GESTÃO DO CONHECIMENTO UTILIZANDO SOFTWARE ERP

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510091210


Ricardo Agostinho de Matos


1. Resumo

Nos dias de hoje, o conhecimento é um dos maiores patrimônios de uma organização. Mais do que dados ou informações soltas, ele representa a capacidade de gerar inovação, vantagem competitiva e crescimento sustentável. A gestão do conhecimento envolve transformar dados em informações úteis, que, ao serem interpretadas pelas pessoas, se tornam conhecimento capaz de orientar decisões e criar novas soluções. Parte desse conhecimento é tácito, nascido das experiências e percepções individuais, e parte é explícito, registrado de forma organizada. O modelo proposto por Nonaka e Takeuchi mostra como esses dois tipos se convertem e interagem, criando uma “espiral” contínua de aprendizado e inovação dentro das empresas.
Nesse cenário, os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) assumem um papel estratégico. Ao integrar informações de diferentes setores em uma única base de dados, eles tornam os processos mais claros, conectados e eficientes. Isso facilita a comunicação interna, melhora a tomada de decisão e promove uma cultura de colaboração. Quando combinados à gestão do conhecimento, os ERPs ajudam a armazenar, organizar e compartilhar saberes de forma estruturada, permitindo que equipes aprendam umas com as outras e inovem constantemente. Mais do que uma ferramenta tecnológica, o ERP se torna um aliado na construção de organizações mais inteligentes, ágeis e preparadas para os desafios do mercado.

Palavras-chave: Gestão do conhecimento; ERP; Inovação organizacional; Conhecimento tácito e explícito; Espiral do conhecimento; Integração de sistemas; Competitividade empresarial.

1.1. Introdução

Atualmente, as organizações administram seus negócios usando a gestão do conhecimento, desta forma, conseguem gerar competitividade e poder sob determinados produtos, serviços ou inovações (XU et al., 2006), além disso, o conhecimento é considerado como uma vantagem competitiva para uma empresa (CHEN; YEH; HUANG, 2012). Informações e conhecimento quando aplicadas a produção tradicional, equipamentos e recursos financeiros, passam a ser matéria prima geradora de valor e riquezas. O gerenciamento do conhecimento é imprescindível para o sucesso nos negócios (STEWART, 1998).

Para auxiliar na gestão das informações, muitas empresas se utilizam de sistema ERP, trata-se de um sistema integrado que é capaz de gerar um fluxo de informações de toda a organização em uma base de dados única. Este sistema permite a melhoria de processos do negócio e é capaz de visualizar todas as operações da empresa (CHOPRA; MEINDL, 2003).

Um sistema ERP possui módulos dedicados a cada área da organização e permite o armazenamento de dados e informações, além do compartilhamento dos mesmos, possibilitando a melhora da comunicação interna além da automação interna, podendo inclusive ser personalizado a fim de atender as necessidades de cada organização.

2. Referencial Teórico

2.1 Gestão do Conhecimento

A gestão do conhecimento não é um processo linear, ele se inicia na coleta de dados que posteriormente serão processados criando sentidos e se tornando em informação. Esta informação é o resultado de uma ação humana de aprendizagem, criando assim um conhecimento (NONAKA, 2007).

A competitividade entre organizações é evidenciada pela criação de novos conhecimentos e na inovação de processos, serviços e produtos (NONAKA; TAKEUCHI, 1999). O segredo do sucesso das organizações consiste na forma que o conhecimento é criado e não somente no processamento das informações objetivas. As ideias e intuições subjetivas dos colaboradores também devem ser levadas em conta, colocando-as à disposição da empresa (NONAKA, 2007). Para Drucker (2002), o conhecimento é um recurso econômico mais importante do que o capital ou o trabalho, e por tanto, de passível de se administrar os processos de informação e conhecimento, sendo necessário mobilizá-lo, além de toda a experiência dos membros da organização com o intuito de gerar criatividade e inovação (CHOO, 2003).

Os colaboradores das organizações são parte fundamental na criação de conhecimento, pois estes como usuários das informações podem definir a relevância da informação para a execução das suas atividades. Desta forma, eles são envolvidos no processo de tomada de decisão sobre usar ou não uma informação, além de contribuir com o seu próprio conhecimento e habilidades para gerar inovação (MARKHIJA; GANESH, 1997). Desta forma, o processo de criação do conhecimento deve envolver as pessoas e suas experiencias em comum, criando assim um potencial de influenciar comportamentos, melhorando assim as capacidades das organizações (JIMÉNEZ; SANZ, 2011).

Para Stable (2011), o ambiente organizacional contribui para o desenvolvimento da aprendizagem, pois, permite o fluxo das informações e a troca de conhecimento entre os colaboradores, ampliando as bases do conhecimento. Os colaboradores das organizações são os construtores, compartilhadores e consumidores das informações e conhecimentos produzidos internamente (DUARTE; WENSE; ERICHSEN, 2011).

A gestão do conhecimento é comporta por conhecimentos tácitos e explícitos (captados e criados) e as tecnologias auxiliam no processamento e compartilhamento de informações e processos de geração de conhecimento (BUENO, 1998). O conhecimento tácito é baseado nas experiencias vividas pelas pessoas, pontos de vista, o entendimento que uma pessoa tem de certo fato, como ela vai reagir e pensar sobre certas questões – neste tipo de conhecimento não há registros documentados, portanto, é difícil de ser passado a diante para outras pessoas. Já no conhecimento explícito é tido como formal e sistematizado, pode ser comunicado e compartilhado (CHIAVENATO, 2010). Para Terra e Gordon (2002), o conhecimento tácito é aprendido por um indivíduo com suas experiencias e por consequência, este acaba por desenvolver as capacidades necessárias para executar com sucesso suas tarefas. Nonaka e Takeuchi (1999) defendem que é imprescindível converter o conhecimento tácito em explicito, assim, o conhecimento poderá promover a inovação (CHOO, 2003).

Para Nonaka (2000), são quatro os padrões básicos de criação de conhecimento em qualquer tipo de organização:

  1. – Tácito para Tácito: quando uma pessoa compartilha este tipo de conhecimento diretamente para outra;
  2. – Explicito para Explicito: quando pessoas combinam componentes isolados do conhecimento explícito com o objetivo de construir um novo todo;
  3. – Tácito para Explicito: conversão do conhecimento, permitindo assim o compartilhamento;
  4. – Explicito para Tácito: um conhecimento explícito compartilhado em toda a organização pode levar empregados a ampliar, estender e reformular seus próprios conhecimentos tácitos.

Em uma empresa criadora de conhecimento, os quatro padrões estabelecidos levam a uma espécie de Espiral do Conhecimento, onde há uma mescla de ideias que gera inovação que se trata da recriação de certa visão ou ideal, portanto, ao criar novos conhecimentos, pode-se dizer que se está a criar um processo contínuo de auto renovação organizacional e pessoal (NONAKA, 2000).

A gestão do conhecimento tem por objetivo desenvolver, compartilhar e ampliar o conhecimento profissional, trocando conhecimento com o intuito de criar novas soluções e boas práticas, facilitando assim a tomada de decisão para os gestores (CHIAVENATO, 2010). Trata-se de um esforço de colaborar no desempenho organizacional para que todos tenham acesso ao conhecimento da organização e mais do que isso, para que todos compartilhem seus próprios conhecimentos com os demais colaboradores (TERRA; GORDON, 2002).

2.2 ERP (Enterprise Resource Planning)

ERP vem do inglês “Enterprise Resource Planning” que ao ser traduzido significa “Planejamento dos Recursos da Empresa”.

Um ERP é um software integrado que é projetado para auxiliar as organizações, oferecendo suporte para práticas do negócio tais como inventário, faturamento e encomendas (O’LEARY, 2000). Estes sistemas podem ser adaptados de acordo com as necessidades de cada empresa, inserindo informações, regras e processos de cada negócio (SOMMERVILLE, 2011).

Para Drucker (2000), a a maior mudança que a tecnologia da informação trouxe é a capacidade de fornecer dados e informações para a gestão do conhecimento. Este conhecimento pode então ser transformado em documentos após estruturados, ficam disponíveis nos repositórios das empresas (PMI, 2017).

Ao adotar um ERP, a organização passa a ter uma visão global das informações de qualquer área da empresa, o que permite a tomada e de decisões inteligentes. O sistema ainda fornece suporte aos processos operacionais produtivos, administrativas e comerciais da empresa. Toda e qualquer operação realizada pela empresa devem ser registradas em sistema, pois assim, em eventuais consultas realizadas ao sistema pode-se ter informações mais compatíveis com a realidade. O software integrado possibilita um fluxo de informações único, contínuo e consolidado para toda a empresa – tudo em uma única base de dados fornecida pelo sistema. É possível ainda utilizá-lo como instrumento para a melhoria de processos como a produção, distribuição, compras, utilizando informações online. Com este sistema pode-se visualizar por completo as transações da organização, tendo acesso ao cenário dos negócios. No Brasil, estes sistemas também são conhecidos com Sistemas Integrados de Gestão Empresarial (CHOPRA e MEINDL, 2003).

A implantação de um sistema ERP traz como benefício ainda a adoção de melhores práticas de negócio que resulta em ganhos na produtividade e maior velocidade de resposta da organização (PADILHA, 2005). Adotar tal sistema causa impactos nas dimensões organizacionais, sejam elas culturais, organizacionais ou tecnológicas da organização, pois o sistema “controla” desde a produção ao financeiro, processando e registrando cada acontecimento e disseminando as informações de forma clara e segura em tempo real (LIMA, 2000). Trata-se de um software que deve ser utilizado para o planejamento empresarial, pois ele tem a capacidade de integrar diferentes funções da empresa, permitindo torná-la mais eficiente, pois integra os dados chaves e facilita a comunicação detalhada das operações entre diferentes áreas (BUCKHOUT; FREY; NEMEC JR, 1999).

3. Conclusão

Um sistema ERP pode armazenar informações valiosas de uma organização, inclusive o conhecimento acumulado ao longo do tempo. Uma empresa que utiliza o ERP para fazer a gestão do seu conhecimento dispõe de uma ferramenta que permite aos colaboradores acessarem tais informações, gerando assim uma maior colaboração na transferência de conhecimentos entre equipes e funcionários. Para tanto, as empresas que adotam esta tecnologia devem promover a cultura de aprendizado e compartilhamento de conhecimento, assim, os colaboradores terão a oportunidade de compreender as mudanças trazidas pelo ERP e se adaptarão com maior facilidade às mudanças.

Enquanto os sistemas de ERP cuidam da integração e automação de processos e informações empresariais, a gestão do conhecimento se ocupa de identificar, registrar e compartilhar o conhecimento das organizações. Ao juntá-los, a organização terá uma maior eficiência de suas operações, maior assertividade em sua tomada de decisão além de aumento da capacidade de inovação.

4. Referências

BUCKHOUT, S.; FREY, E.; NEMEC JR., J. (1999). Por um ERP eficaz. HSM Management. p. 30-36, set./out.

CHOO, C.W. (2003). A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. São Paulo: Ed. Senac.

CHOPRA, Sunil; MEINDL, Peter. (2003). Gerenciamento da cadeia de suprimentos: Estratégia, Planejamento e Operação. São Paulo: Prentice Hall.

CHOPRA, S.; MEINDL, P. (2003). Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos – Estratégia, Planejamento e Operação. Prentice Hall.

DUARTE DE SOUZA, E., WENSE DIAS, E., ERICHSEN NASSIF, M. (2011). A gestão da informação e do conhecimento na ciência da informação: perspectivas teóricas e práticas organizacionais. Inf. & Soc.: Est., João Pessoa, v. 21, n.1, p. 55-70.

LIMA. A. D. A. et al. (2000) Implantação de pacote de gestão empresarial em médias empresas. Artigo  publicado  pela  KMPress. 13 fev. 2000. Acesso em: 9 jun. 2000.

NONAKA, I. (2000). Gestão do conhecimento / Harvard business review. Tradução Antônio Celso da Cunha Serra. (Cap. 02, pp. 31). Rio de Janeiro: Campus.

O’LEARY, D. E. (2000). Enterprise Resource Planning Systems: Systems, Life Cycle, ElectronicCommerce and Risk. Cambridge, Reino Unido: Cambridge University Press.

PADILHA. T. C. C.; MARINS, F. A. S. (2005). Sistemas ERP: características, custos e tendências. Revista Produção. Vol. 15. Nº1. Ano 2005. ISSN: 0103-6513.

PMI, P. M. I. (2017). Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (GuiaPMBOK) Project Management Institute. (6th ed). EUA: Project Management Institute.

SOMMERVILLE, I. (2011). Engenharia de Software. Tradução Ivan Bosnic e Kalinka G. de O. Gonçalves; revisão técnica Kechi Hirama. — 9. ed. — São Paulo: Pearson Prentice Hall.

Terra, J. C. C. & Gordon, C. (2002). Portais corporativos: a revolução na gestão o conhecimento. Tradução Érica Saubermann & Rodrigo Baroni. (Cap. 03, pp. 57). São Paulo:Negócio Editora.

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