FRENECTOMIA LINGUAL NA AMAMENTAÇÃO: IMPACTOS CLÍNICOS, DESAFIOS TERAPÊUTICOS E AVALIAÇÃO DA MELHORIA EM LACTENTES COM ANQUILOGLOSSIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511202016


Sara Toufic Melhem
Orientadora: Ms. Soraia Mayane Souza Mota


A frenectomia lingual é um procedimento cirúrgico realizado para corrigir a anquiloglossia, condição em que o frênulo lingual é curto e limita os movimentos da língua. Essa alteração pode interferir diretamente na amamentação, dificultando a sucção do leite materno, provocando dor nas mães e prejudicando o ganho de peso do bebê. O procedimento tem se mostrado eficaz na melhora da sucção e na qualidade do aleitamento, promovendo maior conforto e bem-estar para mãe e filho. No Brasil, a criação do Teste da Linguinha possibilitou o diagnóstico precoce dessa condição, ampliando as oportunidades de tratamento ainda nos primeiros meses de vida. Entretanto, persistem desafios como a falta de padronização nos critérios de diagnóstico, a necessidade de atuação multidisciplinar e o acesso limitado a tecnologias mais modernas, como o uso do laser. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar os efeitos clínicos da frenectomia lingual na amamentação de lactentes com anquiloglossia, identificar os principais desafios terapêuticos enfrentados pelos profissionais e avaliar as melhorias na qualidade de vida materno-infantil após o procedimento. A pesquisa busca contribuir para a prática odontológica e para a saúde pública, destacando a importância da intervenção precoce e da capacitação profissional na promoção do aleitamento saudável.

Palavras-chave: anquiloglossia; frenectomia lingual; amamentação; odontologia; saúde infantil.

Lingual frenectomy is a surgical procedure performed to correct ankyloglossia, a condition in which the lingual frenulum is shortened and restricts tongue movement. This alteration can directly affect breastfeeding by hindering proper milk suction, causing maternal pain, and compromising the infant’s weight gain. The procedure has proven effective in improving suction and the quality of breastfeeding, promoting greater comfort and well-being for both mother and child. In Brazil, the implementation of the “Tongue-tie Test” (Teste da Linguinha) has enabled early diagnosis of this condition, increasing treatment opportunities during the first months of life. However, challenges remain, such as the lack of standardized diagnostic criteria, the need for multidisciplinary collaboration, and limited access to modern technologies, such as laser-assisted techniques. Therefore, this study aims to analyze the clinical effects of lingual frenectomy on breastfeeding in infants with ankyloglossia, identify the main therapeutic challenges faced by healthcare professionals, and assess improvements in maternal and infant quality of life following the procedure. The research seeks to contribute to dental practice and public health by emphasizing the importance of early intervention and professional training in promoting successful breastfeeding.

Keywords: ankyloglossia; lingual frenectomy; breastfeeding; dentistry; child health.

Desde muito jovem, sempre manifestei grande interesse pela área da Odontologia. A escolha do curso foi natural e segura, pois sempre me identifiquei com a profissão e com o cuidado com a saúde bucal. Além disso, o convívio próximo com profissionais da área, inclusive dentistas que conheço desde a infância, reforçou minha admiração pela prática odontológica e consolidou minha decisão de seguir essa carreira.

Dentro da Odontologia, desenvolvi afinidade especial pela Odontopediatria, por envolver o cuidado com o público infantil e a promoção da saúde desde os primeiros anos de vida. Essa identificação foi determinante para a escolha do tema do meu trabalho, que une dois aspectos que considero profundamente significativos, o cuidado odontológico em crianças e a importância do aleitamento materno.

A escolha do tema também carrega um significado pessoal. Sou mãe da Yasmin, que hoje tem cinco anos, e mesmo sem apresentar nenhuma alteração anatômica, como a anquiloglossia, enfrentei muitas dificuldades durante o processo de amamentação. Esse desafio despertou em mim o interesse em compreender de forma científica as causas que levam tantas mães a vivenciarem experiências semelhantes, especialmente aquelas cujos bebês apresentam limitações funcionais, como a anquiloglossia, e não recebem diagnóstico ou intervenção adequada.

A partir dessa vivência pessoal e da minha formação profissional, surgiu o desejo de investigar os impactos clínicos da frenectomia lingual na amamentação, analisando como esse procedimento pode contribuir para a melhoria da sucção, o conforto materno e a qualidade de vida de mães e lactentes. Assim, o tema do trabalho representa não apenas um interesse acadêmico, mas também uma forma de contribuir para o acolhimento e o cuidado humanizado no início da vida.

A frenectomia lingual é um procedimento cirúrgico indicado para corrigir a anquiloglossia, condição caracterizada pelo encurtamento do frênulo lingual, o que limita a mobilidade da língua e compromete funções orais fundamentais. Essa limitação pode impactar diretamente a amamentação, uma vez que a língua desempenha papel essencial no mecanismo de sucção eficiente do leite materno (Ghaheri et al. 2016).

De acordo com Arruda et al. (2019), a anquiloglossia pode ocasionar dificuldades na amamentação, dor materna, desmame precoce e baixo ganho ponderal em lactentes, o que justifica a necessidade de intervenções cirúrgicas, como a frenectomia. Estudos demonstram que a realização do procedimento favorece a pega correta, melhora a eficiência da sucção e reduz o desconforto durante o aleitamento (Francis et al. 2015; Ghaheri et al. 2016).

No contexto brasileiro, a Lei nº 13.002/2014, que instituiu o Teste da Linguinha, representou um avanço no diagnóstico precoce da anquiloglossia. No entanto, a realização da frenectomia ainda enfrenta desafios, entre eles a falta de padronização nos critérios de diagnóstico e a necessidade de abordagem multiprofissional envolvendo pediatras, cirurgiõesdentistas e fonoaudiólogos (Caldas et al. 2023).

Com o avanço tecnológico, novas abordagens cirúrgicas têm sido incorporadas ao tratamento da anquiloglossia, oferecendo procedimentos menos invasivos, com menor sangramento e recuperação mais rápida. Contudo, a viabilidade e acessibilidade dessas técnicas ainda são limitadas em muitas regiões, especialmente em locais com infraestrutura de saúde precária (Ribeiro; Silva, 2019).

A frenectomia lingual na amamentação constitui um tema de grande relevância clínica e social, especialmente em um país onde a amamentação é promovida como política pública de saúde. A compreensão dos impactos clínicos, dos desafios terapêuticos e dos benefícios funcionais do procedimento é essencial tanto para a Odontopediatria quanto para a Cirurgia Bucomaxilofacial, contribuindo para a promoção da saúde infantil.

Diante desse cenário, questiona-se quais efeitos a frenectomia lingual provoca na amamentação de lactentes com anquiloglossia e de que forma os profissionais de saúde enfrentam os obstáculos presentes no diagnóstico e na intervenção clínica?

Esta pesquisa justifica-se pela relevância do tema para a prática odontológica, visto que a anquiloglossia pode comprometer a amamentação, o desenvolvimento orofacial e a aquisição da fala. O cirurgião-dentista exerce papel fundamental no diagnóstico, tratamento e prevenção de complicações futuras, atuando de forma integrada com outros profissionais de saúde (Arruda et al. 2019; Caldas et al. 2023).

Apesar dos avanços observados, persistem lacunas relacionadas à padronização dos protocolos clínicos e à formação dos profissionais para o manejo da anquiloglossia. Assim, este estudo busca analisar os impactos clínicos e os desafios terapêuticos associados à frenectomia lingual em lactentes, visando contribuir para a melhoria das práticas odontológicas e para a qualidade de vida de mães e crianças.

Analisar os efeitos clínicos da frenectomia lingual na amamentação de lactentes com anquiloglossia, os desafios terapêuticos enfrentados pelos profissionais e as possíveis melhorias na qualidade de vida dos pacientes.

  1. Avaliar os impactos clínicos da frenectomia lingual na amamentação, identificando como o procedimento influencia a eficácia da sucção, o ganho de peso do lactente e a redução da dor materna durante o aleitamento.
  2. Identificar os principais desafios terapêuticos no diagnóstico e tratamento da anquiloglossia, incluindo a falta de padronização nos critérios de diagnóstico, as dificuldades de acesso a tecnologias avançadas e a necessidade de uma abordagem multidisciplinar.
  3. Analisar a melhoria na qualidade de vida de lactentes e suas mães após a realização da frenectomia, considerando aspectos como a satisfação com a amamentação, a redução de complicações relacionadas à anquiloglossia e o impacto no desenvolvimento infantil.

Este capítulo apresenta o embasamento teórico sobre a anquiloglossia, seu impacto na amamentação e o papel da frenectomia lingual como intervenção clínica. Inicialmente, aborda o conceito de frênulo lingual curto, sua prevalência e consequências para o desenvolvimento orofacial, destacando a importância da língua nos processos de sucção e deglutição. Em seguida, discute a amamentação, seus benefícios e as dificuldades que podem ocorrer quando há limitação da mobilidade lingual, como dor materna, baixo ganho de peso e risco de desmame precoce. O texto também descreve os critérios e métodos utilizados no diagnóstico da anquiloglossia, bem como o papel dos diferentes profissionais envolvidos no processo. São apresentadas ainda as principais técnicas de frenectomia, tanto convencionais quanto a laser, os cuidados pós-operatórios e a relevância do acompanhamento fonoaudiológico. Por fim, o capítulo analisa os efeitos clínicos da frenectomia na amamentação, evidenciando suas contribuições para o conforto materno e o desenvolvimento infantil, além de discutir os desafios e controvérsias relacionados à prática clínica e à necessidade de uma abordagem multidisciplinar.

A língua é uma estrutura essencial no funcionamento do sistema estomatognático, pois atua diretamente em atividades como a mastigação, deglutição, respiração e na produção da fala. Por participar dessas funções vitais, ela ocupa uma posição central na coordenação dos movimentos orofaciais e no equilíbrio funcional da cavidade oral (Favalessa; Ribeiro, 2023).

Do ponto de vista anatômico, a língua é formada por um conjunto de músculos dispostos em diferentes direções, o que permite uma grande variedade de movimentos precisos. Esse arranjo caracteriza a língua como um hidróstato muscular, ou seja, uma estrutura que, mesmo sem apoio ósseo direto, consegue se movimentar mantendo seu volume constante (Carminatti, 2020).

Entre as funções em que a língua atua desde o nascimento, destaca-se a sucção, um reflexo fundamental para a alimentação nos primeiros meses de vida. Esse processo envolve a criação de um vácuo intraoral, gerado pela movimentação coordenada da língua e da mandíbula, sem necessidade de compressão direta da aréola. A língua realiza movimentos anteroposteriores e, ao abaixar, cria pressão negativa que possibilita a retirada eficiente do leite materno (Puccini, 2016).

Além de garantir a nutrição, a sucção tem um papel importante no desenvolvimento neuromuscular e orofacial do lactente. Para que esse processo ocorra de forma eficiente, é essencial que o bebê apresente vedamento labial adequado, reflexos orais ativos e uma boa coordenação entre sucção, deglutição e respiração. Contudo, alterações nesse padrão podem comprometer a alimentação e o desenvolvimento do sistema estomatognático (Puccini, 2016).

Segundo Silva et al. (2023 p. 422), “o movimento caracterizado por sucção tratase de uma ação natural e fisiológica que deve ser estimulada, contribuindo para a capacidade motora e exercendo influência sob o ato da deglutição”.

Com o crescimento e a introdução de novos alimentos, a deglutição torna-se a função predominante, ela é a primeira função neuromuscular a se manifestar, por volta da 12ª semana de gestação, apresentando inicialmente o padrão denominado deglutição infantil ou visceral. Assim, esse padrão evolui progressivamente conforme o desenvolvimento do bebê, favorecendo a maturação funcional das estruturas orais (Klafke et al. 2017).

A deglutição cumpre funções essenciais, como direcionar o bolo alimentar ao sistema digestivo, proteger as vias aéreas inferiores e integrar os processos respiratório e digestivo. Para que isso ocorra de maneira segura e eficaz, diversas estruturas anatômicas estão envolvidas, como a cavidade oral, faringe, laringe e esôfago. Nesse sentido, o domínio da anatomia e fisiologia da deglutição é indispensável para uma avaliação clínica precisa (Rabelo; Dantas, 2024).

Esse processo é dividido em quatro fases bem definidas: preparatória, oral, faríngea e esofágica. Inicialmente, o alimento é mastigado e misturado à saliva (fase preparatória); em seguida, é conduzido pela língua até a faringe (fase oral). Na fase faríngea, o bolo alimentar é transportado com segurança ao esôfago, evitando a aspiração. Por fim, na fase esofágica, o alimento segue até o estômago, completando o ciclo da deglutição (Rabelo; Dantas, 2024).

Essa versatilidade funcional também se reflete na influência da língua sobre o crescimento facial, isso porque, quando em repouso, ela exerce uma pressão contínua sobre o palato duro que, em equilíbrio com o selamento labial, direciona o crescimento maxilar e contribui para o desenvolvimento harmônico das estruturas craniofaciais (Bernardes; Degan; Berretin-Felix, 2024).

No contexto anatômico, se destaca o frênulo lingual, que é uma faixa de tecido localizada na parte inferior da língua, conectando-a ao assoalho da boca., essa estrutura normalmente não impede os movimentos da língua. No entanto, em alguns casos, ela pode apresentar alterações que comprometem sua funcionalidade. Quando o frênulo é curto, espesso ou mal posicionado, pode restringir a mobilidade lingual, o que caracteriza a condição conhecida como anquiloglossia, popularmente chamada de “língua presa” (Favalessa; Ribeiro, 2023).

A anquiloglossia é uma condição de origem congênita e está presente desde o nascimento. Nesses casos, o frênulo não apresenta melhora espontânea, como alongamento ou reposicionamento ao longo do tempo, isso pode afetar o desenvolvimento da fala, a amamentação e até a higiene oral (Feldens et al. 2025).

Segundo Susanibar, Santos e Marchesan (2017, p. 2):

Anquiloglossia é uma anomalia oral congênita, que ocorre quando restos remanescentes de tecido, que deveriam ter sofrido apoptose durante o desenvolvimento embrionário, permanecem na face inferior da língua, restringindo seus movimentos. Quando um bebê nasce com o frênulo lingual alterado, essa alteração permanecerá para o resto da vida, porque o frênulo não modifica seu tamanho, nem sua fixação ao longo da vida.

A triagem precoce torna-se essencial para garantir um diagnóstico ainda nos primeiros dias de vida. Nesse sentido, destaca-se o Teste da Linguinha, um exame padronizado que integra a avaliação física do recém-nascido, realizado entre 24 e 48 horas de vida por profissionais de saúde capacitados nas maternidades. O objetivo desse teste é identificar sinais de anquiloglossia antes que ela traga prejuízos à amamentação, visto que essa condição pode dificultar a pega correta do seio, causar dor à lactente, provocar fissuras mamárias e, como consequência, levar ao desmame precoce e ao comprometimento do ganho de peso do bebê (Brasil, 2020).

Por ser um exame simples e indolor, o Teste da Linguinha permite avaliar de forma segura tanto a anatomia do frênulo lingual quanto a mobilidade da língua, sendo recomendada, ainda, a observação da mamada como parte do processo. Caso haja dúvidas no diagnóstico inicial, orienta-se que uma nova avaliação seja feita durante a primeira semana de vida do bebê, em consulta na unidade de saúde (Brasil, 2020).

Conforme estabelecido pela Lei nº 13.002/2014, essa avaliação é obrigatória em todas as maternidades do país, sendo indicado o uso do Protocolo de Bristol, por sua praticidade, validade científica e eficácia na identificação de dificuldades relacionadas à amamentação. Dessa forma, promove-se não apenas a detecção precoce da anquiloglossia, mas também o suporte necessário para um aleitamento materno eficiente e saudável (Brasil, 2014).

Nesse contexto, torna-se indispensável refletir sobre o papel da amamentação, que além de ser a principal fonte de nutrição nos primeiros meses de vida, é também um agente fundamental na estimulação das funções orais e no fortalecimento das estruturas musculares e ósseas da face.

O leite materno é amplamente reconhecido como a principal fonte de nutrição para os bebês, sendo completo, de fácil digestão e biologicamente adaptado às necessidades da criança. Por isso, é considerado exclusivo até o sexto mês de vida é fortemente recomendado por órgãos governamentais e entidades de saúde (Batista; Pereira, 2024).

O leite materno apresenta uma composição bioativa complexa, reunindo elementos nutricionais essenciais — como proteínas, gorduras, vitaminas e minerais — que atendem às necessidades metabólicas do recém-nascido. Além do valor nutricional, ele exerce um papel imunológico relevante, especialmente nas primeiras horas de vida, quando sua concentração de imunoglobulinas, é mais elevada (Silva et al. 2023).

Embora o aleitamento materno seja considerado natural, ele também é um comportamento aprendido e influenciado por experiências e contextos sociais. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento se inicie nas primeiras duas horas após o parto, o que favorece o vínculo mãe-bebê, estimula a sucção eficaz e promove benefícios duradouros, como melhor imunidade e desenvolvimento infantil (Santos; Meireles, 2021).

A sucção fisiológica da mama materna atua como um modulador natural da atividade gástrica do lactente, promovendo o adequado funcionamento do trato digestivo desde os primeiros dias de vida. Simultaneamente, esse processo exerce um efeito psicoemocional tranquilizador, decorrente do vínculo afetivo estabelecido pelo contato direto com a genitora e pela transmissão do calor corporal materno. Ademais, o aleitamento ao seio contribui para a autorregulação da ingestão alimentar, prevenindo episódios de superalimentação, além de minimizar a aerofagia, o que reduz o risco de desconfortos gastrointestinais associados à deglutição excessiva de ar (Matos; Labuto, 2020).

O aleitamento materno, por meio da sucção, estimula diretamente o desenvolvimento motor-oral do bebê, envolvendo a atuação de estruturas fonoarticulatórias como lábios, língua, mandíbula e palato. Esse processo contribui para o crescimento adequado do sistema estomatognático e auxilia na prevenção de hábitos orais deletérios e alterações oclusais futuras (Silva et al. 2023).

Durante a amamentação, o bebê realiza movimentos coordenados que envolvem a mandíbula e a língua, os quais são essenciais para a retirada eficiente do leite. Nesse processo, a mandíbula executa movimentos de avanço (protusão) e recuo (retrusão), enquanto a língua, por meio de ações peristálticas, direciona o leite até a faringe e o esôfago, desencadeando, assim, o reflexo da deglutição (Braga; Silva Gonçalves; Augusto, 2020).

Além disso, esse esforço funcional ativa diversos músculos, como os digástricos, milohióideos, pterigoideos, masseter e temporal, contribuindo diretamente para o fortalecimento da musculatura orofacial. Consequentemente, a repetição desses movimentos durante o aleitamento materno favorece a tonificação muscular e o desenvolvimento ósseo da mandíbula, preparando-a para a erupção dos dentes e para os futuros movimentos mastigatórios (Braga; Silva Gonçalves; Augusto, 2020).

Campanha, Martinelli e Palhares (2018) demonstraram que recém-nascidos com frênulo lingual alterado apresentam dificuldades significativas na amamentação, com todos os casos avaliados apresentando indícios de sucção inadequada. Dados semelhantes foram observados por Schlatter et al. (2019), que apontaram uma taxa de 29% de problemas graves de amamentação em crianças com anquiloglossia, em comparação com 14% nos casos sem a condição. Esses resultados sugerem que a presença de língua presa está diretamente associada ao abandono precoce do aleitamento, comprometendo a nutrição e o vínculo afetivo entre mãe e bebê (Ayache, 2023).

Manipon (2016), citado por Ayache (2023), afirma que o encurtamento do frênulo lingual limita a mobilidade da língua, dificultando sua correta posição durante a amamentação, o que pode causar dor nos mamilos, fissuras e prolongar o tempo da mamada. Esses fatores, segundo Ghaheri et al. (2016), alteram os padrões rítmicos da sucção, comprometendo a transferência adequada de leite e o ganho nutricional do neonato. 

Conforme Ayache (2023), há uma maior incidência de má oclusão dentária em crianças com frênulo lingual curto, chegando a 48% dos casos, contra 24% nos com frênulo normal, essa condição interfere na deglutição, na posição da língua e no crescimento craniofacial, podendo causar mordida aberta e palato ogival. 

Além disso, Bussi et al. (2023) observaram uma associação entre anquiloglossia e apneia obstrutiva do sono, em razão da postura inadequada da língua que compromete a ventilação noturna. Tais alterações estruturais, segundo Ayache (2023), podem evoluir com o tempo, resultando em respiração oral crônica e disfunções orofaciais.

Por isso, é tão necessário o diagnóstico precoce da anquiloglossia, permitindo intervenções adequadas que favoreçam uma amamentação eficaz.

Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo no número de diagnósticos e indicações cirúrgicas para correção da anquiloglossia. Estima-se que cerca de 38% dos recém-nascidos diagnosticados com essa condição sejam submetidos à frenotomia, com um crescimento de mais de 800% nos procedimentos realizados entre 1997 e 2012 (Rossato, 2025).

Esse crescimento está associado à maior visibilidade do tema nos meios de comunicação, ao envolvimento de diferentes profissionais — como odontopediatras, pediatras e consultores em lactação — e à valorização da amamentação como critério funcional prioritário na indicação cirúrgica (Rossato, 2025).

A anquiloglossia é uma condição relativamente comum, com prevalência estimada entre 2% e 10% dos neonatos. No entanto, nem toda restrição anatômica exige intervenção cirúrgica imediata, sendo necessário avaliar o impacto funcional do frênulo nas atividades orais, especialmente na amamentação (Feldens et al. 2025).

Feldens et al. (2025) ressaltam que a análise clínica deve considerar aspectos como a capacidade de elevação da língua até o palato, a protrusão além da linha dos dentes inferiores e o movimento lateral da língua sem torção, critérios fundamentais para determinar a necessidade de tratamento cirúrgico. Para padronizar o diagnóstico, existem classificações clínicas que consideram tanto o aspecto funcional quanto o anatômico do freio lingual. O quadro 1 apresenta uma classificação clínica qualitativa que diferencia a anquiloglossia em graus leve, moderado e severo

Quadro 1 – Classificação clínica funcional do frênulo lingual curto

Fonte: adaptado de Feldens et al. (2025).

Além dessa avaliação funcional, o quadro 2 traz a classificação anatômica baseada na medida da língua livre, ou seja, na distância entre a inserção do frênulo e a ponta da língua.

Esse dado pode ser mensurado com régua milimetrada ou paquímetro digital:

Quadro 2 – Classificação da anquiloglossia segundo a extensão da língua livre

Fonte: Adaptado de De Oliveira Melo et al. 2011.

Essas classificações contribuem para embasar a decisão clínica, especialmente quando associadas a testes funcionais e protocolos estruturados.

Atualmente, os três principais protocolos utilizados na triagem neonatal são: o Hazelbaker Assessment Tool for Lingual Frenulum Function (HATLFF), o Bristol Tongue Assessment Tool (BTAT) e o Protocolo de Avaliação do Frênulo Lingual em Bebês (AFLEB), mais conhecido como “Teste da Linguinha” (Bonatti et al. 2023).

O HATLFF, desenvolvido por Kathryn Hazelbaker, é um dos instrumentos mais antigos e abrangentes. Ele avalia dez critérios, sendo cinco de natureza funcional (como a elevação e a lateralização da língua) e cinco estruturais (como a forma e a elasticidade do frênulo). Cada item recebe uma pontuação, e quanto menor a pontuação, maior a limitação funcional identificada (Martinelli et al. 2020).

Quadro 3 – Avaliação do Frênulo Lingual segundo Hazelbaker

Fonte: Adaptado de De Oliveira Melo et al. 2011.

Esse protocolo é amplamente utilizado nos Estados Unidos, embora sua aplicação exija capacitação específica por parte do avaliador, dado o nível de detalhamento técnico necessário (Martinelli et al. 2020).

O segundo protocolo, o BTAT, foi criado no Reino Unido e tem como principal característica a simplicidade e agilidade na aplicação. Ele avalia quatro aspectos: a aparência da ponta da língua, a fixação do frênulo na gengiva/assoalho bucal, a elevação da língua durante o choro e a projeção da língua. Cada item recebe uma pontuação de 0 a 2, resultando em um escore total de 0 a 8. Escores de 0 a 3 indicam limitação funcional grave, sendo indicativo de reavaliação e possível intervenção; escores 4 ou 5 são considerados inconclusivos, e acima de 6 são considerados normais (Fraga et al. 2021).

Quanto aos critérios do BTAT, a aparência da ponta da língua pode ser em formato de coração (escore 0), apresentar uma fenda ou entalhe leve (escore 1), ou ser arredondada (escore 2). A fixação do frênulo é avaliada como fixada no topo da margem gengival (escore 0), na parte interna da gengiva (escore 1), ou no assoalho da boca (escore 2). A elevação da língua durante o choro pode ser mínima (escore 0), parcial com elevação das bordas (escore 1), ou completa em direção ao palato duro (escore 2). Já a projeção da língua é pontuada como 0 se a ponta fica atrás da gengiva, 1 se fica sobre a gengiva, e 2 quando se estende sobre o lábio inferior (Ministério da Saúde, 2018).

Figura 1 – BTAT

Fonte: Brasil, 2018.

Por fim, o AFLEB, conhecido como Teste da Linguinha, foi desenvolvido no Brasil e é recomendado pelo Ministério da Saúde desde a publicação da Lei nº 13.002/2014. Ele envolve uma avaliação mais completa, incluindo o levantamento da história clínica, o exame da morfologia e da função do frênulo, além da análise da sucção nutritiva e não nutritiva. Assim como o BTAT, o AFLEB também utiliza uma escala de pontuação de 0 a 8, em que escores de 0 a 3 sugerem limitação funcional grave e indicam necessidade de reavaliação e possível encaminhamento para frenotomia. Os resultados devem ser registrados na Caderneta de Saúde da Criança, e a aplicação do protocolo deve ocorrer, preferencialmente, nas primeiras 48 horas de vida (Bonatti et al. 2023; Brasil, 2021).

Apesar de suas particularidades, esses três instrumentos têm o objetivo comum de identificar precocemente possíveis limitações funcionais causadas pela anquiloglossia. A escolha do protocolo mais adequado depende da capacitação do profissional, do contexto clínico e da estrutura de saúde disponível (Fraga et al. 2021; Martinelli et al. 2020).

Por fim, o diagnóstico da anquiloglossia deve envolver uma abordagem multiprofissional e contextualizada, com a participação integrada de profissionais da saúde na análise das funções orais do bebê. Uma vez confirmada a limitação funcional do frênulo lingual, torna-se necessário considerar as opções de tratamento — tema que será aprofundado no próximo tópico.

A indicação da frenectomia lingual em lactentes ocorre principalmente diante de dificuldades significativas durante a amamentação, causadas por anquiloglossia. Nogueira, Inocêncio e Barbosa (2021) explicam que a restrição do movimento da língua pode comprometer a pega adequada, gerar dor mamilar intensa na mãe, causar perdas na sucção, e levar ao desmame precoce. Nesses casos, a intervenção cirúrgica está indicada após avaliação clínica detalhada e aplicação de protocolos como o “Teste da Linguinha”.

Segundo Alves, Silva e Moura (2022), a frenectomia deve ser indicada quando há inserção curta ou espessa do freio lingual que compromete a movimentação da língua e, consequentemente, a efetividade da sucção nutritiva. Os autores reforçam que a decisão pelo procedimento deve considerar o impacto funcional, e não apenas a anatomia do frênulo.

No relato de caso descrito por Silva et al. (2016), um bebê de quatro meses apresentava dificuldades severas de amamentação, com pausas frequentes e baixo ganho de peso. Após a frenectomia, observou-se melhora imediata na pega, redução da dor materna e manutenção do aleitamento materno exclusivo, evidenciando a eficácia clínica do procedimento em bebês com anquiloglossia.

Ainda segundo Ribeiro e Silva (2019), a escolha da técnica deve considerar a idade e a gravidade do quadro. Em seu relato, um lactente de um ano foi submetido à frenectomia com laser de alta potência, apresentando benefícios como menor sangramento, rápida cicatrização, ausência de sutura e retorno precoce à amamentação. Essas características fazem do laser uma alternativa segura e confortável para pacientes pediátricos, especialmente quando se busca preservar a continuidade do aleitamento.

Portanto, a indicação da frenectomia em lactentes deve ser pautada por critérios clínicos bem definidos, com foco na preservação do aleitamento materno e na melhora funcional da sucção. A escolha da técnica cirúrgica — tradicional ou com laser — deve ser feita com base na experiência do profissional, nos recursos disponíveis e na condição clínica do bebê.

A frenectomia lingual pode ser realizada por diferentes técnicas, sendo a escolha diretamente influenciada pela idade do lactente, pela severidade da anquiloglossia e pelos recursos disponíveis. Em bebês com dificuldades de amamentação associadas à limitação da mobilidade lingual, o objetivo da intervenção é promover a liberação funcional da língua com mínimo trauma tecidual, permitindo a retomada eficaz da sucção e o alívio da dor mamilar materna (Nogueira; Inocêncio; Barbosa, 2021).

Alves, Silva e Moura (2022) explicam que as técnicas mais utilizadas são a tradicional, feita com bisturi ou tesoura cirúrgica, e a moderna, com uso do laser de alta potência. Ambas têm como finalidade a remoção ou liberação do frênulo que impede a elevação e protrusão da língua. A escolha da abordagem depende, principalmente, do tipo de inserção do freio e da resposta clínica esperada quanto à função de sucção do lactente.

No contexto neonatal, a técnica precisa ser rápida, segura e pouco invasiva, permitindo que o bebê seja devolvido à mãe para amamentação logo após o procedimento. Ribeiro e Silva (2019) reforçam que a frenectomia com laser atende a esses critérios, pois promove excelente hemostasia, reduz o tempo operatório e evita a necessidade de suturas. Em contrapartida, Pinheiro, Silva e Anabuki (2022) demonstram que a técnica tradicional ainda é amplamente utilizada e eficaz, desde que acompanhada de manejo pós-operatório e reabilitação funcional da língua.

Goursand et al. (2022) destacam que a escolha do método também deve levar em conta a habilidade do profissional e as condições clínicas do lactente. Em situações de maior controle anatômico e com infraestrutura adequada, o uso do laser tende a trazer maior conforto para o bebê e menor ansiedade para os pais. Já em serviços públicos ou ambientes com limitação de recursos, a técnica convencional continua sendo a mais acessível e viável.

Dessa forma, as técnicas disponíveis para frenectomia em lactentes com anquiloglossia devem ser avaliadas caso a caso, priorizando intervenções minimamente invasivas, que garantam retorno rápido à amamentação e reduzam riscos de infecções, dor e recidivas.

A frenectomia tradicional é considerada a técnica cirúrgica mais amplamente empregada no tratamento da anquiloglossia, sendo utilizada com segurança também em lactentes com comprometimento da amamentação. Consiste na remoção total ou parcial do freio lingual por meio de incisão com tesoura ou bisturi, visando liberar a movimentação da língua e restaurar funções como a sucção eficaz e indolor. Por sua simplicidade e baixo custo, é especialmente comum em serviços de atenção básica e em contextos onde não se dispõe de laser ou equipamentos eletrocirúrgicos (Alves; Silva; Moura, 2022).

O procedimento cirúrgico exige preparo adequado do profissional e atenção às especificidades anatômicas do paciente pediátrico. Em bebês, a contenção física é feita por envolvimento do corpo com lençol ou fralda e imobilização da cabeça. A anestesia mais comum é a tópica, utilizando soluções com lidocaína ou tetracaína aplicadas diretamente sobre o freio. Em casos de maior resistência ou limiar de dor, pode-se complementar com anestesia infiltrativa local, respeitando rigorosamente os limites da dose segura para neonatos (Silva et al. 2016).

A técnica inicia-se com a exposição do frênulo lingual e sua tração por pinça hemostática ou por manipulação com gaze enrolada nos dedos. A incisão é feita na base do freio, respeitando a espessura tecidual e evitando lesão de vasos ou ductos salivares. Em muitos casos, após o corte superficial, é necessária a divulsão das fibras musculares subjacentes, a fim de liberar totalmente a língua e permitir sua elevação e protrusão sem restrição funcional (Goursand et al. 2022).

Segundo o relato de Silva et al. (2016), em um lactente de quatro meses, a frenectomia com tesoura cirúrgica, sob anestesia tópica, resultou em melhora imediata da sucção ao seio materno e eliminação da dor materna durante a amamentação. O procedimento foi realizado de forma rápida, sem necessidade de sutura, e o bebê foi devolvido à mãe para mamar logo após a intervenção, permitindo o estímulo funcional da língua no próprio pós-operatório imediato.

Quando a incisão é maior, ou há risco de sangramento, a técnica pode incluir sutura com fio absorvível ou náilon fino. A hemostasia é geralmente obtida com compressão local. A cicatrização costuma ocorrer por primeira intenção em 7 a 10 dias, sendo importante orientar os cuidadores quanto à higiene da cavidade oral, observação de sinais inflamatórios e estímulo da sucção ao seio para favorecer a reabilitação muscular (Alves; Silva; Moura, 2022).

A Figura 2 ilustra uma sequência completa de frenectomia convencional, evidenciando cada etapa: desde a identificação e fixação do frênulo (A-B), passando pela incisão e exérese do tecido (C), sutura (D) até o resultado pós-operatório após 30 dias (E), com cicatrização satisfatória e sem sinais de retração labial ou fibrose excessiva.

Figura 2 – Frenectomia Convencional

Fonte: Alves, Silva e Moura (2022).

Embora seja segura, a frenectomia convencional pode apresentar algumas desvantagens em comparação com técnicas mais modernas, como maior sangramento transoperatório, risco de desconforto pós-cirúrgico e necessidade de sutura. Em estudo comparativo citado por Alves, Silva e Moura (2022), pacientes submetidos à técnica tradicional relataram mais dor e necessidade de medicação analgésica quando comparados àqueles operados com laser. No entanto, quando bem executada, a frenectomia com bisturi ou tesoura apresenta baixíssimos índices de complicações e excelente prognóstico clínico.

Além da técnica clássica, há variações cirúrgicas descritas para situações mais complexas — como as técnicas de Miller, plastia em Z ou enxerto gengival livre — com finalidade estética ou ortodôntica. Embora não aplicáveis a lactentes, essas abordagens ilustram a diversidade de métodos cirúrgicos adaptados a diferentes faixas etárias e finalidades clínicas (Alves; Silva; Moura, 2022).

Portanto, a frenectomia tradicional continua sendo uma abordagem amplamente válida e funcional para o tratamento da anquiloglossia em bebês, com impacto direto na melhoria da amamentação e na qualidade de vida da díade mãe-bebê, especialmente quando acompanhada de reavaliação clínica e, se necessário, suporte fonoaudiológico.

A frenectomia lingual com o uso de laser de alta potência vem ganhando destaque na odontopediatria como uma abordagem minimamente invasiva, eficaz e confortável para o tratamento da anquiloglossia em lactentes. Essa técnica tem sido amplamente indicada quando há comprometimento da amamentação, sobretudo por suas vantagens clínicas em relação ao bisturi, como menor sangramento, ausência de sutura, menor tempo operatório, rápida cicatrização e maior conforto pós-operatório (Costa et al. 2020).

O procedimento pode ser realizado com diferentes tipos de laser, como o de diodo, o CO₂ e o Nd:YAG, cada um com propriedades específicas de absorção tecidual. O laser de diodo, por exemplo, é o mais utilizado em odontopediatria devido à sua eficácia sobre tecidos moles, seu custo acessível e seu tamanho compacto, o que facilita o uso clínico. O processo cirúrgico consiste na aplicação do feixe laser sobre o freio lingual, promovendo sua vaporização controlada sem incisão mecânica. A coagulação imediata dos vasos sanguíneos reduz o risco de sangramento e a necessidade de sutura, favorecendo a cicatrização por primeira intenção (Costa et al. 2020; Goursand et al. 2022).

Segundo Ribeiro e Silva (2019), a frenectomia com laser de diodo foi aplicada com sucesso em um bebê de um ano, com diagnóstico de anquiloglossia e dificuldades alimentares. O procedimento foi feito sob anestesia tópica, com laser de 808 nm, e não houve necessidade de anestesia infiltrativa, nem uso de analgésico no pós-operatório. A amamentação foi retomada imediatamente, com relato de melhora da sucção e ausência de dor.

Além disso, a atuação do laser proporciona efeitos bioestimulantes que reduzem o processo inflamatório, promovem regeneração celular e protegem a ferida com formação de uma película de fibrina. Esses fatores tornam o procedimento especialmente vantajoso em lactentes, cujo retorno rápido à amamentação é desejável tanto para o conforto da criança quanto para o vínculo materno (Ribeiro; Silva, 2019; Alves; Silva; Moura, 2022).

A seguir, apresenta-se um quadro comparativo com os principais tipos de laser utilizados para frenectomia, conforme revisão feita por Costa et al. (2020):

Quadro 4 – Tipo de laser

Fonte: Costa et al. (2020).

Goursand et al. (2022) relatam que, ao comparar frenectomias a laser e com bisturi, os pacientes operados com laser não relataram dor nem utilizaram medicação analgésica. Já os submetidos à técnica tradicional apresentaram desconforto nos primeiros dias e precisaram de controle medicamentoso. Além disso, os resultados pós-operatórios com laser mostraram menor edema, melhor cicatrização e ausência de inflamação ao redor da incisão.

Apesar de suas vantagens, o uso do laser exige capacitação específica e equipamentos apropriados, o que pode limitar seu acesso em contextos de baixa complexidade. Ainda assim, quando disponível, é considerado o método de escolha para casos em que a amamentação está comprometida e se busca a mínima interferência no bem-estar do bebê.

Portanto, a frenectomia a laser representa uma opção altamente eficaz no tratamento da anquiloglossia em lactentes, com impacto clínico direto na retomada da amamentação, maior conforto pós-operatório e menor risco de complicações inflamatórias ou cicatriciais.

O êxito da frenectomia lingual em lactentes não depende apenas da técnica cirúrgica adotada, mas também da condução cuidadosa do pós-operatório e do acompanhamento interdisciplinar, especialmente com a fonoaudiologia. O manejo adequado no período póscirúrgico visa não apenas a recuperação tecidual, mas principalmente a reabilitação funcional da língua, essencial para o sucesso da amamentação e do desenvolvimento orofacial do bebê.

Segundo Silva et al. (2016), logo após a realização da frenectomia em um bebê de quatro meses, observou-se melhora imediata na sucção e alívio da dor materna. A criança foi posicionada no seio para mamar ainda na unidade cirúrgica, o que além de promover a função correta da língua, também auxilia na hemostasia local. Esse protocolo de retorno precoce à amamentação tem se mostrado eficaz na ativação muscular da língua e no estímulo da reorganização funcional.

Ribeiro e Silva (2019) reforçam que a frenectomia com laser proporciona um pósoperatório mais confortável, sem necessidade de sutura e com cicatrização rápida. No caso relatado pelas autoras, o lactente foi liberado para alimentação logo após o procedimento, sem necessidade de medicação analgésica. A ausência de dor e o conforto proporcionado pelo laser favorecem a retomada natural da função de sucção e reduzem o risco de recusa alimentar, comum em bebês que vivenciaram procedimentos invasivos.

Por outro lado, quando a cirurgia é feita por técnica tradicional com bisturi, pode haver maior necessidade de cuidados locais, como higienização com gaze ou antisséptico, observação de sinais de inflamação e, eventualmente, uso de analgésico prescrito (Pinheiro; Silva; Anabuki, 2022). Ainda assim, a literatura demonstra que, mesmo com incisões maiores ou presença de sutura, o sucesso da cirurgia em lactentes está fortemente associado ao apoio pós-cirúrgico imediato e ao estímulo funcional correto.

Nogueira, Inocêncio e Barbosa (2021) destacam que o acompanhamento por fonoaudiólogos é uma etapa essencial no pós-operatório, especialmente nos casos em que há persistência de padrões inadequados de movimento lingual. O terapeuta atua na orientação aos pais sobre exercícios orais, estimulação da elevação lingual e manutenção do padrão correto de sucção. Mesmo em bebês que apresentam melhora clínica espontânea, a avaliação fonoaudiológica garante a consolidação da função e previne recidivas funcionais.

Além disso, Alves, Silva e Moura (2022) apontam que a ausência de acompanhamento especializado após a frenectomia pode comprometer os resultados funcionais, favorecendo a cicatrização com fibrose ou o retorno dos padrões restritos de mobilidade lingual. Em bebês, a plasticidade neuromuscular é alta, mas exige direcionamento adequado para que a língua reaprenda a se movimentar plenamente após a liberação do frênulo.

A atuação conjunta entre cirurgião-dentista, pediatra, consultor em amamentação e fonoaudiólogo permite que o pós-operatório da frenectomia seja não apenas um momento de recuperação, mas de fortalecimento da função oral. A reinserção imediata do bebê ao seio materno, associada ao monitoramento de ganho de peso, conforto durante a mamada e padrão de sucção, deve fazer parte do protocolo clínico integrado.

Dessa forma, o sucesso da frenectomia lingual em lactentes com anquiloglossia depende diretamente da efetividade dos cuidados pós-operatórios e da presença de um plano terapêutico multidisciplinar. A cirurgia, por si só, não garante o restabelecimento funcional: é o conjunto de ações clínicas no período subsequente que assegura o retorno à amamentação plena, segura e confortável.

O conjunto de relatos de caso analisados permite observar, com clareza, os benefícios clínicos que a frenotomia pode proporcionar quando indicada de forma precoce e fundamentada em avaliação anatômica e funcional. Os estudos de Silva et al. (2016), Guimarães et al. (2024), Bernardes et al. (2024), Almeida et al. (2018), Cahú et al. (2024) e Bernardes et al. (2024) reforçam o papel da intervenção na melhoria da amamentação e no bem-estar materno-infantil.

No estudo de Silva et al. (2016), a mãe relatava dor intensa durante a amamentação e dificuldades de sucção do bebê, situação que se reverteu após a frenectomia. O relato evidencia melhora imediata na pega e na eficiência da sucção, com desaparecimento dos episódios de engasgos, além de ganho ponderal adequado nas semanas subsequentes.

De forma semelhante, Cahú et al. (2024) relatam o caso de uma lactente de 30 dias que apresentou melhora substancial após a frenotomia. O diagnóstico foi realizado com o uso do Teste da Linguinha, que identificou alterações morfológicas e funcionais. A cirurgia foi seguida de melhora na coordenação da sucção e alívio das queixas maternas de dor, o que destaca a importância do protocolo na conduta clínica.

O impacto na produção de leite materno é outro fator relatado. No estudo de Guimarães et al. (2024), a mãe percebeu aumento no tempo entre as mamadas e redução do comportamento de frustração do bebê. A melhora na extração de leite decorrente da sucção eficaz contribui para a regulação fisiológica da produção láctea, evitando o esvaziamento incompleto das mamas.

Bernardes et al. (2024) acrescentam evidências objetivas por meio de eletromiografia de superfície, mostrando melhora na simetria da atividade elétrica dos músculos supra-hioideos após 30 dias da frenotomia. Esse achado confirma, de forma instrumental, a recuperação funcional da musculatura envolvida na sucção.

No caso relatado por Almeida et al. (2018), a reaplicação do protocolo de avaliação 24 horas após a cirurgia demonstrou rápida recuperação funcional. A paciente passou a se alimentar exclusivamente ao seio materno, sem uso de chupetas ou complementos, ganhando peso dentro da curva esperada. A mãe relatou melhora imediata da dor mamilar e maior prazer na amamentação.

Esses achados reforçam o que Martinelli et al. (2015) já discutiam: a anquiloglossia impacta negativamente o padrão de pega e a eficácia da sucção, e sua correção precoce pode restabelecer as condições ideais de alimentação e vínculo entre mãe e filho.

O estudo de caso apresentado por Bernardes et al. (2024), com monitoramento eletromiográfico por 60 dias, reforça a importância do acompanhamento longitudinal. A manutenção dos resultados positivos após dois meses da frenotomia atesta não apenas a eficácia da cirurgia, mas também a estabilidade funcional obtida.

Em relação ao desenvolvimento orofacial, diversos autores destacam que a posição da língua em repouso e sua relação com o palato duro têm papel fundamental no crescimento maxilar e na respiração (Campanha; Martinelli; Palhares, 2019). A correção da anquiloglossia nos primeiros meses contribui para um melhor direcionamento das funções orais, com efeitos positivos sobre a fala, mastigação e até mesmo postura corporal.

Porém, nem todos os casos evoluem para o diagnóstico com a celeridade desejada. O caso relatado por Silva et al. (2016) evidencia falhas na triagem hospitalar: a anquiloglossia só foi identificada aos quatro meses de idade, mesmo após o nascimento em hospital público com equipe fonoaudiológica. A ausência de aplicação efetiva do Teste da Linguinha, mesmo sendo obrigatório por lei, limita as possibilidades de intervenção precoce.

Essa lacuna no diagnóstico precoce é um dos principais desafios terapêuticos. Como apontam Bernardes et al. (2024), mesmo com protocolos validados, muitos profissionais não se sentem preparados para identificar as formas sutis de anquiloglossia ou não atribuem a ela os impactos funcionais relatados pelas mães.

Outra controvérsia recorrente refere-se à indicação da frenotomia em casos considerados “leves”. A literatura, como destaca Walsh e Tunkel (2017), mostra que há divergência entre pediatras, odontopediatras e fonoaudiólogos quanto à real necessidade do procedimento, sobretudo quando os sinais clínicos não são severos.

Além disso, alguns estudos apontam que parte dos profissionais ainda considera que o frênulo pode alongar com o tempo ou que a criança pode adaptar-se funcionalmente (Walsh; Tunkel, 2017). No entanto, Susanibar et al. (2017) mostraram que o frênulo é composto por fibras colágenas e elásticas agrupadas, sendo resistente à tração espontânea, o que invalida a hipótese do alongamento natural.

Outro desafio importante refere-se ao risco de complicações. Embora raras, elas existem e incluem sangramentos, dor e infecções locais. Bernardes et al. (2024) optaram por monitorar a atividade muscular por EMG como forma de observar a evolução funcional sem depender apenas de percepções subjetivas.

A necessidade de um acompanhamento multiprofissional também é reforçada nos relatos. Em todos os casos, observa-se a atuação coordenada de fonoaudiólogos, cirurgiões-dentistas e, em alguns contextos, pediatras. Essa abordagem é essencial para garantir uma avaliação completa e minimizar falhas na conduta.

No estudo de Almeida et al. (2018), o protocolo foi reaplicado imediatamente após a cirurgia e 24 horas depois, evidenciando uma queda de escore de 9 para 0, com resolução rápida dos sinais clínicos. Essa sistemática de reavaliação reforça a importância do protocolo como ferramenta de acompanhamento pós-operatório.

Os relatos também demonstram que a experiência subjetiva da mãe é um indicador clínico valioso. Frases como “agora amamentar é um prazer” (Silva et al. 2016) e “meu bebê não morde mais o mamilo” (Guimarães et al. 2024) sinalizam mudanças expressivas na qualidade de vida e na relação materno-infantil.

É notório, no entanto, que a evidência científica ainda enfrenta resistências. A Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health (2016) aponta incertezas quanto aos desfechos clínicos da frenotomia. Porém, os casos aqui analisados demonstram, em contexto real, que o procedimento gera benefícios concretos e sustentáveis.

O ganho ponderal, a ausência de uso de chupetas e a manutenção do aleitamento exclusivo, como relatado por Almeida et al. (2018), vão na contramão das críticas conservadoras e sustentam a necessidade de individualização das condutas com base em protocolos e observação funcional.

Dessa forma, a frenotomia não deve ser considerada uma cirurgia de rotina, mas sim uma conduta clínica fundamentada em avaliação criteriosa, preferencialmente realizada nos primeiros meses de vida, quando a plasticidade neuromuscular é maior.

Entre os relatos, destaca-se também a diversidade de instrumentos utilizados: tesoura com ponta romba (Martinelli, 2015), bisturi (Almeida et al. 2018) e tentacânula (Guimarães et al. 2024), o que mostra que, embora a técnica varie, o sucesso depende mais da indicação correta do que do instrumento em si.

O uso da EMG, conforme Bernardes et al. (2024), pode se tornar uma ferramenta de monitoramento padrão em clínicas especializadas, pois oferece dados objetivos sobre a função muscular e pode ser especialmente útil em casos de dúvida diagnóstica.

Por fim, os seis relatos analisados apontam de forma convergente que a frenotomia, quando indicada com base em critérios bem definidos e executada por equipe capacitada, é uma ferramenta valiosa para restaurar a função oral e preservar a amamentação.

A integração entre avaliação clínica, percepção materna, análise instrumental e seguimento longitudinal constitui a base para uma abordagem ética, segura e centrada na criança. Assim, a frenotomia deixa de ser um procedimento controverso para se tornar parte integrante de uma política de atenção precoce à saúde bucal e alimentar dos bebês.

O presente estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e descritiva, que teve como objetivo reunir, analisar e discutir as principais evidências científicas relacionadas aos impactos clínicos da frenectomia lingual na amamentação de lactentes com anquiloglossia, bem como os desafios terapêuticos e as melhorias observadas na qualidade de vida materno-infantil após o procedimento.

5.1 Tipo de estudo

Optou-se por uma revisão narrativa, que permite a integração de informações provenientes de diferentes estudos, sem a rigidez metodológica das revisões sistemáticas, mas com ênfase na análise interpretativa e na síntese crítica dos achados. Essa modalidade de pesquisa é adequada quando se busca compreender e discutir um fenômeno clínico a partir de múltiplas perspectivas científicas (Rother, 2007).

5.2 Fontes de dados e estratégia de busca

A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados SciELO (Scientific Electronic Library Online), PubMed (National Library of Medicine), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e Google Acadêmico, entre os meses de junho e agosto de 2025.

Foram utilizados os seguintes descritores em Ciências da Saúde (DeCS), combinados com o operador booleano AND: “Frenectomia lingual”, “Anquiloglossia”, “Amamentação”,

“Aleitamento materno”, “Recém-nascido”.

A combinação dos termos possibilitou a ampliação da busca e a seleção de estudos relevantes sobre a relação entre a frenectomia lingual e a amamentação.

5.3 Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos no estudo: Artigos científicos completos publicados entre 2014 e 2025; Trabalhos disponíveis nos idiomas português, inglês ou espanhol; Publicações que abordassem a frenectomia lingual, anquiloglossia e amamentação; Estudos que descrevessem impactos clínicos, resultados terapêuticos ou aspectos funcionais relacionados ao tema.

Foram excluídos: Trabalhos duplicados ou fora do período definido; Relatos de caso isolados sem metodologia descritiva; Artigos que não abordassem diretamente a relação entre frenectomia e aleitamento materno; Textos sem disponibilidade completa ou sem respaldo científico.

5.4 Procedimentos de seleção e análise dos dados

A busca inicial resultou em um conjunto de publicações que foram submetidas a uma leitura exploratória para verificar sua relevância em relação ao tema. Em seguida, realizou-se a leitura seletiva e analítica dos artigos compatíveis com os critérios de inclusão.

Os estudos selecionados foram organizados conforme o ano de publicação, objetivo, metodologia, principais resultados e conclusões. A análise dos dados foi conduzida de forma crítica e integrativa, permitindo identificar convergências e divergências entre os autores, bem como lacunas no conhecimento científico sobre o tema.

A partir dessa análise, foram elencadas três categorias temáticas principais: 

  1. Impactos clínicos da anquiloglossia e benefícios da frenectomia lingual;
  2. Desafios diagnósticos e terapêuticos;
  3. Melhoria da amamentação e da qualidade de vida materno-infantil após a intervenção.

5.5 Aspectos éticos

Por se tratar de uma revisão narrativa baseada exclusivamente em dados secundários disponíveis em domínio público, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.

A revisão da literatura demonstrou que a frenectomia lingual apresenta resultados amplamente positivos na amamentação de lactentes diagnosticados com anquiloglossia. Os estudos consultados apontam que o procedimento melhora a eficiência da sucção, reduz a dor materna e favorece o ganho ponderal do bebê, refletindo em benefícios nutricionais e emocionais significativos. 

A seguir, o quadro 5 sintetiza os principais achados identificados nos artigos revisados, destacando os efeitos clínicos e funcionais da intervenção.

Quadro 5 – Síntese dos principais sobre os impactos clínicos da frenectomia lingual na amamentação

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

Os dados reunidos no quadro 5 evidenciam que a frenectomia atua de forma direta sobre o desempenho funcional da amamentação. A liberação do frênulo lingual promove melhora imediata da pega, possibilitando uma sucção mais eficiente e rítmica, com consequente redução da dor materna. Esses resultados convergem com os achados de Silva et al. (2016) e Guimarães et al. (2024), que observaram melhor coordenação entre sucção e deglutição e aumento na transferência de leite. Esse conjunto de evidências reforça o papel da frenectomia como estratégia essencial para o sucesso do aleitamento materno.

Além dos benefícios funcionais, diversos estudos descrevem efeitos positivos sobre o ganho ponderal e a nutrição do lactente. Cahú et al. (2024) relataram que, após o procedimento, os bebês evoluíram dentro das curvas de crescimento esperadas, demonstrando que a melhora da sucção impacta diretamente a eficiência da alimentação.

Da mesma forma, Almeida et al. (2018) verificaram que, em menos de 24 horas após a cirurgia, houve normalização do padrão de sucção e desaparecimento das queixas de dor, confirmando a importância da intervenção precoce.

Outro ponto amplamente abordado é a influência da frenectomia no desenvolvimento orofacial. Bernardes et al. (2024) comprovaram, por meio de eletromiografia, que a liberação do frênulo restabelece o equilíbrio muscular da língua, promovendo simetria nos movimentos e prevenindo disfunções futuras. Esse efeito é complementado pela análise de Campanha, Martinelli e Palhares (2019), que destacam o papel da língua na conformação do palato duro e no crescimento maxilar, mostrando que o tratamento precoce pode evitar alterações estruturais e funcionais permanentes.

Além dos ganhos fisiológicos, a literatura ressalta os benefícios emocionais decorrentes da melhora da amamentação, mães de bebês submetidos à frenectomia relatam maior prazer e tranquilidade durante o aleitamento, o que fortalece o vínculo afetivo e reduz o risco de desmame precoce. Bernardes et al. (2024) destacam que a ausência de dor e a eficácia na sucção promovem uma experiência de amamentação mais satisfatória, com repercussões positivas no bem-estar materno e infantil.

Dessa forma, os resultados analisados demonstram consenso na literatura quanto à efetividade da frenectomia lingual para a reabilitação funcional e emocional da amamentação. Os estudos revisados confirmam que o procedimento é seguro, de rápida recuperação e com benefícios amplos, não apenas para o processo alimentar, mas também para o desenvolvimento orofacial e o fortalecimento da relação mãe-bebê. Assim, a frenectomia precoce se consolida como uma intervenção clínica relevante e humanizada no manejo da anquiloglossia.

A revisão da literatura revelou que o diagnóstico e o tratamento da anquiloglossia ainda enfrentam desafios consideráveis, principalmente devido à ausência de padronização entre os protocolos clínicos, à falta de capacitação profissional e à dificuldade de acesso a recursos tecnológicos. Embora o Teste da Linguinha tenha se tornado obrigatório nas maternidades brasileiras desde 2014, estudos apontam falhas na sua aplicação e na interpretação dos resultados, o que contribui para o subdiagnóstico da condição e o atraso nas intervenções. 

Quadro 6 – Sintetiza os principais desafios identificados nos trabalhos revisados e as respectivas implicações clínicas e terapêuticas

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

A literatura indica que, apesar dos avanços legislativos e científicos, ainda existe uma lacuna importante entre a teoria e a prática clínica no diagnóstico da anquiloglossia. Martinelli et al. (2020) e Fraga et al. (2021) destacam que a multiplicidade de protocolos e critérios de avaliação gera resultados inconsistentes entre profissionais, o que dificulta a tomada de decisão sobre a necessidade de intervenção cirúrgica. Em muitos casos, a análise da mobilidade lingual é feita de forma empírica, sem aplicação padronizada dos instrumentos clínicos, o que compromete a precisão diagnóstica.

Outro obstáculo recorrente é a aplicação irregular do Teste da Linguinha nas maternidades, apesar de ser previsto pela Lei nº 13.002/2014, Bonatti et al. (2023) e o Ministério da Saúde (Brasil, 2020) relatam que muitas unidades de saúde ainda não possuem profissionais capacitados para realizar o exame corretamente, resultando em triagens incompletas ou falsos negativos. Esse cenário favorece o subdiagnóstico e, consequentemente, o atraso na realização da frenectomia, que perde parte de sua efetividade quando realizada tardiamente.

A falta de capacitação técnica também foi destacada por Rossato (2025), que observa um aumento expressivo na realização de frenotomias sem a devida avaliação funcional prévia. Esse fenômeno reflete tanto o crescimento da visibilidade do tema quanto a carência de padronização metodológica. Fraga et al. (2021) reforçam que a formação continuada de pediatras, fonoaudiólogos e odontopediatras é essencial para a correta aplicação dos protocolos de avaliação, como o HATLFF e o BTAT, que exigem treinamento específico para garantir confiabilidade nos resultados.

Martinelli et al. (2020) e Bonatti et al. (2023) apontam que, outro desafio relevante é o acesso desigual a tecnologias e instrumentos clínicos, em muitas regiões, a avaliação do frênulo lingual ainda é realizada apenas de forma visual, sem apoio de instrumentos de mensuração ou filmagens funcionais, o que limita a análise da extensão e da mobilidade da língua. Essa limitação tecnológica contribui para diagnósticos subjetivos e reduz a eficácia das condutas terapêuticas.

Por fim, a ausência de uma abordagem interdisciplinar permanece como um dos maiores entraves no manejo da anquiloglossia, Nogueira, Inocêncio e Barbosa (2021) e Alves, Silva e Moura (2022) enfatizam que o sucesso do tratamento depende da integração entre pediatras, cirurgiões-dentistas e fonoaudiólogos, garantindo não apenas a liberação anatômica da língua, mas também a reabilitação funcional e o acompanhamento da amamentação. Quando essa comunicação não ocorre, há risco de recidivas e de persistência das dificuldades alimentares, mesmo após a cirurgia.

Diante dos desafios apontados, a literatura sugere a necessidade urgente de fortalecer a padronização diagnóstica, a capacitação de profissionais e a adoção de práticas multiprofissionais articuladas. A superação dessas barreiras é essencial para garantir que o diagnóstico e o tratamento da anquiloglossia sejam conduzidos de forma segura, precoce e efetiva, assegurando o pleno desenvolvimento das funções orais e o sucesso da amamentação.

A análise dos estudos revisados revelou que a frenectomia lingual, além de seus efeitos funcionais sobre a amamentação, exerce impacto direto na qualidade de vida tanto da mãe quanto do lactente. Os autores apontam melhora significativa no bem-estar emocional materno, na interação afetiva com o bebê e na manutenção do aleitamento exclusivo. As mães relatam redução do estresse, aumento da satisfação e fortalecimento do vínculo afetivo após a resolução das dificuldades de sucção. 

O quadro 7 a seguir sintetiza os principais achados sobre a influência da frenectomia na qualidade de vida materno-infantil descritos na literatura:

Quadro 7 – Principais achados sobre a melhoria da qualidade de vida após a frenectomia lingual

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

Os estudos analisados apontam que a frenectomia promove uma experiência de amamentação mais positiva e menos dolorosa, o que repercute diretamente no estado emocional das mães. Silva et al. (2016) relatam que, após a liberação do frênulo, as mães passaram a amamentar com prazer, descrevendo o ato como mais natural e confortável.

Essa percepção subjetiva tem grande relevância clínica, pois reduz a chance de abandono precoce da amamentação, conforme observado também por Bernardes et al. (2024). Esses autores ressaltam que a redução da dor mamilar e a eficiência da sucção devolvem à mãe a confiança em sua capacidade de nutrir o bebê, aspecto essencial para a manutenção do aleitamento exclusivo.

A literatura evidencia que o contato tranquilo e o sucesso da amamentação fortalecem a interação mãe-bebê, ampliando o olhar, o toque e a comunicação não verbal durante a mamada. Bernardes et al. (2024) e Guimarães et al. (2024) confirmam que, após a frenectomia, as mães relataram maior sintonia emocional com os filhos, sensação de conexão e alívio por poder alimentar o bebê sem sofrimento. Esse fortalecimento do vínculo afetivo reflete não apenas benefícios psicológicos, mas também impactos fisiológicos, uma vez que a amamentação prazerosa estimula a liberação de ocitocina e prolactina, hormônios relacionados ao apego e à lactação.

Quanto ao bem-estar infantil, Guimarães et al. (2024) e Almeida et al. (2018) observaram que os lactentes apresentaram sono mais estável e menor irritabilidade após a cirurgia, o que sugere melhora na saciedade e redução do esforço durante a alimentação. Essa mudança comportamental indica que a frenectomia não só facilita a nutrição, mas também promove tranquilidade e equilíbrio fisiológico no bebê. A literatura ainda relaciona esses efeitos ao melhor padrão respiratório e à diminuição de episódios de choro decorrentes de frustração alimentar.

Cahú et al. (2024) relataram que a correção da anquiloglossia resultou em maior adesão materna à amamentação, prolongando o período de aleitamento e reduzindo a necessidade de complementação com fórmulas. Essa adesão mais duradoura está diretamente ligada à experiência positiva pós-cirúrgica e ao sentimento de competência materna restabelecido. Dessa forma, a frenectomia contribui não apenas para o sucesso técnico da amamentação, mas para a autoestima e autoconfiança da mãe no cuidado com o filho.

Em síntese, a literatura demonstra que os efeitos da frenectomia ultrapassam o campo funcional e repercutem de forma ampla na qualidade de vida da díade mãe-bebê. O conjunto de estudos aponta para uma relação direta entre o sucesso da amamentação, o equilíbrio emocional e o fortalecimento dos laços afetivos. Assim, a intervenção cirúrgica, quando indicada corretamente e acompanhada de suporte multiprofissional, deve ser compreendida como uma medida de saúde integral, que promove não apenas o bem-estar físico, mas também emocional e relacional. 

O presente estudo teve como objetivo geral analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, os impactos clínicos da frenectomia lingual na amamentação, considerando suas repercussões sobre a eficácia da sucção, o conforto materno e o desenvolvimento orofacial do lactente. A análise dos estudos selecionados permitiu compreender que a anquiloglossia configura-se como uma condição capaz de comprometer significativamente o aleitamento materno, sendo a frenectomia lingual um recurso terapêutico eficaz para restabelecer as funções orais e promover o bem-estar da díade mãe-bebê.

O primeiro objetivo específico, voltado à avaliação dos impactos clínicos da frenectomia na amamentação, foi plenamente alcançado. As evidências apontam que o procedimento proporciona melhora imediata da sucção, redução da dor mamilar e ganho ponderal adequado do lactente. Além dos benefícios fisiológicos, observa-se também impacto positivo sobre o vínculo emocional entre mãe e filho, com alívio da ansiedade materna e fortalecimento do apego afetivo — fatores essenciais para o sucesso do aleitamento exclusivo.

O segundo objetivo específico, que buscou identificar os desafios terapêuticos no diagnóstico e manejo da anquiloglossia, também foi atingido. A literatura evidencia ausência de padronização nos protocolos clínicos, aplicação irregular do Teste da Linguinha e deficiências na capacitação profissional para triagem neonatal. Tais limitações comprometem o diagnóstico precoce e a efetividade do tratamento, reforçando a necessidade de uma abordagem interdisciplinar, com atuação integrada de pediatras, cirurgiões-dentistas e fonoaudiólogos.

O terceiro objetivo, referente à análise da melhoria na qualidade de vida de lactentes e mães após a frenectomia, igualmente foi contemplado. Os estudos demonstram que a correção do frênulo curto promove melhor adaptação à amamentação, tranquilidade do lactente e continuidade do aleitamento exclusivo, além de contribuir para o equilíbrio emocional e o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê. Dessa forma, a frenectomia se consolida como um procedimento de saúde integral, com repercussões positivas tanto físicas quanto psicológicas.

Apesar dos resultados favoráveis, o estudo apresentou limitações, especialmente quanto à escassez de publicações recentes sobre o tema. Embora tenham sido priorizadas obras publicadas a partir de 2015, observou-se que parte significativa das evidências disponíveis provém de estudos anteriores, o que restringe a atualização dos dados e a comparação entre diferentes técnicas cirúrgicas. Essa lacuna ressalta a carência de pesquisas clínicas longitudinais que avaliem a eficácia e a estabilidade dos resultados obtidos após a frenectomia.

Diante disso, recomenda-se que futuras investigações aprofundem o acompanhamento de lactentes submetidos ao procedimento, contemplando aspectos funcionais, fonoarticulatórios e emocionais. Sugere-se, ainda, o desenvolvimento de estudos multicêntricos que avaliem o impacto da capacitação profissional e da padronização de protocolos diagnósticos nas redes públicas de saúde. Essas medidas podem ampliar a base científica disponível, aprimorar as práticas clínicas e fortalecer a atuação interdisciplinar voltada à promoção da saúde materno-infantil e à consolidação da amamentação como pilar do desenvolvimento integral da criança.

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