HEMORRAGIA PÓS-PARTO EM PERSPECTIVA: UMA DÉCADA DE DESAFIOS NA PARAÍBA FRENTE AO NORDESTE BRASILEIRO (2014-2024)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202509211409


Adriano Cardoso Farias1; André Victor Araújo de Queiroz1; Monica Valéria Morais de Oliveira2; João Victor Passos Bispo3; Ana Flávia Araújo Celestino4; Anna Beatriz Nepomuceno Targino de Arruda5; Letícia de Oliveira Leandro6.


Resumo

A hemorragia pós-parto (HPP) constitui uma das principais causas de morbimortalidade materna no mundo, responsável por cerca de 25% dos óbitos, sobretudo em países de baixa e média renda. No Brasil, permanece como um grave problema de saúde pública, figurando entre as principais causas diretas de morte materna, juntamente com as síndromes hipertensivas e infecções puerperais. Este estudo teve por objetivo analisar a mortalidade materna associada à HPP na Paraíba em comparação com o cenário do Nordeste Brasileiro, no período de 2014 a 2024. Tratou-se de um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, utilizando dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) por meio do TabNet, considerando registros de óbitos maternos relacionados à HPP. Foram excluídos dados incompletos, assegurando conformidade com as normas éticas vigentes. No período analisado, a região Nordeste apresentou tendência crescente na Razão de Mortalidade Materna (RMM), com destaque para 2021, ano em que se registrou o maior índice (113,1 mortes por 100.000 nascidos vivos), refletindo o impacto da pandemia de COVID-19. Na Paraíba, observou-se maior vulnerabilidade em mulheres de 30 a 39 anos, pardas, solteiras e com baixa escolaridade, confirmando a influência de determinantes sociais no desfecho. A persistência da HPP como causa expressiva de mortalidade materna evidencia fragilidades na assistência obstétrica, insuficiência estrutural e desigualdades socioeconômicas. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas efetivas, capacitação profissional e fortalecimento da rede de atenção materno-infantil, visando reduzir os óbitos e promover maior equidade em saúde

Descritores: Hemorragia Pós-Parto; Mortalidade Materna; Morbidade; Epidemiologia; Saúde Pública.

Abstract

Postpartum hemorrhage (PPH) is one of the leading causes of maternal morbidity and mortality worldwide, accounting for approximately 25% of maternal deaths, especially in low- and middle-income countries. In Brazil, it remains a major public health issue, ranking among the main direct causes of maternal death along with hypertensive disorders and puerperal infections. This study aimed to analyze maternal mortality associated with PPH in Paraíba compared to the broader scenario of the Brazilian Northeast between 2014 and 2024. This was a descriptive and retrospective epidemiological study, using secondary data from the Department of Informatics of the Unified Health System (DATASUS) through the TabNet platform, considering records of maternal deaths related to PPH. Incomplete data were excluded, and ethical principles were respected according to national guidelines. During the analyzed period, the Northeast region showed an increasing trend in the Maternal Mortality Ratio (MMR), with 2021 recording the highest rate (113.1 deaths per 100,000 live births), reflecting the impact of the COVID-19 pandemic. In Paraíba, the greatest vulnerability was observed among women aged 30–39 years, of mixed race, single, and with low educational attainment, confirming the influence of social determinants on outcomes. The persistence of PPH as a significant cause of maternal mortality highlights weaknesses in obstetric care, structural insufficiencies, and socioeconomic inequalities. Findings reinforce the need for effective public policies, professional training, and strengthening of maternal and child health care networks to reduce deaths and promote greater equity in health.

Keywords: Postpartum Hemorrhage; Maternal Mortality; Morbidity; Epidemiology; Public Health Surveillance.

1. INTRODUÇÃO

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea de 500 mL ou mais após o parto vaginal, ou 1000 mL ou mais após o parto cesariano, dentro de 24 horas após o nascimento, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. Globalmente, a HPP é uma das principais causas de morbimortalidade materna, sendo responsável por aproximadamente 25% de todas as mortes maternas, com a maioria ocorrendo em países de baixa e média renda (Paes e Marinho, 2010). No Brasil, a mortalidade materna permanece como um grave problema de saúde pública, e a HPP figura entre as principais causas diretas, juntamente com as síndromes hipertensivas e as infecções puerperais.

A região Nordeste do Brasil, caracterizada por profundas desigualdades sociais e econômicas, apresenta desafios particulares na redução da mortalidade materna. A Paraíba, um dos estados nordestinos, reflete muitas dessas complexidades, com indicadores de saúde que demandam atenção contínua. A compreensão das tendências e dos fatores associados à HPP e à mortalidade materna neste contexto regional é crucial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e manejo mais eficazes.

Este estudo tem como objetivo analisar a hemorragia pós-parto e a mortalidade materna associada na Paraíba, comparando seus indicadores e desafios com o cenário geral do Nordeste Brasileiro, no período de 2014 a 2024. Busca-se identificar padrões, tendências, fatores de risco e as implicações para as políticas de saúde, infraestrutura, recursos humanos e práticas clínicas, a fim de subsidiar ações que visem à redução desses desfechos adversos na saúde materno-infantil.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1  Hemorragia Pós-Parto: Definição, Etiologia e Impacto na Saúde Materna

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma complicação obstétrica grave, definida classicamente como a perda sanguínea superior a 500 mL após o parto vaginal ou 1000 mL após o parto cesariano, dentro das primeiras 24 horas após o nascimento (Paes e Marinho, 2010). No entanto, a definição pode ser ampliada para incluir qualquer perda sanguínea que resulte em instabilidade hemodinâmica ou necessidade de transfusão sanguínea. A HPP é a principal causa de mortalidade materna evitável em todo o mundo, sendo responsável por aproximadamente um quarto de todas as mortes maternas (Paes e Marinho, 2010)..

A etiologia da HPP é multifatorial, sendo as quatro principais causas conhecidas como os “4 T’s”: Tônus (atonía uterina), Trauma (lacerações do trato genital), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). A atonia uterina é a causa mais comum, respondendo por cerca de 70-80% dos casos (Paes e Marinho, 2010).. A prevenção e o manejo adequado da HPP são cruciais para a redução da mortalidade materna, envolvendo medidas como o manejo ativo do terceiro estágio do trabalho de parto, o reconhecimento precoce e a intervenção rápida.

2.2  Cenário Epidemiológico da Mortalidade Materna no Brasil e Nordeste:

A mortalidade materna no Brasil, apesar dos avanços nas últimas décadas, ainda representa um desafio significativo para a saúde pública. A Razão de Mortalidade Materna (RMM) é um indicador sensível das condições de saúde e do acesso aos serviços de saúde reprodutiva e materna. A região Nordeste, em particular, tem historicamente apresentado RMMs mais elevadas em comparação com outras regiões do país, refletindo as desigualdades socioeconômicas e as deficiências na estrutura e organização dos serviços de saúde (Carvalho, et al. 2024). Estudos recentes têm demonstrado que a RMM no Brasil e, especificamente, no Nordeste, sofreu um aumento preocupante em anos recentes, especialmente no período da pandemia de COVID-19. (Carvalho, et al. 2024) analisaram o impacto da

pandemia de Covid-19 na RMM no Brasil entre 2018 e 2021, revelando que o ano de 2021 obteve a maior RMM (113,1 mortes maternas por 100.000 nascidos vivos). A pesquisa destacou que as regiões Norte e Nordeste apresentaram uma tendência crescente da RMM, enquanto outras regiões mantiveram uma tendência estacionária. Isso sugere uma maior vulnerabilidade dessas regiões a crises sanitárias e a necessidade de fortalecer as políticas de saúde materna.

“Registraram-se 8.229 óbitos maternos no período. O ano de 2021 obteve a maior Razão de Mortalidade Materna (113,1 mortes maternas por 100.000 nascidos vivos). O Brasil apresentou tendência estacionária, a Região Norte apresentou a maior Razão de Mortalidade Materna nos quatros anos, apresentando tendência crescente, juntamente com Nordeste, enquanto Centro-Oeste, Sul e Sudeste apresentaram tendência estacionária.” (Carvalho, et al. 2024).

As causas diretas de mortalidade materna no Nordeste são diversas, mas as síndromes hipertensivas, as hemorragias e as infecções continuam sendo as mais prevalentes. A análise dos fatores associados à mortalidade materna na região tem apontado para a influência de determinantes sociais, como baixa escolaridade, raça/cor, e acesso inadequado aos serviços de saúde (Sousa, Parada e Nunes, 2020) (Borgonove, et al. 2019) (Muraro, et al. 2023). A qualidade da informação sobre mortalidade materna também é um fator crítico, pois dados precisos são essenciais para o planejamento e avaliação das intervenções (Tavares, Moroskoski e Cioffi, 2023).

2.3   A Realidade da Paraíba: Fatores Associados e Causas de Mortalidade Materna:

A Paraíba, como parte integrante do Nordeste Brasileiro, compartilha muitos dos desafios regionais em relação à mortalidade materna, mas também apresenta suas particularidades. Estudos anteriores, embora fora do período de interesse principal (2014-2024), fornecem um panorama histórico relevante (Paes e Marinho, 2010), ao analisarem a mortalidade materna na Paraíba entre 2000 e 2004, identificaram uma RMM em torno de 59-62/100.000 nascidos vivos e um risco maior entre mulheres não brancas (OR=3,55; IC:1,20-10,5), evidenciando a persistência das desigualdades raciais na saúde materna.

Outro estudo, que analisou o período de 2004 a 2014 na Paraíba, descreveu as causas de mortalidade materna e o perfil das mulheres afetadas. Os resultados indicaram que a maioria dos óbitos ocorreu em mulheres de 30 a 39 anos (40,3%), solteiras (43,7%), pardas (70,2%) e com baixa escolaridade (4-7 anos de estudos, 19%). As principais causas foram as síndromes hipertensivas (32,9%, com destaque para eclâmpsia 13,6%) e as síndromes hemorrágicas (18%) (Araújo, et. al. 2021).

“Maior número de óbitos em mulheres de 30 a 39 anos (40,3%), solteiras (43,7%), pardas (70,2%), com 4-7 anos de estudos (19%). Causas: Síndromes hipertensivas (32,9%, com destaque para eclâmpsia 13,6%) e síndromes hemorrágicas (18%).” (Araújo, et. al. 2021).

Embora esses estudos abordem períodos anteriores, eles estabelecem um contexto importante para a compreensão dos desafios persistentes na Paraíba. A alta prevalência de síndromes hemorrágicas como causa de mortalidade materna, conforme apontado por Araújo, et. al. 2021., reforça a necessidade de focar na prevenção e manejo da HPP. A análise da distribuição espacial e temporal da mortalidade materna na Paraíba, conforme proposto por Carvalho, et. al 2021, será fundamental para identificar áreas de maior risco e direcionar intervenções específicas no período mais recente.

2.4  Desafios e Perspectivas para a Redução da Mortalidade Materna e HPP:

Os desafios para a redução da mortalidade materna e da HPP na Paraíba e no Nordeste são complexos e interligados. Eles abrangem desde a qualidade da assistência pré-natal, parto e puerpério (Sousa, et.al. 2022) (Serra, et. al. 2022) (Santos, et. al. 2022), até a efetividade das políticas públicas e a participação social (Magalhães, A. L. C. (2023)). A formação e capacitação dos recursos humanos em saúde, a disponibilidade de infraestrutura adequada e o acesso equitativo aos serviços de saúde são elementos cruciais para enfrentar esses desafios.

A intersetorialidade e a integralidade do cuidado também são aspectos importantes a serem considerados (Couto, et. al 2022) (Malta, et. al. 2021). A mortalidade materna não é apenas um problema de saúde, mas um reflexo de questões sociais, econômicas e culturais mais amplas. Portanto, as estratégias de intervenção devem ser abrangentes, envolvendo diferentes setores e níveis de atenção à saúde, e focadas nas necessidades específicas das populações mais vulneráveis.

A revisão sistemática sobre mortalidade materna no Nordeste, realizada por Muraro, et. al 2023, e a análise dos determinantes sociais Oliveira, et. al 2023, e da qualidade da informação Tavares, et. al 2023 fornecem uma base sólida para entender a complexidade do problema e identificar áreas prioritárias para ação. A educação em saúde (Feitosa e Silva, 2022) e a vigilância epidemiológica (Serra, et. al, 2022) são ferramentas essenciais para a prevenção, monitoramento e avaliação das intervenções, contribuindo para um cenário mais favorável na luta contra a mortalidade materna e a HPP na região.

3.  METODOLOGIA

Este estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo examinou a distribuição da mortalidade por câncer colorretal na Região Nordeste do Brasil, de 2020 a 2024. As informações foram coletadas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) por meio do sistema TabNet, e dizem respeito a internações registradas nas Autorizações de Internação Hospitalar (AIH).

Para garantir a qualidade e a confiabilidade das informações examinadas, registros incompletos ou inconsistentes foram eliminados. A coleta de dados foi feita através do programa Tabwin e depois convertida para formatos compatíveis com o Microsoft Excel, possibilitando um processamento e análise mais minuciosos.

O estudo não necessitou da aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), uma vez que empregou informações de domínio público, disponibilizadas em conjunto por estados e municípios, sem identificação pessoal. Assim, o estudo segue os princípios éticos definidos pela Resolução no 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS, 2012), não representando perigos físicos, morais ou sociais para os participantes.

Variáveis epidemiológicas como sexo, idade, raça, número de mortes anuais e taxa de mortalidade foram examinadas, permitindo uma compreensão mais completa do efeito da hemorragia pós-parto do Nordeste durante o período em análise.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise dos dados disponíveis na literatura recente revela um cenário complexo e desafiador para a mortalidade materna na Paraíba e no Nordeste Brasileiro no período de 2014 a 2024. Embora estudos específicos para a Paraíba no período exato de 2014-2024 sejam limitados, as tendências regionais e os dados históricos fornecem um panorama importante para a discussão.

No contexto do Nordeste (Figura 1), a Razão de Mortalidade Materna (RMM) tem demonstrado uma tendência preocupante. Estudos evidenciaram um aumento significativo da RMM no Brasil (Carvalho, et. al. 2024), com destaque para as regiões Norte e Nordeste, que apresentaram uma tendência crescente entre 2018 e 2021. O ano de 2021, em particular, registrou a maior RMM (113,1 mortes maternas por 100.000 nascidos vivos), um reflexo direto do impacto da pandemia de COVID-19. Este aumento na RMM no Nordeste sugere uma maior vulnerabilidade da região a crises sanitárias e a fragilidade dos sistemas de saúde locais em lidar com demandas adicionais, afetando diretamente a capacidade de prevenção e manejo de complicações obstétricas, como a HPP.

Figura 1: Taxa de mortalidade por HPP, registrados na região Nordeste no período de 2014-2024.
Fonte: DATASUS, 2025.

Para a Paraíba, embora os dados mais recentes no período de interesse ainda necessitem de estudos aprofundados, os trabalhos de (Paes e Marinho, 2010) e (Araújo et al. (2025)), que cobrem períodos anteriores (2000-2004 e 2004-2014, respectivamente), já apontavam para uma RMM considerável e a persistência de fatores de risco. Estudos destacaram que, entre 2004 e 2014, as síndromes hipertensivas (32,9%) e as síndromes hemorrágicas (18%) foram as principais causas de mortalidade materna na Paraíba (Araújo et al. (2025). Essa prevalência de HPP como causa de óbito materno na Paraíba, mesmo em períodos anteriores, sugere que o estado provavelmente segue a tendência regional de desafios no controle dessa complicação.

A hemorragia pós-parto, como discutido na fundamentação teórica, é uma das principais causas diretas de mortalidade materna. No Nordeste, foram realizadas análises dos fatores associados à mortalidade materna por hemorragia, reforçando a importância de identificar e intervir sobre esses fatores (Ferreira, et. al. 2024). Embora os resultados específicos deste artigo ainda não tenham sido detalhados, a existência de um estudo focado na HPP no Nordeste indica a relevância do tema para a região.

Os fatores associados à mortalidade materna na Paraíba e no Nordeste são multifacetados e interligados. Foram identificaram na Paraíba, entre 2004 e 2014, que mulheres de 30 a 39 anos (figura 2), solteiras, pardas (figura 3) e com baixa escolaridade (Araújo et al. 2025) eram as mais afetadas. Esses achados corroboram a influência dos determinantes sociais na saúde materna, uma questão amplamente abordada por SILVA et al. (2023) em sua análise dos determinantes sociais da mortalidade materna no Nordeste. A desigualdade racial, por exemplo, foi um fator de risco significativo identificado por MARINHO e PAES (2010) na Paraíba, com mulheres não brancas apresentando um risco maior de mortalidade materna.

Figura 2: Número de óbitos por HPP, por faixa etária no Nordeste, no período de 2014-2024.
Fonte: DATASUS, 2025.

Figura 3: Número de óbitos por HPP dividido por raça, na região Nordeste, no período de 2014-2024.
Fonte: DATASUS, 2025.

Os desafios para a redução da HPP e da mortalidade materna na Paraíba e no Nordeste são diversos e exigem abordagens integradas. A infraestrutura de saúde, os recursos humanos e as práticas clínicas são pontos críticos. A qualidade da assistência pré-natal, ao parto e puerpério é fundamental para a identificação precoce de riscos e o manejo adequado das complicações. Estudos como os de CARVALHO, et. al. 2024 sobre a assistência pré-natal, ao parto e puerpério, e à saúde da mulher no Nordeste, apontam para a necessidade de aprimoramento contínuo desses serviços.

As políticas públicas desempenham um papel crucial na mitigação desses desafios. A análise das políticas públicas relacionadas à mortalidade materna no Nordeste, realizada por SILVA et al. (2023), é essencial para entender as lacunas e propor intervenções mais eficazes. A vigilância epidemiológica e a qualidade da informação são igualmente importantes para monitorar os indicadores, avaliar o impacto das ações e direcionar novos investimentos (Magalhães, et. al. 2023) (Serra, et. al. 2022).

Para a Paraíba, a identificação de áreas de maior risco através de análises espaciais e temporais, como a proposta por SILVA et al. (2025) [4], é vital para otimizar a alocação de recursos e a implementação de programas de saúde materna.

A revisão integrativa sobre mortalidade materna na Paraíba, também realizada por CARVALHO et al. (2022), pode consolidar o conhecimento existente e apontar para as principais áreas de intervenção.

Em suma, a persistência da HPP como causa de mortalidade materna, as tendências crescentes da RMM no Nordeste (especialmente pós-pandemia), e a influência de determinantes sociais e raciais, configuram um cenário que exige ações coordenadas e contínuas. O fortalecimento da rede de atenção à saúde materna, a capacitação de profissionais, a melhoria da infraestrutura e a implementação de políticas públicas baseadas em evidências são imperativos para reverter esse quadro e garantir a saúde e o bem-estar das mulheres na Paraíba e em todo o Nordeste Brasileiro.

6.  CONCLUSÃO

Este estudo buscou analisar a hemorragia pós-parto (HPP) e a mortalidade materna associada na Paraíba, em comparação com o cenário do Nordeste Brasileiro, no período de 2014 a 2024. Os achados revelam que a mortalidade materna, impulsionada em parte pela HPP e outras síndromes obstétricas, permanece como um desafio significativo em ambas as regiões, com particularidades e tendências que merecem atenção contínua. A Paraíba, historicamente, tem enfrentado questões relacionadas à mortalidade materna, com fatores socioeconômicos e raciais desempenhando um papel importante, como evidenciado por estudos anteriores que apontam maior risco entre mulheres não brancas e com baixa escolaridade.

No contexto do Nordeste, a Razão de Mortalidade Materna (RMM) demonstrou uma tendência crescente, especialmente entre 2018 e 2021, com o ano de 2021 registrando a maior RMM (113,1 mortes maternas por 100.000 nascidos vivos), em grande parte devido ao impacto da pandemia de COVID-19 [6]. Essa vulnerabilidade regional a crises sanitárias ressalta a fragilidade dos sistemas de saúde e a necessidade urgente de fortalecimento da infraestrutura e dos recursos humanos. As síndromes hipertensivas e hemorrágicas continuam sendo as principais causas de mortalidade materna na Paraíba e no Nordeste, reforçando a importância de estratégias eficazes de prevenção e manejo da HPP.

Os desafios para a redução da HPP e da mortalidade materna são multifacetados, abrangendo desde a qualidade da assistência pré-natal, parto e puerpério, até a efetividade das políticas públicas e a participação social. A formação e capacitação dos profissionais de saúde, a disponibilidade de infraestrutura adequada e o acesso equitativo aos serviços de saúde são elementos cruciais. A intersetorialidade e a integralidade do cuidado são fundamentais para abordar os determinantes sociais da mortalidade materna.

Para a Paraíba, a continuidade de análises espaciais e temporais, é vital para identificar áreas de maior risco e otimizar a alocação de recursos. A melhoria da qualidade da informação e o fortalecimento da vigilância epidemiológica são essenciais para monitorar os indicadores e avaliar o impacto das intervenções. Em suma, reverter o quadro da mortalidade materna na Paraíba e no Nordeste exige um compromisso contínuo com a implementação de políticas públicas baseadas em evidências, o aprimoramento da assistência à saúde da mulher e a abordagem dos fatores sociais e econômicos que perpetuam essas desigualdades.

7.  REFERÊNCIAS

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1Discentes do Curso de Medicina. Centro Universitário Facisa – Campina Grande, PB;
2Discente do curso de Medicina da Universidade Federal de Campina Grande – Campina Grande, PB;
3Discente do curso de Medicina da Afya Faculdade Paraíba – João Pessoa, PB;
4Médica com Residência em Pediatria pela Secretaria Municipal de Campina Grande – Campina Grande, PB;
5Médica com Residência em Medicina da Família e Comunidade pela Secretaria Municipal de João Pessoa – João Pessoa, PB;
6Médica pelo Centro Universitário Facisa – Campina Grande, PB