FOOD INTRODUCTION FOR AUTISTIC CHILDREN: PRACTICAL STRATEGIES FOR HEALTHY EATING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510081016
Eliane de Sousa Serique¹
Dalma de Sousa Pereira¹
Orientadora: Rebeca Sakamoto Figueiredo²
Coorientador: David Silva dos Reis³
RESUMO
A introdução alimentar para crianças no Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um desafio complexo, demandando abordagens especializadas que transcendem as convencionais. As particularidades sensoriais, a rigidez comportamental e a frequente comorbidade gastrointestinal exigem estratégias pautadas na paciência e na individualização. Nesse sentido, o objetivo geral precede a investigar as estratégias baseadas em evidências para facilitar esse processo, considerando os ajustes necessários para uma nutrição adequada. A metodologia será conduzida por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, baseada na análise de artigos científicos, livros e diretrizes de saúde pública sobre introdução alimentar e transtorno do espectro autista, bem como uma revisão de literatura. A análise dos resultados aponta que o sucesso não está em fórmulas rígidas para se propor uma estratégia alimentar para uma criança autista, mas na compreensão de transformar a hora da refeição de um campo de batalha em um espaço de descoberta e conexão. Conclui-se que a colaboração multiprofissional, envolvendo nutricionista, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, é fundamental para o desenvolvimento de um plano alimentar adaptado às singularidades de cada criança.
Palavras-chave: Introdução Alimentar, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Plano Alimentar.
ABSTRACT
Introducing solid foods to children with Autism Spectrum Disorder (ASD) presents a complex challenge, requiring specialized approaches that go beyond conventional methods. Sensory peculiarities, behavioral rigidity, and frequent gastrointestinal comorbidities necessitate strategies grounded in patience and individualization. In this sense, the overall objective is to investigate evidence-based strategies to facilitate this process, taking into account the necessary adjustments for adequate nutrition. The methodology will be conducted through a narrative literature review, based on the analysis of scientific articles, books, and public health guidelines on food introduction and autism spectrum disorder, as well as a literature review. The analysis of the results indicates that success does not lie in rigid formulas for proposing a dietary strategy for an autistic child, but in understanding how to transform mealtime from a battlefield into a space for discovery and connection. It is concluded that multiprofessional collaboration, involving nutritionists, occupational therapists, and speech therapists, is fundamental for the development of a dietary plan adapted to the singularities of each child.
Keywords: Introduction to Food, Autism Spectrum Disorder (ASD), Dietary Plan.
1. INTRODUÇÃO
A introdução alimentar é um marco fundamental no desenvolvimento infantil, representando um desafio singular e complexo para crianças no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este processo, que vai além da simples nutrição, deve ser abordado com extrema paciência, entendimento e cautela, visando transformar o momento da refeição em uma fonte de prazer, aprendizado e desenvolvimento integral.
É fundamental a importância em todo o processo de desenvolvimento humano, a nutrição constitui-se elemento relevante em todas as etapas da vida, dentre as quais, as iniciais merecem destacada atenção, em vista da influência que exercem sobre as demais. Não por acaso, muitas das patologias observadas na fase adulta do ser humano guardam relação direta com a prática alimentar adotada na etapa infantil (GEUS et al., 2011).
A relevância do tema é corroborada por dados epidemiológicos. Segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos (2023), a prevalência do autismo atingiu 1 em cada 36 crianças, um aumento significativo em relação à taxa de 1 em cada 44 registrada em 2021 com base em dados de 2018. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (Who, 2023) aponta que aproximadamente 1 em cada 100 crianças recebe o diagnóstico de TEA.
Conforme elucidam SILVA e GOULART (2020), a semiologia do autismo manifesta-se precocemente, antes dos 30 meses de vida, comprometendo áreas cruciais para o desenvolvimento de competências comunicativas e de interação social. Este comprometimento se estende ao processamento sensorial.
Nesse âmbito, para aprimorar a qualidade de vida de tais sujeitos, é fundamental avaliar sua inclusão no processo de introdução alimentar, bem como compreender as abordagens terapêuticas nele aplicadas (Magagnin, Silva, Nunes, Ferraz & Soratto, 2021).
DIAS et. al. (2024, p. 3) relatam que o autismo é uma “condição complexa que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social”, onde “dificuldades na modulação e no processamento de estímulos sensoriais” podem resultar em reações extremas, tornando essencial intervenções de integração sensorial.
É neste contexto que a seletividade alimentar emerge como uma das características mais desafiadoras. DIAS et. al. (2024, p. 3) indagam que esta seletividade “representa desafio significativo não apenas para a saúde da criança, mas também para as dinâmicas familiares e sociais”, podendo levar à exclusão, estigmatização e a problemas de nutrição que impactam diretamente o desenvolvimento físico e emocional. Além das questões sensoriais, distúrbios gastrointestinais, como a redução na produção de enzimas digestivas e inflamação da parede intestinal, frequentemente exacerbam o quadro (CAETANO; GURGEL, 2018).
No entanto, apesar de muitos estudos estarem pautando as dietas específicas como uma forma de amenizar os sintomas cognitivos e comportamentais do autismo, ainda assim dietas como a sem glúten e sem caseína (GFCF), sem glúten (GFD) e a cetogênica (KD) têm sido propostas como terapias alternativas para o TEA como uma forma de aliviar sintomas gastrointestinais e comportamentais (YU et al., 2022).
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, segue abaixo a definição de Educação Alimentar Nutricional:
“Educação Alimentar e Nutricional no contexto do atendimento do Direito Humano à Alimentação Adequada e Segurança Alimentar estável e Nutricional é tanto um campo de conhecimento e de prática constante e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional quanto uma maneira de promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. “Deve-se refletir sobre a relação entre a prática da EAN e abordagens educacionais promotoras do diálogo. Devem ser consideradas todas as fases etárias dos grupos ou indivíduos abordados, em todas as etapas do sistema alimentar, as interações e significados que sustentam o comportamento alimentar.
Este desafio complexo, associado a fatores neurológicos e comportamentais, demanda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo nutricionistas, terapeutas ocupacionais e psicólogos para desenvolver planos personalizados que respeitem as singularidades de cada criança (CARREIRO, 2018).
Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo geral investigar as estratégias baseadas em evidências para facilitar esse processo, considerando os ajustes necessários para uma nutrição adequada. Para tal, propõe-se os seguintes objetivos específicos: i) determinar os principais problemas nutricionais enfrentados por crianças com TEA; ii) apresentar abordagens que beneficiem a aceitação de novos alimentos; e iii) propor orientações claras para pais e cuidadores, visando tornar a introdução alimentar uma experiência mais eficaz e menos estressante.
A finalidade última é fornecer informações úteis que promovam uma nutrição saudável e acessível, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento integral das crianças no espectro autista. Com paciência, criatividade e o suporte especializado adequado, é perfeitamente possível transformar a alimentação em um momento prazeroso e enriquecedor para a criança e sua família.
2. METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
Este estudo será conduzido por meio de uma revisão bibliográfica narrativa, baseada na análise de artigos científicos, livros e diretrizes de saúde pública sobre introdução alimentar e transtorno do espectro autista, bem como uma revisão de literatura.
A pesquisa busca compreender por meio de um levantamento bibliográfico as principais dificuldades enfrentadas por essas crianças e quais estratégias já foram validadas cientificamente para auxiliar no processo alimentar, com o objetivo de atualizar o conhecimento sobre um tema determinado (PEREIRA et al., 2018).
Para os critérios de inclusão, definiu-se: artigos originais na língua inglesa e portuguesa dos últimos 10 anos, que abordam a introdução alimentar em crianças autistas.
Para os critérios de exclusão, definiu-se: artigos acima de 10 anos de publicação, artigos incompletos, editores, carta de editores e artigos de outros idiomas.
2.2 Coleta de dados
As informações serão obtidas a partir de revistas científicas, livros e periódicos, por meio de uma pesquisa eletrônica de literatura utilizando a base do Google Acadêmico, com os seguintes descritores: “transtorno no espectro autismo”, “seletividade alimentar” e “transtorno do processamento sensorial”.
2.3 Análise de dados
Os dados serão avaliados e discutidos a partir dos estudos incluídos. Serão apresentados os objetivos, os métodos, os resultados e a discussão dos estudos, com objetivo de proporcionar uma melhor compreensão do estudo realizado.
3. RESULTADO E DISCUSSÃO
A introdução alimentar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um processo complexo que exige estratégias adaptadas às suas necessidades sensoriais, comportamentais e nutricionais (OLIVEIRA; SOUZA, 2022; ARAÚJO et al., 2024). Esta seção tem por objetivo discutir os principais achados da literatura científica brasileira recente, com base em oito estudos selecionados, dos quais quatro foram classificados como experimentais e quatro como descritivos.
Quadro 01– Síntese dos estudos sobre seletividade alimentar e aspectos nutricionais no Transtorno do Espectro Autista (TEA)
| Autor (Ano) | Título | Objetivo | Parâmetros avaliados |
Araújo et al. (2024) | Explorando a seletividade alimentar em indivíduos autistas: causas, impactos e estratégias de intervenção | Analisar a seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista(TEA), a partir de uma revisão de literatura. | As crianças que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam uma tendência significativamente maior a desenvolver seletividade alimentar, levando-as a recusar alimentos com base em diferentes características, como textura, consistência, sabor, aroma, combinações, marca e formato. As intervenções analisadas mostraram resultados positivos ao ampliar o leque alimentar. |
Bottan et al. (2019) | Analisar a alimentação de autistas por meio de revisão de literatura | Analisar a alimentação de autistas por meio de revisão de literatura, abordando a prevalência de autismo, seletividade alimentar e os alimentos mais ou menos consumidos por este grupo de indivíduos. | Os resultados apontaram que existe tendência de maior consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, já as restrições foram por alimentos que contém proteínas, vitaminas e sais minerais. |
Caetano, Gurgel (2018) | Perfil nutricional de crianças portadoras do transtorno do espectro autista | Avaliar o estado nutricional e o consumo alimentar de crianças portadoras do transtorno do espectro autista (TEA) | Das 26 crianças avaliadas, 10 (38,5%) apresentaram sobrepeso (23,1%, n=6) e obesidade (15,38%, n=4) pelo IMC/I (Índice de Massa Corporal para Idade), bem como 10 crianças (38,5%) apresentaram risco de sobrepeso. O consumo de energia (EER) esteve acima do recomendado para 14 (53,85%) dos autistas. Identificou-se inadequação no consumo de vitamina A (77%, n=20), vitamina B6 (58%, n=15) e cálcio (50%, n=13). |
Coelho, et. al. (2008) | Relato de caso: privação sensorial de estímulos e comportamentos autísticos | Relatar o caso de uma criança que apresenta características autísticas e sofreu privação de estímulos por negligência materna. | Os resultados da intervenção fonoaudiológica, de acordo com os objetivos propostos apresentados, foram os seguintes: a criança aumentou o tempo de contato ocular com as terapeutas, passou a aceitar o contato corporal e a demonstrar um maior interesse pelos objetos, permanecendo mais tempo em determinadas atividades, iniciando as vocalizações indiferenciadas em momentos de prazer e diminuindo os movimentos repetitivos. |
Lázaro et.al. (2018) | Transtorno do Espectro Autista: estudo de validação | Construir os itens e realizar a validade de conteúdo e construção da Escala de Comportamento Alimentar do Autismo. | Dos 53 itens inicialmente desenvolvidos para o estudo do construto, 33 mostraram-se válidos para a avaliação do atributo e três foram acrescentados, compondo a segunda versão da escala, que foi respondida por 130 pessoas. Dos 35 itens que permaneceram após a primeira análise fatorial, 26 mostraram-se válidos para a avaliação do atributo e foram distribuídos em sete dimensões: motricidade na mastigação, seletividade alimentar, habilidades nas refeições, comportamento inadequado relacionado às refeições, comportamentos rígidos relacionados à alimentação, comportamento opositor relacionado à alimentação, alergias e intolerância alimentar. A estrutura final da escala ficou composta por 26 itens, distribuídos em sete fatores, apresentando um valor geral de confiabilidade de 0,867. |
| Oliveira, Souza (2022) | Terapia com base em integração sensorial em um caso de Transtorno do Espectro Autista com seletividade alimentar | Analisar a relação entre seletividade alimentar e a disfunção do processamento sensorial em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e acompanhar sua evolução com abordagem terapêutica de intervenção sensorial. | Foi identificada alteração significativa no Perfil Sensorial, principalmente nos sistemas que estão relacionados com a alimentação, confirmando as dificuldades sensoriais de crianças com TEA e sua interface com seletividade alimentar. O tratamento de terapia ocupacional com abordagem de integração sensorial obteve resultados favoráveis na aceitação dos alimentos e diminuição da seletividade. |
| Pavão, Cardoso (2021) | A influência da alimentação saudável em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) | Realizar uma revisão da literatura sobre a influência de uma alimentação saudável em crianças com transtorno do espectro autista (TEA). | Compreendeu-se que as sensibilidades alimentares desenvolvidas pelas crianças com TEA, como a seletividade alimentar, deficiência de ferro, e alergia alimentar afeta a ingestão nutricional adequada, que influencia a saúde, comportamento e apresentação clínica do transtorno. |
| Ribeiro, et. al. (2023) | Avaliação do estado nutricional em crianças com autismo: desafios e recomendações | Avaliar de forma abrangente o estado nutricional em crianças com autismo, identificando desafios alimentares e deficiências nutricionais específicas. | Estes resultados evidenciam a importância de uma intervenção nutricional personalizada para crianças autistas, com o objetivo de melhorar o seu estado nutricional e, consequentemente, a sua saúde e qualidade de vida. |
Fonte: autoria Própria, 2025
O Quadro 1 destaca resultados que confirmam que crianças com TEA apresentam alta seletividade alimentar: recusa baseada em textura, sabor, aroma, consistência e outros elementos sensoriais (ARAÚJO et al., 2024; OLIVEIRA; SOUZA, 2022). Esse achado se alinha com estudos brasileiros recentes, como o de Seletividade Alimentar no Transtorno do Espectro Autista (BRAZILIAN JOURNALS, 2024), o qual aponta que até 80% das crianças com TEA manifestam transtornos alimentares que se expressam sobretudo por aversões sensoriais.
No estudo Terapia Nutricional como Estratégia na Seletividade (BONFIM, 2024), consta que intervenções nutricionais, associadas ao uso de probióticos, mostram eficácia em reduzir sintomas gastrointestinais e melhorar tolerância a certos alimentos, corroborando CAETANO & GURGEL (2018) que identificaram carências de micronutrientes. Isso reforça que além da psicologia alimentar existe uma base fisiológica relevantíssima.
Além disso, estudos como “Comportamento Alimentar de Crianças com TEA” (LEMES, 2023) confirmam rigidez comportamental e predileção por alimentos ultraprocessados ou com sabores e texturas “seguras”, já observadas por PAVÃO & CARDOSO (2021) e BOTTAN et al. (2019). Essa tendência de consumo reduzido de frutas e vegetais é um padrão presente em diversas pesquisas nacionais.
Outra evidência atual refere-se às dietas alternativas como GFCF ou outras intervenções que restringem glúten e caseína. Um artigo de 2024 conclui que tais dietas ainda têm evidência limitada e incerta para resultados consistentes, o que contrabalança as narrativas mais otimistas presentes no Quadro (YU et al., 2022).
Estudos recentes também reforçam o papel central dos pais e cuidadores: Mothers narratives about food selectivity and autism (2023) relata que mães se sentem exaustas e que a refeição conjunta é fonte de estresse, evidenciando a necessidade de suporte emocional e educacional para famílias. Tal aspecto confirma os achados de COELHO et al. (2008) e de PAIVA & GONÇALVES (2020) quanto à educação e capacitação familiar.
Por fim, há trabalhos recentes que destacam a importância de intervenções de integração sensorial e de terapias ocupacionais. Um estudo de caso de 2024 aponta que o acompanhamento terapêutico sensorial melhorou a aceitação de alimentos novos em crianças com TEA, coincidindo com os resultados de OLIVEIRA & SOUZA (2022).
3.1 Principais desafios enfrentados na introdução alimentar de crianças com TEA
A seletividade alimentar é uma das manifestações mais recorrentes em crianças com TEA, sendo frequentemente atribuída a alterações nos sistemas sensoriais. Crianças autistas podem apresentar aversão a texturas, sabores, temperaturas e até à cor dos alimentos, o que dificulta a diversidade alimentar (OLIVEIRA; SOUZA, 2022). A seletividade, nesse sentido, vai muito além de uma mera preferência alimentar: trata-se de um sintoma que pode comprometer a nutrição e o crescimento adequado.
Outro desafio está relacionado à rigidez comportamental, característica comum no espectro autista. Crianças com TEA tendem a se apegar a rotinas e são mais resistentes a mudanças, inclusive no contexto alimentar. Isso se traduz em uma recusa persistente a experimentar novos alimentos e insistência em consumir apenas determinados tipos ou marcas (ARAÚJO et al., 2024).
Os problemas gastrointestinais também têm sido apontados como fatores que agravam a seletividade alimentar. Estudos indicam que distúrbios como constipação, refluxo e desconfortos abdominais são comuns em crianças com TEA, influenciando diretamente suas escolhas alimentares (PAVÃO; CARDOSO, 2021). Tais sintomas podem gerar associações negativas com certos alimentos, levando à recusa mesmo sem hipersensibilidade sensorial.
Os aspectos emocionais e comportamentais também interferem na introdução alimentar. Episódios de estresse durante as refeições, como força e insistência para comer, podem piorar a aversão alimentar e fortalecer o comportamento de recusa (MORAES et al., 2021). Assim, o manejo inadequado das refeições no ambiente domiciliar pode contribuir para o agravamento do problema.
Além disso, a falta de conhecimento por parte dos cuidadores sobre os desafios alimentares das crianças com TEA pode dificultar ainda mais o processo. Muitos pais não reconhecem a seletividade como uma questão clínica e acabam reforçando comportamentos alimentares inadequados. Por isso, é essencial capacitar os familiares com orientações e suporte especializado (RIBEIRO et al., 2023).
Finalmente, estudos como o de CAETANO e GURGEL (2018) revelam que a seletividade alimentar, quando não manejada adequadamente, pode resultar em deficiências nutricionais graves. Carências de vitamina A, B6, cálcio e ferro são frequentemente observadas, podendo comprometer o desenvolvimento cognitivo e imunológico das crianças.
Para enfrentar os desafios alimentares associados ao TEA, diversas estratégias práticas têm sido propostas e avaliadas na literatura. Uma das mais eficazes é a exposição repetida e gradual aos alimentos recusados, promovendo a familiarização da criança com o alimento antes de sua ingestão. Essa técnica, baseada em aproximações sucessivas, permite que o alimento seja explorado sensorialmente, sem pressão, o que reduz a ansiedade e aumenta a aceitação (MONTEIRO et al., 2020).
Outra intervenção eficaz é o uso de reforçadores positivos, como elogios, recompensas simbólicas ou atividades prazerosas após a aceitação de um novo alimento. Essa abordagem comportamental tem mostrado bons resultados na ampliação do repertório alimentar, especialmente quando aplicada de forma consistente por cuidadores e profissionais (YU et al., 2022).
A criação de rotinas estruturadas durante as refeições também é uma ferramenta essencial. Crianças com TEA beneficiam-se de previsibilidade e organização, fatores que minimizam o estresse e a resistência. Refeições realizadas no mesmo horário, com utensílios e ambientes familiares, contribuem para um contexto mais tranquilo e favorável à alimentação (PAIVA; GONÇALVES, 2020).
Intervenções sensoriais, conduzidas por terapeutas ocupacionais, têm sido incorporadas aos programas de alimentação. Essas intervenções visam regular os sistemas sensoriais e desenvolver tolerância a diferentes texturas, temperaturas e consistências. Resultados positivos foram observados em estudos que utilizaram abordagens de integração sensorial (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).
Outras estratégias incluem o envolvimento da criança na preparação das refeições, o que pode aumentar o interesse pelos alimentos e estimular a curiosidade. A manipulação dos ingredientes antes da ingestão permite um contato inicial mais lúdico, reduzindo barreiras de aceitação (BORILLI et al., 2022).
Por fim, destaca-se a necessidade de educação alimentar junto aos cuidadores. O suporte e a orientação aos pais é fundamental para que compreendam as necessidades alimentares da criança, adotem práticas adequadas e mantenham a constância das intervenções. Famílias bem orientadas tendem a apresentar melhores resultados na adesão das crianças a dietas saudáveis (CARDOSO; LIMA; CAMPOS, 2019).
3.2 Importância da abordagem multiprofissional
A complexidade dos sintomas apresentados por crianças com TEA exige uma abordagem integrada e multidisciplinar. A participação de profissionais como nutricionistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos é essencial para que as estratégias alimentares sejam planejadas e executadas com sucesso (RIBEIRO et al., 2023). Cada profissional contribui com uma perspectiva complementar, considerando aspectos sensoriais, comportamentais e nutricionais.
Nutricionistas desempenham papel central na avaliação do estado nutricional e na elaboração de cardápios personalizados, adequados à seletividade alimentar e às carências nutricionais identificadas. O acompanhamento regular possibilita ajustes ao longo do tempo, respeitando as fases do desenvolvimento da criança (MENDES et al., 2024).
Os terapeutas ocupacionais, por sua vez, contribuem com a regulação sensorial, fundamental para a aceitação de novos alimentos. Por meio da terapia de integração sensorial, é possível reduzir a hipersensibilidade a texturas e cheiros, preparando a criança para vivências alimentares mais amplas e variadas (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).
A fonoaudiologia é outro pilar importante nesse processo. Fonoaudiólogos podem atuar na melhora da mastigação, deglutição e coordenação motora oral, aspectos muitas vezes comprometidos em crianças com TEA. Além disso, esses profissionais também auxiliam na comunicação das preferências alimentares e na expressão de desconfortos durante as refeições (COELHO et al., 2008).
A atuação psicológica se faz necessária para o manejo das questões emocionais relacionadas à alimentação. Crises, birras e ansiedade nas refeições podem ser compreendidas e manejadas com apoio especializado. Intervenções comportamentais, como o uso de ABA (Applied Behavior Analysis), mostram-se eficazes no ensino de novos comportamentos alimentares (TEIXEIRA et al., 2022).
Esse trabalho conjunto entre os profissionais permite um olhar mais sensível e abrangente sobre a criança, valorizando suas potencialidades e respeitando suas limitações. A participação da família nesse processo é crucial, pois são os pais e cuidadores que darão continuidade às práticas em casa, tornando-as consistentes e eficazes (PAIVA; GONÇALVES, 2020).
3.3 O papel dos pais e cuidadores
O envolvimento da família no processo de introdução alimentar de crianças com TEA é fundamental. Os pais e cuidadores atuam como mediadores entre a criança e o alimento, sendo responsáveis pela aplicação das estratégias terapêuticas no contexto domiciliar. Sua participação ativa pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso das intervenções propostas pelos profissionais (MENDES et al., 2024).
O vínculo afetivo entre pais e filhos facilita o processo de aceitação alimentar. Quando a criança se sente segura e acolhida, a ansiedade é reduzida e as chances de aceitar novos alimentos aumentam. Refeições realizadas em um ambiente calmo, com presença familiar positiva, contribuem para uma experiência alimentar mais agradável (PAIVA; GONÇALVES, 2020).
Além disso, é necessário que os cuidadores estejam devidamente orientados sobre os desafios alimentares do TEA. Isso inclui compreender as particularidades sensoriais da criança, saber identificar sinais de desconforto, respeitar os limites individuais e persistir com empatia nas tentativas de introdução alimentar (CARDOSO; LIMA; CAMPOS, 2019).
Educação alimentar e nutricional dirigida às famílias também é uma ferramenta essencial. Ela visa promover o conhecimento sobre alimentação balanceada, reconhecer alimentos saudáveis e estimular hábitos alimentares desde a primeira infância. Tais práticas reverberam positivamente na saúde da criança e de toda a família (ROLAND; ALMEIDA, 2016).
Outro ponto importante é o exemplo. Crianças aprendem por imitação e tendem a repetir comportamentos alimentares observados em seus cuidadores. Assim, é fundamental que os adultos se alimentem de forma variada e saudável, demonstrando satisfação ao consumir alimentos novos, o que pode estimular a curiosidade e a aceitação infantil (EVÊNCIO; FERNANDES, 2019).
Por fim, deve-se ressaltar que o processo é gradual e exige paciência. Cada avanço, por menor que seja, representa um progresso importante. O encorajamento e a persistência são aliados no enfrentamento das dificuldades alimentares em crianças com TEA, promovendo autonomia e qualidade de vida (PEREIRA, 2019).
3.4 Hábitos e problemas nutricionais mais frequentes nas crianças com TEA
Crianças com TEA costumam apresentar padrões alimentares restritivos, os quais resultam em deficiências nutricionais importantes. A preferência por alimentos ricos em carboidratos e industrializados, aliada à rejeição de frutas, legumes e vegetais, compõem um quadro de preocupante baixa diversidade alimentar (CAETANO; GURGEL, 2018).
Essas preferências estão fortemente ligadas às questões sensoriais. Texturas, cheiros, temperaturas e cores provocam reações negativas em muitas crianças autistas, resultando na recusa sistemática de certos grupos alimentares. A hipersensibilidade sensorial é uma característica marcante no TEA, interferindo diretamente na alimentação (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).
Consequentemente, essas limitações alimentares estão associadas a déficits em micronutrientes essenciais, como ferro, vitamina A, vitamina B6 e cálcio. Esses nutrientes são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, imunológico e físico, e sua carência pode comprometer o crescimento da criança (CAETANO; GURGEL, 2018).
Além das questões sensoriais, aspectos comportamentais também interferem nos hábitos alimentares. A rigidez de rotina, a neofobia alimentar (medo de alimentos novos) e o comportamento opositor dificultam ainda mais a ampliação do repertório alimentar (LIMA et al., 2023).
Outro problema frequente é o baixo apetite. Algumas crianças com TEA sentem pouca fome ou não reconhecem os sinais fisiológicos de fome e saciedade, tornando as refeições imprevisíveis. Isso reforça a importância da estruturação de rotinas e do oferecimento regular de refeições (JOHNSON, 2016).
Esses dados reforçam a necessidade de diagnóstico precoce das deficiências nutricionais, bem como a implantação de estratégias que considerem não apenas o valor nutricional dos alimentos, mas também os fatores sensoriais e comportamentais envolvidos (RIBEIRO et al., 2023).
3.5 Estratégias para uma introdução alimentar saudável
A introdução alimentar em crianças com TEA deve seguir princípios de gradualidade e respeito às especificidades individuais. Técnicas como a exposição repetida, o uso de reforçadores positivos e o contato sensorial progressivo com os alimentos têm se mostrado eficazes (MONTEIRO et al., 2020).
O planejamento alimentar deve incluir alimentos com texturas e sabores similares aos já aceitos, aumentando progressivamente a variedade. Não se deve forçar a criança a comer, mas incentivá-la por meio de reforços positivos, como elogios e recompensas simbólicas (TEIXEIRA et al., 2022).
A participação da criança no preparo dos alimentos é também uma técnica eficaz. Essa interação promove curiosidade e senso de controle sobre o que está sendo oferecido, o que pode facilitar a aceitação de novos alimentos (EVÊNCIO; FERNANDES, 2019).
Intervenções sensoriais são frequentemente utilizadas, como o uso de terapia de integração sensorial realizada por terapeutas ocupacionais. Essa abordagem trabalha os sistemas sensoriais da criança e pode reduzir a aversão a alimentos de certas texturas ou cheiros (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).
Além disso, dietas específicas como a isenta de glúten e caseína (GFCF) ou a cetogênica têm sido estudadas. Embora alguns resultados apontem para melhorias em comportamentos autísticos, há necessidade de mais estudos com evidência robusta para recomendação ampla (YU et al., 2022; EL-RASHIDY et al., 2017).
O acompanhamento constante por equipe multiprofissional e a reavaliação das estratégias empregadas garantem a eficiência do processo. A alimentação, mais que uma necessidade biológica, passa a ser compreendida como um componente essencial do bem-estar e desenvolvimento da criança com TEA (RIBEIRO et al., 2023).
3.6 Orientações alimentares e construção de hábitos saudáveis
A orientação alimentar deve ser centrada na criação de rotinas estruturadas e previsíveis. Crianças com TEA sentem-se mais seguras quando inseridas em ambientes estáveis e com regras claras. Estabelecer horários fixos para as refeições, em locais tranquilos e com companhia acolhedora, é uma das principais recomendações (COELHO et al., 2008).
Envolver a criança no preparo da comida estimula a autonomia e o interesse pelo alimento. Ela pode participar de atividades simples, como lavar frutas, escolher ingredientes ou arrumar a mesa. Esse envolvimento cria uma conexão positiva com o ato de se alimentar (EVÊNCIO; FERNANDES, 2019).
Outras técnicas incluem a apresentação visual dos alimentos, o uso de práticos atrativos e o incentivo à experimentação voluntária. A criança deve ter a opção de tocar, cheirar e manipular o alimento antes de levá-lo à boca, sem pressão (CARREIRO, 2018).
Os pais devem estar preparados emocionalmente para lidar com a seletividade alimentar. A frustração, comum nesse processo, deve ser enfrentada com compreensão e apoio profissional. O suporte psicológico pode ser essencial para os cuidadores manterem a paciência e a consistência (BORILLI et al., 2022).
A educação alimentar, quando implementada no contexto familiar, traz benefícios para todos. Estimula-se uma cultura alimentar mais saudável, e a criança passa a fazer parte de uma rede de apoio que reforça os hábitos positivos (CARDOSO; LIMA; CAMPOS, 2019).
Por fim, a forma como os cuidadores encaram o processo de alimentação influencia diretamente na experiência da criança. Quando a comida é apresentada de forma leve, respeitosa e sem cobranças, ela se torna um momento de aprendizado, afeto e superação de desafios (PEREIRA, 2019).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A efetividade das estratégias práticas voltadas à introdução alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está intrinsecamente relacionada à adoção de uma abordagem centrada na criança, que reconheça e respeite a sua neurodiversidade. A alimentação deve ser compreendida como uma experiência sensorial e emocional, e não apenas como uma necessidade fisiológica. Nesse contexto, torna-se essencial construir uma relação positiva com os alimentos, livre de coerção e ansiedade, onde o progresso é avaliado tanto pela diversificação alimentar quanto pelo bem-estar psicossensorial da criança.
A literatura analisada reforça que a seletividade alimentar no TEA não se configura como um comportamento propositalmente resistente, mas como uma expressão legítima de diferenças neurológicas e sensoriais. Estratégias como a exposição gradual, a previsibilidade do ambiente alimentar, a adaptação do contexto sensorial e o uso de estímulos positivos demonstraram ser efetivas quando aplicadas com paciência, constância e respeito à individualidade. Essas estratégias, para além de promoverem a aceitação alimentar, favorecem o desenvolvimento da autonomia e da autorregulação emocional.
Outro ponto fundamental destacado nos estudos revisados é a atuação de uma equipe multiprofissional. A integração entre nutricionistas, terapeutas ocupacionais com formação em integração sensorial, fonoaudiólogos e psicólogos permite a elaboração de planos de intervenção mais realistas e personalizados, que levam em consideração as múltiplas dimensões do desenvolvimento infantil. A participação ativa dos pais e cuidadores também é indispensável, pois são eles os principais agentes de mediação e suporte no cotidiano da criança.
Em síntese, o sucesso da introdução alimentar em crianças com TEA deve ser medido pela sustentabilidade de hábitos saudáveis ao longo do tempo e pela qualidade de vida proporcionada à criança e à sua família. O foco não deve ser a obtenção de uma dieta perfeita, mas sim a construção progressiva de uma relação saudável e prazerosa com o ato de se alimentar. A presente revisão reforça a importância de se compreender a alimentação como uma prática inclusiva, afetiva e adaptada às necessidades específicas da neurodiversidade.
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1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: elianesousaalves135@gmail.com
1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: dalmadesousapereira@gmail.com
2Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.br
3Coorientador(a) do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela UNISANTOS. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br
