EPIDEMIOLOGIA DA DIABETES MELLITUS TIPO 1: UMA REVISÃO SOBRE AS CAUSAS GENÉTICAS E O AUMENTO DE SUA INCIDÊNCIA

EPIDEMIOLOGY OF TYPE 1 DIABETES MELLITUS: A REVIEW OF GENETIC CAUSES AND ITS INCREASING INCIDENCE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510201527


Antônio Lucas Juvenal Nicodemos1; Valéria Moreira de Andrade1; Bárbarah Ferreira Mélo2; Adna Jayanne Bezerra de Menezes2; Ana Graziela Santana Alves2; Beatriz Guimarães Nepomuceno2; Caline Macedo Gomes2; Myrela Clementino de Sá Parente Leite2; Yandra Mylenna da Silva Amorim2; Marcelo do Nascimento Araujo3


Resumo

Introdução: O diabetes mellitus (DM) destaca-se, atualmente, como um importante causa de morbidade e mortalidade. O envelhecimento da população, a crescente prevalência da obesidade e do sedentarismo, e os processos de urbanização são considerados os principais fatores responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do DM mundialmente. Objetivo: O objetivo deste trabalho é investigar os principais sintomas clínicos da Diabetes Tipo 1 e como os fatores genéticos podem influenciar no desencadeamento da doença. Metodologia: Esse estudo trata-se de uma revisão de literatura. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases de dados do Scielo e Google Acadêmico com estudos publicados entre 2010 e 2025. Resultados: O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca as células betas do pâncreas, responsáveis por produzir insulina. Apesar de não ter cura, cada vez mais, novas terapias são testadas, na tentativa de reverter ou melhorar o curso clínico da doença. Conclusão: O presente trabalho revisa os conhecimentos atuais sobre as causas genéticas e o aumento da incidência da Diabetes Tipo 1 (DM1), abordando os mecanismos de ação e as metodologias utilizadas. Além disso, discute as principais causas da doença e os mecanismos de defesa que o corpo humano emprega para manter a homeostase nos portadores da condição.

Palavras-chave: Sinais Clínicos. Pesquisa. Mortalidade. Sedentarismo. Doença.

1 INTRODUÇÃO

Diabetes mellitus (DM) é um distúrbio metabólico crônico caracterizado por hiperglicemia persistente, podendo ocorrer devido à secreção prejudicada de insulina, resistência às ações periféricas da insulina ou ambos.  A hiperglicemia crônica em sinergia com outras alterações metabólicas, pode causar danos a vários sistemas orgânicos e levar ao desenvolvimento de complicações de saúde incapacitantes e fatais, das quais as mais proeminentes são as microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia) e macrovasculares, elevando o risco de doenças cardiovasculares em até 4 vezes (GOYAL, SINGHAL & JIALAL, 2023).

O diabetes mellitus (DM) destaca-se, atualmente, como um importante causa de morbidade e mortalidade. Estimativas globais indicam que 382 milhões de pessoas vivem com DM (8,3%), e esse número poderá chegar a 592 milhões em 2035. Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), aproximadamente 415 milhões de adultos entre 20 e 79 anos tinham diabetes mellitus em 2015. O envelhecimento da população, a crescente prevalência da obesidade e do sedentarismo, e os processos de urbanização são considerados os principais fatores responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do DM mundialmente (FLOR & CAMPOS, 2017).

O DM ocupa a nona posição entre as doenças que causam perda de anos de vida saudáveis. Em âmbito nacional, é um problema de saúde de grande magnitude. No Brasil, no ano de 2013, a prevalência estimada de DM foi de 6,9%, sendo de 6,5% entre homens e de 7,2% entre mulheres. Nesse mesmo ano, o Brasil ocupou a quarta posição entre os países com maior número de pessoas com diabetes, com 11,9 milhões de casos entre indivíduos adultos (20-79 anos). Esse cenário de alta prevalência tem gerado alto custo social e financeiro ao paciente e ao sistema de saúde, sendo responsável por 12% do total de hospitalizações não relacionadas à gestação e por até 15,4% dos custos hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro entre 2008 e 2010 (MUZY et al., 2022).

Dentre os tipos de diabetes, as etiologias que mais se destacam são o DM tipo 1 e DM tipos 2, sendo esse último mais prevalente, cerca de 90% dos casos. No DM2, há inicialmente, um aumento da resistência à insulina, dificultando a captação de glicose pelas células. E, na tentativa de manter a homeostase glicêmica, o pâncreas aumenta a produção de insulina, entretanto, com o tempo, as células betas pancreáticas não conseguem sustentar tal produção, levando a uma hiperglicemia crônica. Apesar de ser mais comumente observado em adultos acima dos 40 anos, a prevalência em faixas etárias mais jovens vem aumentando devido aos níveis crescentes de obesidade, inatividade física e dietas com alto teor calórico (GOYAL, SINGHAL & JIALAL, 2023).

O DM1, é caracterizado pela deficiência absoluta de insulina, em que na maioria dos casos, decorre de uma destruição autoimune das células beta. Em geral, a agressão inicial das células beta ocorre indiretamente, ou seja, após infecções virais, anticorpos que são produzidos para atacar antígenos virais acabam lesionando as células beta devido ao mimetismo molecular entre seus antígenos. A velocidade da destruição das células beta será variável, sendo geralmente mais rápida em crianças (VILAR, 2021). 

A suscetibilidade genética é ocasionada, principalmente, pelos polimorfismos no complexo antígeno leucocitário humano (HLA). A presença do gene HLA aumenta em 50% o risco de ocorrer o DM1 (OLIVEIRA et al., 2025).  Cerca de 90% dos pacientes com DM1 têm HLA DR3, contudo, somente 5% dos indivíduos com alelos de alto risco desenvolvem DM1, ressaltando a importância de outros fatores genéticos e não genéticos. Acredita-se que haja uma forte associação de fatores ambientais, principalmente infecções virais supracitadas. Este tipo de DM é menos comum que o tipo 2, correspondendo a apenas 5 a 10% dos casos de diabetes, e geralmente surge na infância ou adolescência. A hiperglicemia permanente ocorrerá quando 90% das ilhotas forem destruídas (VILAR, 2021).

 Assim, evidencia-se a crescente importância do DM1 como problema de saúde pública, principalmente por seu caráter autoimune e ambiental complexo. O presente artigo busca analisar aspectos epidemiológicos e etiopatogênicos do DM1, com enfoque nos fatores genéticos (particularmente a associação com o complexo HLA) e no aumento progressivo de sua incidência nas últimas décadas, haja vista que a compreensão desses aspectos possibilita o desenvolvimento de estratégias preventivas e de manejo clínico, reduzindo os impactos na qualidade de vida dos pacientes e no sistema de saúde. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 O Diabetes

No Brasil, em 2019, a Pesquisa Nacional de Saúde estimou que 7,7% da população acima de 18 anos tiveram diagnóstico médico de diabetes, o equivalente a cerca de 12,3 milhões de pessoas (IBGE, 2019). Diabetes Tipo 1 – é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células produtoras de insulina. Sem esse hormônio, a glicose não chega até as células, impossibilitando sua transformação em energia. Logo, o corpo começa a utilizar outras substâncias como reserva energética, no caso a gordura, o que explica a perda de peso dos diabéticos tipo 1 (CARDIM et al., 2024).

No contexto do diabetes mellitus, a dificuldade do organismo em produzir ou responder adequadamente à insulina resulta no acúmulo de glicose no sangue, o que aumenta a viscosidade do fluido sanguíneo e compromete a microcirculação essencial para a cicatrização dos tecidos. Essa hiperglicemia crônica provoca alterações no sistema hemostático que incluem disfunção endotelial, diminuição da deformabilidade das hemácias e maior agregação eritrocitária, contribuindo para um estado de hipercoagulabilidade e hipofibrinólise. Estes fatores dificultam o transporte eficiente de oxigênio e nutrientes, essenciais para o reparo tecidual, além de favorecer a formação de radicais livres e produtos de glicação avançada que danificam proteínas e membranas celulares, comprometendo o metabolismo celular, incluindo o dos neurônios. Essa interferência no metabolismo e na oxigenação celular agrava as complicações do diabetes, causando dificuldades no processo de cicatrização e comprometendo funções orgânicas vitais (SOARES et al., 2010).

Um estudo epidemiológico no sul do Brasil avaliou crianças e adolescentes que apresentaram cetoacidose diabética (CAD) como manifestação inicial de diabetes tipo 1 (DM1). Os autores observaram que a CAD é uma complicação grave e frequente no diagnóstico de DM1 nessa faixa etária, destacando fatores como idade mais jovem, atraso no reconhecimento dos sintomas e possíveis barreiras de acesso à saúde como contribuintes para a alta incidência. Ou seja, há necessidade de maior atenção na detecção precoce da diabetes tipo 1 e na educação de profissionais de saúde e familiares, a fim de prevenir desfechos graves, por exemplo, a cetoacidose (SOUZA et al., 2019).

2.2 Diabetes tipo 1 e anticorpos

O diabetes tipo 1 é uma doença endócrina, que se destaca por sua deficiência na produção de insulina, hormônio responsável por regular os níveis glicêmicos do indivíduo. Esse tipo possui 2 subdivisões, a 1A, em que o corpo libera grandes marcadores imunológicos, provenientes de anticorpos, como autoanticorpos citoplasmáticos anti-ilhotas, autoanticorpos anti-insulina, autoanticorpos antidescarboxilase do ácido glutâmico e outros, e o subtipo 1B, o qual é caracterizado pela ausência desses marcadores imunológicos (KAWASAKI, 2014).

Por conseguinte, esses anticorpos contra antígenos específicos das ilhotas pancreáticas estão presentes em cerca de 85% dos indivíduos recém-diagnosticados, podendo ser identificados antes mesmo do aparecimento clínico da doença, o que os torna marcadores precoces do processo autoimune que leva à destruição das células beta pancreáticas. Os anticorpos Anti-IAA geralmente são os primeiros a surgir em crianças predispostas, mas perdem valor diagnóstico após o início da insulinoterapia, uma vez que todos os pacientes passam a produzi-los cerca de 2 semanas após a administração. Já os anticorpos Anti-GAD65 estão presentes em cerca de 70% dos casos, atuam contra a enzima descarboxilase do ácido glutâmico, que é envolvida na síntese de GABA, esse agente neuroendócrino é fundamental para a liberação da insulina, proliferação das células beta e nos fenômenos anti-apoptóticos. Além disso, os anticorpos Anti-IA2 dirigem-se a proteína tirosina-fosfatase, surgem após os dois últimos anticorpos citados anteriormente e indicam alto risco de desenvolvimento de DM1. Vale destacar também, os anticorpos Anti-ZnT8 que são detectados em 60 a 80% dos casos, úteis especialmente quando os outros são negativos, pois aumentam a taxa de detecção de indivíduos em risco de desenvolver diabetes (RAMALHO & NORTADAS, 2021).

2.3 Fatores Ambientais desencadeantes 

O ambiente em que os indivíduos estão inseridos, segundo alguns estudos, parecem ter influência na progressão fisiopatologia do DM-1. Dessa forma, vale destacar alguns dos fatores ambientais aos quais os indivíduos com predisposição genética ou diabéticos estão expostos como exposição a alguns vírus dentre eles o coxsackie e o vírus causador da rubéola, da caxumba, os enterovírus, e, mais recentemente, o SARS-CoV-2, além disso tem a influência significativa dos adenovírus e do Epstein-Barr no desenvolvimento e progressão do DM-1. Além disso, a antecipação do desmame com a introdução precoce de leite de vaca e cereais, deficiência de vitamina D, exposição a medicamentos ou toxinas, estresse físico, psicológico ou emocional, idade materna acima de 35 anos, o parto cesáreo assim como o ganho de peso materno excessivo durante a gestação também está associado ao desencadeamento do diabetes (ZORENA et al., 2022).

2.4 Herança genética

De todos os genes já relacionados com o desenvolvimento do Diabetes mellitus tipo 1 (DM1), a maior contribuição vem da região do genoma onde estão localizados os genes do Antígeno Leucocitário Humano (HLA), sobretudo os genes da classe II do HLA: DR e DQ. Específicas combinações de alelos DRB1, DQA1 e DQB1 formando haplótipos, e ainda, a combinação de mais de um haplótipo, formando genótipos multilocus são associados com a susceptibilidade, neutralidade e proteção ao DM1 (SILVA, 2013). A falha nesses genes resulta na dificuldade do corpo em reconhecer aquelas células como suas próprias, com isso são classificadas como corpos estranhos, os quais acabam sendo atacadas por anticorpos.

Dentre os genes, o ERBB3 se destaca por ser um dos principais não HLA associados ao DM1, pois codifica um membro de receptores intracelulares específicos de proteína tirosina quinase, como PI3K-AkT, responsáveis pela ativação da sinalização. Assim, grupos de proteínas e enzimas iniciam uma sequência de reações químicas no interior da célula, transmitindo sinais para a realização de determinadas funções celulares. Concomitantemente, a MAPK (Proteína Quinase Ativada por Mitógeno), uma enzima que controla funções celulares e também exerce um papel crucial na sinalização celular, é ativada por estímulos externos, como hormônios, iniciando uma série de eventos que culminam em respostas celulares, incluindo proliferação e expressão gênica regulando assim, a sobrevivência e proliferação celular. Além disso, ERBB3 aparenta contribuir na patogênese do DM1 por meio de modulações da função das células apresentadoras de antígenos (APCs), apoptose e produção de insulina pelas células-beta pancreáticas (DIETER et al., 2017).

2.5 Manifestações clínicas

Na diabetes tipo 1, a ausência de insulina faz com que a glicose não consiga entrar nas células o que impossibilita sua transformação em energia e faz ela se acumular no sangue. Assim, o organismo é obrigado a utilizar fontes alternativas de energia, nomeadamente as proteínas dos músculos e as gorduras. Isto leva a perda de peso, cansaço, visão turva e sensação de fome (SPEDM).

A polidipsia crônica caracteriza-se por sede intensa devido à hiperglicemia e hipovolemia, embora nem sempre haja sinais clássicos de desidratação. A poliúria surge quando a glicemia ultrapassa 180 mg/dL, levando à glicosúria e diurese osmótica; em crianças, pode manifestar-se como noctúria, enurese ou maior troca de fraldas. No que tange à perda de peso, esta ocorre pela deficiência de insulina, que impede o uso adequado da glicose, aumentando o catabolismo de gordura e proteína. Os pacientes costumam chegar letárgicos, com queixas inespecíficas como a perda de peso, que está presente em cerca de metade dos portadores DM1, ou a polidipsia e poliúria, que aparecem em 90% dos casos, mas nem sempre são percebidas inicialmente (ABREU, 2019).

A dificuldade nos processos de cicatrização se deve a vários fatores relacionados ao acúmulo de açúcar no sangue do indivíduo, o que compromete o metabolismo de diversas células, entre elas os neurônios. A hiperglicemia crônica provoca um estado de inflamação sistêmica leve, com aumento de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IL-6 e IL-1), o que leva à resistência à insulina e prejudica a regeneração tecidual. Além disso, há alteração das funções imunológicas: os neutrófilos e leucócitos passam a ter menor capacidade de quimiotaxia e fagocitose; ocorre uma disfunção dos fibroblastos e das células epidérmicas, culminando no comprometimento da reparação tecidual (LEAL & CARVALHO, 2014).
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação metabólica grave, principalmente associada ao diabetes mellitus tipo 1. A cetoacidose diabética resulta da deficiência profunda de insulina e do excesso de hormônios contrarreguladores, como glucagon, cortisol e catecolaminas. Nesta circunstância, tecidos sensíveis à insulina passam a metabolizar principalmente gorduras ao invés de carboidratos. A deficiência de insulina favorece processos catabólicos, como lipólise, proteólise e glicogenólise. A lipólise resulta na liberação de ácidos graxos livres (AGL), que são oxidados em acetil-CoA. Quando a concentração sérica de acetil-CoA ultrapassa a capacidade de utilização hepática, esta substância passa a ser convertida em corpos cetônicos (CC). A retenção dos CC no plasma provoca acidose metabólica com anion gap elevado (LIMA et al., 2023).

2.6 Consequências

Dentre as consequências da falta de cuidados com o corpo em relação à doença, se destaca a retinopatia diabética (RD), uma complicação microvascular comum do diabetes é uma das principais causas de cegueira entre adultos em idade produtiva nos EUA. Foi estimado que 9,60 milhões de pessoas viviam com RD nos EUA em 2021, correspondendo a uma taxa de prevalência de 26,43% entre pessoas que tem diabetes (LUNDEEN et al., 2023).

Além de ser uma das maiores causas de cegueira irreversível no mundo, tal problemática afeta, principalmente, pessoas em idade produtiva, sendo, por isso, uma das complicações mais temidas pelos pacientes diabéticos. Estima-se que, após 15 anos de doença, 80% dos portadores de DM tipo 2 e 97% dos DM tipo 1 apresentem algum grau de retinopatia (MENDANHA et al., 2016).

A retinopatia diabética se desenvolve em um ambiente de hipóxia crônica, sendo a hiperglicemia o fator desencadeante. Esse processo leva ao dano e disfunção da microvasculatura retiniana, resultando em perda de pericitos, espessamento da membrana basal, inflamação crônica, leucostase, quebra da barreira hematorretiniana e acúmulo de radicais livres. Os capilares retinianos, formados por células endoteliais e pericitos, regulam o fluxo vascular. A perda dessas células enfraquece a parede vascular, favorecendo micro aneurismas e extravasamento plasmático. A inflamação agrava o quadro, com aumento de citocinas pró-inflamatórias, maior permeabilidade vascular, leucostase e obliteração capilar. A hiperglicemia também induz o acúmulo de moléculas glicadas, contribuindo para o espessamento da membrana basal, isquemia e estresse oxidativo celular (BASTOS, OLIVEIRA & JORGE, 2022).

Figura 1 – Retinopatia diabética e Retina saudável

Fonte: Hospital de Olhos – Dr. Ricardo Guimarães

2.7 Diagnóstico

A identificação da DM1 é um passo crucial na gestão eficaz desta doença crônica autoimune.  Para alcançar esse diagnóstico, existem vários testes e critérios amplamente reconhecidos. O diagnóstico de DM1 é confirmado quando a glicemia em jejum é igual ou superior a 126 mg/dL, quando uma dosagem aleatória de glicose no sangue é igual ou superior a 200 mg/dL e está associada a sintomas de hiperglicemia, ou quando a glicemia medida duas horas após o teste de tolerância à glicose oral é igual ou superior a 200 mg/dL. Na ausência de sintomas, a glicemia anormal deve ser observada em duas ocasiões diferentes. Outro teste importante é o da Hemoglobina A1c (HbA1c), que avalia a média dos níveis de glicose no sangue ao longo de 2 a 3 meses. Um resultado igual ou superior a 6,5% é um sinal de DM1. Além disso, a detecção de anticorpos autoimunes, como os anti-ilhotas pancreáticas ou anti-insulina, é altamente indicativa dessa forma de diabetes (BRUTTI et al., 2019; SAMPAIO, et al. 2023).

2.8 Transplante pancreático (TP)

O principal objetivo do transplante de pâncreas (TP) é buscar uma forma de regularizar os níveis glicêmicos, a fim de evitar complicações provenientes da DM1. O TP é indicado, principalmente, a indivíduos que possuem uma diabetes descompensada, nesses casos é comum a realização de transplante duplo (rim e pâncreas), visto que devido ao descontrole da doença, os rins são bastante sobrecarregados. Apesar de ser um procedimento que busca beneficiar o paciente, é extremamente intrusivo e requer doses elevadas de imunossupressores, o que também pode resultar em complicações crônicas. Além disso, por se tratar de um órgão único do corpo humano, a maioria dos pacientes o recebem por meio de um doador cadáver (JÚNIOR, SALVALAGGIO & PACHECO-SILVA, 2015). 

O isolamento das ilhotas é uma parte fundamental do procedimento, já que a qualidade e a disponibilidade de tecido de doadores compatíveis são escassas, sendo essencial a otimização e o aperfeiçoamento do processo para que o rendimento final do isolamento seja sempre o maior possível. Este processo de isolamento tem cinco passos: coleta, preparação, digestão, purificação e cultura. Os maiores impeditivos para realização desse tipo de transplante são a qualidade das ilhotas disponíveis, a dificuldade das técnicas de isolamento e transplante, necessidade de utilização de imunossupressores para o resto da vida do paciente e as terapias baseadas em insulina (ARAUJO, 2019).

2.9 Insulina

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e desempenha um papel fundamental no metabolismo da glicose. No corpo humano, a produção de insulina ocorre nas células beta das ilhotas de Langerhans, que são pequenas estruturas glandulares localizadas no pâncreas. A produção de insulina é regulada em resposta aos níveis de glicose no sangue. Quando os níveis de glicose no sangue aumentam após uma refeição, as células beta do pâncreas são estimuladas a liberar insulina na corrente sanguínea. A insulina então atua como um “sinalizador” para as células do corpo, indicando-lhes a absorver a glicose do sangue e usá-la como fonte de energia ou armazená-la para uso futuro (FREITAS & LIBERATO, 2022).

A priori, a insulina foi descoberta por Frederick Banting em 1921, durante um experimento que procurava isolar as secreções pancreáticas. A maior parte da produção de insulina era derivada do pâncreas de bovinos e suínos, sendo estes bastante semelhante à insulina humana. Com os avanços da engenharia genética a produção de insulina artificial passou a ser obtida através da bactéria Escherichia coli, geneticamente modificada para ser  capaz de sintetizar o hormônio. Para promover um tratamento ainda mais seguro e ficaz, a partir de 1980, a insulina humana produzida por tecnologia de DNA recombinante chegou ao mercado. Entretanto, apesar desses avanços, ainda eram necessárias diversas aplicações diárias para reduzir de maneira satisfatória os níveis glicêmicos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (2019),  as insulinas mais modernas, chamadas de análogas (ou análogos de insulina), são produzidas a partir da insulina humana e modificadas em laboratórios, de modo a terem ação mais curta, como a Lispro (Humalog®), Aspart (NovoRapid®) ou Glulisina (Apidra®)) ou ação mais prolongada, como a Glargina (Lantus®), Detemir (Levemir®) e Degludeca (PAIVA et al., 2021; LOPES & PEIXOTO, 2025).

2.9.1 Tratamento com bomba de insulina

A bomba de insulina é um dispositivo eletrônico de tamanho semelhante ao de um pager, pesando aproximadamente entre 80 a 100 g (MENEZES et al., 2021). Usada externamente ao corpo, ela é fixada na cintura, pendurada discretamente por dentro da roupa ou no pescoço, e deve ser utilizada continuamente ao longo das 24 horas do dia. Na maioria dos sistemas de infusão de insulina, a bomba está conectada a um tubo plástico fino que contém uma cânula flexível de teflon. Essa cânula é inserida sob a pele, geralmente no abdômen, e libera insulina de forma contínua em micro doses para o tecido subcutâneo do paciente, conforme a dosagem previamente estabelecida pelo médico. Outros locais para a aplicação da cânula incluem a região lombar, as coxas e, em alguns casos, os membros superiores (MENDES et al., 2022). 

As bombas de insulina são altamente precisas. A liberação de insulina ao longo das 24 horas é automática e programada previamente, podendo ser constante ou variável. É possível programar doses tão pequenas quanto 0,1 U/hora, ou até mesmo suspender a liberação de insulina por algumas horas, adaptando-se às diferentes necessidades de cada período do dia. (BERGET, MESSER & FORLENZA, 2019).

Figura 3 – Bomba de Infusão Contínua de Insulina

Fonte: Kosteira et al. (2019).

2.10 Célula NK (Natural Killer)

 As células Natural Killer (NK) fazem parte do sistema imunológico inato, o que significa que estão prontas para agir imediatamente após o reconhecimento do invasor. São produzidas na medula óssea, onde se desenvolvem e amadurecem. Uma vez maduras, elas circulam pelo corpo, patrulhando os tecidos em busca de células anormais. Quando encontram uma célula infectada ou cancerosa, as células NK liberam substâncias tóxicas que induzem a morte da célula-alvo, ajudando assim a combater infecções e a prevenir o crescimento de tumores. Devido a esse comportamento, as células NK são as principais responsáveis por gerar doenças autoimunes, pois devido uma deficiência genética, elas podem acabar atacando células saudáveis, pois o corpo do indivíduo tem dificuldade em reconhecer aquela célula, no caso da Diabetes Mellitus Tipo 1, muitos pacientes têm suas células Beta pancreáticas completamente erradicadas (DE SOUSA, ALBERNAZ & SOBRINHO, 2016).

2.11 Neuropatia

Quando há um desequilíbrio nos níveis de glicose no sangue (Hiperglicemia), pode ocorrer uma disfunção nas Bainhas de Mielina, prejudicando a comunicação entre os neurônios. Esse cenário pode levar ao desenvolvimento da Neuropatia Diabética (Figura 4 A). As áreas mais suscetíveis são geralmente as extremidades do corpo, especialmente os pés (Figura 4 B), que devido a insuficiência microvascular, reduzindo o fluxo de sangue e ao dano neuronal, há redução de sensibilidade. A associação dessas condições favorece a formação de lesões propensas a infecções, expondo o paciente ao risco de desenvolver o pé diabético. (GAGLIARDI, 2020; BRASILEIRO et al., 2019).

Figura 4 – A – Neuropatia em pacientes diabéticos descompensados; B – Pé diabético

Fonte: A. Petrache (2006) e B. Sarawut Opkhonburi (2023)

3 METODOLOGIA 

Foi escolhido a revisão literária narrativa como uma opção para desenvolver e ampliar ainda mais as informações e conhecimento voltados à área da Diabetes. A elaboração de uma pesquisa se faz a partir da escolha de um conjunto de dados confiáveis realizados naquela área sobre determinado assunto. 

Utilizou-se material bibliográfico como fonte de pesquisa, foram selecionados e avaliados os documentos mais relevantes ao tema. Foram incluídos artigos, dissertações, teses e trabalhos de conclusão de curso publicados entre 2010 e 2025, que apresentassem relação direta com o tema. Estudos duplicados, resumos, e publicações sem acesso completo foram excluídos. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases de dados do Scielo e Google Acadêmico. 

Como critérios de inclusão foram considerados artigos originais e estudos que contemplassem o tema.  Artigos em inglês e português foram escolhidos por tratarem-se de idiomas com abrangência regional e mundial. Foram excluídos os trabalhos que envolvem estudos que não mencionam as causas genéticas e ambientais que influenciam na diabetes. Empregamos palavras-chaves como “diabetes mellitus”, “diabetes mellitus tipo 1” e “genetic factors” para a busca dos artigos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

No acervo da Scielo foram encontrados 5.610 artigos e no Google Acadêmico foram encontrados 266.000 resultados para “diabetes mellitus tipo 1”. 58 foram selecionados após a leitura aprofundada com aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Apenas 10 artigos foram escolhidos para discussão mais detalhada. 

Por se tratar de uma doença autoimune, determinados marcadores genéticos são avaliados para averiguar o diagnóstico de DM1. Pesquisas, como a de Pellenz (2019), contribuem para uma melhor análise dos fatores genéticos. De acordo com o autor, o gene TYK2 contém as instruções para a produção de uma enzima envolvida na regulação do sistema imunológico e nos processos inflamatórios. Dentro desse gene, existe uma variação genética chamada rs2304256, que corresponde a uma alteração de uma única base do DNA, podendo assumir duas formas, conhecidas como alelos C e A. No estudo analisado, observou-se que indivíduos com o genótipo A/A apresentaram menor risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 1, sugerindo que essa forma específica do gene TYK2 pode exercer um efeito protetor contra a doença.

Entretanto, ainda que fatores genéticos desempenhem um papel importante, o controle e o manejo diário da doença são determinantes para a qualidade de vida dos pacientes com DM1. Além do próprio portador de DM1, que precisa alterar quase que completamente seus estilos de vida e hábitos alimentares, como dito por Malaquias (2016), as famílias são afetadas por essas mudanças. Assim como no Diabetes Mellitus Tipo 2, os portadores de DM1 necessitam ser cautelosos quanto aos seus cuidados (OROZCO & ALVES, 2017). De 15 atividades de autocuidado analisadas, apenas quatro demonstraram associação estatisticamente significativa em relação à média de resiliência, destacando-se: alimentação saudável com orientação profissional, consumo moderado de doces, e monitoramento da glicose no sangue conforme as recomendações (BOELL, 2020). De acordo com as pesquisas realizadas por Okido et al. (2017), ao conhecer a experiência de famílias que continham algum portador da doença, sugere-se que ocorra uma reorganização da rotina, isto é, um novo desenvolvimento de métodos pautados na concepção e cuidados centrados nas famílias. Nesse sentido, é relevante buscar possíveis causas, o que inclui, por exemplo, fatores relacionados à nutrição, uma vez que a exposição de alimentos, tais como leite de vaca e fórmulas lácteas, mencionadas por Saraiva & Barbosa (2019), podem elevar a incidência de DM1. 

Outros estudos procuram por métodos para evitar a progressão dessa doença ainda nas fases iniciais, como as pesquisas realizadas por Souza (2019) que sugerem campanhas de conscientização dos profissionais de saúde e da população para que haja diagnóstico precoce e tratamento adequado do diabetes mellitus tipo 1 em crianças e adolescentes.  Os estudos de Nascimento, Pupe & Cavalcanti (2016) corroboram com o anterior, visto que um diagnóstico adequado precoce costuma possibilitar um melhor tratamento e evitar a progressão de complicações graves, como neuropatias diabéticas. Com base na análise das pesquisas de Benítez (2014), em relação à incidência do DM1 entre pessoas menores de 15 anos, as maiores taxas foram entre crianças de 10 a 14 anos. Notaram, também, um aumento entre a idade de 0 a 4 anos com recomendação de continuar o acompanhamento para verificar essa tendência, o que ressalta a importância de uma avaliação também em faixas etárias iniciais.

Sob essa ótica, outros aspectos a serem avaliados são: o acesso, a oferta e o uso de serviços de saúde voltados para a população com diabetes em relação à qualidade do cuidado ofertado e ao acesso a medicamentos. Enquanto a saúde pública não for uma prioridade e a atenção básica não for devidamente valorizada e financiada como principal estratégia de saúde, não será possível melhorar nem o acesso nem a qualidade do cuidado ao paciente com diabetes, bem como de outras doenças crônicas (MUZY et al., 2022). Exemplo disso, conforme Silveira et al. (2016), é o sistema de bomba de infusão contínua de insulina (SIC) que embora apresente inúmeras vantagens, sendo uma alternativa à aplicação múltipla diária de insulina por pacientes diabéticos, a sua disponibilidade no sistema público de saúde ainda é muito baixa.

Quadro 1: Resumo dos artigos selecionados 

Autor/anoObjetivoPrincipais ResultadosConclusão

Benítez et al. (2014)
Este trabalho analisa a incidência e evolução do diabetes tipo 1 Em crianças menores de 15 anos anos na Extremadura durante o período de 2003 a 2007 A taxa de incidência global ajustada foi de 25,2 /100000 (95% IC: 21,8-28,6) com 100% de completude; não foram observadas diferenças significativas por sexo ou províncias. A faixa etária foi de 20,2 /100.000 (95% IC: 10.1-30.3) para 0-4 anos anos, 24,8 /100.000 (95% IC: 20.1-29.4) para 5-9 anos anos, e 30,0 /100.000 (95% IC: 25.8-34.1) para 10-14 anos anos, com um RR de 1,67 (95% IC: 1.18-2.36; P = .004) para 10-14 anos de idade em relação a 0-4 crianças do ano. O número de casos entre crianças de 0-4 anos anos aumentaram de 5 casos em 2003 a 15 casos em 2006 .A incidência é superior ao esperado para a região da Extremadura. É necessária uma monitorização atenta do grupo de 0-4 anos para confirmar a tendência observada.
Souza et al. (2019)
Avaliar as variáveis associadas ao diagnóstico de diabetes melito tipo 1 (DM1) na vigência de cetoacidose diabética e seu impacto na evolução da doençaA maioria dos pacientes teve diagnóstico de DM1 na vigência de cetoacidose diabética. Os fatores associados foram: menor idade e maior número de consultas prévias ao diagnóstico; a cetoacidose diabética foi menos frequente quando havia um irmão com DM1 e quando o diagnóstico foi feito na primeira consulta médica. Náuseas ou vômitos, dor abdominal, taquidispneia e alteração do nível de consciência foram mais frequentes no grupo com cetoacidose diabética ao diagnóstico. Não se observou associação com nível socioeconômico, tempo de sintomas antes do diagnóstico e duração do período de lua de melSão necessários estudos prospectivos para definir melhor o impacto desses fatores no diagnóstico e no controle da doença. Campanhas de conscientização dos profissionais de saúde e da população são necessárias para que haja diagnóstico precoce e tratamento adequado do diabetes melito em crianças e adolescentes


Malaquias et al. (2016)

Apreender como ocorre o cuidado familiar às crianças e adolescentes com diabetes mellitus tipo 1      
A pesquisa teve como participantes sete familiares de crianças/adolescentes com diabetes mellitus tipo 1, sendo seis mães e um pai, conforme pode ser verificado na Tabela 1. Em relação aos filhos dos colaboradores, a maioria deles era adolescente e com diagnóstico da doença há mais de três anos (Tabela 2). As categorias temáticas do estudo são apresentadas na sequênciaO estudo possibilitou compreender o quanto o diabetes mellitus tipo 1 altera significativamente o modo de vida do doente e de sua família, principalmente em relação aos aspectos alimentares. A mudança de hábitos alimentares em decorrência do DM1 traz modificações importantes no cotidiano familiar, social e econômico dos participantes, além de preocupações com o seguimento da dieta adequada em ambientes fora do contexto familiar pelos filhos, como por exemplo, a escola, onde os pais não conseguem exercer uma vigilância constante e efetiva sobre aquilo que os filhos realmente estão ingerindo


Nascimento, Pupe & Cavalcanti (2016)
A neuropatia diabética constitui uma das principais causas de neuropatia no mundo, podendo levar a amputações e incapacidade. O objetivo deste estudo foi fazer uma revisão detalhada e atualizada sobre neuropatia diabética, focando em sua classificação, investigação diagnóstica e tratamento Estima-se que 371 milhões de pessoas, entre 20 e 79 anos, em todo o mundo apresentem diabetes mellitus e que pelo menos metade destas desconheça o diagnóstico. Sua prevalência na América Central e do Sul foi estimada em 26,4 milhões de pessoas e projetada para 40 milhões, em 2030. O Brasil ocupa a 4ª posição mundial com maior prevalência de diabetes mellitus com 13.4 milhões de pessoas com a doença, correspondendo a aproximadamente 6,5% da populaçãoO diagnóstico realizado precoce e corretamente possibilita o adequado tratamento, evitando-se a progressão da neuropatia e complicações graves. Para isso, é necessária a obtenção de cuidadosa história clínica, além de minucioso exame neurológico e exames complementares, a fim de identificar sinais de comprometimento de fibras nervosas. Seu tratamento depende do adequado controle glicêmico e quando presente, tratamento da dor neuropática

Okido et al.  (2017)
Conhecer a experiência de famílias no cuidado às crianças com Diabetes Mellitus tipo 1Foram categorizados em dois temas: a família diante da demanda de cuidado habitual modificado e a insulinoterapia no cotidiano das famíliasConclui-se que o tempo de vivência com a doença aliado às estruturas de apoio, empenho e perseverança das famílias potencializam o manejo da doença crônica na infância. Sugere-se a reorganização dos serviços de saúde buscando o desenvolvimento de um cuidado pautado na concepção de cuidado centrado na família

Muzy et al. (2022)
Este trabalho visa apresentar uma metodologia de monitoramento dos procedimentos preconizados no protocolo de atenção ao paciente diabético, a partir do indicador de razão entre a oferta e a demanda de exames Tendo como foco a inovadora metodologia apresentada neste artigo, que relaciona a oferta e a demanda de cuidados face a prevalência da doença, utilizando-se do indicador de razão entre oferta e demanda, serão apresentados na sequência os componentes necessários para seu cálculo, sendo eles: prevalência estimada, volume de procedimentos ofertados e a demandados por pessoas com diabetes e a proporção de procedimentos atribuíveis a pessoas com diabetesA análise do acesso, a oferta e o uso de serviços de saúde voltados para a população com diabetes necessita ser complementada com avaliações sobre a qualidade do cuidado ofertado e estudos de acesso a medicamentos. Enquanto a saúde pública não for uma agenda prioritária e a atenção básica não for devidamente valorizada e financiada como principal estratégia de saúde, não será possível melhorar o acesso ou a qualidade do cuidado ao paciente com diabetes, bem como de outras doenças crônicas altamente prevalentes no país

Saraiva & Barbosa (2019)
A pesquisa teve como objetivo principal identificar possíveis fatores nutricionais desencadeantes do DM1, como introdução precoce do leite de vaca e glúten e desmame precoce e identificar correlação de fatores nutricionais desencadeantes do DM1 com a idade do diagnósticoObserva-se a correlação do perfil socioeconômico e aleitamento materno exclusivo ou não, tempo de aleitamento, idade de início do leite de vaca e de introdução do glúten. Tais parâmetros foram discriminados pela idade do diagnóstico, onde o tempo de aleitamento materno se mostrou influente em todas as faixas etárias. No entanto, na idade entre 6 a 10 anos, houve uma maior correlação do diagnóstico com a renda dos pacientes, indicando que, quanto maior a renda, maior foi o tempo de aleitamento maternoO presente estudo mostrou que há uma exposição aos determinantes alimentares que estariam envolvidos no processo de etiologia da doença, como o desmame precoce, que é sucedido pela introdução também precoce do leite de vaca, fórmula láctea para idade (cuja composição principal também é o leite de vaca), e pelo glúten. Desta forma, veem-se necessárias ações de educação nutricional já no período pré-natal, onde as gestantes compreendam a importância do AME até os 6 meses e que a amamentação seja continuada até os dois anos ou mais; sendo incentivada a alimentação complementar, respeitando o tempo correto, os hábitos e culturas regionais e condição socioeconômica da família. Fazem-se necessários também, estudos comparativos com outros centros de referência no atendimento a pacientes com DM1, a fim de elucidar o fenômeno do desencadeamento precoce na população em estudo, uma vez que o tema é de interesse público

Silveira et al. (2016)
Apontar experiências das secretarias locais quanto à necessidade de tecnologias como o SIC e as experiências de instituições internacionais que já introduziram tal aparato em seus sistemas de saúde A maioria das secretarias de saúde dos Estados brasileiros (SES) (83%) tem recebido demandas judiciais, com um aumento do uso do SIC nos últimos cinco anos. As organizações internacionais informaram que, em 47% dos países pesquisados, o SIC é disponibilizado à população pelo governo por meio do sistema de saúde públicoO uso do SIC resulta em vários benefícios, contudo, está atrelado a um custo adicional anual de cerca de R$9.500,00 por paciente. Portanto é evidente a necessidade de se realizar estudos para avaliar a incorporação do SIC e seu impacto orçamentário no sistema de saúde brasileiro, além de definir em quais circunstâncias ele será disponibilizado à população

Orozco & Alves (2017)
Verificar a diferença do autocuidado em pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2. Foram entrevistados quatro sujeitos diagnosticados com a doença, com a idade variando de 21 a 57 anosCastro e Grossi (2007) afirmam que o tratamento de diabetes que é proposto pelo Diabetes Control and Complication Trials inclui a monitoração da glicemia capilar e a insulinoterapia, totalizando esta terapêutica ao valor de 120 fitas por mês, com um total de gastos de R$ 360,00. O diabético extrai mensalmente uma parte da verba familiar para tratar da doença, representando grandes impactos individuais e financeiros e, muitas vezes, como conseqüência dos altos custos e de dificuldades financeiras, pacientes diabéticos adotam estratégias não higiênicas, como a reutilização dos materiais, para manter a terapêuticaA aplicação medicamentosa é feita por todos os sujeitos entrevistados, apenas se diferenciando pela aplicação de insulina em pacientes tipo 1 e por via oral em pacientes tipo 2, no entanto todos os sujeitos obedecem aos horários e fazem uso do remédio regularmente. Os sujeitos com diabetes tipo 1 se mostraram muito mais conscientes e assíduos no autocuidado com os pés,  através de verificações constantes a fim de evitar, ou tratar precocemente, machucados, calos e unhas encravadas. Pacientes com diabetes tipo 2 são, muitas vezes, alheios à importância desse autocuidado, menosprezando, por desinformação, a gravidade de um problema futuro, caso não haja um tratamento cuidadoso
Pellenz (2019)
Avaliar a associação entre o SNP rs2304256 no gene TYK2 e o DM1. Comparar a frequência do SNP rs2304256 no gene TYK2 entre pacientes com DM1 (casos) e indivíduos sem DM1 (controles) doadores do banco de sangue, ajustando-se para a presença de haplótipos HLA-DR/DQ de alto risco para o DM1. Avaliar se o SNP rs2304256 está associado a alguma característica clínica e laboratorial do DM1, como idade de diagnóstico e níveis glicêmicos. Um mímico sintético de DNA dupla fita gerado durante a replicação viral, diminuiu a sinalização do IFN-I/STAT. Células com TYK2 bloqueado tiveram menos expressão de HLA-I, um marcador precoce de inflamação nas células-beta. Além disso, a inibição de TYK2 preveniu a apoptose das células-beta, sugerindo que o TYK2 regula rotas apoptóticas e pró-inflamatórias nessas células via modulação de quimiocinas, tais como a CXCL10, que são importantes para o recrutamento dos linfócitos T às ilhotas pancreáticasDesta forma, a presente dissertação demonstrou que o genótipo A/A do SNP rs2304256 no gene TYK2 está independentemente associado com proteção para o DM1. Este foi o primeiro estudo a avaliar esta associação em uma população Brasileira.

Fonte: Elaboração própria, (2025)

A predisposição à DM1 é herdada, com elevada incidência familiar, especialmente entre parentes de primeiro grau, e maior concordância para o surgimento da doença em gêmeos monozigóticos, o que destaca a relevância dos fatores genéticos na sua patogênese. Contudo, 85% dos casos novos não possuem histórico familiar. Apenas 5 a 10% daqueles com parentes de primeiro grau com DM1 desenvolvem a condição, sugerindo que fatores ambientais podem exercer um papel significativo nos demais casos. Classificada como uma herança poligênica complexa, a DM1 está associada a algumas dezenas de loci genéticos, que ainda estão sendo investigados, embora apenas uma parte deles apresente evidências estatisticamente significativas de associação com a doença (CARVALHO, 2015).

O MHC é reconhecido como o principal responsável pela predisposição genética à DM1. O sistema leucocitário humano (HLA) é uma região localizada no MHC. Acredita-se que o HLA contribua para o desenvolvimento da DM1 ao promover a autoimunidade (NASCIMENTO, GOMES &  RODRIGUES, 2015). Apesar do HLA de classe II ser o maior contribuinte da suscetibilidade da DM1, é possível observar uma grande expressão de HLA de classe I nas ilhotas pancreáticas, ainda que não exclusivamente em células beta (FAGBEMI et al., 2017; RICHARDSON et al., 2016). 

Um estudo investigou a relação entre ancestralidade genética e genótipos HLA em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) de uma população mista do Maranhão, Brasil. Realizado entre 2016 e 2018, o estudo avaliou a ancestralidade autossômica, cromossomo Y e tipificações HLA. A análise mostrou predominância de ancestralidade europeia (cerca de 50%), seguida por africana e nativa americana (25% cada). Os alelos HLA-DRB103 e DRB104 foram os mais frequentes e associados a maior risco para DM1, especialmente entre indivíduos com cromossomo Y europeu. Esses achados sugerem que a ancestralidade europeia pode ter contribuído para o risco genético de DM1 na população (AZULAY, 2021).

Ao investigar a associação entre polimorfismos genéticos nos genes FCN1 e FCN2, que codificam as proteínas ficolina-1 e ficolina-2, e o desenvolvimento do DM1 em crianças, observou-se que o genótipo T/T do polimorfismos de nucleotídeo único rs1071583 no gene FCN1 esteve relacionado a diagnóstico mais precoce de DM1, cerca de dois anos antes do que em outros genótipos, embora não tenham sido encontradas associações diretas entre os polimorfismos e o aparecimento do DM1 ou de doenças autoimunes associadas. Os resultados sugerem que esse polimorfismo pode acelerar a resposta autoimune contra as células β pancreáticas, ainda que não seja o fator inicial da doença. O estudo destaca a possível importância do gene FCN1 na modulação da autoimunidade no DM1 e recomenda pesquisas adicionais (ANJOS, 2014).

A diabetes é influenciada por outros fatores genéticos, como a expressão de IDDM2, CTLA4 e PTPN22, apesar da suscetibilidade de ter DM1 estar associada também a fatores ambientais, por exemplo, à exposição a infecções virais, substâncias tóxicas, consumo de certos alimentos e deficiência de vitamina D (CARVALHO, 2015). 

A DM1 é uma doença que afeta principalmente crianças, com uma prevalência aproximadamente de 1:500 pessoas aos 12 anos, portanto, com o tratamento precoce, os portadores não sofreram com mudanças muito repentinas, já que realizam os cuidados desde cedo (LINHARES et al., 2022). 

Na investigação sobre o uso da bomba de insulina, observou-se que 14,2% dos pacientes alcançaram um valor de hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7,5% durante o tratamento com múltiplas doses de insulina. Em contraste, 35,71% dos pacientes apresentaram HbA1c inferior a 7,5% ao utilizarem o sistema de infusão contínua de insulina, evidenciando um melhor controle glicêmico com o uso das bombas de infusão. O nível de hemoglobina glicada é considerada a ferramenta mais eficaz para avaliar o controle metabólico e a única que apresenta boa correlação com complicações vasculares (SARDINHA et al., 2024).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O DM1 é uma doença crônica que atualmente, com o aumento da expectativa de vida da população, vem se tornando um dos grandes problemas de saúde pública. Conclui-se a importância dos estudos dos sintomas clínicos da Diabetes tipo 1, bem como os fatores genéticos e metabólicos podem influenciar no desencadeamento e progressão da doença.  

Os resultados de testes glicêmicos e monitoramento constante das taxas glicêmicas auxiliam no controle da doença.  O tratamento adequado requer do paciente uma série de mudanças nos hábitos de vida como a prática de atividade física, mudanças na dieta, utilização de insulina por toda sua vida além de um bom autocuidado. Esses fatores, se realizados de maneira correta, contribuem para um tratamento eficaz. 

O objetivo deste trabalho foi revisar os conhecimentos atuais relacionados às causas genéticas e aumento de incidência da DM1. Foi possível observar informações sobre o mecanismo de ação e metodologias usadas, bem como debater ainda as principais causas e mecanismo de defesa que o corpo humano usa para buscar a homeostase do portador.

REFERÊNCIAS

ABREU, Mariana Cardoso. Diabetes Mellitus Tipo 1: sinais, sintomas, diagnóstico e repercussão na criança e no adolescente. 2019. Trabalho  de  Conclusão  de  Curso (Graduação em Medicina) – Centro Universitário, Munhuaçu, 2019. Disponível em: https://pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/repositoriotcc/article/view/1824/1437. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

ANJOS, Zilma Pereira dos. Polimorfismos genéticos nos genes das ficolinas-1 e 2 em crianças e adolescentes com diabetes mellitus tipo 1. 2014. Tese de dissertação (Mestrado em Patologia) – Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências da Saúde, Recife, 2014.

ARAUJO, Felippe Ribeiro. Coleta e isolamento das ilhotas pancreáticas: Transplante para o tratamento do diabetes. 2019. Trabalho de Conclusão do Curso (Graduação em Farmácia-Bioquímica) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Disponível em: https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/a1ed7de0-5522-4a3f-b412-72af189e7963/3050985.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

AZULAY, Rossana Santiago de Sousa. Análise de biomarcadores de predisposição genética e ancestralidade para o Diabetes mellitus tipo 1 no estado do Maranhão. 2021. Tese (Doutorado em Ciências Médicas) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021. Disponível em: https://www.bdtd.uerj.br:8443/bitstream/1/16960/2/Tese%20-%20Rossana%20Santiago%20de%20Sousa%20Azulay%20-%202021%20-%20Completa.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

BASTOS, Thaís Marino de Azeredo; OLIVEIRA, Ítalo Pena de; JORGE, Rodrigo. Manifestações oculares de doenças sistêmicas II: retinopatia diabética e retinopatia hipertensiva. Medicina (Ribeirão Preto), v. 55, n. 2, 2022. Disponível em: https://revistas.usp.br/rmrp/article/view/178543/186049. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

BENÍTEZ, A. Gimeno et al. Incidencia de la diabetes tipo 1 infantil en Extremadura, 2003-2007. SEMERGEN-Medicina de Familia, v. 40, n. 4, p. 177-182, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24503169/. Acesso em: 01 de outubro de 2025.

BERGET, Cari; MESSER, Laurel H.; FORLENZA, Gregory P. A clinical overview of insulin pump therapy for the management of diabetes: past, present, and future of intensive therapy. Diabetes spectrum: a publication of the American Diabetes Association, v. 32, n. 3, p. 194, 2019.

BOELL, Julia Estela Willrich et al. Resiliência e autocuidado em pessoas com diabetes mellitus. Texto & Contexto-Enfermagem, v. 29, p. e20180105, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/gKYcSK6nYjnPLKhG5GYdmmj/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

BOZELO, Giovana et al. Como a alimentação afeta a saúde: a influência da epigenética. Genética na Escola, v. 18, n. 2, p. 109-115, 2023. Disponível em: https://geneticanaescola.com.br/revista/article/view/458/412. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

BRASILEIRO, José Lacerda et al. Pé diabético: aspectos clínicos. Jornal vascular brasileiro, v. 4, n. 1, p. 11-21, 2019. Disponível em: http://www.jvb.periodikos.com.br/article/5df24eeb0e88256c24b5f733/pdf/jvb-4-1-11.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

BRUTTI, Bruna et al. Diabete Mellitus: definição, diagnóstico, tratamento e mortalidade no Brasil, Rio Grande do Sul e Santa Maria, no período de 2010 a 2014. Brazilian Journal of Health Review, v. 2, n. 4, p. 3174-3182, 2019. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/2172/2203. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

CARDIM, Edna da Silva; MORAES, Juliana de Souza Vieira; BARROS, Marcia Pereira; ARGENTINO, Patrícia Miorin. Diabetes mellitus tipos 1 e 2 e aspectos imunológicos. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE. São Paulo, v. 10, n. 10, p. 927-945, out. 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/16003/8647. Acesso em: 14 de outubro de 2025.

CARVALHO, Inês da Silva Vieira Nunes de. Associação do SNP A49G do gene CTLA4 à diabetes tipo 1 na população madeirense. 2015. Tese de dissertação (Mestrado em Biologia Molecular em Saúde) – Escola Superior de Saúde Egas Moniz, 2015. Disponível em: https://comum.rcaap.pt/entities/publication/c745eda3-ccb9-4ce7-b2c6-95b3888e0474. Acesso em: 01 de outubro de 2025.

DE SOUSA, Aucirlei Almeida; ALBERNAZ, Alessandro Caetano; SOBRINHO, Hermínio Mauricio Rocha. Diabetes Melito tipo 1 autoimune: aspectos imunológicos. Universitas: Ciências da Saúde (encerrada), v. 14, n. 1, p. 53-65, 2016.Disponível em: https://doi.org/10.5102/ucs.v14i1.3406. Acesso em 16 de outubro de 2025

DIETER, Cristine et al. O polimorfismo RS2292239 (C/A) no gene ERBB3 está associado com risco para o Diabetes Mellitus tipo 1. Clinical and biomedical research. Porto Alegre, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29109006/. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

FAGBEMI, Kaossarath A. et al. HLA Class II allele, haplotype, and genotype associations with type 1 diabetes in benin: a pilot study. Journal of diabetes research, v. 2017, n. 1, p. 6053764, 2017. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5541783/. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

FLOR, Luisa Sorio; CAMPOS, Monica Rodrigues. Prevalência de diabetes mellitus e fatores associados na população adulta brasileira: evidências de um inquérito de base populacional. Revista brasileira de epidemiologia, v. 20, p. 16-29, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepid/a/sHGVt9sy9YdGcGNWXyhh8GL/abstract/?lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

FRANCO, Luíza Boldt. Desenvolvimento de um protótipo para medição de corpos cetônicos utilizando Arduino. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Elétrica) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2019.Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/193221/TCC%20-%20Lu%C3%ADza%20Boldt%20Franco.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

FREITAS, Luiza Lunardi de; SEMEGHIN, Camila Robbi; HIRATA, Bruna Kelly Sousa. 100 anos de insulina: como a descoberta do hormônio revolucionou o tratamento de diabetes tipo 1. Research, Society and Development, v. 10, n. 15, p. e385101522757-e385101522757, 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/356630551_100_anos_de_insulina_como_a_descoberta_do_hormonio_revolucionou_o_tratamento_de_diabetes_tipo_1. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

FREITAS, Yanna Julie da Silva; LIBERATO, Maria da Conceição Tavares Cavalcanti. Resistência à insulina. In: Pesquisas Bibliográficas Realizadas por Alunos das Disciplinas de Bioquímica e Química dos Alimentos UECE-2022, v. 2 p. 41- 43, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.36229/978-65-5866-172-6. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

GAGLIARDI, Antonio RT. Neuropatia diabética periférica. Jornal vascular brasileiro, v. 2, n. 1, p. 67-74, 2020. Disponível em: https://jvascbras.org/article/5e220d1d0e882507026d0102/pdf/jvb-2-1-67.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

GOYAL Rajeev, SINGHAL Mayank, JIALAL Ishwarlal. Type 2 Diabetes. Stat Pearls. 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513253/ Acesso em: 02 de outubro de 2025.

Holhos. Retinopatia diabética: como cuidar da visão de quem tem diabetes. Holhos, 16 ago. 2022. Disponível em: https://holhos.com.br/blog/retinopatia-diabetica-como-cuidar-da-visao-de-quem-tem-diabetes/. Acesso em: 14 de outubro de 2025.

IBGE-INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde : 2019 : percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal : Brasil e grandes regiões / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. – Rio de Janeiro: IBGE, 2020. 113p. Disponível em: https://www.pns.icict.fiocruz.br/wp-content/uploads/2021/02/liv101764.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

JÚNIOR, Roberto Ferreira Meirelles; SALVALAGGIO, Paolo; PACHECO-SILVA, Alvaro. Transplante de pâncreas: revisão. einstein (São Paulo), v. 13, p. 305-309, 2015.  Disponível em: https://www.scielo.br/j/eins/a/Wg3pFMCpdMV9YtMrsxxYTWx/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

KAWASAKI, Eiji. Type 1 diabetes and autoimmunity. Clinical pediatric endocrinology, v. 23, n. 4, p. 99-105, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25374439/. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

LEAL, Ermelindo C.; CARVALHO, E. Cicatrização de feridas: o fisiológico e o patológico. Revista Portuguesa de Diabetes, v. 9, n. 3, p. 133-143, 2014. Disponível em: https://www.revportdiabetes.com/wp-content/uploads/2017/10/RPD-Vol-9-n%C2%BA-3-Setembro-2014-Artigo-de-Revis%C3%A3o-p%C3%A1gs-133-143.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

LIMA, Paola Tássia Freitas Mendonça et al. Cetoacidose Diabética: fisiopatologia, diagnóstico e abordagem terapêutica. Brazilian Journal of Development, v. 9, n. 9, p. 26370-26378, 2023. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/62993/45309. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

LINHARES, Germana Lacerda et al. A importância do diagnóstico precoce e do manejo de diabetes mellitus tipo 1 na infância e seus desafios. Revista Contemporânea, v. 2, n. 3, p. 914-941, 2022. Disponível em: https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/214/148. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

LOPES, Cintia Moura Oliveira; PEIXOTO, Ana Carla. TIPOS DE INSULINA E SUAS APLICAÇÕES NO TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS. Revista Novos Desafios, [S. l.], v. 5, n. 1, p. 60–70, 2025. Disponível em: https://novosdesafios.inf.br/index.php/revista/article/view/132. Acesso em: 15 de outubro de 2025.

LUCINDO, Ana Laura Martins Marra Magno, SOUZA, Gabriella Soares de. A relação entre o sistema imune e endócrino com o desenvolvimento do diabetes Melittus tipo 1 / The conexion between the immune and endocrine system with the development of diabetes Melittus type 1. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 6334–6344, 2021. DOI: 10.34119/bjhrv4n2-187. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/26930. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

LUNDEEN, Elizabeth A. et al. Prevalence of diabetic retinopathy in the US in 2021. JAMA ophthalmology, v. 141, n. 8, p. 747-754, 2023. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamaophthalmology/fullarticle/2806093. Acesso em: 14 de outubro de 2025.

MALAQUIAS, Tatiana da Silva Melo et al. A criança e o adolescente com diabetes mellitus tipo 1: desdobrar do cuidado familiar. Cogitare Enferm, v. 21, n. 1, p. 01-07, 2016. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/42010/27251. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

MENDANHA, Denise Borges de Andrade et al. Fatores de risco e incidência da retinopatia diabética. Revista Brasileira de Oftalmologia, v. 75, n. 6, p. 443-446, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbof/a/wWqYGn6jJyCw5bFyv7k5T4s/?lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

MENDES, Tiago Soares et al. Perfil de pacientes com diabetes mellitus tipo I em tratamento através de sistema de infusão contínua de insulina em hospital de referência da Amazônia. 2022. Trabalho  de  Conclusão  de  Curso (Graduação em Medicina) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2022. Disponível em: https://bdm.ufpa.br/server/api/core/bitstreams/a8778829-78ac-460f-a846-0959fbc5911c/content. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

MENEZES, Denise de Sousa et al. Pacientes em uso do sistema de infusão contínua de insulina (SICI): análise reflexiva sobre aspectos positivos e dificuldades. Disciplinarum Scientia. Série: Ciências da Saúde, Santa Maria, v. 22, n. 1, p. 35–48, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.37777/dscs.v22n1-003. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

MUZY, Jéssica et al. Oferta e demanda de procedimentos atribuíveis ao diabetes mellitus e suas complicações no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, p. 1653-1667, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/zbYv33HhbcPJqss5nGtpK3n/abstract/?lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

NASCIMENTO, Carlos Preslley Santos; GOMES, Kerlianne Kelly Cosme; RODRIGUES, Samantha Azevedo. Fatores relacionados à diabetes tipo 1 na infância: revisão integrativa. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina) – Universidade Federal de Campina Grande, Cajazeiras, 2015. Disponível em: https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/8204. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

NASCIMENTO, Osvaldo José Moreira do; PUPE, Camila Castelo Branco; CAVALCANTI, Eduardo Boiteux Uchôa. Neuropatia diabética. Revista Dor, v. 17, p. 46-51, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdor/a/dfMvHLrCg5zrC5J5FjWDKwF/abstract/?lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

OKIDO, Aline Cristiane Cavicchioli et al. As demandas de cuidado das crianças com Diabetes Mellitus tipo 1. Escola Anna Nery, v. 21, n. 2, p. e20170034, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/VjdhWBbJBG444V97mhg3k3v/?lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

OLIVEIRA, Jaim Simões de et al. Aspectos sobre a distribuição e frequência de alelos e haplotipos HLA em brasileiros com diabetes melito tipo 1. Revista Foco, v. 18, n. 2, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v18n2-021. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

OROZCO, Lívia Barqueta; ALVES, Sergio Henrique de Souza. Diferenças do autocuidado entre pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e 2. Psicologia, Saúde e Doenças, v. 18, n. 1, p. 234-247, 2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/362/36250481019.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

PAIVA, Barbara Coelho de et al. Produção de insulina artificial para tratamento de diabetes mellitus utilizando E. Colli. Cadernos Camilliani e-ISSN: 2594-9640, v. 17, n. 2, p. 1944-1959, 2021. Disponível em: https://www.saocamilo-es.br/revista/index.php/cadernoscamilliani/article/view/426/260. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

PELLENZ, Felipe Mateus. Investigação da associação entre o polimorfismo rs2304256 no gene TYK2 e o diabetes mellitus tipo 1. 2019. Dissertação (Mestrado em Endocrinologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/204109. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

RAMALHO, S.; NORTADAS, R. Anticorpos na diabetes mellitus tipo 1. Revista Portuguesa de Diabetes, v. 16, n. 2, p. 73-79, 2021. Disponível em: https://www.revportdiabetes.com/wp-content/uploads/2021/07/RPD_Junho_2021_ARTIGO-DE-REVISAO_73-79.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

REIS, JP Lima. De Imhotep às Sulfonilureias. Uma história Brevíssima da Diabetes Mellitus. Revista Portuguesa de Diabetes, v. 14, n. 3, p. 131-136, 2019. Disponível em:. Disponível em: https://www.revportdiabetes.com/wp-content/uploads/2019/11/RPD-Set-2019-Hist%C3%B3ria-da-Medicina-p%C3%A1gs-131-136.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

RICHARDSON, Sarah J. et al. Islet cell hyperexpression of HLA class I antigens: a defining feature in type 1 diabetes. Diabetologia, v. 59, n. 11, p. 2448-2458, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27506584/. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

SAMPAIO, V. V. L.; AYRES, J. C. Z.; BORGES , L. M.; CRUZ , N. S.; SABINO, I. M. de O. Diabetes Mellitus tipo 1 – uma revisão abrangente sobre a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 6, n. 5, p. 24239–24249, 2023. DOI: 10.34119/bjhrv6n5-474. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/63739. Acesso em: 15 de outubro de 2025.

SARAIVA, Ana Beatriz de Souza Lopes, BARBOSA, Yalle Litwak de Queiroz. Fatores nutricionais maternos e da infância predisponentes do diabetes mellitus tipo 1 em crianças e adolescentes em um hospital de referência do nordeste brasileiro. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) – Faculdade Pernambucana de Saúde, Recife, 2019. Disponível em: https://tcc.fps.edu.br/jspui/bitstream/fpsrepo/569/1/TCC%20FPS%20CORRIGIDO.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

SARDINHA, Ana Helia de Lima et al. Diabetes Mellitus Tipo 1: O uso da bomba de infusão de insulina no tratamento. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 98, n. 3, p. e024366-e024366, 2024. Disponível em: https://www.revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/2211/2717. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

SILVA, Heglayne Pereira Vital da. Estudo dos genes do complexo do antígeno leucocitário humano (HLA) associados à susceptibilidade ao diabetes mellitus tipo 1. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências da Saúde, Natal, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/9fba9127-0e69-4047-9f96-19f176f1db2d/content. Acesso em: 16 out. 2025.

SILVEIRA, Dayane et al. Infusão subcutânea contínua de insulina: cenário nacional e internacional. Cadernos Saúde Coletiva, v. 24, p. 496-501, 2016. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/30329/1/ARTIGO_InfusaoSubcutaneaContinua.pdf. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

SOARES, A. L. et al. Alterações do sistema hemostático nos pacientes com diabetes melito tipo 2. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 32, p. 482-488, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbhh/a/v4WXNJzBKMxKYcpYbBfc4vG/?lang=pt. Acesso em 15 de outubro de 2025

SOUZA, Leonardo Calil Vicente Franco de et al. Cetoacidose diabética como apresentação inicial de diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes: estudo epidemiológico no sul do Brasil. Revista Paulista de Pediatria, v. 38, p. e2018204, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rpp/a/3TVhtphZTZzZGfCCdCHKpMs/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

SPEDM – Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Diabetes tipo 1. 3 f. Lisboa: SPEDM, s.d. (sem data). Disponível em: https://www.spedm.pt/uploads/glandulas_doencas_folhetos/diabetes_tipo_1.pdf. Acesso em: 15 de outubro de 2025.

SUCHOJ, Maysa; ALENCAR, Aline Paixão. Insulina degludeca em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 1. Revista Saúde-UNG-Ser, v. 12, n. 1/2, p. 47-53, 2018. Disponível em: https://revistas.ung.br/index.php/saude/article/view/2404/2546. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

VILAR, Lúcio, KATER, Claudio E. et al. Endocrinologia clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. ISBN 978-85-277-3717-3.

ZORENA, Katarzyna et al. Environmental factors and the risk of developing type 1 diabetes—old disease and new data. Biology, v. 11, n. 4, p. 608, 2022.


1Discente do Curso Superior de Biomedicina da faculdade Uninassau Campus Petrolina e-mail: a.lucas.nicodemos2001@gmail.com
1Discente do Curso Superior de Biomedicina da faculdade Uninassau Campus Petrolina e-mail: valeriamoreira17@outlook.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: barbarahferreira1@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: adnaj.bm@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: anagraziela10.ag@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: bibinepomuceno@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: caline.mg29@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: myrelacspl@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da faculdade FACAPE Campus Petrolina e-mail: amorim.yandrams17@gmail.com
3Docente do Curso Superior de Biomedicina da faculdade Uninassau Campus Petrolina. Doutor em Recursos Genéticos Vegetais (PPGRGV/UEFS). e-mail: marceloaraujobio@hotmail.com