ESTRATÉGIAS DE VENDAS E SEU IMPACTO NO DESEMPENHO COMERCIAL DE PEQUENAS EMPRESAS 

SALES STRATEGIES AND THEIR IMPACT ON THE COMMERCIAL PERFORMANCE OF SMALL BUSINESSES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512151204


Paulo Cesar Barros dos Santos
Klayton Santana Porto


RESUMO 

O presente trabalho tem como objetivo analisar as estratégias de vendas utilizadas por pequenas  empresas e seu impacto no desempenho comercial. O estudo se justifica pela crescente  competitividade do mercado e pela necessidade de adaptação dos pequenos negócios às  exigências dos consumidores. Foi realizada uma pesquisa qualitativa com abordagem  exploratória, utilizando entrevistas semiestruturadas com gestores de pequenas empresas do  setor varejista e análise documental de relatórios de desempenho. Os dados foram analisados  por meio de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que estratégias como atendimento  personalizado, uso de redes sociais, promoções sazonais e fidelização de clientes tiveram  influência direta no aumento das vendas e na retenção de consumidores. As pequenas empresas  que adotaram planejamento estratégico e capacitação de equipe apresentaram melhor  desempenho comercial. Conclui-se que as estratégias de vendas são fundamentais para o  crescimento sustentável desses empreendimentos, contribuindo para sua competitividade e  permanência no mercado. 

Palavras-chave: desempenho; estratégias comerciais; fidelização; pequenas empresas. 

ABSTRACT 

This paper aims to analyze the sales strategies used by small businesses and their impact on  commercial performance. The study is justified by the growing market competitiveness and the  need for small businesses to adapt to consumer demands. A qualitative research with an  exploratory approach was carried out, using semi-structured interviews with small retail  business managers and documentary analysis of performance reports. Data were analyzed using  content analysis. The results showed that strategies such as personalized service, use of social  media, seasonal promotions, and customer loyalty had a direct impact on increasing sales and  customer retention. Small businesses that adopted strategic planning and team training  performed better commercially. It is concluded that sales strategies are fundamental for the  sustainable growth of these enterprises, contributing to their competitiveness and market  permanence. 

Keywords: performance; commercial strategies; loyalty; small businesses

1. INTRODUÇÃO 

No atual cenário de mercado, caracterizado por alta competitividade e constante  transformação, as pequenas empresas enfrentam inúmeros desafios para assegurar sua  sobrevivência e crescimento sustentável. Entre esses desafios, destacam-se a necessidade de  atrair e fidelizar clientes, acompanhar os avanços tecnológicos e adaptar-se às mudanças no  comportamento do consumidor. Nesse contexto, as estratégias de vendas emergem como  ferramentas fundamentais para alavancar o desempenho comercial, sobretudo em negócios que  operam com recursos limitados. 

Segundo Kotler e Keller (2012), o marketing de relacionamento e a diferenciação no  atendimento são pilares essenciais para a fidelização dos clientes. Reforçando essa perspectiva,  Oliveira (2020) argumenta que o investimento contínuo em capacitação e inovação configura  um diferencial competitivo para os pequenos empreendimentos. 

Com base em vivências práticas em ambientes empresariais de pequeno porte, observa-se que a ausência de estratégias bem definidas acarreta estagnação nas vendas e dificuldades na  consolidação da marca. Em contrapartida, empresas que adotam ações planejadas, investem na  capacitação de suas equipes e fazem uso de ferramentas digitais evidenciam melhorias  significativas nos resultados financeiros e na satisfação dos clientes. 

Diante desse panorama, o presente estudo tem como tema central a análise das  estratégias de vendas e sua influência sobre o desempenho comercial de pequenas empresas.  Para sustentar teoricamente a investigação, o trabalho se estrutura em três eixos principais: a  gestão da qualidade, o atendimento ao cliente em empresas de pequeno porte e a contribuição  da qualidade dos serviços prestados para o aumento das vendas. 

O objetivo geral da pesquisa é analisar de que modo as estratégias de vendas adotadas  por pequenas empresas influenciam seu desempenho comercial, à luz de aspectos relacionados  à gestão, atendimento ao cliente e qualidade dos serviços prestados. Como objetivos  específicos, temos: mapear as principais estratégias de vendas adotadas por pequenas empresas  do setor varejista; investigar a relação entre as estratégias de vendas e os indicadores de  desempenho comercial, como volume de vendas, fidelização de clientes e lucratividade; sugerir  melhorias nas práticas comerciais, com base na análise dos resultados obtidos e nas percepções  dos gestores entrevistados. 

A relevância deste estudo reside na possibilidade de contribuir para a profissionalização  da gestão comercial em micro e pequenas empresas, oferecendo subsídios teóricos e práticos  para empreendedores e gestores que almejam aprimorar seus resultados e manter-se competitivos em seus mercados de atuação. Além disso, trata-se de um tema atual e ainda pouco  explorado na literatura acadêmica, especialmente no contexto das pequenas organizações. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e caráter exploratório, sendo  desenvolvida com pequenas empresas do setor varejista situadas no município de São Miguel  do Guaporé. Os sujeitos da investigação foram gestores e proprietários desses  empreendimentos. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e análise  documental, sendo posteriormente organizados e interpretados à luz da técnica de análise de  conteúdo. 

As seções seguintes deste trabalho apresentam o diagnóstico do problema, a análise da  situação e as propostas de intervenção, seguidas das considerações finais e das contribuições  do estudo. 

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 Estratégias de Vendas 

As estratégias de vendas consistem em um conjunto de ações estruturadas e planejadas  com o propósito de atrair, conquistar e fidelizar clientes, promovendo não apenas o aumento do  faturamento, mas também o fortalecimento do posicionamento da marca no mercado. Conforme  afirmam Kotler e Keller (2012, p. 47), “vender não é apenas oferecer um produto ou serviço,  mas sim criar valor que atenda às expectativas do consumidor” reforça uma perspectiva  essencial para os pequenos negócios: a de que o sucesso comercial não se limita ao ato da venda,  mas envolve todo o processo de construção de percepção de valor. Em ambientes de alta  concorrência e recursos limitados, como o das pequenas empresas, essa geração de valor pode  ser alcançada por meio de estratégias como atendimento personalizado, flexibilidade no serviço  e envolvimento com a comunidade local. Dessa forma, a venda torna-se uma extensão do  relacionamento construído entre empresa e cliente — um reflexo da confiança estabelecida e  da relevância percebida pelo consumidor. 

Churchill e Peter (2012) destacam que a definição da estratégia de vendas deve estar em  consonância com o comportamento do consumidor e com o posicionamento da marca,  assegurando, assim, coerência entre as ações comerciais adotadas e as demandas do público alvo. Tal alinhamento favorece a construção de uma proposta de valor mais eficaz e relevante. 

Nesse sentido, McDonald e Wilson (2016) classificam as estratégias de vendas em  diretas e indiretas. As diretas envolvem contato pessoal com o cliente, como no atendimento  presencial ou por telefone. Já as indiretas se dão por meio de canais digitais, como redes sociais, e-mail marketing e anúncios publicitários. Os autores observam que “o marketing multicanal  permite que a empresa esteja presente onde o cliente está, aumentando as chances de conversão”  (McDONALD; WILSON, 2016, p. 134). 

Portanto, a escolha e implementação apropriada das estratégias de vendas influenciam  diretamente os resultados comerciais, afetando o volume de vendas, o grau de satisfação do  cliente e os índices de fidelização — aspectos que serão aprofundados nas seções subsequentes. 

2.2 Marketing de Relacionamento e Atendimento ao Cliente 

O marketing de relacionamento configura-se como uma abordagem estratégica voltada  para a construção e manutenção de vínculos duradouros com os clientes, priorizando a lealdade  e o engajamento contínuo em detrimento da simples aquisição de novos consumidores. Para  Gordon (1998), essa estratégia busca promover interações permanentes que gerem valor mútuo.  Grönroos (2004, p. 103) complementa: “o relacionamento eficaz com o cliente é construído  com base na confiança, compromisso e comunicação contínua” reforça a ideia de que o  marketing de relacionamento vai muito além de ações promocionais ou de fidelização  automatizada. No caso das pequenas empresas analisadas, esses três pilares se manifestam de  maneira prática e cotidiana, especialmente por meio da presença direta dos gestores no  atendimento, da escuta ativa das necessidades dos consumidores e da manutenção de canais  abertos de comunicação. Tais práticas, embora simples, têm impacto significativo na construção  de vínculos duradouros e na consolidação de uma base fiel de clientes, refletindo diretamente  no desempenho comercial e na sustentabilidade do negócio. 

Kotler e Keller (2012) argumentam que empresas bem-sucedidas concentram seus  esforços na retenção de clientes valiosos, por meio de estratégias de personalização e de um  atendimento atencioso e diferenciado. De acordo com Peppers e Rogers (2000, p. 67), “a personalização da experiência do cliente é o cerne do marketing de relacionamento, pois  permite oferecer soluções mais adequadas e aumentar a lealdade”. 

Em pequenas empresas, nas quais o relacionamento entre gestor e consumidor é, em  geral, mais direto e personalizado, o marketing de relacionamento pode representar um  diferencial competitivo expressivo. Ele contribui significativamente para a construção de vínculos emocionais, para a percepção positiva da marca e para a consolidação de uma base de  clientes fiéis. 

Dessa maneira, o marketing de relacionamento e a qualidade no atendimento devem ser  compreendidos como pilares que fortalecem as estratégias de vendas, ampliando os resultados  comerciais e a sustentabilidade das operações.

2.3 Desempenho Comercial e Indicadores de Resultado 

Para avaliar com precisão o desempenho comercial de uma empresa, é fundamental  utilizar indicadores quantitativos e qualitativos que revelem não apenas os resultados  financeiros, mas também a qualidade da relação com os clientes. Segundo o SEBRAE (2023),  os indicadores mais relevantes no contexto das pequenas empresas incluem: volume de vendas,  ticket médio, taxa de conversão, índice de recompra e nível de satisfação dos clientes. A seguir,  cada um desses indicadores é detalhado: 

Volume de vendas: refere-se à quantidade de produtos ou serviços vendidos em um  determinado período. Esse indicador permite avaliar o desempenho operacional da empresa em  termos de produtividade comercial. O crescimento no volume de vendas pode indicar boa  aceitação dos produtos, eficácia das estratégias promocionais e expansão do mercado atendido.  Para pequenas empresas, monitorar esse número ajuda a tomar decisões sobre estoque, metas e  sazonalidade das campanhas. 

Ticket médio: corresponde ao valor médio gasto por cada cliente em uma compra. É  calculado dividindo-se o faturamento pelo número de vendas. Um aumento no ticket médio  pode indicar maior valorização do cliente pelos produtos, estratégias bem-sucedidas de  upselling (venda de produtos mais caros) ou cross-selling (venda de produtos complementares).  Pequenas empresas podem utilizar esse indicador para ajustar mix de produtos e campanhas  personalizadas. 

Taxa de conversão: mede o percentual de consumidores que efetivamente compram após  o contato com a empresa, seja ele presencial, digital ou por telefone. É calculada dividindo-se  o número de vendas pelo número de atendimentos ou visitas. Uma taxa de conversão baixa  pode indicar falhas no atendimento, precificação inadequada ou falta de alinhamento entre  oferta e expectativa do cliente. Esse indicador é especialmente útil para empresas que investem  em divulgação digital e querem entender o retorno real dessas ações. 

Índice de recompra (ou taxa de fidelização): indica quantos clientes retornam para  comprar novamente. Trata-se de um indicador de lealdade e de satisfação com a experiência de  compra. Quanto maior a taxa de recompra, menor a dependência da empresa em relação à  aquisição constante de novos clientes — o que reduz custos e aumenta a previsibilidade de  receita. Programas de fidelidade e um bom pós-venda são estratégias diretamente associadas à  elevação deste índice. 

Nível de satisfação dos clientes: geralmente medido por meio de pesquisas qualitativas  ou questionários estruturados, esse indicador permite entender a percepção do cliente em relação ao produto, atendimento, ambiente, agilidade e solução de problemas. Ferramentas  como o NPS (Net Promoter Score) podem ser aplicadas, mesmo em pequenos negócios, para  identificar clientes promotores e detratores da marca. 

A aplicação sistemática desses indicadores permite às pequenas empresas um  monitoramento mais eficaz de suas estratégias comerciais, possibilitando ajustes rápidos,  decisões baseadas em dados e maior alinhamento entre as ações de vendas e as necessidades  dos clientes. Além disso, esses dados podem orientar melhorias contínuas, investimentos  prioritários e a construção de uma cultura organizacional voltada para resultados. 

2.4 Pequenas Empresas e Gestão Estratégica 

As pequenas empresas desempenham papel fundamental na economia brasileira,  especialmente na geração de empregos e na dinamização dos mercados regionais. No entanto,  enfrentam obstáculos estruturais recorrentes, como restrições de capital, dificuldade de acesso  a crédito e deficiência na formação gerencial (SEBRAE, 2023). 

Dornelas (2020, p. 59) aponta que “a falta de planejamento estratégico é um dos  principais fatores que levam ao fechamento precoce dos pequenos negócios”. Filion (2011)  observa que as pequenas empresas percorrem ciclos de vida — nascimento, crescimento,  maturidade e, por vezes, declínio — e que o domínio da gestão estratégica é indispensável para  a superação de cada uma dessas etapas. 

Timmons e Spinelli (2012) acrescentam que o empreendedorismo estratégico pressupõe  a identificação de oportunidades, o aproveitamento eficiente de recursos e a constante  adaptação às mudanças do mercado. Arruda e Pereira (2022) também ressaltam a importância  das redes de apoio e da capacitação continuada como elementos essenciais à sobrevivência das  micro e pequenas empresas (MPEs). 

Assim, a adoção de estratégias eficazes de vendas, marketing de relacionamento e gestão  de desempenho, como discutido anteriormente, depende da capacidade das MPEs de estruturar  uma gestão estratégica compatível com suas limitações e voltada para seu estágio de  desenvolvimento. 

2.5 Inovação, Digitalização e o Novo Perfil do Consumidor 

A inovação e a digitalização tornaram-se imperativos para a competitividade das  pequenas empresas. A incorporação de ferramentas digitais, como redes sociais, plataformas de  e-commerce, sistemas de CRM e automação de marketing, tem transformado profundamente o  modo como as empresas se conectam com seus clientes e promovem seus produtos.

Para Schumpeter (1985), a inovação é o motor do desenvolvimento econômico, sendo  fundamental para a adaptação das empresas às constantes transformações do ambiente de  negócios. Em consonância, Kotler et al. (2021), ao introduzirem o conceito de Marketing 5.0,  enfatizam o uso intensivo da tecnologia para proporcionar experiências mais personalizadas,  eficientes e emocionalmente significativas ao consumidor. 

O SEBRAE (2022, 2023) destaca que a pandemia de COVID-19 acelerou o processo de  digitalização nas micro e pequenas empresas, tornando a presença digital não apenas uma  vantagem competitiva, mas uma condição indispensável para a sobrevivência no mercado. 

Além disso, o novo perfil do consumidor caracteriza-se por uma postura mais exigente,  hiperconectada e orientada à experiência de compra. Esse comportamento demanda das  empresas constante inovação nos produtos, nos processos e nos canais de comunicação. 

Dessa forma, a incorporação da inovação e das tecnologias digitais às estratégias de  vendas, ao marketing de relacionamento e à gestão de desempenho é essencial para que as  pequenas empresas se mantenham competitivas, ampliem seu alcance e melhorem seus  resultados em um mercado cada vez mais dinâmico e exigente. 

3. METODOLOGIA 

Este estudo adota uma abordagem qualitativa e de caráter exploratório, adequada ao  propósito de compreender as percepções, experiências e interpretações de gestores de pequenas  empresas acerca das estratégias de vendas e de seus impactos no desempenho comercial. 

Conforme destaca Minayo (2001), a pesquisa qualitativa é indicada quando se busca  investigar fenômenos complexos em profundidade, considerando o universo simbólico dos  sujeitos envolvidos — seus significados, valores, aspirações e práticas sociais. A partir dessa  perspectiva, pretende-se interpretar a realidade sob a ótica dos participantes da pesquisa, o que  permite compreender de forma mais ampla os contextos e fatores subjetivos que influenciam  as decisões e práticas comerciais. 

Adicionalmente, trata-se de uma pesquisa exploratória, uma vez que o tema — os efeitos  das estratégias de vendas no desempenho comercial — ainda é pouco investigado no contexto  específico das pequenas empresas varejistas do município de São Miguel do Guaporé – RO.  Como afirma Gil (2008), as pesquisas exploratórias têm como finalidade proporcionar maior  familiaridade com o objeto de estudo, possibilitando sua delimitação e o levantamento de  hipóteses para futuras investigações. 

Dessa forma, a combinação entre a abordagem qualitativa e o caráter exploratório  justifica-se pela necessidade de compreender em profundidade a realidade singular das pequenas empresas locais e os fatores que influenciam sua atuação no cenário comercial  competitivo. 

A população deste estudo foi composta por uma pequena empresa do setor varejista,  situada no município de São Miguel do Guaporé, Estado de Rondônia. Para fins da presente  pesquisa, considera-se pequena empresa aquela que está formalmente constituída, conforme os  critérios da Lei Complementar nº 123/2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de  Pequeno Porte); possui até 20 colaboradores; e está em atividade no mercado local há, no  mínimo, dois anos. 

Esses critérios visam assegurar que a empresa participante tenha experiência  consolidada no mercado, de modo a permitir ao gestor uma análise reflexiva sobre as estratégias  de vendas adotadas e seus efeitos ao longo do tempo. 

A escolha do município de São Miguel do Guaporé, no estado de Rondônia, como recorte  territorial fundamenta-se em sua expressiva concentração de pequenos negócios, sobretudo no  segmento varejista, os quais desempenham papel relevante na economia local, contribuindo  para a geração de empregos e o abastecimento da população. Todavia, observa-se que muitos  desses empreendimentos enfrentam desafios relacionados à gestão comercial, o que reforça a  pertinência e a relevância desta pesquisa no referido contexto. 

A amostragem adotada foi do tipo não probabilística, por conveniência, sendo  selecionadas seis empresas que atenderam aos critérios previamente estabelecidos e  manifestaram interesse em participar do estudo. Tal estratégia de amostragem é compatível com  a abordagem qualitativa, uma vez que prioriza a obtenção de informações aprofundadas a partir  das experiências dos sujeitos envolvidos no fenômeno investigado. 

“Para a coleta de dados, foram utilizados questionários aplicados a gestores e  proprietários da empresa selecionada para o estudo. Ao todo, foram entrevistados três gestores,  identificados pelas siglas E1, E2 e E3, de modo a preservar sua identidade. O roteiro  contemplou questões relacionadas às estratégias de vendas, práticas de relacionamento com o  cliente, ações de fidelização e iniciativas de capacitação de equipes.” 

Os dados coletados foram analisados por meio da Análise Textual Discursiva (ATD),  uma metodologia qualitativa voltada à interpretação dos sentidos produzidos pelos sujeitos em  suas falas e discursos. Tal abordagem é especialmente adequada aos objetivos deste estudo, por  permitir explorar percepções, significados e construções simbólicas atribuídas ao fenômeno  investigado. 

De acordo com Moraes e Galiazzi (2016), a ATD estrutura-se em três movimentos  principais: a unitarização do material empírico (fragmentação dos textos em unidades de sentido), a categorização (agrupamento dessas unidades em categorias emergentes) e a  produção de um novo texto interpretativo, no qual o pesquisador articula os achados à luz dos  referenciais teóricos e dos objetivos da investigação. 

A escolha dessa metodologia justifica-se pela natureza complexa e subjetiva do objeto  de estudo — as estratégias de vendas e o desempenho comercial — que demanda uma análise  que vá além da descrição objetiva, captando também os elementos implícitos e simbólicos  presentes nos discursos dos gestores entrevistados. 

A seguir, apresenta-se o Quadro 1, que sistematiza a matriz da intervenção proposta  neste estudo. O quadro foi estruturado de forma a evidenciar os objetivos específicos, as ações  planejadas, as metas a serem alcançadas, os indicadores de acompanhamento, os recursos  necessários (humanos, materiais e equipamentos), bem como o prazo de execução e os  responsáveis por cada etapa. Essa organização possibilita uma visão integrada e prática das  estratégias sugeridas para fortalecer o desempenho comercial da empresa analisada. 

4. QUADRO 1: MATRIZ DA INTERVENÇÃO

Objetivos 
Específicos
Ações Metas Indicadores Recursos 
(humanos,  materiais, 
equipa
mentos)
Prazo Respon
sáveis
Mapear as principais  estratégias de vendas 
adotadas por pequena empresas
Aplicação de  entrevistas 
semiestruturadas e análise 
documental
Identificar pelo menos 5 estratégias  recorrentes entre os entrevista
dos
Número de estratégia identificadas e frequência de ocorrênciaEntrevistador, questionário,  gravador, 
computador
15 diasPesquisador  principal
Investigar a relação entre estratégias 
adotadas e os  indicadores de
desempenho comercial
Análise 
comparativa  entre práticas 
comerciais e resultados 
obtidos
Compreender os efeitos de pelo menos 3 estratégias nos
indicadores de venda
Relatório com 
correlações 
entre ações e 
indicadores
Relatórios 
internos das empresas, Excel, software de análise de 
conteúdo
20 diasPesquisador e equipe de apoio
Sugerir
melhorias nas práticas 
comerciais com base na análise dos resultados
Elaboração de relatório 
técnico com
recomendações e boas
práticas
Apresentar no mínimo 3 sugestões práticas para cada empresa 
participante
Número de 
recomendações entregues e aceitas pelas 
empresas
Word, 
impressora, reuniões presenciais ou online, 
materiais didáticos
10 diasPesquisador,  orientador, 
consultores
locais
Fortalecer o planejamento estratégico e capacitação nas pequenas empresas
participantes
Organização de workshop 
ou material de orientação prática (guia
simplificado)
Realizar 1 oficina e distribuir 1 material educativoNúmero de 
participantes e feedbacks 
coletados
Espaço físico ou ambiente 
virtual, projetor, 
cartilhas impressas ou 
digitais
15 diasIFRO, Sebrae local,  pesquisador
Fonte: Dados da pesquisa (2025).

“O Quadro 1 sintetiza as principais etapas propostas pela pesquisa para compreender e  fortalecer as práticas comerciais da empresa analisada. As ações foram organizadas em torno  de quatro objetivos específicos: mapear as estratégias de vendas, investigar sua relação com os  indicadores de desempenho, sugerir melhorias nas práticas comerciais e promover o  fortalecimento do planejamento estratégico e da capacitação. Cada objetivo foi detalhado com  as ações correspondentes, metas a serem alcançadas, indicadores de monitoramento, recursos  necessários, prazos de execução e responsáveis. Essa estruturação possibilita uma visão prática  e organizada das intervenções propostas, além de reforçar a aplicabilidade do estudo ao  contexto real da pequena empresa participante.” 

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A análise dos dados coletados por meio das entrevistas com gestores de seis pequenas  empresas do setor varejista em São Miguel do Guaporé – RO, aliada à avaliação de documentos  internos fornecidos por alguns desses empreendimentos, permitiu identificar as principais  estratégias de vendas adotadas, bem como compreender sua influência sobre os indicadores de  desempenho comercial. 

5.1 Principais Estratégias de Vendas Adotadas 

A investigação revelou que as estratégias mais recorrentes entre os participantes  foram: 

– Atendimento personalizado ao cliente; 

– Promoções sazonais (datas comemorativas, liquidações, etc.); 

– Uso ativo de redes sociais (Instagram, WhatsApp, Facebook); 

– Programas simples de fidelização (cartão fidelidade, brindes, descontos progressivos); – Capacitação informal da equipe de vendas; 

– Parcerias locais para divulgação cruzada. 

Essas estratégias foram adotadas com o objetivo de atrair novos consumidores e manter a  base de clientes fiéis. De acordo com os relatos dos gestores, ações como o atendimento  humanizado e a presença digital geraram resultados expressivos em curto prazo. Um dos  entrevistados destacou:

“Depois que comecei a responder todos os clientes no WhatsApp e postar ofertas diárias  no Instagram, as vendas aumentaram bastante, principalmente nas datas comemorativas.” (E2). 

Outro participante reforçou a importância do atendimento direto e próximo ao cliente:

Muitos clientes voltam porque gostam de ser bem atendidos, de conversar com a gente e sentir  que a empresa se preocupa com eles.” (E1). 

Já para o entrevistado E3, a fidelização ocorre por meio de vantagens simples, mas eficazes: “Quando oferecemos descontos progressivos e brindes, os clientes ficam motivados a comprar  mais e retornar à loja.” (E3).” 

“Uma das gestoras entrevistadas afirmou:

‘Depois que comecei a responder todos os clientes no WhatsApp e postar ofertas diárias no  Instagram, as vendas aumentaram bastante, principalmente nas datas comemorativas.’ (E2). 

Essa fala evidencia a importância do uso ativo das redes sociais como ferramenta estratégica  de vendas. Observa-se que a comunicação digital frequente e personalizada contribuiu  diretamente para o aumento do engajamento dos clientes e para o crescimento nas vendas em  períodos sazonais, reforçando o papel do marketing digital no desempenho comercial da  empresa.” 

5.2 Relação entre Estratégias e Desempenho Comercial 

A relação entre as práticas comerciais e o desempenho foi observada com base em  indicadores como aumento no volume de vendas, maior engajamento digital, crescimento no  número de clientes recorrentes e percepção de melhoria na imagem da marca. 

Empresas que investiram em capacitação da equipe relataram uma melhora perceptível  no atendimento ao cliente e na conversão de vendas. Já aquelas que combinaram redes sociais  com promoções estratégicas observaram aumento no fluxo de caixa em períodos específicos do  ano, como Dia das Mães, Natal e Black Friday. 

Os resultados obtidos estão em consonância com os autores Kotler e Keller (2012) e  McDonald e Wilson (2016), que destacam o papel das estratégias multicanais e da  personalização no fortalecimento do relacionamento com o consumidor e na elevação dos  índices de fidelização e recompra. 

5.3 Dificuldades e Oportunidades de Melhoria 

Apesar dos avanços, foi constatado que muitas das empresas ainda carecem de um  planejamento estratégico estruturado. As ações, em geral, são intuitivas ou reativas, sem acompanhamento de indicadores ou metas definidas. Isso evidencia a necessidade de  capacitação gerencial, uso de ferramentas simples de planejamento e maior acesso à informação  qualificada. 

Os próprios entrevistados apontaram carência de suporte técnico e desconhecimento  sobre estratégias de marketing mais avançadas, como CRM ou automação. “Uma das falas representativas foi: 

‘A gente faz o que dá pra fazer, mas não tem formação em gestão… então vamos aprendendo  no dia a dia.’ (E1). 

Essa fala evidencia a limitação gerencial enfrentada pelos pequenos empreendedores  locais, que, em muitos casos, não possuem formação específica em administração ou acesso a  capacitação formal. A ausência de conhecimento técnico e de ferramentas adequadas leva à  adoção de práticas intuitivas e reativas, o que compromete a estruturação de estratégias mais  consistentes de vendas e gestão. Tal cenário reforça a necessidade de programas de  capacitação e apoio direcionados a esse público, de modo a reduzir as fragilidades e ampliar  as oportunidades de crescimento sustentável.” 

5.4 Contribuição das Estratégias para o Posicionamento e Sustentabilidade

As práticas de vendas adotadas demonstraram potencial para fortalecer o  posicionamento competitivo das pequenas empresas analisadas, principalmente ao construir  vínculos de confiança com o consumidor e melhorar a experiência de compra. Conforme abordado por Grönroos (2004), o relacionamento contínuo e baseado na  confiança e comunicação gera valor duradouro para ambas as partes. As empresas que  conseguiram cultivar esse relacionamento relataram maior estabilidade nas vendas, mesmo em  períodos de baixa demanda. 

Em síntese, os resultados apontam que as estratégias de vendas, quando bem alinhadas à  realidade do pequeno negócio e ao perfil do cliente, têm impacto direto no desempenho  comercial, tornando-se não apenas uma ferramenta operacional, mas um diferencial estratégico  para sobrevivência e crescimento no mercado local. 

Essa percepção também foi evidenciada nas falas dos entrevistados. Um deles destacou: ‘Quando a gente consegue manter um bom relacionamento com os clientes, eles voltam e ainda  indicam para outras pessoas. Isso ajuda a empresa a se manter mesmo quando as vendas caem.’  (E2). 

Essa afirmação reforça a importância do relacionamento contínuo e baseado na confiança, como  discutido por Grönroos (2004), ao apontar que a lealdade do cliente é construída a partir de vínculos de confiança e comunicação. Além disso, está em consonância com Kotler e Keller  (2012), que enfatizam que a retenção de clientes por meio de estratégias de fidelização é menos  custosa e mais eficaz do que a constante busca por novos consumidores. 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente pesquisa permitiu compreender com maior profundidade como as estratégias  de vendas influenciam diretamente o desempenho comercial das pequenas empresas. Diante do  cenário competitivo e das rápidas transformações do mercado, torna-se imprescindível que  esses empreendimentos adotem práticas comerciais bem estruturadas, adaptadas ao seu público alvo e ao contexto socioeconômico em que estão inseridos. 

A partir da análise teórica e empírica realizada, observou-se que estratégias como o  atendimento personalizado, a presença ativa nas redes sociais, a realização de promoções  sazonais e os programas de fidelização representam ferramentas eficazes para atrair e manter  clientes. Tais práticas refletem positivamente não apenas nas vendas, mas também na imagem  institucional da empresa e na percepção de valor por parte do consumidor. 

Empresas que demonstraram maior organização em seu planejamento estratégico e  investiram na capacitação contínua da equipe foram capazes de se destacar no mercado local,  mesmo enfrentando limitações orçamentárias e de infraestrutura. A proatividade na busca por  inovação e a escuta ativa das necessidades dos clientes se mostraram determinantes para a  construção de um relacionamento sólido e duradouro com o público. 

Além disso, os dados apontam que muitas pequenas empresas ainda não exploram todo  o potencial das estratégias de marketing e vendas, seja por desconhecimento, falta de preparo  ou ausência de orientação adequada. Diante disso, torna-se evidente a necessidade de políticas  públicas, programas de capacitação e iniciativas de apoio ao empreendedorismo que incentivem  a gestão estratégica e o uso de ferramentas modernas de comercialização. 

Conclui-se, portanto, que o sucesso comercial das pequenas empresas está fortemente  atrelado à capacidade de adotar estratégias de vendas coerentes com sua realidade, mantendo-se flexíveis para acompanhar as tendências de mercado e as demandas dos consumidores. Dessa  forma, a adoção de práticas estratégicas não deve ser encarada como um diferencial, mas como  uma exigência para a permanência e o crescimento sustentável no cenário atual.

REFERÊNCIAS 

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TIMMONS, J. A.; SPINELLI, S. Empreendedorismo para a criação de novos negócios. 8.  ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2012.