EVIDÊNCIAS CLÍNICAS SOBRE A SUPLEMENTAÇÃO DE EURYCOMA LONGIFOLIA E SEUS EFEITOS NA MODULAÇÃO DA TESTOSTERONA E SAÚDE SEXUAL MASCULINA: UMA REVISÃO DE ESCOPO

CLINICAL EVIDENCE ON EURYCOMA LONGIFOLIA SUPPLEMENTATION AND ITS EFFECTS ON TESTOSTERONE MODULATION AND MALE SEXUAL HEALTH: A SCOPING REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511041223


Maria Wanessa Berto da Silva¹
Êurica Adélia Nogueira Ribeiro²


RESUMO

Introdução: A disfunção sexual masculina constitui um importante problema de saúde pública, com origem multifatorial e impactos que ultrapassam o âmbito físico, afetando a autoestima, a saúde mental e a qualidade de vida. Entre suas principais causas, destaca-se a deficiência de testosterona (DT), condição associada à redução progressiva dos níveis hormonais decorrente do envelhecimento e de alterações metabólicas. Embora a terapia de reposição de testosterona (TRT) apresente benefícios clínicos, seu uso é limitado pelos efeitos adversos e contraindicações em determinadas populações. Nesse contexto, cresce o interesse por alternativas naturais com potencial modulador androgênico. A Eurycoma longifolia Jack, planta medicinal amplamente estudada por suas propriedades afrodisíacas e pró-fertilidade, tem se destacado como uma possível abordagem fitoterápica para melhorar os níveis séricos de testosterona e a função sexual masculina. Objetivo: Mapear e sintetizar as evidências clínicas disponíveis sobre os efeitos da suplementação de E. longifolia na modulação da testosterona e na saúde sexual de homens adultos. Metodologia: Trata-se de uma revisão de escopo desenvolvida a partir das diretrizes PRISMA-ScR e do Joanna Briggs Institute (JBI), utilizando a estratégia População, Conceito, Contexto (PCC). As buscas foram realizadas em bases de dados acadêmicas como MEDLINE, Scopus, Web of Science, Embase, SciELO, LILACS e Google Scholar com descritores controlados DeCs/MeSH, incluindo estudos clínicos publicados em inglês, português ou espanhol, sem restrição temporal. Foram elegíveis ensaios clínicos que avaliaram parâmetros hormonais e sexuais associados à suplementação de E. longifolia. Resultados: Compuseram a amostra final nove ensaios clínicos publicados entre 2010 e 2021, sendo 66,7% randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo. As doses variaram entre 100–600 mg/dia administradas principalmente na forma de extrato aquoso padronizado (Physta®), por períodos de 2 semanas a 9 meses. No total, aproximadamente 80% dos estudos evidenciaram aumento significativo da testosterona total e/ou livre, 70% observaram melhora na libido e função erétil, e 30% relataram redução do cortisol e melhoria do bem-estar geral. Nenhum evento adverso grave foi descrito. Conclusão: As evidências clínicas sustentam que E. longifólia se apresenta como uma alternativa fitoterápica segura e promissora para o manejo da deficiência androgênica e disfunção sexual masculina. Entretanto, são necessários ensaios clínicos de maior duração e rigor metodológico para confirmar sua eficácia, padronizar doses e elucidar mecanismos de ação.

Palavras-chave: Eurycoma longifolia; Testosterona; Fitoterapia; Função sexual; Saúde reprodutiva masculina.

1. INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a função sexual como um importante indicador de saúde física e mental, considerando a disfunção sexual um relevante problema de saúde pública (Finotelli Jr; Capitão, 2011). Essa condição possui origem multifatorial, sendo influenciada por fatores demográficos, metabólicos, vasculares, hormonais e psicológicos (Lisco et al., 2023; Oliveira; Silva, 2022).

Os impactos vão além do desempenho físico, repercutindo na vida profissional, nos relacionamentos e na saúde psíquica. Alterações de autoimagem e autoestima constantemente acompanham sintomas como ansiedade, medo de rejeição e depressão (Feijó, 2007; Yuan et al., 2017). Além dos sintomas psicológicos, queixas como diminuição da libido, dificuldade em obter orgasmos e redução de ereções espontâneas são características frequentemente relacionadas à deficiência de testosterona (DT) (Sobreiro, 2022).

A DT, ou hipogonadismo masculino, é uma síndrome clínica decorrente da produção insuficiente de testosterona e/ou prejuízo da espermatogênese, resultante de falhas testiculares ou disfunções no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (Al-Sharefi; Quinton, 2020; Negretto et al., 2024). Pode ser classificada como primária, quando há falha intrínseca dos testículos como trauma, isquemia por torção e perda testicular, ou secundária, quando decorre de alterações hipotalâmicas ou hipofisárias e se caracteriza por não haver estimulação gonadotrópica pelo hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH) (Zhang et al., 2020; Al-Sharefi; Quinton, 2020). O hipogonadismo de início tardio ou Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) é outra importante etiologia da DT, associado ao envelhecimento e frequentemente relacionado a comorbidades como obesidade e diabetes (Khodamoradi et al., 2021).

Os sinais e sintomas da DT incluem redução da libido, disfunção erétil, diminuição da massa muscular, aumento da gordura corporal, fadiga, anemia e perda de pelos corporais. Além disso, a mortalidade geral é maior em homens com níveis baixos de testosterona (34,9%) em comparação aos com níveis normais (20,1%) (Negretto et al., 2024). Esse declínio hormonal ocorre gradualmente, em média 1% ao ano a partir dos 35-40 anos, sendo mais pronunciado na testosterona livre devido ao aumento dos níveis da globulina de ligação aos hormônios sexuais (SHBG) (Sobreiro, 2022).

Diversas comorbidades contribuem para a redução androgênica, incluindo diabetes tipo 2, doença cardiovascular aterosclerótica e síndrome metabólica (Pastuszak et al., 2022; Peterson et al., 2018). Tais comorbidades potencializam os efeitos metabólicos da deficiência hormonal, resultando em aumento da adiposidade visceral e alteração do metabolismo glicídico e lipídico (Kelly et al., 2016). Em pacientes com doenças crônicas, a prevalência de hipogonadismo pode chegar a 5%, significativamente maior que na população em geral (Lodovico et al., 2022).

O diagnóstico da DT deve combinar sintomas clínicos com parâmetros laboratoriais, preferencialmente em amostras de sangue coletadas pela manhã em jejum, considerando a variação circadiana da testosterona (Grossmann, 2019). Valores inferiores a 300 ng/dl em indivíduos sintomáticos geralmente indicam hipogonadismo e podem justificar intervenção terapêutica (Calixto; Prazeres, 2021).

A terapia de reposição de testosterona (TRT) é o tratamento de escolha para muitos casos de hipogonadismo. Diversas formulações estão disponíveis, incluindo as vias intramuscular, transdérmica e oral, todas com o objetivo de restaurar níveis fisiológicos estáveis (Silva; Linartevichi, 2021). A TRT promove benefícios como melhora da composição corporal, aumento da densidade mineral óssea, restauração da libido e do desempenho sexual, além de impactos positivos sobre o humor e a cognição (Lunenfeld; Nieschlag, 2009; Thirumalai et al., 2017).

Contudo, a reposição androgênica apresenta limitações e efeitos adversos, como acne, ginecomastia, atrofia testicular, eritrocitose e supressão da espermatogênese, sendo contraindicada em indivíduos com desejo reprodutivo, risco de câncer de próstata ou histórico de eventos cardiovasculares recentes (Ide et al., 2020). Essas incertezas tornam seu uso controverso, sobretudo em casos de hipogonadismo relacionado à idade.

Nesse contexto, cresce o interesse por fitoterápicos capazes de modular a testosterona e melhorar a saúde sexual masculina. Entre eles, destaca-se a Eurycoma longifolia Jack, planta tradicionalmente utilizada no Sudeste Asiático para tratar infertilidade, disfunção sexual, qualidade do espermatozoide e melhora geral da saúde reprodutiva (Leisegang et al., 2022; Nguyen-Thanh et al., 2024). Sua raiz é rica em quassinoides, considerados os principais responsáveis pelas propriedades afrodisíacas e pró-fertilidade (Abubakar et al., 2017; Ezzat et al., 2019). Além dos efeitos sobre a função reprodutiva, a planta apresenta atividades antioxidantes, antipiréticas, antiulcerogênicas e antimaláricas, sendo comercializada em cápsulas e como aditivo em bebidas (Bhat; Karim, 2010; Farag et al., 2022).

Diante da relevância clínica da deficiência de testosterona e das limitações da TRT, torna-se fundamental explorar alternativas seguras e eficazes. Assim, o presente estudo tem como objetivo mapear e sintetizar as evidências clínicas disponíveis sobre os efeitos da suplementação de E. longifolia na modulação da testosterona e na saúde sexual masculina, por meio de uma revisão de escopo.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão de escopo desenvolvida a partir das diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), extension for Scoping Reviews (ScR) e seguindo as diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI).

Foi utilizada a estratégia População, Conceito e Contexto (PCC), sendo “P” Homens adultos, “C” E. longifolia e seus efeitos na testosterona e na saúde sexual masculina e “C” estudos clínicos que pudessem avaliar a eficácia da planta. Na elaboração deste estudo, surgiu a seguinte questão de pesquisa: “Quais são as evidências clínicas disponíveis sobre os efeitos da suplementação de E. longifolia na testosterona e na saúde sexual masculina?”.

Foram utilizadas bases de dados acadêmicas como MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO, Lilacs, Embase e Google Scholar, com descritores controlados identificados através do DeCS/MeSH, adaptados para a presente revisão, conforme segue: “Eurycoma“, “Testosterone”, “Androgens”, “Leydig Cells”, “Sexual Health”, “Sexual dysfunctions, psychological”, “Infertility, Male”, “Hypogonadism”, “Erectile Dysfunction”, “Andropause”, “clinical trials as topic”, “randomized controlled trials as topic”, “systematic reviews as topic”. 

A busca e seleção dos estudos foi realizada entre os meses de abril, maio e junho de 2025 e foi limitada a estudos clínicos publicados em inglês, português e espanhol, sem restrição temporal. A estratégia de busca respeitou o mecanismo de pesquisa próprio de cada base de dados, utilizando os operadores booleanos “OR” e “AND” para combinar os termos (Tabela 1).

Tabela 1 –  Registro da estratégia de busca da revisão

Fonte de informaçãoEstratégia de buscaRegistros identificadosData da busca
Web of Science – Core Collection(((ALL=(“Eurycoma” OR “Eurycoma longifolia” OR “Tongkat Ali” OR “Long Jack” OR “Pasak Bumi”)) AND ALL=(“Testosterone” OR “Androgens” OR “Androgen levels” OR “Leydig Cells”)) AND ALL=(“Sexual Health” OR “Sexual Dysfunction” OR “Male Infertility” OR “Hypogonadism” OR “Erectile Dysfunction” OR “Andropause” OR “Spermatogenesis” OR “Reproductive Health”)) AND ALL=(Clinical Trial OR Randomized Controlled Trial OR Systematic Review)613/04/2025
MEDLINE (PubMed)(“Eurycoma”[MeSH Terms] OR “Eurycoma longifolia”[All Fields] OR “Tongkat Ali”[All Fields] OR “Long Jack”[All Fields] OR “Pasak Bumi”[All Fields]) AND (“Testosterone”[MeSH Terms] OR “Testosterone”[All Fields] OR “Androgens”[MeSH Terms] OR “Androgen”[All Fields] OR “Androgen levels”[All Fields] OR “Leydig Cells”[MeSH Terms] OR “Leydig Cells”[All Fields]) AND (“Sexual Health”[MeSH Terms] OR “Sexual Health”[All Fields] OR “sexual dysfunctions, psychological”[MeSH Terms] OR “sexual dysfunction, physiological”[MeSH Terms] OR “Sexual Dysfunction”[All Fields] OR “Infertility, Male”[MeSH Terms] OR “Male Infertility”[All Fields] OR “Hypogonadism”[MeSH Terms] OR “Hypogonadism”[All Fields] OR “Erectile Dysfunction”[MeSH Terms] OR “Erectile Dysfunction”[All Fields] OR “Andropause”[MeSH Terms] OR “Andropause”[All Fields] OR “Spermatogenesis”[All Fields] OR “Reproductive Health”[All Fields]) AND (“clinical trial”[Publication Type] OR “clinical trials as topic”[MeSH Terms] OR “clinical trial”[All Fields] OR (“randomized controlled trial”[Publication Type] OR “randomized controlled trials as topic”[MeSH Terms] OR “randomized controlled trial”[All Fields] OR “randomised controlled trial”[All Fields]) OR (“systematic review”[Publication Type] OR “systematic reviews as topic”[MeSH Terms] OR “systematic review”[All Fields]))  713/04/2025
SciELO(*(Eurycoma) OR (Eurycoma longifolia) OR (Tongkat Ali) OR (Long Jack) OR (Pasak Bumi)) AND ((Testosterone) OR (Androgens) OR (Androgen levels) OR (Leydig Cells)) AND ((Sexual Health) OR (Sexual Dysfunction) OR (Male Infertility) OR (Hypogonadism) OR (Erectile Dysfunction) OR (Andropause) OR (Spermatogenesis) OR (Reproductive Health)) AND ((Clinical Trial OR Randomized Controlled Trial OR Systematic Review))313/04/2025
LILACS (BVS)((eurycoma) OR (eurycoma longifolia) OR (tongkat ali) OR (long jack) OR (pasak bumi)) AND ((testosterone) OR (androgens) OR (androgen levels) OR (leydig cells)) AND ((sexual health) OR (sexual dysfunction) OR (male infertility) OR (hypogonadism) OR (erectile dysfunction) OR (andropause) OR (spermatogenesis) OR (reproductive health)) AND instance:”lilacsplus”213/04/2025
Scopus( ALL ( ‘eurycoma’ OR ‘eurycoma AND longifolia’ OR ‘tongkat AND ali’ OR ‘long AND jack’ OR ‘pasak AND bumi’ ) AND ALL ( ‘testosterone’ OR ‘androgens’ OR ‘androgen AND levels’ OR ‘leydig AND cells’ ) AND ALL ( ‘sexual AND health’ OR ‘sexual AND dysfunction’ OR ‘male AND infertility’ OR ‘hypogonadism OR ‘erectile AND dysfunction’ OR ‘andropause’ OR ‘spermatogenesis’ OR ‘reproductive AND health’ ) AND ALL ( clinical AND trial OR randomized AND controlled AND trial OR systematic AND review ) )413/04/2025
Embase(‘eurycoma’/exp OR ‘eurycoma’ OR ‘eurycoma longifolia’/exp OR ‘eurycoma longifolia’ OR ‘tongkat ali’ OR ‘long jack’ OR ‘pasak bumi’) AND (‘testosterone’/exp OR ‘testosterone’ OR ‘androgen’/exp OR ‘androgen’ OR ‘androgen levels’ OR ‘leydig cell’/exp OR ‘leydig cell’) AND (‘sexual health’/exp OR ‘sexual health’ OR ‘sexual dysfunction’/exp OR ‘sexual dysfunction’ OR ‘male infertility’/exp OR ‘male infertility’ OR ‘hypogonadism’/exp OR ‘hypogonadism’ OR ‘erectile dysfunction’/exp OR ‘erectile dysfunction’ OR ‘andropause’/exp OR ‘andropause’ OR ‘spermatogenesis’/exp OR ‘spermatogenesis’ OR ‘reproductive health’/exp OR ‘reproductive health’) AND (‘clinical trial’/exp OR ‘clinical trial’ OR ‘randomized controlled trial’/exp OR ‘randomized controlled trial’ OR ‘systematic review’/exp OR ‘systematic review’) AND [embase]/lim1414/04/2025
Google Scholar(“Eurycoma” OR “Eurycoma longifolia” OR “Tongkat Ali” OR “Long Jack” OR “Pasak Bumi”) AND (“Testosterone” OR “Androgens” OR “Androgen levels” OR “Leydig Cells”) AND (“Sexual Health” OR “Sexual Dysfunction” OR “Male Infertility” OR “Hypogonadism” OR “Erectile Dysfunction” OR “Andropause” OR “Spermatogenesis” OR “Reproductive Health”)1.35020/04/2025
Fonte: Própria autora, 2025.


Foram considerados elegíveis ensaios clínicos com texto completo disponível, realizados em homens adultos, saudáveis ou com disfunções hormonais/sexuais, que tivessem como intervenção a suplementação de E. longifolia em qualquer forma de administração e como desfecho, alterações nos níveis séricos de testosterona, função sexual, libido, fertilidade ou sintomas relacionados à deficiência androgênica.

Foram excluídos estudos in vitro, revisões, artigos de opinião, editoriais, resumos de congresso, materiais jornalísticos, artigos em idiomas diferentes de português, inglês ou espanhol, trabalhos sem disponibilidade para leitura completa ou com acesso restrito irreversível, trabalhos duplicados e estudos que não atenderam à estratégia PCC.

A seleção dos estudos foi conduzida em quatro etapas:

1- Triagem dos títulos identificados nas bases de dados;

2- Análise dos resumos quanto à elegibilidade;

3- Avaliação do texto completo com base nos critérios previamente estabelecidos;

4- Análise das referências dos trabalhos selecionados, com o objetivo de identificar possíveis estudos adicionais.

Para a extração dos dados foi utilizado a plataforma Rayyan, uma ferramenta desenvolvida pela Qatar Computing Research Institute (QCRI), que permitiu a organização dos trabalhos por base de dados e exclusão de artigos duplicados, facilitando a sintetização e interpretação dos dados obtidos.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Conforme ilustrado na Figura 1, foram identificados 36 registros nas bases de dados por meio da estratégia de busca aplicada, os quais foram exportados para a plataforma Rayyan. A distribuição dos artigos por base foi a seguinte: Web of Science (n = 6), MEDLINE/PubMed (n = 7), SciELO (n = 3), LILACS (n = 2), Scopus (n = 4) e Embase (n = 14). Durante a triagem dos estudos, 12 registros duplicados foram removidos, restando 24 artigos para análise de título e resumo. Destes, 13 estudos foram selecionados para leitura na íntegra. No entanto, apenas 9 artigos estavam disponíveis para leitura completa e foram considerados elegíveis. Após a leitura integral, 6 estudos foram excluídos por não atenderem aos critérios previamente estabelecidos. Ao final do processo, 3 artigos foram incluídos na revisão.

Em relação à literatura cinzenta, adotou-se o mesmo procedimento. Foram identificados 1.350 registros no Google Scholar, dos quais os 100 primeiros resultados mais relevantes foram exportados para o Rayyan. Após triagem por título e resumo e identificação de duplicatas, 81 publicações foram excluídas, restando 19 registros elegíveis para leitura completa. Desses, 6 artigos atenderam aos critérios de inclusão e foram adicionados à revisão.

Dessa forma, ao final do processo de seleção, 9 artigos compuseram a amostra final, sendo 3 oriundos das bases de dados científicas e 6 provenientes da literatura cinzenta.

Figura 1 –  Fluxograma do processo de coleta de registros adaptado de Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)

Fonte: Adaptado pela autora, 2025.

Em relação aos estudos selecionados, todos foram publicados entre 2010 e 2021, com maior número de publicações em 2021 (44,4%), indicando um aumento recente no interesse científico acerca dos efeitos do suplemento de E. longifolia na modulação da testosterona e na saúde sexual masculina. Essa distribuição temporal demonstra uma tendência crescente de valorização das evidências clínicas sobre suplementos fitoterápicos voltados à saúde reprodutiva e hormonal do homem.

Quanto ao delineamento metodológico, 100% dos estudos incluídos foram ensaios clínicos, dos quais 66,7% (n = 6) apresentaram desenho randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, 11,1% (n = 1) foram duplo-cegos pareados, 11,1% (n = 1) uma análise retrospectiva, e 11,1% (n = 1) um estudo investigativo (Tabela 2).

A duração das intervenções variou de 2 semanas a 9 meses, com doses diárias de E. longifolia entre 100 e 600 mg, administradas principalmente na forma de extrato aquoso padronizado (Physta®). Os desfechos clínicos frequentemente avaliados foram os níveis séricos de testosterona (88,9%), função sexual e libido (77,8%), e parâmetros espermáticos (22,2%), refletindo o foco predominante dos estudos na modulação hormonal.

De modo geral, os estudos relataram melhora significativa nos níveis hormonais, no desempenho sexual e no bem-estar dos participantes, além de evidências complementares de benefícios sobre a fertilidade e o humor.

Considerando esses achados, a discussão a seguir integra e interpreta as evidências disponíveis, destacando as convergências, divergências e implicações clínicas dos efeitos da suplementação de E. longifolia sobre a saúde sexual e hormonal masculina.

Tabela 2 – Características dos estudos incluídos na revisão de escopo

Fonte: Própria autora, 2025.

Nota: EL = Eurycoma longifolia; ECR = Ensaio clínico randomizado; AMS = Escala de Sintomas do Envelhecimento Masculino; DHEA = diidroepiandosterona; DAEM = Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino; Physta® = Extrato padronizado de E. longifolia; LDL = lipoproteína de baixa densidade; IIEF-5 = Índice Internacional de Função Erétil.

Os estudos incluídos nesta revisão de escopo demonstram, de forma consistente, que o extrato de E. longifolia exerce efeitos benéficos sobre parâmetros hormonais e sexuais masculinos, especialmente nos níveis séricos de testosterona e na função erétil. Apesar da heterogeneidade entre populações, dosagens e delineamentos metodológicos, as evidências apontam para um potencial efeito modulador do suplemento tanto em homens jovens e saudáveis quanto em indivíduos com hipogonadismo ou sintomas da DAEM.

Observou-se que a maioria dos ensaios clínicos foi conduzida na Malásia, país de origem da planta e onde o Physta®, um extrato padronizado patenteado das raízes de E. longofolia, de titularidade da Biotropics Malaysia Berhad é amplamente utilizado. As doses variaram entre 100 e 600 mg/dia, com duração entre 2 semanas e 9 meses, e em todos os casos, verificou-se melhora em parâmetros hormonais e sexuais (Ismail et al., 2012; Udani et al., 2014; Chinnappan et al., 2021; Chan et al., 2021). Em especial, Chinnappan et al. (2021) relataram aumento significativo na testosterona total e livre após 12 semanas de suplementação, enquanto Chan et al. (2021) observaram elevação de 15% na testosterona total e 34% na fração livre em jovens saudáveis após apenas duas semanas. Esses resultados reforçam o potencial do suplemento como uma terapia de rápida resposta.

Talbott et al. (2013) ampliaram a discussão ao avaliar o impacto da E. longifolia sobre o equilíbrio neuroendócrino, observando aumento de 37% na testosterona e redução de 16% no cortisol. Esse achado sugere uma ação adaptogênica do suplemento, possivelmente mediada pela modulação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e pela atenuação da resposta ao estresse, o que pode explicar a melhora do humor e da vitalidade frequentemente relatada. A redução dos níveis de cortisol é relevante, uma vez que esse hormônio é conhecido por inibir a secreção de testosterona e prejudicar a espermatogênese.

Nos contextos clínicos de infertilidade e hipogonadismo, os resultados também foram relevantes. Tambi e Imran (2010) observaram que a intervenção com 200 mg diários de extrato hidrossolúvel padronizado e patenteado da raiz de E. longofilia durante nove meses aumentou significativamente a concentração e a morfologia espermática em homens com infertilidade idiopática, resultando em 14,7% de gestações espontâneas. Em continuidade, Tambi, Imran e Henkel (2011) reportaram aumento médio de 46,8% nos níveis de testosterona em homens com hipogonadismo de início tardio após 30 dias de suplementação, além de reduzir a sintomatologia avaliada pela escala AMS.

Esses achados foram confirmados em ensaios clínicos brasileiros. Leitão et al. (2021a) observaram a redução de colesterol LDL em 16,4%, um efeito que sugere benefícios metabólicos adicionais. Além disso, Leitão et al. (2021b) relatam que a suplementação com 200 mg de extrato seco padronizado de E. longofilia (2-dihidro-18-dedihidrolongilactona: 0,32 % (p/p); 9-hidroxicantina-6-ona 0,49 % (p/p); Eurycomanona: 1,21 % (p/p); proteína total: 26,3 %; polissacarídeo total: 28,8 % ⋅ glicosaponina: 44,2 %) por seis meses promoveu elevação de até 43% na testosterona total e melhora de 96% nos escores de satisfação sexual.

Os mecanismos fisiológicos que explicam tais efeitos parecem envolver tanto a inibição da aromatase, impedindo a conversão da testosterona em estrogênio, quanto a estimulação direta das células de Leydig pela eurycomanona, principal quassinoide bioativo da planta. Além disso, os euripeptídeos presentes no extrato parecem estimular a síntese de diidroepiandosterona (DHEA) e reduzir a SHBG, aumentando a testosterona livre disponível (Low et al., 2013).

Outro ponto relevante é que, apesar do aumento nos níveis de testosterona relatado em diversos estudos, nem todos demonstraram mudanças estatisticamente significativas nos hormônios gonadotróficos (LH e FSH), sugerindo que o mecanismo de ação da E. longifolia pode estar relacionado mais à modulação periférica e à biodisponibilidade da testosterona do que à estimulação direta do eixo hipotalâmico-hipofisário.

Ao comparar os achados com a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT), nota-se que a E. longofilia pode representar uma alternativa não farmacológica de menor risco. A TRT é eficaz na restauração dos níveis hormonais e na melhora da função sexual e corporal (Lunenfeld; Nieschlag, 2009; Thirumalai et al., 2017), mas apresenta limitações, como supressão da espermatogênese, ginecomastia, eritrocitose e risco cardiovascular aumentado (Ide et al., 2020). Nesse sentido, a E. longofilia oferece uma opção mais segura, especialmente para homens com hipogonadismo leve ou que desejam manter a fertilidade.

Contudo, as limitações metodológicas dos estudos analisados devem ser consideradas. A maioria apresenta amostras pequenas, curta duração e ausência de comparação com terapias convencionais. Além disso, poucos trabalhos avaliaram desfechos reprodutivos objetivos, como taxas de concepção ou motilidade espermática em longo prazo. Assim, apesar das evidências promissoras, a padronização de protocolos clínicos e a realização de ensaios multicêntricos de longo prazo são essenciais para consolidar a eficácia e a segurança da suplementação de E. longifolia no manejo da deficiência androgênica e da disfunção sexual masculina.

Em síntese, os resultados apontam para o potencial terapêutico do extrato de E. longifolia como um modulador natural dos níveis de testosterona, com benefícios adicionais sobre a vitalidade, fertilidade e saúde sexual. A consistência dos resultados, associada à boa tolerabilidade relatada, reforça sua aplicabilidade clínica e o papel dessa espécie como uma alternativa complementar promissora à terapia hormonal convencional.

Os resultados desta revisão de escopo evidenciam que a suplementação com E. longifolia apresenta efeitos benéficos sobre parâmetros hormonais e sexuais masculinos, particularmente no aumento dos níveis séricos de testosterona e na melhora da função erétil. Estes achados indicam o potencial terapêutico do extrato como alternativa fitoterápica segura e promissora para o manejo da deficiência androgênica e da disfunção sexual masculina.

No entanto, a heterogeneidade observada entre os estudos, especialmente quanto às dosagens, duração das intervenções e métodos de padronização dos extratos, evidencia a necessidade de ensaios clínicos adicionais, com amostras mais amplas, delineamentos robustos e acompanhamento a longo prazo, a fim de consolidar a eficácia e segurança da E. longifolia no contexto clínico.

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¹Discente do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Maceió – AL. E-mail: wanessa.berto@icf.ufal.br;
²Doutora em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos e Docente do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Maceió – AL. E-mail: eurica.ribeiro@icf.ufal.br.