PHYSICAL THERAPY IN FUNCTIONAL RECOVERY AFTER ACL RECONSTRUCTION: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511182022
Alessandro Silva Porto1
Clarice de Souza Silva1
Daniella Fabrícia Bentes Ramos1
Eduarda Ramos Castelo Branco1
Bruno Dias Duarte2
RESUMO
Introdução: Lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) são comuns em indivíduos fisicamente ativos, frequentemente exigindo reconstrução do LCA (RLCA) para recuperação. Um objetivo fundamental da reabilitação de lesões esportivas é garantir um retorno seguro e eficiente ao esporte (RTS), minimizando o risco de nova lesão e otimizando a função do joelho após a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). Objetivo: Descrever a importância da fisioterapia no tratamento de pacientes de pós-operatório de reconstrução do ligamento cruzado anterior (RLCA) e seus recursos para uma melhor abordagem de tratamento. Materiais e métodos: Este trabalho reúne evidências publicadas entre 2015 e 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Google Acadêmicos. A busca combinou descritores em inglês e português relacionados a “anterior cruciate ligament reconstruction”, “physiotherapy”, “rehabilitation”, “return to sport”, “closed kinetic chain”, “open kinetic chain” e “neuromuscular training”, e os resultados foram, foram organizados em tabela para facilitar a compreensão dos achados. Resultados: Foram utilizados 15 artigos nos quais é possível observar que a fisioterapia apresenta resultados significativos no tratamento de lesões do ligamento cruzado anterior, destacando a exercícios em cadeia cinética aberta e cadeia cinética fechada no ganho de força e resistência de grupos musculares que são prioridades para o retorno mais rápido do indivíduo para suas atividades físicas. Conclusão: Conclui-se que as lesões de ligamento cruzado anterior abrangem inúmeros protocolos de reabilitação que buscam melhorar e promover com mais qualidade todas as estruturas essenciais para um melhor retorno dos pacientes para suas atividades físicas.
Palavras-chave: Ligamento Cruzado Anterior; Pós-Operatório de LCA; Cadeia Cinética Fechada e Aberta.
ABSTRACT
Introduction: Anterior cruciate ligament (ACL) injuries are common in physically active individuals, frequently requiring ACL reconstruction (ACLR) for recovery. A fundamental goal of sports injury rehabilitation is to ensure a safe and efficient return to sport (RTS), minimizing the risk of re-injury and optimizing knee function after anterior cruciate ligament (ACL) reconstruction. Objective: To describe the importance of physiotherapy in the treatment of postoperative patients undergoing anterior cruciate ligament reconstruction (ACLR) and its resources for a better treatment approach. Materials and methods: This work compiles evidence published between 2015 and 2025 in the PubMed/MEDLINE, SciELO, and Google Scholar databases. The search combined descriptors in English and Portuguese related to “anterior cruciate ligament reconstruction,” “physiotherapy,” “rehabilitation,” “return to sport,” “closed kinetic chain,” “open kinetic chain,” and “neuromuscular training,” and the results were organized in a table to facilitate understanding of the findings. Results: Fifteen articles were used, which show that physiotherapy presents significant results in the treatment of anterior cruciate ligament injuries, highlighting open and closed kinetic chain exercises in gaining strength and endurance in muscle groups that are priorities for a faster return of the individual to their physical activities. Conclusion: It is concluded that anterior cruciate ligament injuries encompass numerous rehabilitation protocols that seek to improve and promote, with greater quality, all the essential structures for a better return of patients to their physical activities.
Keywords: Anterior Cruciate Ligament; ACL Post-Operative; Closed and Open Kinetic Chain.
1 INTRODUÇAO
Lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) são comuns em indivíduos fisicamente ativos, frequentemente exigindo reconstrução do LCA (RLCA) para recuperação (Pamboris, G. M, et al 2024)
A insuficiência do ligamento cruzado anterior (LCA) pode ser incapacitante, dadas as restrições às atividades físicas e esportivas que impactam negativamente a qualidade de vida. Consequentemente, a cirurgia é a principal abordagem para a maioria dos pacientes ativos. No entanto, a reconstrução do LCA (RLCA) não pode ser bem-sucedida sem reabilitação pré e pós-operatória adequada (Piedade, S. R, et al 2022)
Um objetivo fundamental da reabilitação de lesões esportivas é garantir um retorno seguro e eficiente ao esporte (RTS), minimizando o risco de nova lesão e otimizando a função do joelho após a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) (Barth KA, et al 2019 apud Forelli, F et al, 2025)
De acordo com o autor Rabelo, L. M et al 2023 Diz que é indispensavel a fisioterapia para a reabilitação de pós operatório de reconstrução de LCA, considerando tambem que ha necessidade de outros profissionais para auxiliar no retorno do individuo ao nivel esportivo.
A recuperação da força do quadríceps e a simetria entre o membro operado e o não operado são critérios essenciais para a progressão da reabilitação, o retorno à corrida e a retomada das atividades esportivas (Kotsifaki R, et al 2023 apud Forelli, F et al, 2025)
De acordo com o autor Forelli, F et al 2023, diz que o uso de exercícios em cadeia cinetica aberta e cadeia cinetica fechado, quando utilizados para a reabilitação voltados aos grupos musculares quadriceps e isquiotibiais de pacientes pós operado de reconstrução de LCA, obteve um aumento significativo de força destes musculos nos testes realizados aos 3 a 6 meses.
2 MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo reúne evidências publicadas entre 2015 e 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Google Acadêmicos. A busca combinou descritores em inglês e português relacionados a “anterior cruciate ligament reconstruction”, “physiotherapy”, “rehabilitation”, “return to sport”, “closed kinetic chain”, “open kinetic chain” e “neuromuscular training”. Foram incluídos ensaios clínicos, estudos observacionais, revisões e comentários clínicos com foco em reabilitação pós-operatória. Critérios de seleção priorizaram intervenções fisioterapêuticas com desfechos de dor, amplitude de movimento, força, função, tempo para corrida e retorno ao esporte. Trabalhos sem descrição de protocolo, populações muito específicas ou fora do recorte temporal foram excluídos. A pesquisa organiza os achados por eixos práticos controle de dor/edema e mobilidade, fortalecimento e progressão de carga, treino neuromuscular e critérios objetivos de progressão para facilitar a aplicação clínica
3 RESULTADOS
Os resultados apresentados após a busca nas bases de dados estão distematizados conforme a figura 1 e trazem um fluxograma indicando os artigos selecionados para a inclusão neste estudo, onde totaliza-se 100 artigos, sendo encontados nos bancos de dados PubMed, SciELo, Google Acadêmico, sendo incluído 15 artigos que apresentavam catacteristicas elegíveis.
Figura 1- Fluxograma de seleção de artigos de inclusão no estudo

O resultado da pesquisa foi disponibilizado na Tabela 1 e suas informações e resultados expostos na discussão deste artigo.
Tabela 1- Dados dos artigos contendo: Autor/Ano, tipo da estudo e resultados.
| AUTOR/ANO | TIPO DE ESTUDO | OBJETIVO | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Forelli, F. et al 2023 | Estudo de Coorte | Determinar se o uso de exercícios de cadeia cinética aberta (CCA) e cadeia cinética fechada (CCF) melhora a força do quadríceps e dos isquiotibiais na fase inicial da reabilitação após reconstrução do LCA e se o uso precoce de exercícios de CCA afeta a frouxidão do enxerto aos 3 e 6 meses de pós-operatório em pacientes com enxerto de tendão isquiotibial. | Este estudo incluiu um grupo de intervenção que realizou exercícios de OKC + CKC (n = 51) e um grupo controle que realizou apenas exercícios de CKC (n = 52). No grupo de intervenção, os exercícios de OKC para o quadríceps e isquiotibiais foram iniciados 4 semanas após a reconstrução do LCA. Aos 3 e 6 meses de pós- operatório, foram realizados testes isocinéticos para calcular o índice de simetria dos membros (ISM) e a relação entre o pico de torque e o peso corporal (PT/PC) para o quadríceps e isquiotibiais. A frouxidão prévia do joelho foi medida por um artômetro. | Os 3 e 6 meses de pós-operatório, a força do quadríceps foi maior no grupo de intervenção do que no grupo controle para o LSI (3 meses: 76,14% ± 0,22% vs 46,91% ± 0,21%, respectivamente; 6 meses: 91,05% ± 0,18% vs 61,80% ± 0,26%, respectivamente; P < 0,001 para ambos) e PT/BW (3 meses: 1,81 ± 0,75 vs 0,85 ± 0,50 Nm/kg, respectivamente; 6 meses: 2,40 ± 0,73 vs 1,39 ± 0,70 Nm/kg, respectivamente; P < 0,001 para ambos). Resultados semelhantes foram observados em relação à força dos músculos isquiotibiais para o LSI (3 meses: 86,13% ± 0,22% vs 64,26% ± 0,26%, respectivamente; 6 meses: 91,90% ± 0,17% vs 82,42% ± 0,24%, respectivamente; P < 0,001 aos três meses, P = 0,024 aos 6 meses) e PT/BW (3 meses: 1,09 ± 0,36 vs 0,67 ± 0,39 Nm/kg, respectivamente; 6 meses: 1,42 ± 0,41 vs 1,07 ± 0,39 Nm/kg, respectivamente; P < 0,001 para ambos). Não foi observada diferença significativa na frouxidão entre os grupos de intervenção e controle aos 3 ou 6 meses. |
| Pamboris, G. M. et al 2024 | Revisão sistemática com metaanálise | Realizar uma revisão sistemática para determinar se os exercícios de CCA ou de cadeia cinética fechada (CCF) resultam em diferenças na frouxidão ligamentar, força do grupo muscular extensor do joelho, função e desempenho funcional na reabilitação do LCA | Cinco bases de dados eletrônicas foram pesquisadas em busca de ensaios clínicos randomizados controlados entre grupos (ECR). Dois revisores avaliaram independentemente o risco de viés utilizando a escala PEDro. Realizamos uma meta-análise utilizando um modelo de efeitos aleatórios ou calculamos as diferenças médias (efeito fixo) quando apropriado | Os exercícios em CCA parecem ser superiores ou igualmente eficazes aos exercícios em CCF para melhorar a frouxidão do joelho, demonstrando, portanto, sua importância em serem incluídos em um protocolo de reabilitação desde a fase inicial. |
| Fontanier, V. et al 2025 | Revisão sistemática e Metaanálise | Determinar o efeito dos exercícios de movimento ativo em cadeia cinética (OKC) durante as primeiras semanas de reabilitação após reconstrução do LCA (ligamento cruzado anterior). | Foi realizada uma busca bibliográfica abrangente, seguindo as diretrizes PRISMA, desde o início até abril de 2024. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada utilizando as ferramentas ROBINS I e RoB2. As mudanças nos desfechos entre o período pré e pós-intervenção foram quantificadas utilizando as diferenças médias padronizadas. | e modo geral, a qualidade metodológica foi baixa e os critérios PICOT (população, intervenção, comparação, desfecho, tempo) foram heterogêneos. No entanto, observou-se que a OKC (corrente cinética aberta) apresenta efeitos benéficos nos desfechos relatados pelos pacientes (PROMs), força, função e retorno ao esporte, especialmente quando realizada pelo menos quatro semanas após a cirurgia, em programas de reabilitação iniciados com exercícios de CKC (corrente cinética fechada). |
| Forelli, F. et al 2025 | Revisão de escopo | Identificar os principais critérios empregados na literatura científica para a introdução segura do fortalecimento do quadríceps em CCA após a reconstrução do LCA. | Foi realizada uma revisão exploratória da literatura nas bases de dados online MEDLINE (PubMed), ScienceDirect, Embase e CINAHL Library online. Foram pesquisados dados referentes a critérios baseados no tempo e/ou critérios clínicos que permitissem a introdução de exercícios de cadeia cinética aberta (CCA) após a reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). Apenas estudos envolvendo pacientes que realizaram fortalecimento do quadríceps utilizando qualquer tipo de exercício de CCA foram incluídos, independentemente do tipo, resistência, localização, magnitude da carga, tipo de contração muscular, amplitude de movimento do joelho ou duração do protocolo de fortalecimento. | Vinte e seis estudos atenderam aos critérios de inclusão. Vinte e um empregaram critérios baseados no tempo para a introdução do exercício de OKC. O tempo mediano desde que o OKC foi permitido foi de 15 dias pós-operatórios (variação de 1 a 270 dias), enquanto o tempo médio foi de 31,6 ± 56,7 dias pós-operatórios. Em 30,7% dos estudos, componentes adicionais do exame clínico foram utilizados. Esses componentes incluíram amplitude de movimento (0100°), pontuação na escala numérica da dor < 2 ou 3, ausência de derrame articular (avaliado pelo teste de Stroke), extensão ativa completa do joelho (avaliada pela elevação da perna estendida) e marcha sem muletas para a tomada de decisão sobre a introdução do exercício de OKC. |
Fonte: (Autor, 2025)
Os estudos convergem para um início de reabilitação focado em controle de dor e edema, recuperação da extensão completa do joelho nas primeiras semanas e avanço cauteloso da flexão, com educação clara sobre autocuidado domiciliar e sinais de sobrecarga. Essa combinação reduz rigidez, favorece padrão de marcha mais estável e cria base para os blocos seguintes de força e controle motor (Liao, W. J. et al 2023).
Planos estruturados por fases, com metas objetivas e critérios de passagem, aparecem como fio condutor dos protocolos mais consistentes. A organização do cuidado por marcos clínicos e funcionais em vez de datas fixas melhora a comunicação entre cirurgião, fisioterapeuta e paciente e diminui idas não planejadas ao serviço por dúvidas ou dor reativa após treino (Jenkins, S. M. et al, 2022).
No recorte recente, as equipes relataram continuidade de padrões essenciais de reabilitação mesmo em contextos desafiadores, com priorização de exercícios essenciais, reforço de educação e ajustes de agenda para manter a progressão sem interrupções longas. Isso sustenta a ideia de que o núcleo do cuidado metas, dosagem e monitoramento é replicável em diferentes condições de atendimento (Factor, S. et al, 2023).
Quanto à mobilidade, o ganho de extensão plena recebe prioridade e a flexão progride com exercícios ativos leves, bicicleta sem carga e escorregamento de calcanhar, sempre observando resposta pós-sessão. Protocolos que integram mobilidade com ativação do quadríceps alcançam marcha mais eficiente e reduzem queixas na transição para tarefas funcionais (Badawy, C. R. et al. 2022).
O fortalecimento começa cedo em cadeia cinética fechada, com agachamentos rasos e leg press de baixa carga, enquanto a cadeia aberta para quadríceps entra com momento, amplitude e volume bem definidos. Quando essa introdução é guiada por dor, edema e controle motor, não se observa aumento de frouxidão do enxerto em avaliações instrumentais, e a recuperação de torque acelera atividades do dia a dia, como descer escadas (Forelli, F. et al., 2023).
Pesquisas recentes reforçam que o timing e a amplitude da cadeia aberta importam mais do que um veto absoluto a essa estratégia. Revisões com método explícito descrevem benefícios no ganho de força quando a progressão respeita limites seguros e quando a dose é compatível com a fase de cicatrização, sem prejuízo mensurável de estabilidade (Fontanier, V. et al 2025).
Metanálises sobre exercícios em cadeia fechada versus aberta indicam que programas combinados, com transição planejada e controle de carga, tendem a produzir melhor equilíbrio entre força, dor e função. A mensagem prática é calibrar quando começar, quanto fazer e em qual amplitude, em vez de adotar proibições generalistas (Pamboris, G. M. et al 2024).
O quadríceps recebe atenção central, já que déficits persistentes estão ligados a dor anterior no joelho e limitação funcional. Comentários clínicos baseados em evidências propõem progressões claras de estímulos, do isométrico ao concêntricoexcêntrico, com monitoramento de resposta patelofemoral e ajustes de volume semanal para evitar reatividade (Solie, B. et al 2024).
A personalização por tipo de enxerto aparece como fator de ajuste fino do programa. Recomenda-se modular velocidade de progressão, proteção inicial e doses de exercícios conforme tendão patelar, isquiotibiais ou quadríceps, sempre casando o plano de força com metas de mobilidade e critérios objetivos de avanço (Leung, A. et al, 2023).
A literatura sobre pré-habilitação mostra que chegar à cirurgia com boa amplitude, ativação do quadríceps e compreensão do protocolo facilita as primeiras semanas, acelera marcos de marcha e reduz insegurança frente aos exercícios domiciliares. O efeito combina preparo muscular e maior familiaridade com as metas do pós-operatório (Abel, R. et al 2023).
Em programas híbridos com telessaúde, quando há protocolo claro, metas semanais e checagens regulares, os desfechos clínicos são comparáveis aos de modelos exclusivamente presenciais para perfis bem selecionados. O acompanhamento por vídeo ajuda a corrigir técnica, reforçar orientações e ajustar volume com agilidade (Turchetta, B. et al. 2025).
Relatos de prática e revisões apontam que critérios de progressão baseados em medidas simetria de força por dinamometria ou isocinético, bateria de hop tests, escalas de função e confiança oferecem base mais segura do que calendários fixos para liberar corrida e retomada de saltos e cortes. Isso reduz episódios de derrame reacional e pausas forçadas por dor (Jenkins, S. M. et al.2022).
Mesmo com reorganizações recentes de serviços, pesquisas temáticas registram manutenção de pilares do cuidado: foco na extensão precoce, progressão gradual de flexão, fortalecimento com ênfase no quadríceps e treino de aterrissagem e alinhamento em apoio unipodal. A experiência sugere que aderência sobe quando o paciente entende por que cada meta importa (Marotta, N. et al 2023).
Visões de conjunto sobre reconstrução do LCA reforçam a utilidade de painéis combinados para retorno ao esporte, com checagem técnica específica da modalidade, testes sob fadiga e simulações curtas antes da liberação plena. Essa abordagem reduz recaídas ligadas a tomada de decisão ancorada apenas em tempo de pós-operatório (Piedade, S. R. et al 2023).
Estudos qualitativos ressaltam o papel da confiança, do entendimento das metas e do suporte informacional na transição para corrida e esporte. Pacientes que recebem feedback frequente sobre progresso e critérios relatam menos medo de executar exercícios e mais engajamento com o plano, o que se traduz em evolução mais estável (Rabelo, L. M. et al 2023).
4 DISCUSSÃO
A leitura crítica dos achados aponta um eixo comum entre protocolos efetivos: organizar metas por fase, dosar carga com base em sinais clínicos e usar critérios objetivos para cada avanço, em vez de depender apenas do calendário. Essa lógica conversa com a literatura que propõe um caminho guiado por marcos funcionais, nos quais cada etapa precisa ser sustentada por controle de dor, edema e qualidade do movimento antes de subir o nível de exigência. O efeito prático é reduzir pausas por reatividade, alinhar expectativas e dar ao paciente um roteiro claro do que precisa acontecer até a corrida e, depois, até gestos mais complexos como salto e corte (Jenkins, S. M. et al 2022).
No início da reabilitação, restabelecer a extensão completa do joelho e retomar a flexão de forma gradual aparecem como prioridades que travam menos a marcha e previnem rigidez. Essa ênfase tem sustentação clínica e biomecânica: sem extensão terminal, a marcha fica “presa” e o gasto energético sobe, o que alimenta dor e inchaço. A educação ativa logo nas primeiras sessões com orientações sobre gelo, elevação, compressão e exercícios simples diminui medo de mover e acelera o retorno de padrões básicos. Esse conjunto de medidas iniciais forma a base sobre a qual serão construídos força e controle motor ao longo dos meses (Liao, W. J. et al. 2023).
A discussão sobre quando começar e como dosar exercícios em cadeia cinética fechada e aberta deixou de ser um embate ideológico para virar uma pergunta de timing, amplitude e volume. Os estudos recentes descrevem ganhos mais sólidos quando a cadeia aberta para quadríceps entra com dose e amplitude bem contidas, depois que a resposta clínica inicial está estável. Na prática, isso ajuda a encurtar o período de fraqueza do quadríceps tão comum após a cirurgia sem acrescentar instabilidade quando o desenho do treino respeita a cicatrização do enxerto. O que se vê é menos dor anterior no joelho e subida mais rápida de marcos funcionais como descer escadas e levantar de cadeiras mais baixas (Badawy, C. R. et al. 2022).
Entre as publicações que medem estabilidade do enxerto com instrumentos objetivos, a introdução criteriosa de cadeia aberta não aumenta frouxidão quando se controla amplitude e progressão. Esse dado desarma receios antigos e direciona a conversa para o que realmente pesa: como escolher a janela correta para iniciar, qual amplitude proteger no começo e como distribuir séries e repetições sem provocar derrame no dia seguinte. O ganho de torque no quadríceps, por sua vez, repercute direto na confiança para tarefas cotidianas e na tolerância a volumes maiores de treino, algo que a literatura relaciona com evolução mais linear ao longo das semanas (Forelli, F. et al 2023).
Revisões recentes que focam as primeiras semanas pós-operatórias conferem suporte a essa abordagem combinada. O ponto não é proibir uma estratégia, e sim encadear estímulos a partir de metas clínicas e funcionais, respeitando limites seguros. Quando o desenho do treino considera proteção do enxerto, qualidade de movimento e resposta pós-sessão, a cadeia aberta se torna uma aliada valiosa para repor a força que o quadríceps perde com facilidade após a cirurgia. A leitura fina desses parâmetros reduz o risco de overuse patelofemoral e mantém a trajetória rumo a tarefas atléticas mais exigentes (Fontanier, V. et al 2025).
Metanálises que comparam exercícios em cadeia fechada e aberta reforçam a ideia de programa híbrido, no qual a transição é planejada e monitorada por critérios clínicos. Em vez de escolher “um lado”, a pesquisa sugere casar os dois blocos, explorando as virtudes de cada um em momentos distintos. Resultados mais consistentes surgem quando o serviço define antes quais sinais liberam avanço, como se comporta o joelho no dia seguinte e qual alvo de simetria de força precisa ser batido para subir a régua das tarefas funcionais (Pamboris, G. M. et al 2024).
O quadríceps segue como peça central de todo o processo, tanto pela influência na mecânica de marcha e em tarefas como descida de escadas, quanto pelo vínculo com dor anterior no joelho quando há déficit persistente. Comentários clínicos propõem trilhas de progressão claras, saindo do isométrico, passando por controle excêntrico e chegando a estímulos mais rápidos, sempre com olho vivo na resposta patelofemoral e na distribuição do volume semanal. O recado é simples: sem quadríceps “acordado” e forte, o restante da construção custa caro e atrasa (Solie, B. et al 2024).
A personalização do plano conforme o tipo de enxerto traz ganhos práticos: no tendão patelar, ajustar a carga de exercícios que exigem alavanca longa reduz queixas na região anterior; em enxertos de isquiotibiais, a dosagem inicial para essa musculatura deve ser mais cautelosa, sem abandonar estímulos leves que preservem simetria; no enxerto do tendão do quadríceps, calibrar amplitudes e tempos de exposição para não inflar dor na parte anterior é uma escolha sensata. Esse ajuste fino ajuda a evitar tropeços que atrasam metas de mobilidade e força (Leung, A. et al., 2023).
A pré-habilitação desponta como ferramenta de alto retorno para as primeiras semanas pós-operatórias. Chegar à cirurgia com extensão plena, boa ativação do quadríceps e entendimento do protocolo acelera marcos de independência, facilita abandono de muletas e diminui insegurança frente aos exercícios de casa. A soma de preparo muscular com alfabetização do paciente sobre o que esperar no pós-operatório explica boa parte desse efeito, sem depender de recursos tecnológicos complexos (Abel, R. et al 2023).
Mesmo em contextos de reorganização de serviços de saúde, houve manutenção de um núcleo de condutas capaz de sustentar a recuperação. Programas que preservaram educação do paciente, progressão de mobilidade e fortalecimento bem dosado mantiveram desfechos clínicos relevantes, mostrando que o essencial é replicável em condições diversas. Para quem coordena ambulatórios, essa estabilidade traz previsibilidade e permite planejar agendas com janelas de reavaliação focadas em marcos do protocolo (Factor, S. et al 2023).
A telereabilitação ganhou espaço como complemento ao atendimento presencial quando o perfil clínico permite. Sessões por vídeo com checagem de técnica, metas semanais e retornos programados mostraram equivalência em desfechos para grupos bem selecionados. Essa alternativa amplia cobertura e reduz faltas por barreiras logísticas, desde que haja critérios de inclusão claros e uma trilha de exercícios explicada com detalhes para o paciente seguir em casa com segurança (Turchetta, B. et al., 2025).
A tomada de decisão baseada em critérios objetivos força medida, hop tests, escalas de função e confiança, e observação da qualidade do movimento substituiu com vantagem cronogramas rígidos. Esse painel torna a conversa transparente, porque o paciente enxerga um número a ser atingido e entende por que ainda não é hora de avançar. Para a equipe, os critérios ajudam a padronizar liberação de corrida e testes mais exigentes, reduzindo retorno precoce e derrame reacional que interrompe o treino por dias (Jenkins, S. M. et al. 2022).
Outra peça que faz diferença é o feedback sobre qualidade de movimento. Filmagens curtas de agachamento, aterrissagem e mudança de direção ajudam a corrigir alinhamento de quadril, joelho e tornozelo, principalmente sob fadiga. Serviços que repetem as mesmas tarefas em ciclos de algumas semanas mostram evolução visível para o paciente, o que aumenta engajamento e adesão ao plano domiciliar. Esse cuidado com a forma não é detalhe estético, mas componente de proteção articular e de preparo para o gesto esportivo real (Marotta, N. et al. 2023).
Para modalidades com contato ou pivoteio intenso, o retorno exige uma filtragem mais rigorosa. Além da simetria de força e dos hop tests, entram simulações curtas sob fadiga e checagens técnicas específicas do esporte, pois a pressão real de jogo cobra coordenação fina em alta velocidade. Ao cruzar medidas objetivas com essa avaliação contextual, as equipes relatam menos recaídas e menos queixas de inchaço após treinos completos, algo especialmente valioso em calendários competitivos (Piedade, S. R. et al., 2023).
Os relatos qualitativos trazem a voz de quem passa pelo processo e lembram que confiança é variável clínica também. Pacientes que entendem metas, recebem notícias frequentes sobre progresso e têm canal aberto para tirar dúvidas aderem melhor ao plano e relatam menos medo na transição para a corrida e para movimentos com salto. Treinos que conectam exercícios a tarefas do dia a dia, como descer escadas ou caminhar longos trechos, aumentam a sensação de utilidade e diminuem a ansiedade com prazos (Rabelo, L. M. et al 2023).
Mesmo com defensores de janelas distintas para cadeia aberta, há convergência crescente de que o foco deve estar em critérios que liberam a sua entrada e no monitoramento de resposta. Scoping reviews recentes descrevem séries e amplitudes iniciais mais conservadoras, com subida de carga conforme dor, edema e qualidade do movimento se mantêm sob controle. A mesma lógica vale para progressão de pliometria e tarefas com mudança de direção, sempre partindo do simples para o complexo, do lento para o rápido, do previsível para o imprevisível (Forelli, F. et al., 2025).
Para operacionalizar esse desenho no ambulatório, alvos de simetria de força ajudam a guiar conversas e escolhas semanais. Mesmo sem isocinético, dinamômetros portáteis e testes funcionais bem padronizados oferecem números úteis. Quando a equipe pactua, por exemplo, que a corrida só entra a partir de determinado patamar e que saltos só sobem depois de um pacote de metas batidas, o paciente também passa a defender o próprio joelho e a se observar entre sessões, reduzindo riscos de “pular etapas” (Liao, W. J. et al 2023).
Do ponto de vista de segurança, os eventos mais citados derrame reacional em fases de aumento de volume, dor patelofemoral ao acelerar cadeia aberta sem preparo e rigidez quando a extensão não é tratada como meta urgente funcionam como lembretes de que planejamento e vigilância importam. Planilhas simples com carga semanal, checagens pós-sessão e regras de ajuste ajudam a segurar essas intercorrências. A mensagem é organizar o treino como um processo com checkpoints, não como uma lista de exercícios repetidos automaticamente (Badawy, C. R. et al 2022).
Mesmo reconhecendo heterogeneidade de amostras, instrumentos e tempos de seguimento, a literatura mais recente oferece um caminho coerente para serviços públicos e privados. Começa com educação e mobilidade, passa por força com atenção especial ao quadríceps, incorpora treino neuromuscular progressivo e usa critérios objetivos para liberar corrida, saltos e contato. Telereabilitação aparece como reforço viável em perfis escolhidos, e pré-habilitação melhora a largada do processo. O conjunto reduz improviso, dá previsibilidade a pacientes e equipes e tende a entregar joelhos mais estáveis, fortes e confiantes ao final da jornada (Pamboris, G. M. et al, 2024).
5 CONCLUSÃO
O presente estudo teve como objetivo descrever a importância da fisioterapia para o tratamento de lesões de ligamento cruzado anterior nos quais foram realizado pesquisas nas bases de dados digitais buscando artigos que destacam os recursos fisioterapêuticos disponíveis para a reabilitação.
Cabe ainda salientar, que os estudos escolhidos abordavam terapias aplicadas a pacientes na reabilitação de reconstrução de ligamento cruzado anterior (LCA), destacando o que cada estudo priorizou a melhor ou promover ganhos significativos.
Portanto, conclui-se que as lesões de ligamento cruzado anterior abrangem inúmeros protocolos de reabilitação que buscam melhorar e promover com mais qualidade todas as estruturas essenciais para um melhor retorno dos pacientes para suas atividades físicas.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do
Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara.
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