RISK FACTORS FOR THE DEVELOPMENT OF ALLERGIC RHINITIS IN CHILDREN, ADOLESCENTS, AND ADULTS: A SYSTEMATIC REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509041322
Omar Cézar dos Santos1
Mário Pinheiro Espósito2
Davi Mendes3
Guilherme Soriano Pinheiro Espósito4
RESUMO
Introdução: A Rinite alérgica (RA) é uma condição crônica frequente tanto em crianças quanto em adultos, afetando atualmente até 40% da população mundial, com taxas mais elevadas em países mais desenvolvidos. Considerando que a RA é uma condição que atinge diferentes faixas etárias, causando incômodo e afetando a qualidade de vida, além de gerar gastos importantes para a saúde, é importante entender os fatores que contribuem para seu desenvolvimento. Objetivo: Discutir quais são os principais fatores que aumentam o risco de desenvolver a RA em crianças, adolescentes e adultos. Métodos: Revisão sistemática seguindo as diretrizes do PRISMA 2020 nas bases de dados PubMed e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), utilizando os descritores intercalados pelo operador booleano “AND”; DeCS: Fatores de risco; Rinite Alérgica; Criança; Adolescente; Adulto; MeSH: Risk Factors; Allergic Rhinitis; Child; Adolescent; Adult. A estratégia PICO adotada foi: P (População): Crianças, adolescentes e adultos; I (Intervenção): Presença de fatores de risco; C (Comparação): Indivíduos sem exposição a esses fatores; O (Desfecho): Desenvolvimento de rinite alérgica. Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, espanhol ou inglês, que fossem estudos observacionais, ensaios clínicos, pesquisas longitudinais e relatos de caso que abordassem diretamente o tema. Foram excluídos artigos repetidos, revisões, textos com acesso restrito e aqueles que não focavam nos fatores de risco da doença. Resultados e Discussão: Os fatores de risco mais encontrados para RA foram histórico familiar de doenças alérgicas (como asma, eczema e rinite), sensibilização a aeroalérgenos (ácaros, poeira, pelos de animais), infecções respiratórias na infância, uso frequente de paracetamol ou antibióticos, viver em áreas urbanas, presença de carpetes, exposição à poluição e ao tráfego intenso, sobrepeso/obesidade, e contato com mofo no ambiente doméstico. Além disso, hábitos alimentares como consumo frequente de carne e baixa ingestão de vegetais também foram associados. Conclusão: Os resultados mostram que a RA é causada por uma variação de fatores genéticos, ambientais e hábitos de vida que mudam de acordo com a idade e o lugar onde se vive, o que indica que o tratamento e a prevenção precisam ser feitos de forma mais personalizada.
Palavras-chave: Fatores de risco; Rinite Alérgica; Criança; Adolescente; Adulto.
ABSTRACT
Introduction: Allergic Rhinitis (AR) is a common chronic condition in both children and adults, currently affecting up to 40% of the global population, with higher rates observed in more developed countries. Considering that AR affects different age groups, causing discomfort and impacting quality of life, as well as generating significant healthcare costs, it is important to understand the factors that contribute to its development. Objective: We aim to discuss the main factors that increase the risk of developing AR in children, adolescents, and adults. Methods: Systematic review following de PRISMA 2020 guideline using PubMed and LILACS databases, with descriptors combined using the Boolean operator “AND”; DeCS: Risk Factors; Allergic Rhinitis; Child; Adolescent; Adult; MeSH: Risk Factors; Allergic Rhinitis; Child; Adolescent; Adult. The PICO strategy adopted was P (Population): Children, adolescents, and adults; I (Intervention): Presence of risk factors; C (Comparison): Individuals not exposed to these factors; O (Outcome): Development of allergic rhinitis. Articles published between 2015 and 2025 were selected, in Portuguese, Spanish, or English, including observational studies, clinical trials, longitudinal research, and case reports directly addressing the topic. Excluded were duplicate articles, reviews, restricted-access texts, and those not focusing on the risk factors of the disease. Results and Discussion: The most frequently found risk factors for AR were a family history of allergic diseases (such as asthma, eczema, and rhinitis), sensitization to aeroallergens (mites, dust, animal dander), childhood respiratory infections, frequent use of paracetamol or antibiotics, living in urban areas, presence of carpets, exposure to pollution and heavy traffic, overweight/obesity, and contact with mold in the home environment. Additionally, dietary habits such as frequent meat consumption and low intake of vegetables were also associated. Conclusion: The results show that AR is caused by a variety of genetic, environmental, and lifestyle factors that change according to age and the place where one lives, indicating that treatment and prevention need to be more personalized.
Keywords: Risk Factors; Allergic Rhinitis; Child; Adolescent; Adult.
1. INTRODUÇÃO
A Rinite alérgica (RA) é uma condição crônica frequente tanto em crianças quanto em adultos, afetando atualmente até 40% da população mundial, com taxas mais elevadas em países mais desenvolvidos. Essa condição impacta negativamente a vida social, o rendimento escolar e a capacidade produtiva dos indivíduos. Sua origem é multifatorial, envolvendo uma interação complexa entre predisposição genética e influências ambientais, sendo que o desequilíbrio da microbiota e a reação alérgica a substâncias presentes no ambiente desempenham papel importante nesse processo (Yuan et al., 2022).
A RA é marcada por crises recorrentes de espirros, corrimento nasal e congestão das vias nasais, frequentemente acompanhadas por coceira nos olhos, nariz e céu da boca. Gotejamento pós-nasal, tosse, irritabilidade e cansaço também são manifestações frequentes. A condição está relacionada a impactos importantes na qualidade de vida e gera altos custos em saúde (Chinratanapisit et al., 2019).
O diagnóstico da RA costuma ser feito com base nos sintomas característicos associados à sensibilidade a partículas presentes no ar. Entre os alérgenos mais frequentes estão os ácaros da poeira doméstica, pólens de gramíneas, árvores e ervas daninhas, além de pelos de animais como gatos e cães, e esporos de fungos. A identificação da sensibilização geralmente é confirmada por meio do teste de puntura cutânea, considerado uma das principais ferramentas para detectar respostas alérgicas imediatas do tipo I (Katotomichelakis et al., 2017).
Pesquisas epidemiológicas mostraram que a frequência da RA tem crescido gradualmente em nações mais desenvolvidas ao longo dos últimos anos, atingindo atualmente entre 10% e 40% dos adultos e entre 2% e 25% das crianças em escala global. Esse avanço constante na ocorrência da doença tem representado um impacto financeiro relevante para a população em geral (Tong et al., 2022).
Fatores de risco amplamente reconhecidos para a RA incluem a presença de atopia, asma, dermatite e outras condições alérgicas. O histórico familiar de doenças alérgicas também é um fator bem comprovado. O risco de desenvolver RA é maior em crianças cujos pais apresentam rinite, asma, febre do feno e alergias ao pólen. Uma pesquisa recente realizada na Suécia mostrou que crianças com pais portadores de doenças alérgicas têm entre 1,8 e 8,8 vezes mais probabilidade de apresentar RA, sendo o maior risco observado quando os pais têm febre do feno e alergia ao pólen. Outro estudo com adolescentes turcos revelou que aqueles com histórico familiar de doenças atópicas apresentaram um aumento de sete vezes na chance de desenvolver RA (Baumann et al., 2015).
Diversas pesquisas exploraram o impacto de fatores ambientais como a poluição atmosférica, mudanças nos hábitos de vida e infecções por vírus e bactérias no surgimento da rinite. Segundo a teoria da higiene, certos microrganismos podem estimular o sistema imune ainda em formação, favorecendo uma resposta do tipo Th1, o que ajudaria a prevenir alergias. Por outro lado, infecções respiratórias mais graves na infância, como bronquiolite por vírus sincicial respiratório, pneumonia, sarampo e até coqueluche, podem elevar as chances de desenvolver asma na infância. Ainda, estudos indicam que infecções precoces, seja no útero ou nos primeiros meses de vida, podem ser determinantes importantes para o aparecimento de doenças alérgicas (Lin et al., 2015).
Considerando que a RA é uma condição que atinge diferentes faixas etárias, causando incômodo e afetando a qualidade de vida, além de gerar gastos importantes para a saúde, é importante entender os fatores que contribuem para seu desenvolvimento. Sendo assim, o objetivo deste trabalho é discutir quais são os principais fatores que aumentam o risco de desenvolver a RA em crianças, adolescentes e adultos, para que estratégias mais eficazes possam ser adotadas.
2. METODOLOGIA
Este trabalho aborda uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados PubMed e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), utilizando os descritores intercalados pelo operador booleano “AND”:
1. DeCS: Fatores de risco; Rinite Alérgica; Criança; Adolescente; Adulto.
2. MeSH: Risk Factors; Allergic Rhinitis; Child; Adolescent; Adult.
A estratégia PICO adotada para nortear a seleção dos estudos foi estruturada da seguinte forma:
I. P (População): Crianças, adolescentes e adultos;
II. I (Intervenção): Presença de fatores de risco
III. C (Comparação): Indivíduos sem exposição a esses fatores;
IV. O (Desfecho): Desenvolvimento de rinite alérgica.
Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, espanhol ou inglês, que fossem estudos observacionais, ensaios clínicos, pesquisas longitudinais e relatos de caso que abordassem diretamente o tema. Foram excluídos artigos repetidos, revisões, textos com acesso restrito e aqueles que não focavam nos fatores de risco da doença.
A análise dos estudos seguiu o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) 2020 para garantir a relevância das informações coletadas, que foram organizadas para facilitar a compreensão dos principais achados (Quadro 1). Por tratar-se de pesquisa documental com fontes públicas, não houve necessidade de aprovação ética.
3. RESULTADOS
Figura 1 – Seleção dos artigos.

Na seleção dos estudos, foram identificados inicialmente 3.539 estudos na base PubMed e 124 na LILACS. Após a remoção de 1.884 estudos que estavam fora do recorte temporal, restaram 1.779 para triagem. Desses, 1.592 foram excluídos por serem revisões e 64 por estarem indisponíveis na íntegra, totalizando 123 estudos em análise. Em seguida, 29 duplicatas e 85 com títulos irrelevantes foram eliminados. Restaram 9 estudos avaliados na íntegra, dos quais 2 foram excluídos por não responderem à questão de pesquisa. Por fim, sete estudos foram incluídos na revisão (Figura 1). O Quadro 01 reúne os sete estudos selecionados, dos quais cerca de 43% (3 estudos) focam em crianças, aproximadamente 29% (2 estudos) em adolescentes e os restantes 29% (2 estudos) em adultos. Esses estudos abrangem diferentes países, incluindo Itália, Brasil, China, Tailândia, Cazaquistão e Peru, mostrando a diversidade das populações analisadas e a importância de considerar as faixas etárias e contextos regionais para entender melhor os fatores associados à ocorrência da RA.
Quadro 1 – Resumo dos estudos analisados.



4. DISCUSSÃO
O estudo de Chinratanapisit et al. (2019) identificou que a prevalência de RA em crianças de 6 a 7 anos foi de 15% e, em crianças de 13 a 14 anos, de 17,5%. Já a RA grave foi identificada em 1% das crianças menores e em 1,9% das mais velhas. A comorbidade com asma foi observada em 27,1% e com eczema em 24,6% dos casos. Os principais fatores de risco associados à RA foram histórico parental de asma, de RA e de eczema, infecção do trato respiratório inferior no primeiro ano de vida, amamentação por seis meses, uso atual de paracetamol, prática de exercícios físicos, exposição a gatos e presença frequente de tráfego de caminhões na rua de residência.
Na pesquisa realizada por Tong et al. (2022), eles identificaram que fatores como sexo masculino, histórico familiar de alergia, alergias alimentares ou medicamentosas, uso de purificador de ar, exposição à poeira, viver em áreas urbanas na primeira infância, idade materna entre 25 e 35 anos e uso frequente de antibióticos aumentam o risco de RA. A condição foi mais comum em homens, possivelmente por influência hormonal e genética. Apesar de seu uso para melhorar a qualidade do ar, o purificador foi associado à RA, possivelmente por liberar substâncias irritantes como ozônio.
Também foi encontrado que sobrepeso, sensibilização a aeroalérgenos domésticos comuns, ter pais com RA, níveis elevados de óxido nítrico exalado (≥ 20 ppb) e níveis altos de IgE sérica total eram fatores de risco para RA. Embora a exposição à fumaça de cigarro, idade, sexo, status socioeconômico e níveis de vitamina D não tenham mostrado diferença significativa, crianças com histórico parental de RA apresentaram três vezes mais chance de ter a doença, e o risco aumentava se ambos os pais tivessem RA (Baumann et al., 2015).
A RA teve uma prevalência de 13,7% entre os 1.500 questionários avaliados por Yang et al. (2017), com sintomas comuns como espirros (54,6%) e coceira no nariz (54,1%). A RA apareceu mais em pessoas com sobrepeso ou obesidade e esteve ligada ao aumento da asma, principalmente em idades mais avançadas. O uso de carpetes, presente em 94,4% dos casos, foi um fator importante, já que eles acumulam ácaros e poeira, gatilhos para a doença. Assim como evidenciado por Juchem; Da-Silva & Johann, (2020), dos 47 ácaros encontrados em amostras de residências de adolescentes de 13 e 14 anos, 74,47% vieram de casas com adolescentes com problemas respiratórios, e 25,53% de casas sem esses problemas. Além disso, o local com mais ácaros foi o carpete (46,80%), seguido pela cama (34,04%) e o sofá (14,89%). As cortinas apresentaram a menor quantidade (4,25%).
Além disso, o consumo de carne e frutas mostrou relação positiva com a RA, enquanto leite e feijão foram associados de forma negativa. Não houve ligação significativa entre RA e tabagismo ou diferenças em idade e sexo (Yang et al., 2017). A exposição a poluentes atmosféricos também foi encontrado como potencial fator de risco ao desenvolvimento da RA, associados à maior gravidade dos sintomas (Maio et al., 2023).
Por outro lado, os principais fatores associados aos jovens foram a falta de atividade física, ter só um irmão mais velho e o consumo diário de carne. Em contrapartida, a ingestão moderada de açúcar, azeite de oliva e o consumo diário de vegetais mostraram-se protetores. Já nos adultos, a presença de mofo no ambiente doméstico elevou as chances de diagnóstico de rinite, assim como comer carne de forma ocasional. Níveis mais baixos de escolaridade, por sua vez, estiveram relacionados a menor probabilidade de desenvolver a condição (Urrutia-Pereira et al., 2023).
5. CONCLUSÃO
Os resultados mostram que a RA é causada por uma variação de fatores genéticos, ambientais e hábitos de vida que mudam de acordo com a idade e o lugar onde a pessoa vive, o que indica que o tratamento e a prevenção precisam ser feitos de forma mais personalizada.
É importante entender que tanto os fatores que protegem quanto os que aumentam o risco da doença envolvem desde alimentação até a qualidade do ar e o ambiente da casa. Por isso, é fundamental pensar em soluções que envolvam cuidados individuais e ações públicas que ajudem a melhorar a saúde populacional em diferentes grupos.
REFERÊNCIAS
BAUMANN, L. M. et al. Prevalence and risk factors for allergic rhinitis in two resource‐ limited settings in Peru with disparate degrees of urbanization. Clinical & Experimental Allergy, v. 45, n. 1, p. 192-199, 2015.
CHINRATANAPISIT, Sasawan et al. Prevalence and risk factors of allergic rhinitis in children in Bangkok area. Asian Pac J Allergy Immunol, v. 37, n. 4, p. 232-239, 2019.
JUCHEM, Calebe Fernando; DA-SILVA, Guilherme Liberato; JOHANN, Liana. Associations between house dust mites and prevalence of asthma and allergic rhinitis among school-age adolescents in the south of Brazil. Arq Asma Alerg Imunol, v. 6, n. 3, p. 383-389, 2020.
KATOTOMICHELAKIS, Michael et al. Symptomatology patterns in children with allergic rhinitis. Medical science monitor: international medical journal of experimental and clinical research, v. 23, p. 4939, 2017.
LIN, Chien-Heng et al. Association between neonatal urinary tract infection and risk of childhood allergic rhinitis. Medicine, v. 94, n. 38, p. e1625, 2015.
MAIO, Sara et al. Relationship of long-term air pollution exposure with asthma and rhinitis in Italy: an innovative multipollutant approach. Environmental research, v. 224, p. 115455, 2023.
TONG, Xiaoting et al. A multicenter study of prevalence and risk factors for allergic rhinitis in primary school children in 5 cities of Hubei Province, China. International archives of allergy and immunology, v. 183, n. 1, p. 34-44, 2022.
URRUTIA-PEREIRA, Marilyn et al. Prevalence of rhinitis and associated factors in adolescents and adults: a Global Asthma Network study. Revista Paulista de Pediatria, v. 41, p. e2021400, 2023.
YANG, Yuping et al. The prevalence and associated lifestyle risk factors of self-reported allergic rhinitis in Kazakh population of Fukang City. Medicine, v. 96, n. 39, p. e8032, 2017.
YUAN, Yuze et al. Airway microbiome and serum metabolomics analysis identify differential candidate biomarkers in allergic rhinitis. Frontiers in Immunology, v. 12, p. 771136, 2022.
1Médico residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital Otorrino de Cuiabá, MT. E-mail: omarcezars@hotmail.com
2Médico Otorrinolaringologista, Cuiabá, MT
E-mail: mario@drmarioesposito.com.br
3Médico residente em Otorrinolaringologia pelo Hospital Otorrino de Cuiabá, MT. E-mail: mendesdavi100@gmail.com
4Médico Otorrinolaringologista, Cuiabá, MT
E-mail: Guilherme_esposito@hotmail.com
