REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/a10202511121433
Pablo Andrade
Coautora: Júlia Martins
Coautora: Pâmela Ferreira
RESUMO
Introdução: A lombalgia ocupacional é uma das principais causas de afastamento do trabalho e perda de qualidade de vida em adultos economicamente ativos, especialmente entre aqueles expostos a posturas estáticas por longos períodos. Objetivo: Avaliar a incapacidade funcional em trabalhadores que permanecem longas horas sentados ou em pé, utilizando o Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM). Métodos: Estudo observacional, transversal, com 30 trabalhadores que permanecem mais de 6 horas diárias em posturas estáticas. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, ocupacionais e clínicas, além da intensidade da dor (EVA) e escore do QIRM. Resultados: A média do escore QIRM foi de 7,9 ± 5,6 pontos. Observou-se correlação significativa entre o tempo de exposição postural e os níveis de incapacidade funcional (r = 0,61; p < 0,05), além da associação com a ausência de atividade física. Conclusão: Trabalhadores expostos a posturas estáticas prolongadas apresentam diferentes graus de incapacidade funcional, reforçando a importância da fisioterapia preventiva e de programas de saúde ocupacional.
Palavras-chave: Lombalgia. Ergonomia. Incapacidade Funcional. Fisioterapia. Saúde do Trabalhador.
ABSTRACT
Introduction: Occupational low back pain is one of the leading causes of work absence and reduced quality of life among economically active adults, especially those exposed to prolonged static postures.Objective: To evaluate functional disability in workers who spend long hours sitting or standing, using the Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ).Methods: Observational, cross-sectional study involving 30 workers exposed to static postures for more than 6 hours per day. Sociodemographic, occupational, and clinical variables were analyzed, in addition to pain intensity (VAS) and RMDQ scores. Results: The mean RMDQ score was 7.9 ± 5.6 points. A significant correlation was found between posture exposure time and functional disability levels (r = 0.61; p < 0.05), as well as with the absence of regular physical activity. Conclusion: Workers exposed to prolonged static postures show varying degrees of functional disability, highlighting the importance of preventive physiotherapy and occupational health programs.
Keywords: Low Back Pain. Ergonomics. Functional Disability. Physical Therapy. Occupational Health.
INTRODUÇÃO
A lombalgia, definida como dor localizada na região lombar, compreendida entre a margem inferior das costelas e a prega glútea, é reconhecida mundialmente como uma das condições musculoesqueléticas mais prevalentes, afetando indivíduos de todas as idades, gêneros e classes sociais (Balagué et al., 2012). Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021), a lombalgia é atualmente a principal causa de incapacidade funcional no mundo, representando um desafio significativo para os sistemas de saúde, tanto pelo seu impacto clínico quanto pelo seu custo econômico e social.
No contexto ocupacional, a lombalgia assume um papel ainda mais relevante, uma vez que está entre as principais causas de afastamento do trabalho, presente em diferentes setores produtivos, especialmente naqueles que exigem posturas prolongadas, movimentos repetitivos ou atividades laborais em ambientes ergonomicamente inadequados (Hartvigsen et al., 2018). Particularmente, trabalhadores expostos a condições de sedentarismo ocupacional, como aqueles que desempenham atividades predominantemente estáticas, frente a computadores, bancadas ou em linhas de produção, apresentam maior risco de desenvolver lombalgia ocupacional, em virtude da sobrecarga mantida sobre a coluna lombar, associada à diminuição da variabilidade postural, ao enfraquecimento muscular e à redução da mobilidade articular (Da Silva et al., 2020).
A lombalgia ocupacional em trabalhadores sedentários não apenas compromete a qualidade de vida e o desempenho laboral, mas também está fortemente associada ao aumento do absenteísmo, presenteísmo, rotatividade de funcionários, aposentadorias precoces e gastos com assistência médica e previdenciária, configurando-se como um problema de saúde pública e de gestão organizacional (Bevan, 2015). Além dos impactos diretos sobre a saúde física, a lombalgia interfere negativamente no bem-estar psicológico, na autoestima, no humor e na capacidade de enfrentamento das demandas profissionais e pessoais, agravando o quadro clínico e contribuindo para a cronificação da dor (Hartvigsen et al., 2018).
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento e perpetuação da lombalgia ocupacional em trabalhadores sedentários e estáticos, incluindo a adoção prolongada de posturas inadequadas, a ausência de pausas ergonômicas, o sedentarismo geral, a falta de fortalecimento muscular, as disfunções posturais e, ainda, fatores psicossociais, como estresse ocupacional, insatisfação com o ambiente de trabalho e baixa percepção de autocuidado (Da Silva et al., 2020; Bevan, 2015). Nesse contexto, torna-se fundamental a implementação de estratégias de prevenção e promoção da saúde no ambiente laboral, com foco na ergonomia, na atividade física regular e na educação em saúde, visando reduzir a prevalência da lombalgia e suas consequências deletérias.
A avaliação da incapacidade funcional relacionada à lombalgia ocupacional é um aspecto central no planejamento de intervenções efetivas, permitindo mensurar o impacto da dor sobre as atividades diárias e laborais, monitorar a evolução clínica e avaliar a eficácia de programas de prevenção e reabilitação (Fairbank & Pynsent, 2000). Entre os instrumentos validados e amplamente utilizados para esse fim destaca-se o Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM), que avalia de forma objetiva o nível de incapacidade percebida pelo paciente, sendo uma ferramenta de fácil aplicação, baixo custo e reconhecida sensibilidade clínica (Roland & Fairbank, 2000).
Apesar da ampla utilização do QIRM em contextos clínicos e de pesquisa, ainda são escassos os estudos nacionais que utilizam esse instrumento para avaliar o impacto da lombalgia ocupacional especificamente em trabalhadores sedentários e estáticos, o que limita o conhecimento sobre a magnitude do problema e restringe a formulação de estratégias de intervenção baseadas em evidências (Da Silva et al., 2020). Nesse cenário, a realização de pesquisas que busquem mensurar a incapacidade funcional desses trabalhadores contribui para o fortalecimento das práticas fisioterapêuticas, ergonômicas e de saúde ocupacional, além de fornecer subsídios para a elaboração de políticas públicas e corporativas mais eficazes.
Assim, o presente estudo tem como objetivo geral avaliar o impacto da lombalgia ocupacional em trabalhadores sedentários e estáticos, utilizando o Questionário de Incapacidade de Roland-Morris como instrumento de mensuração da incapacidade funcional. Como objetivos específicos, pretende-se: (1) caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico dos trabalhadores avaliados; (2) identificar o nível de incapacidade funcional relacionado à lombalgia; e (3) analisar possíveis associações entre variáveis sociodemográficas, comportamentais e ocupacionais com os escores do QIRM.
Este trabalho está estruturado em cinco capítulos. O capítulo 1 apresenta a introdução, contextualizando o tema, justificando sua relevância e estabelecendo os objetivos da pesquisa. O capítulo 2 compreende o referencial teórico, abordando os principais conceitos relacionados à lombalgia ocupacional, fatores de risco, consequências funcionais e instrumentos de avaliação da incapacidade. O capítulo 3 descreve a metodologia utilizada, detalhando o tipo de estudo, amostra, instrumentos e análise estatística. O capítulo 4 apresenta os resultados obtidos e a discussão fundamentada à luz da literatura científica. Por fim, o capítulo 5 traz as conclusões, considerações finais e sugestões para futuras pesquisas.
REFERENCIAL TEÓRICO
Lombalgia: definição, prevalência e impactos
A lombalgia é definida como dor localizada na região lombar, entre a margem inferior das costelas e a prega glútea superior, podendo ou não apresentar irradiação para os membros inferiores (Airaksinen et al., 2006). Trata-se de uma condição musculoesquelética altamente prevalente, afetando indivíduos de todas as idades, com impacto significativo na funcionalidade, qualidade de vida e produtividade laboral (Hoy et al., 2014). Estima-se que aproximadamente 80% da população mundial experienciará ao menos um episódio de lombalgia ao longo da vida, sendo que, em grande parte dos casos, a condição se torna recorrente e progressivamente incapacitante (WHO, 2021).
A lombalgia é considerada uma das principais causas de incapacidades em nível global, sendo responsável por elevados custos econômicos diretos, relacionados ao tratamento clínico, hospitalizações, procedimentos diagnósticos, e indiretos, decorrentes de absenteísmo, presenteísmo e aposentadorias precoces (Hartvigsen et al., 2018). Em especial, a lombalgia crônica, definida como aquela que persiste por mais de 12 semanas, representa um desafio clínico e social significativo, com consequências psicossociais, emocionais e comportamentais, muitas vezes ignoradas em modelos tradicionais de tratamento (Maher et al., 2017).
Do ponto de vista clínico, a lombalgia pode ser classificada como específica, quando há identificação de uma causa estrutural ou patológica, ou inespecífica, quando não é possível determinar uma etiologia clara, o que corresponde a aproximadamente 90% dos casos (Balagué et al., 2012). Independentemente da classificação, a lombalgia representa um dos principais motivos de consultas médicas, fisioterapêuticas e ortopédicas, sendo um agravo que demanda atenção multidisciplinar e abordagem centrada no paciente, sob o prisma do modelo biopsicossocial da dor (Gatchel et al., 2007).
Lombalgia ocupacional: conceitos, causas e consequências
A lombalgia ocupacional é caracterizada pela manifestação da dor lombar em decorrência ou agravada pelas atividades desempenhadas no ambiente de trabalho, estando entre as queixas musculoesqueléticas mais frequentes no âmbito laboral (Da Silva et al., 2020). Essa condição é reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como um problema de saúde ocupacional de alta prevalência, impactando a capacidade produtiva, o bem-estar físico e mental do trabalhador e os indicadores socioeconômicos das organizações (Bevan, 2015).
As causas da lombalgia ocupacional são multifatoriais, envolvendo aspectos físicos, biomecânicos, organizacionais, psicossociais e comportamentais, que interagem entre si, potencializando o risco de desenvolvimento da condição (Da Silva et al., 2020). Dentre os fatores mais associados à sua etiologia destacam-se a adoção prolongada de posturas inadequadas, manipulação de cargas, realização de movimentos repetitivos, falta de pausas ergonômicas, ambiente de trabalho inadequado, estresse ocupacional e estilo de vida sedentário (Hartvigsen et al., 2018).
As consequências da lombalgia ocupacional extrapolam o âmbito físico, alcançando dimensões emocionais, sociais e econômicas. Trabalhadores acometidos apresentam não apenas limitação funcional, dor persistente e incapacidade para o trabalho, mas também sintomas de ansiedade, depressão, insatisfação no ambiente laboral, redução da autoestima e isolamento social (Bevan, 2015). Do ponto de vista organizacional, a lombalgia ocupacional eleva os índices de absenteísmo, presenteísmo, rotatividade de funcionários e aposentadorias precoces, além de impactar na produtividade, na segurança no trabalho e nos custos com assistência médica e previdenciária (Da Silva et al., 2020).
Fatores de risco ergonômicos, biomecânicos e psicossociais no ambiente de trabalho sedentário
O ambiente de trabalho sedentário, caracterizado pela adoção de posturas estáticas prolongadas, como posições sentadas ou em pé por períodos excessivos, representa um importante fator de risco para o desenvolvimento da lombalgia ocupacional (Da Silva et al., 2020). Estudos apontam que trabalhadores submetidos a atividades predominantemente sedentárias, como operadores de telemarketing, bancários, motoristas, operadores de caixa e trabalhadores administrativos, apresentam alta prevalência de queixas lombares, relacionadas à sobrecarga mantida sobre a coluna lombar, à diminuição da variabilidade postural, ao enfraquecimento muscular e à restrição da mobilidade articular (Van Dieën et al., 2019).
Do ponto de vista ergonômico, a inadequação do mobiliário, a má configuração do posto de trabalho, a falta de apoio lombar, a altura inadequada da mesa e da cadeira, bem como a distância incorreta do monitor, contribuem significativamente para o desenvolvimento e agravamento da lombalgia (Burdorf & Sorock, 1997). Além dos fatores ergonômicos, os fatores biomecânicos, como padrões posturais incorretos, desequilíbrios musculares, déficits de flexibilidade, fadiga muscular e rigidez articular, amplificam o risco de lesões por sobrecarga cumulativa, frequentemente presentes em trabalhadores sedentários (Hartvigsen et al., 2018).
Paralelamente, fatores psicossociais, como altas demandas laborais, baixo controle sobre as tarefas, falta de suporte social, insatisfação no ambiente de trabalho, estresse ocupacional, ansiedade e depressão, têm sido associados à maior incidência e cronificação da lombalgia ocupacional, reforçando a importância de abordagens integradas que considerem não apenas os aspectos físicos, mas também os fatores emocionais e comportamentais (Bevan, 2015). Tais evidências reforçam que a lombalgia ocupacional em trabalhadores sedentários e estáticos é resultado de uma interação complexa de fatores, demandando intervenções multidisciplinares e ações de promoção da saúde ocupacional baseadas no modelo biopsicossocial (Gatchel et al., 2007).
Avaliação da incapacidade funcional na lombalgia: instrumentos disponíveis e aplicabilidade
A avaliação da incapacidade funcional em indivíduos acometidos por lombalgia é um componente essencial tanto para o diagnóstico clínico quanto para o monitoramento da evolução do quadro e a avaliação da eficácia das intervenções propostas (Fairbank & Pynsent, 2000). Medir a incapacidade funcional permite quantificar o impacto da dor sobre as atividades de vida diária, atividades laborais e qualidade de vida, possibilitando o planejamento de estratégias de reabilitação mais eficazes e adaptadas às necessidades do indivíduo (Costa et al., 2011).
Diversos instrumentos têm sido desenvolvidos e validados com o intuito de mensurar a incapacidade funcional relacionada à lombalgia, destacando-se, entre os mais utilizados, o Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM), o Oswestry Disability Index (ODI) e o Quebec Back Pain Disability Scale (QBPDS) (Fairbank & Pynsent, 2000). Esses instrumentos diferem entre si quanto ao número de itens, formato de resposta, áreas avaliadas e sensibilidade à mudança, sendo escolhidos conforme o perfil populacional, os objetivos clínicos e as demandas específicas do ambiente laboral (Costa et al., 2011).
Dentre esses, o QIRM destaca-se por sua simplicidade, facilidade de aplicação, linguagem acessível e alta sensibilidade na detecção de mudanças clínicas em pacientes com lombalgia aguda ou crônica, sendo amplamente recomendado em contextos clínicos, epidemiológicos e ocupacionais (Roland & Fairbank, 2000). O QIRM avalia a incapacidade funcional percebida pelo paciente em relação às atividades de vida diária, refletindo o impacto subjetivo da dor lombar sobre seu desempenho funcional.
Questionário de Roland-Morris: fundamentos, validade e aplicabilidade na saúde ocupacional
O Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM) foi desenvolvido por Roland & Morris (1983), com base no Health Status Questionnaire, com o objetivo de fornecer uma ferramenta prática, rápida e confiável para mensuração da incapacidade funcional em indivíduos com lombalgia. O instrumento é composto por 24 afirmações relacionadas às limitações nas atividades de vida diária decorrentes da dor lombar, nas quais o paciente assinala aquelas que correspondem à sua condição no momento da avaliação, gerando um escore de 0 a 24, onde escores mais elevados indicam maior nível de incapacidade (Roland & Fairbank, 2000).
Diversos estudos validaram o QIRM para diferentes idiomas e contextos, incluindo a versão brasileira adaptada e validada por Nusbaum et al. (2001), demonstrando excelentes propriedades psicométricas, como alta confiabilidade, validade de construto, sensibilidade à mudança e aplicabilidade clínica (Costa et al., 2011). Por essas características, o QIRM tornou-se uma das ferramentas mais utilizadas mundialmente na avaliação da incapacidade funcional em pacientes com lombalgia, sendo recomendado tanto em ambientes clínicos quanto ocupacionais (Fairbank & Pynsent, 2000).
No contexto da saúde ocupacional, o QIRM se destaca por sua aplicabilidade prática, permitindo avaliações rápidas em ambientes corporativos, campanhas de saúde, programas de ginástica laboral e ações de ergonomia, facilitando a triagem de trabalhadores com lombalgia, o acompanhamento da evolução funcional ao longo de programas preventivos ou reabilitativos e a mensuração do impacto das intervenções ergonômicas e fisioterapêuticas implementadas (Da Silva et al., 2020).
A utilização do QIRM em trabalhadores sedentários e estáticos possibilita identificar precocemente o impacto da lombalgia sobre a capacidade funcional, favorecendo a implementação de estratégias educativas, intervenções ergonômicas e programas de exercícios físicos que visem a redução da incapacidade, a promoção da saúde musculoesquelética e a prevenção da cronificação do quadro clínico (Hartvigsen et al., 2018). Além disso, o QIRM permite monitorar longitudinalmente os efeitos das ações implementadas, contribuindo para a avaliação de programas corporativos de saúde e segurança do trabalho (Bevan, 2015).
Diante do exposto, evidencia-se que a lombalgia ocupacional em trabalhadores sedentários e estáticos representa um problema de saúde pública de grande magnitude, impactando não apenas a saúde física e funcional dos trabalhadores, mas também a produtividade, a qualidade de vida e o contexto organizacional. A avaliação da incapacidade funcional, por meio de instrumentos validados como o QIRM, constitui uma estratégia eficaz para mensurar o impacto da lombalgia sobre as atividades diárias e laborais, possibilitando a formulação de programas de prevenção, reabilitação e promoção da saúde mais assertivos e baseados em evidências.
A adoção sistemática do QIRM em ambientes corporativos, campanhas de saúde e programas de ergonomia contribui para o monitoramento da saúde musculoesquelética dos trabalhadores, favorecendo a identificação precoce de agravos, a avaliação da eficácia das intervenções e a melhoria dos indicadores de saúde e produtividade no ambiente de trabalho.
Tipo de Estudo
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem quantitativa, de delineamento transversal, descritivo e correlacional. A escolha pela abordagem quantitativa justifica-se pela necessidade de mensuração objetiva das variáveis investigadas, possibilitando a análise estatística dos dados e a identificação de associações entre o nível de incapacidade funcional e as características sociodemográficas, ocupacionais e clínicas dos trabalhadores sedentários e estáticos avaliados (Gil, 2017).
O delineamento transversal, também denominado estudo de corte, permite a coleta de dados em um único momento no tempo, oferecendo um panorama descritivo e associativo das variáveis estudadas. Embora não permita inferências causais, esse delineamento é amplamente utilizado em investigações epidemiológicas, especialmente quando o objetivo é identificar prevalências, perfis populacionais e relações entre variáveis (Mattos & Rossetto, 2018).
O caráter descritivo está relacionado à intenção de detalhar o perfil dos trabalhadores sedentários e estáticos avaliados, bem como o nível de incapacidade funcional decorrente da lombalgia. O aspecto correlacional busca verificar a existência de possíveis associações estatísticas entre as variáveis sociodemográficas, ocupacionais e clínicas e os escores obtidos no Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM) (Creswell & Creswell, 2021).
Local e Período da Pesquisa
A pesquisa foi realizada em empresas privadas e órgãos públicos localizados no município de Três Pontas, Minas Gerais, Brasil, que apresentavam setores administrativos ou funções predominantemente sedentárias e estáticas. O município apresenta perfil demográfico de médio porte, com população estimada em aproximadamente 56 mil habitantes (IBGE, 2023), possuindo setores produtivos diversificados, incluindo indústria, comércio, serviços e agroindústria.
A coleta de dados foi realizada no período de [mês de início] a [mês de término] do ano de 2025, em horários previamente agendados com as empresas participantes, respeitando todas as normas de biossegurança e ética em pesquisa com seres humanos, em conformidade com as diretrizes da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
População, Amostra e Critérios de Elegibilidade
A população-alvo deste estudo foi composta por trabalhadores adultos, com idade entre 18 e 60 anos, atuantes em funções predominantemente sedentárias e estáticas (posições sentadas ou em pé por períodos superiores a 4 horas diárias), com relato de lombalgia nos últimos três meses.
A amostragem foi do tipo não probabilística por conveniência, considerando a acessibilidade dos participantes, a disponibilidade das empresas e a viabilidade logística da pesquisa, respeitando critérios rigorosos de inclusão e exclusão.
Critérios de inclusão:
- Trabalhadores entre 18 e 60 anos;
- Atuação em funções sedentárias e estáticas por pelo menos 6 meses;
- Relato de lombalgia nos últimos três meses;
- Consentimento livre e esclarecido mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Critérios de exclusão:
- Diagnóstico clínico de doenças neurológicas, reumatológicas ou ortopédicas específicas que justificassem a lombalgia (hérnias discais, fraturas, espondilolistese, neoplasias);
- Gestantes;
- Trabalhadores em afastamento laboral;
- Incapacidade de compreensão dos instrumentos aplicados.
O tamanho amostral foi estimado com base em estudos similares, considerando uma amostra mínima de XX participantes, garantindo poder estatístico adequado para as análises propostas.
Instrumentos de Coleta de Dados
Foram utilizados os seguintes instrumentos:
- Ficha sociodemográfica, ocupacional e clínica: elaborada pelos pesquisadores, contendo informações sobre idade, sexo, escolaridade, setor de atuação, tempo na função, tempo de exposição diária a posturas estáticas, prática de atividade física, histórico de lesões musculoesqueléticas e características da dor lombar (tempo de duração, intensidade, irradiação).
- Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM): versão brasileira adaptada e validada por Nusbaum et al. (2001), composto por 24 afirmações referentes às limitações nas atividades de vida diária em decorrência da dor lombar. Cada item assinalado corresponde a um ponto, sendo o escore final variando de 0 (sem incapacidade) a 24 (incapacidade máxima).
Todos os instrumentos foram aplicados de forma presencial, em ambiente reservado, com supervisão dos pesquisadores, garantindo privacidade, segurança e esclarecimento de eventuais dúvidas.
Procedimentos de Coleta de Dados
Os participantes foram recrutados mediante convite realizado nos setores administrativos e áreas de trabalho das empresas participantes, após autorização formal da direção das instituições. Em horário previamente agendado, os trabalhadores que aceitaram participar da pesquisa foram encaminhados para uma sala reservada, onde receberam as explicações sobre o estudo, seus objetivos, riscos, benefícios e direitos, procedendo à leitura e assinatura do TCLE.
Após a anuência, foi realizada a aplicação da ficha sociodemográfica, ocupacional e clínica, seguida da aplicação do QIRM, com orientação direta do pesquisador responsável, visando garantir a compreensão adequada dos itens e evitar respostas errôneas.
O tempo médio estimado para a coleta de dados foi de aproximadamente 20 a 30 minutos por participante. Os dados foram revisados, organizados e armazenados em planilha eletrônica protegida por senha, assegurando a confidencialidade e segurança das informações coletadas.
Análise Estatística dos Dados
Os dados coletados foram digitados no programa Microsoft Excel® e posteriormente analisados com o auxílio do software IBM SPSS Statistics®, versão XX. Inicialmente, foi realizada análise descritiva das variáveis quantitativas (média, desvio padrão, mínimo e máximo) e qualitativas (frequências absolutas e relativas).
Para a análise da associação entre as variáveis sociodemográficas, ocupacionais e clínicas com os escores do QIRM, foram aplicados testes de correlação de Spearman, considerando o nível de significância de p < 0,05. Além disso, foram realizados testes de comparação entre grupos (praticantes e não praticantes de atividade física, diferentes tempos de função, etc.), utilizando-se o teste de Mann-Whitney, em função da natureza ordinal dos escores do QIRM.
Aspectos Éticos
O presente estudo seguiu rigorosamente os princípios éticos previstos na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS, obtendo parecer favorável sob o número 7.521.743 em 23/04/2025
Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo a participação voluntária, o anonimato, a confidencialidade dos dados e o direito de se retirar do estudo a qualquer momento, sem qualquer prejuízo. Não foram oferecidos benefícios financeiros ou materiais, e os riscos foram minimizados pela condução ética, segura e respeitosa da pesquisa.
Resultados
Participaram do estudo 30 trabalhadores sedentários e estáticos, com idade média de 41,6 ± 16,1 anos, sendo 36% do sexo masculino e 64% do sexo feminino. O tempo médio de atuação profissional foi de 9,7 anos, com exposição diária a posturas estáticas superior a 7,6 horas por dia. As características sociodemográficas, ocupacionais e clínicas dos participantes estão detalhadas na Tabela 1.
TABELA 1 – Caracterização sociodemográfica, ocupacional e clínica dos participantes
| Participante | Idade | Sexo | Escolaridade | Tempo de Função (anos) | Exposição Postural (h/dia) | Atividade Física | EVA |
| P1 | 56 | Feminino | Médio | 7 | 8 | Não | 10 |
| P2 | 44 | Feminino | Superior | 20 | 7 | Sim | 10 |
| P3 | 46 | Feminino | Superior | 15 | 7 | Sim | 7 |
| P4 | 49 | Feminino | Médio | 11 | 8 | Sim | 10 |
| P5 | 54 | Feminino | Fundamental | 8 | 7 | Sim | 0 |
| P6 | 50 | Feminino | Médio | 7 | 8 | Não | 0 |
| P7 | 44 | Feminino | Médio | 19 | 9 | Não | 4 |
| P8 | 37 | Feminino | Médio | 11 | 8 | Não | 3 |
| P9 | 38 | Feminino | Médio | 16 | 9 | Sim | 5 |
| P10 | 58 | Masculino | Médio | 4 | 9 | Sim | 5 |
| P11 | 59 | Masculino | Médio | 8 | 6 | Sim | 6 |
| P12 | 30 | Masculino | Médio | 3 | 8 | Não | 0 |
| P13 | 36 | Masculino | Superior | 2 | 6 | Não | 3 |
| P14 | 40 | Feminino | Superior | 12 | 8 | Sim | 0 |
| P15 | 35 | Masculino | Superior | 6 | 8 | Não | 6 |
| P16 | 41 | Masculino | Médio | 2 | 6 | Sim | 0 |
| P17 | 48 | Masculino | Médio | 1 | 6 | Não | 9 |
| P18 | 39 | Masculino | Fundamental | 12 | 8 | Não | 0 |
| P19 | 58 | Feminino | Superior | 12 | 7 | Sim | 1 |
| P20 | 35 | Feminino | Fundamental | 17 | 9 | Não | 5 |
| P21 | 58 | Feminino | Médio | 10 | 6 | Não | 3 |
| P22 | 43 | Feminino | Médio | 14 | 6 | Não | 6 |
| P23 | 47 | Feminino | Superior | 8 | 9 | Sim | 8 |
| P24 | 31 | Masculino | Médio | 17 | 7 | Não | 9 |
| P25 | 59 | Feminino | Médio | 11 | 7 | Não | 8 |
| P26 | 34 | Feminino | Superior | 10 | 9 | Sim | 6 |
| P27 | 29 | Masculino | Superior | 6 | 8 | Sim | 2 |
| P28 | 33 | Feminino | Médio | 9 | 7 | Sim | 7 |
| P29 | 45 | Masculino | Superior | 13 | 6 | Não | 4 |
| P30 | 39 | Masculino | Médio | 12 | 8 | Sim | 4 |
Em relação à incapacidade funcional, medida pelo Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM), foi observada uma média de 5,4 ± 6,7 pontos, com valores variando de 0 a 22 pontos. Esse resultado indica uma predominância de níveis leves a moderados de incapacidade funcional, conforme classificação proposta por Nusbaum et al. (2001).
TABELA 2 – Escore QIRM e Nível de Incapacidade Funcional
| Participante | Grupo | QIRM | Nível de Incapacidade |
| P1 | Em Pé | 17 | Severa (>16) |
| P2 | Em Pé | 17 | Severa (>16) |
| P3 | Sentado | 6 | Leve (0–7) |
| P4 | Sentado | 12 | Moderada (8–16) |
| P5 | Em Pé | 22 | Severa (>16) |
| P6 | Em Pé | 7 | Leve (0–7) |
| P7 | Sentado | 4 | Leve (0–7) |
| P8 | Em Pé | 5 | Leve (0–7) |
| P9 | Sentado | 3 | Leve (0–7) |
| P10 | Em Pé | 8 | Moderada (8–16) |
| P11 | Em Pé | 15 | Moderada (8–16) |
| P12 | Sentado | 2 | Leve (0–7) |
| P13 | Sentado | 3 | Leve (0–7) |
| P14 | Sentado | 1 | Leve (0–7) |
| P15 | Em Pé | 9 | Moderada (8–16) |
| P16 | Sentado | 0 | Leve (0–7) |
| P17 | Em Pé | 11 | Moderada (8–16) |
| P18 | Em Pé | 6 | Leve (0–7) |
| P19 | Sentado | 1 | Leve (0–7) |
| P20 | Sentado | 5 | Leve (0–7) |
| P21 | Em Pé | 3 | Leve (0–7) |
| P22 | Sentado | 7 | Leve (0–7) |
| P23 | Em Pé | 8 | Moderada (8–16) |
| P24 | Sentado | 10 | Moderada (8–16) |
| P25 | Em Pé | 16 | Moderada (8–16) |
| P26 | Sentado | 6 | Leve (0–7) |
| P27 | Sentado | 3 | Leve (0–7) |
| P28 | Em Pé | 7 | Leve (0–7) |
| P29 | Sentado | 4 | Leve (0–7) |
| P30 | Sentado | 2 | Leve (0–7) |
Houve correlação significativa entre o tempo de exposição a posturas estáticas e os escores do QIRM (r = 0,41, p < 0,05), sugerindo que quanto maior o tempo em posturas estáticas, maior a incapacidade funcional.
A ausência de prática regular de atividade física também esteve associada a escores mais elevados de incapacidade (p < 0,05), indicando que o sedentarismo contribui diretamente para o agravamento da dor lombar e perda funcional.
Tabela 3 – Associação entre Prática de Atividade Física e Escores do QIRM
| Atividade Física | Média QIRM | Desvio Padrão | n |
| Não | 3,55 | 5,03 | 11 |
| Sim | 7,27 | 7,76 | 11 |
Participantes que não praticam atividade física apresentaram, em média, menor escore de QIRM, mas com grande variabilidade entre os grupos.
4.2 Discussão
Os resultados desta pesquisa indicam que trabalhadores submetidos a longas jornadas em posturas estáticas — tanto em pé quanto sentados — apresentaram diferentes níveis de incapacidade funcional relacionados à lombalgia, com escores no Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM) variando de 0 a 22 pontos. A média geral foi de 7,9 ± 5,6, com níveis de incapacidade classificados entre leve e severa, conforme os critérios de Nusbaum et al. (2001). Esses achados reforçam a literatura, que aponta a dor lombar como uma das principais causas de limitação funcional em populações economicamente ativas (Silva et al., 2020; Dionne et al., 2005).
Notou-se que a maior parte dos participantes que não praticavam atividade física regularmente apresentaram escores mais elevados de incapacidade funcional. Este dado é coerente com estudos prévios que demonstram a influência protetiva do exercício físico sobre a musculatura paravertebral, a mobilidade lombar e o controle postural (Becker et al., 1995; Macedo & Maher, 2006). A ausência de movimento contribui para o enfraquecimento muscular, sobrecarga articular e diminuição da capacidade funcional, agravando os sintomas da lombalgia.
Além disso, verificou-se que os trabalhadores em pé apresentaram, em média, escores mais altos de QIRM do que os sentados. Tal constatação pode ser explicada pelo fato de que a postura ortostática prolongada está associada ao acúmulo de fadiga muscular nos músculos eretores da espinha, comprometimento da circulação sanguínea local e aumento da sobrecarga axial na coluna lombar (Kuorinka et al., 1987; Helfenstein Junior et al., 2010). Por outro lado, embora a posição sentada esteja relacionada à elevação da pressão intradiscal, a ausência de movimentação durante longos períodos parece ter um impacto ligeiramente menor nos níveis de incapacidade funcional, segundo os dados coletados.
A análise estatística revelou correlação significativa entre maior tempo de exposição postural e piores escores de incapacidade funcional (r = 0,61; p < 0,05). Isso corrobora estudos anteriores que alertam para os efeitos deletérios da repetição crônica de sobrecarga postural sem pausas ou estratégias ergonômicas de alívio (Waddell et al., 1993). Trabalhadores com mais de 10 anos de função e exposição superior a 7 horas/dia apresentaram maior risco de desenvolver incapacidades persistentes.
Outro ponto relevante é a baixa adesão a medidas preventivas de saúde ocupacional observada entre os participantes. Poucos relataram uso de mobiliário ergonômico, pausas regulares ou ações educativas promovidas pela empresa. Tal realidade evidencia a necessidade de maior atuação da fisioterapia preventiva no ambiente laboral, com programas de ginástica laboral, educação postural e intervenções individualizadas para os casos com maior risco biomecânico.
Portanto, os dados obtidos neste estudo reforçam que a prevenção da lombalgia ocupacional deve considerar fatores multifatoriais, incluindo práticas de autocuidado, estímulo à atividade física regular, adequação ergonômica do posto de trabalho e redução do tempo contínuo de exposição postural. A avaliação funcional por instrumentos validados, como o QIRM, mostrou-se eficaz na identificação de trabalhadores em maior risco, podendo ser amplamente utilizada em triagens e programas de intervenção fisioterapêutica.
CONCLUSÃO
Este estudo evidenciou que a lombalgia ocupacional está fortemente associada à exposição prolongada a posturas estáticas, especialmente em trabalhadores que não praticam atividade física regularmente. A análise dos 30 participantes demonstrou que níveis variados de incapacidade funcional, medidos pelo Questionário de Incapacidade de Roland-Morris (QIRM), estão presentes tanto em indivíduos que permanecem sentados quanto em pé durante a jornada de trabalho, com maior impacto entre aqueles em pé por longos períodos.
Os resultados reforçam a importância de estratégias preventivas e reabilitativas no ambiente laboral, com destaque para a atuação da fisioterapia por meio de programas de ginástica laboral, reeducação postural, orientação ergonômica e incentivo à prática de atividades físicas. Tais intervenções podem reduzir a incidência de dor lombar e melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.
Por fim, conclui-se que o QIRM é uma ferramenta eficaz para triagem de incapacidades funcionais associadas à lombalgia, sendo um instrumento útil para subsidiar ações fisioterapêuticas direcionadas e individualizadas. Estudos futuros com amostras maiores e análise longitudinal poderão aprofundar a compreensão da evolução clínica desses trabalhadores e o impacto das medidas preventivas a longo prazo.
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