IMPACTO DA ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE IST’S EM MULHERES JOVENS

IMPACT OF NURSING CARE ON THE PREVENTION OF STIS IN YOUNG WOMEM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511222243


Ana Samuely Izel de Almeida
Naiara Roberta Silva da Silva
Profa. Esp. Jessica Lopes dos Santos


Resumo

Introdução: A adolescência e a juventude envolvem mudanças físicas, psicológicas e sociais, incluindo a maturação sexual, a formação da identidade e a busca por autonomia. Nesse período, o início das experiências afetivas e sexuais aumenta a exposição a riscos para a saúde sexual e reprodutiva. As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são um problema de saúde pública que afeta principalmente mulheres jovens, devido a fatores biológicos, sociais e culturais, como início precoce da atividade sexual, acesso limitado à educação em saúde, desigualdade de gênero e estigmas relacionados à sexualidade. Nesse contexto, a enfermagem desempenha papel essencial na prevenção das ISTs, por meio de educação em saúde, aconselhamento individualizado, testagem rápida e fornecimento de insumos preventivos. Objetivos: Analisar o impacto da atuação da enfermagem na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em mulheres jovens, com ênfase nas práticas educativas e assistenciais direcionadas a esse público. Metodologia: o estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, analisando artigos publicados nos últimos cinco anos sobre saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens mulheres, prevenção de ISTs e atuação da enfermagem. Foram selecionados estudos que abordam intervenções educativas, aconselhamento individualizado, fornecimento de insumos preventivos e construção de vínculos de confiança entre profissionais e pacientes, destacando mudanças de comportamento e redução de riscos. Resultados: os estudos indicam que mulheres jovens são mais vulneráveis às ISTs devido ao acesso limitado à educação em saúde, uso inadequado de preservativos, receio de estigmas e pouca autonomia nas relações sexuais. A atuação da enfermagem se mostrou eficaz na prevenção dessas infecções por meio de orientação educativa, aconselhamento individualizado, testagem rápida e fornecimento de insumos preventivos. Além disso, a construção de vínculos baseados em empatia e confiança promove a adesão às práticas preventivas, fortalece a autonomia feminina e contribui para reduzir comportamentos de risco, mitigando os impactos das ISTs. Conclusão: a enfermagem é fundamental na prevenção de ISTs em mulheres jovens, reduzindo sua incidência por meio de educação em saúde, orientação individualizada e promoção da autonomia. Estratégias integradas que combinam comunicação eficaz, apoio contínuo e intervenções educativas fortalecem a capacidade das jovens de adotar comportamentos preventivos, promovendo melhorias na saúde sexual e reprodutiva.

Palavras-chave: enfermagem; mulheres jovens; Infecções Sexualmente Transmissíveis; prevenção; educação em saúde; atenção primária.

1 INTRODUÇÃO

A adolescência é caracterizada pelo início das transformações físicas decorrentes da maturação sexual e se estende até a consolidação da identidade e independência social do indivíduo. Nesse período, é comum o início das primeiras experiências afetivas e sexuais, o que torna essa fase especialmente vulnerável a riscos relacionados à saúde sexual e reprodutiva. Diante disso, torna-se fundamental compreender o nível de conhecimento dos adolescentes sobre sexo seguro, prevenção da gravidez e infecções sexualmente transmissíveis, a fim de subsidiar a implementação de estratégias educativas eficazes, integradas e baseadas em informações seguras e acessíveis (Silva et al., 2020).

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) correspondem a doenças causadas por diversos agentes, como vírus, bactérias e parasitas, somando mais de 30 tipos identificados. Entre as mais comuns, quatro apresentam possibilidade de cura: sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase. Outras, como hepatite B, herpes simples, papilomavírus humano (HPV) e vírus da imunodeficiência humana (HIV), não têm cura, mas dispõem de terapias que controlam os sintomas e reduzem a transmissão. A principal forma de contágio ocorre em relações sexuais sem proteção, envolvendo pessoas infectadas. Contudo, mesmo com preservativo, pode haver transmissão em situações específicas, como ruptura do método ou contato com regiões não cobertas. Nessas condições, mucosas da boca, vagina e reto tornam-se vias de entrada dos microrganismos (Conceição et al., 2023).

Conforme relato de Santos et al. (2024), as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) representam um desafio persistente no campo da saúde pública, com maior incidência entre mulheres jovens, especialmente aquelas com idade entre 15 e 24 anos. Esse grupo apresenta maior suscetibilidade à transmissão dessas infecções devido a uma combinação de fatores biológicos, sociais e culturais. Ao longo do tempo, aspectos como o acesso restrito à educação em saúde, o início precoce da atividade sexual, a desigualdade de gênero e o estigma associado à sexualidade feminina têm contribuído para a manutenção de comportamentos de risco e, consequentemente, para o agravamento desse cenário.

Castro et al. (2025) destacam que, no contexto social atual, apesar dos progressos conquistados no campo da saúde, mulheres jovens ainda enfrentam barreiras significativas no acesso a informações confiáveis e a serviços voltados à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão a insuficiente compreensão sobre os métodos de prevenção, a utilização inadequada ou ausente de preservativos, o medo de situações de estigma durante o atendimento em saúde e a restrita autonomia nas relações sexuais, elementos que, de forma conjunta, favorecem a elevação dos índices de infecção nessa população.

Nesse cenário, a enfermagem assume um papel estratégico na promoção da saúde sexual e reprodutiva, especialmente no âmbito da atenção primária à saúde. Por meio de ações educativas, aconselhamento individualizado, realização de testagens rápidas e distribuição de insumos como preservativos, os profissionais de enfermagem contribuem diretamente para a prevenção das ISTs e para a mitigação de seus impactos na saúde individual e coletiva. A construção de um vínculo baseado na escuta qualificada, na empatia e na confiança entre enfermeiro e paciente favorece mudanças de comportamento, além de estimular a adesão às práticas preventivas recomendadas (Vieira et al., 2021).

O aumento expressivo dos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) entre mulheres jovens evidencia a necessidade de ações efetivas de prevenção e promoção da saúde. Diante desse cenário, a atuação da enfermagem na Atenção Primária mostra-se essencial, especialmente por meio da educação em saúde, do acolhimento humanizado e do estímulo a práticas sexuais seguras.

As mulheres jovens representam um grupo vulnerável às ISTs devido a fatores como limitações de acesso à informação e aos serviços de saúde, bem como questões socioculturais e comportamentais. 

Assim, o presente estudo busca compreender como a enfermagem contribui para a prevenção dessas infecções, identificando estratégias que possam aprimorar a qualidade da assistência e fortalecer o protagonismo feminino no cuidado com a própria saúde sexual. A relevância do tema se justifica pela necessidade de subsidiar novas práticas profissionais e políticas públicas voltadas à redução das ISTs, promovendo uma atenção mais humanizada, acessível e resolutiva às demandas desse público.

O presente estudo teve como objetivo geral analisar o impacto da atuação da enfermagem na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em mulheres jovens, com ênfase nas práticas educativas e assistenciais direcionadas a esse público. E como objetivos específicos: descrever as principais ações educativas e estratégias adotadas pela enfermagem para a prevenção das ISTs em mulheres jovens; caracterizar o papel do acolhimento humanizado e do vínculo entre profissionais de enfermagem e mulheres jovens no contexto da prevenção das ISTs e propor recomendações para aprimorar as práticas de enfermagem voltadas à prevenção das ISTs em mulheres jovens.

De acordo com Souza; Bezerra; Egypto (2023), uma revisão integrativa foi utilizada como abordagem neste estudo, permitindo uma análise meticulosa e estruturada de estudos previamente publicados, abrangendo informações de metodologias tanto quantitativas quanto qualitativas. Esse tipo de análise é particularmente benéfico para condensar o saber atual sobre um assunto específico e oferecer embasamento científico para a adoção de práticas fundamentadas em evidências. O estudo foi conduzido conforme as seis etapas sugeridas para a análise integrativa, que serão descritas a seguir:

O foco principal desta revisão consistiu em investigar a contribuição da enfermagem na prevenção de IST’s em mulheres jovens. Para orientar a pesquisa, foi utilizado o modelo PICo (População, Intervenção e Contexto), resultando na seguinte questão norteadora: Como a atuação da enfermagem tem contribuído para a prevenção das ISTs em mulheres jovens, diante dos desafios socioculturais e das dificuldades de acesso à informação e aos serviços de saúde?

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Principais Ações Educativas E Estratégias Adotadas Pela Enfermagem Para a Prevenção Das ISTs Em Mulheres Jovens

As estratégias de educação em saúde desempenham papel fundamental ao capacitar as mulheres a compreenderem e modificarem suas atitudes em relação aos cuidados pessoais. Por meio dessas ações, é possível incentivar a adoção de melhores hábitos de higiene, práticas sexuais seguras e cuidados de saúde adequados, contribuindo significativamente para a prevenção das infecções do trato urinário (ITU). Muitas dessas infecções estão relacionadas a comportamentos evitáveis, os quais podem ser modificados por meio de orientações educativas eficazes. Além disso, garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade é essencial para o diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento dessas condições (Lima et al., 2024).

A atuação da enfermagem na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em mulheres jovens engloba diversas ações educativas e estratégias direcionadas à promoção da saúde sexual e à diminuição da vulnerabilidade desse público. Entre as principais práticas adotadas, destacam-se a realização de atividades informativas sobre os modos de transmissão, os métodos de prevenção e a relevância do uso correto do preservativo, além do incentivo ao autocuidado e à procura por serviços de saúde (Petry et al., 2019).

A prática de enfermagem proporciona um acolhimento mais humano e apresenta diretrizes adaptadas, levando em conta as características socioculturais de cada mulher, o que contribui para o fortalecimento das relações e a formação de um espaço de confiança. Técnicas como diálogos em grupo, conferências, workshops e o uso de recursos educativos ajudam na disponibilização de informações e promovem a análise crítica acerca da sexualidade, favorecendo alterações de conduta. Realizar essas atividades é fundamental para apoiar meninas a terem um cuidado mais adequado com sua saúde sexual. Isso significa que é importante que elas tenham maior acesso a exames, avaliações rápidas e terapias. Dessa forma, isso pode contribuir significativamente para diminuir a quantidade de Infecções Sexualmente Transmissíveis (Galvão, 2025).

De acordo com Mello et al. (2022), pesquisas mostram que, dos cerca de 4. 500 novos casos de contaminação pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) registrados globalmente entre adultos em 2016, aproximadamente 35% aconteceram entre pessoas com idade de 15 a 24 anos. Além disso, calcula-se que cerca de seis mil mulheres nessa idade sejam contaminadas pelo HIV a cada semana. No cenário do Brasil, o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde revela um aumento nos registros de aids entre jovens com idades entre 15 e 24 anos e destaca que a maioria das notificações no país acontece na faixa etária de 20 a 34 anos. Essas informações destacam a necessidade imediata de abordagens preventivas e iniciativas de educação em saúde focadas especificamente nesse grupo.

2.2 Papel Do Acolhimento Humanizado e do Vínculo entre Profissionais de Enfermagem e Mulheres Jovens no Contexto da Prevenção das ISTs

O papel do enfermeiro na prevenção e no tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) é fundamental para a promoção da saúde da população. O enfermeiro exerce funções essenciais na educação em saúde, fornecendo informações precisas sobre métodos de prevenção, como o uso correto do preservativo, vacinação e a importância da realização de exames regulares. Além disso, atua diretamente na triagem, no diagnóstico e no tratamento das ISTs, por meio da coleta do histórico sexual, da realização de exames clínicos e do encaminhamento para o tratamento adequado, incluindo a prescrição de medicamentos quando necessário (Sartor, 2023).

Os profissionais de enfermagem também desenvolvem ações preventivas voltadas a grupos considerados vulneráveis, como adolescentes e gestantes, por meio de programas educativos que enfatizam a importância da prática do sexo seguro e do acesso regular aos serviços de saúde. Essas iniciativas buscam promover o conhecimento, estimular comportamentos preventivos e fortalecer a autonomia dos indivíduos em relação aos cuidados com a saúde sexual e reprodutiva (Sartor, 2023).

A formação continuada dos profissionais de enfermagem, aliada à adoção de estratégias eficazes de educação em saúde, potencializa significativamente a qualidade de sua atuação na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Essas iniciativas contribuem de forma expressiva para a redução da incidência de novos casos, ao mesmo tempo em que promovem um cuidado mais humanizado, acessível e resolutivo, especialmente para populações em situação de maior vulnerabilidade social (Sartor, 2023).

Segundo Silva et al. (2025), o acolhimento humanizado constitui uma prática essencial na enfermagem, desempenhando papel crucial na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) entre mulheres jovens. Essa abordagem se fundamenta na escuta atenta, no respeito às particularidades individuais, na empatia e na criação de um ambiente seguro e livre de julgamentos. Quando as mulheres são acolhidas de maneira sensível, sentem-se mais à vontade para expressar dúvidas, relatar experiências e discutir questões relacionadas à sexualidade, favorecendo o diálogo aberto e a adesão às orientações preventivas.

Além disso, o cuidado humanizado auxilia na superação de barreiras socioculturais que frequentemente limitam o acesso das jovens aos serviços de saúde. Ao estabelecer uma relação de confiança, o profissional potencializa a eficácia das ações de prevenção de ISTs, fortalecendo a relação terapêutica, a escuta ativa e a adesão às recomendações. Como consequência, há não apenas benefícios à saúde física, mas também o fortalecimento do bem-estar emocional e social das mulheres atendidas (Silva et al., 2025).

O vínculo estabelecido entre a mulher jovem e o profissional de enfermagem constitui um elemento essencial na construção de uma relação terapêutica pautada na confiança, sendo determinante para a continuidade do cuidado e a efetividade do acompanhamento em saúde. O vínculo estabelecido entre profissional de enfermagem e paciente contribui diretamente para a adesão às estratégias de prevenção, como o uso regular de preservativos e a realização periódica de exames. Além disso, esse vínculo estimula as mulheres jovens a assumirem uma postura mais ativa e responsável no cuidado com sua saúde sexual e reprodutiva, promovendo a autonomia e a conscientização sobre a importância da prevenção (Girundi; Bettine; Uchôa-Figueiredo, 2024).

Ainda conforme autor acima mencionado, os profissionais de enfermagem que adotam uma postura empática, com escuta ativa e sensibilidade às realidades socioculturais das usuárias, promovem um ambiente favorável à mudança de comportamento e à redução dos riscos de exposição às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Segundo Sponholz (2021), o vínculo e o acolhimento são componentes fundamentais de uma atenção integral à saúde, pois permitem a criação de relações mais horizontais e fortalecem o compromisso ético com o cuidado. Dessa forma, a atuação humanizada da enfermagem contribui diretamente para a oferta de uma assistência mais eficaz, acolhedora e resolutiva.

2.3 Recomendações para Aprimorar as Práticas de Enfermagem Voltadas à Prevenção das ISTs em Mulheres Jovens

Para fortalecer a atuação da enfermagem na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em mulheres jovens, torna-se imprescindível investir na formação continuada dos profissionais. Essa capacitação deve abordar temas centrais como saúde sexual e reprodutiva, educação em saúde, acolhimento humanizado e abordagem intercultural. Por meio de treinamentos periódicos, os enfermeiros mantêm-se atualizados em relação às diretrizes clínicas, estratégias preventivas e especificidades do atendimento a grupos vulneráveis, possibilitando a realização de intervenções mais efetivas e alinhadas às particularidades socioculturais das pacientes (Azevedo; Costa, 2021).

Outra recomendação importante é ampliar e aprimorar as estratégias de educação em saúde, incorporando métodos participativos e interativos, como rodas de conversa, oficinas, vídeos educativos e o uso de uma linguagem acessível a todos. Essas ações devem ser desenvolvidas em diversos ambientes, incluindo unidades básicas de saúde, escolas, redes sociais e espaços comunitários, com o intuito de alcançar um público maior de mulheres jovens. Dessa forma, promove-se um diálogo aberto sobre sexualidade, autocuidado e prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A incorporação desses temas no cotidiano das práticas assistenciais contribui para a desmistificação de tabus e para a redução dos estigmas relacionados às ISTs e à sexualidade feminina (Fittipaldi; O’dwyer, 2021).

Galvão (2025) recomenda que a criação de ambientes acolhedores e isentos de julgamentos nos serviços de saúde, onde as mulheres jovens possam se sentir seguras para buscar orientação, realizar exames e receber atendimento adequado. O fortalecimento do vínculo entre a equipe de enfermagem e as usuárias é fundamental para assegurar a adesão ao cuidado e à prevenção contínua das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Além disso, é imprescindível a implementação de políticas públicas que promovam a humanização do atendimento, a escuta qualificada e a garantia de equidade no acesso aos serviços, assegurando uma abordagem integral, resolutiva e centrada nas necessidades específicas das mulheres jovens.

3 METODOLOGIA 

Segundo Souza, Bezerra e Egypto (2023), este estudo adotou a revisão integrativa como método, o que possibilitou uma avaliação rigorosa e sistematizada de produções científicas já publicadas, contemplando dados provenientes de pesquisas quantitativas e qualitativas. Essa modalidade de revisão é especialmente útil por sintetizar o conhecimento disponível sobre um tema específico, fornecendo suporte científico para a aplicação de práticas baseadas em evidências. A investigação foi desenvolvida seguindo as seis etapas propostas para a realização de uma revisão integrativa, que são apresentadas a seguir:

O foco principal desta revisão consistiu em investigar a contribuição da enfermagem na prevenção de IST’s em mulheres jovens. Para orientar a pesquisa, foi utilizado o modelo PICo (População, Intervenção e Contexto), resultando na seguinte questão norteadora: “Como a atuação da enfermagem tem contribuído para a prevenção das ISTs em mulheres jovens, diante dos desafios socioculturais e das dificuldades de acesso à informação e aos serviços de saúde?

Para esta revisão, foram selecionados estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, que abordassem especificamente a atuação da enfermagem na prevenção de IST’s em mulheres jovens ou adolescentes. Foram excluídos artigos de revisão, editoriais, resumos de congressos e publicações cujo texto completo não estivesse disponível.

Em cada estudo selecionado, foram extraídas informações referentes aos autores, ano de publicação, desenho metodológico, objetivos, população analisada, principais intervenções realizadas pela enfermagem e os resultados obtidos relacionados à prevenção de IST’s.

Os estudos incluídos foram analisados quanto à sua relevância e rigor metodológico, levando em consideração a clareza dos objetivos, a adequação do delineamento da pesquisa, a consistência na coleta e análise dos dados, bem como a pertinência dos resultados em relação à questão de investigação.

Os resultados extraídos dos estudos foram sistematizados em categorias temáticas, o que possibilitou a identificação de padrões, lacunas de conhecimento e contribuições da enfermagem na prevenção de IST’s entre mulheres jovens. Essa análise permitiu avaliar de forma crítica a eficácia das intervenções educativas, o fortalecimento da autonomia feminina e a promoção de práticas de autocuidado

Os achados foram apresentados de maneira descritiva e narrativa, evidenciando os efeitos positivos da atuação da enfermagem, como o aumento do conhecimento sobre as ISTs, o estímulo ao uso regular de preservativos, a maior procura por exames de triagem, o fortalecimento do empoderamento feminino e a diminuição do estigma social relacionado a essas infecções. Esses resultados ressaltam a relevância de ações de educação em saúde contínuas e contextualizadas, além de reforçar o papel fundamental do enfermeiro como agente transformador no cuidado direcionado a mulheres jovens.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Dessa forma, percebe-se que a atuação da enfermagem é essencial para fortalecer o conhecimento das mulheres jovens sobre a prevenção das ISTs, contribuindo para o desenvolvimento de práticas de autocuidado e maior conscientização acerca da saúde sexual. Como destacam Azevedo e Costa (2021), a orientação adequada durante a adolescência torna-se indispensável, especialmente porque o início da vida sexual, muitas vezes precoce, costuma ocorrer sem o suporte informativo necessário.De forma semelhante, Vieira et al., (2021) apontam que ainda existem lacunas importantes no entendimento de métodos contraceptivos e prevenção de IST’s, evidenciando a necessidade de intervenções ativas dos profissionais de enfermagem.

Além disso, as ações educativas desenvolvidas pela enfermagem têm o potencial de incentivar o uso contínuo de preservativos e a realização de exames preventivos. Segundo Conceição et al., (2023), a atuação preventiva dos enfermeiros é essencial para a mudança de comportamentos e a redução das taxas de infecção. Petry et al., (2019) observam que até mesmo estudantes de enfermagem podem apresentar conhecimentos insuficientes sobre prevenção, o que reforça a importância de investimentos em capacitação profissional e em estratégias educativas mais amplas.

Outro resultado esperado refere-se ao fortalecimento da autonomia feminina nas decisões relacionadas à saúde sexual. Silva et al. (2020) destacam que adolescentes frequentemente enfrentam dificuldades em compreender criticamente sua sexualidade, aumentando o risco de comportamentos inadequados. Já Lima et al. (2024) defendem que estratégias educativas contínuas possibilitam às jovens refletir melhor sobre suas escolhas, promovendo empoderamento e maior autonomia. Esse conjunto de evidências reforça a importância de uma educação permanente e contextualizada.

Espera-se também que a enfermagem contribua para a criação de ambientes acolhedores e de diálogo, favorecendo a construção de confiança e a redução de estigmas. Galvão (2025) enfatiza que o cuidado humanizado é essencial para fortalecer o vínculo entre pacientes e profissionais, tornando as ações de prevenção mais eficazes. Complementando, Silva et al., (2025) apontam que combater o estigma social relacionado às IST’s depende de práticas de escuta qualificada e de intervenções educativas inclusivas, especialmente junto a jovens e populações vulneráveis.

Projeta-se que essas intervenções ampliem o alcance das políticas públicas de prevenção, consolidando o papel transformador da enfermagem. Fittipaldi, O’Dwyer e Henriques (2021) defendem que a educação em saúde na atenção primária deve estar alinhada às diretrizes nacionais, garantindo impacto coletivo. Sartor (2023) acrescenta que o trabalho do enfermeiro vai além da prevenção, incluindo acompanhamento e tratamento, fortalecendo a rede de cuidado. Dessa maneira, os resultados esperados evidenciam a relevância da enfermagem na redução da incidência das IST’s e na promoção da saúde entre mulheres jovens.

Tendo em vista a relevância de disponibilizar ações voltadas à proteção da saúde do público jovem, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), instituída pelo Ministério da Saúde, foi criada com o propósito de reorganizar o modelo de atenção e direcionar suas práticas para a prevenção, promoção e recuperação da saúde, fundamentadas nos princípios da integralidade e da continuidade do cuidado (Lima, 2018).

A promoção da saúde busca contribuir para o enfrentamento dos determinantes sociais, ampliando o acesso ao conhecimento, fortalecendo o (auto)cuidado e estimulando a autonomia dos indivíduos. Entre as estratégias adotadas pela ESF para potencializar essas ações estão atividades coletivas, orientações educativas e a articulação intersetorial, destacando-se a parceria entre saúde e educação por meio do Programa Saúde na Escola (PSE) (OCAMPOS, 2018).

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo destacou a relevância do trabalho dos enfermeiros na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em jovens do sexo feminino, sublinhando a função fundamental desses profissionais na promoção da saúde reprodutiva e sexual. Notou-se que a instrução sobre saúde, junto ao apoio e à escuta atenta, é uma abordagem essencial para minimizar ações de risco e aumentar o acesso a informações.

As mulheres jovens formam uma categoria suscetível às infecções sexualmente transmissíveis, devido a aspectos biológicos, sociais e culturais que tornam desafiador o autocuidado e a adoção de práticas preventivas. Dentro deste cenário, o profissional de enfermagem, especialmente na Atenção Primária à Saúde, desempenha uma função fundamental na orientação, prevenção e monitoramento constante, ajudando na construção de uma percepção crítica em relação à sexualidade.

Observou-se que as iniciativas de educação realizadas pelos enfermeiros podem causar alterações importantes nos comportamentos e nas posturas das adolescentes, estimulando a adoção de preservativos e a execução de exames regulares. Além disso, essas ações promovem a independência das mulheres e seu empoderamento, permitindo que elas tomem a frente no cuidado de sua saúde sexual.

A pesquisa destacou a importância da formação contínua dos profissionais de enfermagem, assegurando que eles estejam aptos a lidar com assuntos delicados e a enfrentar os obstáculos causados por barreiras socioculturais. A aplicação de recursos em educação continuada é fundamental para que as abordagens de ensino se tornem mais eficientes, acessíveis e alinhadas com o contexto das adolescentes.

Assim, chega-se à conclusão de que a enfermagem desempenha uma função fundamental na diminuição das ISTs, ajudando a criar uma sociedade mais esclarecida, consciente e saudável. As provas apresentadas evidenciam a importância de intensificar as diretrizes governamentais relacionadas à saúde sexual e de aumentar o papel ativo da enfermagem na promoção da prevenção e do atendimento completo às mulheres jo

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Lidiane Cristina de Mendonça Montanholi; COSTA, Marli de Oliveira. A importância da conscientização da IST na adolescência e como a enfermagem pode contribuir para a diminuição destas infecções. Research, Society and Development, v. 10, n. 13, p. e343101321393-e343101321393, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i13.21393. Acesso em 10 set. 2025.

CONCEIÇÃO, Verônica Diniz da et al. Atuação da enfermagem na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis na adolescência: uma revisão integrativa. Ciências da Saúde, Volume 27 – Edição 122/MAI, 2023. Disponível em: 10.5281/zenodo.7920602. Acesso em: 15/08/2025.

CASTRO, Andressa Leal Castro et al. Saúde sexual de jovens e adolescentes: análise dos desafios na prevenção de ists e a importância das estratégias educativas. Ciências da Saúde, Volume 29 – Edição 145/ABR, 2025. Disponível em: 10.69849/revistaft/ar10202504281216. Acesso em: 19 set. 2025.

FITTIPALDI, Ana Lúcia de Magalhães; O’DWYER, Gisele; HENRIQUES, Patrícia. Educação em saúde na atenção primária: as abordagens e estratégias contempladas nas políticas públicas de saúde. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 25, p. e200806, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/interface.200806. Acesso em: 19 set. 2025.

GALVÃO, Roberta das Graças Bezerra. Enfermagem humanizada: impactos no cuidado ao paciente e sua relevância no contexto social da saúde. Studies in Health Sciences, v. 6, n. 1, p. e13503-e13503, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.54022/shsv6n1-014. Acesso em: 18 agost. 2025.

GIRUNDI, Cinthia.; BETTINE, Marco; UCHÔA-FIGUEIREDO, Lúcia. Educação Interprofissional em Saúde: um devir da Teoria do Agir Comunicativo. Cad Pedagóg. v. 21 (1): 964–86, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54033/cadpedv21n1-050. Acesso em: 10 agost. 2025.

LIMA, Fabiane da Silva Severino et al. Estratégias educativas para prevenção de infecções femininas no presídio: revisão de escopo. Acta Paulista de Enfermagem, v. 37, p. eAPE003246, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2024AR00013246. Acesso em: 10 agost. 2025.

LIMA, Josefa Nayara de. Estratégias para utilização da caderneta no atendimento ao adolescente na saúde da família. 2018. 24 f. Trabalho de conclusão de residência (Residência Multiprofissional em Atenção Básica) – Escola Multicampi de Ciências Médicas.Universidade Federal do Rio grande do Norte, Caicó, 2018.

MELO, Laércio Deleon et al. A prevenção das infecções sexualmente transmissíveis entre jovens e a importância da educação em saúde. Enfermería global, v. 21, n. 1, p. 74-115, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.6018/eglobal.481541. Acesso em 11 agost. 2025.

OCAMPOS, Denise Leite. O ensino sobre a saúde de adolescentes em uma escola pública de medicina do Distrito Federal. 2018. 137 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas e Saúde; Epidemiologia; Política, Planejamento e Administração em Saúde; Administra) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

PETRY, Stéfany et al. Saberes de estudantes de enfermagem sobre a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 72, p. 1145-1152, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0801. Acesso em: 15 agost. 2025.

SARTOR, Karine Bonfim. Papel do enfermeiro na prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis. Ciências da SaúdeVolume 27 – Edição 126/SET 2023

SANTOS, Edelino Alves dos. Avaliação do Programa Nacional de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs e do HIV/AIDS no uso da profilaxia pré-exposição ao HIV por pacientes do Hospital Universitário Walter Cantídio. 2024. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/79190. Acesso em: 13 agost. 2025.

SILVA, Sílvia Manuela Dias Tavares da et al. Diagnóstico do conhecimento dos adolescentes sobre sexualidade. Acta Paulista de Enfermagem, v. 33, p. eAPE20190210, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2020AO0210. Acesso em: 15 agost. 2025.

SILVA, Gabriele Maria et al. O impacto da atuação de enfermagem na redução da estigma relacionado as ists em populações socialmente vulneráveis. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 5, p. 1799-1811, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v11i5.19092. Acesso em: 18 agost. 2025.

SPONHOLZ, F.A. Conhecimentos de adolescentes sobre métodos contraceptivos e infecções sexualmente transmissíveis. Revista Baiana de Enfermagem. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.18471/rbe.v35.39015. Acesso em: 15/08/2025.

SOUSA, Milena Nunes Alves; BEZERRA, André Luiz Dantas; EGYPTO, Ilana Andrade Santos. Trilhando o caminho do conhecimento: o método de revisão integrativa para análise e síntese da literatura científica. Observatorio de la economía latinoamericana, v. 21, n. 10, p. 18448-18483, 2023. Disponível em: 10.55905/oelv21n10-212. Acesso em: 18 set 2025.

VIEIRA, K.J.; BARBOSA, N.G.; MONTEIRO, J.C.S.; DIONÍZIO, L.A.; GOMES-SPONHOLZ, F.A. Conhecimentos de adolescentes sobre métodos contraceptivos e infecções sexualmente transmissíveis. Revista Baiana de Enfermagem. 2021. Disponível em: 10.18471/rbe.v35.39015. Acesso em: 15 Agost. 2025.