REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511180151
Gustavo André Pereira Zorrilla
Orientador: Ricardo Henrique Esquivel Azuma
RESUMO
O presente trabalho avalia o impacto da cinesioterapia associada ao uso de palmilhas ortopédicas personalizadas no tratamento das alterações do arco plantar em adultos. A pesquisa experimental longitudinal envolveu 20 voluntários com diagnósticos clínicos de pé plano ou pé cavo, submetidos a um protocolo de intervenção de 90 dias com sessões semanais que combinaram exercícios específicos de cinesioterapia e uso de palmilhas confeccionadas individualmente. A avaliação pré e pós-intervenção utilizou a Escala Visual Analógica para mensuração da dor, o Foot Function Index para análise da funcionalidade, o protocolo palpatório e postural para verificação anatômica e o teste de equilíbrio unipodal para medir a estabilidade postural. Os resultados evidenciaram redução significativa da dor, melhora na funcionalidade dos pés e aprimoramento do equilíbrio postural, além da correção biomecânica do arco plantar com aumento da classificação para pé neutro e diminuição do pé pronado. Conclui-se que a associação da cinesioterapia ao uso de palmilhas ortopédicas proporciona benefícios importantes na reabilitação das alterações do arco plantar, promovendo alívio dos sintomas, correção postural e prevenção de disfunções secundárias, o que reforça a importância da integração entre tratamento motor e suporte ortético em fisioterapia.
Palavras-chave: Alteração do arco plantar; Cinesioterapia; Palmilhas ortopédicas; Dor; Equilíbrio postural.
ABSTRACT
This study evaluates the impact of kinesiotherapy combined with customized orthopedic insoles on the treatment of plantar arch alterations in adults. The experimental longitudinal involved 20 volunteers clinically diagnosed with flat foot or cavus foot, who underwent a 90-day intervention protocol with weekly sessions combining specific kinesiotherapy exercises and individually made insoles. Pre- and post-intervention assessments utilized the Visual Analog Scale for pain measurement, the Foot Function Index for functionality analysis, a palpatory and postural protocol for anatomical verification, and a unipodal balance test to measure postural stability. Results demonstrated significant pain reduction, improvement in foot functionality, enhanced postural balance, and biomechanical correction of the plantar arch with an increased classification of neutral foot and decreased pronated foot. It is concluded that the association of kinesiotherapy with the use of orthopedic insoles provides important benefits in rehabilitating plantar arch alterations, promoting symptom relief, postural correction, and prevention of secondary dysfunctions, reinforcing the importance of integrating motor treatment and orthotic support in physiotherapy.
Keywords: Plantar arch alteration; Kinesiotherapy; Orthopedic insoles; Pain; Postural balance.
1 INTRODUÇÃO
O pé é responsável por manter toda a estrutura humana ereta, servindo como base para a sustentação do peso total durante a locomoção, absorção de impacto e equilíbrio. Devido à distribuição de peso na região plantar, sua anatomia pode se deformar de múltiplas maneiras (NEVES et al., 2020).
A arquitetura do pé é baseada na disposição de três arcos imaginários localizados em estruturas ósseas nele existentes: o arco longitudinal medial ou plantar (ALM), arco longitudinal lateral (ALL), e o arco transverso anterior (ATA). O arco longitudinal plantar desempenha um papel essencial na biomecânica do pé, sendo fundamental para a manutenção do ortostatismo e da marcha eficiente (DE MELO SILVA et al., 2019).
Sua integridade depende da interação harmônica entre os componentes ósseos, musculares e ligamentares. Quando essa estrutura é comprometida, podem surgir disfunções como o pé plano e o pé cavo (OBRIEN; TYNDYK., 2014). Para que sua característica de convexidade seja mantida é necessária a participação osteomioligamentar plena e associada entre si, caso contrário, torna-se responsável pelo pé plano (KIRMIZI et al., 2024).
Para amenizar as consequências das alterações no arco plantar em adultos, como o pé plano ou o pé cavo, é fundamental implementar um tratamento adequado. Essas condições podem resultar em dores significativas, que impactam a qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades diárias (ELSAYED et al., 2023). As alterações no arco plantar podem levar a uma série de dores e desconfortos.
O pé plano, caracterizado pela diminuição do arco plantar, pode causar dores na região plantar do pé, tornozelos, joelhos e até na região lombar. Isso ocorre porque a falta de suporte adequado resulta em um desgaste excessivo das articulações e sobrecarga dos músculos e tendões. Por outro lado, o pé cavo, que apresenta um arco excessivamente elevado, também pode gerar dor devido à pressão irregular nas áreas do pé que suportam o peso (HERCHENRÖDER; WILFLING; STEINHÄUSER et al., 2021).
Pesquisas indicam que indivíduos com pés planos frequentemente relatam cansaço e dor ao permanecer em pé por longos períodos, enquanto aqueles com pés cavos podem experimentar dor intensa na região medial do pé e nos calcanhares. A dor pode ser exacerbada por atividades físicas, uso inadequado de calçados ou até mesmo pelo excesso de peso corporal.
Além disso, a fascite plantar, uma inflamação da fáscia que suporta o arco do pé, é uma condição comum associada a essas alterações e pode causar dor aguda na região inferior do pé, especialmente ao dar os primeiros passos pela manhã ou após longos períodos de inatividade (DOS SANTOS; MIRANDA., 2021).
As órteses plantares, incluindo palmilhas ortopédicas, são dispositivos projetados para corrigir e compensar problemas nos pés, aliviando dores e melhorando a postura. Elas redistribuem a pressão plantar, reduzem impactos, fricção e estabilizam deformidades. Diante disso, essas órteses ajudam a uniformizar o centro gravitacional do corpo, melhorando o equilíbrio tanto em situações estáticas quanto dinâmicas (JAFARZADEH; SOHEILIFARD; EHSANI-SERESHT., 2021).
Além disso, as órteses ajudam a prevenir lesões futuras ao fornecer suporte adicional durante atividades físicas. Isso é especialmente relevante para atletas, que frequentemente enfrentam estresse repetitivo nos pés devido ao treinamento intenso. Com o uso adequado das palmilhas ortopédicas, é possível não apenas tratar condições existentes, mas também melhorar o desempenho atlético ao otimizar a biomecânica do movimento (HUANG et al., 2020).
Estudos demonstram que o uso de palmilhas adequadas resulta em uma redução substancial da dor e na melhoria da funcionalidade dos pés, impactando positivamente a mobilidade e a capacidade de realizar atividades diárias (CHHIKARA; GUPTA; CHANDA., 2022). Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo avaliar os efeitos da cinesioterapia associada ao uso de palmilhas ortopédicas na correção das alterações do arco plantar e na prevenção de disfunções posturais.
1.1 Justificativa
Considerando a alta prevalência de alterações do arco plantar, esta pesquisa buscou investigar os efeitos da cinesioterapia associada ao uso de palmilhas ortopédicas personalizadas na correção dessas disfunções e na prevenção de distúrbios posturais (ARACHCHIGE; CHANDER; KNIGHT., 2019).
Além disso, a pesquisa propõe-se a contribuir com a produção científica ao ampliar os conhecimentos sobre a associação entre cinesioterapia e órteses plantares, fornecendo subsídios para condutas fisioterapêuticas baseadas em evidências.
1.2 Objetivo Geral
Avaliar a eficácia da cinesioterapia associada ao uso de órteses plantares no tratamento das alterações do arco plantar em adultos, analisando seu impacto na redução da dor e na melhoria da funcionalidade.
1.3 Objetivos Específicos
– Analisar a função dos arcos plantares (medial, lateral e transversal) na distribuição da carga, absorção de impacto e estabilidade postural, correlacionando essas funções com as disfunções biomecânicas presentes nas alterações do arco plantar, como pé plano e pé cavo.
– Avaliar a eficácia da cinesioterapia e do uso de órteses plantares na redução da dor e na melhora da funcionalidade em adultos com alterações do arco plantar.
– Verificar o impacto do uso de órteses plantares na correção biomecânica e no equilíbrio postural dos indivíduos avaliados.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O pé é o segmento corporal que serve de base a todo o edifício humano e é encarregado de suportar todo o peso corporal na posição bípede e durante a marcha, tendo grande importância não só na estática como na dinâmica do corpo. Devido à complexidade de sua anatomia, pode se deformar de múltiplas maneiras (SANCHEZ RAMIREZ., 2017).
A arquitetura do pé é baseada na disposição de três arcos imaginários localizados em estruturas ósseas nele existentes: o arco anterior, o arco externo ou lateral e o arco interno ou medial ou longitudinal plantar. Este último possui grande convexidade e, desta forma, não fornece o apoio da borda medial do pé. (DE MELO SILVA et al., 2019)
O arco longitudinal plantar é de fundamental importância às qualidades do ortostatismo estático e dinâmico, ou seja, a marcha, tornando-os perfeitos biomecânica e funcionalmente. Para que sua característica de convexidade seja mantida é necessária a participação osteomioligamentar plena e associada entre si, caso contrário, torna-se responsável pelo pé plano (KIRMIZI et al., 2024).
Estima-se que 80% da população em geral sofre de alterações nos pés, podendo estas ser corrigidas com o tratamento adequado. As alterações nos pés como pé plano ou pé cavo podem causar alterações posturais como o aumento da lordose lombar ou retificação lombar, desencadeando quadro álgico (BORGES; FERNANDES; BERTONCELLO., 2013).
As órteses plantares são utilizadas para fins terapêuticos ou para desporto. O uso das palmilhas e seus benefícios estão ligados, especialmente, à suavização de pressão em determinados pontos de forte compressão nos pés. Afirma que as órteses plantares têm sido importantes para a redução de condições dolorosas com relação aos pés e coluna lombar (JAFARZADEH; SOHEILIFARD; EHSANI-SERESHT., 2021). A palmilha ortopédica se enquadra no tipo de órtese plantar usada para realinhar o esqueleto, reduzir choques, fricção e aliviar as áreas que sofrem com pressões excessivas. Essas palmilhas ortopédicas auxiliam também na uniformização do centro gravitacional do corpo e reparam o balanceamento do pé na forma estática e dinâmica (CHHIKARA; GUPTA; CHANDA., 2022).
3 MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo foi submetido para avaliação ética na Plataforma Brasil, tendo recebido parecer consubstanciado favorável emitido pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). O número do Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) é 89990625.0.0000.0107, garantindo o cumprimento das normas éticas para pesquisas envolvendo seres humanos.
3.1 Tipo de estudo
O presente estudo foi do tipo experimental Longitudinal, desenvolvido com adultos que apresentam alterações no arco plantar.
3.2 Local e População
O estudo foi realizado no Centro Universitário Descomplica/União das Américas (Uniamérica Descomplica), no município de Foz do Iguaçu – PR, com a participação de voluntários adultos com alterações no arco plantar.
Os critérios de inclusão englobaram participantes adultos com idade entre 18 a 35 anos que possuíam alteração no arco plantar e apresentaram diagnóstico clínico de pé plano ou pé cavo. Outrora os critérios de exclusão consistiram em ter histórico de fraturas, luxações ou lesões traumáticas no pé, presença de patologias neurológicas, indivíduo com menos de 85% de frequência, recusa em assinar o termo de consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e recusa em assinar o termo de uso de imagem e/ou voz para uso da pesquisa.
3.3 Amostra e frequência
A intervenção teve duração de 90 dias, com um encontro semanal às sextasfeiras. A amostra foi composta por 20 voluntários, recrutados por conveniência.
3.4 Avaliação inicial e final
A avaliação foi realizada em dois momentos: pré e pós-intervenção. Sendo utilizados os seguintes instrumentos:
- Escala Visual Analógica (EVA) para mensuração da dor;
- Foot Function Index (FFI), para avaliação da funcionalidade e impacto na vida diária;
- Protocolo Palpatório e Postural, para análise das estruturas anatômicas do pé (ex: posição do calcâneo, articulação talonavicular, curvatura dos maléolos, congruência do arco medial).
- Teste de apoio unipodal, para avaliar a capacidade de manter o equilíbrio estático e identificar possíveis déficits que possam estar relacionados à condição do pé.
No primeiro encontro, foram aplicados os termos de consentimento livre esclarecido (TCLE) e uso de imagem e voz, assim como o questionário Foot Functional Index (FFI), que consistiu em avaliar a gravidade das condições, intensidade e localização da dor. Foi realizado o teste de equilíbrio unipodal, com o objetivo de avaliar a limitação funcional ao examinar a capacidade do paciente em realizar atividades diárias como caminhar, correr e subir escadas, monitorando a resposta ao tratamento a longo prazo. Também foi aplicado um formulário de avaliação palpatória e postural dos pés, transferido para o Google Forms, para identificar alterações e definir o pé como plano. Após a aplicação dessas avaliações, foi verificada a região que apresentava alteração no arco plantar para a confecção das palmilhas. Em seguida, as palmilhas foram distribuídas, e os voluntários foram acompanhados até o último encontro, quando a mesma avaliação inicial foi reaplicada para a coleta de dados e comparação dos resultados.
3.5 Intervenção
O protocolo de intervenção foi composto por:
● Confecção personalizada de palmilhas ortopédicas, utilizando materiais acessíveis (EVA 20 mm, palmilhas simples, cola adesiva e grelha de ferro);
● Cinesioterapia aplicada, incluindo os seguintes exercícios:
– Alongamento da cadeia posterior: alongar os músculos isquiotibiais (bíceps femoral, semitendinoso, semimembranoso), gastrocnêmio e sóleo e fáscia plantar. Melhorar a mobilidade do tornozelo e aliviar tensões que podem agravar o pé chato;
– Atividade de equilíbrio e propriocepção: Ficar em posição unipodal e realizar movimentos de dissociação pélvica para a estabilidade do tornozelo e pé;
– Liberação miofascial e mobilização plantar: De forma manual ou auto liberação como rolar uma bolinha ou rolo sob a planta do pé para estimular a musculatura intrínsecas do pé;
– Fortalecimento da musculatura intrínseca do pé: pé apoiado no chão sobre lençol ou toalha, e realizar movimentos com os dedos para trás (em direção ao calcanhar) sem levantar do chão; Pegar objetos com os dedos dos pés (bolinha, lápis, peças); Subir e descer nas pontas dos pés.
A intervenção foi supervisionada semanalmente. A adesão ao uso das palmilhas foi monitorada por meio de questionários de auto-relato.
Figura 1: Exemplo de modelagem da palmilha ortopédica.

3.6 Análise de dados
Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva (média e desvio padrão) e inferencial, com a aplicação de testes apropriados, como o teste pareado para comparação pré e pós-intervenção. Foi adotado um nível de significância de 5% (p < 0,05). Dessa forma, foi proposto um estudo para avaliar a eficácia das palmilhas ortopédicas associadas a exercícios na correção do arco plantar e no alívio das dores.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A proposta da confecção da palmilha ortopédica foi aliviar as dores, melhorar equilíbrio e desconfortos causados pelo pé plano juntamente com os exercícios direcionados para cada paciente.
Gráfico 1 – Avaliação pré intervenção da intensidade da dor

A análise dos dados obtidos por meio da aplicação da Escala Visual Analógica (EVA) de intensidade dolorosa revelou variações significativas entre os momentos pré e pós-intervenção, considerando 20 participantes adultos com alteração do arco plantar. No primeiro momento avaliado (gráfico 1), verificou-se que uma parcela expressiva dos indivíduos (45%) classificou sua intensidade dolorosa entre 8 e 10, categoria correspondente à dor intensa. Adicionalmente, 30% situaram-se entre 5 e 7 (dor moderada) e 25% entre 3 e 5 (dor leve), não havendo registros na faixa de 0 a 2.
Gráfico 2 – Avaliação pós intervenção da intensidade da dor

Após a implementação do protocolo de cinesioterapia associado ao uso de palmilha ortopédica conforme apresentado no gráfico 2, observou-se uma modificação acentuada na distribuição das respostas. Parte significativa da amostra (50%) passou a relatar dor mínima, com pontuações entre 0 e 2, enquanto os demais (50%) permaneceram na categoria de dor leve (3 a 5). É relevante ressaltar que não foram registradas respostas nas categorias de dor moderada ou intensa (5 a 10) nesse segundo momento.
Gráfico 3 – Teste de equilíbrio unipodal pré intervenção com olhos abertos

No teste de equilíbrio com olhos abertos, observou-se que, no momento préintervenção, 30% dos participantes apresentaram tempo inferior a 20 segundos, caracterizando comprometimento do equilíbrio; 50% permaneceram entre 21 e 30 segundos, considerados sem alterações significativas; e 20% mantiveram-se por mais de 30 segundos, indicando bom equilíbrio postural conforme o gráfico 3.
Gráfico 4 – Teste de equilíbrio unipodal pós intervenção com olhos abertos

Após a intervenção com base no gráfico 4, verificou-se melhora nos resultados, com 10% dos participantes permanecendo abaixo de 20 segundos, 60% entre 21 e 30 segundos e 30% acima de 30 segundos, demonstrando evolução na estabilidade corporal decorrente da cinesioterapia associada ao uso da palmilha ortopédica.
Gráfico 5 – Teste de equilíbrio unipodal pré intervenção com olhos fechados

No teste de equilíbrio com olhos fechados, os valores iniciais apresentaram 40% dos indivíduos com tempo inferior a 20 segundos, 40% entre 21 e 30 segundos e 20% acima de 30 segundos (gráfico 5).
Gráfico 6 – Teste de equilíbrio unipodal pós intervenção com olhos fechados

Após a intervenção conforme o gráfico 6, observou-se melhora geral no desempenho, com 25% dos participantes apresentando menos de 20 segundos, 55% entre 21 e 30 segundos e 20% ultrapassando os 30 segundos.
Gráfico 7 – Pré-intervenção, avaliação palpatório e postural plantar

Após 90 dias de tratamento, os resultados indicam uma melhora significativa no alinhamento dos pés. Na avaliação pré-intervenção, observou-se que 75% dos participantes apresentaram classificação de pé pronado (+6 a +9) e 25% apresentaram pé altamente pronado (acima de +10). Não houve registros de participantes com pé neutro, supinado ou altamente supinado antes da intervenção, conforme demonstra acima o Gráfico 7.
Gráfico 8 – Pós-intervenção, avaliação palpatório e postural plantar

Após a intervenção, houve uma mudança significativa no perfil dos participantes. No pós-intervenção, 75% passaram a ser classificados com pé neutro (0 a +5), enquanto 25% na classificação de pé pronado (+6 a +9). Não foram observados casos de pé altamente pronado após a intervenção representado no Gráfico 8.
Os resultados obtidos demonstram que a associação do uso de palmilha ortopédica com um protocolo de cinesioterapia proporcionou redução significativa da dor em adultos com alteração do arco plantar, corroborando estudos anteriores que indicam a eficácia das palmilhas na melhora das condições biomecânicas e no alívio da dor em pacientes com pé plano (SZCYPULA, 2025).
Quanto à melhora do equilíbrio postural avaliada pelo teste unipodal, tanto com olhos abertos quanto fechados, observa-se uma melhora expressiva na estabilidade dos participantes após a intervenção, sugerindo que o fortalecimento muscular e a reeducação proprioceptiva por meio da cinesioterapia, somados ao suporte postural proporcionado pela palmilha, favorecem a integração dos sistemas sensoriais responsáveis pelo controle postural (CUNHA et al., 2024). Esse efeito é respaldado pela literatura que aponta a cinesioterapia como meio para o aumento da força, flexibilidade e coordenação motora, elementos essenciais para a prevenção de quedas e melhor qualidade de vida, especialmente em populações com comprometimento postural (TOMICKI, 2016).
Ainda, a avaliação postural por palpação revelou significativa melhora no alinhamento dos pés, com redução dos casos de pé altamente pronado e aumento da classificação para pé neutro. Isso evidencia o papel das palmilhas ortopédicas na correção do desequilíbrio biomecânico do arco plantar, o que promove padrões funcionais mais adequados e previne sobrecargas compensatórias em outras articulações, como joelhos e coluna (SZCYPULA, 2025;). A intervenção assim, não apenas melhora o sintoma doloroso, mas também atua na causa estrutural, favorecendo a biomecânica corporal.
5 CONSIDERAÇÃO FINAL E CRONOGRAMA
O presente estudo demonstrou que a associação da cinesioterapia ao uso de palmilhas ortopédicas personalizadas promoveu melhorias significativas na redução da dor, no equilíbrio postural e no alinhamento biomecânico de adultos com alterações do arco plantar. Apesar de os resultados estatísticos de apenas duas questões não terem atingido significância no nível convencional de 5% (p < 0,05), os dados clínicos revelaram melhorias relevantes, incluindo a redução do tempo em que os voluntários permaneciam na cama ou usavam calçados inadequados devido ao problema no pé. Esse aspecto prático evidencia uma melhora funcional importante no cotidiano dos participantes, mesmo sem a significância estatística estrita.
Os achados reforçam a importância de um tratamento integrado que atua tanto na correção estrutural quanto no fortalecimento muscular e proprioceptivo, contribuindo para a minimização dos sintomas dolorosos e para a prevenção de disfunções posturais associadas. Dessa forma, a intervenção multidisciplinar proposta se mostra eficaz e indispensável para a reabilitação funcional desses indivíduos, ressaltando a relevância da fisioterapia baseada em evidências para a melhora da qualidade de vida e da funcionalidade no contexto das alterações do arco plantar.
REFERENCIA
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