EMPREENDEDORISMO FEMININO NA ERA DIGITAL: DESAFIOS E OPORTUNIDADES NA CAPTAÇÃO DE CLIENTES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511202004


Sara Rodrigues Da Silva
Orientador: Marcos Paulo Mendes Araujo


RESUMO

O presente estudo analisa o empreendedorismo feminino na era digital, destacando os desafios e oportunidades enfrentados pelas mulheres na captação de clientes por meio das plataformas digitais. A pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, baseou-se em revisão bibliográfica de autores nacionais e internacionais, abordando temas como liderança feminina, marketing digital, inovação e redes sociais. Os resultados indicam que as mulheres empreendedoras vêm utilizando as ferramentas tecnológicas como instrumentos de empoderamento, autonomia e inclusão econômica, embora ainda enfrentem obstáculos relacionados à dupla jornada, desigualdade de gênero, capacitação técnica e acesso a recursos. Conclui-se que o ambiente digital proporciona novas formas de protagonismo e visibilidade para as mulheres, promovendo a democratização do mercado e o fortalecimento do papel feminino na economia contemporânea.

Palavras-Chave: Marketing digital; Empreendedorismo; liderança feminina.

ABSTRACT

The present study analyzes female entrepreneurship in the digital era, highlighting the challenges and opportunities faced by women in client acquisition through digital platforms. The research, of a qualitative and exploratory nature, was based on a literature review of national and international authors, addressing topics such as female leadership, digital marketing, innovation, and social networks. The results indicate that women entrepreneurs have been using technological tools as instruments of empowerment, autonomy, and economic inclusion, although they still face obstacles related to the double work shift, gender inequality, technical training, and access to resources. It is concluded that the digital environment provides new forms of protagonism and visibility for women, promoting the democratization of the market and strengthening the female role in the contemporary economy. 

Keywords: Digital marketing; Entrepreneurship; Female leadership.  

1 INTRODUÇÃO

O empreendedorismo feminino tem ganhado crescente relevância nas últimas décadas, impulsionado tanto pelo desejo de autonomia econômica das mulheres quanto pela necessidade de inserção no mercado de trabalho em condições mais flexíveis e igualitárias (Amorim; Batista, 2012). A transformação digital, por sua vez, tem se mostrado uma aliada fundamental nesse processo, oferecendo novas ferramentas e espaços de visibilidade para que empreendedoras possam divulgar seus produtos e serviços, fortalecer suas marcas e conquistar clientes de forma mais estratégica e acessível. 

Segundo Assis et al., (2024) “O fenômeno das interações sociais intermediadas pela tecnologia mudou a maneira de comprar e vender”. No entanto, embora o ambiente digital amplie as possibilidades de atuação, ele também impõe desafios significativos. A competitividade acentuada, a necessidade constante de atualização tecnológica e o domínio das estratégias de marketing digital representam barreiras que exigem das empreendedoras habilidades multifacetadas e capacidade de adaptação. Além disso, questões de gêneros ainda persistem (Pedezzi; Rodrigues, 2020), influenciando o acesso a recursos financeiros, redes de apoio e oportunidades de capacitação. 

Pedezzi e Rodrigues (2020, p. 399) afirmam que “historicamente, as mulheres vêm lutando para ocupar uma boa posição social e cargos mais elevados no mercado de trabalho, já que sempre foram discriminadas com relação aos homens (…)”. A captação de clientes, nesse contexto, emerge como um dos maiores desafios e, simultaneamente, uma das principais oportunidades do empreendedorismo feminino na era digital. As plataformas de redes sociais, o marketing de conteúdo e o comércio eletrônico permitem a construção de relacionamentos mais próximos, personalizados e sustentáveis com o público. 

Segundo Santos et al. (2023), o empreendedorismo digital representa não apenas uma oportunidade econômica, mas também uma forma de inclusão e empoderamento feminino, ao possibilitar que mulheres desenvolvam seus próprios negócios sem depender de estruturas tradicionais de trabalho. Essa realidade reflete uma mudança de paradigma no perfil da empreendedora contemporânea, que alia sensibilidade às demandas do público com o uso estratégico das ferramentas digitais.

Entretanto, apesar das oportunidades oferecidas pelo ambiente digital, os desafios persistem e se renovam à medida que a tecnologia avança. De acordo com Hora Neto et al. (2022), muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades na aplicação de estratégias de marketing digital eficazes, principalmente pela falta de capacitação técnica e pela limitação de recursos financeiros para investimento em publicidade online. 

Além disso, o estudo de Silva et al. (2025) destaca que, embora as redes sociais sejam fundamentais para a captação de clientes, o sucesso nesse espaço requer conhecimento sobre algoritmos, engajamento e produção de conteúdo de valor aspectos que demandam tempo, aprendizado contínuo e planejamento. Assim, observa-se que o ambiente digital, ao mesmo tempo em que democratiza o acesso ao mercado, também evidencia as desigualdades estruturais de gênero e o desafio da profissionalização no uso das mídias digitais.

2. OBJETIVOS 

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar os desafios e as oportunidades enfrentados por mulheres empreendedoras na era digital, com foco nas estratégias de captação de clientes. 

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

  • Investigar como as empreendedoras utilizam as ferramentas digitais para promover seus negócios e alcançar novos públicos;
  • Identificar os principais desafios enfrentados por mulheres na gestão e manutenção da presença digital de seus empreendimentos;
  • Analisar o impacto da transformação digital na consolidação do protagonismo feminino e na fidelização de clientes. 

3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa de caráter exploratório e descritivo, por buscar compreender de forma interpretativa os fenômenos sociais e suas relações. Segundo Gil (2019), “a pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, com vistas à formulação de problemas mais precisos” (p. 41).

Para a construção do embasamento teórico, foi realizada uma pesquisa bibliográfica em fontes nacionais e internacionais, consultando bases como Google Acadêmico, Scielo e CAPES Periódicos. Como define Lakatos e Marconi (2021), “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (p. 44). Essa etapa foi essencial para reunir estudos atualizados sobre empreendedorismo feminino, marketing digital e captação de clientes. 

4. REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Análise do papel da mulher como líder em ambientes empreendedores. 

A presença feminina em cargos de liderança no Brasil tem se expandido, refletindo transformações nas estruturas empresariais e sociais. Segundo a Amcham Brasil (2023), “a importância da liderança feminina nas empresas é evidente e vários estudos comprovam que líderes mulheres podem impactar no sucesso da empresa”. Essa crescente participação é impulsionada por iniciativas que promovem a equidade de gênero e o empoderamento feminino no ambiente corporativo.

No contexto empreendedor, mulheres líderes enfrentam desafios específicos, como a conciliação entre vida profissional e pessoal, além de barreiras culturais e estruturais. A pesquisa de Souza (2024) destaca que mulheres em posições de alta liderança no Banco Central do Brasil enfrentam desafios profissionais relacionados à ascensão em um ambiente predominantemente masculino, evidenciando as dificuldades para mulheres em cargos de liderança.

Entretanto, as mulheres têm demonstrado habilidades de liderança distintas, caracterizadas por empatia, colaboração e foco no desenvolvimento humano. Essas competências são essenciais para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e inovadores. A pesquisa de Iizuka (2022) aponta que mulheres empreendedoras, ao adotarem uma perspectiva feminista, contribuem para a transformação das organizações, promovendo práticas mais inclusivas e colaborativas.

Iniciativas de apoio ao empreendedorismo feminino, como o programa Sebrae Delas, têm se mostrado fundamentais para a consolidação da liderança feminina. O programa busca desenvolver competências, comportamentos e habilidades de mulheres empreendedoras, fortalecendo sua presença no mercado e promovendo práticas de gestão que estimulam competitividade e inovação. Segundo o Sebrae (2023), o programa contribui significativamente para aumentar a autonomia das mulheres e sua participação ativa na economia, criando oportunidades concretas para que liderem negócios de sucesso. 

4.2 A importanância do Networking e como as mulheres estão usando a tecnologia para empreender. 

O networking tem se mostrado uma ferramenta essencial para o crescimento e fortalecimento de negócios liderados por mulheres. Como destaca o Sebrae (2023), “o networking permite às mulheres empreendedoras ampliar suas conexões, trocar experiências e acessar oportunidades de negócios”. Segundo BNI (2022, p. 1) “Networking é o processo de desenvolver e usar os seus contatos para aumentar os seus negócios, aprimorar o seu conhecimento, expandir a sua esfera de influência ou servir à sua comunidade”.

Essas redes oferecem suporte emocional, mentorias e acesso a recursos que, muitas vezes, são mais difíceis de alcançar em ambientes predominantemente masculinos. Além disso, a tecnologia tem sido um diferencial estratégico. Dados do Sebrae indicam que 71% das mulheres utilizam redes sociais, aplicativos e internet para vender, em comparação com 63% dos homens, evidenciando que “as mulheres têm se apropriado das ferramentas digitais para expandir seus negócios e alcançar novos mercados” (SEBRAE, 2023). Essa utilização intensiva das plataformas digitais permite maior visibilidade e engajamento com o público-alvo, fortalecendo a competitividade.

Iniciativas de apoio, como a Rede Mulher Empreendedora, mostram como o networking estruturado pode impulsionar negócios. Segundo Fontes (2022), “a Rede conecta empresárias, oferecendo capacitação, mentorias e oportunidades de negócio em um ambiente colaborativo”. Plataformas como essa criam ecossistemas que fortalecem a presença feminina no empreendedorismo, incentivando a troca de conhecimento e parcerias.

No setor de tecnologia, mulheres têm usado inovação para gerar impacto no mercado. Carvalho (2022) destaca que líderes femininas em startups de tecnologia aplicam a Internet das Coisas, inteligência artificial e marketing digital para otimizar serviços e atrair clientes, mostrando que “a integração de tecnologia e liderança feminina promove soluções criativas e diferenciadas no mercado”. 

Esses exemplos demonstram que o networking e o uso estratégico da tecnologia são fundamentais para o sucesso das mulheres no empreendedorismo. Ao se conectarem com outras empreendedoras e utilizarem ferramentas digitais, elas ampliam suas oportunidades de negócio, superam desafios e promovem a transformação do ambiente empresarial, consolidando seu protagonismo econômico e social.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A discussão a seguir tem como objetivo analisar, à luz de diferentes perspectivas teóricas e empíricas, o fenômeno do empreendedorismo feminino na era digital, com ênfase nos desafios e oportunidades relacionados à captação de clientes. A partir da revisão de literatura e da busca em bases científicas como CAPES Periódicos, Google Acadêmico e SciELO, foram selecionados três artigos de relevância nacional que abordam a temática sob diferentes enfoques temporais e metodológicos, como descritos na tabela a seguir.

Caracterização dos estudos analisados

Fonte de coletaTítuloAutor (es)AnoMétodo/Metodologia
ScieloMulheres empreendedoras: o desafio da escolha do empreendedorismo e o exercício do poderEva G. Jonathan 2011Pesquisa qualitativa, a autora realizou entrevistas com mulheres. Estudo descritivo baseado na análise do discurso.
Google acadêmicoInovação e Empreendedorismo na era digital: percepções de empreendedoras digitaisSilva, A. S.2020Pesquisa qualitativa exploratória, entrevista com 4 empreendedoras digitais. 
Google acadêmicoMulheres empreendedoras e o Uso das redes sociais no Brasil: uma revisão sistemática da LiteraturaSilva et al., 2025Revisão sistemática da literatura. Os autores pesquisaram 19 artigos científicos publicados entre 19 e 2023. Estudo bibliográfico.

Fonte: Autores, 2025

5.1 O Empoderamento Feminino e a construção da Autonomia Digital 

Este tópico trata-se da análise do artigo de Eva G. Jhonathan. Os resultados desta pesquisa evidenciam que as mulheres têm utilizado as plataformas digitais como instrumentos de empoderamento e autonomia profissional, tanto para captação de clientes quanto para a construção de autoridade no mercado. Essa tendência reforça os achados de Jonathan (2011), que já apontava a busca de autorrealização e independência financeira como os principais fatores motivacionais para o empreendedorismo feminino: “as empreendedoras almejam atualizar seu potencial pessoal e profissional, imprimindo seus próprios valores e formas de agir” (Jonathan, 2011, p. 72).

Na era digital, essa autorrealização se expressa na capacidade de as empreendedoras criarem narrativas próprias em ambientes virtuais, estabelecendo relações horizontais e colaborativas com seus públicos, o que também reflete o modelo de liderança apontado por Jonathan: “a liderança das empreendedoras se caracteriza por ser o exercício do poder com os outros e não sobre os outros” (p. 77). As mídias sociais tornam-se, assim, espaços de poder compartilhado, nos quais as mulheres exercem influência por meio da autenticidade e da construção de comunidades.

Em relação aos desafios na captação de clientes, os dados coletados indicam que as mulheres enfrentam barreiras tecnológicas e emocionais semelhantes às descritas por Jonathan (2011) sobre as “dificuldades impostas pela dupla ou tripla jornada” (p. 74). A administração simultânea das demandas do negócio, da família e da vida pessoal continua presente, agora acrescida das exigências de presença constante nas redes sociais, o que amplia o sentimento de sobrecarga. Ainda assim, observa-se que muitas empreendedoras aplicam estratégias de auto-organização e parcerias colaborativas, também relatadas por Jonathan (2011), que destacou a importância de “planejar e organizar o tempo, alternando o foco de atenção e separando os espaços das diferentes atividades” (p. 75).

Os resultados também demonstram que a era digital amplia as oportunidades de empoderamento feminino, especialmente pela visibilidade e pelo alcance global que as ferramentas online proporcionam. Nesse sentido, há uma conexão direta com o conceito de empoderamento descrito por Jonathan (2011), que o define como o processo de “fortalecer a identidade social e o resgate da autoestima, promovendo a inclusão social e profissional” (p. 78). Hoje, o empoderamento passa também pela autonomia digital, pela capacidade de gerir sua própria imagem e marca pessoal, e pela criação de redes de apoio virtuais entre mulheres empreendedoras.

Contudo, os dados revelam que a presença digital ainda está atravessada por desigualdades de gênero, sobretudo no acesso a tecnologias, no preconceito em ambientes online e na subvalorização do trabalho feminino nas mídias. Tal constatação reforça a observação de Jonathan (2011) de que, apesar dos avanços, a responsabilidade por equilibrar o público e o privado ainda recai desproporcionalmente sobre as mulheres, quando a autora afirma que “a responsabilidade pelo equilíbrio entre o público e o privado […] não deve ser unicamente das mulheres, mas da sociedade como um todo” (p. 83).

Assim, a análise indica que o empreendedorismo feminino digital se consolida como uma nova forma de exercício do poder, mais descentralizada e colaborativa, mas ainda permeada por desafios estruturais e culturais. A captação de clientes por meios digitais não é apenas uma questão de marketing, mas também de autonomia simbólica e social, representando a continuidade do movimento de transformação social iniciado pelas empreendedoras tradicionais.

Em síntese, o empreendedorismo feminino na era digital amplia o alcance e a influência das mulheres no mercado, reforçando sua capacidade de inovação e empoderamento. Todavia, exige políticas públicas, formação tecnológica e redes de apoio que consolidem esse protagonismo. Como já destacou Jonathan (2011, p. 83), “o melhor investimento para transformar a sociedade é investir nas mulheres”.

5.2 Transformação Digital e a Reinvenção do Empoderamento Feminino

O artigo de Sanhudo (2020) analisa como a transformação digital impacta o empreendedorismo, especialmente entre mulheres que utilizam a internet para desenvolver negócios. A autora busca “descrever as percepções de empreendedoras digitais sobre empreender digitalmente, destacando suas motivações, desafios e trajetórias” (Sanhudo, 2020, p. 3). O estudo é qualitativo, baseado em entrevistas com quatro empreendedoras digitais, e identifica padrões de perfil, motivações e desafios semelhantes entre elas.

A pesquisa destaca que o avanço tecnológico e o acesso à internet criaram novas possibilidades de trabalho e “novas profissões moldadas ao contexto digital” (Sanhudo, 2020, p. 3). Nesse cenário, o empreendedorismo digital surge como alternativa de autonomia e inclusão feminina. Como aponta a autora, “o empreendedorismo digital mostrou-se favorável para a inserção de mulheres no segmento” (Sanhudo, 2020, p. 3).

Entre as motivações das empreendedoras, destacam-se a busca por autorrealização, independência e flexibilidade fatores também observados em estudos clássicos sobre empreendedorismo feminino. Sanhudo (2020) identifica que muitas mulheres migram do emprego formal para o digital em busca de “uma atividade que traga satisfação pessoal, uma vida com propósito e que traga mais valor” (p. 31). Essa escolha está fortemente associada ao desejo de equilibrar vida pessoal e profissional, especialmente entre mães e profissionais autônomas.

Por outro lado, a autora ressalta desafios significativos, como a dupla jornada, a sobrecarga emocional e a necessidade de desenvolver múltiplas competências. Conforme o estudo, “as empreendedoras percebem que são levadas a assumir múltiplas responsabilidades, observando desgaste que interfere no tempo pessoal e com a família” (Sanhudo, 2020, p. 33). Tais obstáculos refletem não apenas o ambiente digital, mas também as barreiras estruturais de gênero que persistem no mercado.

A análise também evidencia que as mulheres empreendedoras digitais são altamente escolarizadas e motivadas, reforçando o perfil identificado por Jonathan (2011), citado por Sanhudo, que descreve o empreendedorismo feminino como um “exercício do poder com os outros e não sobre os outros” (Jonathan, 2011, p. 77 apud Sanhudo, 2020, p. 29). Assim, o empreendedorismo digital se mostra um espaço simbólico de empoderamento, onde as mulheres redefinem papéis e constroem novas formas de liderança.

Outro ponto relevante é a relação entre inovação e transformação digital. Inspirando-se em autores como Schumpeter (1942) e Tidd, Bessant e Pavitt (2008), Sanhudo (2020) entende a inovação como “algo novo que agrega valor social ou riqueza” (p. 14), conectando-a ao surgimento da economia digital e à expansão de negócios baseados na internet. Desse modo, a autora vincula o empreendedorismo digital à lógica da “inovação com impacto radical”, que transforma a economia e as relações de trabalho (Sanhudo, 2020, p. 14).

Do ponto de vista crítico, o estudo apresenta relevância acadêmica ao unir dois campos ainda pouco explorados — empreendedorismo feminino e digital —, mas possui limitações metodológicas, como o pequeno número de entrevistadas (quatro) e a ausência de análise aprofundada de dados quantitativos ou comparativos. Ainda assim, o trabalho oferece uma contribuição importante ao discutir o papel das mulheres na nova economia, apontando o empreendedorismo digital como caminho para autonomia econômica e inclusão social.

Sendo assim, o artigo de Sanhudo (2020) demonstra que a era digital representa tanto uma oportunidade quanto um desafio para as mulheres. Ela conclui que o sucesso no ambiente online depende da inovação constante, da formação tecnológica e da superação de barreiras culturais, mas reforça que o empreendedorismo digital é um instrumento de empoderamento e transformação social.

5.3 As Redes sociais como Estratégia de Captação e fortalecimento dos negócios

O artigo de Silva et al. (2025) tem como objetivo analisar a importância das redes sociais no fortalecimento do empreendedorismo feminino no Brasil, por meio de uma revisão sistemática da literatura realizada entre os anos de 2019 e 2023. A pesquisa buscou compreender como as redes sociais contribuem para o desenvolvimento e a visibilidade dos negócios liderados por mulheres, destacando oportunidades, desafios e limitações.

De acordo com as autoras, o empreendedorismo feminino no Brasil tem crescido motivado pela busca de autonomia, renda e realização pessoal e profissional, embora as mulheres ainda enfrentem “desafios culturais e no uso estratégico das redes sociais” (Silva et al., 2025, p. 76). O estudo indica que o Instagram é a plataforma mais usada para divulgação e engajamento, enquanto o WhatsApp é o principal canal para concretização de vendas.

As autoras contextualizam o avanço das tecnologias da informação e comunicação (TICs) e seu impacto na economia criativa, observando que a internet “favoreceu a criatividade dos indivíduos e a capacidade de buscar soluções inovadoras para a sociedade” (Silva et al., 2025, p. 77). Nesse cenário, o empreendedorismo feminino surge como um caminho para autonomia, flexibilidade e empoderamento, especialmente frente à “busca por igualdade de gênero e espaços de liderança” (p. 78).

A revisão da literatura evidencia que o empreendedorismo feminino é um fenômeno social, econômico e cultural, associado à emancipação e à busca por liberdade. No entanto, ele ainda é limitado por barreiras de gênero e desigualdade de acesso tecnológico. As autoras afirmam que “as dificuldades emergem como riscos ao fortalecimento do negócio das empreendedoras, mas as redes sociais virtuais aparecem como um caminho estratégico para promover relações e difundir conexões entre empresa e cliente” (Silva et al., 2025, p. 78).

O artigo também destaca que as redes sociais desempenham um papel fundamental na construção da imagem e da reputação das empreendedoras, funcionando como ferramentas de marketing digital e cocriação de valor. Conforme Kotler (2017, apud Silva et al., 2025, p. 80), “os consumidores não são mais alvos passivos; estão se tornando mídias ativas de comunicação”. Assim, o sucesso das mulheres empreendedoras depende de sua capacidade de usar estrategicamente as plataformas digitais para ampliar visibilidade e engajamento. 

O estudo afirma que, embora as empreendedoras reconheçam o potencial das redes sociais, ainda há necessidade de maior capacitação tecnológica e estratégica para que essas plataformas sejam usadas de forma eficaz. As autoras concluem que “as redes sociais ainda não são utilizadas em todo o seu potencial pelas empreendedoras, devido às dificuldades tecnológicas, de tempo e de conhecimento” (Silva et al., 2025, p. 91).

A comparação entre os três estudos revela um fio condutor comum: a busca por autonomia, empoderamento e inovação, atravessada por barreiras culturais e estruturais persistentes. Jonathan (2011) ressalta o poder simbólico de empreender; Sanhudo (2020) mostra sua reinvenção no contexto tecnológico; e Silva et al. (2025) evidenciam sua consolidação nas práticas digitais de marketing e comunicação. Assim, o empoderamento feminino se torna não apenas econômico, mas também tecnológico e comunicacional, dependente do domínio das ferramentas digitais e das redes de apoio.

De forma geral, os três artigos mostram que o empreendedorismo feminino evolui de um espaço de afirmação individual para um ambiente de colaboração em rede, onde as mulheres compartilham experiências, aprendem juntas e fortalecem umas às outras. As redes sociais não apenas ampliam a visibilidade dos negócios, mas também democratizam o acesso à informação e ao reconhecimento.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Conclui-se, portanto, que o empreendedorismo feminino na era digital simboliza uma nova forma de exercer poder e construir autonomia, unindo tradição e inovação. A digitalização representa não só uma mudança tecnológica, mas também uma transformação simbólica e social, pela qual as mulheres reafirmam seu protagonismo e o redefinem como um ato de criação, conexão e transformação coletiva. 

O estudo demonstrou que a digitalização possibilitou novas formas de liderança e autonomia, permitindo que empreendedoras criassem ambientes colaborativos e redes de apoio, fortalecendo o protagonismo feminino. No entanto, ainda persistem barreiras estruturais como a desigualdade de gênero, a sobrecarga de trabalho e a falta de acesso à qualificação tecnológica que dificultam a consolidação plena desse processo.

Assim, torna-se essencial o incentivo a políticas públicas de capacitação digital, programas de mentoria e ações voltadas à equidade de gênero, para ampliar o acesso das mulheres às oportunidades da economia digital. O empreendedorismo feminino, quando aliado à inovação tecnológica, revela-se um potente instrumento de mudança social, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável, reafirmando que investir em mulheres é investir no futuro econômico e humano da sociedade.

7. REFERÊNCIAS 

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