NURSING STRATEGIES FOR THE HOLISTIC CARE OF MALE PATIENTS WITH BREAST CANCER
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512261024
Paula Eduarda da Silva Santos; Dayane Matias Lopes; Marli Otilia dos Santos; Cilianne Édila Leandro de Sousa; Arlan Erick dos Santos; Adriana Romão Moreira de Souza; Glaucia Margarida Bezerra Bispo; Micherllaynne Alves Ferreira Lins.
RESUMO
O câncer de mama masculino, embora raro, configura um agravo que apresenta importantes desafios diagnósticos, terapêuticos e psicossociais, frequentemente agravados pelo estigma, desconhecimento populacional e ausência de protocolos específicos para o público masculino. Este estudo teve como objetivo analisar as estratégias de enfermagem para o cuidado holístico do homem acometido por câncer de mama, por meio de uma revisão integrativa da literatura publicada entre 2019 e 2024. A pesquisa foi desenvolvida a partir da busca em bases científicas nacionais e internacionais, utilizando descritores controlados relacionadas ao câncer de mama masculino, cuidado de enfermagem e abordagem holística. Os resultados revelam que os homens diagnosticados com câncer de mama enfrentam barreiras relacionadas ao diagnóstico tardio, isolamento social, impacto na masculinidade, dificuldades de comunicação e lacunas no acompanhamento longitudinal. A síntese dos estudos destacou que a enfermagem desempenha papel essencial no acolhimento, na escuta qualificada, na educação em saúde, na redução do estigma, no fortalecimento da rede de apoio, no manejo de sintomas, na reabilitação e na construção de vínculos terapêuticos. Estratégias como comunicação terapêutica, acompanhamento contínuo, inclusão da família, planos de cuidados individualizados e atuação como navegadora do cuidado emergem como fundamentais para um cuidado integral e humanizado. Conclui-se que a prática de enfermagem, quando orientada por uma perspectiva holística e centrada na pessoa, contribui de forma significativa para a qualificação da assistência, melhoria da qualidade de vida e promoção do diagnóstico precoce, reforçando a necessidade de ampliação de pesquisas, capacitação profissional e inclusão do tema nas políticas públicas de saúde.
Palavras-chave: Câncer de mama masculino; Enfermagem; Cuidado holístico; Diagnóstico precoce; Saúde do homem.
ABSTRACT
Male breast cancer, although rare, presents significant diagnostic, therapeutic, and psychosocial challenges, often exacerbated by stigma, lack of public awareness, and the absence of specific protocols for men. This study aimed to analyze nursing strategies for the holistic care of men with breast cancer through an integrative literature review of publications from 2019 to 2024. The research was conducted using national and international scientific databases with controlled keywords related to male breast cancer, nursing care, and holistic approach. The results reveal that men diagnosed with breast cancer face barriers related to late diagnosis, social isolation, impact on masculinity, communication difficulties, and gaps in longitudinal follow-up. The synthesis of the studies highlighted that nursing plays an essential role in welcoming, active listening, health education, stigma reduction, strengthening the support network, symptom management, rehabilitation, and building therapeutic bonds. Strategies such as therapeutic communication, continuous follow-up, family inclusion, individualized care plans, and acting as a care navigator emerge as fundamental for comprehensive and humanized care. It is concluded that nursing practice, when guided by a holistic and person-centered perspective, contributes significantly to the qualification of care, improvement of quality of life, and promotion of early diagnosis, reinforcing the need for expanded research, professional training, and inclusion of the topic in public health policies.
Keywords: Male breast cancer; Nursing; Holistic care; Early diagnosis; Men’s health.
INTRODUÇÃO
O câncer de mama masculino, embora pouco frequente, constitui uma condição clínica relevante que desafia tanto o diagnóstico quanto a assistência em saúde. Representa aproximadamente 1% de todos os cânceres de mama e cerca de 0,2% de todas as neoplasias malignas, sendo responsável por apenas 0,1% das mortes por câncer em homens (JEMAL et al., 2009). Apesar de sua raridade, estudos recentes evidenciam que o agravo apresenta importantes repercussões biopsicossociais, frequentemente agravadas pelo desconhecimento geral da população masculina e pela invisibilidade do tema nos serviços de saúde (WHITE, 2011; SIEGEL, 2019). A literatura demonstra que o câncer de mama em homens costuma ser diagnosticado tardiamente, geralmente em estágios III e IV, contrastando com a detecção mais precoce observada entre mulheres. Esse diagnóstico tardio decorre, principalmente, da ausência de protocolos de rastreamento para a população masculina, da percepção de que a doença é “exclusivamente feminina” e do estigma associado à patologia, o que impacta negativamente a busca pelo cuidado e a adesão ao tratamento (GIORDANO, 2018; ANDERSON, 2004). Essa realidade contribui para trajetórias de cuidado marcadas por medo, isolamento, atraso no acesso e dificuldades na comunicação com a equipe de saúde.
Do ponto de vista biológico, o desenvolvimento do câncer de mama segue as etapas clássicas de iniciação, promoção e progressão, as quais podem ser influenciadas por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Entre os principais fatores de risco, destacam-se obesidade, sedentarismo, tabagismo, antecedentes familiares, alterações hormonais e envelhecimento (SILVEIRA et al., 2012). Entretanto, evidencia-se que aspectos psicossociais e culturais, como a construção social da masculinidade, também interferem de forma significativa no reconhecimento dos sinais e sintomas e na procura por serviços de saúde (NGUYEN et al., 2020; LEVIN-DAGAN & BAUM, 2021). Diante desse cenário, a Enfermagem assume papel central no cuidado ao homem acometido por câncer de mama, não apenas pela assistência clínica, mas também pela atuação educativa, preventiva, emocional e social. Estudos recentes (2019–2024) apontam que a prática de enfermagem deve ser orientada por um cuidado holístico, capaz de compreender as especificidades masculinas, reduzir o estigma, promover apoio psicológico e facilitar a navegação do paciente pelos diferentes níveis de atenção (HALBACH et al., 2020; ABBOAH-OFFEI et al., 2024). As intervenções de enfermagem incluem estratégias de educação em saúde, comunicação empática, apoio à autoestima, fortalecimento do suporte social, articulação interprofissional e seguimento longitudinal. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar as estratégias de enfermagem para o cuidado holístico do paciente masculino com câncer de mama, considerando evidências científicas dos últimos cinco anos (2019 a 2024). Busca-se ainda destacar a importância da detecção precoce, compreender as necessidades biopsicossociais dos homens acometidos e reforçar a urgência de incorporar essa temática nas políticas de saúde e nos processos de formação profissional, contribuindo para um cuidado mais integral, equitativo e humanizado.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que permite reunir, organizar e sintetizar resultados de estudos relevantes sobre um fenômeno específico, proporcionando uma compreensão ampla e aprofundada da temática estudada. Para a construção desta revisão, seguiram-se as etapas metodológicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008), que incluem: definição da questão norteadora, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão, busca nas bases de dados, seleção dos estudos, avaliação metodológica, categorização e síntese dos achados.
A questão norteadora foi elaborada com base na estratégia PICO, adaptada às particularidades desta pesquisa, resultando no seguinte questionamento: “Quais estratégias de enfermagem têm sido evidenciadas na literatura recente para o cuidado holístico do paciente masculino com câncer de mama?”. A partir dessa formulação, definiram-se os critérios de inclusão e exclusão dos estudos. Foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2024, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem o câncer de mama masculino e apresentassem, direta ou indiretamente, elementos relacionados ao cuidado de enfermagem, especialmente aqueles voltados para ações educativas, acolhimento, apoio psicossocial, coordenação de cuidados, comunicação terapêutica ou manejo clínico. Excluíram-se estudos duplicados, editoriais, cartas ao editor, resumos de eventos, dissertações, teses e materiais que não contemplassem evidências aplicáveis à prática de enfermagem ou que tratassem exclusivamente do câncer de mama feminino.
A busca dos estudos ocorreu entre janeiro e fevereiro de 2025 nas seguintes bases de dados eletrônicas: PubMed/MEDLINE, CINAHL, SciELO, LILACS, Scopus e Web of Science, selecionadas por sua abrangência e relevância na área da saúde. Para ampliar a precisão da busca, utilizaram-se descritores controlados (MeSH e DeCS) combinados a palavras-chave livres, empregando operadores booleanos AND e OR. Entre os termos utilizados destacam-se: “Male Breast Cancer”, “Breast Neoplasms, Male”, “Nursing Care”, “Holistic Nursing”, “Patient-Centered Care”, “Supportive Care” e “Psychosocial Support”. As combinações foram ajustadas conforme as especificidades de cada base de dados, garantindo sensibilidade e especificidade na identificação dos estudos.
Após a busca inicial, realizou-se a triagem dos resultados em três etapas: leitura de títulos, leitura de resumos e leitura dos artigos na íntegra. Dois revisores procederam à seleção dos estudos de maneira independente, e as divergências foram resolvidas por consenso, garantindo maior rigor metodológico.
Os dados foram extraídos e organizados em um instrumento próprio contendo informações sobre autoria, ano de publicação, país de origem, objetivos, metodologia empregada, principais resultados e implicações para a prática de enfermagem. A análise seguiu o método de síntese temática, que possibilita agrupar achados semelhantes e identificar padrões teóricos. Dessa forma, emergiram categorias que representam os principais eixos do cuidado holístico de enfermagem ao paciente masculino com câncer de mama, abrangendo: educação em saúde e comunicação terapêutica; apoio emocional e fortalecimento da identidade masculina; coordenação do cuidado e navegação em saúde; suporte à família e rede social; manejo clínico, reabilitação e controle de sintomas; além do acolhimento de dimensões espirituais e psicossociais.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos estudos selecionados permitiu identificar um conjunto consistente de evidências acerca das necessidades específicas dos homens acometidos pelo câncer de mama e, sobretudo, sobre o papel essencial da enfermagem no desenvolvimento de estratégias de cuidado holístico. Os achados, provenientes de pesquisas qualitativas, quantitativas e de métodos mistos publicadas entre 2019 e 2024, revelam que o enfrentamento dessa patologia envolve dimensões físicas, emocionais, sociais e identitárias, exigindo da enfermagem uma atuação sensível, integrada e centrada na pessoa.
Ao sintetizar essas evidências, foi possível organizar um quadro 1 que apresenta as principais estratégias de cuidado identificadas na literatura, destacando tanto o manejo clínico quanto o apoio psicossocial, a comunicação terapêutica, a educação em saúde, o fortalecimento da autonomia e a coordenação do cuidado ao longo da trajetória da doença. A seguir, esses achados são apresentados e discutidos, considerando a relevância das intervenções de enfermagem para a melhoria da qualidade de vida, redução do estigma e promoção do cuidado integral ao paciente masculino com câncer de mama.
Identificou-se um total de 417 artigos que se relacionavam ao tema. Porém, após uma análise minuciosa desses escritos, apenas 15 se enquadraram nos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos para a pesquisa.
Quadro 1 – Estratégias de Enfermagem para o Cuidado Holístico do Homem com Câncer de Mama (2019–2024)
| Autor / Ano | Tipo de estudo / Publicação | Objetivo | Principais achados | Estratégias de enfermagem identificadas |
| Corbellini et al. (2019) | Revista científica | Implementar boas práticas de SAE para homens com câncer de mama. | Reforça a importância da sistematização do cuidado e protocolos específicos. | – Aplicação rigorosa da SAE. – Planos de cuidados individualizados. -Monitoramento de sintomas. – Educação em saúde. |
| Midding et al. (2019) | Métodos mistos | Avaliar suporte social para homens com CMM. | Identifica isolamento e necessidade de apoio familiar e comunitário. | – Mapeamento da rede de apoio. – Inclusão da família nas consultas. -Encaminhamento ao apoio social. |
| Nguyen et al. (2020) | Qualitativo | Explorar percepções masculinas sobre o CMM. | Estigma, impacto na masculinidade e falta de informação direcionada. | – Escuta qualificada. – Abordagem do estigma. – Materiais educativos específicos. |
| Ribeiro, da Silva & Evangelista (2020) | Periódico acadêmico | Identificar fatores que reduzem adesão do homem ao cuidado. | Falta de conhecimento e barreiras culturais diminuem adesão. | – Educação em saúde focada no homem. – Comunicação terapêutica. – Busca ativa na APS. |
| Ferreira et al. (2020) | Escola Anna Nery | Avaliar conhecimento de enfermeiros da APS sobre CMM. | Lacunas de conhecimento e ausência de protocolos na atenção básica. | – Capacitação permanente. – Avaliação de nódulos em consultas de enfermagem. – Fluxos específicos na APS. |
| Halbach et al. (2020) | Métodos mistos | Avaliar experiência do homem no sistema de saúde. | Sensação de invisibilidade e falhas na comunicação profissional. | – Enfermagem como navegadora do cuidado. – Comunicação clara e contínua. |
| Levin-Dagan & Baum (2021) | Qualitativo | Compreender impacto do CMM na identidade masculina. | Ocultação do diagnóstico, estigma e impacto na autoestima. | – Discussão sobre masculinidade. – Acolhimento emocional e estético. – Suporte psicológico. |
| Hiltrop et al. (2021) | Qualitativo | Avaliar retorno ao trabalho e reabilitação. | Fadiga, dor, medo de discriminação e dificuldades funcionais. | – Avaliação funcional. – Plano de retorno ao trabalho. – Encaminhamento à reabilitação. |
| Rodrigues et al. (2021) | Brazilian Journal of Health Review | Investigar incidência e fatores de risco. | Necessidade de educação em saúde e ações multiprofissionais. | – Promoção da saúde. – Orientação sobre sinais de alerta e fatores de risco. |
| Silva et al. (2022) | Revista Recisatec | Relatar assistência de enfermagem com foco em prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama masculino. | Enfatiza a importância do enfermeiro na prevenção, educação e detecção precoce do CMM. | – Rastreamento oportunístico. – Educação sobre sinais e sintomas. -Abordagem preventiva na APS. – Comunicação clara para reduzir estigma. |
| Farah; Feijó; Queiroz (2023) | Revista Iberoamericana de Humanidades, Ciências e Educação | Analisar incidência e fatores de risco do CMM. | Incidência elevada devido ao baixo rastreamento; diagnóstico tardio associado a piores prognósticos. | – Educação populacional sobre risco. – Incentivo à procura precoce. – Sensibilização sobre sinais e sintomas. – Ações informativas para homens. |
| Potter et al. (2023) | Qualitativo | Investigar impacto do CMM nas atividades de vida diária. | Perdas funcionais e emocionais significativas durante o tratamento. | – Apoio ao autocuidado. – Plano de reabilitação. – Retomada gradual das atividades significativas. |
| Abboah-Offei et al. (2024) | Revisão de métodos mistos | Sintetizar experiências e suporte necessário aos homens. | Reforça necessidade de cuidado centrado na pessoa e apoio constante. | – Protocolos específicos para homens. – Seguimento longitudinal. – Apoio multiprofissional. |
| Raeisi Dehkordi et al. (2024) | Revisão narrativa | Analisar o estigma no CMM. | Estigma gera atraso diagnóstico, sofrimento emocional e abandono terapêutico. | – Rastreamento emocional. – Campanhas educativas. – Construção de ambiente acolhedor. |
| Ye et al. (2024) | Síntese qualitativa | Integrar visões de pacientes, famílias e profissionais. | Necessidade de suporte familiar e comunicação interprofissional. | – Envolvimento da família. – Orientação aos cuidadores. – Discussão integrada em equipe. |
Os achados desta revisão integrativa evidenciam que o cuidado ao homem acometido por câncer de mama exige uma abordagem complexa, multidimensional e sensível às especificidades de gênero, cultura, identidade e trajetória de saúde. Apesar de sua baixa incidência, o câncer de mama masculino apresenta desafios significativos para o cuidado, sobretudo devido ao diagnóstico tardio, ao estigma associado à doença e à falta de políticas direcionadas a essa população. Nesse sentido, a enfermagem desempenha papel fundamental, tanto na perspectiva do cuidado clínico, quanto na esfera psicossocial, preventiva e educativa.
Inicialmente, observa-se que os estudos nacionais (Corbellini et al., 2019; Ribeiro, da Silva & Evangelista, 2020; Ferreira et al., 2020; Rodrigues et al., 2021; Silva et al., 2022; Farah et al., 2023) convergem ao destacar a importância da atenção primária à saúde como porta de entrada essencial para a detecção precoce do câncer de mama masculino. As produções apontam que muitos profissionais, incluindo enfermeiros, ainda apresentam lacunas de conhecimento quanto aos sinais, fatores de risco e condutas apropriadas para avaliação clínica da mama em homens. A ausência de rotinas de rastreamento específicas e a baixa suspeição clínica levam à subnotificação e ao atraso diagnóstico, corroborando achados de Ferreira et al. (2020) e Silva et al. (2022). Assim, os autores ressaltam a necessidade de capacitação contínua, revisão de fluxos assistenciais e incorporação do tema nas agendas de educação permanente.
Além disso, a literatura nacional reforça que o homem tende a procurar tardiamente os serviços de saúde, seja pela construção social da masculinidade, pelo medo do estigma ou pela percepção equivocada de que o câncer de mama é uma doença exclusivamente feminina. Estudos como os de Ribeiro, da Silva e Evangelista (2020) e Rodrigues et al. (2021) evidenciam que fatores culturais e sociais influenciam diretamente na adesão ao cuidado e nas práticas de prevenção. Tais aspectos também foram amplamente discutidos nos estudos internacionais, como os de Nguyen et al. (2020), Levin-Dagan e Baum (2021) e Raeisi Dehkordi et al. (2024), que mostraram que sentimentos de vergonha, impacto na identidade masculina e necessidade de “parecer normal” são barreiras importantes para a procura por tratamento.
Nesse contexto, destaca-se o papel da enfermagem na construção de um ambiente acolhedor, livre de julgamentos e baseado na comunicação empática, capaz de fortalecer o vínculo terapêutico e reduzir o estigma. A escuta qualificada, a comunicação clara e o acolhimento emocional são estratégias recorrentes e amplamente citadas (Nguyen et al., 2020; Halbach et al., 2020; Levin-Dagan & Baum, 2021). Tais intervenções não apenas favorecem a adesão ao tratamento, mas também contribuem para restaurar a autoestima, reduzir ansiedade, apoiar o enfrentamento e minimizar os impactos psicossociais da doença.
Outro ponto relevante identificado nos estudos é a importância da coordenação do cuidado. Pesquisas de Halbach et al. (2020), Abboah-Offei et al. (2024) e Ye et al. (2024) demonstram que a fragmentação das informações, a falta de continuidade no acompanhamento e as falhas na comunicação entre profissionais são desafios que afetam diretamente a trajetória do paciente. Diante disso, o enfermeiro, como figura central no manejo clínico e educativo, deve atuar como navegador do cuidado, orientando o paciente e a família sobre etapas do tratamento, efeitos adversos, reabilitação e retorno às atividades cotidianas.
Os estudos também destacam a importância do apoio social e familiar no processo de enfrentamento. Midding et al. (2019) e Potter et al. (2023) ressaltam que muitos homens se isolam após o diagnóstico, abandonam atividades significativas e enfrentam dificuldades emocionais relacionadas à autoimagem e à funcionalidade. O enfermeiro, nesse cenário, deve incentivar a participação de familiares nas consultas, identificar situações de isolamento, promover grupos de apoio e estimular a retomada de atividades de vida diária, garantindo um cuidado verdadeiramente integral.
Em relação às dimensões física e funcional, trabalhos como os de Hiltrop et al. (2021) e Potter et al. (2023) reforçam a necessidade de estratégias que considerem a gestão de sintomas, a fadiga, a dor e as limitações consequentes do tratamento oncológico. A enfermagem deve implementar ações de reabilitação gradual, orientar sobre exercícios seguros, apoiar o autocuidado e encaminhar o paciente para fisioterapia ou terapia ocupacional quando necessário.
Por fim, estudos recentes, como os de Raeisi Dehkordi et al. (2024) e AbboahOffei et al. (2024), chamam atenção para a urgência de políticas públicas e protocolos que contemplem o câncer de mama masculino, bem como para a necessidade de abordagens que valorizem também a espiritualidade, o significado da doença e o bemestar subjetivo do paciente. Tais dimensões, quando integradas ao cuidado, fortalecem o modelo holístico, que é central na prática de enfermagem contemporânea.
A assistência do enfermeiro ao homem acometido com câncer de mama envolve uma abordagem integral que abrange tanto os aspectos físicos quanto emocionais do paciente. O enfermeiro desempenha um papel fundamental em promover o diagnóstico precoce, orientando sobre os sinais e sintomas do câncer de mama e realizando atividades educativas para sensibilizar sobre a importância da detecção precoce. Além disso, o enfermeiro deve proporcionar acolhimento emocional, criando um ambiente de confiança onde o paciente se sinta ouvido e respeitado, especialmente considerando o estigma associado ao câncer de mama em homens, que pode gerar sentimentos de vulnerabilidade. Corbellini et al. (2019) enfatizam a importância de uma abordagem emocional e empática no cuidado ao paciente com câncer de mama, destacando que o enfermeiro deve oferecer um ambiente de apoio psicológico durante o processo de tratamento. Eles sugerem que é essencial que o enfermeiro estabeleça uma relação de confiança com o paciente, onde ele se sinta escutado e valorizado. Isso fortalece o vínculo terapêutico, o que é fundamental para o sucesso do tratamento e para o bem-estar emocional do paciente. A relação de confiança entre o enfermeiro e o paciente permite que o indivíduo se sinta acolhido, promovendo uma experiência de cuidado mais humana e eficaz.
Além disso, os autores afirmam que a consulta de enfermagem deve começar desde o momento da internação, sendo este um momento crucial para o acolhimento do paciente. A consulta inicial não deve ser apenas uma coleta de dados, mas também um espaço onde o paciente se sinta amparado, onde suas dúvidas e temores sejam acolhidos e tratados. Essa abordagem permite que o enfermeiro identifique as necessidades emocionais do paciente e estabeleça as bases para um cuidado contínuo e holístico ao longo de toda a jornada do tratamento contra o câncer de mama.
Outro ponto discutido pelos autores é o acompanhamento contínuo dos pacientes durante o tratamento. O enfermeiro deve monitorar o progresso do paciente, ajudando na gestão de sintomas e garantindo que os pacientes sigam os cuidados recomendados pelos médicos. Ferreira et al. destacam que o acompanhamento não deve ser apenas técnico, mas também afetivo, com foco na educação contínua do paciente sobre sua condição e tratamentos. O apoio contínuo tem um impacto significativo no bem-estar do paciente, ajudando na adesão ao tratamento e no enfrentamento das dificuldades emocionais que surgem durante o processo de cura.
Ferreira et al. (2020) abordam o papel crucial da enfermagem em todas as etapas do cuidado do paciente com câncer de mama, desde a prevenção até o tratamento e reabilitação. Os autores ressaltam que os enfermeiros devem estar ativamente envolvidos no cuidado contínuo dos pacientes, oferecendo apoio emocional durante o tratamento, além de atividades educativas que ajudem na compreensão do diagnóstico e das opções de tratamento. Essa abordagem busca não só tratar a doença, mas também apoiar o paciente no enfrentamento emocional e psicológico, promovendo uma melhor qualidade de vida ao longo do processo terapêutico.
Além disso, os autores destacam a importância do acompanhamento pós-tratamento, com um foco específico na adaptação do paciente à sua nova realidade. O enfermeiro tem um papel fundamental em garantir que o paciente receba cuidados domiciliares adequados, favorecendo sua recuperação física e emocional. Ferreira et al. sugerem que o enfermeiro deve atuar como um facilitador de um processo contínuo de promoção da saúde, com foco não apenas na prevenção, mas também no apoio familiar. Esse cuidado integral ao paciente é essencial para garantir que ele se adapte bem ao tratamento e se recupere de forma sustentável. .
Assim, a discussão evidencia que o cuidado ao homem com câncer de mama deve ir além do tratamento clínico e incluir intervenções educativas, psicossociais, funcionais e culturais, acompanhadas de uma postura resolutiva, acolhedora e centrada na pessoa. A enfermagem, ao reconhecer essas necessidades e implementar práticas baseadas em evidências, torna-se protagonista na promoção de um cuidado integral, equânime e humanizado.
Em resumo, os enfermeiros desempenham um papel crucial em diversas fases do tratamento do câncer de mama masculino. Desde a detecção precoce e a promoção do autocuidado, com foco em educação em saúde e apoio emocional, até a humanização e o acompanhamento pós-tratamento, os enfermeiros são fundamentais para garantir um cuidado integral e humanizado. A comunicação eficaz, o fortalecimento da relação terapêutica e o apoio emocional são essenciais para o sucesso do tratamento e a melhoria da qualidade de vida do paciente, com a colaboração da equipe de saúde sendo imprescindível para a abordagem holística. A capacitação e o apoio contínuo aos enfermeiros também são fundamentais para garantir que eles possam desempenhar seu papel de forma eficaz e compassiva ao longo de todo o processo de cuidado.
CONCLUSÃO
O presente estudo evidenciou que o câncer de mama masculino, apesar de raro, constitui um importante problema de saúde pública que exige maior atenção dos serviços e profissionais de saúde, especialmente da enfermagem. A análise da literatura dos últimos cinco anos (2019–2024) demonstrou que o enfrentamento dessa patologia está fortemente associado ao diagnóstico tardio, ao desconhecimento populacional, ao estigma social e às lacunas existentes na capacitação profissional, fatores que contribuem para atrasos no tratamento e piores prognósticos.
Nesse cenário, a enfermagem emerge como protagonista no cuidado ao homem com câncer de mama, desempenhando papel essencial na prevenção, detecção precoce, acolhimento emocional, apoio psicossocial, educação em saúde, coordenação do cuidado e reabilitação. As evidências apontam que estratégias como comunicação terapêutica, escuta qualificada, redução do estigma, elaboração de planos de cuidados individualizados, orientação sobre sinais de alerta, fortalecimento da rede de apoio e acompanhamento longitudinal são fundamentais para promover um cuidado holístico, humanizado e centrado na pessoa.
Nesse contexto, o papel do enfermeiro é essencial para a prevenção do câncer de mama em homens, uma vez que pode realizar estratégias de educação em saúde. Informar também as mulheres sobre o assunto é importante, pois elas podem alertar familiares do sexo masculino, ampliando a conscientização. Esse profissional, que está próximo dos pacientes nas redes de saúde básica, pode contribuir para a detecção precoce da doença, embora uma abordagem inadequada ou falta de conhecimento possam comprometer a prevenção. Esse tema reforça a importância de sensibilizar os homens a procurarem a atenção primária e conscientizá-los sobre o câncer de mama. A conscientização e a educação são chaves para a detecção precoce e para a melhoria das taxas de sobrevivência. Consultar um médico regularmente e estar atento às mudanças no corpo são passos cruciais na luta contra o câncer de mama masculino.
O estudo também destacou que o cuidado integral ao homem com câncer de mama deve abarcar dimensões físicas, emocionais, sociais, culturais e espirituais, reconhecendo a singularidade da experiência masculina diante da doença. Para isso, torna-se imprescindível o investimento contínuo em educação permanente, elaboração de protocolos específicos, melhoria dos fluxos assistenciais e ampliação de ações educativas voltadas ao público masculino.
Conclui-se, portanto, que a atuação da enfermagem, fundamentada em práticas baseadas em evidências e sensível às especificidades do câncer de mama masculino, é determinante para qualificar o cuidado, reduzir desigualdades, fortalecer o diagnóstico precoce e contribuir para melhores desfechos terapêuticos. Além disso, reforça-se a necessidade de ampliar as pesquisas sobre o tema, de modo a subsidiar políticas públicas, aperfeiçoar o ensino e fortalecer estratégias de cuidado cada vez mais integradas, equitativas e humanizadas.
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