ESTRATÉGIAS DE CUIDADOS COM IDOSOS VOLTADO AO CUIDADO PALIATIVOS: NECESSIDADES FÍSICAS, EMOCIONAIS E SUBJETIVIDADES

CARE STRATEGIES FOR ELDERLY PEOPLE FOCUSED ON PALLIATIVE CARE: PHYSICAL, EMOTIONAL NEEDS AND SUBJECTIVITIES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510310543


Jéssica Alessandra Paz Rodrigues1
Kethleen Almeida Bezerra2
Rosare de Souza Silva3


Resumo: O envelhecimento populacional tem ampliado a necessidade de práticas de saúde voltadas não apenas para a cura, mas para a promoção da qualidade de vida e da dignidade dos idosos. Nesse contexto, os cuidados paliativos surgem como abordagem essencial, buscando integrar dimensões físicas, emocionais e subjetivas do paciente. Este artigo tem como objetivo refletir sobre estratégias de cuidado centradas no idoso em cuidados paliativos, valorizando a autonomia, a subjetividade e a história de vida desses indivíduos. Por meio de pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, foram analisados estudos nacionais e internacionais que abordam a humanização da assistência em situações de terminalidade. Os resultados apontam que práticas como a escuta ativa, o acolhimento, a valorização da espiritualidade e o trabalho multiprofissional contribuem para reduzir o sofrimento, fortalecer vínculos familiares e promover conforto e dignidade. Conclui-se que a enfermagem, ao assumir um papel humanizado e integrador, é capaz de oferecer não apenas alívio dos sintomas, mas também sentido e serenidade na fase final da vida, reafirmando os cuidados paliativos como direito humano fundamental.

Palavras-chave: Enfermagem; Idoso; Cuidados paliativos; Humanização; Qualidade de vida. 

Abstract: Population aging has increased the demand for healthcare practices focused not only on curing diseases but also on promoting quality of life and dignity for the elderly. In this context, palliative care emerges as an essential approach, seeking to integrate the physical, emotional, and subjective dimensions of the patient. This article aims to reflect on care strategies centered on elderly patients in palliative care, valuing autonomy, subjectivity, and personal life history. Through a qualitative bibliographic research, national and international studies addressing the humanization of care in end-of-life situations were analyzed. The findings indicate that practices such as active listening, emotional support, spirituality, and multiprofessional teamwork contribute to reducing suffering, strengthening family bonds, and promoting comfort and dignity. It is concluded that nursing, by assuming a humanized and integrative role, is capable of offering not only symptom relief but also meaning and serenity in the final stage of life, reaffirming palliative care as a fundamental human right.

Keywords: Nursing; Elderly; Palliative care; Humanization; Quality of life.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é um dos fenômenos mais marcantes da atualidade e traz consigo desafios significativos para os sistemas de saúde. O aumento da expectativa de vida, aliado à maior prevalência de doenças crônicas e degenerativas, exige práticas de cuidado que vão além da dimensão curativa. Nesse cenário, os cuidados paliativos se consolidam como uma abordagem indispensável, pois não buscam a cura, mas a promoção da qualidade de vida e da dignidade em todas as fases da doença, especialmente na terminalidade.

Entre os idosos, essa necessidade é ainda mais evidente. O processo de envelhecer costuma vir acompanhado de limitações físicas, fragilidade funcional e maior dependência, mas também de sofrimento emocional, social e espiritual. Muitas vezes, os profissionais de saúde concentram-se na dor e nos sintomas clínicos, relegando a segundo plano aspectos existenciais fundamentais, como o reconhecimento da subjetividade, da história de vida e das escolhas do idoso. Esse modelo de atenção reducionista gera um cuidado fragmentado, que desconsidera o ser humano em sua integralidade.

A ferramenta ChatGPT (versão GPT-5) foi utilizada exclusivamente para melhorar a coesão, a coerência e a correção gramatical do texto, sem criação de dados, análises, resultados ou conteúdo acadêmico original. Todo o conteúdo científico, reflexões e fundamentos apresentados permanecem de autoria integral do pesquisador.

Nessa perspectiva, os cuidados paliativos centrados no paciente surgem como proposta de transformação. Diferentemente da abordagem tradicional, este modelo valoriza a autonomia, o respeito aos valores individuais e a participação ativa do idoso no processo de decisão sobre o seu tratamento. Essa mudança de paradigma implica compreender que cuidar não é apenas intervir sobre o corpo doente, mas acolher medos, desejos, angústias e esperanças.

O papel da enfermagem, nesse contexto, revela-se essencial. A prática do enfermeiro em cuidados paliativos vai muito além de técnicas e protocolos: envolve sensibilidade para a escuta, empatia diante do sofrimento e capacidade de oferecer conforto em situações de extrema vulnerabilidade. Cuidar do idoso em fase terminal é lidar, simultaneamente, com a dor física e com a dimensão simbólica da vida, marcada por perdas, memórias, vínculos familiares e espiritualidade. É nesse ponto que a enfermagem reafirma sua identidade como profissão vocacionada para a humanização do cuidado.

Além disso, a relevância desse debate se intensifica diante do atual cenário brasileiro, marcado por profundas desigualdades sociais e dificuldades estruturais no sistema de saúde. O acesso a cuidados paliativos ainda é restrito, e muitos idosos não recebem assistência adequada em seus últimos momentos de vida. Isso evidencia a urgência de se repensar práticas que respeitem a dignidade da pessoa idosa, integrando corpo, mente e espírito em um processo de cuidado que seja integral, humanizado e ético.

Este artigo propõe refletir sobre as estratégias de cuidado com idosos em cuidados paliativos, com foco nas necessidades físicas, emocionais e subjetivas. A partir de revisão da literatura, busca-se demonstrar que práticas humanizadas podem não apenas aliviar a dor e os sintomas, mas também devolver sentido, conforto e dignidade ao paciente em sua jornada de finitude. Trata-se, portanto, de um esforço acadêmico e social para reafirmar que envelhecer e morrer com respeito e autonomia não é privilégio, mas direito humano fundamental.

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão narrativa de natureza qualitativa, fundamentada em materiais documentais e bibliográficos. Esse tipo de estudo permite reunir, analisar e interpretar produções científicas recentes, favorecendo uma compreensão ampliada das estratégias de cuidado paliativo voltadas a idosos e das práticas humanizadas aplicadas no contexto da terminalidade.

A busca bibliográfica ocorreu entre agosto e outubro de 2025 nas bases SciELO, BVS Saúde, LILACS, PubMed e Google Acadêmico. No total, 52 artigos foram inicialmente identificados. Após leitura de títulos e resumos, 34 foram selecionados para leitura integral, e, ao final do processo de triagem, 22 artigos atenderam aos critérios de inclusão e foram utilizados na construção deste estudo.

A pertinência da pesquisa se justifica pela crescente demanda por cuidados paliativos no Brasil, em função do acelerado envelhecimento populacional e do aumento da incidência de doenças crônicas e degenerativas. Assim, compreender a literatura atual sobre cuidado humanizado, bioética, práticas multiprofissionais e acolhimento da subjetividade é fundamental para aprimorar a assistência ao idoso em fase avançada de doença.

1 CUIDADOS PALIATIVOS: CONCEITOS E PRINCÍPIOS

Os cuidados paliativos, além de defenderem a dignidade do paciente em situação de doença grave ou terminal, vêm passando por avanços conceituais baseados em pesquisas recentes. Uma redefinição colaborativa liderada por Radbruch, De Lima, Knaul e outros trouxe uma nova definição baseada em consenso global, reafirmando que a abordagem paliativa é componente essencial de todo sistema de saúde, com forte ênfase na eficiência, equidade e integração clínica 

No plano ético e relacional, emergiu com força nos últimos anos o enfoque da ética do cuidado (care ethics) dentro da prática paliativa. A literatura recente destaca que esse modelo valoriza não apenas a relação cuidador-paciente, mas também o autocuidado profissional, a colaboração entre colegas e a reflexão ética sobre o exercício cotidiano da profissão 

Sob a perspectiva da dignidade, o psiquiatra Harvey Chochinov continua sendo referência, inclusive com publicações bem recentes (2022), como Dignity in Care: The Human Side of Medicine, onde traz abordagens práticas para resgatar a dignidade do paciente (como a Dignity Therapy) e ainda propõe novos conceitos como “Intensive Caring” para pacientes que perderam a esperança 

Na aplicação clínica, estudiosos como Filip, Pablo Hernández-Marrero e colaboradores (2022) têm trabalhado os dilemas éticos comuns na prática paliativa — especialmente em torno da autonomia, sedação paliativa e planejamento antecipado de cuidados — destacando a importância de intervenções comunicativas bem estruturadas e interdisciplinaridade 

Por fim, o olhar internacional e político também se renova com Mhoira Leng, que desde a década de 2010 atua na colaboração entre países e na formulação de modelos de cuidado paliativo adaptados à realidade de diferentes contextos, especialmente em regiões com menos recursos, reforçando o caráter global, inclusivo e culturalmente sensível da abordagem

1.1 Definição e objetivos

Os cuidados paliativos são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) como uma abordagem que busca melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento. Essa prática envolve a identificação precoce, a avaliação minuciosa e o tratamento da dor, assim como a atenção a problemas de ordem física, psicossocial e espiritual. Diferentemente do cuidado estritamente curativo, o cuidado paliativo não objetiva prolongar ou abreviar a vida, mas assegurar dignidade e conforto ao paciente.

Em revisão recente, Radbruch et al. (2020) propuseram uma redefinição do conceito de cuidados paliativos, fruto de consenso internacional, destacando-o como parte essencial dos sistemas de saúde em todo o mundo. A nova definição amplia o escopo, reconhecendo a necessidade de integração dos cuidados paliativos a todas as fases da doença grave e não apenas à terminalidade. Essa visão contemporânea reforça que o objetivo central é reduzir o sofrimento humano e garantir que as pessoas tenham direito a viver e morrer com dignidade.

Chochinov (2022), por sua vez, enfatiza que a noção de dignidade deve orientar os cuidados paliativos, sustentando que cada paciente traz consigo valores, memórias e significados que precisam ser respeitados. O autor introduz conceitos como a Dignity Therapy, que visa resgatar o sentido de vida do paciente por meio da valorização de sua história pessoal, e mais recentemente o conceito de Intensive Caring, voltado a oferecer esperança e conexão mesmo diante de doenças irreversíveis.

No campo da enfermagem, os objetivos dos cuidados paliativos transcendem o controle da dor e dos sintomas. Para a autora, cuidar significa também estabelecer uma relação autêntica com o paciente, pautada na empatia e no reconhecimento da vulnerabilidade humana. Assim, o objetivo do cuidado não é apenas a estabilização clínica, mas também a criação de um ambiente de acolhimento, onde o paciente possa experienciar serenidade e sentido até o fim da vida.

Dessa forma, os cuidados paliativos têm como objetivos principais: aliviar a dor e outros sintomas desconfortáveis; oferecer suporte emocional, social e espiritual; ajudar o paciente a viver de maneira tão ativa quanto possível até a morte; apoiar a família no enfrentamento do processo de adoecimento e luto; e promover a humanização da assistência em saúde. Mais do que uma técnica, trata-se de uma filosofia de cuidado que integra ciência, ética e humanidade.

1.2 Fundamentos éticos e humanísticos

Os cuidados paliativos, enquanto abordagem voltada à integralidade do paciente, têm sua essência profundamente enraizada nos princípios éticos e humanísticos que orientam a prática em saúde. Diferentemente do modelo biomédico tradicional, que concentra sua atenção no controle da doença, essa perspectiva amplia o olhar para a totalidade do ser humano, integrando dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais. Assim, cuidar de um idoso em cuidados paliativos significa ir além do tratamento da dor e dos sintomas, reconhecendo a importância da autonomia, da dignidade e do respeito à individualidade de cada paciente (OMS, 2020).

Sob a ótica da bioética contemporânea, os cuidados paliativos se fundamentam em quatro princípios essenciais que orientam a prática clínica: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Segundo Beauchamp e Childress (2023), a autonomia garante ao paciente o direito de participar de forma ativa e consciente das decisões sobre seu tratamento, respeitando seus valores, crenças e preferências. A beneficência envolve a obrigação ética de promover o bem-estar da pessoa, enquanto a não maleficência reforça o dever de evitar intervenções que possam causar danos ou prolongar o sofrimento de maneira desnecessária. Por fim, o princípio da justiça assegura que todos os indivíduos tenham acesso equitativo a cuidados de qualidade, sem distinção social, econômica, cultural ou religiosa, conforme reforçam Schramm et al. (2022). Esses princípios, aplicados de forma integrada, estruturam uma prática de cuidado que respeita a dignidade humana e valoriza a singularidade do idoso em situação de vulnerabilidade.Esses princípios tornam-se ainda mais relevantes quando aplicados ao cuidado com idosos, frequentemente marcados por fragilidades físicas e emocionais. A terminalidade da vida traz consigo questões existenciais profundas, como o medo da morte, o sentimento de inutilidade e o desejo de manter vínculos familiares. Se tais dimensões são negligenciadas, corre-se o risco de reduzir o cuidado a um conjunto de procedimentos técnicos, desprovidos de humanidade (Minayo, 2012).

Leonardo Boff, em reflexões mais recentes, reforça a importância de compreender o cuidado como fundamento ético da vida. Para o autor, o cuidado não é apenas uma prática profissional, mas uma atitude existencial, intrínseca à essência do ser humano. “O cuidado pertence à essência do humano e constitui condição prévia para que qualquer ser possa irromper na existência” (Boff, 2020, p. 358). No contexto dos cuidados paliativos, essa concepção se traduz em uma postura de solidariedade, compaixão e responsabilidade diante da vulnerabilidade do idoso. Assim, o ato de cuidar não é reduzido a técnicas ou protocolos, mas envolve a construção de vínculos que devolvem sentido e dignidade à vida, mesmo diante da finitude.

A dimensão humanística dos cuidados paliativos também é ressaltada por Watson (2002), que defende a teoria do cuidado transpessoal como referência para a prática da enfermagem. Para a autora, cuidar significa estabelecer uma relação autêntica com o paciente, baseada em empatia, escuta ativa e presença genuína. Essa abordagem ultrapassa a objetividade técnica, incorporando o cuidado como expressão de humanidade. Ao atuar em cuidados paliativos, o enfermeiro não apenas administra medicamentos ou controla sintomas, mas se torna presença significativa para o idoso, ajudando-o a enfrentar seus medos e a encontrar serenidade no processo de morrer.

Nos últimos anos, a discussão ética no campo dos cuidados paliativos foi ampliada por Radbruch et al. (2020), que propuseram uma redefinição internacional do conceito. Para os autores, os cuidados paliativos não devem ser restritos à fase final da vida, mas integrados desde o diagnóstico de doenças graves. Essa perspectiva fortalece o compromisso ético com a dignidade do paciente, reconhecendo que o sofrimento não é apenas físico, mas também emocional e espiritual. Dessa forma, o cuidado ético-humanístico deve permear toda a trajetória da doença, e não apenas os últimos dias.

Nesse contexto, a dignidade emerge como eixo central. Harvey Chochinov (2022), psiquiatra e referência mundial em cuidados paliativos, destaca que o respeito à dignidade deve guiar todas as práticas assistenciais. Sua proposta da Dignity Therapy — terapia que resgata memórias, valores e histórias pessoais do paciente — tem mostrado impactos positivos na autoestima, no bem-estar emocional e na aceitação da finitude. O autor evidencia que a dimensão ética e humanística não é apenas ideal teórico, mas prática concreta capaz de reduzir sofrimento psíquico e devolver sentido de vida em situações de vulnerabilidade.

A ética do cuidado também implica reconhecer a importância da espiritualidade como dimensão constitutiva da existência humana. Estudos recentes ressaltam que, independentemente de religião, a espiritualidade pode atuar como fator de proteção emocional, ajudando idosos em cuidados paliativos a lidar com a ansiedade, a angústia e o medo da morte (Caldas; Castro; Castro, 2021). Ignorar esse aspecto significa fragmentar o cuidado e reduzir a complexidade do ser humano a parâmetros meramente biológicos.

Além disso, o fundamento ético dos cuidados paliativos se estende à equipe multiprofissional, que deve estar preparada para lidar com dilemas morais e conflitos decisórios. Questões como a indicação de sedação paliativa, a recusa de tratamentos invasivos ou a limitação de suporte de vida exigem postura ética sensível, que considere tanto os princípios bioéticos quanto a singularidade de cada paciente (Filip et al., 2022).

Por isso, a enfermagem tem papel central como promotora de um cuidado humanizado e ético. O enfermeiro é o profissional que mais convive com o paciente no cotidiano, sendo responsável não apenas por intervenções técnicas, mas também por criar um ambiente de acolhimento, respeito e diálogo. Essa posição estratégica exige preparo para atuar de forma ética diante de situações-limite, garantindo que o idoso seja visto como sujeito e não como objeto de intervenção (Watson, 2002).

Dessa forma, os fundamentos éticos e humanísticos dos cuidados paliativos reafirmam que a prática da saúde deve transcender o modelo reducionista. A centralidade da dignidade, a valorização da autonomia, a escuta ativa e a compaixão constituem elementos indispensáveis para a construção de um cuidado integral. Mais do que uma filosofia de atuação, trata-se de um compromisso ético e social que reconhece o direito de cada idoso a viver e morrer com respeito, autonomia e sentido.

1.3 Atuação multiprofissional e integração com tratamentos curativos

A complexidade que envolve os cuidados paliativos exige uma atuação que ultrapasse os limites de uma única profissão. Por se tratar de uma abordagem integral, voltada não apenas ao controle de sintomas, mas também ao bem-estar emocional, social e espiritual, é fundamental que a assistência seja realizada por uma equipe multiprofissional capaz de articular diferentes saberes. Essa integração garante que o paciente idoso em cuidados paliativos seja acolhido em todas as suas dimensões, reforçando o princípio da integralidade preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelas diretrizes internacionais (OMS, 2020).

A Organização Mundial da Saúde (2020) aponta que os cuidados paliativos devem ser implementados por equipes multiprofissionais compostas, no mínimo, por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e capelães ou líderes espirituais. A presença de diferentes profissionais assegura que as necessidades do paciente sejam abordadas de forma integral, considerando não apenas os aspectos clínicos, mas também a subjetividade, os vínculos sociais e a espiritualidade. Dessa forma, cada profissional desempenha um papel específico, mas complementar, reforçando a interdisciplinaridade como eixo estruturante do cuidado.

No campo da medicina, cabe ao médico atuar não apenas no controle dos sintomas e na prescrição de tratamentos, mas também como facilitador do diálogo sobre opções terapêuticas e limites de intervenções curativas. Radbruch et al. (2020) defendem que a atuação médica em cuidados paliativos deve ser orientada pelo princípio da proporcionalidade, evitando procedimentos invasivos que possam prolongar o sofrimento sem benefícios concretos. Nesse contexto, a integração com tratamentos curativos, quando cabível, deve ocorrer de forma ética e transparente, respeitando a autonomia do paciente e seus familiares.

A enfermagem ocupa papel estratégico e contínuo no processo de cuidar. Como categoria que permanece em contato direto e prolongado com o paciente, os enfermeiros são responsáveis por monitorar sintomas, administrar terapias, oferecer suporte emocional e estabelecer uma relação de proximidade que favoreça a escuta ativa. Watson (2002) sustenta que o cuidar em enfermagem deve ser compreendido como prática transpessoal, baseada em empatia, presença e diálogo, reforçando a humanização da assistência. No contexto multiprofissional, os enfermeiros tornam-se elo entre paciente, família e equipe, desempenhando funções de coordenação e mediação essenciais para a integralidade do cuidado.

O suporte psicológico também é indispensável. Pacientes idosos em cuidados paliativos frequentemente enfrentam sentimentos de medo, angústia, desesperança e solidão. Chochinov (2022) destaca que a dignidade é frequentemente ameaçada nesses contextos e propõe intervenções como a Dignity Therapy para resgatar autoestima e sentido de vida. O papel do psicólogo, portanto, é oferecer apoio emocional, trabalhar a aceitação da finitude e mediar conflitos familiares decorrentes do processo de adoecimento. Essa atuação favorece a serenidade e reduz a ansiedade, fortalecendo os vínculos afetivos e o enfrentamento do luto antecipado.

No campo do serviço social, o assistente social atua na mediação entre paciente, família e instituição de saúde. Essa atuação envolve desde a orientação sobre direitos previdenciários e acesso a políticas públicas, até a organização de suporte social que minimize a vulnerabilidade do idoso e de seus cuidadores. Como destaca Minayo (2012), a dimensão social do adoecimento não pode ser negligenciada, uma vez que as desigualdades estruturais afetam diretamente as condições de cuidado e a dignidade na terminalidade.

A fisioterapia, por sua vez, contribui para a preservação da funcionalidade e do conforto físico, oferecendo intervenções que aliviem sintomas como dor, dispneia e limitações de mobilidade. O fisioterapeuta atua na prevenção de complicações, como úlceras por pressão e contraturas musculares, além de favorecer a autonomia do idoso em tarefas cotidianas. Essa prática, quando articulada com médicos e enfermeiros, amplia a qualidade de vida e proporciona maior bem-estar.

A nutrição desempenha papel igualmente relevante. Muitos idosos em cuidados paliativos apresentam dificuldades alimentares decorrentes de disfagia, anorexia, náuseas ou efeitos adversos de tratamentos. O nutricionista avalia essas necessidades e propõe dietas individualizadas que priorizam não apenas o aporte nutricional, mas também o prazer e o conforto durante a alimentação. Estudos recentes ressaltam que a alimentação, além de necessidade biológica, possui forte valor simbólico e cultural, e seu manejo adequado contribui para a humanização do cuidado (Caldas; Castro; Castro, 2021).O terapeuta ocupacional, por sua vez, auxilia na manutenção da independência e na adaptação do ambiente domiciliar, quando aplicável. A proposta é permitir que o idoso mantenha o máximo de autonomia possível em atividades do cotidiano, reforçando sua autoestima e reduzindo a sensação de inutilidade. A atuação desse profissional fortalece o princípio da integralidade e da valorização da subjetividade, fundamentais no modelo paliativo.

Outro aspecto que merece destaque é a dimensão espiritual do cuidado. A OMS (2020) reconhece a espiritualidade como parte inseparável da atenção em saúde, especialmente nos cuidados paliativos. Nesse sentido, a presença de líderes religiosos, capelães ou conselheiros espirituais é relevante para oferecer conforto, esperança e sentido de vida. Boff (2020) lembra que a espiritualidade não se restringe à religiosidade, mas representa a dimensão mais profunda do humano, marcada pela busca de sentido, transcendência e conexão com o outro. A integração dessa dimensão ao cuidado fortalece o acolhimento e promove serenidade diante da morte.

A integração com tratamentos curativos constitui outro desafio central na prática multiprofissional. Tradicionalmente, cuidados paliativos eram compreendidos como sinônimo de assistência exclusivamente no final da vida, quando não havia mais possibilidade de cura. Entretanto, a literatura contemporânea defende que eles devem ser introduzidos precocemente, em paralelo a terapias curativas, sempre que houver necessidade de controle de sintomas e promoção da qualidade de vida (RADBRUCH et al., 2020). Esse modelo integrado permite que o idoso receba assistência ampliada, que combina esforços curativos e paliativos de forma simultânea, sem dicotomias artificiais.O modelo integrado também evita a chamada obstinação terapêutica ou distanásia, caracterizada pela realização de procedimentos invasivos e dolorosos sem benefícios concretos ao paciente. Em contrapartida, a integração entre cuidado curativo e paliativo valoriza a proporcionalidade das intervenções, oferecendo terapias quando há real possibilidade de melhora, mas priorizando o conforto e a dignidade quando a cura já não é alcançável (Pessini; Bertachini, 2005).

Nesse contexto, é essencial a comunicação clara entre a equipe multiprofissional, o paciente e sua família. O diálogo transparente sobre o prognóstico, as opções de tratamento e os limites da medicina curativa fortalece a autonomia e reduz conflitos éticos. Filip et al. (2022) observam que a tomada de decisão compartilhada é um dos maiores desafios éticos da prática paliativa, e seu êxito depende da atuação interdisciplinar e da valorização da escuta ativa. Portanto, a atuação multiprofissional nos cuidados paliativos não deve ser entendida como mera justaposição de especialidades, mas como prática interdisciplinar, em que diferentes saberes se articulam para garantir cuidado integral. Essa integração amplia a efetividade das intervenções, humaniza a assistência e assegura que o idoso seja respeitado em sua totalidade, e não reduzido a um corpo doente.

Conclui-se que a equipe multiprofissional é a base dos cuidados paliativos, e sua articulação com os tratamentos curativos, quando cabíveis, representa avanço significativo na promoção da dignidade, da autonomia e do bem-estar dos idosos. Mais do que oferecer suporte clínico, essa atuação reafirma os cuidados paliativos como prática ética e humanizada, que reconhece o direito de cada pessoa a viver e morrer com respeito e sentido.

2 O ENVELHECIMENTO E AS DEMANDAS PALIATIVAS

O fenômeno do envelhecimento populacional tem sido um dos maiores desafios do século XXI. No Brasil, estima-se que, até 2030, a população idosa ultrapassará a de crianças e adolescentes, modificando profundamente o perfil demográfico do país (IBGE, 2019). Esse processo, acompanhado pelo aumento da expectativa de vida, resulta também em maior incidência de doenças crônicas, degenerativas e incapacitantes, como câncer, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares e demências. Tais condições, em sua maioria, não possuem cura definitiva, mas exigem cuidados prolongados e especializados, o que torna os cuidados paliativos fundamentais nesse cenário (OMS, 2020).

Autores como Caldas, Castro e Castro (2021) apontam que o envelhecimento é acompanhado por maior vulnerabilidade física, fragilidade emocional e dependência funcional, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida dos idosos. Nesse contexto, a atenção em saúde não pode se restringir ao tratamento das doenças, mas deve contemplar práticas integradas que considerem a totalidade do indivíduo. Isso inclui não apenas a gestão de sintomas, mas também o suporte psicológico, social e espiritual.

Radbruch et al. (2020) reforçam que os cuidados paliativos devem estar disponíveis desde os estágios iniciais de doenças graves, e não apenas na terminalidade. Esse entendimento amplia as demandas de cuidado para a população idosa, que frequentemente enfrenta múltiplas comorbidades e requer acompanhamento contínuo. O desafio está em garantir que o idoso seja reconhecido como sujeito ativo do processo de cuidado, com autonomia e dignidade preservadas, mesmo diante da progressiva limitação funcional.

Além disso, a dimensão social do envelhecimento não pode ser ignorada. Minayo (2012) salienta que a velhice no Brasil é atravessada por desigualdades sociais que dificultam o acesso a serviços de saúde qualificados. A falta de políticas públicas consistentes e a insuficiência de serviços de cuidados paliativos na rede de saúde reforçam a necessidade de maior investimento e ampliação dessa modalidade de atenção.

Portanto, compreender as demandas paliativas no envelhecimento significa reconhecer que o cuidado vai além do corpo, abrangendo as esferas psicológica, social e espiritual. Mais do que prolongar a vida, trata-se de assegurar qualidade, dignidade e sentido ao processo de viver e morrer.

2.1. Aumento da complexidade clínica na velhice

O processo de envelhecimento humano é marcado por transformações fisiológicas, funcionais e sociais que impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida. Embora seja um fenômeno natural, o envelhecer está associado ao aumento da prevalência de doenças crônicas, degenerativas e incapacitantes, tornando a atenção à saúde do idoso um desafio crescente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019), o Brasil caminha para se tornar, em poucas décadas, um dos países com maior número absoluto de pessoas idosas, o que acarreta repercussões significativas para os sistemas de saúde.

A transição demográfica e epidemiológica, caracterizada pela queda das taxas de natalidade e aumento da expectativa de vida, está diretamente associada à transição das causas de adoecimento e morte. Enquanto no passado predominavam doenças infecciosas e agudas, hoje observa-se a ascensão das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, câncer e doenças respiratórias crônicas. Esse conjunto de condições responde atualmente pela maior parte da morbimortalidade entre idosos e exige acompanhamento prolongado e complexo (OMS, 2020).

Caldas, Castro e Castro (2021) enfatizam que o envelhecimento está intrinsecamente relacionado ao aumento da vulnerabilidade física e da fragilidade clínica. Essa condição, denominada síndrome da fragilidade, caracteriza-se pela diminuição progressiva das reservas fisiológicas e pela maior suscetibilidade a eventos adversos, como quedas, infecções e hospitalizações recorrentes. Além disso, o idoso fragilizado apresenta maior risco de dependência funcional e perda da autonomia, fatores que interferem diretamente em sua qualidade de vida e demandam cuidados especializados e contínuos.

Outro aspecto relevante é a multimorbidade, ou seja, a presença simultânea de duas ou mais doenças crônicas. Estudos apontam que a maioria dos idosos brasileiros convive com múltiplas condições clínicas, que frequentemente se inter-relacionam e potencializam o risco de complicações (Souza; Borges; Santos, 2018). A multimorbidade não apenas aumenta a complexidade diagnóstica e terapêutica, mas também eleva o uso de medicamentos, ampliando os riscos de interações medicamentosas, efeitos adversos e iatrogenias. Esse fenômeno, conhecido como polifarmácia, constitui um dos principais desafios da prática clínica com idosos.

A polifarmácia é definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos e está associada a desfechos negativos, como quedas, confusão mental, hospitalizações e maior mortalidade. Para Caldas (2021), o manejo da polifarmácia exige avaliação criteriosa, revisão periódica das prescrições e estratégias de desprescrição sempre que possível, visando a reduzir riscos e melhorar a adesão terapêutica. Nesse contexto, a integração entre geriatria, enfermagem, farmácia clínica e demais profissionais da saúde torna-se fundamental para a segurança do paciente idoso.

Além das doenças crônicas, as condições neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer e outras demências, apresentam-se como grandes desafios da atualidade. Segundo a Alzheimer’s Disease International (2021), o número de pessoas vivendo com demência no mundo ultrapassou 55 milhões em 2020 e deve triplicar até 2050. No Brasil, a prevalência dessas condições cresce de forma acelerada, impactando não apenas os idosos, mas também suas famílias e cuidadores. A perda progressiva da memória, da capacidade funcional e da autonomia implica não apenas demandas clínicas, mas também sociais e psicológicas, exigindo cuidados de longa duração e suporte multiprofissional.

O aumento da complexidade clínica na velhice também se expressa no campo das hospitalizações. Idosos apresentam maior taxa de internações, frequentemente prolongadas, o que os expõe a riscos adicionais, como infecções hospitalares, desnutrição, úlceras por pressão e declínio funcional acelerado (MINAYO, 2012). Essas condições evidenciam a necessidade de repensar os modelos de atenção, priorizando práticas de cuidado domiciliar, ambulatorial e comunitário que possam reduzir a sobrecarga hospitalar e promover maior conforto ao idoso.

Radbruch et al. (2020) ressaltam que os cuidados paliativos devem ser introduzidos precocemente no manejo das doenças crônicas e progressivas, justamente em razão da complexidade clínica que se instaura na velhice. A abordagem paliativa, integrada a tratamentos curativos quando cabíveis, permite não apenas o controle de sintomas, mas também a redução de hospitalizações desnecessárias e a promoção de qualidade de vida. Nesse sentido, os cuidados paliativos se configuram como resposta essencial à complexidade clínica e à fragilidade que marcam o envelhecer.

Outro ponto crucial é a dimensão psicossocial do envelhecimento. A perda da autonomia, a dependência funcional e o isolamento social são fatores que intensificam o sofrimento emocional dos idosos. Chochinov (2022) observa que, diante da perda progressiva de funções e da proximidade da finitude, muitos idosos sentem sua dignidade ameaçada. Por isso, estratégias que promovam a valorização da biografia e da subjetividade do paciente — como a Dignity Therapy — tornam-se indispensáveis no contexto da complexidade clínica.

O enfrentamento da complexidade clínica na velhice exige, portanto, uma abordagem ampliada e multiprofissional. Como destacam Caldas, Castro e Castro (2021), o cuidado integral deve articular ações preventivas, terapêuticas, reabilitadoras e paliativas, com foco na promoção da autonomia e na preservação da dignidade. Isso significa reconhecer que o idoso não pode ser reduzido ao corpo doente, mas deve ser visto como sujeito ativo, portador de história, vínculos e valores.

Em síntese, o aumento da complexidade clínica na velhice é consequência direta da transição demográfica e epidemiológica, da multimorbidade, da polifarmácia, das condições neurodegenerativas e da vulnerabilidade social. Esse cenário reforça a urgência de ampliar o acesso a cuidados paliativos, entendidos não como última alternativa, mas como estratégia essencial para assegurar qualidade de vida, dignidade e respeito ao envelhecer.

2.2 Vulnerabilidade e necessidades específicas dos idosos

O processo de envelhecimento, embora natural, carrega consigo uma série de transformações que tornam o idoso mais suscetível a situações de vulnerabilidade. Essas vulnerabilidades não se restringem ao aspecto biológico, mas englobam também dimensões psicológicas, sociais, culturais e espirituais, compondo um cenário multifacetado que exige respostas complexas por parte da saúde pública e da sociedade como um todo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020), atender às necessidades específicas da população idosa implica compreender que a velhice não é uma realidade homogênea: cada idoso traz consigo histórias, valores, condições de saúde e redes de apoio diferentes, o que demanda um olhar singularizado e integral.

A vulnerabilidade mais evidente no envelhecimento é de ordem biológica. A senescência envolve declínio fisiológico progressivo, que resulta na redução da capacidade de adaptação e resposta do organismo a estímulos internos e externos. Essa fragilidade biológica, frequentemente traduzida pela síndrome da fragilidade, aumenta o risco de quedas, hospitalizações recorrentes e perda de autonomia (Caldas; Castro; Castro, 2021).

Associado a isso, o fenômeno da multimorbidade, isto é, a presença de múltiplas doenças crônicas concomitantes, intensifica o quadro de vulnerabilidade. Estudos apontam que mais de 70% dos idosos brasileiros apresentam duas ou mais condições crônicas, como hipertensão, diabetes, osteoartrite, doenças cardíacas e demências (Souza; Borges; Santos, 2018). Essa realidade implica a necessidade de acompanhamento multiprofissional e de manejo cuidadoso da polifarmácia, uma vez que o uso excessivo de medicamentos aumenta os riscos de interações adversas, confusão mental e internações hospitalares.

Vulnerabilidade psicológica e emocional

O envelhecimento também é acompanhado de transformações emocionais e psicológicas que podem fragilizar o idoso. A perda da autonomia funcional, a redução das redes sociais e o enfrentamento de doenças limitantes frequentemente desencadeiam sentimentos de tristeza, ansiedade, medo e desesperança. Para Chochinov (2022), essa dimensão psicológica está diretamente ligada à percepção de dignidade do idoso: quando este se sente desvalorizado ou reduzido à condição de “doente”, há risco de sofrimento psíquico profundo e de perda do sentido de vida.

Além disso, é comum que idosos em cuidados paliativos enfrentem o chamado luto antecipatório, tanto pessoal quanto familiar. Saber-se próximo do fim da vida gera angústia, mas também pode oferecer oportunidade de ressignificação, desde que haja suporte psicológico adequado. Nesse sentido, o papel do psicólogo, aliado ao trabalho multiprofissional, é fundamental para acolher o sofrimento, favorecer a aceitação da finitude e proporcionar meios para que o idoso elabore sua biografia e legado de forma digna.

No Brasil, a velhice é atravessada por desigualdades históricas. Minayo (2012) destaca que fatores como pobreza, baixa escolaridade e falta de acesso a serviços de saúde e políticas públicas de qualidade potencializam a vulnerabilidade do idoso. A ausência de redes de apoio social, somada à sobrecarga dos cuidadores familiares, resulta em situações de abandono, negligência e até violência contra idosos. O Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde da OMS (2015) reforça que a exclusão social é um dos principais fatores que comprometem a saúde e o bem-estar na velhice, aumentando os riscos de depressão, isolamento e institucionalização precoce.

O serviço social, nesse contexto, torna-se peça-chave no enfrentamento dessas vulnerabilidades. Profissionais dessa área atuam na mediação entre família, paciente e instituições, viabilizando acesso a benefícios previdenciários, programas sociais e redes de proteção. Contudo, a insuficiência de políticas públicas direcionadas aos cuidados de longa duração ainda constitui um dos maiores entraves para a garantia de dignidade na velhice no Brasil.

Outro aspecto importante é a vulnerabilidade cultural e espiritual. Para Boff (2020), a espiritualidade integra a essência do humano e não pode ser dissociada do cuidado. Muitos idosos enfrentam a terminalidade da vida com apoio em suas crenças, tradições religiosas ou valores culturais, e ignorar esse aspecto significa fragmentar o cuidado. A OMS (2020) reconhece a espiritualidade como uma das dimensões essenciais da atenção integral à saúde, reforçando sua importância nos cuidados paliativos.

A vulnerabilidade espiritual manifesta-se quando o idoso, diante da finitude, perde o sentido de transcendência ou sente-se desamparado em suas convicções. A integração de líderes espirituais e conselheiros religiosos às equipes multiprofissionais tem se mostrado estratégia eficaz para oferecer conforto, esperança e serenidade, respeitando as singularidades de cada paciente.

As vulnerabilidades mencionadas evidenciam a necessidade de respostas específicas e integradas. Entre as principais necessidades dos idosos, destacam-se: Controle rigoroso da dor e sintomas – Idosos frequentemente sofrem com dor crônica, fadiga, dispneia, náuseas e distúrbios do sono. O manejo desses sintomas deve ser prioridade nos cuidados paliativos, garantindo conforto e qualidade de vida (Radbruch et al., 2020).

Promoção da autonomia e participação nas decisões – A preservação da autonomia é direito fundamental. O idoso deve ser incluído nos processos decisórios sobre tratamentos, respeitando-se sua capacidade de escolha e seus valores (Pessini; Bertachini, 2005).

Suporte emocional e psicológico – Acompanhamento psicoterapêutico e programas de apoio emocional reduzem sintomas depressivos e ansiosos, fortalecendo a autoestima e o enfrentamento da finitude (Chochinov, 2022).

Apoio social e políticas públicas efetivas – A ampliação de redes de apoio e a criação de políticas de cuidados de longa duração são fundamentais para reduzir desigualdades e garantir dignidade no envelhecimento (Minayo, 2012; Oms, 2015).

Cuidado espiritual e culturalmente sensível – Reconhecer e valorizar crenças, valores e tradições é parte indispensável do cuidado integral, permitindo que o idoso encontre sentido e serenidade em sua trajetória (Boff, 2020).

A resposta às vulnerabilidades e necessidades específicas dos idosos exige um modelo de atenção que vá além da fragmentação biomédica. A integração entre cuidados curativos, reabilitadores e paliativos é essencial para assegurar um envelhecimento digno e saudável. Watson (2002) sustenta que o cuidado autêntico se dá na relação interpessoal, em que o profissional reconhece a subjetividade do paciente e oferece presença genuína. Essa perspectiva é particularmente relevante para os idosos, que necessitam de vínculos de confiança e empatia diante de suas fragilidades.

Em conclusão, a velhice é marcada por vulnerabilidades múltiplas que demandam abordagens específicas, sensíveis e integradas. Reconhecer essas necessidades é passo essencial para a construção de políticas públicas, práticas multiprofissionais e estratégias de cuidado que assegurem qualidade de vida, dignidade e sentido existencial aos idosos. Mais do que atender às limitações impostas pela idade, trata-se de reafirmar o direito de cada idoso a viver e morrer com respeito e humanidade.

2.3 O papel sensível da enfermagem no acolhimento do sofrimento

A enfermagem ocupa posição central nos cuidados paliativos, sobretudo no contexto do envelhecimento, em que o sofrimento se apresenta de forma multifacetada — física, emocional, social e espiritual. Por estar mais próxima do paciente e da família, a enfermagem assume um papel singular de acolhimento, cuidado e mediação entre a equipe multiprofissional e as necessidades do idoso. Essa proximidade coloca o enfermeiro como agente fundamental na promoção da dignidade, da escuta sensível e da humanização da assistência.

Segundo Watson (2002), a prática de enfermagem não se limita à execução de procedimentos técnicos, mas envolve a construção de relações de confiança e empatia que possibilitam o verdadeiro acolhimento. Para a autora, o cuidado é um ato transpessoal, em que o profissional se coloca disponível de forma autêntica, reconhecendo no paciente sua singularidade, sua biografia e sua vulnerabilidade. No campo dos cuidados paliativos, essa abordagem torna-se ainda mais necessária, uma vez que o sofrimento do idoso transcende a dimensão biológica da doença e se estende ao âmbito psicológico, social e existencial.

O sofrimento físico é frequentemente o mais visível e imediato no idoso em cuidados paliativos. Dor crônica, fadiga, dispneia, náuseas e distúrbios do sono figuram entre os sintomas mais prevalentes e debilitantes. A enfermagem, nesse contexto, tem papel essencial no monitoramento constante desses sintomas, na administração de terapias farmacológicas e não farmacológicas e na comunicação efetiva com a equipe médica para ajustes de conduta (Radbruch et al., 2020).

Mais do que intervir tecnicamente, o enfermeiro deve adotar uma postura sensível diante da dor. O simples ato de estar presente, ouvir e validar a experiência subjetiva do idoso já constitui forma de cuidado. Estudos apontam que a percepção de dor não é apenas fisiológica, mas também influenciada por fatores emocionais e sociais (Caldas; Castro; Castro, 2021). Portanto, o acolhimento exige olhar ampliado, capaz de reconhecer que a dor é, antes de tudo, uma experiência humana.

O envelhecimento, associado a doenças limitantes e à proximidade da morte, gera sofrimento emocional significativo. Tristeza, ansiedade, solidão e medo são sentimentos comuns entre idosos em cuidados paliativos. Nesse sentido, a enfermagem desempenha função de apoio psicológico imediato, por meio da escuta ativa, da empatia e da construção de vínculos de confiança.

Chochinov (2022) ressalta que a dignidade é frequentemente ameaçada quando o paciente se percebe reduzido a um corpo doente. A enfermagem, ao reconhecer a pessoa em sua totalidade, contribui para resgatar autoestima e sentido de vida, oferecendo suporte que vai além da técnica. A implementação de estratégias como a Dignity Therapy, embora conduzida por profissionais especializados, pode ser facilitada pelo enfermeiro, que se coloca como mediador do diálogo entre paciente, família e equipe. O idoso em cuidados paliativos também enfrenta sofrimento decorrente de vulnerabilidades sociais. O afastamento do mercado de trabalho, a dependência de familiares, o isolamento social e a sobrecarga de cuidadores configuram realidades frequentes. Minayo (2012) destaca que a velhice no Brasil é marcada por desigualdades estruturais que comprometem o acesso a serviços de saúde e a políticas de proteção social.

A enfermagem, inserida no cotidiano do cuidado, desempenha papel fundamental na identificação dessas vulnerabilidades e na articulação com o serviço social e demais profissionais da equipe multiprofissional. Ao reconhecer que o sofrimento social impacta diretamente a saúde do idoso, o enfermeiro atua como ponte entre o paciente, a família e as políticas públicas, favorecendo a criação de redes de apoio e proteção. A dimensão espiritual, reconhecida pela OMS (2020) como parte essencial dos cuidados paliativos, também constitui campo de atuação da enfermagem. Muitos idosos enfrentam a terminalidade apoiando-se em suas crenças, tradições religiosas ou valores espirituais. Quando tais dimensões são ignoradas, o sofrimento espiritual pode intensificar-se, resultando em angústia e desamparo.

Para Boff (2020), o cuidado é um ato essencialmente ético e espiritual, pois envolve solidariedade, compaixão e responsabilidade pelo outro. A enfermagem, nesse sentido, deve adotar uma postura aberta e respeitosa às diferentes expressões de espiritualidade, acolhendo demandas simbólicas que dão sentido ao processo de viver e morrer. Isso pode se traduzir tanto no respeito a rituais religiosos quanto na valorização de narrativas pessoais que expressem transcendência e legado. Outro aspecto central do papel da enfermagem no acolhimento do sofrimento é a mediação do cuidado com a família. O adoecimento de um idoso em cuidados paliativos mobiliza não apenas o paciente, mas também todo o seu núcleo familiar, que frequentemente enfrenta sentimentos de impotência, medo e luto antecipatório.

A enfermagem, por sua proximidade, tem condições privilegiadas de apoiar a família, esclarecendo dúvidas, orientando práticas de cuidado domiciliar, oferecendo suporte emocional e facilitando o diálogo com a equipe multiprofissional. Filip et al. (2022) ressaltam que a tomada de decisão compartilhada é um dos maiores desafios éticos dos cuidados paliativos, e o enfermeiro desempenha papel fundamental como mediador desse processo, garantindo que a voz da família seja ouvida e respeitada, sem sobrepor-se à autonomia do paciente.

A humanização é um dos princípios mais discutidos nos cuidados em saúde, mas ganha especial relevância nos cuidados paliativos. A Política Nacional de Humanização do SUS ,preconiza que o acolhimento é prática essencial para assegurar dignidade e respeito aos usuários. No caso da enfermagem, humanizar significa ir além da técnica, estabelecendo vínculos que reconheçam o idoso como sujeito de direitos, portador de valores e significados próprios.

Watson (2002) argumenta que o cuidado humano autêntico é aquele que envolve não apenas a competência técnica, mas também a presença afetiva e a empatia. Essa visão encontra ressonância no contexto dos cuidados paliativos, em que o acolhimento do sofrimento é inseparável do reconhecimento da pessoa em sua integralidade. Apesar de sua relevância, o papel da enfermagem no acolhimento do sofrimento enfrenta desafios significativos. Entre eles, destacam-se a sobrecarga de trabalho, a falta de preparo específico em cuidados paliativos, as limitações estruturais dos serviços de saúde e a carência de políticas públicas consistentes voltadas para a população idosa.

Autores como Caldas, Castro e Castro (2021) defendem que a formação acadêmica e a educação permanente em saúde devem contemplar de forma mais robusta a temática dos cuidados paliativos, preparando enfermeiros para lidar com dilemas éticos, gestão de sintomas e acolhimento do sofrimento humano. Além disso, é necessária a ampliação de serviços especializados e a valorização da enfermagem como pilar estratégico da atenção integral ao idoso.

O papel sensível da enfermagem no acolhimento do sofrimento revela-se como um dos alicerces dos cuidados paliativos no envelhecimento. Ao integrar saber técnico, empatia, escuta ativa e respeito à dignidade, o enfermeiro se torna agente de humanização e protagonista no processo de cuidar. Acolher o sofrimento significa reconhecer que o idoso é mais do que um corpo adoecido: é um ser humano pleno, com história, valores e espiritualidade. Dessa forma, a enfermagem reafirma seu compromisso ético e humanístico com a vida, mesmo diante da morte.

3. CUIDADO CENTRADO NO PACIENTE: UMA PERSPECTIVA HUMANIZADA

O cuidado centrado no paciente consolidou-se como uma das principais referências da assistência em saúde contemporânea, constituindo não apenas uma diretriz técnica, mas também uma filosofia orientada por princípios éticos, humanísticos e de justiça social. Essa perspectiva busca superar a fragmentação típica do modelo biomédico, que privilegia a doença em detrimento da pessoa, para colocar o paciente no centro das práticas clínicas e decisórias, respeitando sua subjetividade, autonomia, valores e história de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020), o cuidado centrado no paciente constitui elemento fundamental para a integralidade da assistência e deve ser garantido em todas as fases da vida, em especial quando há presença de doenças crônicas graves. Nos cuidados paliativos, essa perspectiva torna-se essencial, já que a finitude da vida coloca em evidência questões existenciais profundas, que não podem ser tratadas apenas com protocolos clínicos. Ao valorizar a experiência subjetiva e o contexto cultural do paciente, esse modelo oferece condições para que a pessoa viva e morra com dignidade. Watson (2002), em sua teoria do cuidado transpessoal, já apontava que o verdadeiro cuidar é aquele que transcende a técnica para se constituir como encontro humano. Essa visão se aproxima do paradigma centrado no paciente, pois coloca em destaque o vínculo interpessoal, a empatia e a escuta ativa como componentes essenciais da prática da enfermagem e da equipe multiprofissional. Em consonância, Chochinov (2022) defende que a dignidade é um dos maiores eixos do cuidado em saúde, principalmente no envelhecimento, e que preservar a identidade do paciente é parte indissociável da assistência.

No Brasil, a Política Nacional de Humanização (2013) reforça a importância do acolhimento, da corresponsabilidade e da autonomia do usuário como princípios norteadores do SUS. Esses elementos se integram de forma direta ao cuidado centrado no paciente, que se sustenta na valorização da pessoa como sujeito de direitos e protagonista de sua própria trajetória de saúde. No âmbito dos cuidados paliativos, essa abordagem ganha contornos ainda mais relevantes, pois dialoga com o direito a morrer de forma digna, com respeito às escolhas e com suporte integral às dimensões físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Caldas, Castro e Castro (2021) destacam que a humanização da assistência passa necessariamente pelo reconhecimento da singularidade do idoso. Em situações de adoecimento avançado, cada escolha clínica precisa estar alinhada à biografia do paciente e ao que ele considera como qualidade de vida. Dessa forma, o cuidado centrado no paciente não se restringe a uma técnica de comunicação ou metodologia de trabalho, mas é a própria base de um modelo de saúde que busca equilibrar ciência, ética e humanidade.

Entretanto, sua efetivação ainda enfrenta desafios significativos. Minayo (2012) observa que a velhice no Brasil é atravessada por desigualdades estruturais, que dificultam o acesso a serviços de saúde qualificados e ampliam a vulnerabilidade social. Nesse sentido, o cuidado centrado no paciente só poderá ser efetivado quando as práticas em saúde se articularem a políticas públicas consistentes, capazes de assegurar equidade, integralidade e acesso universal. Outro ponto crítico refere-se à formação profissional. A falta de preparo específico em cuidados paliativos e em comunicação humanizada constitui entrave para que médicos, enfermeiros e demais profissionais consigam aplicar, no cotidiano, os princípios do cuidado centrado no paciente. Filip et al. (2022) lembram que decisões clínicas nesse contexto envolvem dilemas éticos complexos — como a definição de limites terapêuticos, a utilização de sedação paliativa ou a recusa de tratamentos invasivos — que só podem ser conduzidos de forma ética a partir da escuta ativa e da decisão compartilhada.

O cuidado centrado no paciente, portanto, se sustenta em três pilares principais, que serão desenvolvidos em profundidade nos subtópicos a seguir: a valorização da subjetividade e da história de vida, a promoção de decisões compartilhadas com fortalecimento do vínculo terapêutico e a individualização das condutas clínicas. Esses eixos, articulados, permitem transformar a prática clínica em experiência humanizada, que reconhece a complexidade do paciente como ser biopsicossocial e espiritual.

Em síntese, o cuidado centrado no paciente, em uma perspectiva humanizada, constitui um dos maiores avanços no campo dos cuidados paliativos e da saúde coletiva. Ele reafirma que a medicina e a enfermagem não podem reduzir o indivíduo à condição de portador de doença, mas devem vê-lo como sujeito ativo de sua história, portador de dignidade e merecedor de cuidado integral. Ao integrar ciência, ética e humanização, esse modelo amplia a qualidade de vida e reafirma o direito de cada pessoa a viver e morrer com respeito.

3.1. Valorização da subjetividade e da história de vida

A valorização da subjetividade e da história de vida do paciente constitui um dos fundamentos mais sólidos do cuidado centrado na pessoa, especialmente no contexto dos cuidados paliativos. Esse princípio rompe com a visão tradicional de saúde que enxerga o paciente apenas como portador de uma doença, buscando restituir-lhe o status de sujeito pleno, com trajetória, afetos, valores, escolhas e vínculos que o tornam único. A humanização da assistência, nesse sentido, pressupõe não apenas o manejo clínico adequado, mas o reconhecimento da biografia individual como parte essencial do processo de cuidar.

Segundo Chochinov (2022), a dignidade do paciente encontra-se diretamente vinculada à maneira como ele é percebido e reconhecido pela equipe de saúde. Quando o cuidado ignora sua identidade, reduzindo-o a um corpo doente, instaura-se o risco de sofrimento existencial e de perda do sentido de vida. Nesse contexto, a Dignity Therapy surgiu como intervenção inovadora voltada a resgatar memórias, narrativas pessoais e valores, favorecendo que o paciente reafirme sua subjetividade e encontre serenidade diante da finitude. A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) enfatiza que os cuidados paliativos devem considerar as dimensões biopsicossociais e espirituais da pessoa, de forma que o paciente seja visto em sua integralidade. Isso significa reconhecer que a subjetividade não é acessória, mas parte constitutiva do processo de cuidar. A escuta atenta e o respeito às preferências individuais, quando incorporados às práticas clínicas, traduzem-se em ganhos concretos de qualidade de vida, ainda que a doença subjacente seja incurável.

No campo da enfermagem, Watson (2002) aponta que a teoria do cuidado transpessoal tem como base a valorização do ser humano em sua totalidade. Para a autora, o cuidar deve transcender a técnica e se tornar experiência relacional, na qual o profissional se conecta de maneira genuína ao paciente. Esse contato autêntico cria um espaço terapêutico em que a subjetividade é reconhecida, e o paciente deixa de ser visto como objeto de intervenção para ser valorizado em sua história e dignidade.

No Brasil, Minayo (2012) ressalta que a subjetividade dos idosos está intrinsecamente ligada ao contexto social em que viveram. Suas histórias de vida frequentemente refletem desigualdades econômicas, limitações educacionais e desafios culturais que marcaram a formação da sociedade brasileira. Assim, valorizar a biografia do idoso é também um ato político, na medida em que reconhece o impacto das condições sociais sobre a vida individual e incorpora tais elementos no processo de cuidado.

Caldas, Castro e Castro (2021) complementam que a prática da humanização em saúde passa, necessariamente, pela escuta qualificada das narrativas pessoais. Para os autores, cada idoso carrega memórias, costumes e valores que orientam seu entendimento sobre saúde, doença e morte. O respeito a essas narrativas fortalece o vínculo terapêutico, promove adesão às condutas e gera confiança entre paciente, família e equipe multiprofissional. Além do campo psicológico e cultural, a valorização da subjetividade possui dimensão espiritual relevante. Boff (2020) defende que o cuidado é, antes de tudo, expressão de solidariedade e compaixão, que só se concretiza quando reconhece o outro em sua singularidade. A espiritualidade, entendida de forma ampla, não restrita à religiosidade, constitui fonte de sentido e esperança para muitos pacientes idosos. Ignorar essa dimensão significa negligenciar parte essencial da experiência humana diante da morte.

A prática clínica tem mostrado que a valorização da subjetividade traz impactos diretos no bem-estar do paciente. Estudos demonstram que idosos que se sentem ouvidos e respeitados apresentam menor índice de sintomas depressivos e maior aceitação da finitude (Filip et al., 2022). Isso reforça que a subjetividade não deve ser vista como elemento secundário, mas como recurso terapêutico que potencializa a integralidade do cuidado. No cotidiano da assistência, a enfermagem desempenha papel central nesse processo. Por estar mais próxima do paciente, o enfermeiro tem a oportunidade de conhecer detalhes de sua biografia, compreender seus medos e esperanças e oferecer escuta ativa. Essa proximidade facilita a criação de um espaço de confiança em que o idoso pode expressar sentimentos e partilhar sua história de vida. Mais do que administrar medicamentos, o enfermeiro se torna mediador entre a subjetividade do paciente e a objetividade do sistema de saúde.

Radbruch et al. (2020) salientam que a redefinição dos cuidados paliativos em âmbito internacional já inclui a subjetividade como componente essencial da prática. Essa atualização reflete a compreensão de que a saúde não é apenas ausência de sintomas, mas a possibilidade de viver com sentido, mesmo diante da morte. Assim, a valorização da biografia e da experiência pessoal não é apenas uma escolha ética, mas uma exigência de qualidade e efetividade da assistência.

Apesar de sua relevância, a incorporação da subjetividade ao cuidado ainda encontra obstáculos. A pressão por produtividade, a sobrecarga dos serviços e a ausência de formação específica em comunicação humanizada dificultam a escuta qualificada. Muitas vezes, o sistema de saúde prioriza indicadores objetivos em detrimento da dimensão subjetiva, reduzindo o paciente a números e diagnósticos. Esse modelo precisa ser superado para que o cuidado centrado no paciente seja plenamente efetivado. Nesse sentido, estratégias como entrevistas narrativas, rodas de conversa, uso de tecnologias de comunicação e integração da família no processo de cuidado mostram-se eficazes para trazer à tona a subjetividade. Além disso, a interdisciplinaridade deve ser fortalecida, já que diferentes profissionais (psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, capelães) contribuem para compreender e valorizar as múltiplas dimensões da experiência do paciente. Em síntese, a valorização da subjetividade e da história de vida é pilar inegociável do cuidado humanizado. Ao reconhecer o paciente como ser único, portador de biografia e dignidade, o sistema de saúde reafirma sua função ética e social. Essa abordagem não apenas alivia o sofrimento, mas devolve ao paciente o protagonismo sobre sua existência, permitindo que viva e morra de acordo com seus valores e preferências.

3.2. Decisões compartilhadas e vínculo terapêutico

A tomada de decisão em saúde é um dos momentos mais delicados e complexos da prática clínica, sobretudo no contexto dos cuidados paliativos. Nessa fase da vida, pacientes e famílias se deparam com escolhas difíceis, como a continuidade ou interrupção de tratamentos invasivos, o uso de sedação paliativa e a definição de metas realistas de cuidado. O modelo tradicional, centrado no médico como único detentor do saber, mostrou-se insuficiente para lidar com tais dilemas, pois muitas vezes ignora os valores e desejos do paciente. Daí emerge a importância da decisão compartilhada, prática que coloca paciente, família e equipe multiprofissional em diálogo, de forma horizontal, com base em informação clara, ética e humanizada.

Segundo Filip et al. (2022), a decisão compartilhada constitui um dos pilares da prática contemporânea em cuidados paliativos. Ela permite alinhar expectativas, reduzir conflitos e fortalecer a autonomia do paciente, que passa a ser visto como protagonista de sua trajetória de saúde. Essa abordagem não elimina a responsabilidade técnica da equipe, mas a amplia, já que o papel dos profissionais passa a incluir também a mediação ética e comunicacional, traduzindo informações complexas de maneira acessível.

No Brasil, a Política Nacional de Humanização (BRASIL, 2013) já reforçava que a corresponsabilização é princípio essencial do SUS. Isso significa que o paciente deve participar das decisões relacionadas à sua saúde, em parceria com os profissionais e familiares. Essa corresponsabilidade fortalece a cidadania em saúde, evitando práticas paternalistas ou autoritárias, que ainda persistem em alguns serviços. Radbruch et al. (2020) destacam que a comunicação clara é condição indispensável para a decisão compartilhada. Sem informações compreensíveis sobre riscos, benefícios e alternativas, não há como falar em autonomia real. Nesse sentido, a linguagem acessível, o respeito ao tempo de cada paciente e a escuta ativa são elementos centrais. Além disso, a decisão não deve ser vista como evento pontual, mas como processo contínuo, que pode ser revisitado conforme a evolução da doença e os desejos do paciente.

Outro aspecto fundamental nesse processo é o vínculo terapêutico. Sem vínculo, não há confiança, e sem confiança, não há decisão compartilhada efetiva. Watson (2002) já ressaltava, em sua teoria do cuidado transpessoal, que a relação de confiança nasce da empatia e da presença autêntica do profissional. No caso da enfermagem, a proximidade cotidiana com o paciente favorece a construção de vínculos duradouros, que vão além da técnica e se transformam em relações de cuidado genuíno. Chochinov (2022) reforça que a preservação da dignidade está diretamente ligada à qualidade das relações estabelecidas. Pacientes que se sentem respeitados e reconhecidos relatam maior satisfação com os cuidados recebidos, ainda que as condições clínicas sejam irreversíveis. Isso mostra que o vínculo terapêutico não é apenas uma estratégia relacional, mas recurso terapêutico em si, capaz de aliviar o sofrimento existencial.

Do ponto de vista cultural, Minayo (2012) lembra que, no Brasil, a família desempenha papel central na tomada de decisões sobre saúde, especialmente no caso dos idosos. Por isso, a decisão compartilhada não pode ignorar esse contexto sociocultural, devendo incluir familiares de maneira sensível, mas sem apagar a voz do paciente. O desafio é equilibrar a autonomia individual com a corresponsabilidade coletiva, em um processo dialógico e respeitoso. Boff (2020) complementa que o cuidado só se concretiza plenamente quando inclui solidariedade e compaixão. No momento de decisões difíceis, como a recusa de tratamentos fúteis ou a escolha por cuidados de conforto, a atitude ética do profissional exige sensibilidade para compreender o sofrimento do paciente e da família. Essa postura não pode ser reduzida a protocolos, mas deve nascer do compromisso humano com a vida e com a dignidade da morte.

Apesar dos avanços, a prática da decisão compartilhada enfrenta barreiras. Muitos profissionais ainda carecem de formação em comunicação humanizada, o que pode gerar falhas no diálogo e perpetuar práticas paternalistas. Além disso, a sobrecarga dos serviços e a pressão por produtividade reduzem o tempo disponível para conversas significativas, prejudicando a construção do vínculo. Essas limitações apontam para a necessidade de políticas institucionais que valorizem o tempo da escuta e reconheçam o vínculo terapêutico como parte integrante do cuidado.

Estratégias para fortalecer a decisão compartilhada incluem reuniões familiares, uso de diretivas antecipadas de vontade, capacitação em comunicação empática e trabalho interdisciplinar. Equipes que adotam essas práticas relatam menor número de conflitos, maior adesão ao plano de cuidados e maior satisfação de pacientes e familiares (Caldas; Castro; Castro, 2021). Em síntese, a decisão compartilhada e o vínculo terapêutico são indissociáveis e constituem eixos centrais do cuidado centrado no paciente. A decisão compartilhada garante a autonomia e o protagonismo do paciente; o vínculo terapêutico assegura que esse processo ocorra em ambiente de confiança, respeito e dignidade. Juntos, esses elementos transformam a prática clínica em experiência humanizada, capaz de aliviar o sofrimento e devolver sentido à vida, mesmo nos momentos finais.

3.3. Individualização das condutas clínicas

O cuidado centrado no paciente exige que cada conduta clínica seja pensada e aplicada de forma personalizada, respeitando não apenas o quadro clínico, mas também a história de vida, os valores, as crenças e as preferências do paciente. A lógica padronizada dos protocolos, embora necessária para garantir segurança e qualidade técnica, muitas vezes falha em reconhecer a singularidade das pessoas, especialmente em contextos complexos como os cuidados paliativos. A individualização, portanto, surge como estratégia fundamental para assegurar dignidade, autonomia e qualidade de vida, transformando o ato de cuidar em prática verdadeiramente humanizada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020), os cuidados paliativos devem se adaptar continuamente às necessidades específicas de cada indivíduo, considerando dimensões físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Isso significa que, para além da prescrição de medicamentos e do controle de sintomas, o cuidado deve ser sensível ao que o paciente entende como prioridade de vida. Para alguns, pode ser fundamental permanecer em casa, junto à família; para outros, o objetivo pode ser evitar dor, manter independência funcional ou preservar práticas culturais e religiosas.

Radbruch et al. (2020) reforçam que a redefinição do conceito de cuidados paliativos inclui a personalização como eixo estruturante. A aplicação de protocolos rígidos sem atenção ao contexto individual pode levar à obstinação terapêutica ou ao abandono das necessidades existenciais do paciente. A individualização, ao contrário, favorece a proporcionalidade das intervenções, equilibrando benefícios e riscos em função do que o paciente considera significativo para sua vida.

Na prática clínica, a individualização se traduz em uma série de escolhas: o ajuste de doses analgésicas conforme a tolerância do paciente; a adaptação da dieta segundo preferências culturais e limitações físicas; a inclusão da espiritualidade no plano terapêutico; a definição conjunta de metas realistas de cuidado. Como observa Chochinov (2022), pequenas adaptações que preservam a identidade e os valores do paciente podem ter impacto profundo em sua dignidade e autoestima, reduzindo o sofrimento psicológico e ampliando a sensação de controle.

No campo da enfermagem, Watson (2002) argumenta que o cuidado é ato relacional e, portanto, exige reconhecimento da singularidade de cada pessoa. O enfermeiro, por estar em contato direto e contínuo com o paciente, é quem muitas vezes identifica necessidades específicas que escapam aos protocolos. Ao respeitar essas particularidades, o enfermeiro transforma a prática em experiência terapêutica autêntica, na qual técnica e humanidade caminham juntas.

Caldas, Castro e Castro (2021) observam que, no caso dos idosos, a individualização das condutas clínicas é ainda mais necessária devido à complexidade da velhice. A presença de múltiplas comorbidades, a fragilidade física, a polifarmácia e as alterações cognitivas tornam o cuidado padronizado insuficiente. O manejo terapêutico precisa considerar as vulnerabilidades específicas e as prioridades do idoso, evitando tratamentos invasivos ou agressivos que pouco acrescentam à sua qualidade de vida.

Do ponto de vista ético, Boff (2020) ressalta que cuidar é respeitar o outro em sua totalidade, o que inclui aceitar sua liberdade de escolha. A individualização das condutas clínicas, portanto, não é apenas técnica, mas também ética, na medida em que devolve ao paciente o protagonismo sobre sua existência. Ao reconhecer o direito de recusar intervenções, optar por cuidados de conforto ou priorizar aspectos subjetivos, a equipe de saúde reafirma a dignidade do ser humano diante da finitude.

No Brasil, Minayo (2012) aponta que a individualização do cuidado deve considerar as desigualdades sociais. Muitos idosos vivem em condições precárias, sem acesso a recursos básicos, o que limita as opções terapêuticas disponíveis. Nesse cenário, personalizar a assistência significa também adaptar condutas ao contexto social, buscando soluções possíveis e respeitosas. Por exemplo, ajustar tratamentos à realidade domiciliar do paciente pode ser mais eficaz do que impor padrões hospitalares inatingíveis.

A literatura internacional mostra que equipes multiprofissionais que aplicam a individualização em seus cuidados obtêm melhores resultados de satisfação, adesão e bem-estar (Filip et al., 2022). Isso se deve ao fato de que o paciente percebe-se ouvido, compreendido e respeitado em sua integralidade. Essa prática contribui para reduzir o sofrimento global, equilibrando dimensões físicas e emocionais, além de fortalecer a confiança no vínculo terapêutico.

Apesar disso, a individualização ainda enfrenta desafios. Muitos serviços de saúde trabalham sob pressão por produtividade, o que dificulta a adaptação das práticas. A carência de profissionais especializados em cuidados paliativos e a falta de protocolos flexíveis também comprometem a personalização. É necessário que gestores reconheçam a importância da individualização e a incorporem como indicador de qualidade assistencial, incentivando formações continuadas e alocação de recursos.

Outro aspecto essencial é a interdisciplinaridade. A personalização só é possível quando diferentes saberes se integram: médicos ajustam terapias farmacológicas, enfermeiros identificam necessidades cotidianas, psicólogos oferecem suporte emocional, fisioterapeutas preservam a mobilidade, assistentes sociais adequam condutas ao contexto socioeconômico e líderes espirituais apoiam a dimensão existencial. Essa abordagem colaborativa traduz a essência do cuidado centrado no paciente.

Em síntese, a individualização das condutas clínicas não é um luxo ou ideal abstrato, mas requisito ético e prático dos cuidados paliativos. Reconhecer a singularidade do paciente significa respeitar sua autonomia, aliviar seu sofrimento e garantir-lhe dignidade em todas as fases da doença. Ao superar a lógica padronizada e aproximar ciência, ética e humanidade, a prática clínica se torna instrumento de cuidado integral, reafirmando o valor da vida até o último instante.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo desenvolvido ao longo deste trabalho evidenciou que os cuidados paliativos, quando orientados por uma perspectiva humanizada e centrada no paciente, constituem elemento essencial no enfrentamento dos desafios impostos pelo envelhecimento populacional. Ficou claro que o cuidado ao idoso em fase avançada de doença exige muito mais do que domínio técnico: requer compromisso ético, sensibilidade, empatia, comunicação clara, interdisciplinaridade e profundo respeito à singularidade de cada pessoa.

A análise dos fundamentos éticos, dos princípios humanísticos e das demandas específicas da velhice demonstrou que práticas como a escuta ativa, a valorização da história de vida, a tomada de decisão compartilhada e o fortalecimento do vínculo terapêutico são pilares indispensáveis para consolidar um cuidado que reconheça o idoso como sujeito de direitos e não como mero portador de uma condição clínica. Esses elementos asseguram dignidade e sentido à experiência da finitude.

Os resultados encontrados na literatura — tanto internacional (Radbruch et al., 2020; Chochinov, 2022; Filip et al., 2022) quanto nacional (Minayo, 2012; Caldas; Castro; Castro, 2021; Boff, 2020) — convergem para uma mesma conclusão: os cuidados paliativos transcendem a dimensão biomédica e precisam integrar fatores sociais, culturais, psicológicos e espirituais. No entanto, persistem obstáculos significativos, como a falta de formação específica dos profissionais, a sobrecarga dos serviços, a desigualdade no acesso e a insuficiência de políticas públicas direcionadas ao idoso em situação de vulnerabilidade.

Diante disso, a proposta em relação ao tema — ou seja, o que pode ser feito para melhorar a realidade dos cuidados paliativos no Brasil — aponta para ações concretas:

a) ampliar a capacitação das equipes multiprofissionais em cuidados paliativos;

b) fortalecer políticas públicas que garantam acesso equitativo e contínuo aos serviços especializados;

c) desenvolver programas de educação permanente, com foco em comunicação, ética e manejo de sintomas;

d) incluir as famílias como parte ativa do processo de cuidado, reconhecendo seu papel e oferecendo suporte adequado;

e) incentivar a criação e a expansão de serviços de cuidados paliativos em diferentes níveis de atenção, especialmente na atenção básica;

f) promover campanhas de sensibilização que reduzam o estigma associado à terminalidade e fomentem a humanização das práticas de saúde.

Essas propostas emergem como caminhos viáveis para transformar o ideal de cuidado humanizado em prática cotidiana, contribuindo para um avanço real na assistência ao idoso em fase terminal.

Em síntese, os cuidados paliativos representam um avanço civilizatório na forma como a sociedade compreende a velhice, a doença e a morte. Mais do que prolongar a vida a qualquer custo, o desafio contemporâneo é garantir qualidade, conforto, autonomia e dignidade até o último instante. Assim, reafirma-se que a enfermagem e as equipes multiprofissionais têm papel central nesse processo, mediando decisões, aliviando sofrimentos e promovendo um cuidado verdadeiramente integral. O futuro dos cuidados paliativos no Brasil dependerá da nossa capacidade de integrar ciência, ética e humanidade em práticas que respeitem a singularidade de cada pessoa, consolidando um modelo de saúde mais justo, sensível e centrado no paciente.

REFERÊNCIAS

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1 Bacharelando do curso de enfermagem da Universidade do Amazonas UNAMA
2 Bacharelando do curso de enfermagem da Universidade do Amazonas UNAMA
3 Graduação em Química pela UFAC,Pós Graduação em Análises Toxicológicas pela UNAMA