IMPACTO DA CINESIOTERAPIA MOTORA EM ADULTOS ECONOMICAMENTE ATIVOS INTERNADOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA

IMPACT OF MOTOR KINESIOTHERAPY ON ECONOMICALLY ACTIVE ADULTS ADMITTED TO AN INTENSIVE CARE UNIT: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

IMPACTO DE LA KINESIOTERAPIA MOTORA EN ADULTOS ECONÓMICAMENTE ACTIVOS INGRESADOS EN UNA UNIDAD DE CUIDADOS INTENSIVOS: UNA REVISIÓN INTEGRADORA DE LA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510221723


André Fabiano Cantanhede Failache1
Gilmara Oliveira da Silva2
Maisane Silva dos Santos Mendes3
Paulo Vinicius Sarame de Oliveira4
Zuila Nascimento de Souza5
Thiago Augusto Dias Sobral Mangueira6
Larissa Espírito Santo Meireles7


RESUMO 

A sobrevida em unidades de terapia intensiva (UTI) tem aumentado nas últimas décadas devido aos avanços terapêuticos, tecnológicos e à atuação de equipes multiprofissionais especializadas. Nesse contexto, a fisioterapia desempenha papel fundamental na prevenção e no tratamento de complicações cardiorrespiratórias, circulatórias e musculoesqueléticas, além de favorecer o suporte ventilatório e a mobilidade precoce. Dentre as estratégias utilizadas, a cinesioterapia motora, aplicada de forma ativa ou passiva, destaca-se como intervenção essencial. Este estudo tem como objetivo descrever os benefícios da cinesioterapia em adultos economicamente ativos internados em UTI, considerando o impacto da intervenção fisioterapêutica na redução do tempo de internação, na prevenção de complicações secundárias e na promoção da qualidade de vida. O presente estudo, de caráter descritivo e qualitativo, consistiu em uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), abrangendo publicações de 2019 a 2024 nas bases PubMed, Lilacs e SciELO. A partir de 129 estudos identificados, após aplicação de critérios de inclusão, exclusão e eliminação de duplicidades, 8 estudos compuseram a amostra final. A análise evidenciou efeitos positivos da cinesioterapia motora em adultos economicamente ativos internados em UTI, incluindo preservação da força muscular, redução do tempo de ventilação mecânica e melhora da funcionalidade global. Três categorias temáticas foram identificadas: (1) benefícios da fisioterapia motora na UTI adulta; (2) cinesioterapia como estratégia para prognóstico e desfecho clínico favorável; e (3) impacto funcional e reabilitação precoce. Em síntese, a revisão reforça que a mobilização precoce e a cinesioterapia motora são práticas seguras, eficazes e essenciais na UTI adulta. A implementação de protocolos padronizados, o engajamento da equipe multiprofissional e a individualização das condutas potencializam os benefícios clínicos, funcionais e socioeconômicos, consolidando a fisioterapia intensiva como pilar estratégico na reabilitação integral, humanização do cuidado e promoção da qualidade de vida pós-alta hospitalar. 

Palavras-chave: Fisioterapia; Cinesioterapia; Unidade de Terapia Intensiva; Assistência do fisioterapeuta; Qualidade de vida. 

ABSTRACT 

Survival in intensive care units (ICUs) has increased in recent decades due to therapeutic and technological advances and the work of specialized multidisciplinary teams. In this context, physical therapy plays a fundamental role in the prevention and treatment of cardiorespiratory, circulatory, and musculoskeletal complications, in addition to promoting ventilatory support and early mobility. Among the strategies used, motor kinesiotherapy, applied actively or passively, stands out as an essential intervention. This study aims to describe the benefits of kinesiotherapy in economically active adults admitted to the ICU, considering the impact of physical therapy intervention on reducing hospital stay, preventing secondary complications, and promoting quality of life. This descriptive and qualitative study consisted of an Integrative Literature Review (ILR) covering publications from 2019 to 2024 in the PubMed, Lilacs, and SciELO databases. From 129 identified studies, after applying inclusion, exclusion, and duplicate elimination criteria, eight studies comprised the final sample. The analysis demonstrated positive effects of motor physiotherapy in economically active adults admitted to the ICU, including preservation of muscle strength, reduction in mechanical ventilation time, and improvement in overall functionality. Three thematic categories were identified: (1) benefits of motor physiotherapy in the adult ICU; (2) physiotherapy as a strategy for prognosis and favorable clinical outcome; and (3) functional impact and early rehabilitation. In summary, the review reinforces that early mobilization and motor physiotherapy are safe, effective, and essential practices in the adult ICU. The implementation of standardized protocols, engagement of the multidisciplinary team, and individualized approaches enhance clinical, functional, and socioeconomic benefits, consolidating intensive physiotherapy as a strategic pillar for comprehensive rehabilitation, humanization of care, and promotion of quality of life after hospital discharge. 

Keywords: Physiotherapy; Kinesiotherapy; Intensive Care Unit; Physiotherapist care; Quality of life. 

RESUMEN 

La supervivencia en las unidades de cuidados intensivos (UCI) ha aumentado en las últimas décadas gracias a los avances terapéuticos y tecnológicos, y al trabajo de equipos multidisciplinarios especializados. En este contexto, la fisioterapia desempeña un papel fundamental en la prevención y el tratamiento de complicaciones cardiorrespiratorias, circulatorias y musculoesqueléticas, además de promover el soporte ventilatorio y la movilidad temprana. Entre las estrategias utilizadas, la kinesioterapia motora, aplicada de forma activa o pasiva, destaca como una intervención esencial. Este estudio tiene como objetivo describir los beneficios de la kinesioterapia en adultos económicamente activos ingresados en la UCI, considerando el impacto de la intervención fisioterapéutica en la reducción de la estancia hospitalaria, la prevención de complicaciones secundarias y la promoción de la calidad de vida. Este estudio descriptivo y cualitativo consistió en una Revisión Integrativa de la Literatura (RIL) que abarcó publicaciones de 2019 a 2024 en las bases de datos PubMed, Lilacs y SciELO. De 129 estudios identificados, tras aplicar los criterios de inclusión, exclusión y eliminación de duplicados, ocho estudios constituyeron la muestra final. El análisis demostró efectos positivos de la fisioterapia motora en adultos económicamente activos ingresados en la UCI, incluyendo la preservación de la fuerza muscular, la reducción del tiempo de ventilación mecánica y la mejora de la funcionalidad general. Se identificaron tres categorías temáticas: (1) beneficios de la fisioterapia motora en la UCI de adultos; (2) la fisioterapia como estrategia para el pronóstico y el resultado clínico favorable; y (3) impacto funcional y rehabilitación temprana. En resumen, la revisión refuerza que la movilización temprana y la fisioterapia motora son prácticas seguras, efectivas y esenciales en la UCI de adultos. La implementación de protocolos estandarizados, la participación del equipo multidisciplinario y los enfoques individualizados mejoran los beneficios clínicos, funcionales y socioeconómicos, consolidando la fisioterapia intensiva como un pilar estratégico para la rehabilitación integral, la humanización de la atención y la promoción de la calidad de vida después del alta hospitalaria. 

Palabras clave: Fisioterapia; Kinesioterapia; Unidad de Cuidados Intensivos; Atención fisioterapéutica; Calidad de vida. 

1. INTRODUÇÃO  

A sobrevida de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) tem aumentado nos últimos anos, resultado da ampliação dos recursos terapêuticos e tecnológicos disponíveis, além da atuação de equipes multiprofissionais especializadas, que garantem uma assistência integral e qualificada (Gomes, 2022). 

Entre os profissionais que compõem essa equipe, o fisioterapeuta exerce papel essencial na manutenção das funções vitais e na prevenção e/ou tratamento de alterações cardiopulmonares, circulatórias e musculoesqueléticas. Sua atuação contribui significativamente para a redução de complicações clínicas, melhora do suporte ventilatório, monitoramento dos gases respiratórios, fortalecimento muscular, prevenção de retrações tendíneas e contraturas, bem como na redução da incidência de úlceras por pressão (Lins et al., 2023). 

O fisioterapeuta é responsável pela reabilitação cinético-funcional integral dos pacientes internados em UTI, por meio de exercícios motores no leito, cinesioterapia passiva e ativa, posicionamentos adequados e transferências regulares. Além disso, realiza intervenções como sedestação à beira do leito, ortostatismo, terapia respiratória, higiene brônquica, ventilação não invasiva (VNI), ajustes ventilatórios e supervisão do desmame da ventilação mecânica (Cruz; Livramento, 2023). 

A manutenção da atividade física é fundamental para a preservação do sistema musculoesquelético e para o bom funcionamento dos órgãos internos. Estudos demonstram que a imobilização completa por sete dias pode resultar em perda de até 20% da força muscular inicial, podendo atingir entre 30% e 70% em casos de imobilização prolongada (Machado et al., 2021). Consequentemente, pacientes acamados tendem a apresentar comprometimentos em diversos sistemas, sendo o osteomioarticular o mais afetado, uma vez que é responsável pela movimentação corporal, integrando os sistemas esquelético, muscular e articular (Lins et al., 2023). 

O sistema musculoesquelético é o mais prejudicado em pacientes submetidos à ventilação mecânica (VM), pois o imobilismo pode ocasionar osteopenia, fibrose, contraturas, atrofias e redução da força e resistência muscular. Além disso, a imobilidade induz processos inflamatórios teciduais, com liberação de substâncias que provocam dor e desconforto (Machado et al., 2021). 

A reabilitação neuromotora, nesse contexto, tem como objetivo restabelecer as funções comprometidas por lesões do sistema nervoso que afetam a atividade muscular. Essa abordagem compreende a retirada precoce do paciente do leito, idealmente entre 24 e 72 horas após a estabilização clínica, considerando fatores como prontidão, motivação e capacidade de colaboração do paciente (Cruz; Livramento, 2023). 

A cinesioterapia motora, por sua vez, pode ser classificada em ativa e passiva. A forma ativa ocorre quando o paciente realiza voluntariamente os movimentos de forma consciente; já a passiva é indicada para pacientes restritos ao leito que não conseguem se movimentar, sendo executada pelo fisioterapeuta, com o objetivo de preservar a elasticidade muscular e a amplitude articular (Lins et al., 2023). 

A escolha deste tema justifica-se pela relevância da cinesioterapia motora no processo de recuperação de adultos economicamente ativos internados em UTI. O fisioterapeuta desempenha papel fundamental na recuperação precoce, na redução do tempo de internação e na prevenção de complicações secundárias, contribuindo para a melhora da qualidade de vida pós-alta. 

Dessa forma, este estudo tem como objetivo descrever os benefícios da cinesioterapia motora em adultos economicamente ativos internados em Unidades de Terapia Intensiva, considerando sua importância para o processo de reabilitação e para o prognóstico funcional desses pacientes. 

2. METODOLOGIA  

O presente estudo caracteriza-se como descritivo, com abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), conforme o modelo proposto por Galvão e Ricarte (2021). De acordo com esses autores, a revisão integrativa constitui-se como uma pesquisa científica autônoma, composta por objetivos, problema de pesquisa, metodologia, resultados e conclusão, diferenciando-se das revisões meramente introdutórias ou de conveniência. 

A abordagem qualitativa, por sua vez, possui caráter fundamentalmente interpretativo, permitindo ao pesquisador compreender os fenômenos a partir de uma visão holística e contextualizada. Nesse tipo de investigação, quanto mais complexa e abrangente for a análise narrativa, maior será a robustez dos resultados obtidos (Mendes et al., 2020). 

Para a construção desta revisão integrativa, seguiram-se as seis etapas metodológicas propostas por Mendes et al. (2020): Identificação do tema e formulação da questão de pesquisa; Busca das melhores evidências disponíveis; Avaliação crítica das evidências selecionadas; Integração dos resultados; Discussão dos achados; e Apresentação da síntese do conhecimento produzido. 

O estudo foi conduzido com base na seguinte questão norteadora: quais são os benefícios da cinesioterapia motora em adultos economicamente ativos internados em Unidades de Terapia Intensiva, conforme evidenciado na literatura científica publicada entre 2019 e 2024? 

A pesquisa foi realizada por meio de buscas nas bases eletrônicas Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) acessada pela Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. 

Foram incluídos artigos científicos disponíveis nas bases de dados selecionadas, utilizando-se os descritores: “Fisioterapia”, “Cinesioterapia”, “UTI”“Assistência do fisioterapeuta” e “Qualidade de vida”, extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Os critérios de inclusão abrangeram artigos originais, publicados na íntegra entre 2019 e 2024, nos idiomas português, espanhol ou inglês, de acesso gratuito e que respondessem à questão norteadora da pesquisa. 

Foram excluídos trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses, relatórios de pesquisa, resumos de eventos, resenhas, editoriais, livros, capítulos de livros, publicações governamentais, boletins informativos e subprojetos de pesquisa, bem como estudos que não apresentassem relação direta com o tema proposto. 

A busca foi conduzida nas bases de dados mediante o cruzamento dos descritores definidos, utilizando o operador booleano AND, de modo a recuperar documentos que contivessem simultaneamente os termos selecionados. O processo de seleção foi representado por meio do fluxograma PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), instrumento amplamente utilizado em revisões sistemáticas e meta-análises. 

A coleta de informações foi realizada com base em um formulário adaptado de Ursi, contemplando: (i) identificação do artigo (título, autores, base de dados e ano de publicação); e (ii) características metodológicas (tipo de estudo, objetivo e principais resultados). 

A análise dos resultados foi conduzida segundo o referencial metodológico de Bardin (2020), que se fundamenta em técnicas sistemáticas e objetivas de análise de conteúdo. O processo compreendeu três etapas: Pré-análise – organização do material, leitura flutuante e seleção dos documentos; Exploração do material – categorização e codificação das informações; e Tratamento dos resultados, inferência e interpretação – identificação de significados e elaboração de sínteses interpretativas. 

Por se tratar de uma revisão integrativa de literatura, este estudo não envolveu riscos diretos a seres humanos, uma vez que se baseou exclusivamente em publicações científicas previamente aprovadas por comitês de ética em pesquisa. Reconhece-se, contudo, a possibilidade de riscos indiretos, como interpretações inadequadas ou uso indevido de informações, o que foi prevenido por meio da observância rigorosa das normas de citação e da integridade científica. 

Quanto aos benefícios, a pesquisa oferece uma síntese atualizada sobre os efeitos da cinesioterapia motora em adultos economicamente ativos internados em UTI, além de compilar evidências sobre protocolos e resultados clínicos relacionados. Espera-se que os achados contribuam para o embasamento científico de profissionais e estudantes da área da saúde, favorecendo práticas mais qualificadas e seguras. 

A pesquisa seguiu os princípios éticos estabelecidos na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que orienta estudos em saúde com base nos princípios da autonomia, beneficência, justiça e equidade. Por não envolver seres humanos, dispensou submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Ainda assim, foram observados os preceitos da Resolução nº 510/2016 do CNS, que regulamenta pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. 

Os resultados foram encaminhados para apreciação em eventos científicos e periódicos especializados, permanecendo também disponíveis no repositório institucional da UNIPLAN. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO  

A síntese dos resultados foi confrontada com o referencial teórico, permitindo identificar evidências consistentes sobre o objeto de estudo. A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed, Lilacs e SciELO, utilizando o cruzamento dos descritores previamente definidos. 

No total, foram identificados 129 estudos. Após a aplicação dos critérios de inclusão, 38 foram eliminados, restando 91 estudos. Em seguida, com os critérios de exclusão, 82 artigos foram descartados, permanecendo 9 estudos. Por fim, após a verificação de duplicidade, 1 estudo foi eliminado, totalizando 8 estudos selecionados para compor a amostra, todos alinhados à questão norteadora da pesquisa. 

Figura 1: Para evidenciar esse processo foi utilizado o fluxograma PRISMA

Fonte: Prisma adaptado pelos autores, 2025. 

No total, foram identificados 129 estudos. Após a aplicação dos critérios de inclusão, 38 trabalhos foram eliminados, restando 91 artigos para análise preliminar. Em seguida, com base nos critérios de exclusão, 82 artigos foram descartados por não atenderem integralmente à questão norteadora, resultando em 9 estudos elegíveis. Após a verificação de duplicidades, 1 artigo foi removido, totalizando 8 estudos selecionados para compor a amostra final. 

Os artigos incluídos encontram-se distribuídos conforme autores, ano de publicação, título, objetivo e principais resultados, conforme demonstrado no Quadro 1 (não apresentado aqui). Todos os estudos analisados abordaram os benefícios da cinesioterapia motora em adultos economicamente ativos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). 

Quanto à distribuição temporal das publicações, observou-se o seguinte panorama: 2 artigos publicados em 2019; 4 artigos publicados em 2021; 1 artigo publicado em 2022; e 1 artigo publicado em 2023.  

A análise conjunta dos estudos revelou evidências robustas quanto aos efeitos positivos da cinesioterapia motora em pacientes adultos internados em UTI, especialmente no que se refere à preservação da força muscular, à redução do tempo de ventilação mecânica e à melhora da funcionalidade global. 

Com o intuito de cumprir as etapas finais da revisão integrativa interpretação e síntese dos resultados, os dados foram organizados e discutidos de forma qualitativa, permitindo a identificação de três categorias temáticas principais, descritas a seguir: 

Categoria 1 – Benefícios da fisioterapia motora na UTI adulto 

Na categoria 1, intitulada “Benefícios da fisioterapia motora na UTI adulto”, destaca-se a importância da atuação fisioterapêutica no contexto da terapia intensiva como um dos pilares do cuidado ao paciente crítico. A fisioterapia motora contribui diretamente para a prevenção de complicações decorrentes do imobilismo, melhora da função respiratória e cardiovascular, além de favorecer a reabilitação funcional precoce e a redução do tempo de internação. Segundo Silva et al. (2024), a implementação de protocolos de mobilização precoce e de exercícios terapêuticos individualizados está associada à diminuição da fraqueza muscular adquirida na UTI e à melhora dos desfechos clínicos. Dessa forma, compreender os benefícios da fisioterapia motora nesse ambiente é essencial para reconhecer seu papel na reabilitação integral, na humanização do cuidado e na promoção da qualidade de vida pós-alta hospitalar. 

Do ponto de vista econômico e assistencial, estudos recentes evidenciam que a fisioterapia intensiva e a mobilização precoce impactam positivamente os desfechos clínicos e financeiros dos hospitais. A implementação de protocolos de mobilização precoce e ventilação mecânica protetora pode reduzir em até 30% os custos com internações prolongadas, além de minimizar complicações associadas, como infecções respiratórias e fraqueza muscular adquirida (Silva et al., 2024). Além disso, a atuação integrada da fisioterapia motora à equipe multiprofissional melhora a reabilitação funcional e o tempo de recuperação dos pacientes críticos (Ribeiro; Mendes, 2024). 

A mobilização precoce surge como uma das estratégias mais eficazes para prevenir os efeitos deletérios da imobilidade. Conforme De Almeida et al. (2021) e Costa et al. (2021), o início precoce da mobilização contribui para a redução da dor, manutenção da força muscular, preservação da amplitude de movimento (ADM), prevenção de contraturas e estímulo à independência funcional. Essa prática inclui desde mudanças de decúbito e mobilizações passivas até exercícios ativos, treino de marcha e transferência para cadeira, conforme a tolerância e estabilidade hemodinâmica do paciente. 

Estudos de Lins et al. (2023) e Souza (2021) confirmam que pacientes submetidos a protocolos de mobilização estruturados durante a internação na UTI apresentam melhor funcionalidade e independência na alta hospitalar. Para a aplicação segura dessas intervenções, instrumentos de avaliação funcional, como a Functional Status Score for the ICU (FSS-ICU), têm sido amplamente utilizados. Essa escala quantifica o desempenho em tarefas funcionais como rolar, sentar, levantar e deambular, com pontuação de 0 a 35, sendo valores mais altos indicativos de maior independência funcional (Paulo et al., 2021). 

Contudo, a fisioterapia motora em pacientes críticos deve respeitar parâmetros de segurança, considerando possíveis limitações hemodinâmicas e respiratórias, como variações de saturação, pressão arterial e risco de extubação acidental (Santos et al., 2020). Apesar desses riscos, Kwakman et al. (2022) destacam que tais situações não configuram contraindicações absolutas, mas sim alertas para individualização das condutas. Nesse contexto, Aquim (2019) ressalta que “a mobilização precoce deve ser aplicada respeitando os limites fisiológicos e clínicos de cada paciente”, iniciando-se de forma progressiva e segura. 

A abordagem fisioterapêutica deve ser gradualmente intensificada, incluindo mobilizações passivas, ativo-assistidas e ativas, conforme a resposta do paciente. O uso de recursos como o cicloergômetro, eletroestimulação neuromuscular e exercícios resistidos (com halteres ou faixas elásticas) favorece o ganho de força e resistência, preparando o paciente para atividades mais complexas, como a sedestação à beira do leito, ortostatismo e marcha (Costa et al., 2021). A melhora progressiva da força muscular, avaliada pela escala Medical Research Council (MRC), reflete diretamente na recuperação funcional e na redução do tempo de internação (Zaho; Wendie et al., 2022). 

Além dos ganhos motores, a mobilização precoce impacta significativamente na função respiratória e cardiovascular. De acordo com Ferreira et al. (2023), a mobilização ativa estimula o aumento da capacidade ventilatória, melhora a oxigenação tecidual e previne complicações pulmonares, como atelectasias e pneumonia associada à ventilação mecânica. Esses efeitos combinados contribuem para uma recuperação mais rápida e segura, além de reduzir a necessidade de suporte ventilatório prolongado. 

A literatura também destaca a relevância do trabalho multiprofissional na implementação bem-sucedida da mobilização precoce. Segundo Zhou; Wendie et al. (2022), a associação entre mobilização, suporte nutricional e intervenções fisioterapêuticas precoces (até 48h após a admissão na UTI) mostrou resultados expressivos, com menor incidência de fraqueza muscular e maior independência funcional na alta. Esse modelo integrado de cuidado reforça a importância da fisioterapia como eixo central na reabilitação intensiva. 

Apesar das evidências robustas, a aplicação prática da mobilização precoce ainda enfrenta barreiras institucionais e culturais. Entre os principais desafios estão a falta de protocolos padronizados, escassez de recursos humanos e receio de eventos adversos durante a execução das condutas. Segundo Aquim et al. (2019), a ampliação do conhecimento técnico e a padronização de diretrizes de aplicação são medidas essenciais para a consolidação dessa prática nas UTIs brasileiras, tornando-a segura, efetiva e amplamente implementada. 

Por fim, a fisioterapia motora intensiva representa um pilar fundamental na recuperação funcional e na humanização do cuidado em terapia intensiva. Seu impacto vai além dos benefícios físicos, abrangendo a redução de sequelas, o fortalecimento do vínculo terapêutico e a melhora na qualidade de vida pós-alta hospitalar. Assim, promover a mobilização precoce de forma estruturada e baseada em evidências é essencial para garantir a eficiência assistencial e a segurança do paciente crítico (Silva et al., 2024; Ferreira et al., 2023). 

Categoria 2 – A cinesioterapia motora como estratégia para o prognóstico e desfecho clínico favorável. 

Na categoria 2 evidencia que a cinesioterapia motora, quando aplicada de forma precoce e estruturada em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), tem se mostrado uma estratégia essencial para a melhora do prognóstico funcional e clínico. Estudos apontam que a introdução precoce de exercícios motores, mesmo em pacientes sob ventilação mecânica, contribui para a redução da fraqueza muscular adquirida na UTI e para a recuperação mais rápida da funcionalidade global (Aquim et al., 2019; Costa et al., 2019). Essa intervenção atua como um fator protetor frente à síndrome do desuso e à imobilidade prolongada, que comprometem a qualidade de vida e aumentam o tempo de internação. 

A implementação de protocolos de mobilização precoce no ambiente intensivo também tem demonstrado impacto positivo na redução do tempo de ventilação mecânica e na melhora da capacidade respiratória dos pacientes. Ao estimular a força dos músculos respiratórios e periféricos, a fisioterapia motora favorece uma transição mais segura para a respiração espontânea e reduz complicações pulmonares, como atelectasias e pneumonia associada à ventilação (Costa et al., 2021; Lins et al., 2023). Dessa forma, o cuidado fisioterapêutico ativo deixa de ser apenas uma intervenção complementar e passa a integrar o núcleo central do tratamento intensivo. 

A literatura evidencia que a prática da cinesioterapia motora está diretamente associada à diminuição da mortalidade e da morbidade entre pacientes críticos. A movimentação ativa, associada ao fortalecimento muscular e à restauração da amplitude de movimento, contribui para um retorno mais rápido às atividades de vida diária após a alta hospitalar. Além disso, há relatos de melhora significativa na autonomia funcional e no desempenho físico em curto e médio prazos, o que influencia positivamente na qualidade de vida pós-UTI (Souza et al., 2021; Kwakman et al., 2022). 

Outro aspecto relevante é a atuação da equipe multiprofissional na promoção da mobilização precoce. A cinesioterapia motora deve ser implementada de forma interdisciplinar, envolvendo fisioterapeutas, enfermeiros e médicos intensivistas, para garantir a segurança e eficácia do processo. Essa integração permite individualizar o plano de cuidados, respeitando as limitações clínicas e hemodinâmicas de cada paciente (Aquim et al., 2019; Costa et al., 2021). A padronização de protocolos institucionais fortalece a cultura da mobilidade e reduz o receio de iniciar movimentos precoces em pacientes críticos. 

Os benefícios da cinesioterapia motora também se estendem ao domínio psicológico e cognitivo. Pacientes submetidos à mobilização precoce demonstram menor incidência de delirium e sintomas depressivos durante a internação e após a alta, refletindo em um melhor ajustamento psicossocial no período de reabilitação (Kwakman et al., 2022; Souza et al., 2021). A prática regular de exercícios motores favorece a liberação de neurotransmissores e hormônios que atuam na modulação do humor e na recuperação cognitiva, reforçando a importância de uma abordagem integral do paciente crítico. 

Além dos ganhos funcionais e psicológicos, a aplicação consistente da cinesioterapia motora está relacionada à otimização dos recursos hospitalares. Pacientes que recebem fisioterapia precoce apresentam menor tempo de internação e custos reduzidos, tanto na UTI quanto nas enfermarias subsequentes. Esses resultados reforçam a importância da fisioterapia como investimento terapêutico que gera impacto positivo sobre a gestão hospitalar e sobre os indicadores de qualidade assistencial (Costa et al., 2019; Lins et al., 2023). 

Por fim, destaca-se que o sucesso da cinesioterapia motora depende da capacitação contínua dos profissionais e do engajamento institucional em fomentar práticas baseadas em evidências. O desenvolvimento de protocolos atualizados, o monitoramento de indicadores funcionais e a inserção da reabilitação como meta assistencial dentro das UTIs consolidam a cinesioterapia como uma estratégia determinante para um desfecho clínico favorável e para a recuperação plena do paciente crítico (Aquim et al., 2019; Kwakman et al., 2022; Lins et al., 2023). 

Categoria 3 – Impacto funcional e reabilitação precoce de adultos economicamente ativos.

Na Categoria 3, evidencia-se que, nas unidades de terapia intensiva (UTI), pacientes críticos frequentemente permanecem restritos ao leito, o que provoca significativa inatividade física e disfunção do sistema osteomioarticular (Aquim et al., 2019; Costa et al., 2019). Essas alterações funcionais atuam como fatores predisponentes à polineuropatia ou miopatia do paciente crítico, contribuindo para o aumento de duas a cinco vezes no tempo de ventilação mecânica e dificultando o desmame ventilatório (Costa et al., 2021; Kwakman et al., 2022). 

Estudos recentes que investigam intervenções de reabilitação pós-UTI, com foco no aumento da força muscular geral e da tolerância ao exercício, apresentam resultados heterogêneos. Parte dessa variabilidade pode estar relacionada à não identificação específica das complicações musculoesqueléticas enfrentadas pelos pacientes, resultando em ausência de intervenções direcionadas e personalizadas (Souza et al., 2021). Nesse sentido, a avaliação detalhada dessas complicações é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de reabilitação que promovam a recuperação funcional de adultos economicamente ativos. 

Sabe-se que a força muscular de pacientes adultos pode diminuir até 11% a cada dia adicional de imobilismo no leito (Lins et al., 2023). Essa perda funcional acarreta repercussões significativas na qualidade de vida, podendo se estender por até 24 meses após a alta da UTI, prejudicando a reintegração social e laboral dos pacientes (Aquim et al., 2019; Costa et al., 2021). Além disso, a imobilidade prolongada aumenta a mortalidade durante a internação, está associada a complicações clínicas, prolonga o tempo de internação e compromete as atividades de vida diária após a alta hospitalar (Kwakman et al., 2022; Souza et al., 2021). 

Altas taxas de mortalidade pós-alta e readmissão hospitalar em sobreviventes da UTI refletem a gravidade das complicações funcionais e podem ser utilizadas como indicadores de qualidade assistencial pelas equipes de gestão (Lins et al., 2023). Por isso, programas de reabilitação precoce devem ser implementados de forma integrada, visando a manutenção da força muscular, da mobilidade funcional e da qualidade de vida, especialmente daqueles em idade economicamente ativa. 

A presença de fraqueza muscular adquirida na UTI, tem sido associada à diminuição significativa da independência funcional, comprometendo a realização de atividades básicas e instrumentais de vida diária (Aquim et al., 2019; Costa et al., 2019). Essa condição está diretamente ligada à imobilidade prolongada e à gravidade da doença crítica, persistindo por meses após a alta hospitalar e impactando negativamente a reintegração social e profissional (Costa et al., 2021). 

Programas de mobilização precoce, incluindo exercícios passivos e ativos assistidos, têm demonstrado potencial para reduzir o tempo de ventilação mecânica e acelerar a recuperação funcional dos pacientes críticos (Kwakman et al., 2022; Souza et al., 2021). A implementação de protocolos estruturados de reabilitação desde a fase aguda da UTI contribui para preservar massa muscular, força e amplitude de movimento, prevenindo complicações secundárias associadas à inatividade prolongada. 

O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo fisioterapeutas, médicos intensivistas, enfermeiros e nutricionistas, é essencial para identificar precocemente alterações musculoesqueléticas e traçar estratégias individualizadas de reabilitação (Lins et al., 2023; Costa et al., 2019). A integração de profissionais de diferentes áreas permite otimizar intervenções terapêuticas, promovendo melhores resultados funcionais e qualidade de vida para adultos economicamente ativos após alta hospitalar. 

Estudos indicam que o impacto funcional decorrente da internação prolongada em UTI não se limita ao período hospitalar, estendendo-se aos primeiros dois anos após a alta, com repercussões na capacidade de trabalho e na vida social dos pacientes (Aquim et al., 2019; Souza et al., 2021). Dessa forma, a reabilitação precoce, aliada ao acompanhamento ambulatorial, é fundamental para reduzir sequelas físicas e promover o retorno ao mercado de trabalho, minimizando os efeitos socioeconômicos da doença crítica. 

Além das intervenções físicas, a educação do paciente e da família sobre a importância da mobilização, nutrição adequada e exercícios domiciliares complementares pode potencializar os resultados da reabilitação (Costa et al., 2021; Kwakman et al., 2022; Lins et al., 2023). Estratégias educativas bem estruturadas favorecem a adesão ao programa de reabilitação, reduzindo o risco de complicações funcionais persistentes e promovendo a independência e autonomia do indivíduo economicamente ativo. 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

A revisão integrativa evidenciou que a fisioterapia motora e a cinesioterapia precoce desempenham papel central na reabilitação de pacientes adultos críticos internados em unidades de terapia intensiva. Os achados apontam benefícios significativos tanto do ponto de vista funcional quanto do prognóstico clínico, com impactos diretos na qualidade de vida, independência funcional e reintegração social e laboral dos pacientes. 

Na Categoria 1, foi demonstrado que a fisioterapia motora, quando aplicada de forma estruturada, previne complicações decorrentes do imobilismo, promove ganhos na função respiratória e cardiovascular e contribui para a redução do tempo de internação. Além disso, a mobilização precoce associada a protocolos individualizados potencializa a reabilitação funcional e diminui a incidência de fraqueza muscular adquirida na UTI. Os resultados também sugerem que a implementação de programas de fisioterapia intensiva representa um investimento assistencial e econômico, ao reduzir custos hospitalares e melhorar desfechos clínicos. 

Na Categoria 2, a cinesioterapia motora se mostrou uma estratégia essencial para o prognóstico favorável de pacientes críticos. O início precoce de exercícios motores, mesmo em pacientes sob ventilação mecânica, contribui para a preservação da força muscular, redução do tempo de ventilação e prevenção de complicações respiratórias. Adicionalmente, a prática consistente de mobilização precoce influencia positivamente o estado psicológico e cognitivo dos pacientes, reduzindo a incidência de delirium e sintomas depressivos, e reforça a importância da atuação multiprofissional para garantir segurança, individualização das condutas e eficácia das intervenções. 

A Categoria 3 destacou o impacto funcional da imobilidade prolongada em adultos economicamente ativos, evidenciando que a fraqueza muscular adquirida na UTI compromete a independência funcional, prolonga o tempo de internação e prejudica a reintegração social e laboral. Programas de reabilitação precoce e acompanhamento multidisciplinar mostraram-se fundamentais para minimizar essas sequelas, preservar a força e a mobilidade funcional, e promover o retorno às atividades de vida diária. A educação do paciente e da família também emerge como estratégia complementar para potencializar os resultados da reabilitação e assegurar continuidade do cuidado após a alta hospitalar. 

Em síntese, os resultados desta revisão reforçam que a mobilização precoce e a cinesioterapia motora são práticas seguras, eficazes e essenciais na UTI adulta. A implementação de protocolos padronizados, o engajamento da equipe multiprofissional e a individualização das condutas permitem maximizar os benefícios clínicos, funcionais e socioeconômicos para pacientes críticos. Dessa forma, a fisioterapia intensiva se consolida como pilar estratégico na reabilitação integral, humanização do cuidado e promoção da qualidade de vida pós-alta hospitalar. 

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1E-mail: bianodja2@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0009-0009-9637-6400 Acadêmico de fisioterapia – UNIPLAN.
2E-mail: tec.gilmaraoliveira@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0009-0008-7922-6710 Acadêmico de fisioterapia – UNIPLAN.
3E-mail: maisaneassai94@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0009-0006-2090-2521 Acadêmico de fisioterapia – UNIPLAN.
4E-mail: fisiovinireab@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0009-0000-6371-1246 Acadêmico de fisioterapia – UNIPLAN.
5E-mail: souzazula@yahoo.com.br – Orcid: https://orcid.org/0009-0008-4769-1781 Acadêmico de fisioterapia – UNIPLAN.
6E-mail: thiagosobral20@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0000-0003-1363-9180. Fisioterapeuta pela UFPA – Orientador
7E-mail: Contato.larameireles@gmail.com – Orcid: https://orcid.org/0009-0007-3082-5141 Fisioterapeuta – Docente UNIPLAN

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