IMPACTO DO ABUSO DO ÁLCOOL NAS RELAÇÕES FAMILIARES: CONFLITOS E CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511131248


Ellen Vitória Barbosa Almeida1
Milena Kellen Correia de Sousa Costa2
Rafaela Lourã Borges Santos3
Hytalo Mangela de Sousa Faria4


Resumo:  O presente artigo teve como objetivo analisar o impacto do abuso de álcool nas relações familiares, buscando ampliar o olhar para os diferentes modos como a família é afetada por essa problemática. Trata-se de uma revisão sistemática integrativa da literatura, realizada a partir de publicações científicas que abordam as consequências do uso abusivo de álcool no contexto familiar. O estudo discute os principais impactos parentais, conjugais, financeiros, psicológicos e físicos decorrentes do consumo excessivo da substância, evidenciando como o comportamento do indivíduo alcoolista interfere na dinâmica e no equilíbrio emocional do núcleo familiar. Além disso, buscou-se identificar lacunas nas pesquisas existentes e propor possíveis estratégias de intervenção que favoreçam a reestruturação das relações familiares. Conclui-se que a compreensão ampliada dos efeitos do alcoolismo na família é essencial para o desenvolvimento de práticas preventivas e terapêuticas mais eficazes.

Palavras-chave: abuso de álcool; relações familiares; impactos psicológicos; revisão integrativa

Abstract: This article aims to analyze the impact of alcohol abuse on family relationships, seeking to broaden the perspective on the different ways in which the family is affected by this issue. It is an integrative systematic review of the literature, conducted based on scientific publications that address the consequences of abusive alcohol use in the family context. The study discusses the main parental, marital, financial, psychological, and physical impacts resulting from excessive substance consumption, highlighting how the behavior of the alcoholic individual interferes with the dynamics and emotional balance of the family unit. Furthermore, it sought to identify gaps in existing research and propose possible intervention strategies that promote the restructuring of family relationships. It is concluded that an expanded understanding of the effects of alcoholism on the family is essential for the development of more effective preventive and therapeutic practices.

Key-words: alcohol abuse; family relationships; psychological impacts; integrative review.

1  INTRODUÇÃO

O álcool tem sido, ao longo da história, amplamente aceito na sociedade como uma substância recreativa, associada a momentos de lazer, celebração e convivência social entre amigos e familiares. No entanto, quando seu consumo se torna excessivo e descontrolado, os impactos ultrapassam o indivíduo que faz uso da substância, afetando diretamente os que o cercam, sobretudo os familiares, que frequentemente enfrentam consequências psicológicas relevantes. Segundo (Pires et al., 2020) Por ser uma substância lícita, socialmente aceita e de fácil acesso, o álcool se configura como uma das substâncias psicoativas com maior poder de alcance e inserção na sociedade, favorecendo seu uso de forma ampla e naturalizada.

No Brasil, o monitoramento do consumo abusivo de álcool tem evidenciado a dimensão desse problema de saúde pública. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2013, revelaram que 16,4% da população adulta relatou episódios de consumo abusivo de bebidas alcoólicas, definido como a ingestão de cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais doses para mulheres em uma única ocasião, nos 30 dias anteriores à pesquisa. Esses resultados demonstram a expressiva prevalência do uso nocivo de álcool no país, indicando um comportamento que ultrapassa limites de lazer social e passa a configurar risco para a saúde física, mental e social (GARCIA; FREITAS, 2015).  

Historicamente, o consumo de álcool está profundamente inserido na cultura brasileira e é socialmente aceito em diferentes contextos, como encontros sociais. Entretanto, ao longo dos anos, o uso abusivo e desregulado dessa substância passou a representar um grave problema, contribuindo significativamente para o aumento das taxas de morbimortalidade. Além de estar associado a acidentes de trânsito e outras formas de violência, o consumo nocivo de álcool também gera impactos diretos e indiretos sobre os vínculos familiares e sociais.

O uso de drogas lícitas no Brasil, especialmente tabaco e álcool, é considerado grave problema para a saúde da população. Em relação a fatores humanos causadores de acidentes de trânsito, o álcool tem sido apontado como um dos principais. Sob a influência dessa substância, os acidentes são mais graves e o índice de mortalidade é maior. (TISOTT et al., 2015, p. 81)

Nesse contexto, observa-se que o alcoolismo ultrapassa a esfera individual e assume dimensões coletivas e sociais. Segundo o Relatório Global sobre Álcool e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2024), o uso abusivo de álcool está associado a diversos prejuízos à saúde física e mental, além de representar um custo elevado para os sistemas de saúde e para a sociedade como um todo. Em 2019, estimou-se que cerca de 400 milhões de pessoas com 15 anos ou mais conviviam com transtornos relacionados ao uso de álcool, sendo que aproximadamente 209 milhões enfrentavam dependência alcoólica. Além de comprometer o convívio familiar, o uso nocivo de álcool pode ter consequências fatais, provocando traumas e situações de luto entre os familiares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2024), o álcool é responsável por 4,7% de todas as mortes globais, totalizando 2,6 milhões de óbitos por ano.

No contexto familiar, a convivência com um dependente alcoólico é cada vez mais comum, e os efeitos dessa condição sobre a estrutura e o bem-estar emocional dos familiares tornam-se mais evidentes. Tais impactos vão além do sofrimento emocional, estendendo-se a prejuízos físicos e sociais que comprometem a qualidade de vida do grupo familiar. Como destacam Goto, Couto e Bastos (2013, apud Souza, 2021), tanto a pessoa que faz uso abusivo de álcool quanto seus familiares muitas vezes não reconhecem o problema, seja por medo do estigma, vergonha, sofrimento ou pela dificuldade em compreender o alcoolismo como uma doença, o que pode dificultar a busca por ajuda e o acesso ao tratamento.

O consumo abusivo de álcool interfere de forma significativa na dinâmica familiar, gerando ambientes marcados por negligência, violência e instabilidade emocional. As crianças, ao conviverem nesse contexto, ficam mais vulneráveis a experiências traumáticas que comprometem seu desenvolvimento emocional. De acordo com Ferraboli et al. (2015), as crianças estão entre os membros familiares mais impactados pelo alcoolismo, sendo que a convivência com um dos pais dependentes de álcool pode gerar marcas emocionais profundas, levando-as a desenvolver sentimentos de medo e desconfiança ao longo da vida.

Diante do número expressivo de indivíduos afetados pelo alcoolismo e dos impactos significativos dessa condição sobre a dinâmica familiar, torna-se essencial compreender como o uso abusivo de álcool repercute nas relações entre seus membros. Embora grande parte dos estudos enfatiza os efeitos sobre o dependente, as consequências emocionais, psicológicas e sociais que atingem os familiares ainda recebem pouca atenção, mesmo sendo igualmente relevantes.

Assim, este estudo justificou-se pela necessidade de ampliar o olhar para além do sujeito que faz uso da substância, buscando analisar também os prejuízos enfrentados pela família. Tal compreensão pode subsidiar intervenções mais eficazes, humanizadas e integradas, contribuindo para práticas de cuidado no campo da Psicologia que sejam sensíveis à complexidade do fenômeno e às demandas do contexto relacional.

Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo investigar os impactos do alcoolismo nas relações familiares, com ênfase nas consequências emocionais e comportamentais enfrentadas pelos membros da família. A pesquisa se propôs a explorar os aspectos psicológicos e relacionais que envolvem o convívio com um dependente alcoólico, sem adentrar especificamente nas dimensões médicas ou legais da dependência. Considerando a relevância do tema para o campo da Psicologia, este estudo busca contribuir para uma maior compreensão dos desafios enfrentados pelas famílias, a fim de subsidiar práticas de cuidado mais humanas, integradas e efetivas.

2   FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

De acordo com Haverfiel, Theiss e Leustek (2015, apud Carias e Granato, 2021) as famílias de pessoas com dependência alcoólica enfrentam dificuldades em diferentes aspectos da vida cotidiana, especialmente no que se refere à divisão de responsabilidades e aos padrões de comunicação entre seus membros.

Diante desse cenário, Lima-Rodríguez, et al (2015) explicam que, geralmente, a busca por auxílio ocorre em meio à desinformação sobre o alcoolismo e à dificuldade de reconhecer essa condição como uma enfermidade. Isso se deve, em grande parte, ao estigma social que atribui ao alcoolismo um comportamento moralmente condenável, e não uma doença. Por essa razão, tanto a pessoa dependente quanto seus familiares tendem a negar a gravidade do problema. Consequentemente, é comum que, ao recorrerem aos serviços de apoio, busquem alternativas para controlar o consumo, em vez de aderirem à proposta de abstinência, essencial nos modelos tradicionais de tratamento. 

Complementando essa perspectiva, Alzuguir (2014) observa que, nas intervenções terapêuticas conduzidas por psicólogos no Serviço de Alcoolismo, há uma ênfase na responsabilização individual, promovendo uma reflexão voltada aos aspectos internos e emocionais do sujeito, fundamentada na abordagem psicanalítica. Nessas intervenções, o foco não se concentra diretamente no consumo da substância, mas nas dinâmicas socioafetivas, especialmente nas relações com familiares e parceiros, que estão diretamente associadas ao sofrimento psíquico e consequentemente, ao desenvolvimento e à manutenção da dependência.

Sob esta mesma ótica Pereira et al. (2015) ressaltam que compreender a complexidade do processo de dependência do álcool implica considerar a família como ponto de partida, uma vez que é nesse espaço relacional que se estabelecem as primeiras experiências afetivas e sociais do indivíduo. As autoras afirmam que o vínculo com as figuras parentais constitui o cenário primário de todo o desenvolvimento psicossocial, influenciando diretamente a forma como o sujeito lida com frustrações, vínculos e comportamentos de dependência. Nesse sentido, o alcoolismo é compreendido como um acometimento psicossocial que ultrapassa o indivíduo, alcançando todo o seu círculo de relacionamentos e afetando de modo significativo a qualidade de vida e a saúde daqueles que convivem com o dependente químico. Tal condição gera desestruturação emocional, sobrecarga e sofrimento psíquico nos familiares, revelando a dimensão coletiva e relacional dessa problemática.

 De acordo com Silva (2015), a inclusão de estratégias terapêuticas voltadas aos familiares de dependentes é importante para promover o desenvolvimento de habilidades que favoreçam a mudança de comportamentos desadaptativos relacionados ao consumo de substâncias. Esses resultados também contribuem para a elaboração de futuras intervenções mais efetivas direcionadas tanto aos dependentes quanto aos seus familiares.

2.1    A intervenção Psicoterapêutica e atuação do CAPS AD junto a dependentes de Álcool e suas famílias

No contexto de tratamento de dependentes alcoólicos a psicoterapia assume um papel essencial tanto para o indivíduo alcoólico quanto para a família. “A psicoterapia se configura como um espaço de autoconhecimento, de elaboração emocional e de reconstrução de sentidos, promovendo transformações que repercutem nas relações interpessoais e no modo como o sujeito enfrenta as dificuldades da vida.” (CFP, 2019, p. 12). Diante disso ela contribui criando estratégias de enfrentamento e compreensão das causas psicológicas e comportamentais que impulsionaram o indivíduo a adentrar a esse ciclo vicioso. 

Dentro do tratamento do alcoolismo, existem diversas estratégias terapêuticas com o intuito de contribuir para a redução do consumo e melhorar as relações interpessoais. Borges e Schneider (2020) ressaltam a importância da família no processo de tratamento do usuário do CAPS AD, destacando que o apoio e o suporte fornecidos pelo centro são cruciais para a família. Uma terapia familiar para a dependência química pode beneficiar tanto no que se refere ao padrão de consumo do paciente quanto na melhora das relações familiares e sociais.” A terapia familiar surge, portanto, como um importante recurso de educação e conscientização, ajudando os membros da família a compreenderem que o alcoolismo se trata de uma doença. Além disso, contribui para a reconstrução das relações, permitindo que a família estabeleça vínculos mais saudáveis, e atua também na prevenção e na identificação de questões delicadas, como agressões físicas e psicológicas.

Além das intervenções terapêuticas individuais e familiares, a atuação em serviços de saúde especializados é fundamental. Os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) destacam-se como serviços estratégicos no cuidado a usuários de substâncias, considerando que o paradigma da redução de danos busca minimizar os riscos e prejuízos relacionados ao uso de drogas, sem necessariamente exigir a abstinência completa (QUINTAS, 2020).

O CAPS AD oferece acolhimento, acompanhamento e atendimento especializado, com o objetivo de favorecer a reinserção social do indivíduo e seu bem-estar. A participação da família também é considerada essencial: “A participação da família é um fator relevante no tratamento do usuário, assim como é importante que a família receba o apoio e suporte do CAPS AD” (BORGES; SCHNEIDER, 2020, p.228).

Além do suporte direto oferecido por este serviço, existem outras redes de apoio que fortalecem tanto o dependente quanto seus familiares. Entre elas, destaca-se o Alcoólicos Anônimos (A.A.), grupo voltado para o compartilhamento de experiências e enfrentamento diário do alcoolismo, promovendo suporte mútuo entre os participantes (ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, 2025). No contexto familiar, surge o Al-Anon, associação destinada a familiares e amigos de dependentes, que oferece acolhimento, escuta ativa e espaço para compartilhar vivências, fortalecendo a resiliência e a esperança (AL-ANON, 2025).  Todas essas redes de apoio contribuem para o restabelecimento de vínculos familiares e para a construção de uma nova dinâmica de convivência, beneficiando todo o ciclo familiar.

3   MATERIAL(IS) E MÉTODOS

Este trabalho consistiu em uma revisão sistemática integrativa, com o objetivo de reunir e analisar criticamente a produção científica disponível sobre o impacto do abuso de álcool nas relações familiares e nos conflitos psicológicos. Essa metodologia permitiu a inclusão de diferentes tipos de estudos, favorecendo uma compreensão mais ampla e aprofundada do tema. 

De acordo com Galvão e Pereira (2022), a revisão sistemática deve ser conduzida a partir de uma perspectiva investigativa, com o objetivo de pesquisar a literatura de forma objetiva e padronizada, evitando a influência de opiniões pessoais. Para isso, recomenda-se a formulação de uma pergunta norteadora e o uso de métodos transparentes e sistemáticos que permitam identificar, selecionar e sintetizar estudos relevantes, minimizando possíveis vieses de seleção. Ainda de acordo com Galvão e Pereira (2022), a revisão narrativa é caracterizada por reunir informações amplas sobre um determinado tema, englobando aspectos como causas, prevalência, tratamento e formas de prevenção, sem necessariamente seguir um protocolo sistemático de seleção e análise das fontes.

 A presente pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e quantitativa, considerando que reuniu dados descritivos e mensuráveis para compreender o fenômeno investigado. Segundo  Machado (2023), a escolha da abordagem metodológica deve ser guiada pelo objeto de estudo. O autor destaca que, quando há um consenso para a utilização dos métodos quantitativo e qualitativo, resulta-se em um enfoque misto. Essa combinação é essencial, pois as abordagens isoladas podem ser insuficientes para analisar a complexidade do fenômeno, e sua complementação deve estar alinhada ao planejamento da pesquisa.

O objetivo central consistiu em identificar e sintetizar os principais achados relacionados ao abuso de álcool no contexto familiar, contribuindo para a reflexão e o aprimoramento das práticas clínicas e das investigações acadêmicas na área. Conforme orientações metodológicas propostas por Higgins et al. (2022), os estudos recuperados após a busca inicial foram avaliados com base em critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos, como tipo de estudo, idioma, período de publicação e relevância para a pergunta de pesquisa. Essa seleção ocorreu em duas etapas: leitura de títulos e resumos, seguida da leitura integral dos textos considerados potencialmente relevantes. Tal procedimento foi fundamental para assegurar a inclusão de estudos de qualidade e diretamente relacionados ao tema investigado.

 Foram adotados como critérios de inclusão os estudos publicados entre 2014 e 2025, redigidos em português e inglês, de caráter empírico e que abordassem diretamente a temática proposta. Excluíram-se artigos de revisão, estudos sem base empírica e publicações que não se enquadram no escopo definido.

A busca pelos artigos foi realizada nas bases de dados SciELO, PePSIC (Periódicos Eletrônicos em Psicologia) e PubMed, selecionadas por sua relevância na área da Psicologia. A estratégia de busca utilizou os descritores: alcoolismo, relações familiares, bem-estar emocional e prejuízos psicológicos, refinados por filtros quanto ao tipo de estudo e ao período de publicação. A seleção dos estudos também ocorreu em duas etapas: inicialmente, foram analisados títulos e resumos; posteriormente, os artigos potencialmente relevantes foram lidos na íntegra, com a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos.

A extração dos dados foi realizada de forma padronizada, por meio de um formulário específico que contemplou informações como: autor, ano de publicação, metodologia empregada, características da amostra, intervenções realizadas e principais resultados. A padronização mostrou-se fundamental para assegurar a consistência e a comparabilidade das informações coletadas. 

A análise dos dados seguiu uma abordagem qualitativa e quantitativa, com os achados organizados em categorias temáticas emergentes durante a leitura dos artigos. Esse tipo de análise possibilitou uma compreensão mais aprofundada e contextualizada dos resultados, especialmente relevante em temas que envolvem aspectos subjetivos e sociais, como o impacto do abuso de álcool nas relações familiares.

4   RESULTADOS

A análise dos estudos selecionados constatou que, apesar de o tema ser amplamente discutido, ainda existem lacunas na literatura relacionadas ao impacto do abuso de álcool no contexto familiar. Observou-se que grande parte das pesquisas mantém o foco no indivíduo dependente, o que limita a compreensão do fenômeno em sua totalidade e restringe a produção de conhecimentos voltados ao sistema familiar e às dinâmicas relacionais afetadas pelo alcoolismo.

Além da escassez de olhares para as emoções individuais dos familiares, também podemos observar as lacunas ao olhar o sistema da família visto que uma família que convive com um indivíduo alcoólico sofre forte influência dele. Sob a ótica sistêmica, conforme Minuchin (1982), a família funciona como um sistema interdependente, no qual a disfunção de um membro afeta todo o conjunto. Nesse sentido, o alcoolismo de um dos integrantes pode desorganizar as fronteiras e papéis familiares, gerando desequilíbrios emocionais que repercutem em todos os membros.

Neste sentido é notório o quão é carente de pesquisas que voltem o olhar para crianças e adolescentes que crescem em meio a pais alcoólicos e o quão esses lares por sua vez disfuncionais prejudicam seu desenvolvimento emocional, tendo em vista que é um grupo fortemente vulnerável a abalos emocionais e comportamentais Conforme Bowen (1978), padrões emocionais disfuncionais tendem a ser transmitidos entre gerações, o que explica por que filhos de pais dependentes de álcool podem desenvolver dificuldades emocionais e comportamentais semelhantes às dos cuidadores.

Se por um lado o alcoolismo compromete o desenvolvimento emocional dos filhos, poroutro, também exerce efeitos devastadores sobre o relacionamento conjugal, tornando-o permeado por tensão, desrespeito e, muitas vezes, violência física ou psicológica, estudos apontam que o consumo excessivo do álcool contribui para que episódios de violência domésticas sejam mais graves e por vezes justificados pelo consumo em excesso.

De acordo com o modelo farmacológico, o álcool provoca desinibição e reduz a capacidade de julgamento, o que pode em algumas situações facilitar ou servir como justificativa para a ocorrência de determinados comportamentos mais agressivos. (FONSECA; GALDURÓZ; TONDOWSKI; NOTO, 2009, p. 746)

Esses dados, referentes a uma pesquisa de anos anteriores sobre padrões de violência familiar relacionados ao uso abusivo de álcool, demonstram a escassez de informações atualizadas, evidenciando uma lacuna na literatura quanto aos aspectos da violência doméstica relacionada ao consumo abusivo de álcool.

Outro ponto que foi possível observar é que grande parte dos estudos existe a predominância do enfoque epidemiológico ou médico em detrimento de abordagens psicológicas que busquem compreender o sofrimento e as estratégias de enfrentamento dos familiares. Além disso nota-se o predomínio de estudos internacionais com escassez de pesquisas brasileiras, recente o que dificulta a compreensão do problema em nosso contexto sociocultural.

De modo geral, foi possível observar que o alcoolismo ultrapassa a esfera do indivíduo se transformando em um problema que envolve a família em questões emocionais, físicas, psicológicas e financeiras. A carência de estudos que abordem essas dinâmicas sob a ótica psicológica e relacional evidencia a necessidade de novas pesquisas que contemplem o sistema familiar como um todo. Dessa forma, compreender o impacto do abuso de álcool nas famílias não apenas contribui para o avanço científico, mas também para o desenvolvimento de estratégias de intervenção mais sensíveis, eficazes e contextualizadas à realidade brasileira.

5  DISCUSSÃO

A análise realizada da literatura encontrada evidencia o quão o consumo excessivo do álcool exerce um papel danoso não só impactando o indivíduo que abusa do álcool como também se estende para a família, refletindo nas relações conjugais, na saúde física e emocional dos filhos bem como na vida financeira da família. Além disso é possível observar que grande parte das pesquisas foca no indivíduo alcoolista deixando que a família ocupe um papel secundário nas investigações científicas (Lima-Rodríguez et al., 2015.) Entretanto os estudos incluídos neste artigo buscam reforçar que a família também é uma vítima do alcoolismo  vivenciando sofrimento psicológico, sobrecarga emocional, e disfunção parental, o que confirma a necessidade de ampliar o enfoque das políticas públicas e intervenções clínicas para além do indivíduo (Silva et al., 2017).

5.1 Impactos do Abuso do Álcool nas relações conjugais. 

Quando se fala em violência doméstica, é importante compreender que ela não se restringe à agressão física, mas envolve também dimensões psicológicas, sexuais e morais. De acordo com Feijó et al. (2016), o consumo de álcool constitui um fator de risco relevante para a ocorrência de situações de violência conjugal.O uso excessivo da substância tende a gerar um ambiente familiar instável, favorecendo o surgimento de conflitos e comportamentos agressivos, nos quais o dependente acaba por instaurar uma atmosfera tóxica, acarretando abusos à sua parceira. Para combater essa realidade, foi criada a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que defende a mulher e estabelece medidas de proteção contra vítimas de agressão.

No entanto, apesar dos avanços legais e das políticas públicas de enfrentamento, os índices de violência doméstica ainda permanecem elevados. Segundo Honorato et al. (2019), “a ingestão abusiva de álcool é apontada como um dos fatores que amplificam a violência conjugal entre os pares e nos ambientes domésticos, gerando graves repercussões na convivência familiar”. Isso demonstra que a existência de leis protetivas, embora fundamental, não é suficiente para eliminar o problema, sendo necessário fortalecer ações de prevenção, educação e apoio psicológico tanto às vítimas quanto aos agressores.

O termo dependente alcoólico traz consigo uma imagem predominantemente masculina, e de acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA, 2024), os dados indicam que o consumo de bebidas alcoólicas ainda é mais prevalente entre os homens, sendo que 58% afirmaram consumir álcool, enquanto entre as mulheres esse índice é de 42%. Entretanto, pouco se fala sobre como esse vício afeta o ciclo feminino. O alcoolismo feminino acarreta repercussões intensas e precoces que aumentam a vulnerabilidade social das mulheres, manifestando-se também por meio de dificuldades nos relacionamentos familiares e conjugais (ANDRADE et al., 2020).

Com isso, surgem conflitos, afastamento emocional e desgaste na comunicação; a violência doméstica pode estar igualmente presente em meio ao vício feminino, intensificando o sofrimento psicológico e social dessas mulheres. Assim, torna-se essencial ampliar o debate sobre o alcoolismo no contexto feminino, reconhecendo suas especificidades e promovendo estratégias de acolhimento e intervenção que contemplem também as dimensões afetivas e conjugais. A codependência vem de um padrão de comportamentos no qual uma pessoa vive voltada para o outro, sendo muito comum que ocorra em casos de alcoolismo, nos quais o familiar ou parceiro esquece suas próprias necessidades e acredita ser capaz de salvar o indivíduo dependente. Esse padrão traz consigo uma dependência mútua.

A convivência com um familiar alcoolista pode gerar diversos prejuízos biopsicossociais, sobretudo para as mulheres, que frequentemente desenvolvem sentimento de culpa, tristeza e baixa autoestima. Além disso, tendem a assumir uma postura de controle e cuidado excessivo em relação ao dependente, colocando sua própria vida em função do outro e, consequentemente, adoecendo emocionalmente (MEIRA et al., 2020). O reconhecimento da codependência é um ponto fundamental para a modificação desse padrão, pois permite o desenvolvimento de maior autonomia e o fortalecimento de estratégias de enfrentamento. Uma ferramenta importante nesse processo são os grupos de apoio, como a associação Al-Anon, aliados ao acompanhamento terapêutico voltado para as relações conjugais e familiares.

Por fim, ampliar o olhar para as relações conjugais mostra-se fundamental, uma vez que, em vínculos afetivos com indivíduos dependentes químicos, o cônjuge tende a ser um dos principais impactados. O desgaste emocional, a sobrecarga financeira e, em muitos casos, a vivência de situações de violência compõem um cenário de sofrimento significativo. Diante disso, torna-se essencial o investimento em políticas públicas voltadas ao acolhimento de homens e mulheres que se encontram emocionalmente fragilizados por essa convivência, promovendo o cuidado integral e a preservação da saúde familiar. 

5.2   Repercussões financeiras no contexto familiar

Entre os diversos impactos causados pelo alcoolismo, o impacto financeiro que frequentemente se manifesta como endividamento, perda de renda e desorganização financeira  merece uma atenção significativa diante da desestruturação familiar. Segundo Tripathy, Purohit e Mishra (2019), o alcoolismo tem se tornado um fenômeno cada vez mais comum e desafiador na sociedade atual, gerando impactos que ultrapassam a esfera individual. Os autores destacam que, embora os prejuízos do consumo de álcool sejam frequentemente associados apenas ao próprio usuário, eles também atingem os familiares e o contexto social ao redor, resultando em consequências significativas, inclusive de ordem financeira.

Os estudos revisados na literatura apontam que famílias que convivem com um indivíduo dependente alcoólico enfrentam uma expressiva sobrecarga financeira e abalo nas relações familiares, especialmente devido à redução da capacidade laboral do dependente.

Conforme destacam  Figueiredo e Neto (2022), além dos gastos diretos com transporte, medicamentos e tratamento, há também custos indiretos associados às consequências do problema de saúde, como a perda de produtividade e de renda decorrente da incapacidade física temporária ou permanente  e até da mortalidade precoce do paciente.

A instabilidade financeira gerada pela dependência alcoólica ultrapassa a figura do indivíduo e se estende ao ambiente familiar, provocando desequilíbrios nas relações conjugais, redistribuição das responsabilidades domésticas e desgaste emocional coletivo. Em contextos de maior vulnerabilidade, essa sobrecarga pode comprometer até as necessidades básicas, como a alimentação dos filhos. De acordo com Tripathy, Purohit e Mishra (2019), o consumo excessivo de álcool acarreta impactos econômicos significativos, representando cerca de US$171 bilhões anuais em custos de saúde e perda de produtividade. Os autores ressaltam que o abuso de álcool pode gerar endividamento familiar, especialmente com cartões de crédito, em razão da redução da renda, do aumento de gastos relacionados ao consumo e da má gestão financeira resultante do comportamento impulsivo do dependente. Além disso, apontam que os familiares principalmente as crianças são fortemente afetadas, podendo desenvolver comportamentos codependentes, dificuldades escolares, distúrbios emocionais e até problemas de saúde mental, conforme também observado pela Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente (AACAP).

Diante deste cenário se faz necessário a criação de políticas públicas que considerem as questões financeiras de famílias que convivem com um dependente químico dentro do núcleo familiar como parte integrante do processo de cuidado. Programas de apoio às famílias, orientação financeira e ampliação do acesso a tratamentos gratuitos podem contribuir para a redução do estigma e da sobrecarga econômica. Assim, ao reconhecer que o alcoolismo ultrapassa o campo da saúde individual, o presente estudo reforça a importância de abordagens de vários setores que integrem dimensões sociais, econômicas e psicológicas no enfrentamento dessa problemática.

5.3   Impactos parentais e desenvolvimento emocional dos filhos

O núcleo familiar tem grande importância para que crianças e adolescentes desenvolvam-se emocionalmente de forma tranquila e adequada, uma vez que exerce forte influência na formação emocional e comportamental. De acordo com Omkarappa e Rentala (2019),  fatores hereditários e familiares exercem influência significativa no surgimento de quadros de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes, sendo que o alcoolismo parental tem impacto direto no desenvolvimento emocional desses jovens.

Quando crianças e adolescentes convivem com um genitor ou uma genitora alcoolista, a estrutura familiar tende a ser abalada, pois o uso abusivo do álcool contribui para o desequilíbrio emocional, a agressividade. De acordo com Pereira et al. (2015), experiências de risco vivenciadas no ambiente doméstico desde a infância podem comprometer a saúde mental do indivíduo, uma vez que as relações familiares influenciam no desenvolvimento de desordens mentais, sendo o consumo de álcool e outras drogas um dos principais fatores de risco nesse contexto.

Carias e Granato (2015) destacam que a imprevisibilidade de comportamento é uma das características mais marcantes no ambiente familiar em que há presença do alcoolismo. Segundo os autores, os filhos convivem diariamente com a instabilidade emocional e comportamental do responsável, o que gera um cenário de incerteza e insegurança.

O segundo aspecto da imprevisibilidade paterna se refere à oscilação entre o que os participantes chamaram de uma “dupla personalidade” do pai alcoólatra: quando está sóbrio apresenta humor estável e capacidade para o diálogo, mas, quando alcoolizado, tende a apresentar comportamentos impulsivos e violentos (CARIAS; GRANATO, 2015, p. 8).

Ao analisarmos o contexto do alcoolismo no ambiente familiar, é possível perceber o quanto crianças e adolescentes são afetados por essa realidade, muitas vezes apresentando consequências físicas, emocionais e comportamentais. Carias e Granato (2015) destacam ainda que, em casos mais graves, essas experiências traumáticas podem atuar como fatores que contribuem para o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos.

a comunicação parental agressiva e autoritária, os tabus que instalam o silêncio sobre assuntos emblemáticos da convivência, a violência intrafamiliar e a intensidade e frequência da ansiedade e do medo perante as condutas do progenitor alcoolista são fatores que favorecem o sofrimento psíquico nos filhos, contribuindo para o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e alterações cerebrais” (CARIAS; GRANATO, 2015, p. 2).

As consequências emocionais vividas ao longo dos anos podem gerar prejuízos significativos na vida da criança, afetando seu desempenho escolar, seu desenvolvimento infantil como um todo e, na vida adulta, refletindo-se em dificuldades de relacionamento e em comportamentos autodestrutivos. Além disso, Tondowski et al. (2014, apud Carias, 2018) discutem a hipótese de que a repetição de padrões de conduta familiar está associada aos modelos de relacionamento aprendidos no ambiente doméstico, os quais influenciam significativamente a formação emocional e as escolhas afetivas desses indivíduos ao longo da vida.

Tendo em vista esses pontos é fundamental compreender o impacto do consumo abusivo de álcool na parentalidade e entender os prejuízos acarretado a crianças e adolescentes que vivem nesse meio, compreender isto é essencial para orientar intervenções psicológicas e sociais que promovam o rompimento desse ciclo e o fortalecimento de recursos emocionais saudáveis.

6   CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo teve como objetivo compreender os impactos do abuso do álcool nas relações familiares  buscando analisar e compreender seus reflexos nas relações conjugais, parentais e na vida emocional dos indivíduos que são impactados físico, emocional e financeiro, abalando assim o núcleo familiar. 

Os resultados analisados ao longo do estudo nos mostram que o abuso do álcool por um indivíduo da família acarreta diversos prejuízos a seus familiares causando rupturas na dinâmica familiar, quando se trata de alcoolismo dentro da família é possível observar os prejuízos diretos ao vínculo conjugal e a estrutura emocional dos filhos. Observou- se que tal consumo abusivo está associado ao aumento de conflitos, episódios de violência doméstica e instabilidade tanto emocional quanto financeira. Gerando um ambiente de tensão constante e gradual.

 Além disso, filhos que são expostos a esta realidade tendem a apresentar prejuízos no desenvolvimento emocional, dificuldade em desenvolver relações saudáveis e comportamentos de risco que podem ser reproduzidos devido a padrões de comportamento observado desde a infância. Esses achados nos reforçam que o alcoolismo não é um problema somente do indivíduo alcoólico, mas um fenômeno que se estende e compromete todo o sistema familiar. 

Compreender essas consequências é fundamental para contribuir com o desenvolvimento de ações preventivas e de políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental e ao fortalecimento das famílias afetadas pelo alcoolismo. Assim, a pesquisa buscou deixar evidente a importância de um olhar integrado que envolva profissionais da psicologia, assistência social e saúde pública oferecendo assim suporte tanto ao dependente quanto a seus familiares.

Embora  a pesquisa tenha buscado trazer reflexões relevantes, este estudo apresentou limitações importantes. Observou-se a escassez de pesquisas com um olhar psicológico aprofundado, já que a maioria dos estudos encontrados adotaram uma perspectiva médica ou epidemiológica. Também foi possível observar a falta de pesquisas que abordam a experiência emocional dos familiares que convivem com indivíduos alcoólicos bem como a carência de estudos voltados especificamente para o impacto na vida de crianças e adolescentes. Além disso, há predomínio de produções de pesquisas internacionais, o que evidencia a necessidade de ampliar as investigações no contexto brasileiro. 

Além das questões de análise que levam em consideração as questões de gênero nas dinâmicas familiares afetadas pelo abuso de álcool. Desta forma, recomenda-se que as futuras pesquisas explorem essas dimensões citadas de forma mais abrangente contribuindo para a construção de intervenções mais humanizadas e eficazes capazes de promover relações familiares mais saudáveis  e bem-estar psicológico de todos os indivíduos.

REFERÊNCIAS

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1Ellen Vitória Barbosa Almeida Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), cursando o 10º período. E-mail: ellenvitoriabarbosaalmeida1@gmail.com
2Milena Kellen Correia de Sousa Costa Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), cursando o 10º período. E-mail: milenakellen1301@gmail.com
3Rafaela Lourã Borges Santos Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Maurício de Nassau
(Uninassau), cursando o 10º período. E-mail: rafaaboorges25@outlook.com
4Professor orientador Hytalo Mangela de Sousa Faria Esp. Em Saúde Mental .E-mail: hytalo09@gmail.com