FATORES RELACIONADOS À IDEAÇÃO SUICIDA E SUICÍDIO EM GESTANTES E MULHERES PUÉRPERAS: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA

FACTORS RELATED TO SUICIDAL IDEAS AND SUICIDE IN PREGNANT WOMEN AND PUERTOUS WOMEN: A NARRATIVE REVIEW OF THE LITERATURE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202508132232


Marianna Xavier Vasco e Taynara Ribeiro Nunes¹
Prof. Dra. Caroline Camargo Graça²


1. RESUMO

O suicídio e a ideação suicida em gestantes e mulheres puérperas constituem uma preocupação crescente em saúde pública, sendo associados a diversas vulnerabilidades. Esta revisão integrativa analisou a literatura global para identificar os principais fatores relacionados a esses fenômenos. Estudos apontam que transtornos mentais, especialmente depressão e ansiedade, são os mais significativos, elevando consideravelmente o risco de ideação suicida. Além disso, a falta de suporte social e familiar, que pode agravar a sensação de isolamento, também está fortemente correlacionada à ideação suicida. Complicações na gestação e experiências de violência doméstica foram identificadas como fatores de risco adicionais, indicando que as mulheres que enfrentam tais adversidades têm maior probabilidade de desenvolver pensamentos suicidas. Fatores socioeconômicos, como baixa escolaridade e condições financeiras precárias, também contribuem para essa vulnerabilidade. A interseção entre aspectos pessoais e sociais revela a complexidade do fenômeno, sugerindo que intervenções devem considerar um enfoque multidimensional.

Os dados coletados demonstram a necessidade de uma triagem regular de saúde mental durante o pré-natal e o puerpério, a fim de identificar mulheres em risco e proporcionar apoio adequado. Intervenções baseadas em evidências, como terapia cognitivo-comportamental e fortalecimento das redes de apoio, mostraram-se eficazes na redução da ideação suicida. A saúde mental das gestantes e puérperas deve ser tratada com a mesma seriedade que a saúde física, visando não apenas o bem-estar das mulheres, mas também o desenvolvimento saudável dos recém-nascidos. Conclui-se que uma abordagem integrada, que considere fatores psicológicos, sociais e culturais, é essencial para o desenvolvimento de políticas e práticas que minimizem os riscos de ideação suicida e suicídio neste grupo vulnerável. A sensibilização dos profissionais de saúde para esses fatores é crucial para a promoção da saúde mental durante e após a gestação.

Palavras chave: Ideação suicida, Gestantes, Puérperas, Saúde mental, Fatores de risco.

ABSTRACT

Suicide and suicidal ideation in pregnant and postpartum women are a growing public health concern, associated with various vulnerabilities. This integrative review analyzed the global literature to identify the main factors related to these phenomena. Studies indicate that mental disorders, especially depression and anxiety, are the most significant, significantly increasing the risk of suicidal ideation. Furthermore, a lack of social and family support, which can exacerbate feelings of isolation, is also strongly correlated with suicidal ideation. Pregnancy complications and experiences of domestic violence were identified as additional risk factors, indicating that women facing such adversities are more likely to develop suicidal thoughts. Socioeconomic factors, such as low education and precarious financial conditions, also contribute to this vulnerability. The intersection between personal and social aspects reveals the complexity of the phenomenon, suggesting that interventions should consider a multidimensional approach. 

The data collected demonstrate the need for regular mental health screening during the prenatal and postpartum periods to identify women at risk and provide appropriate support. Evidence-based interventions, such as cognitive behavioral therapy and strengthening support networks, have proven effective in reducing suicidal ideation. The mental health of pregnant and postpartum women should be treated with the same seriousness as their physical health, aiming not only for the well-being of the women themselves but also for the healthy development of their newborns. It is concluded that an integrated approach, which considers psychological, social, and cultural factors, is essential for developing policies and practices that minimize the risks of suicidal ideation and suicide in this vulnerable group. Raising awareness among healthcare professionals about these factors is crucial for promoting mental health during and after pregnancy.

Keywords: Suicidal ideation, Pregnant women, Postpartum women, Mental health, Risk factors.

2. INTRODUÇÃO

O suicídio é um fenômeno complexo e multifacetado, que envolve fatores psicológicos, sociais, econômicos e culturais. É caracterizado como um ato deliberado de tirar a própria vida e, frequentemente, está associado a estados de sofrimento psíquico intenso, como depressão, desesperança, desamparo e isolamento emocional (Oliveira et al., 2021). No campo da saúde pública, o suicídio vem sendo reconhecido como uma das principais causas de morte entre mulheres em idade reprodutiva, especialmente durante a gestação e o puerpério (Sousa et al., 2022).

A gestação é o período em que o feto se desenvolve no útero materno, enquanto o puerpério corresponde ao intervalo pós-parto em que o corpo da mulher retorna ao seu estado fisiológico anterior, ao mesmo tempo em que ela enfrenta as exigências emocionais e sociais da maternidade, essas fases são marcadas por intensas transformações hormonais, físicas e psicológicas, exigindo da mulher uma significativa adaptação física, mental e social (Sousa et al., 2022). Quando associadas a fatores de risco, essas mudanças podem desencadear ou agravar quadros de sofrimento emocional, contribuindo para o surgimento de transtornos mentais, incluindo a ideação suicida (Martins et al., 2021).

A ideação suicida refere-se à presença de pensamentos ou desejos relacionados à morte voluntária. Ela é considerada um importante fator preditor do comportamento suicida e tem sido cada vez mais observada em mulheres durante o período perinatal (Oliveira et al., 2021). Estudos brasileiros apontam que transtornos mentais, principalmente a depressão perinatal, são os principais fatores associados à ideação suicida em gestantes e puérperas. A depressão pós-parto, por exemplo, afeta cerca de 10% a 20% das mulheres, sendo considerado um dos transtornos mais prevalentes no puerpério e fortemente ligado à ideação suicida (Almeida & Souza, 2023).

A saúde mental nesse período também é impactada por fatores socioeconômicos, mulheres com baixa escolaridade, desempregadas ou em situação de vulnerabilidade financeira apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais. O acúmulo de responsabilidades, a insegurança sobre o futuro e a falta de acesso a recursos básicos aumentam o nível de estresse, ansiedade e sobrecarga emocional, essas condições não apenas comprometem o bem-estar da mulher, mas também podem afetar negativamente o vínculo com o recém-nascido e o desenvolvimento infantil (Martins et al., 2021). 

O suporte social e familiar é um elemento fundamental na prevenção da ideação suicida. Mulheres que contam com redes de apoio mais sólidas, compostas por familiares, amigos ou profissionais de saúde, demonstram maior capacidade de enfrentamento frente às adversidades do período perinatal (Pereira et al., 2021). Por outro lado, a ausência de apoio, especialmente por parte do parceiro e da família, agrava a sensação de solidão e abandono, gerando maior vulnerabilidade psíquica, a presença de violência doméstica também se destaca como um fator de risco importante, potencializando o sofrimento emocional e favorecendo o surgimento de pensamentos suicidas (Sousa et al., 2022; Almeida & Souza, 2023).

Outro fator relevante é a ausência de triagens sistemáticas para detecção de sofrimento mental nos serviços de atenção básica. Apesar da alta prevalência de depressão e ansiedade no período gestacional e pós-parto, muitas mulheres não são diagnosticadas ou não recebem o acompanhamento adequado por parte das equipes de saúde, A carência de protocolos e a falta de capacitação dos profissionais dificultam a identificação precoce de sinais de risco, comprometendo o cuidado integral à saúde mental da mulher (Moraes et al., 2024; Silva et al., 2023). 

A pandemia de COVID-19 agravou significativamente o quadro da saúde mental materna. O isolamento social, o medo da infecção, a sobrecarga nos serviços de saúde e as perdas socioeconômicas ampliaram os sentimentos de angústia, insegurança e desesperança em gestantes e puérperas. Diversos estudos relataram aumento expressivo nos sintomas depressivos, nos transtornos de ansiedade e na ideação suicida durante esse período, evidenciando a necessidade urgente de estratégias específicas de cuidado (Sousa et al., 2022; Chilelli Pinage & Carius Felix, 2025).

Diante da complexidade do fenômeno e dos múltiplos fatores associados, torna-se indispensável à investigação dos elementos que contribuem para a ideação suicida e o suicídio em gestantes e mulheres puérperas. Compreender esses fatores é essencial para o desenvolvimento de ações de prevenção, acolhimento, intervenção precoce e promoção de saúde mental. Nesse sentido, a presente revisão integrativa tem como objetivo reunir evidências científicas recentes, com base em estudos brasileiros publicados entre 2020 e 2025, a fim de identificar os principais fatores associados à ideação suicida nesse grupo, contribuindo para uma assistência mais humanizada e eficaz às mulheres durante o ciclo gravídicopuerperal.

3. METODOLOGIA

Este estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, caracterizada como um método que possibilita uma análise abrangente de um fenômeno de interesse, examinando diversos estudos em relação a conceitos, teorias e metodologias (Polit & Beck, 2018).

As etapas operacionais da revisão narrativa incluem: (1) definição de um objetivo amplo e/ou questões de revisão, (2) busca sistemática da literatura com critérios previamente estabelecidos, (3) avaliação crítica dos estudos selecionados, (4) análise e síntese da literatura, (5) discussão sobre novos conhecimentos e (6) elaboração de estratégias para divulgação dos resultados (Polit & Beck, 2018).

Conforme as etapas realizadas, foi formulada a definição do problema da pesquisa e a questão central, utilizando o acrônimo PICo. O “P” refere-se à população de interesse, que neste caso são gestantes e mulheres no puerpério

(Population/Patient/Problem); o “I” diz respeito ao fenômeno de Interesse (Interest), que abrange fatores associados à ideação suicida ou ao suicídio; e o “Co” representa o contexto (Context), que, neste caso, é o mundo. Assim, a questão norteadora da pesquisa foi: Quais são os principais fatores associados à ideação suicida e ao suicídio em gestantes e mulheres puérperas, conforme evidenciado na literatura brasileira?

Estabelecidos os critérios de inclusão, que abrangeram artigos indexados, textos completos, artigos brasileiros publicados entre 2020 a 2025, nos idiomas português, relacionados à questão central e desenvolvidos com humanos, sem limitação de faixa etária, focando em mulheres gestantes e puérperas. Critérios de exclusão, artigos e textos incompletos, artigos estrangeiros e artigos publicados fora da faixa de tempo dos critérios de inclusão, estudos de documentos oficiais, políticas de saúde, relatórios de gestão hospitalar, livros e capítulos de livro foram excluídos.

De acordo com os dados nas bases de dados e bibliotecas eletrônicas: PubMed (MedLine); Google Acadêmico (foram lidos os 100 primeiros títulos); Web of Science e na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), com os seguintes descritores: (“pregnant women” OR “pospartum period”) AND (“suicide” OR “suicides” OR “suicide, attempted”) AND (“Associated Factors” OR “Risk Factors”). Após a seleção dos estudos, foram inicialmente identificados 610 artigos. Em seguida, foram aplicados os critérios de inclusão e exclusão que consideraram apenas estudos brasileiros publicados entre 2020 e 2025, com foco nos fatores associados ao suicídio, resultando em 13 artigos selecionados para leitura na íntegra. Após a leitura completa e criteriosa desses 13 estudos, foram excluídos 5 artigos por não atenderem plenamente aos objetivos da pesquisa ou por apresentarem dados insuficientes. Assim, o total de artigos incluídos na amostra final foi de 8, os quais embasaram a análise dos fatores associados ao suicídio nesta revisão. Dos artigos selecionados, os seguintes dados foram extraídos: título do estudo, autores, periódico de publicação, ano, área de atuação dos pesquisadores, tipo de estudo, população analisada e principais resultados (fatores associados ao suicídio).

Na etapa de avaliação dos estudos, as análises foram feitas descritivamente por meio de 2 quadros, sendo quadro 1: título, autor, periódico de publicação, ano da publicação, quadro 2 sendo: qualis, nível de evidência do estudo, área dos pesquisadores, tipo de estudo, amostra, e principais resultados.

A síntese dos dados será realizada por meio da análise descritiva dos métodos e resultados relacionados aos fatores que influenciam a ideação e o suicídio em gestantes e mulheres no puerpério.

4. RESULTADOS

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 8 artigos brasileiros publicados entre 2020 e 2025 que discutem a ideação suicida e o suicídio em gestantes e puérperas. Os dados foram organizados conforme os fatores mais frequentes descritos nos estudos e categorizados em eixos temáticos.

QUADRO 1. Distribuição dos artigos conforme título, autor, periódico de publicação, ano da publicação.

QUADRO 2. Distribuição dos artigos conforme quais, nível de evidência do estudo, área dos pesquisadores, tipo de estudo, amostra, e principais resultados.

5. DISCUSSÃO

Para realizar a discussão foram categorizados os artigos conforme a temática que cada um trazia. A análise dos artigos revelou que esses fenômenos são multifatoriais, com forte influência de aspectos psicológicos, sociais, econômicos e estruturais.

Transtornos Mentais: Depressão, Ansiedade e Estresse Psicológico

Um dos achados mais recorrentes e consistentes foi a presença de transtornos mentais, especialmente a depressão perinatal, como fator central na manifestação da ideação suicida. Faisal-Cury et al. (2022) observaram que a ideação estava presente até mesmo entre mulheres com depressão leve, sendo ainda mais frequente em contextos de vulnerabilidade psicossocial. De forma semelhante, Grillo e Collins (2024) destacam que a alta prevalência de depressão e ansiedade entre gestantes e puérperas está associada a condições socioeconômicas precárias, ausência de apoio e histórico de violência.

A depressão pós-parto (DPP) foi abordada em diversos estudos, com prevalência variando entre 10% e 25% (Silva et al., 2023; Costa et al., 2024). A identificação precoce é apontada como essencial para prevenir desfechos mais graves, como o suicídio. Segundo Costa et al. (2024), “a presença de histórico de transtornos psiquiátricos e a ausência de apoio social foram fatores significativamente associados à DPP”. Em consonância, Pinagé e Felix (2025) reforçam que a atuação da enfermagem na triagem precoce e nas intervenções psicossociais pode promover conforto e reduzir os sintomas depressivos.

Ausência de Suporte Social e Familiar

A falta de suporte social e familiar foi apontada como um dos principais fatores de risco para o sofrimento emocional e a ideação suicida. Pereira et al. (2021) ressaltam que a ausência de acolhimento — especialmente por parte do parceiro — pode intensificar sentimentos de solidão e abandono. Essa percepção é corroborada por Sousa et al. (2022), que evidenciam a importância de redes de apoio durante o período perinatal.

Grillo e Collins (2024) enfatizam que o apoio emocional e instrumental é um fator de proteção indispensável, contribuindo para o enfrentamento das dificuldades impostas pela maternidade. Costa et al. (2024) também identificaram uma relação direta entre a ausência de apoio e a prevalência da depressão pós-parto, alertando para a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das redes de apoio familiar e comunitário.

Violência Doméstica e Situações de Abuso

A violência doméstica desponta como um agravante significativo da saúde mental de gestantes e puérperas. Costa et al. (2021) revelam que mulheres vítimas de violência antes ou durante a gestação apresentaram até 25 vezes mais chances de desenvolver sintomas depressivos. A pesquisa de A4 (Costa et al., 2021) também aponta que mulheres fumantes ou expostas à violência antes da gestação apresentaram risco significativamente elevado de sintomatologia depressiva.

Essa relação foi reforçada por Almeida e Souza (2023), que destacam que “a violência doméstica potencializa o sofrimento psíquico, favorecendo a manifestação da ideação suicida”. Esses achados evidenciam a necessidade de protocolos de triagem que incluam perguntas sobre violência doméstica e estratégias de proteção eficazes no contexto da atenção básica.

Condições Socioeconômicas e Baixa Escolaridade

Fatores socioeconômicos desfavoráveis como baixos níveis de escolaridade, desemprego e vulnerabilidade financeiraforam amplamente identificados como predisponentes à ideação suicida e à depressão. Segundo Martins et al. (2021), tais fatores aumentam o estresse, reduzem o acesso ao cuidado em saúde mental e afetam negativamente o vínculo com o bebê.

O estudo de Faisal-Cury et al. (2022) confirma essa realidade ao associar ideação suicida a baixos níveis socioeconômicos, gravidez na adolescência e baixa escolaridade. A ausência de recursos materiais e simbólicos compromete diretamente o bem-estar psíquico das mulheres. Tais evidências reforçam a urgência da implementação de ações intersetoriais que promovam equidade no acesso a serviços de saúde mental, especialmente em comunidades vulneráveis.

Falta de Triagem e Intervenção em Saúde Mental

A literatura aponta que, apesar da alta prevalência de sintomas depressivos e ansiosos, os serviços de saúde frequentemente falham na triagem sistemática e no acompanhamento psicossocial adequado. Moraes et al. (2024) e Silva et al. (2023) alertam que a falta de protocolos padronizados e a escassa capacitação dos profissionais de saúde dificultam o reconhecimento precoce da depressão e da ideação suicida.

Silva et al. (2023) também apontam que “a depressão pós-parto pode apresentar consequências adversas para a mãe, o bebê e a família”, sendo sua identificação precoce fundamental para evitar agravamentos. Pinagé e Felix (2025) reforçam que o papel do enfermeiro é crucial na detecção precoce e encaminhamento das mulheres em risco para os serviços de atenção especializada.

6. CONSIDERACOES FINAIS

A presente revisão narrativa evidenciou que a ideação suicida e o suicídio em gestantes e puérperas são fenômenos complexos e multifatoriais, fortemente influenciados por determinantes psicológicos, sociais, econômicos e estruturais. Entre os principais fatores associados, destacam-se os transtornos mentais com ênfase para a depressão perinatal, a ausência de suporte social e familiar, a vivência de violência doméstica, a vulnerabilidade socioeconômica e a falha na triagem e no acompanhamento em saúde mental.

Esses achados reiteram a necessidade de um cuidado integral e multidimensional, que contemple não apenas o aspecto físico da gestação e do puerpério, mas também o bem-estar emocional e psicológico das mulheres. A implementação de protocolos específicos de triagem para depressão e ideação suicida nos serviços de atenção primária à saúde é uma medida urgente e necessária, especialmente durante o pré-natal e o pós-parto.

Além disso, é fundamental o fortalecimento das redes de apoio tanto formais quanto informais como estratégia protetiva. O envolvimento de parceiros, familiares, equipes multiprofissionais e da comunidade pode reduzir significativamente os riscos associados ao sofrimento psíquico e promover ambientes mais seguros e acolhedores para as mulheres.

A atuação dos profissionais de saúde, em especial da enfermagem, mostrouse essencial na detecção precoce de sinais de sofrimento mental, na escuta qualificada, na orientação e no encaminhamento adequado. A capacitação contínua dessas equipes, aliada a políticas públicas sensíveis ao gênero e à maternidade, é imprescindível para garantir uma assistência humanizada e eficaz.

Por fim, reforça-se que a saúde mental materna deve ser tratada como prioridade na agenda de saúde pública. Investir em ações preventivas, diagnósticas e terapêuticas voltadas às gestantes e puérperas não apenas salva vidas, mas contribui diretamente para o desenvolvimento saudável da criança e o fortalecimento do núcleo familiar. Enfrentar o suicídio materno exige sensibilidade, compromisso institucional e ações intersetoriais articuladas.

REFERÊNCIAS

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¹Discente do Curso Superior de enfermagem do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava- PR email: enf-mariannavasco@camporeal.edu.br. Discente do Curso Superior de enfermagem do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava- PR e-mail: enf-taynaranunes@camporeal.edu.br.
²Docente do Curso Superior de enfermagem do Centro Universitário Campo Real Campus Guarapuava- PR. Especialista em ginecologia e obstetrícia (Einstein/ SP). Mestre em ciências da saúde  (FPP/PR). e-mail: prof_carolinecamargo@camporeal.edu.br.