significativamente a qualidade de vida e o desempenho acadêmico desses jovens adultos, incentivando futuras pesquisas para otimizar estratégias preventivas e terapêuticas. 

Palavras-chave: “Bruxismo”; “Bruxismo do sono”; “Estudantes universitários”; “Saúde  Bucal”

ABSTRACT 

Bruxism is contextualized as a parafunctional activity characterized by the involuntary grinding and clenching of teeth, with a higher prevalence among young adults, particularly university students, due to psychosocial and academic factors that increase stress and compromise sleep quality. A quantitative literature review was conducted, covering publications from 2019 to 2024. The sources included databases such as PubMed and the Virtual Health Library (BVS). Inclusion criteria involved complete studies in Portuguese and English that scientifically addressed the impacts of sleep bruxism on the lives of university students. The role of stress and anxiety in the genesis of the disorder is highlighted, especially in the student population, emphasizing the consequences for emotional health, cognition, and academic performance. Existing diagnostic tools and recommended therapeutic approaches are presented, with emphasis on the importance of multidisciplinary treatment. The complexity of sleep bruxism among university students is reinforced, along with the need for interventions that integrate clinical, psychological, and educational aspects. The study concludes that early recognition and proper management of the disorder can significantly improve the quality of life and academic performance of these young adults, encouraging future research to optimize preventive and therapeutic strategies.

Keywords: “Bruxism”; “Sleep bruxism”; “University students”; “Oral health”

1. INTRODUÇÃO  

O bruxismo do sono representa uma das parassonias mais prevalentes na população contemporânea, caracterizando-se como atividade repetitiva dos músculos mastigatórios durante o período de repouso, manifestada através do ranger ou apertar os dentes de forma involuntária. Esta condição, que afeta aproximadamente 8% da população geral segundo dados internacionais, assume dimensões epidemiológicas significativamente mais expressivas quando examinadas em população específica, particularmente entre jovens adultos em formação acadêmica (Ávila et al., 2024). 

A transição para o ensino superior constitui um período crítico na vida dos jovens, caracterizado por múltiplas transformações psicossociais, acadêmicas e comportamentais que podem predispor ao desenvolvimento de diversas condições relacionadas ao estresse. Neste contexto, os estudantes universitários emergem como população de risco para o bruxismo do sono, apresentando prevalências que podem atingir índices alarmantes de até 54% em determinados cursos, contrastando significativamente com os dados coletados na população geral (Ferreira et al., 2024). 

O ambiente universitário contemporâneo, caracterizado pela competitividade crescente, pressão acadêmica intensificada, incertezas sobre o futuro profissional e mudanças significativas nos padrões de sono, cria contexto propício para o desenvolvimento e exacerbação do bruxismo do sono. Esta realidade torna-se ainda mais preocupante quando consideramos que esta população representa o futuro da força de trabalho comprometida e dos profissionais de saúde, cuja capacidade funcional pode ser significativamente comprometida pelas consequências desta condição (Lima et al., 2020) 

As repercussões do bruxismo do sono transcendem as manifestações puramente odontológicas, estabelecendo-se como problema de saúde multissistêmico com impactos documentados na qualidade do sono, função cognitiva, saúde mental e desempenho acadêmico. Estudos recentes demonstram relação entre a presença de bruxismo e o rendimento acadêmico, evidenciando que estudantes bruxômanos apresentam médias inferiores, maior dificuldade de concentração e índices de absenteísmo elevados. Este achado assume relevância particular ao considerarmos que o comprometimento do desempenho acadêmico pode perpetuar o ciclo de estresse e ansiedade, agravando ainda mais a condição (Carvalho, 2024). 

A literatura científica atual revela lacunas significativas no conhecimento sobre as especificidades do bruxismo do sono em estudantes universitários brasileiros, com escassez de estudos que abordem de forma abrangente tanto a prevalência quanto os múltiplos impactos desta condição nesta população (Silva et al., 2024). 

A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade urgente de compreensão abrangente do bruxismo do sono em estudantes universitários, considerando tanto sua prevalência quanto seus impactos multidimensionais na saúde e na qualidade de vida desta população. O conhecimento gerado poderá subsidiar o desenvolvimento de políticas de saúde universitária mais eficazes, protocolos de triagem adequados e estratégias preventivas direcionadas às especificidades desta população. 

2. METODOLOGIA 

Este estudo configura-se como uma revisão narrativa da literatura, utilizada para consolidar, descrever e interpretar os conhecimentos existentes acerca do bruxismo do sono e seus impactos na saúde de estudantes universitários. 

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Cochrane Library e Scopus, selecionadas por sua abrangência relevância em áreas de saúde e ciências sociais. 

Os termos da busca envolveram descritores do DeCS e MeSH, incluindo: “Bruxismo”,  “Bruxismo do sono”, “Estudantes universitários”, “Saúde bucal”, “Estresse psicológico” e termos correlatos “AND” e “OR”. 

Foram considerados para inclusão os estudos publicados no período de 2019 a 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem: prevalência, fatores de risco, consequências clínicas, impactos na qualidade de vida e abordagens terapêuticas do bruxismo do sono em estudantes universitários. Excluíram-se estudos que enfocaram exclusivamente em bruxismo em vigília, populações pediátricas ou idosos, bem como artigos sem texto completo. 

A seleção dos artigos ocorreu inicialmente por leitura de títulos e resumos para verificar pertinência aos critérios estabelecidos, seguida da leitura completa dos textos selecionados para avaliação da qualidade metodológica e relevância do conteúdo. 

Ao integrar os resultados das plataformas consultadas (PubMed, SciELO, LILACS, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Cochrane Library e Scopus), obteve-se um total de 233 trabalhos. 

Após análise minuciosa e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, foram selecionados 20 estudos que atenderam aos requisitos da pesquisa e que serviram como base para a elaboração deste trabalho de conclusão de curso. Esses 20 trabalhos representaram a produção científica mais relevante e adequada ao tema.  

3. REFERENCIAL TEÓRICO 

3.1 Bruxismo do Sono: Definição e Epidemiologia 

O bruxismo do sono é definido pelo consenso internacional como uma atividade repetitiva dos músculos mastigatórios, caracterizada pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono. Esta condição representa uma parassonia relacionada ao movimento, sendo classificada pela Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD-3) como um distúrbio do sono relacionado ao movimento. A definição atual, apresentada em 2013 por um consenso internacional de especialistas, enfatiza que o bruxismo do sono consiste em atividade muscular mastigatória repetitiva caracterizada por apertar ou ranger dos dentes e/ou empurra ou contrair as mandíbulas (Ávila et.al, 2023). 

A distinção entre bruxismo do sono e bruxismo de vigília é fundamental para a compreensão clínica da condição. O bruxismo do sono ocorre de forma inconsciente durante o período de repouso, frequentemente associado a microdespertares e alterações na arquitetura do sono. Em contrapartida, o bruxismo de vigilância manifesta-se durante o estado consciente, geralmente como resposta a situações de estresse ou concentração. Esta diferenciação é crucial para o diagnóstico adequado e planejamento terapêutico, uma vez que os mecanismos fisiopatológicos e as abordagens de tratamento entre as duas condições possuem diferença de manejo (Alencar et.al., 2020). 

Epidemiologicamente, o bruxismo do sono apresenta prevalência variável conforme a população científica e os métodos diagnósticos empregados. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que aproximadamente 30% da população mundial é afetada por alguma forma de bruxismo. No Brasil, estudos apontam prevalência de até 40% da população brasileira. A condição demonstra predileção pelo sexo feminino e apresenta picos de prevalência em faixas etárias específicas, especialmente entre jovens adultos. A variabilidade epidemiológica observada entre diferentes estudos reflete, por parte, a ausência de critérios diagnósticos padronizados e a diversidade de metodologias empregadas na identificação da condição (Faber C et.al.,2021). 

3.2 Fisiopatologia e fatores etiológicos  

A fisiopatologia do bruxismo do sono envolve mecanismos complexos neurológicos centrais e periféricos que resultam na ativação involuntária dos músculos mastigatórios durante o sono. O sistema nervoso central desempenha papel fundamental, com alterações nos neurotransmissores, especialmente dopamina e serotonina, contribuindo para a gênese dos episódios de bruxismo. A ativação do sistema nervoso simpático precede os episódios de bruxismo, evidenciando a conexão entre estados de alerta e a atividade muscular mastigatória (Dorotéio; Sousa, 2024). 

A atividade muscular rítmica mastigatória (RMMA) constitui o substrato neurofisiológico dos episódios de bruxismo do sono. Esta atividade caracteriza-se por contrações rítmicas dos músculos masseter, temporal e pterigóideos, com intensidade que pode atingir até seis vezes a força aplicada durante uma mastigação normal. Os episódios de RMMA ocorrem predominantemente durante as transições entre os projetos do sono, especialmente na transição do sono não-REM para estágios mais superficiais, frequentemente associados a microdespertares que fragmentam a arquitetura do sono (Santanna et.al.,2024). 

Os fatores etiológicos do bruxismo do sono são multifatoriais e incluem componentes psicológicos, comportamentais, genéticos e ambientais. O estresse psicológico representa o principal fator desencadeante, estabelecendo uma relação bidirecional onde o estresse induz o bruxismo, que por sua vez pode perpetuar estados de tensão e ansiedade. Fatores comportamentais como consumo de álcool, cafeína, tabaco e uso de dispositivos eletrônicos antes do sono são considerados significativamente para o desenvolvimento da condição. A predisposição genética é evidenciada pela agregação familiar da condição, com estudos demonstrando maior prevalência em parentes de primeiro grau de indivíduos bruxômanos (Castro et.al., 2023). 

3.3 Bruxismo em estudantes universitários  

A população universitária constitui um grupo de risco específico para o desenvolvimento do bruxismo do sono, apresentando prevalências significativamente superiores às observadas na população geral. Estudos brasileiros recentes demonstram prevalência de bruxismo do sono de até 54% em estudantes da área da saúde, contrastando com os 8% observados na população geral. Esta prevalência elevada reflete as características peculiares do ambiente acadêmico e os fatores de risco específicos desta população (Dantas Neta et.al., 2014). 

O perfil demográfico dos estudantes universitários contribui para uma maior suscetibilidade ao bruxismo. A faixa etária predominante (18-30 anos) coincide com o período de maior prevalência da condição, enquanto a predominância do sexo feminino nos cursos da área da saúde alinha-se com a maior prevalência de bruxismo em mulheres. Estudos indicam idade média de 24 anos para estudantes universitários com bruxismo, com predomínio significativo no sexo feminino, representando até 70% dos casos em alguns cidadãos comuns (Sousa et.al., 2025). 

O ambiente acadêmico apresenta fatores de risco exclusivos para o desenvolvimento do bruxismo do sono. A pressão pelo desempenho acadêmico, a competitividade entre pares, as incertezas sobre o futuro profissional e a sobrecarga de atividades curriculares e extracurriculares criam um contexto de estresse propício ao desenvolvimento da condição específica. Além disso, as alterações na rotina de sono impostas pela vida acadêmica, incluindo horários irregulares de estudo, privação de sono e uso intensivo de dispositivos eletrônicos, afetam significativamente a gênese do bruxismo (Ferreira et.al., 2024). 

3.4 Métodos Diagnósticos 

O diagnóstico do bruxismo do sono baseia-se em critérios estabelecidos pela Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD-3), que incluem relatos de ranger ou aperto dos dentes durante o sono, presença de sinais clínicos como desgaste deficiente anormal ou fadiga/dor muscular matinal, e confirmação por polissonografia quando necessário. A abordagem diagnóstica deve ser sistemática e multidisciplinar, envolvendo anamnese detalhada, exame clínico criterioso e, quando indicado, métodos de monitoramento instrumental (Castro et.al., 2023). 

Os questionários de autorrelato específicos ajudam no rastreamento inicial de pacientes com suspeita de bruxismo do sono. Instrumentos validados avaliam a frequência dos episódios, sintomas associados e impacto na qualidade de vida. Entretanto, estes métodos apresentam limitações relacionadas à natureza inconsciente da condição durante o sono, podendo resultar em subestimação da prevalência real. Estudos demonstram que apenas 50-60% dos indivíduos com bruxismo que são confirmados por polissonografia relatam conhecimento da condição (Serra-Negra et.al., 2014). 

O exame clínico deve focar na identificação de sinais específicos do bruxismo, incluindo padrões específicos de desgaste prematuro, hipertrofia dos músculos mastigatórios, sintomas de disfunção temporomandibular e sinais de trauma oclusal. O desgaste constitui o sinal mais específico, apresentando padrões específicos de atrição nas superfícies oclusais e incisais, especialmente em dentes posteriores. A palpação muscular pode revelar sensibilidade e tensão nos músculos masseter e temporal, muitas vezes mais pronunciada no período matinal (Silveira de Oliveira et.al., 2019). 

A polissonografia representa o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo do bruxismo do sono, permitindo a quantificação objetiva dos episódios de atividade muscular mastigatória. Este exame registra simultaneamente múltiplas sessões fisiológicas, incluindo atividade eletromiográfica dos músculos mastigatórios, atividade cerebral, movimentos oculares e respiração. A identificação de episódios de atividade muscular rítmica mastigatória (RMMA) com duração superior a 0,25 segundos e amplitude pelo menos duas vezes superior à atividade basal constitui diagnóstico definitivo (Ávila et.al., 2024). 

3.5 Impactos na Saúde Bucal e Sistêmica 

Os impactos do bruxismo no sono na saúde bucal são diversos e progressivos, manifestando-se através de alterações estruturais e funcionais que comprometem significativamente a integridade do sistema estomatognático. O desgaste constitui a manifestação mais evidente, caracterizando-se por perda progressiva da estrutura dentária nas superfícies oclusais e incisais. Este desgaste apresenta padrões específicos de atrição, diferentes daqueles observados na mastigação fisiológica, frequentemente resultando na exposição da dentina e na sensibilidade dentária (Research, Society and Development, 2023). 

As fraturas dentárias e restaurações representam consequências negativas da sobrecarga mecânica imposta pelo bruxismo. A força excessiva aplicada durante os episódios pode resultar em fraturas de esmalte, cúspides dentárias, restaurações em amálgama ou resina composta, e até mesmo fraturas radiculares em casos mais severos. Essas fraturas não comprometem apenas a função mastigatória, mas também predispõem às complicações endodônticas e periodontais, ampliando significativamente a complexidade do tratamento necessário (Alencar et.al., 2020). 

As disfunções temporomandibulares (DTM) apresentam forte associação com o bruxismo do sono, estabelecendo uma relação complexa e bidirecional entre as duas condições. 

A sobrecarga imposta aos músculos mastigatórios e às articulações temporomandibulares durante os episódios de bruxismo pode resultar em dor muscular, limitações de abertura bucal, ruídos articulares e alterações na dinâmica mandibular. Estudos demonstram que indivíduos com bruxismo apresentam risco três vezes maior de desenvolver DTM comparativamente àqueles sem a condição (Greco, C. Q. et.al, 2024). 

Segundo Fulek et al. (2024), os impactos sistêmicos do bruxismo do sono estendem-se além da carreira bucal, afetando significativamente a qualidade do sono e o bem-estar geral. A fragmentação do sono causada pelos microdespertares associados aos episódios de bruxismo resulta na redução da eficiência do sono e em alterações na arquitetura dos estágios do sono. Consequentemente, indivíduos com bruxismo frequentemente relatam fadiga matinal, sonolência diurna excessiva e redução da capacidade de concentração. 

As cefaléias tensionais são manifestação específica comum em indivíduos com bruxismo do sono, resultantes da hiperatividade dos músculos mastigatórios e da musculatura cervical. Estas cefaléias apresentam características específicas, incluindo localização temporal e occipital, caráter tensional e predominância matinal. A dor pode irradiar para região cervical e ombros, estabelecendo um padrão de dor miofascial que pode persistir durante todo o dia (Zieliński; Paj Ak; Wójcicki, 2024). 

3.6 Repercussões na População Universitária 

As repercussões do bruxismo do sono em estudantes universitários manifestam-se de forma particularmente impactante devido às demandas específicas da vida acadêmica. O rendimento acadêmico pode ser significativamente comprometido pelos efeitos da condição na qualidade do sono e capacidade cognitiva. Estudos demonstram brilho negativo entre severidade do bruxismo e desempenho acadêmico, com estudantes bruxômanos apresentando menores médias e maior dificuldade de concentração durante as aulas (Sousa et.al., 2025). 

A fragmentação do sono causada pelos episódios de bruxismo resulta na redução da capacidade de consolidação da memória, processo fundamental para o aprendizado acadêmico. A negligência diurna excessiva, consequência direta da qualidade de sono comprometido, interfere na atenção durante as aulas e na capacidade de estudo individual. Além disso, a fadiga matinal e a redução da energia ao longo do dia podem limitar a participação em atividades acadêmicas extracurriculares e projetos de pesquisa (Alencar et.al., 2020) 

O impacto na saúde mental dos estudantes universitários constitui aspecto crítico das repercussões do bruxismo do sono. A condição estabelece um ciclo vicioso onde o estresse acadêmico desencadeia episódios de bruxismo, que por sua vez comprometem a qualidade do sono e amplificam os níveis de ansiedade e estresse. Este ciclo perpétuo, resulta em alterações progressivas da saúde mental e maior risco de desenvolvimento de transtornos de ansiedade e depressão (Ferreiraet.al., 2024). 

O absenteísmo acadêmico relacionado aos sintomas do bruxismo constitui um problema adicional, com estudantes frequentemente faltando às aulas devido a cefaléias intensas, dor orofacial ou fadiga excessiva. Este absenteísmo pode comprometer o acompanhamento do conteúdo curricular e prejudicar o desempenho em avaliações, criando ciclos adicionais de estresse e ansiedade que perpetuam a condição (Ferreira, L. V. C. et.al., 2024). 

3.7 Comorbidades e Condições Associadas 

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) apresenta associação significativa com o bruxismo do sono, estabelecendo relação complexa entre os dois distúrbios. Estudos polissonográficos demonstram que indivíduos com bruxismo apresentam maior prevalência de eventos adversos durante o sono, incluindo apneias e hipopneias. Esta associação pode refletir mecanismo compensatório onde os episódios de bruxismo funcionam como resposta reflexa para restaurar a permeabilidade das vias aéreas superiores durante eventos obstrutivos (Fagundes et.al., 2025). 

A relação entre bruxismo e SAOS apresenta implicações terapêuticas importantes, uma vez que o tratamento da apneia com dispositivos de pressão positiva contínua (CPAP) pode resultar em redução significativa dos episódios de bruxismo. Inversamente, o tratamento isolado do bruxismo sem considerar a presença de SAOS pode resultar em eficácia terapêutica limitada. Esta inter-relação enfatiza a necessidade de avaliação abrangente dos distúrbios do sono em indivíduos com bruxismo (Alencar et.al., 2020). 

Os transtornos de ansiedade e depressão apresentam prevalência elevada em indivíduos com bruxismo do sono, estabelecendo relação bidirecional entre saúde mental e distúrbios do sono. A ansiedade, especificamente, demonstra relação com a severidade do bruxismo, com indivíduos ansiosos apresentando episódios mais frequentes e intensos. Esta associação reflete, em parte, a ativação do sistema nervoso simpático comum a ambas as condições, além do papel do estresse como fator desencadeante (Pinheiro et.al., 2025). 

A depressão, por sua vez, pode tanto predispor ao desenvolvimento do bruxismo quanto resultar nas consequências da condição na qualidade de vida. Indivíduos com bruxismo frequentemente desenvolvem sintomas depressivos secundários ao impacto da condição no sono, dor crônica e limitações funcionais. Esta relação é particularmente relevante em estudantes universitários, população já suscetível a transtornos mentais devido às pressões acadêmicas (Vieira et.al., 2024). 

Outras parassonias podem coexistir com o bruxismo do sono, incluindo movimentos periódicos dos membros, síndrome das pernas inquietas e sonambulismo. 

Esta concorrência sugere uma possível base fisiopatológica comum relacionada à instabilidade do sono e hiperativação do sistema nervoso durante a segurança. A identificação dessas comorbidades é essencial para planejamento terapêutico adequado e otimização dos resultados do tratamento (Ávila, B. de C. et.al., 2024). 

3.8 Abordagens Terapêuticas 

O tratamento do bruxismo do sono requer abordagem multidisciplinar que considere os múltiplos fatores etiológicos e as diversas manifestações da condição. As placas oclusais específicas a uma modalidade terapêutica mais amplamente utilizada, funcionando como dispositivos de proteção que redistribuem as forças oclusais e desaceleram o desgaste. Diferentes tipos de placas estão disponíveis, incluindo placas rígidas, semirrígidas e macias, cada uma com indicação baseada na severidade da condição e características individuais do paciente (Dorotéio, M. E. M. et.al., 2024). 

As placas-oclusais, confeccionadas em resina acrílica, representam o padrão-ouro para proteção contra desgaste danificado e redução de sintomas de DTM associados ao bruxismo. 

Estudos clínicos demonstram eficácia significativa na redução da atividade eletromiográfica dos músculos mastigatórios durante o uso da placa, embora este efeito possa ser temporário e não represente cura definitiva da condição. A adaptação e o ajuste adequado são fundamentais para eficácia terapêutica (Research, Society and Development, 2023). 

As abordagens comportamentais e psicológicas desempenham papel crucial no manejo do bruxismo do sono, especialmente considerando a forte associação com fatores psicológicos. A terapia cognitivo-comportamental tem demonstrado eficácia na redução da frequência e intensidade dos episódios através da modificação de padrões de pensamento e comportamentos relacionados ao estresse. Técnicas de relaxamento, incluindo relaxamento muscular progressivo e meditação mindfulness, podem contribuir para redução da tensão muscular e melhoria da qualidade do sono (Ferreira, L. V. C. et.al., 2024). 

O manejo do estresse constitui componente essencial do tratamento, particularmente em estudantes universitários onde o estresse acadêmico representa fator desencadeante primário. As estratégias incluem modificação de hábitos de estudo, técnicas de gerenciamento de tempo, estabelecimento de rotinas de sono adequadas e redução de fatores estressantes ambientais. A educação sobre higiene do sono é fundamental, incluindo orientações sobre horários regulares de sono, ambiente de descanso adequado e prevenção de estimulantes antes do período de descanso (Vieira Simolini et.al., 2024). 

As disciplinas farmacológicas no bruxismo do sono são limitadas e geralmente reservadas para casos específicos. Os relaxantes musculares proporcionam alívio temporário da tensão muscular, mas seu uso prolongado não é recomendado devido aos efeitos colaterais e potencial de dependência. A toxina botulínica tem sido emergida como alternativa terapêutica para casos severos refratários a outras modalidades, demonstrando eficácia na redução da atividade muscular mastigatória através da paralisia química temporária dos músculos injetados (Rodrigues; Costa; Soares, 2023). 

Uma abordagem multidisciplinar ideal envolve a colaboração entre cirurgiões dentistas, médicos do sono, psicólogos e fisioterapeutas. Esta integração permite um tratamento abrangente que aborda tanto as manifestações bucais quanto os fatores sistêmicos e psicológicos associados à condição. Para estudantes universitários, o envolvimento de serviços de apoio psicopedagógico e programas de promoção da saúde mental nas instituições de ensino pode ampliar significativamente a eficácia terapêutica (Sousa et.al., 2025). 

As estratégias preventivas são particularmente importantes no ambiente universitário, incluindo programas de educação sobre reconhecimento precoce dos sintomas, promoção de hábitos de vida saudáveis e manejo do estresse acadêmico. A implementação de protocolos de triagem nos serviços de saúde universitários pode facilitar a identificação precoce de estudantes em risco, permitindo a intervenção antes do desenvolvimento de complicações graves (Santos et.al., 2024). 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente revisão narrativa da literatura confirma o bruxismo do sono como uma parassonia complexa e multifatorial que afeta desproporcionalmente estudantes universitários, apresentando prevalência de até 54% nesta população, contrastando significativamente com os 8% distribuídos na população geral. Esta condição transcende manifestações puramente bucais, estabelecendo-se como problema sistêmico com repercussões multidimensionais que afetam qualidade do sono, função cognitiva, saúde mental e desempenho acadêmico. 

A fisiopatologia complexa, envolvendo disfunções neurotransmissoras centrais e hiperativação do sistema nervoso simpático, aliada aos fatores etiológicos multifatoriais – com destaque para o estresse psicológico como elemento central – evidencia a necessidade de compreensão holística da condição. Os estudantes universitários emergem como população particularmente vulnerável devido à convergência de fatores de risco específicos: faixa etária de maior prevalência, estresse esportivo específico, alterações na qualidade do sono e pressão psicossociais específicas ao ambiente educacional superior. 

Os impactos documentados estendem-se desde consequências bucais diretas – desgastes prejudicados, fraturas e disfunções temporomandibulares – até repercussões sistêmicas incluindo fragmentação do sono, cefaléias tensionais e restrições da saúde mental. Particularmente preocupante é o esclarecimento negativo apresentado entre bruxismo e rendimento acadêmico, evidenciado por meio de menores médias, dificuldades de concentração e aumento do absenteísmo, criando um ciclo vicioso entre estresse acadêmico, bruxismo e prejuízos funcionais. As comorbidades identificadas, incluindo síndrome da apneia obstrutiva do sono e transtornos de ansiedade e depressão, revelam a natureza sistêmica da condição e ampliam sua complexidade clínica. 

Apesar dos avanços terapêuticos, as abordagens atuais permanecem essencialmente sintomáticas e protetivas, com placas oclusais representando modalidade principal, embora a eficácia a longo prazo seja limitada. A necessidade de abordagem multidisciplinar integrando cirurgiões-dentistas, médicos do sono, psicólogos e demais profissionais é imperativa para otimização dos resultados terapêuticos. As limitações diagnósticas atuais, particularmente a dependência de métodos de autorrelato e subutilização da polissonografia, são apropriadas para subdiagnóstico sistemático da condição. 

A revisão inclui lacunas significativas do conhecimento, incluindo heterogeneidade metodológica entre estudos, escassez de pesquisas longitudinais e representação limitada da realidade brasileira. A ausência de biomarcadores específicos e métodos diagnósticos padronizados representa limitações fundamentais para avanços clínicos e científicos. A necessidade de estudos de coorte com estudantes universitários brasileiros é fundamental para a compreensão das especificidades socioculturais e o desenvolvimento de estratégias terapêuticas culturalmente adequadas. 

As implicações para a prática clínica incluem a necessidade de implementação de protocolos de triagem sistemática em serviços de saúde universitários, desenvolvimento de políticas institucionais específicas para prevenção e manejo do estresse acadêmico, e integração de serviços multidisciplinares. A formação profissional deve incorporar conhecimentos específicos sobre está problemática, considerando a sua relevância epidemiológica e efeitos funcionais. 

Conclui-se que o bruxismo do sono em estudantes universitários constitui problema de saúde pública com implicações que transcendem a esfera individual, exigindo reconhecimento como prioridade na agenda de saúde universitária. Uma condição não pode mais ser considerada meramente como problema odontológico isolado, mas sim como condição sistêmica complexa que requer abordagem integrada e multidisciplinar. A população universitária, pela sua vulnerabilidade específica e importância estratégica para o desenvolvimento social, merece atenção diferenciada na prevenção, diagnóstico e tratamento desta condição. As lacunas de conhecimento apresentadas representam oportunidades para o desenvolvimento de linhas de pesquisa nacionais que contribuem para a melhor compreensão da realidade brasileira e o estabelecimento de estratégias terapêuticas economicamente viáveis e culturalmente voltadas para nossa população universitária, promovendo a promoção do bem-estar estudantil e a otimização do desempenho acadêmico. 

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