ENVELHECER COM SEGURANÇA: A RELAÇÃO ENTRE ACESSIBILIDADE DOMICILIAR E QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS: REVISÃO DE LITERATURA

AGING IN SAFETY: THE RELATIONSHIP BETWEEN RESIDENTIAL ACCESSIBILITY AND QUALITY OF LIFE IN THE ELDERLY: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511091750


Ana Karoline Campos Silva¹
David Silva Smith¹
Ediane Dos Santos Coelho¹
Natallia Mota De Andrade¹
Thaiana Bezerra Duarte²


Resumo

Introdução: O aumento da longevidade, embora positivo, traz consigo questões relacionadas à manutenção da independência e da funcionalidade dos idosos, alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, como perda de força muscular, limitações na mobilidade e declínio cognitivo. Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão de literatura, a relação entre acessibilidade domiciliar e qualidade de vida em idosos, discutindo como as adaptações no ambiente doméstico podem favorecer a segurança, a autonomia e o envelhecimento saudável. Materiais e Métodos: O presente estudo utilizou o método de revisão integrativa da literatura. A coleta de dados foi realizada a partir de periódicos indexados a Bibliotecas Virtuais em Saúde (BVS): Biblioteca Científica Eletrônica Online (SCIELO), Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE), Literatura Latino – Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Public Medline (PUBMED). Resultados: Foram analisados cinco estudos selecionados entre 284 artigos, evidenciando que a acessibilidade domiciliar exerce papel fundamental na promoção da qualidade de vida dos idosos. Conclusão: Os estudos analisados mostraram que adaptações arquitetônicas, como instalação de corrimões, rampas e barras de apoio, contribuem de maneira significativa para a redução de quedas e para a promoção da autonomia.

Palavras-chave: Envelhecimento. Qualidade de Vida. Segurança.

Abstract

Introduction: The increase in longevity, although positive, brings challenges related to maintaining independence and functionality in eldery. Physiological changes inherent to aging, such as loss of muscle strength, mobility limitations, and cognitive decline, can compromise autonomy and safety. Objective: To analyze, through a literature review, the relationship between home accessibility and quality of life in eldery, discussing how domestic environmental adaptations can promote safety, autonomy, and healthy aging. Materials and Methods: This study employed the integrative literature review. Data collection was carried out through journals indexed in Virtual Health Libraries (VHL), including the Scientific Electronic Library Online (SciELO), the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), and the Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), Public Medline (PUBMED). Results: Five studies selected from 284 articles were analyzed, showing that home accessibility plays a fundamental role in promoting the quality of life of older adults. Conclusion: The studies analyzed demonstrated that architectural adaptations, such as the installation of handrails, ramps, and grab bars, significantly contribute to reducing falls and promoting autonomy among older adults.

Keywords: Aging.Quality of Life. Safety

1  INTRODUÇÃO

O envelhecimento da população é um fenômeno global que exige atenção crescente dos sistemas de saúde e da sociedade em geral. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), estima-se que até 2050 haverá mais de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais no mundo, representando um desafio para a promoção da qualidade de vida. No Brasil, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023) revelam que a população idosa já ultrapassa 30 milhões de pessoas, demonstrando a relevância social e científica do tema

O aumento da longevidade, embora positivo, traz consigo questões relacionadas à manutenção da independência e da funcionalidade dos idosos, alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, como perda de força muscular, limitações na mobilidade e declínio cognitivo, podem comprometer a autonomia no dia a dia (Araújo; Vieira, 2021). Essas condições tornam os idosos mais vulneráveis a acidentes, principalmente no espaço domiciliar, que deveria ser um ambiente seguro e adaptado (Custódio et al, 2023).

As quedas em casa representam um dos maiores riscos à saúde da população idosa. Elas são as principais causas de internações por causas externas em idosos, resultando em fraturas, sequelas funcionais e até óbitos (Trapano; Bastos, 2022). O problema se agrava quando o domicílio apresenta barreiras arquitetônicas, como escadas sem corrimão, pisos escorregadios ou ausência de barras de apoio, dificultando a mobilidade e a independência do idoso (Oliveira et al, 2022).

A literatura aponta que a qualidade de vida no envelhecimento está diretamente relacionada à preservação da autonomia, da independência funcional e do bem-estar psicossocial (Dantas et al, 2024). Segundo Oliveira et al., (2025) um envelhecimento saudável envolve não apenas a ausência de doenças, mas também a manutenção de capacidades físicas, cognitivas e sociais que garantam a participação ativa dos idosos na sociedade. Nesse sentido, o ambiente domiciliar exerce papel central, pois é onde o idoso passa a maior parte do seu tempo (Araújo; Vieira, 2022).

Nesse contexto, a acessibilidade domiciliar se apresenta como uma estratégia fundamental para prevenir acidentes e promover maior segurança. A adoção de adaptações arquitetônicas e tecnológicas pode reduzir riscos e ampliar a autonomia dos idosos, favorecendo um envelhecimento mais saudável e ativo (Santana; Santos; Nunes, 2024). Assim, investigar a relação entre acessibilidade no ambiente doméstico e qualidade de vida torna-se pertinente para a prática em saúde e para a formulação de políticas públicas (Miranda; Farias, 2022).

No entanto, ainda existem lacunas quanto à implementação de medidas de acessibilidade nos lares brasileiros. Muitos domicílios não são planejados para atender às demandas da população idosa, o que amplia a vulnerabilidade e compromete a qualidade de vida (Dantas et al,. 2024). Dessa forma, torna-se necessário aprofundar o debate científico sobre como as adaptações podem influenciar o bem-estar dos idosos no cotidiano.

Com o aumento da longevidade, torna-se urgente repensar os espaços domésticos, tornando-os inclusivos, funcionais e seguros. Além disso, o estudo pode contribuir para a prática profissional de outras áreas da saúde, ao subsidiar ações educativas, preventivas e de promoção da saúde voltadas ao idoso (Oliveira et al, 2022).

Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão de literatura, a relação entre acessibilidade domiciliar e qualidade de vida em idosos, discutindo como as adaptações no ambiente doméstico podem favorecer a segurança, a autonomia e o envelhecimento saudável, fortalecendo o conhecimento científico e propondo reflexões que auxiliem no planejamento de cuidados e políticas públicas voltadas ao envelhecimento seguro.

2  MATERIAIS E MÉTODO

O presente estudo utilizou o método de revisão integrativa da literatura, cuja finalidade é reunir, analisar e sintetizar as principais produções científicas relacionadas a um determinado tema. Essa abordagem metodológica permite uma compreensão ampla do objeto de estudo, contemplando diferentes perspectivas teóricas e práticas.

Além disso, possibilita a identificação de lacunas existentes no conhecimento, a integração de resultados obtidos em pesquisas diversas e a apresentação de subsídios que favoreçam a construção de novas reflexões e contribuições para o campo acadêmico.

A coleta de dados foi realizada a partir de periódicos indexados a Bibliotecas Virtuais em Saúde (BVS): Biblioteca Científica Eletrônica Online (SCIELO), Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE), Literatura Latino – Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Public Medline (PUBMED) por meio da junção de três Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) cruzados com operador booleano “AND” “Envelhecimento” AND “Qualidade de Vida” AND “Segurança”.

Etapas de desenvolvimento da pesquisa.

Os critérios de elegibilidade foram selecionados artigos originais, do tipo revisão sistemática, integrativa, publicados no período de 2012 a 2025, que tratam do tema pesquisado. Os critérios de inelegebilidade foram artigos com textos incompletos, resumos, monografias, dissertações e teses.

Os artigos foram selecionados de acordo com os critérios a partir dos títulos, posteriormente foi realizada a análise de resumos e finalmente os artigos foram lidos na íntegra, e se o artigo estive a critério da temática proposta foram selecionados para o estudo, sendo elaborado um instrumento para a coleta de informações direto nas bases de dados selecionados para compor esta revisão.

3  RESULTADOS

Foram encontrados 284 artigos na totalidade nas bases de dados. Ao aplicar os critérios de inclusão e exclusão o número reduziu para 81. Após a análise dos estudos, 5 publicações foram selecionadas para compor este estudo.

Figura 1 – Fluxograma da Revisão de literatura

Fonte: (Os Autores, 2025).

Segundo a tabela 1, para melhor compreensão dos achados da revisão, elaborou-se  uma  síntese  dos  cinco  artigos  incluídos,  contemplando informações sobre autores, tipo de estudo, objetivos, metodologia e principais resultados.

Essa sistematização possibilita visualizar de maneira comparativa as diferentes abordagens utilizadas, bem como os pontos em comum entre os estudos, especialmente no que se refere à acessibilidade, segurança e prevenção de quedas em idosos. A seguir, apresenta-se a Tabela 1 com a síntese dos estudos analisados.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.

Fonte: (Os Autores, 2025).

A análise dos cinco artigos selecionados evidenciou a relevância da acessibilidade domiciliar e institucional na prevenção de quedas e na promoção da qualidade de vida em idosos. Em termos quantitativos, os estudos envolveram um total de 657.730 idosos, número que contempla os trabalhos de Hollinghurst et al. (2024), com 657.536 participantes, Dantas et al. (2024), com 182 idosos, e Martins; Emmel (2013), que aplicaram seu instrumento em 12 indivíduos. Os estudos de Miguel, Mafra e Loreto (2024) e de Lima, Silva e Oliveira (2014) não especificaram o quantitativo de participantes, mascontribuíram com análises qualitativas acerca da adequação de ambientes e programas de intervenção.

De maneira geral, todos os trabalhos destacaram que as barreiras arquitetônicas, como pisos escorregadios, iluminação insuficiente, ausência de barras de apoio e rampas inadequadas, representam fatores extrínsecos que ampliam o risco de quedas e acidentes em idosos. Em contrapartida, adaptações estruturais (Miguel, Mafra e Loreto; Hollinghurst et al.) e programas voltados para a acessibilidade demonstraram impacto positivo, reduzindo significativamente a ocorrência de quedas e promovendo maior segurança e autonomia. Além disso, instrumentos e checklists (Dantas et al.; Martins e Emmel; Lima, Silva e Oliveira) de avaliação mostraram-se ferramentas úteis para identificar fragilidades no ambiente físico e subsidiar intervenções preventivas.

Entretanto, a convergência dos resultados aponta que a atuação multiprofissional, especialmente com foco na adequação ambiental, é fundamental para garantir independência funcional, bem-estar e envelhecimento saudável.

4  DISCUSSÃO

Os resultados desta revisão reforçam que a acessibilidade no ambiente domiciliar e institucional apresenta relação direta com a prevenção de quedas, a promoção da autonomia e a melhora da qualidade de vida dos idosos.

De maneira geral, os cinco estudos analisados apontam que barreiras arquitetônicas, como ausência de corrimões, pisos escorregadios e iluminação inadequada, aumentam o risco de acidentes e comprometem a independência funcional. Por outro lado, adaptações estruturais e programas de intervenção mostraram-se eficazes na redução de quedas e na ampliação da sensação de segurança, confirmando a importância de ambientes preparados para as demandas do envelhecimento (Lourenço; Cavalcante; Morgana, 2020). Na comparação entre os trabalhos de Miguel, Mafra e Loreto (2024) e Hollinghurst et al. (2024), observa-se que ambos trataram de intervenções ambientais voltadas para a prevenção de quedas, mas com enfoques distintos. No estudo de Miguel, Mafra e Loreto (2024) evidenciou-se que mudanças simples, como o programa Kit Banheiro Seguro, podem gerar impacto imediato na percepção de autonomia e segurança. Já Hollinghurst et al. (2024) em um estudo de grande escala, demonstrou que modificações estruturais mais abrangentes, como corrimões e rampas, reduzem de forma consistente a necessidade de atendimentos emergenciais. Esses resultados indicam que tanto intervenções pontuais quanto programas em maior amplitude são capazes de produzir benefícios, embora em níveis diferentes de alcance e efetividade.

O estudo de Dantas et al. (2024) acrescenta uma perspectiva complementar ao identificar fatores clínicos e sociais, como polifarmácia, déficits sensoriais e fragilidade física, que aumentam o risco de quedas dentro do domicílio. A polifarmácia, definida pelo uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, está associada a efeitos adversos como tontura, hipotensão postural e sonolência, que comprometem o equilíbrio e aumentam o risco de acidentes. Segundo Aung et al. (2021), idosos hospitalizados que faziam uso de múltiplos fármacos apresentaram 43% mais risco de quedas ao longo de um ano em comparação aos que utilizavam menos medicamentos. Já os déficits sensoriais, especialmente os visuais e auditivos, reduzem a capacidade de identificar obstáculos e reagir a situações de risco. Os estudos de Miranda; Farias e Farias (2022) observaram que idosos com comprometimento visual à distância ou de perto apresentaram maior probabilidade de quedas futuras, reforçando a importância do monitoramento sensorial nessa faixa etária. Além disso, a fragilidade física, caracterizada pela perda de força muscular, lentidão e baixa resistência, também se relaciona fortemente com a ocorrência de quedas. Em uma meta-análise conduzida por Kojima et al. (2023), verificou-se que idosos classificados como frágeis têm 1,48 vezes mais chances de sofrer quedas em comparação com aqueles não frágeis.

Esses achados demonstram que, embora a adequação ambiental seja essencial, não é suficiente quando não associada ao acompanhamento multiprofissional. Tal observação dialoga com os trabalhos de Custódio et al. (2023) e Santana, Santos e Nunes (2024), que não foram incluídos nesta revisão, mas reforçam a necessidade de integrar medidas preventivas e intervenções ambientais. Assim, a literatura converge para a compreensão de que a segurança do idoso depende de múltiplos fatores que vão além da estrutura física. Além disso, as adaptações domiciliares assumem papel fundamental  para  a  acessibilidade,  pois permitem ao idoso manter a independência e o convívio familiar com segurança. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2021), um ambiente acessível favorece o envelhecimento ativo e reduz custos com hospitalizações. A acessibilidade, conforme Silva e Ferreira (2020), é um direito social que assegura a inclusão e a dignidade, garantindo que o idoso usufrua dos espaços sem barreiras físicas ou sensoriais. Portanto, adaptar o domicílio não é apenas uma medida de prevenção de acidentes, mas uma ação promotora de autonomia e auto – estima.

Outro ponto essencial é o acompanhamento multiprofissional, que deve integrar fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais, engenheiros civis e arquitetos. Cada profissional desempenha papel específico: o fisioterapeuta atua na reabilitação e no fortalecimento muscular; o terapeuta ocupacional avalia a funcionalidade e propõe adaptações ergonômicas; o enfermeiro realiza orientações de autocuidado e prevenção; o assistente social identifica vulnerabilidades sociais; e os profissionais da engenharia e arquitetura planejam intervenções físicas adequadas (Araújo; Vieira, 2021; Santos et al., 2023). A atuação integrada dessa equipe contribui para um planejamento seguro e centrado nas reais necessidades do idoso, promovendo a continuidade do cuidado e a redução de novos acidentes.

De acordo com Martins e Emmel (2013), o checklist baseado na NBR 9050 mostrou-se uma ferramenta prática para identificar riscos e orientar adequações. Entretanto, outros instrumentos de avaliação vêm sendo propostos para complementar essa análise, como o Home Falls and Accidents Screening Tool (HOME FAST) e o Housing Enabler, que avaliam tanto barreiras físicas quanto fatores individuais do idoso (Iwarsson;Slaug, 2010). Esses checklists oferecem uma abordagem mais abrangente, permitindo detectar limitações funcionais que o instrumento baseado apenas na NBR 9050 pode não contemplar Barros et al. (2024). Assim, embora o checklist brasileiro seja de grande relevância, ele poderia incorporar itens sobre iluminação, textura de pisos e acessibilidade tecnológica, tornando-se ainda mais completo para o contexto atual.

A pesquisa de Lima, Silva e Oliveira (2014) acrescenta uma dimensão institucional ao mostrar que quase um quarto da estrutura de uma instituição de longa permanência em Teresina não atendia às normas de acessibilidade da ABNT e da ANVISA. Esse resultado aproxima-se do estudo de Hollinghurst et al. (2024), que demonstrou os benefícios das adequações quando aplicadas de maneira efetiva. Enquanto o estudo de Lima, Silva e Oliveira (2014) revelou falhas na implementação de padrões mínimos de segurança, o estudo internacional de Hollinghurst et al. (2024) evidenciou ganhos consistentes decorrentes das modificações estruturais. Essa comparação permite observar a distância entre o potencial de intervenção e a realidade prática em diferentes contextos.

Durante a etapa de seleção, vários estudos foram excluídos por não abordarem de forma direta a relação entre acessibilidade e qualidade de vida. Mesmo assim, pesquisas como as de Oliveira et al. (2025) e Novaes et al. (2023) oferecem reflexões relevantes. O primeiro destaca a influência da atividade física na mobilidade e na prevenção de acidentes, enquanto o segundo discute o impacto econômico das quedas no sistema de saúde. Conforme Carli et al. (2025), quedas em idosos representam uma das principais causas de internações e geram alto custo ao sistema público, tanto em reabilitação quanto em perda de autonomia funcional. Por isso, aprimorar a mobilidade e investir em programas de prevenção são estratégias que reduzem o impacto socioeconômico e melhoram a qualidade de vida.

De forma geral, a comparação entre os estudos incluídos demonstra que, independentemente do método adotado, todos convergem para a ideia de que a acessibilidade é um recurso essencial para reduzir acidentes e ampliar a qualidade de vida dos idosos. No entanto, a ausência de padronização das intervenções, a falta de integração com aspectos clínicos e as limitações na implementação de políticas públicas ainda representam lacunas importantes.

Nesse sentido, investigações futuras precisam avançar no desenvolvimento de estratégias que unam a adequação ambiental, o acompanhamento multiprofissional e a formulação de políticas inclusivas, assegurando um envelhecimento mais seguro e saudável.

5  CONCLUSÃO

A presente revisão permitiu observar que a acessibilidade no ambiente domiciliar e institucional exerce influência direta na qualidade de vida e na segurança dos idosos. Os estudos analisados mostraram que adaptações arquitetônicas, como instalação de corrimões, rampas e barras de apoio, contribuem de maneira significativa para a redução de quedas e para a promoção da autonomia. Além disso, evidenciou-se que intervenções bem planejadas ampliam a sensação de independência e favorecem um envelhecimento mais ativo e saudável.

Verificou-se também que a acessibilidade, isoladamente, não é suficiente para garantir a segurança dos idosos. Fatores clínicos, sociais e culturais interferem de forma conjunta no risco de acidentes, sendo necessária a atuação multiprofissional para que as adaptações ambientais alcancem melhores resultados. O uso de instrumentos de avaliação, como checklists e protocolos, mostrou-se um recurso importante para identificar vulnerabilidades e orientar estratégias preventivas.

Embora os trabalhos analisados apresentem convergência quanto à importância das adaptações, ainda existem lacunas na literatura relacionadas à padronização das intervenções, à integração com a prática clínica e à efetivação das normas em instituições de longa permanência. Dessa forma, recomenda-se a ampliação de pesquisas que articulem ambiente físico, acompanhamento em saúde e políticas públicas, com o objetivo de consolidar práticas capazes de garantir um envelhecimento seguro, funcional e com melhor qualidade de vida.

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¹ Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE
² Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina de Afya Faculdade de Ciência Médica Itacoatiara.
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