ESTRESSE PSICOLÓGICO E REGULAÇÃO DA GLICOSE: IMPACTO NA SENSIBILIDADE À INSULINA  

PSYCHOLOGICAL STRESS AND GLUCOSE REGULATION: IMPACT ON INSULIN SENSITIVITY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510081013


Lívia Nascimento Araujo¹
Juliana Malinovski¹


RESUMO

Introdução: O estresse psicológico é definido como um estado em que o indivíduo identifica que as demandas ambientais estão sobrecarregando ou excedendo seus recursos psicológicos ou capacidade de adaptação, prejudicando seu bem-estar. O estresse, quando presente por períodos prolongados, pode provocar disfunções metabólicas, como a resistência à insulina e alterações na homeostase da glicose. Objetivo: O estudo tem como objetivo destacar os impactos do estresse psicológico sobre o metabolismo da glicose e a sensibilidade à insulina, bem como apresentar estratégias que visem à redução dos níveis de estresse e ao aumento da sensibilidade à insulina. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura com aspectos descritivos e exploratórios. Resultados e discussão: Ao total, foram eleitos um total de 12 artigos entre os anos de 2020 a 2025, após refinamento foram selecionados 6 artigos na língua inglesa e língua portuguesa, utilizando-se na base de dados os seguintes descritores: “stress psychological and diabetes”, “glucose metabolism”, “insulin sensitivity”. Conclusão: A exposição crônica ao estresse psicológico tem impacto significativo sobre o metabolismo energético, principalmente por meio da ativação sustentada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e da elevação prolongada dos níveis de cortisol. Esse hipercortisolismo está fortemente associado à resistência à insulina, disfunção na secreção de insulina, aumento da adiposidade visceral e maior risco de desenvolvimento de síndrome metabólica e diabetes tipo 2

Palavras-chave: Estresse psicológico, homeostase da glicose, sensibilidade à insulina

ABSTRACT:  

Introduction: Psychological stress is defined as a state in which the individual identifies that environmental demands are overloading or exceeding their psychological resources or adaptive capacity, impairing their well-being. Stress, when present for prolonged periods, can cause metabolic dysfunctions, such as insulin resistance and changes in glucose homeostasis. Objective: The study aims to highlight the impacts of psychological stress on glucose metabolism and insulin sensitivity, as well as to present strategies aimed at reducing stress levels and increasing insulin sensitivity. Methodology: This is an integrative literature review with descriptive and exploratory 2 aspects. Results and discussion: In total, a total of 12 articles were selected between the years 2020 to 2025, after refinement, 6 articles were selected in English and Portuguese, using the following descriptors in the database: “stress psychological and diabetes”, “glucose metabolism”, “insulin sensitivity”. Conclusion: Chronic exposure to psychological stress has a significant impact on energy metabolism, mainly through sustained activation of the hypothalamic-pituitary-adrenal axis and prolonged elevation of cortisol levels. This hypercortisolism is strongly associated with insulin resistance, dysfunction in insulin secretion, increased visceral adiposity and an increased risk of developing metabolic syndrome and type 2 diabetes. 

Keywords: Psychological stress, glucose homeostasis, insulin sensitivity

1. INTRODUÇÃO

O estresse psicológico é definido como um estado em que o indivíduo identifica que as demandas ambientais estão sobrecarregando ou excedendo seus recursos psicológicos ou capacidade de adaptação, prejudicando seu bem-estar (LEVINE, GLENN, 2022). Com base nessa definição, observa-se que é a própria percepção do indivíduo que determina se a situação é estressora ou não e, consequentemente, uma resposta de estresse é desencadeada (LEVINE, GLENN N, 2022). 

O estresse, quando presente por períodos prolongados, pode provocar disfunções metabólicas, como a resistência à insulina e alterações na homeostase da glicose (KIVIMÄKI et al., 2023). Isso ocorre devido à ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), cuja principal secreção é a produção de glicocorticoides, especialmente o cortisol, hormônio essencial para funções fisiológicas vitais (SHARMA; SINGH, 2020). Todavia, em situações de estresse crônico, a liberação excessiva de glicocorticoides terá impacto negativo no metabolismo da glicose, podendo comprometer a sensibilidade à insulina (SHARMA; SINGH, 2020). 

Embora o estresse psicológico seja reconhecido como um problema de saúde pública global, dados nacionais ajudam a ilustrar a magnitude desse fenômeno (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2022). Um estudo conduzido pela International Stress Management Association (ISMA-BR), em 2023, apontou que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de trabalhadores mais estressados, cerca de 72% dos profissionais demonstram níveis elevados de estresse no ambiente de trabalho. Esse dado alarmante evidencia a necessidade da adoção de estratégias eficazes para a redução do estresse psicológico, considerando que esse fator pode provocar 3 alterações metabólicas significativas, como a desregulação da glicose, configurando-se como um risco potencial para o desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) (KIVIMÄKI et al., 2023). 

Dessa forma, o presente artigo tem como objetivo destacar os impactos do estresse psicológico sobre o metabolismo da glicose e a sensibilidade à insulina, bem como apresentar estratégias que visem à redução dos níveis de estresse e ao aumento da sensibilidade à insulina.

2. MATERIAL E MÉTODO

A atual pesquisa, trata-se de uma revisão, do tipo integrativa, cuja pergunta norteadora foi “Como o estresse psicológico impacta na regulação da glicose e na sensibilidade à insulina?”. Para responder a esse questão, foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases de dados PubMed (Public Medical Literature Database) e Scielo (Scientific Electronic Library Online), durante os meses de abril e maio de 2025, nos idiomas inglês e português, utilizando o seguinte descritor: “psychological stress and diabetes” 

Os artigos localizados foram submetidos aos seguintes critérios de inclusão: (I) artigos completos e com acesso livre; (II) artigos disponíveis nos idiomas inglês e português; (III) estudos originais que abordassem a relação entre estresse psicológico, regulação da glicose e sensibilidade à insulina. Foram excluídos, por sua vez: (I) artigos repetidos na base de dados e/ou duplicados dentro da mesma base de dados; (II) artigo de revisão de literatura; (III) artigos com publicações anteriores ao ano de 2020. 

Os artigos foram selecionados utilizando como critérios a leitura do título e o resumo do artigo, com o objetivo de visualizar se possuíam características referentes à pergunta norteadora da pesquisa. Após essa etapa de exclusão, foram lidos na íntegra aqueles que possuíam informações que respondiam à pergunta norteadora ou apresentavam subsídios que o fariam. 

A busca pelo descritor “psychological stress and diabetes” nas bases de dados resultou em um total de 4.763 artigos. Desses, 88 atenderam ao critério de inclusão previamente estabelecido. Após a aplicação dos critérios de exclusão mencionados anteriormente, restaram 46 artigos. Procedeu-se então a leitura dos títulos dos artigos, sendo excluídos aqueles que não se relacionavam com a temática, resultando em 12 artigos. Destes, 3 eram duplicados, totalizando em 9 artigos para análise dos resumos. Após essa análise, 6 artigos foram selecionados para a inclusão no artigo. O processo de seleção dos estudos está apresentado em fluxograma (Figura 1), que demonstra de forma detalhada as etapas realizadas no processo.

Figura 1. Fluxograma descritivo do processo de pesquisa da revisão de literatura do presente artigo.

Fonte: desenvolvido pelas autoras, 2025.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No quadro 1, descrito a seguir, foram compilados os resultados mais significativos de cada artigo científico selecionado na pesquisa, assim como autores, tipo de estudo, ano de publicação, local do estudo, amostra, objetivos, metodologia e resultados. Os 06 artigos são estudos publicados em periódicos internacionais, sendo que, cinco foram publicados em inglês e um em português.

Quadro 1 – Resumo dos artigos analisados para revisão.

ArtigoAutor, ano de publicação, local do estudoDelineamento, tipo de estudo e NObjetivos do estudoMetodologiaPrincipais achados
1Miroslaw Janczura, 2020, PolôniaEstudo de corte transversalInvestigar as relações entre índices de estresse psicológico e marcadores de estresse oxidativo.Policiais não diabéticos (27–56 anos). Medidos marcadores inflamatórios (PCR, TNF-α), de estresse oxidativo (8-iso-PGF₂α) e de insulina. HOMA-IR ≥ 2,04 foi considerado limite de resistência à insulina. Cortisol livre urinário e estresse percebido também foram avaliados.Em indivíduos expostos a estressores psicológicos crônicos, o cortisol e marcadores de estresse oxidativo influenciaram a incidência de resistência à insulina, embora esse efeito tenha sido atenuado após ajuste para síndrome metabólica.
2Palesa Mosili et al., 2020, LondresEstudo experimental pré-clínico (N = 12)Investigar mudanças no eixo HPA em modelo de rato pré-diabético induzido por dieta HFHC.Ratos Sprague Dawley divididos aleatoriamente em grupo pré-diabético (PD) e não pré-diabético (NPD) (n=6 por grupo). 20 semanas de indução + 12 semanas experimentais. Avaliados glicose, ACTH e corticosterona (CORT).Concentrações elevadas de glicocorticoides (GCs) induzem resistência à insulina e reduzem produção e sensibilidade à insulina. O aumento de GCs, sobretudo sob estresse, aumenta glicose hepática e perturba a ação da insulina.
3Srikanta Pandit et al., 2024, SuíçaEnsaio clínico randomizado (N = 131)Comparar os efeitos de três doses (125 mg, 250 mg e 500 mg/dia) de extrato de raiz e folha de Withania somnifera (Sensoril).131 voluntários (40 mulheres, 71 homens; idade média 35 anos) randomizados para receber Sensoril ou placebo por 8 semanas. Avaliados estresse percebido (PSS), cortisol plasmático, ACTH e α-amilase salivar.O extrato de Withania somnifera reduziu de forma segura e eficaz estresse, ansiedade e depressão. A resposta foi dependente da dose e associada à redução significativa de biomarcadores de estresse.
4Fabienne S. Meijboom et al., 2024, Reino UnidoEstudo experimental pré-clínicoInvestigar o impacto do estresse por derrota social crônica (DSC) sobre metabólitos da glicose no fígado e cérebro.Camundongos C57 machos expostos a três derrotas sociais consecutivas. Submetidos a jejum de 1h antes da coleta de glicemia periférica e cerebral.Houve aumento da glicose periférica e central após derrota social, com redução na captação cerebral — sugerindo que a hiperglicemia induzida por estresse pode ser prejudicial ao cérebro.
5Xue Zhang, 2025, LondresEstudo observacional (N = 157)Investigar diferenças nos níveis de atenção plena entre pacientes com diabetes tipo 2, categorizados por resistência à insulina e função das células β.157 pacientes divididos em quatro grupos conforme resistência à insulina e função β. Avaliados com o Questionário de Mindfulness das Cinco Facetas (FFMQ).Pacientes com diabetes inicial, especialmente com menor função β ou maior resistência à insulina, podem precisar de apoio psicológico adicional para aprimorar atenção plena e bem-estar.
6Daiana Alves et al., 2022, São PauloEstudo observacional, correlacional e transversal (N = 330)Investigar a correlação entre atenção plena disposicional, regulação emocional e estresse percebido em estudantes de enfermagem.Estudantes de enfermagem (>18 anos) responderam questionário eletrônico sobre atenção plena, regulação emocional e estresse percebido.Houve correlação fraca e positiva entre atenção plena disposicional e supressão de emoções (r = 0,125), sugerindo que níveis mais altos de atenção plena se associam a melhor regulação emocional.
 Fonte: Tabela desenvolvida pela autora, 2025.


Diante de uma situação psicológica estressora, é iniciada uma cascata complexa de respostas fisiológicas, desencadeando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), principal mecanismo para a modulação do estresse, cujo objetivo é promover a adaptação do organismo frente à adversidade (PANDIT et al., 2024). 

O processo se inicia com a liberação do hormônio liberador de corticotropina (CRH) pelo hipotálamo, que estimula a hipófise anterior a secretar o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Este, por sua vez, atua sobre o córtex adrenal, promovendo a liberação de cortisol, o principal hormônio envolvido na resposta fisiológica ao estresse (THAU et al., 2023). 

Os glicocorticoides, atuam como mediadores finais do eixo HPA, participando ativamente da resposta ao estresse. Eles também são responsáveis por regular a atividade basal desse eixo e por interromper as respostas ao estresse por meio de um sistema de retroalimentação negativa (YARIBEYGI et al., 2022). O cortisol tem como função primária aumentar a disponibilidade de energia durante situações adversas, promovendo alterações no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. Esse hormônio estimula a gliconeogênese hepática, a lipólise e a proteólise, fornecendo substratos energéticos necessários para o enfrentamento da condição estressante (MOSILI et al., 2020). 

Contudo, quando a exposição ao estresse se torna contínua, pode ocorrer uma desregulação do eixo HPA, resultando na manutenção de níveis elevados de cortisol, hipercortisolismo (MOSILI et al., 2020). Estudos recentes demonstram que a exposição prolongada ao estresse psicológico leva à ativação sustentada do eixo HPA, contribuindo para a resistência à insulina por meio da modulação de vias inflamatórias e metabólicas. Dados experimentais indicam alterações específicas em proteínas 9 sinalizadoras da insulina que comprometem sua ação nos tecidos-alvo, reforçando a associação entre estresse crônico e risco metabólico aumentado (MEIJBOOM et al., 2024). 

O hipercortisolismo pode induzir a resistência à insulina e levar ao diabetes tipo 2, uma vez que ocorre a inibição da secreção da insulina, promove o desenvolvimento de adiposidade visceral, enquanto ativa a lipólise e a liberação de ácidos graxos (JANCZURA et al., 2020). 

A exposição crônica a altos níveis circulantes de cortisol endógeno inibe a secreção de insulina por meio da ligação aos receptores de glicocorticoides expressos nas células β pancreáticas. Os glicocorticoides reduzem a captação e o metabolismo da glicose por essas células, por meio de ações genômicas, ou seja, modulando a expressão de genes pela ativação dos receptores nucleares de glicocorticoides. Como consequência, ocorre redução da eficácia do cálcio citosólico na exocitose dos grânulos de insulina (JANSSEN, 2022). 

Além disso, os glicocorticoides diminuem a expressão do transportador de glicose GLUT-2 e da glucoquinase, comprometendo a captação e fosforilação da glicose nas células β pancreáticas. Isso resulta em menor produção de ATP e menor influxo de cálcio, essenciais para a secreção normal de insulina. Ainda, a exposição prolongada a glicocorticoides pode reduzir os efeitos insulinotrópicos do GLP-1, contribuindo para um quadro de hipoinsulinemia relativa. A secreção insuficiente de insulina, associada à resistência periférica induzida por glicocorticoides, pode levar à hiperglicemia e tolerância à glicose diminuída (JANSSEN, 2022). 

O hipercortisolismo ao antagonizar a ação da insulina, perturbam o equilíbrio energético, desviando o fluxo de energia dos músculos para reservas de gordura abdominal. Os efeitos promovem a obesidade visceral e abdominal, resistência à insulina, fatores fisiopatológicos centrais da síndrome metabólica, a qual aumenta potencialmente o risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 (JANSSEN, 2022). 

A ativação exacerbada do sistema imunológico também está associada ao hipercortisolismo em situações de estresse psicológico, levando ao aumento da liberação de citocinas pró-inflamatórias. Esse processo inflamatório pode contribuir para o desenvolvimento de resistência à insulina e provocar alterações na homeostase da glicose, elevando o risco de disfunções metabólicas e aumentando a susceptibilidade a infecções (RAVI et al., 2021). 

Ademais, o estresse pode influenciar negativamente os hábitos de vida, especialmente entre aqueles que possuem menor habilidade para lidar com situações estressantes. Entre os comportamentos observados, destacam-se a ingestão excessiva de alimentos e episódios de hiperfagia, os quais podem prejudicar o equilíbrio metabólico e contribuir progressivamente para o desenvolvimento da resistência à insulina. Frequentemente, pessoas sob estresse tendem a recorrer a alimentos ricos em calorias como forma de aliviar a tensão emocional (YARIBEYGI et al., 2022). 

Nesse sentido, é importante mitigar o estresse psicológico para evitar desregulação no metabolismo da glicose e resistência à insulina. Estudos evidenciam que a atenção plena pode reduzir o surgimento da resistência à insulina, auxiliando as pessoas a gerenciar e se adaptar melhor ao estresse, além de promover maior consciência sobre hábitos saudáveis, como a melhoria da qualidade do sono e a prevenção do comer emocional (XUEZHANG et al., 2025). 

Para compreender melhor os benefícios dessa prática, é importante entender o conceito da atenção plena, a qual se caracteriza como um processo psicológico que promove uma atenção qualificada ao momento presente, envolvendo também a consciência que emerge dessa vivência intencional. Além de ser uma prática, a atenção plena pode ser considerada um atributo natural da mente humana, conhecido como atenção plena disposicional, o que significa que todos possuem, em diferentes níveis, a capacidade de estar atentos, mesmo sem treinamento específico, como a meditação. No entanto, essa capacidade inata pode ser desenvolvida e aprimorada por qualquer pessoa, inclusive em situações de estresse e distração, contribuindo para uma melhor regulação emocional (COSTA et al., 2025). 

Outra alternativa eficaz no manejo do estresse é o yoga, uma vez que estudos recentes apontam que a sua prática regular atua na redução do estresse por meio de múltiplos mecanismos psicológicos, incluindo a melhora na regulação emocional, aumento da atenção plena e redução dos pensamentos ruminativos (PARK et al., 2020). 

Além das práticas psicológicas, o eixo intestino-cérebro configura-se como um sistema de comunicação bidirecional que contribui para o equilíbrio funcional do trato gastrointestinal e exerce influência direta sobre aspectos cognitivos e comportamentais (MUNIR et al., 2024). Nesse sentido, a dieta psicobiótica, composta por alimentos fermentados e prebióticos, está associada à redução significativa da percepção de estresse em indivíduos saudáveis, além de contribuir para a maior estabilidade da microbiota intestinal, fator diretamente relacionado ao bem-estar mental (BERDING et al., 2022).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das evidências analisadas, conclui-se que a exposição crônica ao estresse psicológico tem impacto significativo sobre o metabolismo energético, principalmente por meio da ativação sustentada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e da elevação prolongada dos níveis de cortisol. Esse hipercortisolismo está fortemente associado à resistência à insulina, disfunção na secreção de insulina, aumento da adiposidade visceral e maior risco de desenvolvimento de síndrome metabólica e diabetes tipo 2. 

Além dos efeitos fisiológicos, o estresse psicológico influencia negativamente o comportamento alimentar e a qualidade de vida, contribuindo para um ciclo de desregulação metabólica. Diante disso, torna-se fundamental a adoção de estratégias de prevenção e controle do estresse, como práticas de atenção plena (mindfulness), yoga e dieta psicobiótica para promoção da saúde mental e incentivo a hábitos de vida saudáveis. 

Por fim, destaca-se a importância de futuras pesquisas que aprofundem os mecanismos moleculares envolvidos na relação entre estresse psicológico e resistência à insulina, bem como intervenções integradas que abordem simultaneamente fatores psicológicos e metabólicos para a promoção da saúde.  

REFERÊNCIAS  

BERDING, K. et al. Alimente seus micróbios para lidar com o estresse: uma dieta psicobiótica impacta a estabilidade microbiana e o estresse percebido em uma população adulta saudável. Molecular Psychiatry, [S.l.], v. 28, p. 601–610, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41380-022-01817-y. Acesso em: 15 mai. 2025. 

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JANCZURA, M. et al. Possíveis papéis do estresse psicológico e oxidativo na resistência à insulina: um estudo de coorte. Diabetology & Metabolic Syndrome, v. 12, p. 58, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s13098-020-00566-8. Acesso em: 10 mai. 2025. 

JANSSEN, J. A. M. J. L. New insights into the role of insulin and hypothalamic-pituitary-adrenal (HPA) axis in the metabolic syndrome. International Journal of Molecular Sciences, v. 23, n. 15, p. 8178, 2022. DOI: 10.3390/ijms23158178. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9331414/. Acesso em: 10 mai. 2025. 

KIVIMÄKI, M.; BARTOLOMUCCI, A.; KAWACHI, I. The multiple roles of life stress in metabolic disorders. Nature Reviews Endocrinology, v. 19, n. 1, p. 10–27, jan. 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10817208/. Acesso em: 06 abr. 2025. 

LEVINE, G. N. Estresse psicológico e doenças cardíacas: fato ou folclore? The American Journal of Medicine, v. 135, n. 6, p. 688–696, 2022. Disponível em: https://www.amjmed.com/article/S0002-9343(22)00137-1/fulltext. Acesso em: 07 abr. 2025. 

MEIJBOOM, F. S. et al. Adaptações no metabolismo hepático da glicose após estresse crônico de derrota social em camundongos. Scientific Reports, v. 14, p. 25511, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41598-024-76310-3. Acesso em: 10 mai. 2025. 

MOSILI, P. et al. A desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal em ratos machos Sprague Dawley pré-diabéticos induzidos por dieta. Nutrition & Metabolism (Londres), v. 17, p. 104, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12986-020-00532-1. Acesso em: 15 abr. 2024. 

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¹Faculdade Ages