FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À QUEDA EM IDOSOS NO AMBIENTE HOSPITALAR: PRINCIPAIS CUIDADOS DE ENFERMAGEM

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510191246


Anamouse Mendonça Serra Da Silva
Orientadora: Profa. Esp. Silmara Ribeiro Batista Rodrigues


Resumo

Introdução: O envelhecimento populacional traz desafios relevantes à saúde pública, entre eles, a alta incidência de quedas em idosos hospitalizados, evento que acarreta sérias consequências físicas e psicológicas. Objetivo: demonstrar os fatores de risco relacionados a quedas em idosos hospitalizados, enfatizando os principais cuidados de enfermagem. Materiais e método: trata-se de uma revisão integrativa de literatura baseada em produções científicas entre 2019 e 2025. Resultados: Os fatores de risco foram classificados em intrínsecos, como sarcopenia, déficits cognitivos e polifarmácia, e extrínsecos, como ambientes hospitalares inadequados. A pesquisa revelou que as quedas impactam diretamente na autonomia funcional e na qualidade de vida do idoso, além de aumentarem o tempo de internação. Destaca-se a importância da atuação preventiva da enfermagem, com ênfase na avaliação sistemática, uso de escalas como a de Morse, educação em saúde e adaptações ambientais. Conclusão: uma abordagem multidisciplinar, humanizada e baseada em evidências é essencial para garantir a segurança e o cuidado integral da pessoa idosa hospitalizada.

Palavras-chave: Idoso hospitalizado.Fatores de risco. Cuidados de enfermagem. Segurança do paciente.

Abstract

Introduction: Population aging brings significant challenges to public health, among which the high incidence of falls in hospitalized older adults stands out, as this event leads to serious physical and psychological consequences. Objective: To demonstrate the risk factors related to falls in hospitalized older adults, emphasizing the main nursing care strategies. Materials and Methods: This study is an integrative literature review based on scientific publications from 2019 to 2025. Results: Risk factors were classified as intrinsic, such as sarcopenia, cognitive deficits, and polypharmacy, and extrinsic, such as inadequate hospital environments. The review revealed that falls directly impact the functional autonomy and quality of life of older adults, in addition to increasing hospitalization time. The preventive role of nursing is highlighted, with emphasis on systematic assessment, the use of scales such as Morse, health education, and environmental adaptations. Conclusion: A multidisciplinary, humanized, and evidence-based approach is essential to ensure safety and comprehensive care for hospitalized older adults.

Keywords: Hospitalized elderly. Risk factors. Nursing care. Patient safety.

1 INTRODUÇÃO

O processo de envelhecimento humano é um fenômeno fisiológico e biológico natural, lento e progressivo, resultante de mudanças morfológicas e fisiológicas ao longo da vida. Influenciado tanto por fatores intrínsecos quanto externos, como rotina, ambiente e genética, este processo vital é uma experiência desigual, já que cada pessoa vivencia e experimenta as vivências, estilos de vida e significados da velhice de maneiras distintas (Melo et al., 2020).

A queda em idosos internados é uma questão de saúde pública, com elevada incidência e impactos consideráveis, representando o segundo maior motivo de óbitos por lesões acidentais ou não intencionais. Indivíduos com mais de 65 anos enfrentam essa situação e são mais propensos a apresentar fatores de risco, por isso são os que mais sofrem (Sousa, 2022).

Devido a fragilidade física e as comorbidades comuns nessa faixa etária, os idosos estão mais vulneráveis podendo causar fraturas, lesões na cabeça, perda de mobilidade, e em muitos casos, levar à morte. Além disso, as quedas podem impactar negativamente o bem-estar psicológico, resultando em medo de cair novamente, isolamento social e declínio funcional. Por isso, essas consequências muitas vezes não são conhecidas pelos enfermeiros, do qual muitas vezes não possuem conhecimento sobre os fatores de risco, levando a limitações relacionadas a esse cuidado (Siqueira et al., 2022).

O paciente idoso é considerado um dos grupos mais suscetíveis a quedas no ambiente hospitalar, já que é provavelmente internado com maior frequência e por intervalos mais longos, uma vez que apresenta doenças crônicas, múltiplas, que devem estar sob vigilância multidisciplinar contínua, exigindo maior emprego de serviços de saúde.Dada a alta incidência de quedas e suas consequências devastadoras, é essencial que as equipes de enfermagem estejam capacitadas para identificar esses fatores de risco e implementar estratégias eficazes de prevenção (Pereira et al., 2020).

A pesquisa além de reforçar a prática clínica, possibilitará aos enfermeiros a implementação de estratégias fundamentadas em evidências, favorecendo um atendimento mais seguro e eficaz. É relevante porque promoverá uma nova perspectiva sobre a formação dos profissionais, para melhorar as habilidades e assegurar um atendimento de alta qualidade, voltado para a segurança do paciente (Canuto et al., 2020).

Por isso, este estudo tem por objetivo demonstrar os fatores de risco relacionados a quedas em idosos hospitalizados, enfatizando os principais cuidados de enfermagem.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

De um modo geral, os seres humanos estão em constantes transformações de ordem fisiológica, que, mesmo havendo uma grande semelhança, no que se refere a essas mudanças há muitas características individuais que mudam em conformidade com a genética, com o surgimento de enfermidades, com a questão atinente com a qualidade de vida, além de uma maior ou menor exposição a riscos no decorrer da vida (Rodrigues; Homem, 2022).

O envelhecimento é um processo que se caracteriza pela degradação natural do organismo, registrando alterações a vários níveis: musculoesquelético, cardiorrespiratório, neurológico, vestibular, visual, proprioceptivo, cognitivas, coordenação motora e de concentração. Perante a conjugação das múltiplas alterações decorrentes do envelhecimento, a possibilidade de uma queda torna-se inevitável (Alves et al., 2014).

No atual contexto em relação à população idosa brasileira, por exemplo, a projeção aponta que, a partir de 2039, o Brasil terá mais pessoas acima de 65 anos do que crianças de até 14 anos. E em 2060, o país terá 67,2% de cidadãos considerados dependentes da força de trabalho dos adultos para cada cem pessoas em idade de trabalhar. (Minayo, 2019).

O envelhecimento humano é um processo fisiológico e biológico natural, lento e progressivo devido a alterações morfológicas e fisiológicas durante a vida, com influências intrínsecas e extrínsecas, sendo a rotina, ambiente e genética como consequências de um envelhecimento saudável e ativo ou de uma experiência negativa, esse processo vital é uma vivência desigual, pois cada indivíduo sente e vive as experiências, estilos de vida e significados da velhice de formas diferentes (Melo et al., 2020).

A função dos vários componentes do controle postural bem-sucedido pode ser adversamente afetada pelo envelhecimento fisiológico e baixos níveis de atividade física apropriada (Coelho, 2022).

Devemos entender que um dos fatores relacionados à queda de pacientes idosos diz respeito às modificações orgânicas de origem física e mental, como: redução das funções físicas e motoras, redução da capacidade funcional, crescimento da incidência das doenças crônicas e psicológicas, a idade avançada esse fator contribui bastante para esse episódio de queda, o uso de medicações, reincidência de quedas, a incontinência urinária, diminuição da mobilidade, baixo nível de escolaridade (Lima, 2017).

Com o avanço da medicina e da utilização de novas tecnologias nos cuidados em saúde, a sociedade está envelhecendo muito mais, fazendo assim com que vários problemas de estrutura física, como diminuição da taxa metabólica e hormonal e diminuição de força muscular sejam os principais motivos para ocasionar desequilíbrios, quedas e incapacidades de realização de atividades simples da rotina do idoso  (Gaspar, 2022).

O fator queda na terceira idade é considerado um problema de saúde pública, razão da grande incidência de hospitalização na população acima dos 60 anos, morbidade e mortalidade resultante da diminuição de suas funcionalidades devido às alterações contidas no processo de envelhecimento, bem como fatores ambientais e comportamentais (Gaspar et al., 2019).

Da mesma forma, Rossetin et al. (2016 p.400), diz que:

Dentre os fatores intrínsecos, destacam-se a redução da força e potência muscular; modificações no padrão de marcha; déficit visual, funcional e cognitivo; alterações de equilíbrio, função vestibular; tempo de reação muscular; redução de amplitude de movimento; dor e fatores psicológicos como medo de cair e depressão. Dentre os fatores extrínsecos podem-se destacar as condições sociais e os fatores ambientais, tais como: iluminação; superfícies irregulares; tapetes; objetos espalhados pelo chão; escadas sem corrimão e animais soltos.

O envelhecimento ativo refere-se a viver uma velhice com saúde e participando efetivamente na sociedade, com maior sensação de realização profissional, vivendo com independência na vida cotidiana e ativamente participante das questões da sociedade e sendo agraciado de uma melhor qualidade de vida. Assim sendo, o foco deixou de ser as necessidades biológicas do idoso e passou a ser a garantia dos direitos de igualdade das oportunidades e tratamentos durante sua existência. (Porto; Rezende, 2016).

O processo de capacitação da população para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde é o que se entende sobre Promoção da Saúde, que visa proporcionar conhecimentos sobre a prevenção aos agravos e incluindo a maior participação no controle deste processo (Silva et al., 2018).

No Brasil, as consequências decorrentes de quedas sofridas por idosos têm assumido proporções enormes, pois além dos prejuízos financeiros para o idoso, a família e o governo através das hospitalizações por longos períodos de permanência, existem ainda os danos emocionais, psicológicos e físicos levando, muitas vezes esses idosos ao empecilho de realizar suas atividades de vida diária, interferindo assim na qualidade de vida ou até mesmo culminando com o óbito. (Peixoto et al., 2015, p.94).

Uma variedade de alterações anatômicas que passam a ocorrer no sistema musculoesquelético é indissociável do processo de envelhecimento, como, por exemplo, a questão das reduções na massa ósseo-muscular. Tais transformações contribuem de modo significativo, para o aparecimento de enfermidades crônicas (Gomes, 2016).

A perda ou a diminuição da função leva a muitos reflexos para o metabolismo basal, principalmente nas funções cardíacas, renais, pulmonares e vitales. Isso leva ao desenvolvimento de doenças, como diabetes, hipertensão arterial, osteoporose e obesidade (Fonseca, 2020).

Assim é possível inferir que transformações no sistema musculoesquelético são as principais modificações morfofuncionais que causam limitação na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo que se encontra em processo de envelhecimento (Pereira et al, 2022).

Estudos mostram que quando o indivíduo sofre uma queda ocorre um deslocamento quando não a intenção de cair do corpo para um nível rebaixado a posição inicial, uma desestabilidade postural com inabilidade de correção em tempo apto (Lima, 2017).

Doenças e medicamentos também podem ter esse impacto. O controle postural também pode ser afetado por problemas médicos agudos, como infecções, condições crônicas, como diabetes, e condições progressivas, como a doença de Parkinson. O impacto dos medicamentos no controle postural bem-sucedido também pode variar de acordo com a dose, interações e metabolismo, mas os medicamentos psicoativos têm sido particularmente associados a quedas (Silva et al., 2020).

Embora as quedas individuais sejam complexas e possam vir de vários fatores como explicado acima, várias ferramentas foram desenvolvidas para quantificar o risco de uma pessoa cair com razoável precisão. A escolha da ferramenta dependerá da finalidade da ferramenta e da configuração em que ela será usada (Portella, 2018).

O mais forte preditor individual de quedas futuras é uma história de quedas anteriores. Provavelmente, é provável que a razão de um indivíduo cair pela primeira vez seja recorrente. A avaliação do funcionamento físico é o próximo preditor mais forte e, portanto, é provável que sua inclusão aumente a capacidade preditiva de uma ferramenta (Portella, 2018).

Evidências na literatura mostram a existência de quase 400 diferentes fatores de risco para as quedas dos idosos (Miguel et al., 2018). Pressuposto a uma queda está a associação entre as disfunções de múltiplos sistemas e órgãos e a influência de aspectos externos ao indivíduo (Souza, 2017).

Pelo menos 2 condições de saúde simultâneas e um fator ambiental desempenham papel na maior parte das ocorrências entre os idosos. No entanto, em cerca de 8% dos casos, nenhum fator de risco é determinado (Souza, 2017).

O perfil de morbidade do idoso, à medida que tal segmento surge, necessita de maior atenção por conta de sua maior incidência de doenças crônicas e não transmissíveis, reduzindo o nível de saúde, algo esperado independentemente da incidência de doenças, já que os indivíduos nascem com uma reserva orgânica. A população idosa passa a utilizar mais serviços e cuidados médicos, com maiores taxas de internações hospitalares e gastos com medicamentos (Silva et al., 2022).

Oliveira et al. (2017) e Sousa et al. (2018) ratificam que um dos principais comprometimentos ocorre a nível de sistema locomotor, sendo este vinculado a fragilidade e funcionalidade, devido à perda de massa magra. Essas alterações acabam por limitar o idoso na realização das suas atividades da vida diária e nas suas atividades instrumentais, uma vez que a realização exige força muscular dos membros inferiores, tornando-o dependente na execução de suas tarefas básicas, podendo evoluir para as tarefas mais complexas, comprometendo sua autonomia.

Figura 1-  Modelo conceitual dos fatores de risco para quedas em idosos

Fonte – OMS (2024)

3 METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa de literatura, que permite a síntese do conhecimento disponível sobre o tema e oferece subsídios para a prática clínica com base em evidências.

A busca dos artigos foi realizada entre os meses de fevereiro e março de 2025, utilizando-se bases de dados eletrônicas amplamente reconhecidas no campo da saúde, como PubMed, SciELO, Web of Science, PEDro, CAPES Periódicos e Google Acadêmico. Foram utilizados os seguintes descritores controlados, combinados por meio de operadores booleanos: “fatores de risco” AND “quedas” AND “idosos” AND “enfermagem hospitalar”. As buscas foram conduzidas em três idiomas: português, inglês e espanhol.

Foram definidos os critérios de inclusão: (a) estudos publicados entre 2019 e 2025; (b) artigos disponíveis na íntegra; (c) publicações em periódicos científicos revisados por pares; (d) estudos que abordassem direta e especificamente os fatores de risco para quedas em idosos hospitalizados e/ou os cuidados de enfermagem relacionados à prevenção dessas quedas. Foram excluídos: (a) estudos que abordavam apenas quedas em ambientes domiciliares ou instituições de longa permanência, sem relação direta com o ambiente hospitalar; (b) duplicatas; (c) trabalhos indisponíveis na íntegra; e (d) documentos em idiomas diferentes dos estabelecidos.

A seleção dos estudos ocorreu em 4 etapas: (1) leitura dos títulos; (2) triagem dos resumos conforme os critérios de inclusão e exclusão; (3) leitura completa dos textos selecionados; e (4) análise crítica e categorização dos conteúdos relevantes. Após essa triagem, os dados foram organizados em uma tabela que contemplou: autores, ano de publicação, título do estudo, objetivos, e principais resultados encontrados.

A análise foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, agrupando os achados em duas grandes categorias temáticas: (1) fatores de risco intrínsecos e extrínsecos associadosàs quedas; (2) principais intervenções e cuidados de enfermagem na prevenção de quedas em idosos hospitalizados. A discussão dos dados foi realizada à luz da literatura científica atual, buscando evidenciar as contribuições de cada estudo para o aprimoramento da prática clínica e para a segurança do paciente idoso.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Com o intuito de coletar e analisar dados sobre o tema proposto, foram integram o estudo 18 artigos publicados entre os anos de 2019 e 2025 e  compõem a tabela dos resultados obtidos.

4.1 Principais fatores de risco que contribuem para quedas em idosos

As quedas em idosos representam um problema de saúde pública relevante, sendo uma das principais causas de morbimortalidade nessa faixa etária. Diversos fatores, muitas vezes inter-relacionados, contribuem para o aumento do risco de quedas. Esses fatores podem ser classificados em intrínsecos, relacionados às condições clínicas do idoso, e extrínsecos, ligados ao ambiente em que ele vive (Oliveira et al., 2021).

Entre os fatores intrínsecos, destacam-se alterações fisiológicas do envelhecimento, como a perda de massa muscular (sarcopenia), redução da acuidade visual e auditiva, além da presença de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, osteoartrite e doenças neurológicas. Distúrbios do equilíbrio e da marcha também são comuns, assim como o uso de medicamentos que podem provocar efeitos colaterais como tonturas, sonolência ou hipotensão postural (Silva et al., 2020).

Os fatores extrínsecos incluem riscos ambientais, como pisos escorregadios, tapetes soltos, iluminação inadequada, falta de barras de apoio em banheiros, e calçados inadequados. Além disso, a ausência de adaptações no domicílio e espaços públicos pode comprometer a mobilidade e a segurança dos idosos (Oliveira et al., 2021).

Barbosa et al. (2024) ressaltam que o uso inadequado de medicamentos, como os benzodiazepínicos, eleva não apenas o risco de quedas, mas também a gravidade das consequências físicas, dado seu efeito sedativo e comprometimento do equilíbrio postural. O aumento do risco de fraturas e traumas graves resulta em maior morbimortalidade hospitalar entre idosos.

Ademais, Caetano e colaboradores (2023) indicaram que elementos como debilidade física, sarcopenia e déficit cognitivo estão ligados a um aumento na ocorrência de quedas e à complexidade na recuperação funcional, afetando de maneira negativa a condição psicológica do idoso. Frequentemente, a vivência de uma queda é percebida como um acontecimento traumático que afeta não só a mobilidade, mas também a autoestima e a sensação de independência do paciente.

Assim, torna-se evidente que as consequências das quedas em idosos hospitalizados são multifatoriais, exigindo intervenções integradas que abordem não apenas a prevenção de novos acidentes, mas também o suporte físico, psicológico e social, para garantir a reabilitação e a qualidade de vida desse público vulnerável (Pereira et al., 2022).

4.2 Consequências físicas e psicológicas das quedas em idosos hospitalizados

Michalski et al. (2024) identificaram que a prevalência de quedas múltiplas em idosos é elevada, com 29,4% dos idosos relatando duas ou mais quedas em um único ano, o que aumenta a probabilidade de lesões severas, restrição de mobilidade e dependência funcional. Esses eventos não apenas agravam comorbidades já existentes, mas também retardam a reabilitação e aumentam o tempo de internação.

As quedas em idosos hospitalizados provocam um impacto expressivo tanto no aspecto físico quanto psicológico, comprometendo a recuperação e a qualidade de vida dessa população. De acordo com Reis (2022), entre as principais complicações físicas das quedas destacam-se fraturas, lesões de tecidos moles, traumatismos cranioencefálicos e agravamento de comorbidades pré-existentes. Tais lesões comprometem a funcionalidade, aumentando o tempo de hospitalização e a dependência de cuidados de terceiros.

Para Magalhães e Silva (2021), além das lesões físicas, o ambiente hospitalar inadequado e a falta de adaptações no espaço físico ampliam o risco de quedas e, consequentemente, os prejuízos físicos aos pacientes.

Sob o ponto de vista funcional, Ferreira et al. (2023) destacaram que a diminuição do equilíbrio corporal, da força muscular, especialmente nos membros inferiores e a limitação para atividades básicas da vida diária são consequências frequentes após episódios de queda. A perda de autonomia e o aumento da dependência são evidências claras do comprometimento físico subsequente.

No âmbito psicológico, Santos et al. (2020) evidenciam que a experiência de quedas desencadeia o medo de novas quedas, gerando a chamada “síndrome do medo de cair”, que leva à restrição voluntária das atividades, ao isolamento social, à perda de autoestima e, em muitos casos, ao desenvolvimento de quadros depressivos e ansiosos. Essa mudança comportamental pode reduzir ainda mais a capacidade funcional e afetar profundamente o estado emocional dos idosos hospitalizados.

Vieira et al. (2020) também identificaram que o comprometimento cognitivo, frequente entre os idosos hospitalizados, potencializa o impacto psicológico das quedas, dificultando a reabilitação e agravando a dependência funcional. A percepção de fragilidade e a insegurança emocional tornam o processo de recuperação mais lento e complex

Assim, as consequências das quedas em idosos hospitalizados são multidimensionais, envolvendo severos danos físicos, emocionais e sociais. A prevenção de quedas e a reabilitação precoce são essenciais para a recuperação integral e para a preservação da autonomia e qualidade de vida do idoso (Aguirre et al., 2024).

4.3 Principais cuidados de enfermagem voltados para a quedas em idosos no ambiente hospitalar

A prevenção de quedas em idosos hospitalizados é uma responsabilidade central da equipe de enfermagem, exigindo planejamento cuidadoso, intervenções sistemáticas e abordagens educativas. A literatura destaca que a atuação da enfermagem é fundamental para reduzir os riscos e garantir maior segurança aos pacientes.

Conforme Aguiar (2021), o início da prevenção de quedas deve ser iniciado pela identificação dos fatores de risco, tanto intrínsecos – como vertigem, perda de força muscular, mudanças no equilíbrio – quanto extrínsecos – como ambientes hospitalares inadequados. A instrução aos pacientes e seus familiares sobre estratégias de prevenção é também considerada uma estratégia crucial para fomentar um envelhecimento mais seguro e saudável.

Oliveira e Barakat (2019) enfatizam que ações educativas realizadas pela equipe de enfermagem impactam positivamente a redução de quedas, especialmente ao abordar temas como adaptações ambientais, cuidados com medicações e estímulo à prática segura de atividades cotidianas. A conscientização sobre o tema tanto para pacientes quanto para a equipe multiprofissional melhora a adesão às medidas preventivas no ambiente hospitalar.

Segundo Rodrigues, Barbeito e Alves Junior (2016), o conhecimento dos principais fatores de risco é indispensável para a atuação de enfermagem. Entre eles, destacam-se a tontura, a vertigem e o uso de pisos escorregadios. Nesse contexto, medidas como a instalação de barras de apoio, manutenção de pisos secos e utilização de calçados adequados são estratégias eficazes que devem ser incorporadas à rotina hospitalar.

Pode-se considerar que as quedas estão entre os problemas de saúde pública mais comuns que acometem a população idosa. Impactam negativamente na qualidade de vida e levam ao declínio da capacidade funcional, interferindo no autocuidado e na participação em atividades físicas e sociais, bem como na redução da autonomia e independência. Estão associadas à institucionalização precoce, ao aumento de internações e à mortalidade de idosos (Nogueira et al., 2020).

Canuto et al. (2020) identificaram em seu estudo que idosos internados para tratamento de doenças pulmonares e diabéticos apresentam maior risco de quedas. Assim, cuidados específicos de enfermagem para esses grupos incluem a avaliação contínua do estado clínico, suporte ao caminhar, auxílio na movimentação e uso de dispositivos auxiliares de locomoção conforme necessário.

Diniz (2020) enfatiza a relevância de avaliações regulares e sistemáticas do risco de quedas, utilizando escalas específicas, como a Escala de Morse, para reconhecer pacientes com maior vulnerabilidade. Assim, podemos estabelecer planos de cuidados personalizados que incluam supervisão contínua, ajustes no ambiente hospitalar, análise cuidadosa de medicamentos e estímulo à mobilidade segura.

Assim, os cuidados de enfermagem direcionados à prevenção de quedas em idosos internados devem ser constantes, personalizados e focados no paciente, englobando tanto ações de avaliação e supervisão quanto ações educativas e estruturais. A intervenção antecipada da equipe de enfermagem é crucial para diminuir a frequência de quedas e suas sérias repercussões no contexto hospitalar (Fonseca, 2020).

Com o avanço da medicina e da utilização de novas tecnologias nos cuidados em saúde, a sociedade está envelhecendo muito mais, fazendo assim com que vários problemas de estrutura física, como diminuição da taxa metabólica e hormonal e diminuição de força muscular sejam os principais motivos para ocasionar desequilíbrios, quedas e incapacidades de realização de atividades simples da rotina do idoso. E para isso, estes indivíduos necessitam de atividades físicas e exercícios físicos que promovam a manutenção de massa muscular de forma eficaz, afim de evitar o risco de quedas (Diniz et al., 2022).

5 CONCLUSÃO

As quedas em idosos constituem uma séria questão de saúde pública, particularmente no contexto hospitalar, onde a fragilidade deste grupo é intensificada por fatores intrínsecos, extrínsecos e pela própria situação clínica de hospitalização. Com base na revisão da literatura, ficou claro que os principais fatores de risco envolvem mudanças no equilíbrio, fraqueza muscular, prejuízo cognitivo, uso excessivo de medicamentos e a falta de adequação dos ambientes físicos.

As consequências das quedas vão além dos danos físicos imediatos, provocando limitações funcionais, perda da autonomia, desenvolvimento de medo de novas quedas, depressão e isolamento social, o que impacta diretamente a qualidade de vida e o processo de recuperação dos idosos.

A enfermagem desempenha um papel crucial na prevenção de quedas, sendo crucial a execução de avaliações de risco sistemáticas, a aplicação de medidas de adaptação do ambiente hospitalar e a criação de atividades educativas direcionadas a pacientes, familiares e toda a equipe multiprofissional. A estratégia de prevenção precisa ser personalizada, levando em conta o perfil clínico, funcional e social de cada pessoa idosa.

Conclui-se, portanto, que a prevenção de quedas em idosos hospitalizados exige uma estratégia multidimensional, que combine a identificação precoce de riscos, a atuação clínica segura e a promoção de uma cultura institucional voltada para o cuidado seguro e humanizado da pessoa idosa.

REFERÊNCIAS

Aguiar et al. (2023). PREVENÇÃO DE QUEDAS EM IDOSOS NO DOMICÍLIO. Revista Multidisciplinar Do Nordeste Mineiro3(1). Recuperado de https://revista.unipacto.com.br/index.php/multidisciplinar/article/view/864

CAETANO et al. Risco de quedas e seus fatores associados na pessoa idosa hospitalizada. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2023;26:e230155.

CANUTO, C. P. de A. S. et al. Segurança do paciente idoso hospitalizado: uma análise do risco de quedas. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 54, 2020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/s1980-220×2018054003613. Acesso em: 17 mar. 2025.

DINIZ, Aline Maia. Violência contra pessoas trans e a pandemia de Covid-19: implicações e estratégias de enfrentamento na perspectiva de coletivos políticos. 2023. 193 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2023. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/61842. Acesso em: 1 abril 2025.

GASPAR ACM, Mendes PA, Azevedo RCDS, Reiners AAO, Segri NJ. Quedas: conhecimentos, atitudes, e práticas de idosos. Rev Enferm Foco.  2019; l0(2):97-103

GUARANY, A. L. A.; CARDOSO, L. de R. Formação de professores, gênero e sexualidade na produção acadêmica brasileira. Acta Scientiarum. Education, Maringá, v. 44, e55263, 2022. DOI: 10.4025/actascieduc.v44i1.55263. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciEduc/article/view/55263. Acesso em: 1 maio 2025.​

MAGALHÃES, J. L.; SILVA. A. S. da. Atuação da equipe de enfermagem frente aos fatores de risco e prevenção de quedas na população idosa. Research, Society and Development, v. 10, n. 6, e30510615846, 2021.

MELO et al. (2022). As interações medicamentosas em pacientes idosos: uma revisão de literatura. Revista Eletrônica da Estácio Recife, 1.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O imperativo de cuidar da pessoa idosa dependente. (2019). Ciênc. Saúde coletiva vol.24 nº.1 Rio de Janeiro Jan. 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232019000100247&tlng=pt. Acesso em: 10 de out. 2020.

OLIVEIRA et al.(2021). Fatores associados a quedas em idosos: inquérito domiciliar. Revista Brasileira Em Promoção Da Saúde34. https://doi.org/10.5020/18061230.2021.10998

OLIVEIRA, A. C. de.; BARAKAT, R. D.M. Educação para a prevenção de quedas em idosos no ambiente domiciliar.Editora Cientifica Digital. 337-348. 2021.

PEREIRA, E. da S. et al. Intervenções de enfermagem ao idoso hospitalizado com risco de queda. Revista Nursing, v. 23, n. 265, p. 4205-4212, 2020. Disponível em: https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/634/625. Acesso em: 20 fev. 2025.

PORTELLA MR, Lima APD. Quedas em idosos: re-flexões sobre as políticas públicas para o envelhecimento saudável. Arq Cienc Saúde UNIPAR Umuarama. 2018. 22(2):109-15

RODRIGUES et al. (2016). Prevenção de quedas no idoso: revisão da literatura brasileira. RBPFEX – Revista Brasileira De Prescrição E Fisiologia Do Exercício, 10(59), 431-437. Recuperado de https://www.rbpfex.com.br/index.php/rbpfex/article/view/990.

ROSSETIN L.L. et al. Indicadores de sarcopenia e sua relação com fatores intrínsecos e extrínsecos às quedas em idosas ativas. Revista Brasileira Geriatria Gerontologia, Rio de Janeiro, 2016, v.19, n. 3, p.399-414.

SANTOS, F.; MARQUES, H. J.; MOURA, M. A. D. de. Avaliação da aprendizagem e ensino remoto: o que dizem os professores? Linhas Críticas, Brasília, v. 27, e39019, 2021. DOI: 10.26512/lc27202139019. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/view/39019. Acesso em: 1 maio 2025.

SILVA et al. (2020). FATORES ASSOCIADOS AO RISCO DE QUEDA EM IDOSOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. Revista Brasileira De Ciências Do Envelhecimento Humano17(2). https://doi.org/10.5335/rbceh.v17i2.11988

SILVA et al. Pesquisa dos fatores de risco para quedas na população idosa de uma unidade básica do município de Itaúna 2018. Rev Med Minas Gerais. 2018; 28:e-1938

SIQUEIRA, C. D. et al. Avaliação do conhecimento de enfermeiros sobre a prevenção de quedas em idosos no ambiente hospitalar. Revista Nursing, v. 25, n. 292, p. 8518-8522, 2022.Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/2724/3301. Acesso em: 20 fev. 2025.

SOUZA, L. F. de et al. Fatores associados ao risco, à percepção e ao conhecimento de quedas em idosos. Rev Gaúcha Enferm, v. 43, e20200335, p. 1-10, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/XnMwKfZZMxGs9TgJYGdDNCH/?format=pdf&lang= pt. Acesso em: 05 mar. 2025.

SOUZA, Thais Diniz Coelho de. A dissimetria entre homens e mulheres nos espaços de poder. Estudos Eleitorais, Brasília, v. 14, n. 1 esp., p. 188–203, jan./abr. 2020. Disponível em: https://dspace.almg.gov.br/handle/11037/49316. Acesso em: 1 maio 2025.​