IMPACTO DO FARMACÊUTICO CLÍNICO NA PREVENÇÃO DE INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202507270633


Lucineíde Vanzella Caubianco Tavares
Aparecida Lofrano
Orientador(a) Profª Tatiana Lagoa


Resumo 

O câncer é uma doença que pode atingir grande parte do corpo e seu  tratamento é feito com medicamentos agressivos ao corpo, porém essenciais  para o tratamento da doença. O objetivo deste trabalho é demonstrar qual a  importância do farmacêutico na parte oncológica, para a otimização da terapia,  visto que, quando está em tratamento, os quimioterápicos se interagem com  outros medicamentos de tratamento de doenças. Neste trabalho foram feitas  pesquisas em artigos e sites de confiança, artigos e sites que dissertarem sobre  o tema escolhido, foram revisados antes de serem usados. Existem muitas  dificuldades encontradas para tratar doenças comuns em pacientes em  quimioterapia, afinal a quimioterapia pode interagir com os medicamentos  causando toxicidade ou invalidando o outro medicamento. Podemos concluir que  a presença do farmacêutico é essencial, ele otimiza a terapia e auxilia na  prevenção de erros. 

Palavras chaves: Câncer; quimioterapia; farmacêutico; pesquisas.

Introdução  

O câncer é um termo de origem grega que significa “caranguejo”,  referindo-se ao crescimento anormal de células, podendo ser benigno ou  maligno, conforme sua capacidade de invasão e metástase. A doença foi citada  por Hipócrates em 460 a.C., mas já era descrita em papiros egípcios por volta de  2500 a.C. De acordo com a proliferação celular, os tumores benignos crescem  lentamente e têm risco menor, enquanto os malignos se multiplicam de forma  descontrolada e podem invadir outros tecidos, formando metástases. (Sabino. UNICEUB, 2024)  

As mutações que causam câncer podem ser adquiridas (por exposição a  agentes químicos, físicos, biológicos ou ambientais) ou hereditárias (transmitidas  geneticamente). No Brasil, o câncer de mama é a principal causa de morte entre  mulheres, responsável por mais de 17 mil óbitos, e estima-se que tenham ocorrido  cerca de 66 mil novos casos em 2020. A incidência no estado do Pará também é  elevada. Para as mulheres, o câncer de mama representa 16,4% dos casos,  seguido por tumores de pulmão e cólon. (Soares. Brazilian Journal, dez 2021)  

Os principais fatores de risco para o câncer de mama incluem idade acima  dos 50 anos, mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2), histórico familiar,  menopausa tardia, obesidade, sedentarismo e exposição a radiações ionizantes.  O diagnóstico da doença é seguido pelo estadiamento, geralmente pelo sistema  TNM (Tumor, Nódulo e Metástase), que avalia a extensão da doença. Além disso,  o farmacêutico avalia a prescrição médica quanto à dose, compatibilidade e  estabilidade, reduzindo erros e contribuindo para o sucesso terapêutico. A sua  atuação promove maior adesão ao tratamento, melhora a qualidade de vida dos  pacientes e reduz os índices de desistência. (Lima. Brazilian Journal, Junho  2021)  

O tratamento do câncer é multifatorial e inclui cirurgia, radioterapia,  quimioterapia e terapias hormonais, variando conforme o tipo e estágio do tumor.  A quimioterapia antineoplásica busca destruir células tumorais, mas sua ação não é seletiva, afetando também células saudáveis, o que gera diversas reações  adversas como náuseas, vômitos, queda de cabelo, toxicidade em órgãos vitais  e risco de abandono do tratamento. Diante dessas dificuldades, a atenção  farmacêutica se destaca como fundamental no manejo do tratamento oncológico.  O farmacêutico orienta o paciente, esclarece dúvidas, previne e trata efeitos  adversos, monitora a terapia e evita interações medicamentosas, garantindo a  segurança e eficácia do tratamento. (Lima. Brazilian Journal, Junho 2021)  

Objetivo 

Nosso objetivo neste trabalho é demonstrar como o farmacêutico é  essencial para o ambiente oncológico, como atua dentro dos parâmetros  permitidos e como funciona a otimização da terapia e os efeitos do uso da  quimioterapia com outras medicações. 

Tipos de câncer  

O câncer de mama é abordado com terapias que incluem quimioterapia,  terapia hormonal, terapia alvo e imunoterapia. A quimioterapia utiliza  medicamentos como 5-fluorouracil, ciclofosfamida e doxorrubicina. A terapia  hormonal é indicada em tumores hormônio-dependentes, com o uso de  tamoxifeno ou inibidores de aromatase. Nos casos com superexpressão da  proteína HER2, aplica-se a terapia alvo com trastuzumabe. Além disso,  imunoterapias como o pembrolizumabe podem ser indicadas em situações  específicas. 

O câncer de pulmão é tratado com quimioterapia tradicional, incluindo  cisplatina, carboplatina e paclitaxel. Em tumores com mutações específicas,  como EGFR ou ALK, utilizam-se terapias alvo com inibidores moleculares. A  imunoterapia, com agentes como nivolumabe e pembrolizumabe, também é  eficaz, especialmente no câncer de pulmão de não pequenas células. 

No câncer de próstata, o tratamento é baseado principalmente em terapia  hormonal, com uso de agonistas de GnRH, como leuprolida, e antiandrógenos, como bicalutamida. Em estágios avançados, a quimioterapia com docetaxel pode  ser empregada. Pacientes com mutações em BRCA1/2 podem se beneficiar de  inibidores de PARP, como olaparibe. 

O câncer colorretal é tratado com quimioterapia que inclui medicamentos  como 5-fluorouracil, oxaliplatina e irinotecano. Terapias alvo também são usadas,  como bevacizumabe (antiangiogênico) e cetuximabe (anti-EGFR), dependendo  das características genéticas do tumor. 

A leucemia mieloide crônica (LMC) é tratada com inibidores de  tirosinaquinase, como imatinibe, nilotinibe, dasatinibe e bosutinibe. Esses  medicamentos atuam diretamente sobre a proteína BCR-ABL, responsável pela  proliferação descontrolada das células. Em casos de resistência ou efeitos  colaterais, pode-se considerar o uso de ponatinibe.  

O mieloma múltiplo é abordado com quimioterapia, utilizando agentes  como o melfalano. Além disso, terapias alvo com inibidores de proteassoma, como  bortezomibe, e imunomoduladores, como lenalidomida, são empregadas. Em  casos específicos, terapias com células CAR-T também têm sido utilizadas. 

O melanoma é tratado com imunoterapia, utilizando inibidores de  checkpoint imunológico, como nivolumabe e pembrolizumabe. Em tumores com  mutações BRAF, utilizam-se terapias alvo com inibidores como vemurafenibe e  dabrafenibe. A combinação de imunoterapia e terapia alvo tem mostrado eficácia  em casos avançados. 

Interações medicamentosas com quimioterápicos

Resultados e discussões  

A atuação do farmacêutico clínico é essencial na prevenção de interações medicamentosas em pacientes oncológicos, devido à complexidade  dos tratamentos e ao uso frequente de múltiplos fármacos. Essas interações  podem comprometer a eficácia terapêutica e aumentar o risco de eventos  adversos, impactando negativamente a qualidade de vida dos pacientes. Nesse  contexto, o farmacêutico clínico desempenha um papel crucial na identificação,  prevenção e manejo dessas interações. (Vega, G. Et al. J Manag Care Spec  Pharm, 2016)  

Estudos demonstram que a intervenção farmacêutica contribui significativamente para a segurança do paciente oncológico. Por meio da revisão  criteriosa de prescrição, o farmacêutico é capaz de detectar e corrigir potenciais  erros e interações medicamentosas, promovendo uma terapêutica mais segura  e eficaz. Além disso, a participação ativa desse profissional na equipe  multidisciplinar facilita a comunicação entre os profissionais de saúde, garantindo  uma abordagem integrada no cuidado ao paciente. (Silva, et al. Eisntem 2018)  

A educação em saúde fornecida pelo farmacêutico também é um aspecto relevante na prevenção de interações medicamentosas. Ao orientar pacientes e  familiares sobre o uso correto dos medicamentos, possíveis interações e efeitos  adversos, o farmacêutico promove o empoderamento do paciente, aumentando  a adesão ao tratamento e reduzindo riscos associados à polifarmácia. Programas educativos têm mostrado impacto positivo no conhecimento dos pacientes sobre  sua terapia, refletindo em melhores desfechos clínicos. (Silva, Mario. Gov.br.  2018)  

A implementação de serviços de conciliação medicamentosa é outra  estratégia eficaz conduzida pelo farmacêutico clínico. Esse processo envolve a  comparação das medicações que o paciente utiliza em casa com as prescritas  no ambiente hospitalar, identificando discrepâncias e prevenindo erros de  medicação. Em pacientes oncológicos, onde a terapêutica é frequentemente  ajustada, a conciliação medicamentosa realizada por farmacêuticos mostrou-se  eficiente na redução de discrepâncias e na promoção da segurança do paciente.  (Sousa, A. Et al. gov.br, 2021)  

O farmacêutico clínico hospitalar contribui, diretamente, com a  otimização dos recursos de saúde, trazendo saúde e bem estar sem o uso  exagerado de medicamentos. Através da análise detalhada das prescrições e do  monitoramento terapêutico, é possível evitar desperdícios, reduzir o tempo de  internação e minimizar custos associados a eventos adversos. Estudos indicam  que a intervenção farmacêutica resulta em economia significativa de recursos,  sem comprometer a qualidade do atendimento prestado. (Silva, et al. Eisntem  2018)  

A atuação do farmacêutico na equipe multidisciplinar de quimioterapia é  fundamental para reduzir erros na prescrição de medicamentos citostáticos,  contribuindo para a segurança e eficácia do tratamento oncológico. Segundo  diretrizes da ASHP, o farmacêutico deve garantir o uso seguro dos  medicamentos, revisar prescrições, exames laboratoriais, fornecer orientações e  supervisionar o armazenamento e fornecimento dos fármacos. A validação da  prescrição médica, feita pelo farmacêutico, é uma prática preventiva que melhora  a qualidade do cuidado, aumenta a eficácia terapêutica, reduz complicações e  custos no sistema de saúde. Essa validação inclui checagem de doses, vias de  administração, diluentes e características individuais dos pacientes, sendo essencial para garantir a segurança e o sucesso do tratamento antineoplásico.  (Rey HCPA 2009)

Figura 1 – Sistema de verificação de uma prescrição médica. Adaptado de ASHP (15)
(Rey HCPA 2009)

Em suma, a atuação do farmacêutico clínico na prevenção de interações  medicamentosas em pacientes oncológicos, é fundamental para assegurar a  eficácia e a segurança terapêutica. Sua participação deve ser ativa na equipe de  saúde, aliada a estratégias como educação em saúde e conciliação  medicamentosa, contribui para a melhoria dos desfechos clínicos e para a  otimização dos recursos em saúde. A integração desse profissional é de uma  grande importância, deve haver a conciliação desse profissional com os demais  em todos os níveis em um hospital oncológico. (Silva, Mario. Gov.br. 2018) 

METODOLOGIA 

Este trabalho foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica, com  o objetivo de reunir, analisar e discutir informações relevantes sobre o papel do  cuidado farmacêutico na otimização da terapia medicamentosa. A metodologia  adotada seguiu uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, permitindo  a compreensão teórica e crítica do tema a partir de fontes já publicadas. 

Foram consultados artigos científicos, livros técnicos, documentos oficiais  e informações disponibilizadas em sites institucionais, como os do Ministério da  Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS), Conselho Federal de Farmácia  (CFF), entre outros. As buscas foram realizadas nas bases de dados Google  Acadêmico, SciELO e outros sites de artigos de confiança, usando o=palavras  chaves como: “cuidado farmacêutico”, “terapia medicamentosa”, “intervenção  farmacêutica” e “uso racional de medicamentos”. 

Os critérios de inclusão envolveram publicações em português, inglês ou  espanhol, que abordassem direta ou indiretamente a atuação do farmacêutico  clínico e sua influência na efetividade da farmacoterapia. Foram excluídos  materiais com enfoque fora da área da saúde ou que não apresentavam  relevância metodológica ou científica para o tema. 

Conclusão 

O cuidado farmacêutico tem se consolidado como uma prática essencial  na promoção do uso racional de medicamentos e na otimização da terapia  medicamentosa. Este trabalho evidenciou que a atuação clínica do farmacêutico,  pautada em intervenções educativas, monitoramento contínuo e revisão da  farmacoterapia, resulta em benefícios concretos para os pacientes, como o  controle mais eficaz de doenças crônicas, a redução de internações hospitalares  e a melhora da qualidade de vida.

Portanto, conclui-se que o cuidado farmacêutico representa um importante  avanço na prática profissional e um valioso recurso na otimização da  farmacoterapia, sendo imprescindível sua valorização e expansão nos diferentes  níveis de atenção à saúde. 

Referências  

Silva, K. et al. “Segurança do paciente e o valor da intervenção farmacêutica em  um hospital oncológico”. Einsten, 2018.  

Sousa, A. Et al. “Perfil das Discrepâncias Obtidas por meio da Conciliação  Medicamentosa em Pacientes Oncológicos: Revisão Integrativa da Literatura.”  Rbc inca, gov.br, 2021  

Vega TG, Sierra-Sánchez JF, Martínez-Bautista MJ, et al. “Medication  reconciliation in oncological patients: a randomized clinical trial”. J Manag Care  Spec Pharm. 2016;22(6):734-40  

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva [Internet]. Rio de  Janeiro: INCA.  

LIMA, Et:. al. “Desenvolvimento de protocolo de acompanhamento  farmacoterapêutico a pacientes em tratamento de câncer de mama”. Brazilian  Journal of Health Review, Curitiba, v. 4, n. 3, p. 11200-11215, maio/jun. 2021.  

Mario Jorge S. da Silva, Gov.br. 2018 (https://www.gov.br/ans/ptbr/arquivos/acesso-a-informacao/participacaodasociedade/camaras-e-grupostecnicos/camaras-e grupostecnicosanteriores/grupo-tecnico-deoncologiaoncorede/gt_oncorede_reuniao6_webex_apresentacao.pdf?)

SABINO, Erisley  Cássia Castro. “O uso de anticoncepcionais orais combinados e sua relação com o câncer  de mama. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biomedicina) – Centro  Universitário de Brasília”. UNICEUB, Faculdade de Ciências da Educação e Saúde – FACES, Brasília, 2024.  

SOARES, Laiara Et:. al. “A relevância da atenção farmacêutica no manejo de  reações adversas no tratamento oncológico: uma revisão sistemática”. Brazilian  Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 12, p. 112754-112772, dez. 2021.  

LIBONI, Lívia Soldatelli; CAMARGO, Aline Lins. Validação da prescrição  oncológica: o papel do farmacêutico na prevenção de erros de medicação.  Clinical and Biomedical Research, Porto Alegre, v. 29, n. 2, p. 147–152, set. 2009. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes  da Silva. Tratamento do câncer de mama.  

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes  da Silva. Tratamento do câncer de pulmão. Disponível  

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes  da Silva. Tratamento do câncer de próstata.  

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes  da Silva. Tratamento do câncer colorretal.  

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes  da Silva. Tratamento da leucemia mieloide crônica

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes  da Silva. Tratamento do mieloma múltiplo.  

VASCONCELOS, Márcia Vitória Gomes; SIMAS, Simone Malim; CORREIA,  Suelen Cristina Zadorosny; RIBAS, João Luiz Coelho. Interações  medicamentosas no tratamento oncológico em idosos na assistência domiciliar.  

Revista Saúde e Desenvolvimento, v. 14, n. 17, 2020. 


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