PHYSICAL THERAPY IN THE HUMANISED STRATEGY FOR RELIEVING LABOUR PAIN: INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511241534
Sheyla Samia da Rocha Queiroz Garcia1
Orientadora: Barbara Bahía Lira Mendes2
Resumo
Introdução: A gestação e o trabalho de parto envolvem intensas transformações físicas e emocionais, frequentemente acompanhadas de dor e ansiedade. A fisioterapia na estratégia de analgesia e acolhimento surge como aliada no alívio da dor, promovendo relaxamento, consciência corporal e segurança à parturiente. Este estudo revisa a literatura sobre sua atuação humanizada no parto, destacando benefícios e desafios. Enfatiza-se a importância do fisioterapeuta no suporte emocional e na prevenção de traumas. Objetivo: Sintetizar a importância da atuação do fisioterapeuta no suporte emocional e no alívio da dor durante o trabalho de parto, por meio de uma abordagem humanizada. Materiais e método: Este estudo trata-se de uma revisão de literatura com abordagem integrativa, a coleta de dados foi conduzida no período de agosto e setembro de 2025, por estratégia de buscas sistematizadas nas bases PUBMED, SciELO e PEDro. Resultados: As técnicas fisioterapêuticas, como TENS, hidroterapia, massagens e exercícios com bola suíça, demonstraram eficácia na redução da dor, na melhora da mobilidade e no suporte emocional das parturientes. A atuação do fisioterapeuta contribuiu para a humanização do parto e para melhores desfechos. Conclusão: A fisioterapia representa uma estratégia humanizada e eficaz para o alívio da dor no trabalho de parto, sendo essencial sua ampliação nas maternidades e o reconhecimento institucional de sua relevância.
Palavras-chave: “Parto”. “Fisioterapia”. “Dor”. “Conduta”. “Humanizado”.
Abstract
Introduction: Pregnancy and labour involve intense physical and emotional transformations, often accompanied by pain and anxiety. Physiotherapy, as part of a pain relief and support strategy, emerges as an ally in alleviating pain, promoting relaxation, body awareness, and safety for the parturient. Purpose: This study reviews the literature on its humanised approach to childbirth, highlighting benefits and challenges. It emphasizes the importance of physiotherapists in emotional support and trauma prevention. Objective: To synthesise the importance of the physiotherapist’s role in emotional support and pain relief during labor through a humanised approach. Methods: This study is a literature review with an integrative approach; data collection was conducted during August and September 2025 through systematic search strategies in the PUBMED, SciELO, and PEDro databases. Results: Physiotherapy techniques such as TENS, hydrotherapy, massage, and Swiss ball exercises have proven effective in reducing pain, improving mobility, and providing emotional support to women in labour. The physiotherapist’s work contributed to the humanisation of childbirth and better outcomes. Conclusion: Physical therapy represents a humane and effective strategy for pain relief during labour, making its expansion in maternity wards and the institutional recognition of its importance essential.
Keywords: “Labour”. “Physiotherapy”. “Pain”. “Conduct”. “Humanised”.
1. INTRODUÇÃO
A gestação é um período marcado por profundas modificações físicas, fisiológicas e emocionais, tais transformações frequentemente culminam no surgimento de sentimentos complexos, incluindo medos e preocupações (Freire et al., 2017).
O trabalho de parto (TP) é tradicionalmente segmentado em duas fases cruciais: a primeira, definida pela ocorrência de contrações uterinas e pela dilatação progressiva do colo, geralmente acompanhada de dor e estresse; e a segunda, correspondente ao período de expulsão fetal, caracterizada pela intensificação das contrações e do alargamento cervical (Baracho, 2007).
A dor intensa inerente ao parto, exacerbada pelo estado de ansiedade, é um fator que pode predispor a experiências consideradas traumáticas, constituindo um desafio constante no manejo da parturição (Santana et al., 2013).
Neste contexto, a fisioterapia apresenta-se como um recurso essencial, promovendo a preparação da gestante para o TP através de intervenções que visam o relaxamento, o desenvolvimento da consciência corporal e o manejo não farmacológico da dor (Brandolfi et al., 2017; Silva et al., 2015). A aplicação dessas técnicas tem sido associada ao reforço da musculatura pélvica e, conforme demonstrado em estudos específicos, à otimização da experiência de parto, promovendo maior segurança e conforto à parturiente (Abreu et al., 2013).
A fisioterapia utiliza abordagens não farmacológicas de alívio da dor e o fortalecimento da musculatura pélvica, promovendo a consciência corporal, proporcionando relaxamento e consequente redução da percepção dolorosa (Silva et al., 2015).
Entretanto, a ausência da fisioterapia adequada na maternidade pode causar complicações no parto e pós-parto, além de dificultar a recuperação. A atuação do fisioterapeuta durante o trabalho de parto é fundamental para reduzir a dor e aumentar o conforto e a segurança da parturiente.
Portanto, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os efeitos da fisioterapia humanizada durante o trabalho de parto, destacando sua importância no suporte emocional e na prevenção de traumas. Também busca explorar os benefícios da fisioterapia para as parturientes, como alívio da dor, melhora da mobilidade e apoio emocional, além de discutir os principais desafios enfrentados nas maternidades, como a escassez de recursos e a falta de conscientização sobre sua relevância.
Dessa forma, o presente trabalho objetiva revisar sistematicamente os efeitos dos recursos da fisioterapia aplicados no alívio da dor durante o parto e sua relevância.
2. MATERIAIS E MÉTODO
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, foi realizada nas bases de dados Scielo, PubMed, LILACS, Revista eletrônica de Acervo saúde e buscas manuais nos periódicos. Foram utilizados os descritores ‘dor’, and ‘fisioterapia’, and ‘parto’, and ‘humanizado’, and ‘conduta’, and ‘pain’, and ‘physiotherapy’, and ‘labour’, and ‘humanised’, and ‘conduct’, combinados com o operador booleano AND, as palavras-chave foram pesquisadas em português e inglês. A busca foi limitada a publicações entre 2018 e 2025, em português e inglês. As buscas ocorreram no período de julho a novembro de 2025. Os critérios de inclusão foram artigos publicados nos últimos 10 anos, estudos de caso e estudo integrativo e os de exclusão foram os que englobavam tratamentos fisioterapêuticos, e, artigos duplicados, artigos publicados em outros idiomas que não em inglês e português e artigos incompletos. Os resultados obtidos foram expressos por meio de tabela.
3. RESULTADOS
Ao todo foram encontrados 34 artigos, desses 7 foram incluídos conforme os critérios de inclusão para fazer parte desta revisão, como se mostra o fluxograma a seguir (figura 1).
Figura 1: fluxograma do estudo.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.
| AUTOR/ANO | TIPO DE ESTUDO | OBJETIVO | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Saedi al. 2023 | Ensaio Clínico/ Estudo Controlado | Comparar o efeito da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) com a injeção de petidina e prometazina na redução da dor do parto. | Mensuração por EVA e parâmetros de parto e TENS (protocolado) introduzido no estágio ativo. | Diminuição de pelo menos 2 pontos na escala de EVA, sem alterações consideráveis. |
| Sousa et al. 2021 | Revisão Bibliográfica | Identificar os recursos que auxiliam os fisioterapeutas no manejo da dor durante o trabalho de parto. | Hidroterapia (banho quente ou de imersão), Acupressão (23.1%), Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS), Massagem, Termoterapia (frio e/ou calor) e Exercícios Respiratórios. | As Condutas foram eficazes para o controle da dor durante o trabalho de parto e o conhecimento sobre eles se fazem necessário para melhor assistir na melhoria de atendimentos às parturientes nesse processo. |
| Borba et al. 2021 | Pesquisa Qualitativa Exploratória | Avaliar a perspectiva de mulheres no pós-parto em relação à assistência fisioterapêutica recebida durante o trabalho de parto. | 12 pacientes envolvidas e submetidas às técnicas de exercícios de mobilidade pélvica, posturas verticalizadas | A fisioterapia no pós-parto foi percebida pelas mulheres como essencial para aliviar a dor e a ansiedade, oferecendo apoio emocional e promovendo o relaxamento durante o trabalho de parto. |
| Newton et al. 2018 | Pesquisa Exploratória Prospectiva | Explorar as experiências de mulheres grávidas com relação ao banho, durante o trabalho de parto e crenças culturais sobre o banho. | 41 participantes submetidas ao banho (aquecido) associado à hidroterapia. | Os achados revelaram divergências: parte dos participantes: associou o banho a crenças culturais, e não como uma prática de autocuidado adotada pelas mulheres identificáveis; ao invés disso, sugerem que o banho é uma medida de autocuidado utilizada pelas mulheres. |
| Benson et al. 2021 | Pesquisa Exploratória Prospectiva | Determinar a eficácia de uma unidade de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) para melhorar o manejo da dor no trabalho de parto | 272 pacientes envolvidas no estudo. As técnicas não farmacológicas para alívio da dor no parto incluíram a aplicação da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) | A grande parte concordou e afirmou que no início do trabalho de parto, nos indicativos achados que TENS mostrou-se eficaz na redução da dor no início. |
| Homsi et al. 2022 | Ensaio Clínico Randomizado | Avaliar se a aplicação de um protocolo de fisioterapia (intervenções não farmacológicas) em mulheres durante a fase ativa do trabalho de parto melhora os desfechos obstétricos e a experiência de parto. | Foi um estudo cego e randomizado. 100 gestantes nulíparas (primeiro parto) com gravidez de baixo risco, na fase ativa do trabalho de parto (≥ 4 cm de dilatação) foram divididas em dois grupos: Grupo Intervenção (n=50), que recebeu o protocolo de fisioterapia (exercícios, massagem, recursos com bola suíça, etc.), e Grupo Controle (n=50), que recebeu apenas o cuidado hospitalar de rotina. | O grupo que recebeu o protocolo de fisioterapia teve uma duração significativamente menor da fase ativa do trabalho de parto (em média, 116 minutos a menos), menor dor no parto (medida pela escala EVA), menor. |
| Njogu et al. 2021 | Estudo Controlado Randomizado Simples Cego | Prática do Efeito do TENS sobre dor e duração do trabalho de parto. | RCT com alocação em grupos, mensuração de dor por EVA. TENS introduzido durante o parto durante trabalho de parto ativo. | Comparação ao controle da dor durante o parto durante trabalho de parto ativo com a diminuição em relação ao tempo na fase evolutiva. |
Fonte: Autores (2025).
4. DISCUSSÃO
Análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidenciou que a fisioterapia desempenha um papel relevante no alívio da dor durante o trabalho de parto, especialmente quando associada a práticas humanizadas. As técnicas não farmacológicas utilizadas, como a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), hidroterapia, massagens, exercícios de alongamento, mostraram-se eficazes na redução da dor e no aumento do conforto físico e cognitivo das parturientes.
Estudos como os de Saedi et al. (2023), Benson et al. (2021) e Njogu et al. (2021) relataram melhora significativa nas escalas de dor após a aplicação da técnica, sem efeitos adversos relevantes. Isso reforça a viabilidade da TENS como recurso seguro e acessível no contexto obstétrico.
A hidroterapia e o banho quente foram associados ao relaxamento e à sensação de bem-estar, embora algumas mulheres tenham atribuído essas práticas a crenças culturais, como observado por Newton et al. (2018). Ainda assim, a água aquecida foi percebida como um recurso de autocuidado que contribui para a redução da tensão muscular e da ansiedade.
O estudo de Borba et al. (2021) e et al. (2021) destacou que as parturientes valorizaram o apoio emocional e físico proporcionado pelos fisioterapeutas, especialmente por meio de exercícios de mobilidade pélvica e posturas facilitadoras do parto. Essa percepção positiva reforça a importância da presença ativa do fisioterapeuta na equipe multiprofissional.
O ensaio clínico de Homsi et al. (2022) também demonstrou que a aplicação de um protocolo fisioterapêutico estruturado resultou em menor duração da fase ativa do parto e em menor intensidade da dor, evidenciando que a atuação fisioterapêutica pode influenciar diretamente nos desfechos obstétricos.
Contudo, apesar dos benefícios evidenciados, ainda existem desafios para a implementação ampla dessas práticas nas maternidades brasileiras. A escassez de profissionais especializados, a falta de protocolos padronizados e a baixa valorização da fisioterapia obstétrica são obstáculos que precisam ser superados para garantir uma assistência mais humanizada e eficaz.
5. CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa permitiu evidenciar que a fisioterapia, quando aplicada de forma humanizada, representa uma estratégia eficaz e segura para o alívio da dor durante o trabalho de parto. As técnicas não farmacológicas, como a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), hidroterapia, massagens, exercícios com bola suíça e posturas verticalizadas, demonstraram benefícios significativos na redução da dor, na promoção do relaxamento e no fortalecimento do vínculo emocional entre a parturiente e o processo de parto.
Além dos efeitos fisiológicos, a atuação do fisioterapeuta contribui para a humanização da assistência, oferecendo suporte emocional e promovendo maior autonomia e segurança à mulher. A percepção positiva das parturientes em relação à presença do fisioterapeuta reforça a importância de sua inserção nas equipes multiprofissionais das maternidades.
Entretanto, a revisão também revelou desafios importantes, como a escassez de profissionais capacitados, a ausência de protocolos padronizados e a falta de reconhecimento institucional da fisioterapia obstétrica. Tais obstáculos limitam a implementação ampla dessas práticas e comprometem a qualidade da assistência.
Dessa forma, conclui-se que a atuação fisioterapêutica no contexto obstétrico é essencial para garantir um parto mais seguro, acolhedor e menos doloroso. Recomenda-se o fortalecimento de políticas públicas que incentivem práticas humanizadas e a capacitação contínua dos profissionais da área, visando à melhoria dos desfechos materno-infantil e à valorização da fisioterapia como parte fundamental do cuidado à mulher.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2Mestranda em Ciências do Movimento Humano, Pós-Graduada em Fisioterapia Cardiovascular. Especialista em Fisioterapia Intensiva, Coordenadora e Docente do Curso de Fisioterapia do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020 030 | (92) 3212-5000.
