ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E AFETIVA PARA ALUNOS COM DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE (TDAH)

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508111657


Edina Maria Alves de Souza1
Eli da Silva Duarte2
Renata Aleane Ferreira Martins3
Thays Rodrigues de Oliveira Lavareda4


Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo geral fazer um debate sobre as estratégias de aprendizagem significativa e afetiva para alunos que possuem o diagnóstico de Déficit de Atenção/Hiperatividade(TDAH). Parto do argumento de que esse transtorno afeta o funcionamento cerebral em áreas relacionadas ao controle de impulsos, organização e manutenção da atenção, a persistência dos sintomas não apenas compromete o desempenho acadêmico e profissional, mas também pode afetar a vida social e emocional do indivíduo. Para fundamentar a discussão, farei uso dos teóricos L. S Vygotsky; Henri Wallon,Manuela Cristina Oliveira Souza, Paulo Freire,Dijalma Pereira Nunes Júnior et al., Keylla Andresa dos Santos Brito et al.Como metodologia recorreu-se a pesquisa bibliográfica. Esta pesquisa justifica-se pois a compreensão do TDAH como uma condição multifacetada é crucial para a implementação de estratégias de intervenção eficazes, que devem ser personalizadas para atender às necessidades específicas de cada indivíduo.

Palavras-chaves: Ensino; Políticas Públicas; TDAH, Afetividade, cognitivo.

1. INTRODUÇÃO

Este artigo propõe uma discussão sobre estratégias de aprendizagem que sejam significativas e afetivas para alunos com déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Para tanto, faz se necessário explicarmos o conceito de desenvolvimento humano, aprendizagem significativa, afetividade e  TDAH. Para explicarmos o TDAH recorremos a 05 edição do livro Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-05). Segundo o DSM-05 o transtorno de Déficit de Atenção/hiperatividade (TDAH) possui características específicas e padrões persistentes que acabam interferindo no desenvolvimento de quem tem o diagnóstico de TDAH, alguns sintomas são: desatenção, impulsividade e hiperatividade. Esses são os aspectos que serão discutidos com mais profundidade no desenvolvimento deste artigo.

Para abordarmos sobre o desenvolvimento humano utilizaremos o autor Vygotsky, que compreende o desenvolvimento humano como um processo progressivo biopsicossocial do indivíduo humano. Segundo o autor  o desenvolvimento biopsicossocial  ocorre a partir da interação do sujeito com o meio. Para discutir o conceito de afetividade recorremos ao autor Wallon. O autor defende que o sujeito pode ser afetado positivamente ou negativamente por algo, sejam elas questões internas ou externas, já que a afetividade é um elemento vital para o desenvolvimento humano. Por fim, iremos discutir a teoria da aprendizagem significativa proposta em 1963 por David Ausubel. Ausubel acredita que a aprendizagem significativa acontece a partir do conhecimento prévio dos alunos. 

Esta pesquisa possui natureza qualitativa. A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste trabalho é bibliográfica. Para a produção de dados foi feita uma busca no catálogo da CAPES que aborda sobre o tema proposto, utilizando os descritores TDAH; Aprendizagem significativa; Educação; Afetividade. Em seguida foi feita a seleção desses artigos a partir do título e resumo, e por fim é feita a análise  crítica e profunda dos artigos selecionados. Além dos artigos, é utilizado o documento da Base Comum Curricular (BNCC) a fim de produzir uma discussão entre os autores e o documento oficial da educação, para que possamos vislumbrar os caminhos de uma educação utilizando a afetividade como elemento vital para a produção de uma aprendizagem significativa para alunos que apresentam TDAH.

2. ENTENDENDO O TDAH E O DESENVOLVIMENTO HUMANO AFETIVO E COGNITIVO.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é abordado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que é uma referência importante na psiquiatria. Segundo o DSM-5, o TDAH é caracterizado por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interferem no funcionamento ou desenvolvimento do indivíduo.

De acordo com o manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM) o déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) se apresenta na infância, tendo seus primeiros sintomas antes dos 12 anos de idade. Segundo o DSM, para que o indivíduo tenha um diagnóstico do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é necessário que o indivíduo ainda na infância apresente sinais e sintomas que ocorram em mais de um ambiente ao qual o sujeito está inserido. Neste sentido, é preciso que os profissionais de saúde no processo de investigação diagnóstica façam uma avaliação diferencial, observando as características comportamentais do indivíduo. 

O DSM diz que para ter o diagnóstico o indivíduo deve apresentar os sinais e sintomas em diferentes espaços ao qual está inserido, tais como: em casa, na escola etc. A avaliação é feita através de pessoas que tenham presenciado o indivíduo nos diferentes ambientes. O indivíduo que possui o TDAH apresenta alguns sinais, muitos deles estão relacionados com o seu comportamento e desenvolvimento cognitivo, esses indivíduos apresentam irritabilidade, falta de atenção, intolerância à frustração e mudanças de humor. De acordo com o DSM: 

A característica essencial do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento. (p.61)

Diante do que foi exposto, essa definição destaca a gravidade e a persistência dos sintomas do TDAH, que não são somente momentâneos. A interferência no funcionamento diário, seja em contextos escolares, profissionais ou sociais, enfatiza a necessidade de um diagnóstico e tratamento adequados, isso permite que os indivíduos desenvolvam estratégias para gerenciar seus sintomas, melhorando sua qualidade de vida. 

Vale ressaltar ainda a importância de debater os conceitos de desenvolvimento humano segundo Vygotsky e o conceito de afetividade segundo o autor Wallon. Referente ao desenvolvimento humano, o autor Vygotsky propõe que o desenvolvimento humano é um processo dinâmico e interativo, influenciado por fatores biopsicossociais. O autor enfatiza que a aprendizagem ocorre em um contexto social e cultural, onde a interação com outros é fundamental. Em sua obra “A Formação Social da Mente” traduzida em 1994, Vygotsky explora como o desenvolvimento humano é moldado por interações sociais e culturais.  

Vygotsky(1994), em sua obra aborda sobre os conceitos da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), ressaltando a importância da mediação e da linguagem no processo de aprendizagem dos sujeitos. o autor  argumenta que o conhecimento é construído socialmente, e que a educação deve promover contextos de colaboração e interação para facilitar o desenvolvimento cognitivo, essa perspectiva proposta por vygotsky enfatiza o papel da cultura e do ambiente social na formação da mente humana.

Na sua teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), Vygotsky defende que existe uma diferença entre o que uma pessoa consegue fazer sozinha e o que pode fazer com ajuda, segundo o autor a educação deve se concentrar nessa zona para promover o desenvolvimento dos sujeitos.  Vygotsky argumenta que a aprendizagem não ocorre de forma isolada, mas é mediada por interações sociais. A linguagem desempenha um papel central nesse processo, permitindo a comunicação e a troca de ideias, pois através da mediação as pessoas internalizam conhecimentos e habilidades, o autor propõe que desenvolvimento e aprendizagem são processos interligados, onde a aprendizagem social precede o desenvolvimento individual, a construção do conhecimento é, portanto, um fenômeno social.

Vygotsky (1994) o desenvolvimento não ocorre em um vácuo; ele é moldado pelas influências culturais e históricas. Segundo o autor, as ferramentas culturais, como a linguagem, são essenciais para o desenvolvimento cognitivo. As ferramentas culturais, segundo Vygotsky, são instrumentos e símbolos que facilitam o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem, como por exemplo, a linguagem; os sistemas de signos; as práticas sociais e a tecnologia. 

Vygotsky considera a linguagem a principal ferramenta cultural, essencial para a comunicação e a mediação do pensamento, pois através da linguagem, as pessoas compartilham ideias e constroem conhecimento. No que se refere aos sistemas de signos, o autor relata que este tópico abrange não apenas a linguagem verbal, mas também outras formas de representação, como símbolos matemáticos, gráficos e diagramas, que ajudam a organizar e expressar o pensamento. Já as práticas sociais incluem normas, valores e tradições de uma cultura que influenciam o comportamento e a aprendizagem, moldando a maneira como as pessoas interagem e resolvem problemas. E por fim, as ferramentas tecnológicas e físicas, como por exemplo, livros, computadores e aplicativos, que auxiliam no processo de aprendizagem e na mediação do conhecimento.

Segundo Vygotsky (1994) essas ferramentas são fundamentais para o desenvolvimento humano, pois permitem que os indivíduos internalizem conhecimentos e habilidades, transformando a maneira como pensam e interagem com o mundo. Vygotsky vê a aprendizagem como um processo coletivo, onde o conhecimento é construído através da colaboração e da troca de ideias. Esses princípios têm implicações importantes para a educação, sugerindo que as políticas públicas devem fomentar ambientes de aprendizagem colaborativos e apoiar a formação de interações significativas entre alunos e educadores.

No que se refere ao conceito de afetividade, o autor Henri Wallon desenvolveu uma teoria da afetividade que considera as emoções como fundamentais para o desenvolvimento humano e para o processo de aprendizagem. Wallon propõe que a afetividade não é apenas um aspecto secundário, mas um elemento central na formação da personalidade e na construção do conhecimento. Segundo Wallon, as interações sociais e emocionais moldam a forma como os indivíduos se relacionam com o mundo e aprendem.

Em sua obra “ A evolução Psicológica da Criança”, Wallon explora as diferentes dimensões do desenvolvimento infantil, enfatizando a importância da afetividade. Wallon(1994) argumenta que as emoções influenciam não apenas a aprendizagem, mas também a formação da identidade. O autor discute como as experiências afetivas moldam a percepção de si e a relação com os outros. A afetividade é vista como um motor que impulsiona a criança a explorar o mundo, sendo fundamental para a motivação e o engajamento nas atividades.

Wallon (1994) defende que o desenvolvimento da criança não pode ser entendido apenas em termos cognitivos ou motores; é uma totalidade que envolve a afetividade, a socialização e a construção do conhecimento. O autor identifica diferentes fases do desenvolvimento, cada um com características cognitivas e emocionais específicas. A afetividade desempenha um papel central em cada uma dessas fases. Wallon argumenta que as emoções são fundamentais para a aprendizagem. Criar um ambiente emocionalmente seguro e estimulante é crucial para o desenvolvimento da criança.

Ainda sobre a afetividade, o autor Wallon argumenta que as emoções influenciam não apenas a aprendizagem, mas também a formação da identidade. Ele discute como as experiências afetivas moldam a percepção de si e a relação com os outros. A afetividade é vista como um motor que impulsiona a criança a explorar o mundo, sendo fundamental para a motivação e o engajamento nas atividades.

Wallon destaca a importância das relações sociais, bem como as interações com os adultos e outras crianças são essenciais para o desenvolvimento emocional e cognitivo. O autor discute ainda sobre o papel da escola na promoção do desenvolvimento afetivo, o mesmo sugere que a educação deve incluir a formação emocional, não apenas a instrução acadêmica. Essa abordagem propõe uma visão integrada do ser humano, onde a afetividade é um elemento vital, o autor defendia a ideia de que a educação deve incluir a dimensão afetiva, criando um ambiente que favoreça a expressão emocional e o desenvolvimento de habilidades sociais. 

Wallon sugere que os educadores devem criar condições que favoreçam a expressão emocional e a construção de vínculos afetivos, pois isso facilita a aprendizagem. Portanto, a educação deve ser holística, considerando o desenvolvimento emocional e social como parte integrante do processo de ensino.

3. IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO SIGNIFICATIVA E AFETIVA.

Neste tópico iremos nos debruçar sobre a educação significativa e afetiva, bem como debater os processos de inclusão dos alunos que possuem o diagnóstico de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade-TDAH. 

A autora Manuela Cristina Oliveira Souza em seu trabalho de conclusão de curso, intitulado “Aproximações entre freire e Ausubel sobre aprendizagem significativa: implicações para a formação docente” nos traz uma discussão sobre como Paulo Freire e David Ausubel abordam sobre o conceito de aprendizagem significativa, a partir de perspectivas diferentes. 

Segundo Souza (2021), Ausubel entende que ocorre a aprendizagem significativa quando o novo conhecimento se relaciona com o conhecimento prévio do aluno. No entanto, Paulo Freire enfatiza que para ocorrer a aprendizagem significativa, é necessário que exista um diálogo entre educando e educador. Freire aborda ainda a importância do diálogo e da contextualização do conhecimento, promovendo um ensino aprendizagem que vai além do processo de memorização. 

Segundo Souza (2021), tanto Ausubel e Freire concordam que o processo de ensino aprendizagem deve ser conectado à realidade do aluno. Ausubel aborda sobre a importância dos conhecimentos prévios para uma aprendizagem afetiva, enquanto Freire sugere que a educação deve partir das vivências e experiências dos alunos, criando um contexto onde o aprendizado se torna relevante e aplicável. 

Souza (2021) apresenta que a formação docente deve integrar as perspectivas de Ausubel e Paulo Freire, promovendo assim, um ensino que valorize o diálogo, pensamento e reflexão crítica e a contextualização do conhecimento. Os professores necessitam ser capacitados para criarem ambientes de aprendizagem que estimulem a participação ativa dos alunos, levando em consideração os conhecimentos prévios e experiências dos alunos. 

Segundo Paulo Freire em sua obra “Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa”, publicada em 1996, a educação precisa ser um processo dialógico e humanizador, onde a aprendizagem seja significativa e afetiva. O autor acredita ainda que a educação necessita de um diálogo entre educador e educando, onde ambos desenvolvam um processo de ensino aprendizagem pautado na troca de saberes, ou seja, ambos ensinam e aprendem e vice-versa.  A criação desse processo dialógico torna a educação mais significativa, pois possibilita que os alunos relacionem o conhecimento com suas experiências de vida cotidiana.

Freire (1996) discute que a educação além de partir da realidade do educando, deve ser um conhecimento que seja contextualizado, ou seja, um conhecimento deve ser relacionado às experiências e ao cotidiano do aluno. Desta forma a aprendizagem se torna mais significativa, pois os alunos veem utilidade no que estão aprendendo. 

A educação significativa, segundo Freire, promove aos alunos a formação de uma consciência crítica, isso envolve no processo de preparar os alunos para questionar, refletir e transformar sua realidade. Para Freire, o educador deve incentivar o pensamento crítico e a reflexão sobre o mundo, auxiliando os alunos a se tornarem agentes de mudança. 

Freire enfatiza também a importância do afeto no processo educativo. A criação de um ambiente de respeito e empatia favorece a aprendizagem, pois os alunos se sentem valorizados ao expressar suas emoções e opiniões. Portanto, a educação deve ser um ato afetivo. Diante do exposto, a pedagogia de Paulo Freire destaca a necessidade de uma educação significativa que valorize o diálogo, contextualização, consciência crítica e o afeto.  

4. ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E AFETIVA PARA ALUNOS COM TDAH.

Diante do que foi exposto e debatido nos capítulos anteriores, debateremos aqui sobre as estratégias que podem ser utilizadas na sala de aula para alunos com diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. 

As ideias de Vygotsky podem ser utilizadas na formulação de políticas públicas para alunos com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Algumas estratégias que podem ser aplicadas é a criação de ambientes de aprendizagem colaborativos, pois promover salas de aula onde o trabalho em grupo é incentivado, essa colaboração pode ajudar os alunos com TDAH a se beneficiarem da interação social e a desenvolverem habilidades de comunicação e foco. Além de capacitar educadores para que atuem como mediadores eficazes, utilizando de estratégias que ajudem os alunos com TDAH a se concentrarem e a participarem ativamente, isso pode incluir a criação de dinâmicas que envolvam a linguagem e a comunicação. 

Outro ponto que devemos levar em consideração é a implementação de currículos flexíveis que considerem as necessidades específicas dos alunos com TDAH, permitindo assim, adaptações que levem em consideração seus estilos de aprendizagem e ritmo. As políticas públicas educacionais devem investir na formação de professores sobre o tema do TDAH e quais as melhores práticas de ensino podem ser aplicadas, incluindo a importância da mediação e da compreensão das necessidades emocionais e sociais desses alunos. Podendo utilizar a tecnologia como recursos que facilitem a mediação e o aprendizado, como por exemplo, aplicativos que ajudam a organizar tarefas e manter o foco, além de ferramentas que incentivem a colaboração. Faz-se necessário criar programas que integrem as famílias no processo educacional, proporcionando orientações sobre como apoiar o aprendizado em casa e a importância da interação social.

Seguindo esta mesma linha, para abordar sobre as estratégias de aprendizagem significativa e afetiva para os alunos com diagnóstico de Déficit de Atenção/Hiperatividade-TDAH, me valho do artigo “Aprendendo a Aprender: Considerações Psicopedagógicas para Alunos com TDAH”, dos autores Dijalma Pereira Nunes Júnior e colaboradores. No artigo os autores abordam sobre as estratégias que podem ser implementadas como ferramentas de apoio para o aprendizado de alunos com TDAH. Os autores enfatizam a importância de adaptações pedagógicas, bem como a personalização de métodos de ensino e o uso de recursos visuais e interativos. Os autores também ressaltam a necessidade de promover um ambiente de aprendizagem acolhedor, que favoreça a autoestima e a motivação dos alunos.

Neste artigo, os autores iniciam seu texto contextualizando o TDAH como um transtorno neurobiológico que afeta a atenção, hiperatividade e impulsividade. Segundo os autores essa condição acaba impactando de uma forma significativa no desenvolvimento cognitivo e na socialização dos alunos que possuem o diagnóstico de TDAH. Deste modo, os autores defendem a importância de considerar o desenvolvimento biopsicossocial dos alunos com TDAH. Os autores sugerem que as intervenções devem ser personalizadas, levando em consideração as particularidades de cada aluno.  

No artigo os autores nos apresentam algumas estratégias que podem ser utilizadas com os alunos que apresentam TDAH, sendo elas: 1) Método Multissensoriais, que envolve a utilização de diferentes sentidos-visuais, auditivos e táteis- auxiliando a manter o interesse e a facilitar a retenção de informações. 2) Criação de ambientes de aprendizagem flexíveis, ou seja, criar salas de aula com espaços variados que permita que os alunos se movam e mudem de atividade, espaços assim auxiliam a reduzir a agitação e aumentar a concentração. 3) Autonomia e autorregulação, neste aspecto, os autores enfatizam a importância de se desenvolver habilidade de autorregulação dos alunos, isso pode incluir ensiná-los a organizar duas tarefas, fazer listas de estabelecer metas, promovendo assim, um aprendizado mais independente. 4) Apoio emocional, neste caso, os autores abordam sobre a importância da construção de um ambiente de apoio emocional, se torna crucial. Os professores devem atuar como mediadores, oferecendo suporte e encorajamento, isso auxilia no aumento da autoestima e motivação dos alunos.5) Colaboração com as famílias, a interação entre escola e família é fundamental. Os autores destacam a importância de manter um diálogo constante com os pais, permitindo que eles também se envolvam no processo de ensino aprendizagem e adaptação. 7) para os autores a formação de educadores é de suma importância. Segundo os autores, os professores devem receber uma formação específica sobre TDAH e as estratégias inclusivas, isso garantiria que os educadores estejam mais preparados para atender as necessidades desses alunos. 

Com base no que foi exposto, os autores acreditam que para que os alunos com TDAH tenham um processo de ensino aprendizagem significativo, é necessário um esforço conjunto de toda a comunidade escolar. Adaptações pedagógicas, o apoio emocional e a formação continuada de educadores são pilares fundamentais para criar um ambiente que favoreça um aprendizado de qualidade. 

Segundo esta mesma linha de pensamento, temos o artigo “A realidade da inclusão de alunos com TDAH no ambiente escolar” da autora Keylla Andresa dos Santos Brito e colaboradores. Neste artigo os autores também fazem a definição de TDAH, enfatizando suas características, tais como falta de foco, hiperatividade e impulsividade. 

Os autores discutem sobre as dificuldades dos educadores em reconhecer e entender o TDAH, ponto este que pode acabar levando às práticas pedagógicas inadequadas. Os autores fazem uma crítica sobre a falta de recursos e suportes especializados para trabalhar com os alunos que apresentam TDAH, a falta de profissionais especializados para trabalhar com esse público,  acaba se tornando uma barreira significativa para a inclusão. 

Os autores ressaltam a importância de fazer mudanças no currículo para que seja possível atender as necessidades dos alunos com TDAH. Isso inclui a modificação de atividade, a oferta de avaliações alternativas, uso de ferramentas tecnológicas, como por exemplo, aplicativos de softwares educativos, que podem facilitar o engajamento dos alunos e ajudar na organização das tarefas, podem ser ferramentas estratégicas para desenvolver o ensino aprendizagem nos alunos. 

O artigo enfatiza que a inclusão vai além da adaptação curricular. O apoio emocional e psicológico é essencial para que os alunos se sintam seguros e valorizados, a criação de um ambiente acolhedor pode ajudar a minimizar a ansiedade e melhorar o desempenho dos alunos. Os autores destacam ainda que é de suma importância a relação entre escola e família, para que seja possível fazer um processo de inclusão mais eficaz dos alunos com TDAH. 

Com base no que foi exposto, em ambos os artigos os autores acreditam que para que os alunos com TDAH tenham um processo de ensino aprendizagem significativo, é necessário um esforço conjunto de toda a comunidade escolar. Adaptações pedagógicas, o apoio emocional e a formação continuada de educadores, adaptação curriculares são pilares fundamentais para criar um ambiente que favoreça um aprendizado de qualidade. A construção de um ambiente escolar inclusivo é essencial para que os alunos com TDAH tenham oportunidades equitativas de aprendizado. 

Seguindo esta mesma linha de pensamento, vale ressaltar que a teoria da afetividade desenvolvida por Henri Wallon nos oferece insights valiosos para a educação de alunos com Transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH). Wallon enfatiza que a afetividade é fundamental para o desenvolvimento humano. Para alunos que possuem o diagnóstico de TDAH, um ambiente emocionalmente seguro e acolhedor pode facilitar a aprendizagem. O reconhecimento e a validação das emoções desses alunos podem ajudá-los a se sentirem mais seguros e motivados.

Estabelecer uma relação positiva entre o educador e o aluno é essencial, isso pode incluir uma comunicação aberta e empática, que permite que os alunos se sintam valorizados. Além de criar uma rotina previsível e estruturada ajuda os alunos com TDAH a se sentirem mais seguros, diminuindo a ansiedade e melhorando o foco.

O processo de socialização é uma parte crítica do desenvolvimento, e Wallon argumenta que as interações sociais são essenciais. Para alunos com TDAH, atividades em grupo podem promover a inclusão e desenvolver habilidades sociais, mas devem ser cuidadosamente planejadas para garantir que todos os alunos participem de maneira positiva. Incorporar a educação emocional no currículo pode beneficiar alunos com TDAH, como por exemplo, ensinar os alunos a identificar e nomear suas emoções pode ajudar na regulação emocional, oferecendo ferramentas para o aluno lidar com frustrações e impulsos, promovendo assim uma melhor gestão do comportamento.

Wallon, assim como os outros autores citados durante o texto, também enfatiza a importância do contexto social e familiar. Trabalhar em colaboração com as famílias dos alunos pode garantir que haja continuidade nas abordagens educacionais e emocionais, criando um suporte mais sólido.A teoria da afetividade de Wallon sugere que um enfoque que considere as emoções e as relações sociais pode ser extremamente benéfico para alunos com TDAH. Ao criar um ambiente educativo que valoriza a afetividade, a socialização e a educação emocional, os educadores podem ajudar esses alunos a superar desafios e alcançar seu potencial.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

As ideias de Vygotsky podem ser aplicadas nas políticas públicas de educação de diferentes maneiras, como por exemplo, promover o incentivo de práticas pedagógicas que promovam o trabalho em grupo e a aprendizagem cooperativa, onde os alunos aprendem uns com os outros, respeitando suas diferentes habilidades e conhecimentos. Faz-se necessário capacitar os professores para atuar como mediadores no processo de ensino aprendizagem, focando em estratégias que estimulem a interação social e o uso da linguagem como ferramenta de ensino. 

Outro ponto importante, é criar espaços educativos que reconheçam e valorizem as diversidades culturais dos alunos, integrando diferentes contextos e experiências em sala de aula, de modo a enriquecer o aprendizado.  Além de desenvolver programas que incentivem a participação da comunidade na educação, fortalecendo os laços entre escola e família, promovendo assim um ambiente de aprendizagem mais integrado e socialmente rico. 

Ao utilizar as abordagens propostas por Vygotsky, podemos criar um sistema educacional mais inclusivo e eficaz, incluindo a importância da cultura e da integração social no desenvolvimento humano. 

Portanto, os autores citados no texto, embora com enfoques distintos, compartilham uma visão holística sobre a educação e o desenvolvimento, especialmente no contexto de alunos com TDAH. Wallon e Vygotsky enfatizam a importância das emoções e das interações sociais no aprendizado, que são cruciais para alunos com TDAH. Freire e Brito discutem a necessidade de um ambiente inclusivo que respeite a individualidade do aluno, promovendo sua autonomia e participação ativa no processo educativo. Ausubel fornece um modelo que pode ser adaptado para ajudar alunos com TDAH a fazer conexões entre o conhecimento prévio e novo, facilitando o aprendizado.

Assim, a intersecção dessas abordagens sugere que, para atender efetivamente alunos com TDAH, é necessário criar ambientes educacionais que valorizem a afetividade, a inclusão, a autonomia e a aprendizagem significativa, essas estratégias podem potencializar a experiência de aprendizado e promover o desenvolvimento integral dos alunos.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

BRITO,K. A. dos S.; ARRUDA,N.C.M; LOPES, R.S.de F;  LOPES,K.U.S.A realidade da inclusão de alunos com TDAH no ambiente escolar. In: SANTOS,E. A.R. dos; LOPES,K.U.S; NASCIMENTO,L.N do (org). Pedagogia – Desafios e Práticas Pedagógicas no Contexto Amazônico. vol,4. Belo Horizonte/ MG. Editora Poisson, 2024.cap 05,p.50-60. Disponível em:  fametro.edu.br 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 36. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 146 p. (Coleção Leitura)

Nunes Júnior, D. P., Pirani, Y. S. P., Delmondes, M. D., Silva, R. P. da, Barros, S. G., & Peres, G. P. (2024). APRENDENDO A APRENDER: CONSIDERAÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS PARA ALUNOS COM TDAH. Revista Ilustração, 5(8), 225–238. https://doi.org/10.46550/ilustracao.v5i8.379

SOUZA, Manuela Cristina Oliveira. Aproximações entre Freire e Ausubel sobre aprendizagem significativa: implicações para a formação docente. 2021. 28 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia) – Unidade Delmiro Gouveia – Campus do Sertão, Universidade Federal de Alagoas, Delmiro Gouveia, 2021.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Trad. NETO, J.C; BARRETO,L.S.M;AFECHE, S.C. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

WALLON, Henri. A Evolução Psicológica da Criança. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1994.


1Formação Acadêmica: Ciências Biológicas. SEMED/ Secretaria Municipal de Educação- Professora. E-mail: profedinaalves5@gmail.com – Pós Graduada – Gestão Educacional do Ensino de Ciências Naturais – Matemática e Ciências.
2Licenciado em História pela UFNT. Mestre em Cultura e Território – UFT. Licenciado em Pedagogia pela Unicesumar. Doutorando em Psicologia pela UFPA. Professor Concursado na rede pública de Porto Franco –MA E-mail: elipreparamestrado@gmail.com
3Licenciada em Educação Física. Cursando Pedagogia. Professora efetiva na rede municipal de ensino em Araguaína-To. Especialista em Saúde da Família Pós graduada em Educação Especial e Psicomotricidade. Está participando do seletivo para mestrado PPGCULT  UFNT.  E-mail: renataleane@gmail.com
4Licenciada Biologia. Licenciada em Pedagogia. Mestranda no PPGECIM. Professora efetiva na rede municipal de ensino em Araguaína-TO. E-mail. thayslavareda@gmail.com