DEVELOPMENT OF REFRACTIVE ERRORS DUE TO PROLONGED EXPOSURE TO BLUE LIGHT: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510311904
Gabriel Rodrigues Canuto¹; Vitória Oliveira Dias da Costa²; Viviane Matias da Costa Souza³; Maria Alves Barbosa⁴; Milton Ruiz Alves⁵; Julio Cesar Souza Silva⁶
RESUMO
O uso frequente de dispositivos eletrônicos está associado ao aumento da exposição visual à luz azul artificial, a qual pode estar relacionada ao surgimento de erros refrativos. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi identificar se há relação entre o desenvolvimento de ametropias e a exposição prolongada à luz azul, bem como analisar epidemiologia, temporalidade, fatores de proteção e existência de um tempo seguro em relação a essa associação. A pesquisa foi realizada nas bases de dados Pubmed, SciELO, LILACS e Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações. Foram encontrados 105 artigos a partir dos descritores, sendo utilizados 20 estudos que atenderam aos objetivos previamente propostos. Os resultados mostram que a relação entre a exposição à luz azul e o desenvolvimento de erros refrativos é complexa e ainda não é totalmente compreendida. Muitos estudos demonstram que a luz azul pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da miopia, bem como para outros erros refrativos como astigmatismo e hipermetropia. A faixa etária também parece importante, já que os estudos concentram-se na população infantojuvenil. Além disso, a exposição ao ar livre e a genética tem grande influência na relação entre a luz azul e as ametropias. Portanto, mais estudos são necessários para esclarecer essa relação.
Palavras-chave: Tempo de Tela. Erro Refrativo. Luz Azul.
1. INTRODUÇÃO
Os dispositivos eletrônicos estão cada vez mais inseridos na rotina da humanidade. Nesse sentido, embora sejam facilitadores do cotidiano, esses aparelhos resultam em uma exposição óptica excessiva à luz azul artificial, o que tem sido associado a danos visuais cada vez mais frequentes (TODA et al., 2022).
Os diodos emissores de luz (LEDs) tornaram-se a escolha predominante para fabricação dos dispositivos móveis devido ao seu pequeno tamanho e eficiência, sendo adequados para telas limitadas, como as de smartphones. Essa transição também se estendeu à retroiluminação de telas de cristal líquido (LCDs) em laptops. Além disso, os LEDs também compõem a tela de tablets, como iPads e e-readers, e de aparelhos televisivos (TV) LCD. Como resultado, aumentou-se a prevalência da luz azul nos sistemas de iluminação RGB e solid-state lighting (SSL), que não eram proeminentes uma década atrás. Consequentemente, a mudança tecnológica afetou a forma como as pessoas leem, com a luz sendo usada diretamente para iluminação em dispositivos eletrônicos, em contraste com a leitura em papel, que geralmente depende da reflexão da luz (TOSINI et al., 2016).
Neste contexto, o emprego de dispositivos eletrônicos é destacado como um dos elementos ambientais que podem contribuir para o surgimento de ametropias. Ao longo das últimas duas décadas, devido ao considerável avanço tecnológico, as crianças começaram a ter acesso de maneira cada vez mais precoce a computadores, smartphones e outros dispositivos eletrônicos. Nesse sentido, além da população infantojuvenil, adultos e idosos também têm dedicado um tempo significativo diante desses aparelhos. Somado a isso, o período ao ar livre, que desempenha um papel protetor contra erros refrativos devido à exposição à luz solar, tem experimentado uma redução (GOMES et al., 2020).
Considerando-se a importância do tema na atualidade, emergiu a pergunta norteadora deste estudo: o que há na literatura sobre o desenvolvimento de erros refrativos devido à exposição prolongada à luz azul?
Nesse sentido, o trabalho reuniu evidências na literatura para melhor definição de como a luz azul influencia o desenvolvimento de erros refrativos, dado o aumento da exposição aos dispositivos eletrônicos, assim como a reunião de dados epidemiológicos que abordam a faixa etária mais acometida, fato que evidenciaria a temporalidade dos efeitos causados pela interação entre a luz artificial e o olho, ou seja, estabelecer o tempo de instalação da ametropia.
Portanto, o presente estudo beneficia a comunidade científica, acadêmica e social ao possibilitar a definição de fatores de risco e proteção, bem como a minimização da intervenção tardia da problemática em questão.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1 PROPRIEDADES ÓPTICAS DA LUZ AZUL
A luz azul é presente em nosso ambiente, sendo predominantemente emitida pelo sol. Nessa perspectiva, é essencial a exposição à luz azul diariamente para equilibrar as necessidades biológicas, influenciando tanto aspectos visuais quanto não visuais do organismo. Essa exposição desempenha um papel crucial na regulação do comportamento humano e do ritmo circadiano. No entanto, uma exposição inadequada à iluminação, especialmente proveniente de fontes artificiais de luz azul, pode resultar em efeitos prejudiciais à saúde. A luz azul, devido à sua alta energia, tem o potencial de desencadear e acelerar reações fotoquímicas, resultando em danos às células da retina (COUGNARD-GREGOIRE et al., 2023).
Com o avançar dos recursos tecnológicos disponíveis para uso doméstico, houve uma crescente exposição aos diodos emissores de luz (LED). Tais dispositivos contêm diferentes ondas curtas da faixa azul (400 nm a 480 nm) que existem naturalmente, mas ocorrem, predominantemente, em computadores, telefones celulares e outros componentes eletrônicos. Nessa perspectiva, estudos revelaram que a exposição à luz azul por tempo prolongado pode causar danos à visão (LI et al., 2021).
Nesse espectro luminoso, existem propriedades variáveis quanto aos diferentes segmentos de onda da luz visível, sendo que a azul, assim como nos é processada, corresponde a um segmento de comprimento curto e de alta energia, qualidade pela qual desperta interesse na comunidade científica com relação à potencialidade nociva ao surgimento de distúrbios visuais (ANTEMIE et al., 2023).
2.2 INTERAÇÃO DA LUZ AZUL COM A RETINA
A produção de dopamina, para o epitélio ocular, tem lugar na retina, especificamente através de dois tipos de células dopaminérgicas: as células amácrinas e as interplexiformes (ZHOU et al., 2017). Esse procedimento de síntese e liberação é desencadeado em resposta à estimulação luminosa, estando relacionado à regulação do ciclo circadiano e à ativação de fotorreceptores, como bastonetes, cones e as células ganglionares retinais intrinsecamente fotossensíveis (ipRGCs) (STONE et al., 1989).
A interação da luz azul e violeta com tecidos biológicos produz reações fotoquímicas capazes de formar espécies reativas de oxigênio, as quais podem danificar os componentes celulares, tais como lipídios e proteínas. Entretanto, é estabelecido que quanto menor o comprimento de onda, maior a formação de espécies reativas de oxigênio. Já a nível celular, o comprimento de onda entre 440 e 490 nm desencadeia, em maiores proporções, injúrias aos fotorreceptores: cones e bastonetes (SILVA et al., 2015).
Para amenizar os efeitos dessa interação, as espécies, incluindo a dos seres humanos, dispõem de mecanismos específicos para produzir filtros intraoculares de luz azul. Nesse sentido, a espécie humana, particularmente, conta com meios endógenos para mitigar a sensibilização dos extratos retinianos pelas ondas de alta energia, a exemplo dos pigmentos maculares, como a meso-zeaxantina, a zeaxantina e a luteína que podem ser encontrados nas camadas internas da mácula, responsáveis por absorver comprimentos de onda entre 400 e 520 nm, com um pico de absorção em 460 nm (HAMMOND et al., 2019).
2.3 ACOMODAÇÃO VISUAL
A contração do músculo ciliar representa o mecanismo periférico da acomodação, secundário a um mecanismo central. Este mecanismo central é ativado por um estímulo visual (a imagem desfocada na retina). Através das vias ópticas, este estímulo atinge as áreas onde se inicia a alça eferente da resposta. O músculo ciliar é inervado pelo III par craniano, com a maioria das fibras provenientes do núcleo de Edinger-Westphal, do complexo oculomotor. Embora os impulsos parassimpáticos sejam os mais importantes na geração da acomodação, os impulsos provenientes do sistema simpático também atuam secundariamente na acomodação, de modo que a vasoconstrição e redução na massa do corpo ciliar, resultam em maior tensão das fibras zonulares desencadeando o achatamento do cristalino (SÁ; PLUTT, 2001).
Existe um fenômeno que consiste na introdução de produtos portáteis no cotidiano com o intuito de facilitar a conexão em rede. Consequentemente, foi possível que a proporção de crianças, em 2019, na faixa etária dos 4 aos 6 anos, com smartphones ou tablets próprios, crescesse de 23% para 30%. As telas menores dos eletrônicos portáteis fazem com que a maioria dos indivíduos segurem o equipamento muito próximo do globo ocular e, como consequência do esforço visual para adaptar aquilo que está perto, tem-se a facilidade na perda da nitidez para objetos que estejam mais distantes (GOMES et al., 2020).
2.4 MECANISMOS DO DESENVOLVIMENTO REFRATIVO DO OLHO
O desenvolvimento refrativo do olho é um processo que passa por um desenvolvimento coordenado. A disposição geral do olho e seus vários componentes são desenvolvidos durante o desenvolvimento embrionário, que envolve uma sinalização complexa entre tecidos. O olho passa então por um processo de refinamento durante o processo de emetropização pós-natal, que depende fortemente da integração de fatores ambientais e genéticos. Essa rede genética codifica uma sinalização multicamadas, que converte estímulos visuais em sinais moleculares que orientam o crescimento pós-natal do olho. A cascata de sinalização subjacente ao desenvolvimento refrativo do olho abrange todos os tecidos oculares e compreende diversas vias de sinalização (SUMMERS et al., 2021). Os estímulos visuais ligados à desfocagem da retiniana regulam o crescimento ocular, influenciando a emetropização. Processados localmente, especialmente na retina periférica, esses sinais afetam o comprimento axial e o estado refrativo central. A coroide atua como componente ativo, ajustando-se à desfocagem por mudanças na espessura coroidal. A resposta do crescimento ocular inclui modificações na matriz extracelular da esclera e propriedades biomecânicas. A intensidade e composição espectral da luz impactam o crescimento, interagindo com ritmos circadianos. A atropina interfere no crescimento ocular, prevenindo a miopia experimental por mecanismos muscarínicos e não muscarínicos. Compostos como dopamina, ácido retinoico e óxido nítrico modulam o crescimento ocular. Alterações moleculares na retina, EPR, coroide e esclera sustentam a possibilidade da cascata de sinais, indicando que a retina sinaliza desfocagem hiperópica e miópica para o crescimento ocular por diferentes vias (JONG; SMITH; TROILO, 2019).
2.5 CONSEQUÊNCIAS VISUAIS DA LUZ EXCESSIVA
A luz azul alcança a retina, especificamente na mácula lútea, onde há maior concentração de fotorreceptores responsáveis tanto pela visão central quanto pela alta resolução visual. Nesse sentido, quando o indivíduo é exposto à luz azul artificial, podem ocorrer danos irreversíveis, diminuição da performance visual, prejuízo do alcance da visão e, inclusive, degeneração macular (SONODA; ARAÚJO, 2022).
Além disso, um estudo recente mostrou a relação da Síndrome da Visão de Computador (SVC) e a luz azul. Todos os entrevistados relataram já ter apresentado ao menos um dos sintomas visuais compatíveis com a SVC, como tensão ocular, hiperemia e irritação/ardor, por exemplo (KUMATA; MATOSKI, 2020).
Outras manifestações clínicas incluem fadiga e desconforto ocular, olhos cansados, cefaleia, visão turva, visão dupla e olhos secos. Esses sintomas são classificados em externos, associados a olhos secos (ardor, lacrimejamento, olhos secos, irritação, cefaleia) e internos, quando remetem a alterações da visão refrativa, acomodativa ou binocular (BORGES et al., 2021).
3. OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
Realizar uma revisão integrativa de literatura sobre o desenvolvimento de erros refrativos devido à exposição prolongada à luz azul.
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
● Identificar se há relação entre o desenvolvimento de ametropias e a exposição prolongada à luz azul;
● Analisar fatores relacionados à epidemiologia que envolve a exposição à luz azul e o desenvolvimento de ametropias;
● Observar a temporalidade que envolve a exposição à luz azul e o desenvolvimento de erros refrativos;
● Identificar fatores de proteção para o desenvolvimento de erros refrativos
● Identificar a existência de um tempo seguro de utilização de dispositivos digitais para prevenção de ametropias;
4. METODOLOGIA
4.1 TIPO DE ESTUDO
Trata-se de uma revisão integrativa de literatura a ser conduzida entre os meses de março e dezembro de 2023 (MENDES, 2008).
4.2 BASES DE DADOS CONSULTADAS
O presente trabalho foi redigido sobre o formato de revisão integrativa, de modo que foram utilizados artigos científicos originais, monografias, livros e revisões bibliográficas das plataformas: PubMed, SciELO, Lilacs, Medline e Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações.
4.3 ESTRATÉGIA DE BUSCA
A seleção dos textos foi baseada na pesquisa de termos em inglês seja de forma isolada, seja na combinação entre 2 ou 3 delas, sendo: “Screen Time”, “Refractive Error”, “Blue Light” e seus sinônimos, combinados com operadores booleanos (OR, AND, NOT) e máscara de truncamento com asterisco (*) e ponto de interrogação (?). A estratégia de busca foi adaptada para cada um dos bancos de dados utilizados. Analisou-se as referências de cada artigo encontrado, seguida de uma busca de novos artigos por snowballing (STREETON et al., 2004).
A partir desses descritores, sugeridos pela plataforma DeCS, resultados satisfatórios foram garantidos para o presente objetivo da pesquisa.
4.4 CRITÉRIOS DE SELEÇÃO
Foram selecionados aqueles que publicados no intervalo de 2019 a 2023 e que apresentaram alguma relação e relevância com a temática explorada e que contivessem discussão, metodologia e resultados bem evidentes ao longo da redação para composição do estudo em questão.
4.4.1 Critérios de Inclusão
Artigos que estabelecem correlação entre o desenvolvimento de ametropias devido à exposição prolongada à luz azul;
Estudos que foram publicados em inglês ou português;
Estudos que foram publicados entre 2019 e 2023;
Estudos que visem benefício à espécie humana;
Artigos que apresentaram objetivos, metodologia, discussão e resultados bem evidentes no texto.
4.4.2 Critérios de Exclusão
Estudos que não relacionam a exposição à luz azul com a manifestação de erros refrativos;
Estudos de editorial, de opinião;
Estudos que estabelecem correlação entre o tempo de tela, ametropias e a pandemia pela COVID-19;
Estudos que não visem benefício à espécie humana;
Estudos com resultados pouco evidentes.
4.5 EXTRAÇÃO DE DADOS
Os dados relevantes dos artigos selecionados foram extraídos em uma planilha, utilizando-se o software Excel, na qual foram coletadas informações sobre os autores, ano de publicação, objetivos do estudo, metodologia, principais resultados e conclusões.
4.6 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA
Será realizada uma avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos na revisão, com base em critérios previamente estabelecidos. Essa avaliação poderá ser utilizada para ponderar a importância dos resultados obtidos em cada um dos estudos.
4.7 SÍNTESE DE DADOS
Os resultados foram apresentados em forma de revisão integrativa, destacando as principais tendências e achados encontrados na literatura revisada (FINK, 2019).
4.8 DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS
Os resultados da revisão integrativa foram divulgados em forma de relatório ou artigo científico, conforme apropriado, e apresentados em congressos e seminários da área. A revisão também foi disponibilizada online, como um recurso para outros pesquisadores interessados no tema.
4.9 ASPECTOS ÉTICOS
Como a revisão integrativa da literatura não envolveu a coleta de novos dados, não foi necessária a obtenção de aprovação ética. No entanto, foi assegurado o respeito às normas éticas em relação à seleção dos estudos, à confidencialidade das informações e à citação adequada dos autores.
Riscos: embora sejam mínimos os riscos, por não adotar procedimentos invasivos a coleta de dados nas bases de dados, poderá haver constrangimento de algum autor de algum estudo selecionado. Neste caso, o pesquisador amenizará a situação esclarecendo possíveis fragilidades e/ou conflitos, deixando-o(a) livre para autorizar incluir ou não seu artigo no presente estudo.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1 RESULTADOS
Foram encontrados 105 artigos a partir dos descritores: “refractive errors”, “screen time” e “blue light”, como sugerido pela plataforma DeCS, excetuando-se “blue light”, mas que por grande relevância ao tema, foi incluído na busca, resultando em um número significativo de artigos. Acrescido a isso foram estabelecidos os de inclusão: artigos que estabeleceram correlação entre o desenvolvimento de ametropias devido à exposição prolongada à luz azul; Estudos que foram publicados em inglês ou português; Estudos que foram publicados entre 2019 e 2023; Estudos que visem benefício à espécie humana; Artigos que apresentaram objetivos, metodologia, discussão e resultados bem evidentes no decorrer do texto. Assim, foram incluídos no seguinte quadro 20 estudos que atenderam aos objetivos previamente propostos pelos autores.
Quadro 1. Síntese de resultados dos autores encontrados nas bases de dados
| Autores | Tipo de produção/ano | Objetivos | Metodologia | Principais resultados |
| THAKUR; DHAKAL; VERKIC HARLA, 2021. | Estudo experimental controlado. | Investigamos o efeito da exposição de curto prazo à luz vermelha, verde e azul na biometria ocular na presença e ausência de desfocagem induzida pela lente em humanos. | Vinte e cinco adultos jovens foram expostos ao azul (460 nm), verde (521 nm), condições de luz vermelha (623 nm) e branca por 1 hora cada em 4 experimentos separados com sessões realizadas em 4 dias diferentes. Em cada condição de luz, a desfocagem hipermetrópica (3D) foi induzida no olho direito com o outro olho sem desfocagem. Comprimento axial e espessura da coroide foram medidas antes e imediatamente após a exposição à luz com um biômetro. sem contato. | A exposição à luz vermelha e verde resultou em alongamento axial, enquanto a exposição à luz azul resultou na inibição do alongamento axial nos olhos humanos. O impacto da exposição desse comprimento de onda específico em crianças e a sua aplicação no controle da miopia precisam ser exploradas. |
| RIDDELL et al., 2021. | Estudo experimental controlado. | Nosso objetivo era determinar se efeitos semelhantes poderiam ser alcançados usando filtros de vidro que transmitem na faixa mais ampla de comprimentos de onda curtos e médios. | No dia 6 ou 7 pós-eclosão, 169 pintinhos foram designados para uma das três condições de lente monocular (-10 D, +10 D, plano) e criados por 7 ou 10 dias sob uma das quatro condições de iluminação de 201 lux: (1) Luz filtrada de comprimento de onda longo B410, (2) luz filtrada de comprimento de onda longo B460, (3) luz filtrada de comprimento de onda curto Y48 ou (4) luz de banda larga HA50. | Pesquisas anteriores demonstraram que a criação sob luz azul quase monocromática pode retardar o desenvolvimento de miopia em pintinhos. O presente estudo demonstra que filtros de comprimento de onda longo, que transmitem uma ampla gama de comprimentos de onda curtos e médios, podem igualmente inibir o crescimento da câmara vítrea e expansão axial. |
| SOUSA et al., 2021. | Estudo experimental controlado. | Analisar a possibilidade de provocar modificações na atividade elétrica da retina utilizando luz de comprimento de onda curto direcionada para as células ganglionares da retina que expressam a melanopsina (células ipRGCs), ao passar pela região da cabeça do nervo óptico. | Quinze adultos jovens saudáveis, míopes e não míopes participaram do estudo. Eles foram submetidos a estimulação com luz azul usando um dispositivo de realidade virtual em forma de headset. As amplitudes e os tempos de resposta implícita da onda b fotópica 3,0 e os electroretinogramas padrão (PERG) foram medidos no início do estudo e novamente 10 e 20 minutos após a estimulação. | Foi demonstrado que olhos míopes apresentam níveis mais baixos de atividade dopaminérgica na retina e suscetibilidade para formar miopia. Isso sugere que a menor atividade metabólica envolvendo dopamina (DA) está associada a uma predisposição mais forte para desenvolver maiores graus de miopia. |
| ALVAREZ-PEREGRINA et al., 2020. | Estudo transversal. | Este estudo revisou a associação do uso do tempo de tela e do tempo de atividades ao ar livre com as taxas de miopia em crianças espanholas com idades entre 5 e 7 anos, influenciando sua visão. | Este estudo mostra uma análise detalhada da visão de 7.497 crianças entre 5 e 7 anos realizada na “Campanha escolar anual pela saúde visual infantil” na Espanha durante os anos de 2016, 2017 e 2019. O estudo conecta os resultados no triagem visual com o estilo de vida das crianças, levando em consideração tanto o número de horas por dia que utilizam todos os dispositivos digitais e o tempo diário de exposição ao ar livre. | Nosso estudo mostra que, em geral, quanto mais tempo usando dispositivos digitais maior será a miopia prevalência (OR>1). Mas é importante ressaltar que nós encontramos diferenças com a idade, o que significa que não obtivemos uma relação no uso de dispositivos digitais e miopia em crianças de 5 e 6 anos, mas existe uma relação em crianças de 7 anos de idade. Vários estudos também sustentam que o uso excessivo de smartphones, computadores, televisões, etc., bem como as horas gastos em atividades de visão de perto, têm um impacto negativo na visão e aumentam o risco de desenvolver problemas. |
| MATSUMURA et al., 2022. | Estudo observacional prospectivo. | Investigar a prevalência de miopia e fatores associados à equivalente (SE), comprimento axial (AL) e comprimento axial ao raio de curvatura da córnea (AL/CR) proporção entre crianças pré-escolares japonesas | Este estudo transversal avaliou indivíduos com idade entre 4 e 6 anos de uma pré escola. A autorrefração não cicloplégica foi medida usando o Spot Vision Screener, enquanto AL e raio da córnea (CR) foram medidos usando o Myopia Master. Parental miopia e fatores ambientais foram investigados usando o fator relacionado à miopia questionário. O pior olho com maior SE míope foi escolhido para análise, e modelos de regressão linear múltipla foram realizados usando AL, SE e razão AL/CR como variáveis dependentes. | Nossos resultados revelaram que a associação entre miopia parental, especialmente em ambos os pais, com SE míope, AL mais longo e maior razão AL/CR foram independentes de outros fatores ambientais fatores de risco. Estes resultados apoiam que as crianças com pais miopia correm alto risco de desenvolver miopia. |
| ENTHOVEN et al., 2020. | Estudo de coorte. | O objetivo deste estudo é investigar a associação entre o uso do computador e miopia no contexto de outras atividades próximas ao trabalho. | Foram estudadas 5.074 crianças nascidas em Rotterdam entre 2002 e 2006. O erro de refração e o comprimento axial foram medidos aos 6 e 9 anos. Informações sobre uso de computador e atividades ao ar livre a exposição foi obtida aos 3, 6 e 9 anos de idade por meio de um questionário, e o tempo de leitura e a distância de leitura foram avaliado aos 9 anos. | O efeito combinado do trabalho próximo (uso do computador, tempo de leitura e distância de leitura) mostraram um aumento na razão de chances de miopia aos 9 anos (OR = 1,072; IC 95% = 1,047–1,098), enquanto a exposição ao ar livre apresentou uma razão de chances diminuída (OR = 0,996; IC 95% = 0,994–0,999) e o termo de interação foi significativo (P = 0,036). Dos nossos resultados, podemos concluir que na nossa amostra de crianças, o aumento do uso do computador está associado ao desenvolvimento de miopia. O efeito do trabalho próximo combinado foi diminuído pela exposição ao ar livre. Os riscos dos dispositivos digitais na miopia e a proteção pela exposição ao ar livre devem tornar-se amplamente conhecidos. |
| YANG et al., 2020. | Estudo de coorte retrospectivo . | Este estudo teve como objetivo explorar a associação entre a exposição à tela no início da vida e a miopia pré-escolar. | Durante a pesquisa de base do Longhua Child Cohort Study (LCCS), dados de 29.595 crianças em idade pré-escolar foram coletados por meio de um questionário informado pelo cuidador sobre as características sociodemográficas das crianças, status visual, exposição à tela e informações parentais relevantes. Dados de 26.433 pré-escolares com visão normal ou miopia foram incluídos na análise e a modelagem de regressão de cicloxigenase (Cox) foi empregada para avaliar as associações. | Assim, nossos resultados indicaram a hipótese de que a exposição à tela no início da vida pode estar associada à ocorrência de miopia pré-escolar, e que o primeiro ano pós-natal pode ser o período sensível para a associação. No entanto, é prematuro concluir que o tempo precoce de tela leva à miopia com os dados atuais. |
| MUKAZH ANOVA et al., 2022. | Estudo transversal. | O objetivo deste estudo foi investigar a prevalência de erros refrativos e fatores de risco de miopia entre crianças em idade escolar em Almaty, Cazaquistão. | No estudo transversal de 2.293 alunos do ensino médio (6 a 16 anos), examinamos a auto refração cicloplégica e oferecemos um questionário em três faixas etárias: 1ª série (N = 769), 5ª série (N = 768) e 9ª série ( N = 756). O questionário cobriu os principais fatores de risco, como miopia parental, tempo de tela, tempo ao ar livre, atividades esportivas, perto do trabalho, sexo, série e turno escolar. A análise de regressão logística ajustada foi aplicada para testar a associação dos fatores de risco com a miopia. | Em resumo, o nosso estudo demonstrou que mais de um terço das crianças em idade escolar em Almaty tinham erros de refração, enquanto a miopia era a mais comum. Em comparação com estudos locais anteriores nesta faixa etária, a prevalência de miopia entre crianças urbanas provavelmente aumentou nos últimos 10 anos. Descobrimos também que o tempo passado ao ar livre pode estar associado a probabilidades reduzidas de miopia; no entanto, os efeitos que identificamos devem ser mais estudados na população rural do Cazaquistão. |
| DRAGO MIROVA et al., 2022. | Estudo transversal. | O objetivo deste estudo é avaliar a prevalência de deficiência visual causada por miopia em crianças em idade escolar búlgaras, fatores de risco associados e cobertura de cuidados de saúde. | Um estudo transversal entre 1.401 crianças (média de idade 10,38, desvio padrão 2,70) é conduzido em três locais na Bulgária de 2016 a 2020. O erro refrativo é medido com um auto-refrator na ausência de cicloplegia, a acuidade visual é avaliada sem correção de erro refrativo. Um questionário preliminar em papel é usado para coletar dados sobre exames oftalmológicos anteriores, correção da visão óptica prescrita, regularidade do uso de óculos corretivos e fatores de risco. | Residência em cidade pequena e atividades esportivas diárias correspondem a menores chances de miopia. O tempo de tela (tempo em frente à tela calculado em horas por dia) é autorrelatado e não está associado ao aumento da probabilidade de miopia quando considerados outros fatores de risco. |
| HANSEN et al., 2019. | Estudo de coorte prospectiva. | Determinar a prevalência da miopia numa coorte dinamarquesa com idades compreendida s entre os 16 e os 17 anos e a sua relação com a atividade física e o uso de dispositivos eletrônicos baseados em ecrãs. | O Copenhagen Child Cohort 2000 Eye Study é um estudo observacional prospectivo de base populacional. Informações sobre uso de dispositivos de tela e atividade física foram obtidas por meio de questionários. Miopia foi definida como refração equivalente esférica subjetiva não cicloplégica ≤-0,50 D no olho direito. | Nesta coorte de jovens saudáveis de 16 a 17 anos, a menor atividade física e o maior uso de dispositivos de tela contribuíram significativamente para a prevalência observada de miopia de 25%, com um risco aproximadamente duplicado de ter miopia; se fisicamente ativo <3 horas/semana ou se estiver usando dispositivos de tela >6 horas/dia. Nossos resultados apoiam a atividade física como um fator de proteção e a proximidade do trabalho como um fator de risco para miopia em adolescentes. |
| SAXENA et al., 2021. | Estudo transversal observacional. | Avaliar a prevalência da miopia e seus fatores de risco em crianças de escolas rurais. | Crianças das classes 4 a 7 de oito escolas selecionadas aleatoriamente (cinco governamentais e três privadas) na zona rural de Haryana, com visão não assistida <6/9,5 foram examinadas, sua refração cicloplégica foi feita, míopes foram identificados. Uma avaliação dos fatores de risco baseada em questionário foi feita para míopes e comparada com 10% de crianças selecionadas aleatoriamente com visão normal (controles). Foi avaliada a prevalência de miopia e sua associação com fatores de risco. | A prevalência da miopia está a aumentar entre as crianças das zonas rurais, especialmente aquelas que frequentam escolas privadas, com uma forte associação inversa com o tempo passado ao ar livre. Rastreamento regular, modificação do estilo de vida e conscientização sobre fatores de risco modificáveis são essenciais. |
| YANG et al., 2021. | Estudo transversal. | Investigar a situação do astigmatismo em crianças pré-escolares na cidade de Wuxi e explorar os fatores de risco relacionados ao astigmatismo. Os fatores de risco relacionados com o desenvolvimento do astigmatismo como preditores podem ajudar-nos a identificar crianças pré-escolares que necessitam de rastreio visual numa fase precoce para garantir uma boa qualidade visual. | O estudo transversal foi realizado em 10 jardins de infância selecionados aleatoriamente em cinco distritos da cidade de Wuxi em novembro de 2018. Todas as crianças pré-escolares foram medidas por refratometria objetiva sob refração não cicloplégica. Foram coletadas informações básicas de crianças pré-escolares. Os fatores relevantes de astigmatismo no questionário foram preenchidos pelos pais. O software Spss 26.0 foi utilizado para análise de correlação univariada e multivariada. | Em comparação com crianças pré-escolares expostas à tela eletrônica por menos de 2 horas todos os dias, as crianças pré-escolares expostas à tela eletrônica por mais de 2 horas tiveram um risco aumentado de astigmatismo. |
| WU et al., 2020. | Estudo de coorte prospectivo. | Investigar a mudança na prevalência de redução da acuidade visual (AV) em crianças em idade escolar de Taiwan após uma intervenção política que promove o aumento do tempo ao ar livre. | O TSVAS exige que cada escola em Taiwan realize medições de VA não corrigido (UCVA) em todos os alunos da 1ª à 6ª série a cada semestre usando um gráfico Tumbling E. AV reduzida foi definida como UCVA de 20/25 ou menos. Foram recolhidos dados de 1,2 a 1,9 milhões de crianças do ensino primário todos os anos, de 2001 a 2015. Um programa político denominado Tian-Tian 120 incentivou as escolas a levar os alunos ao ar livre durante 120 minutos todos os dias para a prevenção da miopia. Foi instituído em setembro de 2010. Para investigar o impacto da intervenção foi realizada análise de regressão segmentada de séries temporais interrompidas. | A intervenção política para promover o aumento do tempo ao ar livre nas escolas foi seguida por uma reversão da tendência de longo prazo de aumento da baixa AV em crianças em idade escolar em Taiwan. Como os ensaios randomizados demonstraram que a exposição ao ar livre retarda o início da miopia, as intervenções para promover o aumento do tempo ao ar livre podem ser úteis em outras áreas afetadas por uma epidemia de miopia. |
| CHEN et al., 2022. | Estudo observacional transversal. | Investigar a prevalência da miopia entre crianças e adolescentes em uma área local (cidade de Liyang) da China e analisar os fatores que influenciam, de modo a formular medidas preventivas correspondentes. | Foi realizada uma pesquisa por questionário , investigando principalmente idade, sexo , residência ( áreas urbanas/rurais ) dos sujeitos, miopia parental , tempo diário passado ao ar livre, tempo diário de sono , distância entre a tela do computador e os olhos , menos de um soco (10 cm) de distância. do peito até a borda da mesa ao ler e escrever , uma polegada (3 cm) entre o dedo e a ponta da caneta ao escrever , número de aulas de educação física (EF) na escola , tempo que você assiste TV e tamanho da TV. A miopia de todos os participantes foi registrada. | O tempo diário passado ao ar livre, o tempo diário de sono e o número de aulas de educação física na escola são considerados “tempo de descanso ocular”, enquanto o tempo diário de ver televisão, pelo contrário, é “tempo de trabalho ocular”. Quanto maior o tempo de trabalho e menor o tempo de descanso, mais fácil é danificar os olhos. O aumento do “tempo de descanso” pode efetivamente retardar a mudança miópica no erro refrativo, evitando assim a ocorrência de miopia. Ao mesmo tempo, atividades ao ar livre adequadas e aulas de educação física aumentam a exposição das crianças à luz solar e regulam a síntese de vitamina D e dopamina no corpo humano, sendo que ambos são fatores importantes para prevenir a miopia. |
| YANG et al., 2021. | Coorte transversal e análise longitudinal. | Avaliar associações de alto desempenho acadêmico com prevalência de ametropia e desenvolvimento de miopia em escolares chineses. | Este estudo observacional multicoorte foi realizado em Guangdong, China . Primeiramente, realizamos uma análise de coorte transversal de alunos do 1º ao 9º ano de Yangjiang para avaliar anualmente a relação entre o desempenho acadêmico e o status refrativo. Também realizamos análises longitudinais de estudantes em Shenzhen para avaliar a tendência do desempenho acadêmico com alterações refrativas durante um período de 33 meses. Todos os estados refrativos foram medidos usando autorefratores não cicloplégicos. | Os erros refrativos correlacionaram-se significativamente com o desempenho acadêmico entre crianças em idade escolar na China. Crianças com alto desempenho acadêmico tinham maior probabilidade de desenvolver miopia mais rapidamente, mesmo após ajustes de índice de massa corporal (IMC), tempo de atividade ao ar livre, tempo de tela, tempo de leitura e miopia parental. |
| CHAKRABORTY et al., 2021. | Estudo observacional transversal. | Medir o PIPR em adultos jovens com vários erros de refração usando um sistema óptico personalizado . | A PIPR foi medida em participantes míopes (-3,50 ± 1,82 D, n = 20) e não míopes (+0,28 ± 0,23 D, n = 19) (idade média, 23,36 ± 3,06 anos). O olho direito estava dilatado e apresentava comprimento de onda longo (vermelho, 625nm, 3,68 × 1014 fótons /cm2/s) e comprimento de onda curto (azul, 470 nm, 3,24 × 1014 fótons /cm²/s) 1 se 5 s pulsos de luz , e a resposta consensual foi medida no olho esquerdo por 60 s após o deslocamento da luz . Foram calculados o PIPR de 6 se 30s e a área sob a curva (AUC) precoce e tardia para estímulos de 1 e 5 s. | Clinicamente, foi levantada a hipótese de que algumas características da iluminação influenciam o desenvolvimento refrativo humano. Vários estudos transversais e longitudinais demonstraram que as crianças que passam mais tempo ao ar livre reduziram significativamente as probabilidades de miopia, que se acredita ser mediada pelo aumento da libertação de dopamina na retina. Portanto, é possível que os ipRGCs e a melanopsina possam influenciar o crescimento ocular e a miopia por meio de alterações na dopamina retinal. Em conclusão, os resultados deste estudo confirmaram descobertas anteriores de que a estimulação com pulsos de luz azul de comprimento de onda curto de 1 se 5 s gera um forte PIPR em participantes adultos jovens. Semelhante à pesquisa anterior, não encontramos nenhum efeito do erro refrativo em nenhuma das métricas PIPR medidas. |
| DAI et al., 2021. | Estudo experimental em vitro. | Avaliar os efeitos das células epiteliais pigmentares da retina expostas à luz azul no processo de ametropia | A dioptria refrativa foi medida por um excêntrico automatizado fotorrefrator infravermelho. O comprimento axial foi medido por costume SD-OCT. O raio de curvatura da córnea foi medido por um ceratômetro com lente esférica de + 20 dioptrias (D). | Camundongos expostos à luz azul desenvolveram comprimentos axiais mais curtos que resultaram em um deslocamento hipermetrópico relativo com curvatura corneana constante, sugerindo que a iluminação com luz de comprimento de onda curto poderia induzir ametropia regulando a extensão axial ocular em vez de alterar a córnea. Além disso, a miopia induzida pela iluminação com luz vermelha pode ser rapidamente revertida para hipermetropia pela subsequente criação sob luz azul em pintinhos e porquinhos-da-índia, e vice-versa. Estes resultados indicam que a composição espectral da luz ambiente pode exercer um efeito essencial no desenvolvimento da refração e nas variações do comprimento axial. Em conclusão, este estudo demonstra que a disfunção do EPR induzida pela luz azul pode regular positivamente os níveis de expressão de um fator vital relacionado à ametropia (COL1) em fibroblastos esclerais por meio da inibição da β-catenina, que desempenha um papel essencial na ametropia mediada pela luz azul (hipermetropia). Nosso estudo pode estabelecer uma nova ligação entre luz azul, disfunção do EPR e ametropia e fornecer novos insights para prevenção e tratamento da ametropia. |
| YU et al., 2020. | Estudo longitudinal experimental. | Investigar o efeito da luz de comprimento de onda curto (SL) em cobaias com miopia induzida por cristalino (LIM) e os possíveis mecanismos relacionados ao ácido retinoico (AR). | Cobaias com duas semanas de idade (n = 60) com lentes monoculares -5D foram criadas sob luz branca (WL, 580 lux) ou SL (440 nm, 500 lux). Os olhos esquerdos foram descobertos como controle. O erro refrativo (ER) e o comprimento axial (AL) foram medidos no início do estudo, uma semana, duas semanas e quatro semanas após a intervenção. A AR retiniana foi medida em quatro cobaias após duas e quatro semanas de tratamento com HPLC . Porquinhos da índia com duas semanas de idade (n = 52) com lente monocular -5D foram alimentados com AR ou seu inibidor de síntese citral a cada três dias pela manhã, e metade de cada grupo foi criado em condições WL ou SL. RE e AL foram registrados no início do estudo e duas e quatro semanas após a intervenção. A AR retiniana foi medida após quatro semanas de intervenção. | Na cobaia, os níveis de AR na retina são afetados por condições visuais e podem aumentar o alongamento ocular em um modelo de desfocagem negativa. Tais alterações são inibidas na presença de LS (luz azul), mesmo com suprimento exógeno de AR. Além disso, alimentar cobaias jovens com AR melhorou rapidamente o alongamento ocular, com alterações significativas na refração observadas no olho que usa lente, mas não no outro olho. Pelo contrário, o citral (inibidor da síntese de AR) interrompeu a progressão da miopia e retardou o alongamento ocular, mas pode atuar através de outras vias além daquelas que alteram os níveis de AR. |
| MUTTI et al., 2020. | Estudo observacional transversal. | Examinar se as respostas pupilares induzidas pela melanopsina estão associadas ao erro refrativo em adultos. | Os participantes eram 45 adultos jovens (73% mulheres , 24,1 ± 1,8 anos) com erros de refração variando de -6,33 D a +1,70 D. O pupilômetro RAPDx (Konan Medical) mediu respostas pupilares normalizadas a três formas de pulsos de luz de onda quadrada alternados com escuridão a 0,1 Hz alternando comprimento de onda longo (vermelho, pico em 608 nm) e comprimento de onda curto (azul, pico em 448 nm), seguido apenas por vermelho e depois apenas azul. | Em resumo, a estimulação repetida com luz vermelha e azul resultou em alterações adaptativas na resposta pupilar caracterizadas por maior constrição e redilatação mais lenta em resposta à luz azul. Houve uma associação positiva entre a magnitude dessas alterações e o erro refrativo, com indivíduos mais hipermetrópicos/menos míopes exibindo maiores alterações em suas respostas pupilares a pulsos repetidos de luz azul. Embora o que se segue seja especulativo sem a evidência longitudinal necessária, esta associação positiva sugere que indivíduos mais hipermétropes/menos míopes podem ter uma maior capacidade de tirar partido da exposição à luz, como durante o tempo ao ar livre, e o seu efeito protetor no desenvolvimento de erros refrativos. |
| TIAN et al., 2019. | Estudo experimental . | Investigar como a retina integra comprimento de onda e sinais temporais para regular a emetropização ocular. | Porquinhos-da-índia (n = 220) foram divididos aleatoriamente em 11 grupos (n = 20/grupo) que receberam iluminação ambiental diferente (ciclo de luz 1212) durante 8 semanas com luz branca , verde ou azul constante, 0,5 ou 20 Hz. O grupo branco estável foi repetido para cada comprimento de onda. A refração, o comprimento axial e a curvatura da córnea foram medidos usando retinoscopia de faixa, ultrassonografia A-scan e ceratometria, respectivamente, a cada 2 semanas | Os resultados do presente estudo sugerem que os olhos usam tanto a desfocagem do comprimento de onda quanto às características temporais como sinais para determinar a direção do crescimento ocular. Devido às diferenças na capacidade de processamento temporal das vias visuais para a detecção de alta frequência temporal de luz azul e verde, existem dois mecanismos fundamentalmente diferentes que regulam o desenvolvimento refrativo: (1) Em baixa frequência temporal, sinais de desfocagem de comprimento de onda são usados como alvos, induzindo mudança hipermetrópica em comprimentos de onda curtos e mudança miópica em comprimentos de onda longos. (2) Em alta frequência temporal, os sinais de desfocagem do comprimento de onda são enfraquecidos. Este enfraquecimento do sinal de desfocagem do comprimento de onda induz um desvio refrativo miópico em porquinhos-da-índia expostos à luz azul e um desvio hipermétrope em porquinhos-da-índia expostos à luz verde. Além disso, é necessário explorar os limiares de frequência temporal nos quais os efeitos da desfocagem do comprimento de onda na emetropização diminuem para comprimentos de onda longos e curtos. |
5.2 DISCUSSÃO
Durante a elaboração dos resultados, foi identificada certa convergência na literatura quanto ao desenvolvimento de erros refrativos, sobretudo da miopia, a qual simboliza o principal achado nas bases de dados analisadas. Entretanto, é válido destacar que, assim como esperado, houve divergências, apesar de pouco numerosas.
A partir da pesquisa de Thakur et al. (2021), foi revelada uma descoberta intrigante sobre a relação entre a exposição à luz azul e o desenvolvimento da miopia. Enquanto a luz vermelha e verde se associou ao alongamento axial, a luz azul mostrou uma tendência oposta, inibindo esse processo nos olhos humanos. Este achado sugere uma possível aplicação na gestão da miopia em crianças, destacando a necessidade de investigações mais aprofundadas para compreender os mecanismos subjacentes e estabelecer intervenções eficazes baseadas na exposição específica a esse comprimento de onda. Nessa perspectiva, acredita-se que ondas de alta energia, como o espectro azul, não tenham função na patogênese da miopia, mas sim um fator limitante da progressão dessa ametropia.
Somado a isso, como observado por Riddell et al. (2021), tem-se que filtros de comprimento de onda longo, que colaboram para transmitir uma ampla gama de comprimentos de onda curtos e médios, podem inibir o crescimento da câmara vítrea e expansão axial. Esses resultados indicam uma possível relação negativa entre a exposição prolongada à luz azul, predominantemente composta por comprimentos de onda curtos, e o desenvolvimento da miopia, de modo que se observou redução do alongamento axial. Assim, nota-se que comprimentos de onda de pequeno comprimento não contribuem para o desenvolvimento miópico.
Segundo Tian et al. (2019), a exposição prolongada à luz azul pode estar relacionada ao desenvolvimento da miopia. Os olhos utilizam a desfocagem do comprimento de onda e as características temporais como sinais para determinar o crescimento ocular. Em frequências temporais mais altas, os sinais de desfocagem do comprimento de onda são enfraquecidos, resultando em um desvio refrativo miópico em animais expostos à luz azul. Esses achados demonstram a existência de mecanismos diferentes, onde a luz azul desempenha um papel significativo no desenvolvimento miópico. Contudo, são necessárias mais investigações para explorar os limites de frequência temporal nos quais os efeitos da desfocagem do comprimento de onda diminuem.
De modo diferente, como observado no estudo de de Dai et al. (2021), observou-se que camundongos expostos à luz azul apresentavam comprimentos axiais mais curtos, resultando em um deslocamento hipermetrópico relativo à curvatura corneana constante. Essas descobertas indicam que a iluminação do comprimento de onda curto pode induzir a hipermetropia, influenciando a extensão axial ocular em vez de alterar a córnea. Além disso, a rápida reversão da miopia para hipermetropia, e vice-versa, em pintinhos e porquinhos-da-índia sob diferentes luzes sugere que a composição espectral da luz ambiente desempenha um papel crucial no desenvolvimento da refração e no comprimento axial. O estudo destaca ainda a regulação positiva dos níveis de expressão do COL1 em fibroblastos esclerais, estabelecendo uma relação entre a disfunção do EPR causada pela luz azul e a ametropia. Esses resultados oferecem novas perspectivas para a prevenção e tratamento da ametropia, destacando a importância da composição espectral da luz ambiente.
Como sugerido em estudos longitudinais e transversais propostos por Chakraborty et al. (2021), é notório as que crianças que passam mais tempo ao ar livre apresentam menor probabilidade de desenvolver miopia, possivelmente devido ao aumento da liberação de dopamina na retina. Sugere-se que os ipRGCs e a melanopsina podem influenciar o crescimento ocular e a miopia por meio de modulações na dopamina retinal. Os resultados desta revisão reforçam descobertas prévias sobre os efeitos da luz azul na resposta pupilar em adultos jovens, ao mesmo tempo que ressaltam a ausência de influência do erro refrativo nessas respostas.
Nesse sentido, a pesquisa de Sousa et al. (2021), evidenciou que olhos míopes exibem níveis reduzidos de atividade dopaminérgica na retina, sugerindo uma correlação entre a diminuição da atividade metabólica desse neurotransmissor e a predisposição ao desenvolvimento de miopia. A relação entre a exposição prolongada à luz azul e o aumento da prevalência da miopia tem sido objeto de estudos recentes. Embora a literatura forneça algumas evidências sobre os efeitos da luz azul na regulação da dopamina, é necessário realizar uma revisão mais abrangente para esclarecer a extensão dessa associação. Portanto, aprofundar essa análise pode contribuir para a compreensão dos mecanismos subjacentes ao desenvolvimento da miopia em relação à exposição à luz azul.
No entanto, a partir dos achados de Manrong Yu et al. (2020), foi identificado que em cobaias os níveis de ácido retinoico (AR) na retina, influenciados por condições visuais, podem aumentar o alongamento ocular em um modelo de desfocagem negativa. Surpreendentemente, a presença de luz azul inibe tais alterações, mesmo na presença de suprimento exógeno de AR. Além disso, a administração de ácido retinoico em cobaias jovens acelerou o alongamento ocular, evidenciando mudanças significativas na refração, especialmente no olho que utilizava lente. Entretanto, é relevante notar que o citral, um inibidor da síntese de AR, interrompeu a progressão da miopia e retardou o alongamento ocular, fornecendo possíveis vias de atuação além das relacionadas aos níveis de AR. Essas descobertas destacam a complexidade da interação entre luz azul, ácido retinoico e desenvolvimento miópico, fornecendo insights importantes para futuras investigações neste campo.
Com base nos achados de Alvarez-Peregrina et al. (2020), observou-se uma associação significativa entre o tempo de uso de dispositivos digitais e a prevalência de miopia, indicando um risco aumentado (OR>1). A variação dessa relação com a idade sugere uma influência temporal na manifestação dos efeitos, destacando a relevância de considerar diferentes faixas etárias ao analisar a relação entre a exposição à luz azul e o desenvolvimento da miopia. Além disso, a revisão bibliográfica destaca a consistência de estudos que apontam o impacto negativo do uso excessivo de dispositivos digitais e atividades de visão de perto no aumento do risco de problemas de visão, contribuindo para a compreensão epidemiológica dessa relação.
Consoante a isso, como explicitado pela pesquisa de Enthoven et al. (2020), a análise da exposição prolongada ao trabalho próximo, especialmente relacionado ao uso do computador, revelou um aumento significativo na probabilidade de desenvolvimento de miopia aos 9 anos. A presença de uma interação significativa com a exposição ao ar livre destaca a importância desse fator como um potencial mitigador dos efeitos do trabalho de visão próxima na miopia. Esses resultados contribuem para a compreensão epidemiológica, enfatizando a necessidade de conscientização sobre os riscos associados ao uso de dispositivos digitais e destacando a proteção conferida pela exposição ao ambiente externo no contexto da miopização em crianças.
Como indicado na pesquisa de Yang et al. (2020), os resultados sugerem uma possível associação entre a exposição à tela no primeiro ano pós-natal e a ocorrência de miopia pré-escolar. A hipótese de que esse período inicial pode ser crítico para essa associação destaca a importância de considerar a fase de desenvolvimento ao analisar os efeitos da exposição à luz azul na miopia. Contudo, a cautela é necessária ao interpretar os dados, indicando a necessidade de mais pesquisas para estabelecer de maneira conclusiva a relação entre o tempo precoce de exposição à tela e o desenvolvimento da miopia. Ademais, é válido ressaltar que a temporalidade discutida nesse estudo é diferente quando comparada a outras análises, visto que há uma tendência em realizar investigações a partir dos 6 anos de idade.
No entanto, Mukazhanova et al. (2022) destaca que as crianças em idade escolar em Almaty tinham erros de refração, as quais correspondem a um terço do grupo amostral selecionado, sendo a miopia a alteração mais frequente. Nessa perspectiva, foi observado que a incidência aumentou quando comparada àquela registrada em indivíduos de grandes centros urbanos da mesma faixa etária há 10 anos atrás. Com isso, a perspectiva de que os dispositivos digitais exercem influência sobre o desenvolvimento de ametropias ganha maior evidência, dado que a comparação entre esses achados epidemiológicos convergem com a introdução dos LEDs na composição das telas digitais.
De acordo com resultados apresentados por Dragomirova et al. (2022) a residência em cidades pequenas e a participação em atividades esportivas diárias estão associadas a menores chances de desenvolver miopia. Esses achados realçam a possível influência do ambiente urbano na prevalência da miopia e sugerem que a prática regular de atividades esportivas, sobretudo o ar livre, pode ter efeitos protetores. Além disso, a análise do tempo de tela, mesmo autorrelatado, não demonstrou uma associação significativa com um aumento na probabilidade de miopia quando considerados outros fatores de risco, indicando que a relação entre exposição à luz azul e miopia pode ser complexa e multifatorial, exigindo uma abordagem abrangente na investigação epidemiológica.
Em paralelo a isso, os achados de Saxena et al. (2021) revelam um aumento preocupante na prevalência da miopia entre crianças em zonas rurais, particularmente aquelas matriculadas em escolas privadas. A associação inversa significativa com o tempo ao ar livre destaca a influência benéfica desse fator na redução da probabilidade de desenvolvimento de miopia. Esses resultados ressaltam a necessidade de estratégias de rastreamento regulares e programas de conscientização, além de modificações no estilo de vida, para abordar fatores de risco modificáveis. Desse modo, a compreensão desses aspectos epidemiológicos é crucial para orientar intervenções eficazes e mitigar o aumento preocupante da miopia em crianças nas áreas rurais.
Segundo resultados obtidos por Hansen et al. (2019), em sua coorte de jovens de 16 a 17 anos, destacam-se a influência significativa da atividade física e do uso de dispositivos de tela na prevalência de miopia. A associação observada indica um risco duplicado na miopização em indivíduos fisicamente ativos por menos de 3 horas por semana ou utilizando dispositivos de tela por mais de 6 horas por dia, de modo a evidenciar a importância desses fatores na saúde ocular dos adolescentes. Assim, a identificação da atividade física como um fator de proteção e o trabalho ocular próximo como um fator de risco contribui para uma compreensão mais abrangente dos elementos epidemiológicos relacionados ao desenvolvimento da miopia nesta faixa etária.
Em conformidade a isso, Chen et al. (2022) enfatiza que o tempo diário gasto ao ar livre, o tempo de sono e a participação em aulas de educação física são considerados como “tempo de descanso ocular”, enquanto o tempo dedicado à visualização de televisão é categorizado como “tempo de trabalho ocular”. A relação entre o aumento do tempo de trabalho ocular e a diminuição do tempo de descanso ocular pode facilitar os danos oculares. A promoção de atividades ao ar livre e aulas de educação física, que aumentam a exposição à luz solar, têm sido associadas ao controle positivo da síntese de vitamina D e dopamina, fatores cruciais na prevenção da miopia. Assim, enfatiza-se a importância da gestão do tempo visual para mitigar o desenvolvimento miópico.
Os resultados de WU et al. (2020) destacam a eficácia das intervenções políticas que promovem o aumento do tempo ao ar livre nas escolas como uma estratégia bem-sucedida para reverter a tendência de aumento de baixa acuidade visual em crianças em idade escolar em Taiwan. A associação positiva entre exposição ao ar livre e retardamento do início da miopia, evidenciada por ensaios randomizados, sugere que tais intervenções podem ser extrapoladas para outras áreas afetadas por epidemias de miopia. Essa descoberta complementa a tese de que o aumento da exposição ao ar livre, como uma abordagem preventiva, é eficaz para o desenvolvimento da miopia em crianças.
Ainda sobre a exposição à luz natural, Mutti et al. (2020) revela que alterações adaptativas na resposta pupilar, desenhadas por maior constrição e redilatação mais lenta em resposta à luz azul, mostraram ser mais pronunciadas em indivíduos mais hipermetrópicos ou menos míopes. A especulação é levantada sobre a capacidade desses indivíduos em tirar proveito da exposição à luz, especialmente ao ar livre, proporcionando um possível efeito protetor no desenvolvimento de erros refrativos. No entanto, ressalta-se a necessidade de evidências longitudinais para validar essa associação e compreender completamente o papel da luz azul no contexto do desenvolvimento da miopia.
Entretanto, conforme Yang et al. (2021), os erros refrativos mostraram uma clareza significativa com o desempenho acadêmico em crianças na China. Surpreendentemente, crianças com alto desempenho obtiveram maior probabilidade em desenvolver miopia mais rapidamente, mesmo após ajustes para variáveis como IMC, tempo de atividade ao ar livre, tempo de tela, tempo de leitura e miopia parental. Estes achados sugerem a necessidade de investigar mais a fundo o papel da exposição à luz azul na relação entre atividades acadêmicas intensivas e o desenvolvimento da miopia.
Conforme destacado por Matsumura et al. (2022), a relação entre miopia parental, especialmente quando ambos os pais são míopes, e características oculares como erro refrativo esférico (SE), comprimento axial (AL) e a razão AL/CR, demonstra uma associação independente de outros fatores ambientais de risco. Esses achados ressaltam a importância da predisposição genética na transmissão da miopia, sugerindo que crianças com histórico familiar dessa condição apresentam um maior risco de desenvolvê-la. Logo, o estudo reforça a necessidade de considerar fatores genéticos na análise epidemiológica da miopia, além de oferecer insights cruciais para estratégias de prevenção e intervenção, incluindo-se a compreensão de como esses fatores interagem com a exposição prolongada a telas digitais.
Como sugerem os resultados apresentados por Yang et al. (2021), foi identificada uma associação entre a exposição prolongada à tela eletrônica e um aumento do risco de astigmatismo em crianças pré-escolares. A comparação entre grupos, especificamente entre aqueles expostos por menos ou mais de 2 horas diárias, ressalta a relevância do tempo dedicado à tela na saúde ocular dessa faixa etária. Essa descoberta, embora específica para o astigmatismo, destaca a necessidade de considerar a exposição à luz azul em dispositivos eletrônicos como um fator potencialmente contribuinte para alterações na refração ocular.
5.3 LACUNAS
Estudos direcionados a indivíduos adultos são pouco numerosos, logo o surgimento da miopia em idades mais avançadas assim como a piora de quadros já instalados continuam sem respostas.
A identificação de um tempo de utilização seguro, assim como a temporalidade do desenvolvimento das ametropias não foi bem esclarecida, sugerindo maiores investigações científicas, por intermédio de estudos experimentais ou observacionais, a fim de definir essa relação tempo dependente.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A correlação entre o desenvolvimento de erros refrativos e a exposição à luz azul continua sendo um desafio para a comunidade científica, uma vez que os estudos disponíveis apresentam considerável variabilidade, especialmente quando essa relação é analisada isoladamente.
Evidências da literatura revisada indicam que a exposição prolongada à luz azul artificial é um fator significativo no surgimento e na progressão da miopia. Nesse sentido, dispositivos eletrônicos, grandes emissores de altas frequências, podem estar intimamente relacionados ao aumento da prevalência desse erro refrativo. Entretanto, um número menor de estudos relata outros erros refrativos como possíveis desfechos da exposição prolongada à luz azul, e alguns sugerem até um papel protetor da luz azul artificial.
Do ponto de vista epidemiológico, a faixa etária mais acometida é composta por crianças em idade pré-escolar e escolar, entre 4 e 16 anos, provavelmente relacionada ao tempo prolongado de atividades visuais de perto nesse grupo populacional. Além disso, a incidência de miopia é maior em grandes centros urbanos em comparação com cidades menores e áreas rurais. A predisposição genética também desempenha um papel relevante, visto que filhos de pais míopes apresentam maior probabilidade de desenvolver erros refrativos.
Em relação aos fatores de proteção, há consenso de que o aumento do tempo de atividades ao ar livre é essencial na prevenção do desenvolvimento de erros refrativos. Em contrapartida, a adoção precoce e generalizada de dispositivos digitais contribuiu para a redução do tempo de atividade ao ar livre, principalmente entre crianças, adolescentes e adultos, aumentando potencialmente o risco de miopia.
Em suma, a relação entre a exposição à luz azul e o desenvolvimento de ametropias é multifatorial, com a miopia se destacando como a principal preocupação. Dados epidemiológicos indicam que a maior prevalência ocorre em crianças e adolescentes residentes em áreas urbanas, especialmente aqueles com histórico familiar de miopia. A manutenção de atividades ao ar livre é essencial para preservar o estado emétrope. No entanto, a temporalidade do desenvolvimento dos erros refrativos e os limites seguros de exposição ainda são pouco compreendidos, ressaltando a necessidade de estudos longitudinais adicionais para esclarecer os impactos de longo prazo da luz azul na saúde refrativa.
REFERÊNCIAS
ALVAREZ-PEREGRINA, C.; SÁNCHEZ-TENA, M. Á.; MARTINEZ-PEREZ, C.; VILLA-COLLAR, C.. The Relationship Between Screen and Outdoor Time With Rates of Myopia in Spanish Children. Frontiers in Public Health, 8. 2020.
ANTEMIE et al. “Blue Light-Ocular and Systemic Damaging Effects: A Narrative Review.” International journal of molecular sciences vol. 24,6 5998. 22 de mar. de 2023.
BAETHGE, C.; GOLDBECK-WOOD, S.; MERTENS, S. SANRA—a scale for the quality assessment of narrative review articles. Research integrity and peer review, v. 4, n. 1, p. 1-7, 2019. ISSN 2058-8615
BORGES, BS; BRAGATO, SGR; MIURA, H.; CORRÊA, LPC; FAGUNDES, VCS; SILVA, ETL; SANTI, JG; SILVA, GS Luz azul emitida por aparelhos digitais e suas consequências oftalmológicas: revisão integrativa da literatura. Investigação, Sociedade e Desenvolvimento, [S. l.] , v. 10, n. 16, pág. e586101623759, 2021.
CHAKRABORTY, R.; COLLINS, M. J.; KRICANCIC, H. et al. The intrinsically photosensitive retinal ganglion cell (ipRGC) mediated pupil response in young adult humans with refractive errors. Journal of Optometry. 2 de jan. de 2021.
CHEN, C. et al. Investigation on the prevalence and influencing factors of myopia among children and adolescents in Liyang city. Am J Transl Res, p. 7164–7171. 15 de out. de 2022.
COUGNARD-GREGOIRE, Audrey et al. “Blue Light Exposure: Ocular Hazards and Prevention-A Narrative Review.” Ophthalmology and therapy vol. 12,2. 18 de fev. de 2023.
DAI, X. et al. Effects of blue light-exposed retinal pigment epithelial cells on the process of ametropia. Biochem Biophys Res Commun, p. 14–20. 27 de fev. de 2021.
DRAGOMIROVA, Mila et al. “Myopia in Bulgarian school children: prevalence, risk factors, and health care coverage.” BMC ophthalmology vol. 22,1 248. 4 de jun. de 2022.
ENTHOVEN, C. A.; TIDEMAN, J. W. L.; POLLING, J. R. et al.. The impact of computer use on myopia development in childhood: The Generation R study. Preventive Medicine, 132. 15 de jan. de 2020.
GOMES, A. C. G. et al. Miopia Causada Pelo Uso De Telas De Aparelhos Eletrônicos: Uma Revisão De Literatura. Revista Brasileira De Oftalmologia, vol. 79, no. 5, Sociedade Brasileira de Oftalmologia. set. de 2020, pp. 350–352, doi:10.5935/0034-7280.20200077
HAMMOND, BILLY R et al. “The Effects of Blue Light-Filtering Intraocular Lenses on the Protection and Function of the Visual System.” Clinical ophthalmology (Auckland, N.Z.) vol. 13 2427-2438. 5 Dec. 2019.
HANSEN, Mathias H. et al. “Low physical activity and higher use of screen devices are associated with myopia at the age of 16-17 years in the CCC2000 Eye Study.” Acta ophthalmologica vol. 98,3. 9 de set. de 2019.
JONG, M.; SMITH III, E.; TROILO, D. Experimental Models of Emmetropization and Myopia report RESUMO CLÍNICO IMI Modelos Experimentais de Emetropização e Miopia. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://myopiainstitute.org/wp-content/uploads/2020/09/IMI-Experimental-Models-of-Emm etropization-and-Myopia-report_Portuguese.pdf>. Acesso em: 29 nov. 2023.
KUMATA, A. Y. J.; MATOSKI, A. Identificação de sinais e sintomas visuais associados à exposição aos dispositivos emissores de luz azul / Identification of signs and symptoms associated with exposure to blue light emitting equipment. Brazilian Journal of Development, [S. l.], v. 6, n. 10, p. 75230–75241, 2020.
LI, HUILI et al. “Blue Light from Cell Phones Can Cause Chronic Retinal Light Injury: The Evidence from a Clinical Observational Study and a SD Rat Model.” BioMed research international vol. 2021. 16 de mai. de 2021.
MACIEL, A. A et al. Síndrome da visão do computador: um problema visual obscuro no cotidiano moderno. eOftalmo. 2022; 8(2):38-43</p>http://dx.doi.org/10.17545/eOftalmo/2021.0008
MATSUMURA, S; DANNOUE, K; KAWAKAMI, M et al.. Prevalence of Myopia and Its Associated Factors Among Japanese Preschool Children. Front. Public Health. 22 de jun. de 2022.
MUKAZHANOVA, A; ALDASHEVA, N; ISKAKBAYEVA, J et al. Prevalence of refractive errors and risk factors for myopia among schoolchildren of Almaty, Kazakhstan: A cross-sectional study. PLoS ONE,17(6): e0269474, 3 de jun. de 2022. disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0269474
MUTTI, DO; MULVIHILL, SP; ORR, DJ et al. The effect of refractive error on melanopsin-driven pupillary responses. Invest Ophthalmol VisSci. 2020;61(12):22.
RIDDELL, N; CREWTHER, SG; MURPHY, M. J.; TANI, Y. Long-wavelength–filtered light transiently inhibits negative lens-induced axial eye growth in the chick myopia model. Transl Vis Sci Technol. 20 de ago. de 2021.
SÁ, L. C. F. de; PLUTT, M.. Acomodação. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, 64(5), p. 481–483, 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0004-27492001000500021.
SAXENA, Rohit et al. “Prevalence of myopia and its risk factors in rural school children in North India: the North India myopia rural study (NIM-R Study).” Eye (London, England) vol. 36,10. 13 de out. de 2021.
SILVA, LUDMILA CAROLINE et al. Correlação entre a exposição diária à luz azul violeta emitida por dispositivos digitais e a visão de adultos jovens. SAÚDE REV., Piracicaba, v. 15, n. 41, p. 47-55, set.-dez. 2015
SONODA, R. T.; ARAÚJO, A. Distúrbios Neurovisuais Causados Por Luz azul. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar – ISSN 2675-6218, [S. l.], v. 3, n. 3, p. e331247, 2022.
SOUSA, A. Amorim-de-; SCHILLING, T.; FERNANDES, P. et al. Blue light blind-spot stimulation upregulates b-wave and pattern ERG activity in myopes. Scientific Reports, 29 de abr. de 2021.
STREETON, R.; COOKE, M.; CAMPBELL, J. Researching the researchers: Using a snowballing technique. Nurse researcher, v. 12, n. 1, p. 35-47, 2004. ISSN 1351-5578
STONE, R. A.; LIN, T.; LATIES, A. M.; LUVONE, P. M.. Retinal dopamine and form-deprivation myopia. Proceedings of the National Academy of Sciences. 1 de jan. de 1989.
SUMMERS, J. A. et al. Functional integration of eye tissues and refractive eye development: Mechanisms and pathways. Experimental Eye Research, v. 209, p. 108693. ago. de 2021.
THAKUR, Swapnil et al. “Short-Term Exposure to Blue Light Shows an Inhibitory Effect on Axial Elongation in Human Eyes Independent of Defocus.” Investigative ophthalmology & visual science vol. 62,15. 22 de dez. de 2021.
TIAN, T. et al. Wavelength Defocus and Temporal Sensitivity Affect Refractive Development in Guinea Pigs. Invest Ophthalmol Vis Sci, p. 2173–2180, 2019.
TODA, A. Y.; SONODA, R. T. EFICIÊNCIA DAS LENTES COM BLOQUEADOR DE LUZ AZUL. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar – ISSN 2675-6218, [S. l.], v. 3, n. 10, p. e3101997, 2022.
TOSINI, Gianluca et al. Effects of blue light on the circadian system and eye physiology. Molecular vision vol. 22 61-72. 24 de jan. 2016.
WU, Pei-Chang et al. “Increased Time Outdoors Is Followed by Reversal of the Long-Term Trend to Reduced Visual Acuity in Taiwan Primary School Students.” Ophthalmology vol. 127. 7 de fev. de 2020.
YANG, G.-Y.; HUANG, L.-H.; SCHMID, K. L. et al. Associations Between Screen Exposure in Early Life and Myopia amongst Chinese Preschoolers. International Journal of Environmental Research and Public Health, 7 de fev. de 2020.
YANG, Y. et al. The associations of high academic performance with childhood ametropia prevalence and myopia development in China. Ann Transl Med, p. 745–745, 2021.
YU, M. et al. The assistance of electronic visual aids with perceptual learning for the improvement in visual acuity in visually impaired children. Int Ophthalmol, p. 901–907. 8 de jan. de 2020.
ZHOU, Xiangtian et al. “Dopamine signaling and myopia development: What are the key challenges.” Progress in retinal and eye research vol. 61 (2017): 60-71.
¹Acadêmico de medicina na Universidade Estadual de Goiás – UEG. e-mail: gabriel.canuto@aluno.ueg.br
²Acadêmico de medicina na Universidade Estadual de Goiás – UEG. e-mail: vitoria.costa@aluno.ueg.br
³Psicóloga Pós-graduada em Teoria Cognitivo Comportamental
⁴Professora Emérita da Universidade Federal de Goiás – UFG
⁵Doutor em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo – USP
⁶Professor (Pós Doutor) de Oftalmologia da Universidade Estadual de Goiás – UEG
