EFFICACYOFPHYSIOTHERAPEUTICINTERVENTIONSINTHETREATMENT OF ROTATOR CUFF TENDINOPATHY: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511102302
Ericarla Rodrigues Libório¹
Françoes Freire Macedo¹
Yarine Xavier da Silva¹
Jessica Farias Macedo²
Resumo
Introdução: A tendinopatia do manguito rotador define-se como uma lesão musculoesquelética intermitente, relacionada ao índice elevado das enfermidades e restrições funcionais. De maneira geral, as tendinopatias equivalem a danos exorbitantes e são representadas por dor. Devido à exposição constante a sobrecargas, essa estrutura torna-se suscetível a microlesões e processos degenerativos que comprometem a função e a qualidade de vida dos indivíduos. Objetivo: Analisar a eficácia das intervenções fisioterapêuticas na melhora funcional do ombro e na redução dos sintomas em pacientes diagnosticados com tendinopatia do manguito rotador. Materiais e método: Trata-se de uma pesquisa de revisão integrativa realizada em outubro de 2025, nas bases de dados BVS, PubMed e Scielo. Resultados: Os 4 estudos incluídos nesta revisão totalizaram 268 participantes com diagnóstico de tendinopatia do manguito rotador, predominando o sexo masculino e média de idade entre 17 e 65 anos. Os protocolos analisados basearam-se em programas ativos, progressivos e individualizados, com ênfase em fortalecimento muscular, controle motor, mobilização articular e reeducação funcional, respeitando os limites de dor e a evolução clínica dos participantes. Assim, as evidências indicam que abordagens conservadoras estruturadas, com exercícios supervisionados e terapias complementares, promovem recuperação funcional significativa em casos de tendinopatia do manguito rotador. Conclusão: A revisão demonstrou que o tratamento fisioterapêutico é a principal estratégia para a reabilitação da tendinopatia do manguito rotador, promovendo redução da dor e melhora funcional. Os programas de exercícios ativos mostraram eficácia comparável ou superior ao tratamento cirúrgico.
Palavras-chave: Manguito rotador. Tendinopatia. Lesões de ombro. Fisioterapia. Tratamento conservador.
Abstract
Background: Rotator cuff tendinopathy is defined as an intermittent musculoskeletal injury, associated with a high incidence of illnesses and functional limitations. In general, tendinopathies equate to significant damage and are characterized by pain. Due to constant exposure to overload, this structure becomes susceptible to micro-tears and degenerative processes that compromise the function and quality of life of individuals. Pourpose: To analyze the effectiveness of physiotherapy interventions in improving shoulder function and reducing symptoms in patients diagnosed with rotator cuff tendinopathy. Methods: This is an integrative review study conducted in October 2025 using the BVS, PubMed, and SciELO databases. Results: The four studies included in this review totaled 268 participants diagnosed with rotator cuff tendinopathy, predominantly male, with an average age between 17 and 65 years. The analyzed protocols were based on active, progressive, and individualized programs, emphasizing muscle strengthening, motor control, joint mobilization, and functional rehabilitation, respecting pain limits and the clinical evolution of the participants. Thus, the evidence indicates that structured conservative approaches, with supervised exercises and complementary therapies, promote significant functional recovery in cases of rotator cuff tendinopathy. Conclusion: The review demonstrated that physiotherapy treatment is the main strategy for the rehabilitation of rotator cuff tendinopathy, promoting pain reduction and functional improvement. Active exercise programs showed comparable or superior efficacy to surgical treatment.
Keywords: Rotator cuff. Tendinopathy. Shoulder injuries. Physical therapy. Conservative treatment.
1 INTRODUÇÃO
A causa mais frequente de dor no ombro é representada pela tendinopatia do manguito rotador, sua estrutura é composta por um agrupamento muscular, sendo eles, o supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor (Dominguez et al., 2021). Devido ao seu intricamento articular, funcional e anatômico, torna-se propenso ao desenvolvimento de novas contusões, no qual se destaca a tendinopatia (Castro, 2021).
A tendinopatia do manguito rotador (TMR) define-se como uma lesão musculoesquelética intermitente, relacionada ao índice elevado das enfermidades e restrições funcionais (Ooi et al., 2022). De maneira geral, as tendinopatias equivalem a danos exorbitantes e são representadas por dor referente a sobrecarga e diminuição da capacidade funcional (Dominguez et al., 2021).
Embora sua etiologia gere debates, atualmente estima-se que seu princípio esteja relacionado ao uso de forças excessivas que implicam na regeneração tendínea, resultando em um processo de reparação tecidual ineficaz. Além disso, fatores intrínsecos e extrínsecos como idade, vascularização, genética, alterações biomecânicas e disfunções musculoesqueléticas são apontadas como motivos no progresso da tendinopatia (Spargoli, 2019).
A prevalência dessa disfunção comum do ombro, afeta em 27% dos indivíduos com menos de 70 anos (Barros et al., 2023). Cerca de 1% a 3% da população em geral manifesta a tendinopatia nas extremidades superiores, com lesões assiduamente correlacionadas ao manguito rotador (Castillo et al., 2021). Esta condição é reconhecida como um dos diagnósticos mais recorrentes, retratando mais de 30% das consultas associadas a musculoesqueléticas (Castro, 2021).
Dessa maneira, indivíduos diagnosticados com tendinopatia do MR apresentam redução de força muscular, limitação de amplitude de movimento, comprometimento da qualidade de vida e afastamento prolongado das atividades laborais. Tais consequências afetam de maneira significativa o bem-estar geral e impõe uma demanda relevante ao sistema de saúde. Cerca de 40% dos pacientes acometidos com a tendinopatia manifestem dor e restrição funcional por mais de 12 meses, necessitando da intervenção cirúrgica ou injeções (Augusto et al., 2024).
Nesse sentido, evidencia-se a relevância de estratégias terapêuticas eficientes que auxiliem a minimizar essas consequências e os impactos socioeconômicos relacionados à dor no ombro (Castro, 2021). Diversas alternativas conservadoras têm sido sugeridas, uma vez que a intervenção cirúrgica não contém resultados superiores em relação aos tratamentos não invasivos. Dentre as opções, o exercício terapêutico apresenta-se como uma das abordagens mais recomendadas, com estudos respaldados que comprovam sua eficácia na diminuição da dor e na melhora da capacidade funcional (Dubé et al., 2024).
Dessa perspectiva, o tratamento conservador baseado em exercícios terapêuticos apresenta-se como uma opção eficaz para intervenção da tendinopatia do ombro, visando diminuir a dor e melhorar a funcionalidade (Queiroz et al., 2022). Logo, destaca-se a relevância dos métodos fisioterapêuticos para evitar a gradatividade do processo inflamatório e degenerativo, impedindo envolvimento adicionais na função dos membros superiores e atividades de vida diária (Durgut et al., 2024).
Considerando a elevada incidência, a fisioterapia é sugerida como primeira escolha para a tendinopatia do MR, com ênfase no exercício terapêutico como principal intervenção. Embora promova melhora da função e redução da dor, seus efeitos podem ser limitados por fatores clínicos e individuais, necessitando compreender o impacto e a eficácia de diferentes abordagens fisioterapêuticas (Dieguez et al., 2023).
Desse modo, este estudo tem como objetivo analisar a eficácia das abordagens fisioterapêuticas no tratamento da tendinopatia do manguito rotador, avaliando seus efeitos sobre a função do ombro, dor, amplitude de movimento, força muscular e qualidade de vida dos pacientes.
2 MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida com o objetivo de sintetizar e analisar de forma sistemática os achados de estudos primários sobre tendinopatias do manguito rotador e os efeitos do tratamento conservador. A investigação foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SciELO e PubMed/Medline, utilizando uma estratégia de busca estruturada com os descritores em português e inglês: “manguito rotador” / rotator cuff, “tendinopatia” / tendinopathy, “lesões de ombro” / shoulder injuries, “fisioterapia” / physiotherapy e “tratamento conservador” / conservative treatment, combinados pelo operador booleano AND. As buscas foram conduzidas em outubro de 2025, com registro do procedimento para garantir reprodutibilidade e transparência.
Foram incluídos ensaios clínicos randomizados publicados entre 2015 e 2025 envolvendo adultos de ambos os sexos com diagnóstico clínico ou por imagem de tendinopatia do manguito rotador, submetidos a tratamento conservador e apresentando redução da amplitude de movimento, dor e limitações nas atividades diárias. Incluíram-se estudos com participantes acima de 65 anos, com comorbidades significativas ou que apresentassem novas lesões agudas do ombro.
Os estudos selecionados foram organizados e sintetizados em quadros descritivos, permitindo a análise crítica dos principais achados referentes à eficácia da fisioterapia no tratamento conservador do manguito rotador. A revisão seguiu princípios metodológicos padronizados para revisões integrativas, garantindo rigor na seleção, extração e análise dos dados, com foco na produção de uma síntese científica confiável e aplicável à prática clínica.
3 RESULTADOS
Foram encontrados 226 estudos nas bases de dados sendo 198 duplicados. Fez-se leitura de título e resumo de 28 estudos, foram excluídos 15 artigos, 5 com mais de 10 anos, 2 em outro idioma além do português e inglês e 8 estudos diferentes de ensaios clínicos randomizados. Leu-se 13 estudos na íntegra, 9 foram excluídos, 2 por não estarem disponíveis na íntegra, 2 por conterem participantes com idade superior a 65 anos e 5 por não abordarem sobre tendinite ou tratamento conservador, sendo incluídos na revisão integrativa 4 artigos, conforme o fluxograma na figura 1.
Figura 1 – Fluxograma do estudo.

A síntese dos estudos incluídos na revisão encontra-se no quadro 1.
Quadro 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.
| AUTOR/AN O | TIPO DE ESTUDO | OBJETIVO | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Meléndezetal. (2025) | Pesquisa Quase experimental. | Analisar uma técnica de força e resistência na algia e recidiva da tendinopatia do manguito rotador em atletas jovens de voleibol. | Estudo com 28 jogadores divididos em grupo controle (abordagem fisioterapêutica tradicional) e grupo experimental (fisioterapia com exercícios de força e resistência durante 8 semanas com frequência de 3 sessões por semana. Sendo realizado Avaliação Visual Analógica de Dor(EVA) | O manejo fisioterapêutico com exercícios de força/resistência diminuiu consideravelmente a dor (-4, 4 pontos na EVA) e a recrudescência da lesão (7,1%) em acareação ao tratamento tradicional (0,7 pontos; 35,7%). A fisioterapia voltada ao fortalecimento e estabilidade escapuloumeral demonstrou efetividade na recuperaçãoe prevenção de novas contusões. |
| Rezaieetal. (2023) | Ensaio clínico randomizado e controlado | Conferir o efeito da fisioterapia convencional com e sem ênfase na articulação escapulotorácica em indivíduos sujeitos ao reparo artroscópico do manguito rotador. | Foram incluídos 28 pacientes de pós operatório e distribuídos em dois grupos: fisioterapia tradicional (exercícios glenoumerais, alongamentos, TENS e calor) e fisioterapia ampliada (mesmo protocolo associado a técnicas manuais, controle postural e fortalecimento escapular). O período de tratamento ocorreu por 12 semanas e 21 sessões acompanhadas. | A fisioterapia ampliada com ênfase escapulotorácico promoveu maior diminuição da algia, melhora da amplitude de movimento, menor redução funcional e melhor qualidade de vida, comparado em relação à fisioterapia tradicional, sem resultados adversos. O estudo evidencia que o foco na escápula aprimora a recuperação no pós-operatório. |
| Baeske,R.; Hall,T.;Silva, M.F.(2020) | Ensaio Clínico Randomizado e controlado por placebo. | Verificar se a mobilização com movimento (MWM) combinada a exercícios propõe benefícios suplementares em pacientes com algia relacionada ao manguito rotador. | Abordaram 70 participantes com algia no ombro, foram distribuídos em dois grupos: grupo(1) exercícios +MWM e grupo (2)exercícios+ MWM simulada. O período de tratamento foi de 5 semanas, com duas sessões semanais, contendo exercícios de fortalecimento, alongamento e mobilização manual ativa. | A abordagem fisioterapêutica associada a exercícios combinados com mobilização e movimentos demonstrou-se ser eficaz para diminuir algia e inabilidade, desenvolvera amplitude de movimento e ampliara autoeficácia do paciente, comparado ao programa de exercícios isolados. |
| Ketola,S.; Lehtinen,J.T.; Arnala,I. (2017) | Ensaio clínico randomizado, prospectivo, controlado | Examinar a efetividade prolongada da fisioterapia supervisionada em comparação à intervenção cirúrgica no manejo da tendinopatia do manguito rotador | Avaliados 140 indivíduos com tendinopatia e foram dividido sem dois grupos: grupo 1 (intervenção cirúrgica +fisioterapia) e grupo 2 (apenas fisioterapia com protocolos de exercícios supervisionados, estruturados e progressivos, dirigidos por fisioterapeutas, abrangendo exercícios domiciliares.) | Os dois grupos apresentaram melhora relevante da dor e função, entretanto sem diferenças entre eles. Estimativa do estudo conclui que a fisioterapia com exercícios supervisionados é efetiva e deve ser considerada abordagem de primeira linha, sendo tão competente quanto à intervenção cirúrgica. |
De acordo com os quatro estudos incluídos nesta revisão, no total foram compostos por 268 participantes com diagnóstico de tendinopatia no MR, sendo a maior prevalência no sexo masculino com média de idade entre 17 e 65 anos. Todos comprovaram a efetividade do tratamento proposto, destacando-se o estudo de Rezaie et al. (2024), que apresentou resultados mais significativos, demonstrando melhora no quadro álgico, amplitude de movimento e capacidade funcional.
No estudo de Pico-Meléndez et al. (2025), participaram 30 atletas masculinos de voleibol, entre 17 e 19 anos, submetidos a um programa de reabilitação de 8 semanas, com três sessões semanais de 45 a 60 minutos. O protocolo combinou estratégias de força e resistência utilizando bolas medicinais, halteres, faixas elásticas, colchonetes e treinamento em suspensão.
Nas duas primeiras semanas, o foco foi técnico, mobilidade e controle motor com cargas leves. Da terceira à quinta semana, houve progressão das cargas e introdução de exercícios excêntricos. Nas semanas finais, aumentaram-se intensidade e complexidade, incorporando gestos funcionais do voleibol, como ataque e bloqueio. Os principais exercícios incluíram flexões, supino, elevações laterais, remada, puxadas assistidas, pranchas, arremessos com bola medicinal e fortalecimento excêntrico da escápula e do manguito rotador. Cada sessão iniciava com aquecimento dinâmico e finalizava com alongamentos e recuperação ativa, incluindo também trabalho isométrico, mobilidade ativa e controle neuromuscular.
O estudo de Baeske, Hall e Silva. (2020) foi composto por 70 participantes sendo 32 homens e 38 mulheres com idades entre 18 e 65 anos onde o programa de exercícios associado à técnica de mobilização com movimento teve duração de 5 semanas com 2 sessões semanais, totalizando 10 atendimentos individuais com duração de 40 minutos cada. As sessões incluíram de 2 a 3 séries de 10 a 15 repetições, utilizando faixas elásticas terapêuticas e halteres, além de alongamentos mantidos por 15 segundos, em 3 repetições. A progressão da carga foi individualizada, respeitando o limite de dor de até 5 em uma escala verbal de 0 a 10, e ajustada de acordo com a percepção de esforço do participante. A mobilização com movimento foi aplicada de forma pragmática, selecionando o movimento ativo do ombro mais relevante para cada paciente. Durante a técnica, o fisioterapeuta realizava uma força de deslizamento passiva enquanto o paciente executava o movimento ativo dentro da sua amplitude de movimento máxima. Foram aplicadas de 6 a 10 repetições na primeira sessão e, a partir da segunda, de 2 a 3 séries de 10 repetições com intervalo de 60 segundos entre elas. Quando não era possível realizar uma mobilização eficaz, o participante executava o movimento que proporcionasse maior conforto, realizando 6 repetições até o início do desconforto. O grupo controle realizou o mesmo programa de exercícios, associado a uma mobilização simulada, sem aplicação de força terapêutica, apenas com contato manual superficial.
Rezaie et al. (2024) realizaram um protocolo de reabilitação com 28 pacientes, homens e mulheres, com média de idade de 54 anos, submetidos ao reparo artroscópico MR. O tratamento iniciou-se 2 semanas após a cirurgia e teve duração de 7 semanas, totalizando 21 sessões, realizadas 3 vezes por semana. O protocolo convencional incluiu exercícios pendulares, alongamento, mobilização glenoumeral, fortalecimento muscular e uso de recursos como TENS, termoterapia e movimento passivo contínuo. No protocolo abrangente utilizaram- se de técnicas de terapias manuais para escápula e coluna cervical, correção postural escapular, exercícios de controle motor e fortalecimento dos músculos trapézio e serrátil anterior. O programa iniciou-se com atividades voltadas à mobilidade e controle motor, evoluindo para o fortalecimento e estabilização escapulotorácica, acompanhando o avanço da recuperação funcional.
O estudo realizado por Ketola, Lehtinen e Arnala (2017), incluiu 140 participantes (52 homens, 88 mulheres com idade média de 47,1 anos) com diagnóstico de tendinopatia do MR unilateral, os quais foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo recebeu um programa individualizado, estruturado e progressivo, conduzido por fisioterapeutas, que incluía exercícios de fortalecimento e controle escapular, amplitude de movimento e treino funcional voltado à restauração da biomecânica do ombro. O protocolo foi ajustado conforme a evolução clínica de cada paciente e incentivava a continuidade do programa em casa com sessões supervisionadas. No grupo de tratamento combinado, os pacientes realizaram previamente uma acromioplastia artroscópica, seguida pelo mesmo programa de exercícios do primeiro grupo. Ambos os grupos realizaram sessões supervisionadas regulares, nas quais os fisioterapeutas revisavam e progrediam o treino de acordo com o desempenho funcional. A Escala Visual Analógica (EVA) foi usada como instrumento de comparação dos grupos para a dor auto relatada.
Os estudos incluídos nesta revisão evidenciaram que os protocolos de reabilitação para tendinopatia do MR baseiam-se em programas ativos, progressivos e individualizados, com ênfase no fortalecimento muscular, controle motor e recuperação funcional do ombro, respeitando os limites da dor e adaptação de cargas conforme a evolução clínica.
4 DISCUSSÃO
Com base nos estudos analisados presentes nesta revisão, verificou-se que a literatura atual sustenta a eficácia e a segurança do tratamento conservador da tendinopatia e das lesões do MR, evidenciando os exercícios terapêuticos como a principal estratégia de reabilitação e como abordagem inicial antes da intervenção cirúrgica.
Pico-Meléndez et al. (2025) destacam que programas sistematizados de força e resistência reduzem de forma expressiva a dor e diminuem a recorrência de lesões, especialmente em indivíduos jovens e fisicamente ativos. Em consonância, Malliaras et al. (2020) compararam protocolos com diferentes volumes e intensidades de carga, constatando que exercícios ativos realizados nos planos de flexão, abdução e rotação externa, quando ajustados de acordo com a tolerância à dor, resultam em melhores desfechos funcionais. Os autores ressaltam que a presença de desconforto durante o exercício não representa, necessariamente, um sinal de prejuízo terapêutico, mas sim parte do processo de adaptação tecidual. Dessa forma, protocolos com cargas mais elevadas e progressão gradual tendem a gerar benefícios superiores aos de menor intensidade.
De forma complementar, Baeske, Hall e Silva (2020) apontam que a mobilização com movimento (MCM) potencializa os efeitos do tratamento convencional, por envolver ativamente o paciente e estimular respostas neuromusculares mais específicas. Essa abordagem favorece ganhos de amplitude de movde movimentomento e redução da dor. De modo semelhante, Ribeiro, Cools e Camargo (2020) compararam protocolos de carga e descarga em pacientes com rupturas traumáticas e degenerativas, observando que ambos os métodos se mostraram seguros e eficazes quando aplicados de maneira supervisionada. Esses autores ressaltam que tanto o fortalecimento de fibras remanescentes quanto a diminuição da tensão sobre o tendão lesionado são estratégias válidas dentro de um programa conservador bem conduzido.
Dupuis et al. (2018) também demonstraram resultados positivos ao combinar crioterapia e exercícios com cargas gradativas, evidenciando melhora significativa da dor e da função em curto prazo, sem diferença relevante entre as intervenções. Segundo os autores, o início precoce de exercícios isométricos e isotônicos leves contribui para restaurar capacidade de carga do tendão e prevenir recidivas. Por outro lado, Desjardins Charbonneau et al. (2015) avaliaram o uso de bandagens não elásticas e cinesiológicas, verificando benefícios imediatos em amplitude de movimento e alívio da dor. Contudo, destacam que ainda não há consenso quanto à efetividade dessas técnicas de forma isolada, o que reforça a necessidade de associá- las a outras intervenções fisioterapêuticas.
Entre as abordagens complementares, o agulhamento a seco (AS) tem se mostrado uma técnica relevante dentro do tratamento conservador das tendinopatias, especialmente quando associado a programas de exercícios terapêuticos. Tayyab et al. (2025) relatam que o AS estimula uma resposta inflamatória controlada, favorecendo a reorganização do colágeno e a regeneração tecidual, promovendo o restabelecimento da capacidade de carga do tendão. Saylor-Pavkovich (2016) acrescenta que quando associado à estimulação elétrica e ao fortalecimento progressivo, o AS contribui para restaurar o equilíbrio muscular e a biomecânica do ombro, reduzindo a sobrecarga sobre tecido lesionado. Ambos os estudos enfatizam que o uso do AS deve ocorrer de forma integrada às demais estratégias de reabilitação, atuando na modulação de resposta tecidual e potencializando os efeitos fisiológicos do exercício.
Para Ketola, Lehtinen e Arnala (2017), um tratamento conservador bem estruturado e aplicado de acordo com a necessidade do paciente, pode apresentar resultados equivalentes à descompressão artroscópica subacromial assim como foi avaliado e comprovado em seu estudo. Mesmo após uma década, ambos os grupos mantiveram redução da dor e melhora da capacidade funcional, sem diferenças significativas entre os dois tipos de tratamento. Assim, os autores reforçam que o tratamento conservador deve ser considerado a primeira opção de intervenção por apresentar eficácia semelhante à cirurgia, com menos riscos, além de favorecer o empenho e a participação do paciente na própria reabilitação.
5 CONCLUSÃO
As intervenções fisioterapêuticas representam a principal estratégia de tratamento convencional para a tendinopatia do manguito rotador, apresentando resultados positivos para diminuição do quadro álgico, melhora da amplitude de movimento e restabelecimento da qualidade de vida do paciente. Os estudos analisados reforçam a eficácia de programas de exercícios ativos que priorizam o fortalecimento muscular, controle motor e a reeducação funcional, demonstrando resultados comparáveis ou superiores à intervenção cirúrgica.
Constatou-se que o tratamento conservador, quando bem estruturado e individualizado, favorece a recuperação funcional e a prevenção de recidivas, destacando-se como abordagem de primeira escolha na reabilitação da tendinopatia do manguito rotador. Apesar das limitações quanto ao número de estudos, os achados mostram que a fisioterapia exerce um papel essencial na restauração funcional e melhora da qualidade de vida dos indivíduos acometidos.
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¹Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
²Especialista em Fisioterapia Traumato-ortopédica, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE. Endreço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
