ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE A HIGIENE E A SEGURANÇA ALIMENTAR EM UAN  (UNIDADE DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510131102


Andréia da Mota FAUSTINO1
Hiara Lorena Oliveira DIAS1
Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo2
Coorientador: David Silva dos Reis3


RESUMO  

A segurança alimentar em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) está  intrinsecamente ligada às práticas de higiene adotadas ao longo de todo o processo de  produção, armazenamento e distribuição dos alimentos. A relação entre higiene e  segurança alimentar é um fator determinante para a prevenção de contaminações e  surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), que representam riscos  significativos à saúde pública. A implementação de Boas Práticas de Manipulação (BPM),  aliadas a um rigoroso controle higiênico-sanitário, é fundamental para garantir a  qualidade microbiológica e físico-química dos alimentos preparados. Esse controle  envolve desde a higienização correta das instalações, equipamentos e utensílios, até a  manipulação adequada dos alimentos e a higiene pessoal dos colaboradores. A  capacitação contínua das equipes de trabalho e a implementação de rotinas  padronizadas de controle e monitoramento são estratégias eficazes para reduzir riscos e  assegurar a inocuidade dos alimentos servidos. Dessa forma, o estudo da relação entre  higiene e segurança alimentar em UANs reforça a importância da adoção de uma gestão  de qualidade que priorize a saúde dos consumidores e o cumprimento das legislações  sanitárias vigentes.  

PALAVRAS-CHAVE: Unidade de alimentação e nutrição. Segurança dos alimentos. Boas  práticas de manipulação. 

INTRODUÇÃO  

A segurança alimentar contemporânea é cada vez mais entendida como um  conceito amplo, que abrange não apenas a disponibilidade de alimentos, mas também  sua qualidade e inocuidade. Nas Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN),  especialmente em contextos coletivos como escolas, hospitais e empresas, é  fundamental assegurar condições higiênico-sanitárias rigorosas para prevenir  contaminações que comprometam a saúde dos consumidores (Stedefeldt et al., 2018)  

Estudos realizados nos últimos anos evidenciam lacunas significativas nas  condições higiênico-sanitárias em UAN escolares. Em um município do Rio de Janeiro,  Stedefeldt et al. (2018) realizaram a aplicação sistemática de uma Lista de Verificação de  Boas Práticas, com o objetivo de avaliar as condições higiênico-sanitárias de nove UANs.  Os resultados indicaram que, embora o recebimento das matérias-primas estivesse  adequado, as condições relativas aos manipuladores, processos/procedimentos,  higienização ambiental e equipamentos de temperatura controlada foram avaliadas como  parcialmente adequadas ou inadequadas. A classificação final apontou que 66,7% das  unidades estavam em situação de risco sanitário regular, demonstrando a urgência de  ações corretivas. 

Além dos aspectos estruturais, a capacitação dos manipuladores de alimentos se  apresenta como elemento essencial para a promoção de práticas seguras. A adoção da  Lista de Verificação de Boas Práticas, elaborada por Stedefeldt et al. (2013), mostra-se eficaz na identificação de não conformidades e na elaboração de planos de ação para  correção, contribuindo para elevar o padrão higiênico-sanitário nas UAN (Stedefeldt et  al., 2013; Batista e Vergara, 2017). 

No campo conceitual, a segurança alimentar e nutricional como dimensão da saúde  escolar envolve práticas que vão além do preparo seguro dos alimentos, incluindo a  educação alimentar e nutricional como estratégia de promoção de hábitos saudáveis.  Moura, Mendes e Omena (2020) destacam a escola como um espaço privilegiado para a  formação de práticas alimentares saudáveis e ressaltam a importância de políticas  públicas que consolidem a segurança alimentar como direito universal.

Diante deste cenário, torna-se evidente a necessidade de aprofundar o estudo da interface entre higiene e segurança alimentar em UAN. Falhas em infraestrutura,  capacitação e monitoramento técnico comprometem não apenas a conformidade legal,  mas também a saúde pública. Este artigo justifica-se ao propor uma análise  contemporânea e integrada desses elementos, com vistas a contribuir para o  aprimoramento das práticas e das políticas de segurança alimentar nas UAN brasileiras. 

A escolha do tema ‘Relação entre Higiene e Segurança Alimentar em UAN’ se  justifica pela crescente preocupação com a saúde pública e a qualidade dos alimentos  consumidos pela população. Em um contexto onde as doenças transmitidas por  alimentos são uma realidade, é fundamental compreender como práticas adequadas de  higiene podem impactar diretamente a segurança alimentar.  

As UANs desempenham um papel crucial na preparação e distribuição de alimentos,  e a implementação de normas rigorosas de higiene não apenas protege os consumidores,  mas também garante a integridade dos serviços prestados. Além disso, este estudo pode contribuir para a formação de profissionais mais conscientes sobre a importância da  higiene, promovendo uma cultura de segurança alimentar que beneficie toda a sociedade.  Portanto, investigar essa relação é essencial para aprimorar as práticas nas UANs e, consequentemente, melhorar a saúde pública.  

O objetivo geral deste artigo é identificar a importância da higiene e segurança  alimentar em UAN (Unidade de Alimentação e Nutrição), tendo como objetivos  específicos: discorrer sobre a segurança alimentar, examinar a relevância da capacitação  dos manipuladores de alimentos para a adequada higienização de frutas, legumes e  verduras, descrever os agentes causadores de doenças em alimentos.  

METODOLOGIA 

O presente estudo é uma revisão integrativa da literatura sobre a conexão entre  higiene e segurança alimentar em estabelecimentos de alimentação. O método da  revisão integrativa visa compilar, examinar e resumir informações provenientes de artigos  científicos relevantes. Dessa forma, o método tem como objetivo sintetizar os resultados  obtidos em pesquisas sobre um tema de maneira sistemática, organizada e ampla, permitindo um maior entendimento sobre o assunto investigado e a síntese das  evidências disponíveis para a identificação de lacunas que justificam o desenvolvimento  de pesquisas futuras. Para sua elaboração, foram seguidas as seguintes etapas:  formulação da hipótese e objetivos; definição dos critérios de inclusão e exclusão;  determinação das informações coletadas dos artigos selecionados; análise dos  resultados; discussão e apresentação da revisão.  

Para orientar a revisão integrativa, foi formulada a seguinte pergunta: Qual a relação  entre higiene e segurança alimentar em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN)?  As buscas nas bases de dados ocorreram entre os meses de março e maio de 2025,  nas seguintes bases de dados: Google Acadêmico e todas as outras bases de dados,  levando em consideração a data de publicação dos últimos 10 anos. Para a execução da  busca, foram empregados os seguintes descritores nas línguas portuguesa e inglesa:  segurança alimentar, higiene, alimentação, unidades de alimentação e nutrição.  Os critérios de inclusão estabelecidos foram: artigos originais publicados nos  idiomas português e inglês, que abordassem estudos sobre a relação entre higiene e  segurança alimentar em serviços de alimentação. Para os critérios de exclusão, definiu-se: monografias, dissertações, teses, editoriais, cartas aos editores, trabalhos disponíveis  apenas com resumo ou com a apresentação somente do tema, tendo o conteúdo  indisponível.  

Para a avaliação e a subsequente síntese dos artigos que foram selecionados  conforme os critérios de inclusão, um quadro síntese será utilizado abrangendo o autor,  ano, objetivos, metodologia, resultados e reflexões dos autores.  

Este trabalho engloba somente estudos originais, que são observacionais,  descritivos e quantitativos, publicados no Brasil. Os estudos escolhidos focarão  especificamente no manual de boas práticas, na higiene do manipulador, nas unidades  de alimentação e nutrição e nas doenças transmitidas por alimentos, como serão a  apresentação de dados. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

De acordo com o Codex Alimentarius, a segurança alimentar é assegurar que os  alimentos não provoquem danos à saúde do consumidor, por meio de riscos biológicos,  químicos ou físicos, quando são preparados e/ou consumidos conforme a finalidade a  que se destinam (Sampaio, 2018).  

O mercado de trabalho na área de alimentação se divide em dois principais  segmentos, alimentação comercial e alimentação coletiva. Para os locais que atuam  elaborando alimentos para a comunidade, atualmente são chamados de Unidades de  Alimentação e Nutrição (UAN). Uma Unidade de Alimentação e Nutrição promove a  segurança alimentar para seus consumidores, fornecendo alimentos adequados em  qualidade e na quantidade necessária para quem os recebe. Dessa forma, é obrigação  da UAN zelar pela higiene, seleção de insumos, armazenamento, preparo e distribuição,  além de oferecer treinamento e cuidados de saúde a seus colaboradores (Justen, 2017).  

O cumprimento das regulamentações estabelecidas pela Agência Nacional de  Vigilância Sanitária (ANVISA) é essencial, especialmente no que se refere à  implementação de medidas de prevenção e controle fundamentadas nas Boas Práticas  de Manipulação de Alimentos. Essas práticas consistem em um conjunto de  procedimentos de organização e higiene indispensáveis para garantir a inocuidade dos  alimentos, abrangendo todas as etapas da cadeia produtiva: desde a seleção de  fornecedores, aquisição, recebimento e etapas de pré-preparo e preparo, até a  embalagem, armazenamento, transporte, distribuição e exposição para a  comercialização ao consumidor final (Barros, B. R. L. e Silva, M. C., 2016). 

A relação entre higiene e segurança alimentar em Unidades de Alimentação e  Nutrição (UAN) constitui aspecto essencial para assegurar que os alimentos sejam  preparados, armazenados e distribuídos em condições seguras, prevenindo riscos de  contaminação e a ocorrência de doenças de origem alimentar. A implementação de  práticas rigorosas de higiene, como a adequada higienização de utensílios, superfícies e  mãos, representa medida indispensável para a redução da carga microbiana e para a  prevenção da proliferação de microrganismos patogênicos. Nesse contexto, a adoção  sistemática de procedimentos de higienização configura-se como estratégia central para  a garantia da segurança dos alimentos, promovendo tanto a proteção da saúde dos consumidores quanto a manutenção de um ambiente de trabalho seguro e eficiente nas  UANs. 

O manipulador de alimentos desempenha uma função importante na garantia da  segurança alimentar, já que a falta ou erro no processo de manipulação pode influenciar  diretamente a saúde dos consumidores, resultando no aumento das Doenças  Transmitidas por Alimentos (DTA) (Moreb; PriyadarshinI; Jaiswal, 2017).  

As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) são descritas na literatura como  resultado do consumo de alimentos contaminados. Essas enfermidades são  categorizadas em infecções e toxinfecções, quando ocorre a ingestão direta do patógeno,  provocando o crescimento e a produção de toxinas por eles, respectivamente. A  intoxicação ocorre quando não há ingestão do patógeno, mas sim do alimento que já  contém as toxinas, sejam estas bacterianas ou não (Brasil, 2023).  

A contaminação dos alimentos pode surgir desde a produção até o momento do  consumo e pode ser provocada por microrganismos, substâncias químicas ou agentes  físicos. A adoção de práticas de higienização corretas dos alimentos deve diminuir de  forma significativa o risco de contaminação e, assim, reduzir a ocorrência das DTAs  (Almeida, A. L. S. et al., 2023).  

Atualmente, são descritas mais de 250 diferentes Doenças Transmitidas por  Alimentos (DTAs), sendo a maioria atribuída a infecções causadas por bactérias  patogênicas e suas toxinas, vírus e parasitas. Essas enfermidades são categorizadas em  infecções e toxinfecções, quando ocorre a ingestão direta do patógeno, provocando o  crescimento e a produção de toxinas por eles, respectivamente. Embora frequentemente  se manifestem por sintomas gastrointestinais, as DTAs também podem comprometer  diversos órgãos e sistemas, como fígado, rins e sistema nervoso central, a depender do  agente etiológico envolvido (Guimarães, 2019).  

Ao examinar as origens das contaminações ligadas à higienização dos alimentos,  ressaltam-se certos patógenos, exemplificados abaixo no Quadro 1. 

Quadro 1: Principais doenças transmitidas por alimentos

Patógeno Doença associada Descrição doença Referência 
Salmonella spp. Salmonelose ou  Salmonela Habita no sistema digestivo  humano e dos animais,  sendo transmitida para os  alimentos por meio do  contato com as fezes. Hammack et al.  (2019) 
Staphylococcus  Aureus Staphylococcus Após a contaminação do  alimento, a bactéria gera a  toxina resistente ao calor que  provoca a doença se ingerida  sem a devida higienização. Hait et al. (2019) 
Toxoplasma gondii Toxoplasmose Zoonose transmitida através  de alimentos ou utensílios  que estejam contaminados  por oocistos do parasita. Lampel et al.  (2019) 
Giardia lamblia Giardíase Habita no sistema digestivo  de seres humanos e de  animais, sendo transmitida  por meio da ingestão de  alimentos contaminados com  cistos do parasita. Kase et al.  (2019) 
Listeria  monocytogenes Listeriose A bactéria está presente no  solo, na água e no iodo. A  transmissão entre humanos  ocorre por meio de alimentos  contaminados. Chen et al.  (2019) 
Fonte: As autoras. 

A presença de microrganismos patogênicos em Unidades de Alimentação e  Nutrição (UAN) continua sendo um desafio para a segurança alimentar. O Quadro 1 evidencia a diversidade de agentes etiológicos, cada um com particularidades que  exigem medidas específicas de controle, destacando a necessidade de constante  monitoramento, capacitação de manipuladores e implementação de Boas Práticas de  Fabricação.

A Salmonella spp. permanece como um dos principais agentes de surtos  alimentares, especialmente em produtos de origem animal. Gabriel et al. (2025)  ressalta que, no Brasil, a ocorrência de Salmonella representa um grave problema de  saúde pública e econômico, reforçando a necessidade de estratégias que incluam  monitoramento em todas as etapas da produção e distribuição. De forma complementar,  Reyes et al. (2025) evidenciam que a presença da bactéria em recursos hídricos na  América do Sul amplia o risco de contaminação cruzada, demonstrando que o problema  transcende a manipulação dos alimentos e envolve também questões ambientais. Pesquisas recentes confirmam que a cadeia produtiva de aves e carnes continua sendo  o principal ponto crítico de disseminação da Salmonella, devido à resistência do patógeno  em condições adversas (Costa et al., 2022). Dessa forma, medidas de controle mais  rigorosas, como o uso de barreiras sanitárias, rastreabilidade da produção e capacitação  contínua dos manipuladores, tornam-se imprescindíveis para a redução dos surtos  alimentares associados à bactéria (Barros, A. P. e Silva, R. P., 2021). 

O Staphylococcus aureus se destaca pela produção de enterotoxinas  termoestáveis, capazes de resistir a processos de cocção. Hait et al. (2019) enfatizam  que a ingestão dessas toxinas pode causar intoxicações alimentares mesmo após a  higienização convencional. Yehia et al. (2019) e Montanari et al. (2015) reforçam que  algumas cepas exibem resistência térmica elevada, o que compromete a eficácia de  métodos tradicionais de controle, tornando necessária a combinação de estratégias para  a inativação do patógeno. Adicionalmente, estudos moleculares demonstram que o  sistema regulatório agr, aliado a fatores de virulência, potencializa a sobrevivência do S.  aureus em diferentes ambientes (Cheung; Nishina; Chan, 2021). Em UAN, a  contaminação pode ocorrer durante a manipulação inadequada ou devido à higienização  insuficiente dos utensílios. Para minimizar riscos, recomenda-se intensificar práticas de  higiene, aplicar técnicas de conservação adequadas e promover treinamentos contínuos  aos trabalhadores do setor (Pereira et al., 2020). 

A Listeria monocytogenes, embora geralmente associada ao solo e vegetação,  destaca-se pela capacidade de sobreviver em baixas temperaturas, incluindo ambientes  refrigerados. Yehia et al. (2019) ressaltam que essa característica compromete a segurança de alimentos prontos para consumo, como queijos, saladas e carnes processadas, tornando essencial o monitoramento rigoroso das condições de  armazenamento. Além disso, falhas na higienização de equipamentos contribuem para a  formação de biofilmes, que favorecem a persistência do microrganismo. Segundo Silva  et al. (2023), a contaminação por Listeria está diretamente relacionada a surtos de  listeriose em populações vulneráveis, como gestantes, idosos e imunossuprimidos.  Nesse contexto, a utilização de tecnologias preventivas, como o emprego de embalagens  ativas e a aplicação de sanitizantes mais eficazes, são estratégias promissoras para  mitigar o risco de contaminação em UAN. A conscientização da equipe sobre a  necessidade de monitorar as áreas frias de armazenamento também se torna  imprescindível (Gonçalves et al., 2021). 

A Giardia lamblia é um protozoário intestinal frequentemente subnotificado, o que  dificulta a real mensuração de sua incidência. Estima-se que mais de 28 milhões de casos  anuais estejam relacionados à ingestão de alimentos contaminados, sobretudo em  regiões com falhas no saneamento básico (Who, 2010). Além disso, a giardíase pode  causar diarreia, má absorção de nutrientes e prejuízos significativos ao estado nutricional  dos indivíduos. Estudos recentes indicam que a infecção por Giardia pode levar a  alterações na microbiota intestinal, comprometendo a integridade dos microvilos e  favorecendo a ocorrência de disbiose (López-Robles et al., 2024). Esses efeitos têm  implicações de longo prazo, especialmente em crianças, podendo prejudicar o  desenvolvimento físico e cognitivo. Portanto, nas UAN, é fundamental garantir que frutas,  verduras e demais alimentos crus sejam submetidos a procedimentos rigorosos de  higienização, minimizando o risco de contaminação (Almeida, L. F. et al., 2020). 

O Toxoplasma gondii representa um risco persistente em função da elevada  resistência de seus oocistos no ambiente. Esses podem permanecer viáveis em frutas,  verduras e hortaliças, tornando os cuidados com a higienização etapa fundamental no  controle da doença. Silva et al. (2023) apontam que a ausência de saneamento básico,  somada a práticas inadequadas de manipulação, favorece a disseminação do parasita,  reforçando a necessidade de cultura preventiva nas UAN. De acordo com Santos et al.  (2021), o consumo de hortaliças contaminadas constitui uma das principais rotas de  transmissão do Toxoplasma, sobretudo em áreas urbanas com deficiências na  infraestrutura sanitária. Além disso, a toxoplasmose apresenta riscos graves para gestantes e indivíduos imunocomprometidos, podendo causar malformações congênitas  e complicações neurológicas. Dessa forma, a implementação de protocolos de  higienização eficazes e a educação continuada dos manipuladores de alimentos são  estratégias essenciais para prevenir surtos relacionados ao protozoário. 

Silva e Paganoto (2023) argumentam que as boas práticas de fabricação são uma  maneira de prevenir a contaminação. Estes requisitos são essenciais para obter  alimentos que não apresentem risco à saúde do consumidor, aprimorar os processos  produtivos, controlar as fontes de contaminação e assegurar a qualidade dos produtos.  As instalações, a higiene pessoal, os procedimentos, os métodos de armazenamento e o  controle de pragas são fatores que as empresas fornecedoras de alimentos devem vigiar  e seguir rigorosamente. No que se refere às instalações, determina-se que todos os  equipamentos, mobiliários e utensílios sejam mantidos em condições apropriadas de  higienização, de modo a assegurar a conformidade com os padrões sanitários  estabelecidos. 

De acordo com a RDC 216/2004 da ANVISA, o manipulador de alimentos precisa  de treinamentos regulares que o preparem para desempenhar suas funções de forma  eficiente. Esses treinamentos devem abordar assuntos como a contaminação de  alimentos e a higiene pessoal. É fundamental que os treinamentos possuam continuidade  para que os procedimentos de boas práticas de manipulação sejam executados de  maneira mais significativa, evitando contaminações alimentares (Guimarães, 2019).  

Nesse contexto, os processos de formação para a orientação e aprimoramento de  colaboradores são definidos como ações eficazes e seguras, necessitando ser  estruturados em processos sistemáticos, pelos quais todos os colaboradores devem  passar, sendo esses técnicos, integrativos e/ou de reciclagem. Os treinamentos devem,  preferencialmente, ser realizados por profissionais de hierarquia superior e qualificados,  de forma que o manipulador compreenda a adequação das práticas higiênicas, visando  principalmente não comprometer a segurança dos alimentos (Oliveira Pinto e Garcia Gomes, 2021).  

O treinamento em boas práticas para manipuladores de alimentos exerce influência  direta sobre os requisitos das áreas destinadas à exposição dos produtos preparados, as  quais devem ser mantidas em condições adequadas de limpeza e organização, em conformidade com os princípios de saúde pública. Além disso, a temperatura dos  equipamentos responsáveis pela manutenção dos alimentos expostos deve ser  monitorada regularmente, a fim de prevenir riscos de contaminação decorrentes tanto da  proximidade quanto da interação dos consumidores e de outras fontes potenciais. Os  utensílios, como pratos e talheres, devem ser submetidos a processos adequados de  higienização e armazenados em locais apropriados para garantir a segurança sanitária  (Encarnação et al., 2021).  

O perigo de contaminação de um alimento é bastante elevado se o manipulador não  for treinado e orientado continuamente, e nota-se que geralmente os estabelecimentos  que atuam no ramo de alimentação não treinam seus colaboradores, há carência de  conhecimentos e orientação, principalmente em relação à higiene pessoal, dos alimentos,  do local de trabalho, bem como sobre a temperatura ideal de conservação de cada tipo  de alimento, entre outros (Menezes, 2017).  

Almeida, A. L. S. et al. (2023) acrescentam ainda que os manipuladores de  alimentos precisam manter normas estritas de higiene pessoal, além de usar uniformes  limpos, com os cabelos presos, unhas cortadas e sem esmalte. A higienização das mãos  deve ser constante.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A segurança alimentar da população é uma preocupação contemporânea,  principalmente em países em desenvolvimento. No Brasil, o direito à alimentação como  norteador da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) é amparado pela Lei nº 11.346, de  15 de setembro de 2006, que estabelece SAN como a concretização do direito de todos  ao acesso regular e contínuo a alimentos de qualidade, em quantidade adequada, sem  prejudicar o acesso a outras necessidades essenciais, fundamentando-se em práticas  alimentares que promovam saúde, respeitem a diversidade cultural e sejam ambiental,  cultural, econômica e que sejam socialmente sustentáveis.  

A garantia de segurança alimentar está ligada à implementação de Boas Práticas e  ao treinamento adequado dos manipuladores. Treinamentos frequentes e eficientes são  fundamentais para incentivar mudanças de comportamento e conscientizar a equipe sobre a relevância da produção segura de alimentos. Ao abordar tópicos como a  qualidade dos insumos, o processo de recebimento, o armazenamento, os cuidados com  a higiene pessoal e a manipulação, esses treinamentos ajudam a impedir contaminações  de natureza química, física e biológica. Isso assegura tanto a qualidade sanitária dos  alimentos quanto a saúde dos consumidores, e medidas devem ser implementadas para  evitar qualquer tipo de contágio associado a esses fatores que possam afetar a qualidade  dos alimentos dentro da unidade.  

A necessidade de garantir a produção de alimentos isentos de riscos à saúde  impulsionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) à publicação da  Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 216, de 2004, que dispõe sobre o  regulamento técnico de boas práticas aplicáveis aos serviços de alimentação. Tal  normativa estabelece que todos os estabelecimentos responsáveis pelo preparo,  distribuição, transporte e comercialização de alimentos prontos para consumo devem  dispor de um Manual de Boas Práticas (MBP) e de Procedimentos Operacionais  Padronizados (POP). Estes procedimentos abrangem aspectos fundamentais, tais como  higienização de instalações e equipamentos, controle integrado de pragas urbanas,  limpeza de reservatórios de água, além da manutenção da saúde e da higiene dos  manipuladores.  

Nesse contexto, a adoção de métodos e técnicas adequadas ao processamento e  à manipulação constitui requisito indispensável para assegurar a segurança dos  alimentos e a proteção da saúde pública. A adoção desses protocolos sugere a dedicação  da equipe e de ações preventivas e corretivas, demandando o cumprimento de etapas  para que exista um mecanismo contínuo e bem-sucedido.  

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1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: motta.faustino@hotmail.com

1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: hiaralorenah@gmail.com

2Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de  Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br

3Coorientador do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br