EFFICACY OF PERINEAL MASSAGE FOR REDUCING THE RISK OF LACERATIONS AND DECREASING THE NEED FOR EPISIOTOMY DURING VAGINAL LABOR: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511102307
Enildo Nepomuceno Batanhe1
Maria Eduarda Sousa de Carvalho1
Thaiana Bezerra Duarte2
RESUMO
Introdução: Durante a gestação ocorre alterações fisiológicas que podem reduzir a flexibilidade do canal vaginal, aumentando o risco de lacerações perineais e episiotomias durante o trabalho de parto vaginal. A massagem perineal é um recurso fisioterapêutico que promove o relaxamento e aumento da flexibilidade dos músculos do assoalho pélvico e ajuda a prevenir essas disfunções. Objetivo: analisar a eficácia da massagem perineal para redução de riscos de lacerações e diminuição da necessidade de episiotomia durante o trabalho de parto vaginal. Materiais e métodos: Revisão de literatura com busca nas bases PubMed, LILACS, SciELO e Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à massagem perineal, lacerações e episiotomia. Foram incluídos ensaios clínicos com gestantes de baixo risco que iniciaram a técnica a partir da 34ª semana. Resultados: Cinco estudos atenderam aos critérios e compuseram a amostra. Os artigos selecionados apontam tendência de menor incidência de episiotomia, maior preservação da região perineal e redução de lacerações leves entre mulheres que realizaram a massagem perineal. A técnica mostrou boa aceitação pelas gestantes e ausência de efeitos adversos. A variabilidade metodológica entre os estudos explica a ausência de significância estatística em alguns resultados. Conclusão: A massagem perineal pré-natal apresenta-se como uma intervenção simples, segura e acessível, com potencial para diminuir traumas perineais e favorecer uma recuperação pós-parto mais confortável, especialmente em nulíparas. Ainda assim, estudos com maior rigor científico são necessários para fortalecer as recomendações clínicas.
Palavras-chave: Gestação. Massagem perineal. Episiotomia. Lacerações. Parto vaginal.
ABSTRACT
Introduction: During pregnancy, physiological changes occur that can reduce the flexibility of the vaginal canal, increasing the risk of perineal lacerations and episiotomies during vaginal labor. Perineal massage is a physiotherapeutic resource that promotes relaxation and increased flexibility of the pelvic floor muscles, helping to prevent these dysfunctions. Objective: To analyze the effectiveness of perineal massage in reducing the risk of lacerations and the need for episiotomies during vaginal labor. Materials and methods: Literature review with searches in PubMed, LILACS, SciELO, and Google Scholar databases, using descriptors related to perineal massage, lacerations, and episiotomy. Clinical trials with low-risk pregnant women who initiated the technique after the 34th week were included. Five studies met the criteria and comprised the sample. Results: Studies indicate a trend toward a lower incidence of episiotomy, greater preservation of the perineal region, and a reduction in minor lacerations among women who underwent perineal massage. The technique was well-accepted by pregnant women and showed no adverse effects. Methodological variability across studies explains the lack of statistical significance in some results. Conclusion: Prenatal perineal massage is a simple, safe, and accessible intervention with the potential to reduce perineal trauma and promote a more comfortable postpartum recovery, especially in nulliparous women. Nevertheless, studies with greater scientific rigor are needed to strengthen clinical recommendations.
Keywords: Pregnancy. Perineal massage. Episiotomy. Lacerations. Vaginal delivery.
1 INTRODUÇÃO
Durante a gestação a mulher passa por processos fisiológicos como o aumento do diâmetro uterino, mudanças biomecânicas e alterações na posição anatômica da pelve devido ao impacto hormonal, essas condições podem diminuir a flexibilidade na área do canal vaginal e consequentemente ocasionar as lacerações perineais durante o parto, além de contribuir para o desenvolvimento posterior de incontinência urinária e fecal, bem como disfunções sexuais, assim como a dispareunia (Lima et al., 2021).
Grande parte dos partos via vaginais resulta em algum trauma perineal, seja por consequências à realização da episiotomia ou lacerações espontâneas. Como consequência disso, um estudo no Reino Unido mostrou que apenas 9,6% das nulíparas e 31,2% das multíparas mantiveram a região perineal intacta após o parto vaginal (Smith et al., 2013). No Brasil, a análise dos atendimentos em um Centro de Parto Normal revelou que 75,6% das mulheres atendidas apresentaram traumas mínimos, como períneo íntegro ou lacerações de primeiro grau. Além disso, foram registradas lacerações de segundo grau em 10,3% dos casos, enquanto a episiotomia foi realizada em 14,1% das parturientes (da Silva et al., 2012).
A episiotomia foi introduzida no século XVIII, é um procedimento cirúrgico realizado para ampliar o canal vaginal, embora careça de fundamentação científica sólida para seu uso rotineiro, atualmente, recomenda-se que seja restrito a casos específicos, como partos instrumentais ou com comprometimento fetal, supostamente reduzindo traumas perineais e seus impactos, como dor intensa e dificuldades no retorno à atividade sexual (Jiang et al., 2017; Sáez et al., 2019).
A episiotomia pode ser classificadas quanto ao seu grau de acometimento, onde a de primeiro grau consiste na lesão da pele perineal, fúrcula ou epitélio vaginal, quando a de segundo grau é a lesão que envolve a musculatura perineal (excluindo o esfíncter anal), e já a de terceiro grau é quando consiste na lesão do períneo, incluindo o esfíncter anal externo e interno, e a de quarto grau consiste na lesão do períneo, envolvendo o complexo do esfíncter anal e o epitélio anal (Webb; Sherburn; Ismail, 2014). Em relação as lacerações de terceiros e quartos graus, ambas são vistas como lesões obstétricas do esfíncter anal. Existe também a lesão denominada de rectal buttonhole, que há lesão da mucosa retal, onde não há comprometimento do esfíncter anal (Bulchandani et al., 2015).
A depender do tipo e grau da lesão, pode haver um grande número de complicações frequentes, principalmente em casos de trauma de terceiro e quarto grau, que podem ser: ruptura, incontinência urinária (IU) de esforço ou mista, incontinência anal (IA), infecção, dispareunia pós-parto, prolapso dos órgãos pélvicos e fístulas retovaginais (Belihu et al., 2017).
Com os efeitos prejudiciais às tarefas básicas de vida diária da mulher, são frequentes as sequelas dos traumas que se manifestam em desconfortos que são ignorados pelos profissionais de saúde ou não são relatados pelas mulheres por atribuírem a normalidade do puerpério (Aasheim et al., 2017).
A massagem perineal é uma intervenção utilizada para aumentar a elasticidade do tecido perineal e assim preparar o períneo para o parto, diminuindo significativamente o risco de lacerações e episiotomias (Aquino et al., 2018).
A massagem perineal é um recurso que vem sendo estudado para prevenir traumas e episiotomias, considerando que é uma técnica fisioterapêutica com o potencial de promover o relaxamento e aumento da flexibilidade dos músculos do assoalho pélvico, além de reduzir a dor e queimação no períneo durante o trabalho de parto, dessa forma propiciando um momento mais humanizado para a mãe (Aquino et al., 2018).
Essa intervenção pode ser realizada por um fisioterapeuta, pela gestante ou até mesmo pelo seu parceiro após as devidas orientações para dar início nas últimas semanas de gestação (Teixeira et al., 2022).
No entanto, ainda existem dúvidas quanto à efetividade da massagem perineal na prevenção de lacerações e episiotomias, bem como na melhora da experiência do parto. Diante disso, questiona-se: a massagem perineal demonstra uma redução da taxa de lacerações perineais e episiotomias durante o trabalho de parto vaginal?
Desse modo, investigar a eficácia dessa técnica é importante, porque é um recurso simples, acessível e eficaz para as gestantes, com o potencial de minimizar as complicações durante o trabalho de parto (Schreiner et al., 2018).
Sendo assim, o presente estudo tem como objetivos analisar a eficácia da massagem perineal para redução de riscos de lacerações e diminuição da necessidade de episiotomia durante o trabalho de parto vaginal, comparar a prevalência de lacerações perineais entre gestantes com e sem massagem perineal e avaliar a redução da necessidade de episiotomia entre as gestantes que realizaram a massagem perineal.
2 MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo trata-se de uma revisão de literatura. A busca dos artigos científicos foram realizadas nas seguintes bases de dados: PubMed, LILACS, Scielo e Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores em português e inglês: “massagem perineal” (perineal massage), “lacerações perineais” (perineal lacerations), “episiotomia” (episiotomy), “parto vaginal” (vaginal delivery) e “fisioterapia obstétrica” (obstetric physiotherapy) combinados com operadores booleanos (AND). As pesquisas foram realizadas entre junho e julho de 2025.
Os critérios de inclusão consistiram em ensaios clínicos randomizados com gestantes a partir da 34° semanas de gestação, mulheres com gravidez de baixo risco, parturientes submetidas ao parto vaginal que aderiram à massagem perineal pré-natal. Os critérios de exclusão caracterizaram-se em estudos que abordaram outras técnicas perineais, como aplicação de compressas quentes, sem mencionar a massagem perineal; estudos que a massagem perineal foi introduzida durante o trabalho de parto e artigos que não possibilitavam acesso ao texto completo.
Os resultados foram apresentados em forma de síntese dos estudos selecionados, estruturados em forma de tabela que contém informações como autor/ano; objetivos, metodologia e resultados. A partir da análise dos artigos, foi possível comparar as diferentes abordagens e identificar padrões de divergência entre as pesquisas. Além disso, foram discutidas as limitações de estudos revisados e sugeridas direções para futuros artigos.
3 RESULTADOS
Inicialmente foram encontrados 122 artigos nas bases de dados. Após a remoção dos 28 duplicados, restaram 94 artigos para leitura de títulos e resumos. E após, 78 estudos foram excluídos, sendo 55 por não se relacionarem ao tema e 23 por se tratarem de revisões de literatura. Foram selecionados 16 artigos para leitura na íntegra, excluíram-se 11 por não estarem disponíveis em texto completo. Dessa forma, 5 estudos preencheram os critérios definidos e integraram a amostra final da revisão. O fluxograma (figura 1) demonstra as etapas desta seleção dos artigos.
Figura 1. Fluxograma da seleção dos estudos

O quadro 1 apresenta de forma sintetizada os estudos selecionados para a revisão, organizados segundo autor e ano, tipo de estudo, objetivo, intervenção realizada e principais resultados.
Quadro 1. Síntese dos estudos selecionados para a revisão.
| Autor e ano | Tipo de estudo | Objetivo do estudo | Intervenção | Resultados |
| Ugwu et al., (2018) | Ensaio clínico randomizado | Avaliar a eficácia da massagem perineal pré-natal (MPA) na redução do trauma perineal e das morbidades pós-parto. | As participantes foram orientadas junto ao seu acompanhante a realizar a massagem perineal a partir da 34ª-36ª semanas de gestação durante 10 minutos todos os dias até o parto. Além de serem solicitadas a registrar em um diário a execução da massagem. A técnica na inserção de dois dedos de 3-5 cm na vagina com deslizamento para baixo e lateral com auxílio de gel lubrificante. | No grupo de intervenção as mulheres mantiveram o períneo íntegro após o parto vaginal quando comparadas aquelas do grupo controle que não realizaram. A ocorrência de episiotomia foi significativamente menor no grupo de intervenção em comparação ao grupo controle. |
| Mohamed; Elngger, (2011) | Ensaio quase experimental | Avaliar o efeito da massagem perineal regular durante o último mês de gestação nos resultados perineais | As gestantes foram orientadas para realizar a massagem perineal diariamente a partir das 34ª -35ª semanas de idade gestacional até o nascimento por cerca de 5-10 minutos. As participantes receberam explicações, demonstrações práticas e instruções escritas de como realizar a massagem perineal com material de apoio sendo de panfleto ilustrado. | As mulheres que realizaram a MP tiveram o períneo intacto em comparação àquelas do grupo controle. A taxa de episiotomia foi menor no grupo de intervenção e lacerações de primeiro grau foi significativamente menor, já as lacerações de 3 e 4 grau foi observada apenas em uma mulher do grupo controle. |
| Monguilhott et al., (2008) | Ensaio clínico randomizado | Avaliar a adesão de gestantes e acompanhantes à realização da massagem perineal digital durante a gestação e seu efeito na prevenção do trauma perineal no parto e na redução de morbidade associada nos 45 e 90 dias pós parto. | As mulheres realizaram automassagem perineal digital ou do parceiro escolhido por ela, após orientação com material educativo a prática foi realizada diariamente a partir da 34ª semana de gravidez até o dia parto, por cerca de 5 a 10 minutos, com auxílio de óleo de amêndoas, as gestantes utilizaram um diário para acompanhar a realização, tempo e por quem foi feita a massagem. | Foi observado que apesar de o grupo controle apresentar maior número de casos de trauma perineal com necessidade de sutura, a prática da massagem perineal digital no período pré-natal não demonstrou diferença estatisticamente significativa em relação à ocorrência de trauma perineal no parto. Ainda assim, a análise indicou uma tendência de maior preservação do períneo íntegro entre as participantes do grupo intervenção |
| Mei-Dan et al., (2008) | Ensaio clínico prospectivo controlado | Avaliar a eficácia da massagem perineal pré-natal no aumento da probabilidade de parto com períneo intacto. | Consistiu na realização diária da massagem perineal durante 10 minutos a partir da 34ª de gravidez até o dia do parto, utilizando óleo de calêndula com vitamina E. as participantes receberam as seguintes orientações: introdução dos polegares na parede vaginal posterior (2-3 cm) com movimentos de alongamento e pressão, além de acompanhamento semanal por telefone utilizaram um diário para registrar a prática. | O estudo não demonstrou significativamente diferenças entre os grupos quanto às taxas de episiotomia, períneo intacto ou lacerações espontâneas. No entanto houve apenas uma tendência de menor ocorrência de lacerações de primeiro grau e maior de segundo grau no grupo de intervenção. |
| Labrecque et al., (1999) | Ensaio clínico randomizado e controlado | Avaliar a eficácia da massagem perineal durante a gravidez para a prevenção de trauma perineal no parto | As gestantes do grupo de intervenção foram orientadas pela enfermeira a realizar a massagem perineal a partir da 34ª -35ª semanas de idade gestacional por aproximadamente 10 minutos diariamente introduzindo um ou dois dedos com profundidade de 3-4 cm na vagina com uso de óleo de amêndoas doces com pressão de dois minutos para baixo e em cada lado vaginal. As participantes utilizaram um diário para acompanhamento da prática. | A proporção das mulheres que mantiveram o períneo íntegro e realizaram a massagem perineal foi maior do que no grupo de controle. Embora a prática da massagem perineal tenha reduzido o número de episiotomias essa diferença não foi estatisticamente significativa e não demonstrou um efeito na prevenção de lacerações graves. |
Esta revisão inclui dados de 2082 gestantes com a média de idade de 27,251 anos representado no gráfico 1. As participantes de todos os estudos foram orientadas a realizar a massagem perineal a partir da 34° semanas de gestação e fizeram aproximadamente 22-23 sessões.
Gráfico 1. Média de idade das gestantes incluídas nesta revisão.

4 DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão de literatura indica que a realização da massagem perineal digital durante o período pré-natal esteve relacionada a uma maior preservação da integridade do períneo, assim como a uma diminuição na incidência de episiotomia e de lacerações de primeiro grau. Contudo, essas diferenças não foram estatisticamente significativas, e as lacerações graves ocorreram de maneira pouco frequente. Apesar da ausência de significância estatística, observa-se uma tendência de benefício da intervenção, sugerindo seu potencial como estratégia complementar para a preparação perineal no parto vaginal.
Labrecque et al. (1999) demonstraram que a massagem perineal foi eficaz em aumentar a chance de parto com períneo íntegro entre primíparas, embora não tenha mostrado benefícios para mulheres com parto vaginal anterior (multíparas). Esses achados sugerem que a prática pode ser especialmente útil em mulheres no primeiro parto vaginal, grupo mais vulnerável a lacerações e trauma perineal. Em contraste, o estudo prospectivo controlado de Mei-Dan et al. (2008), conduzido em Israel, não encontrou diferenças significativas entre os grupos de intervenção e controle, indicando que a técnica pode não ser universalmente protetora. Essa divergência pode ser atribuída a variações no tamanho amostral, adesão à intervenção e políticas locais de episiotomia. Resultados semelhantes foram observados no contexto brasileiro por Monguilhott et al. (2022) que avaliaram a viabilidade e aceitação da prática em gestantes e acompanhantes. Apesar de não terem encontrado diferença significativa na ocorrência de trauma perineal, relataram benefícios indiretos, como menor risco de edema no pós-parto imediato e menor incidência de incontinência de gases até 45 dias após o parto. Além disso, a alta adesão e aceitação relatadas indicam que a técnica é bem recebida pelas gestantes, configurando-se como uma intervenção de fácil incorporação no pré-natal.
O momento ideal de começar a prática da massagem perineal foi a partir da 34° de gravidez nos estudo incluídos nesta revisão assim como nos estudos de Abdelhakim et al. (2020), Ali (2015), Dönmez e Kavlak (2015), Dieb et al. (2019) e Beckmann e Stock (2013), porém não foi mencionado contraindicações para o início a partir da 28ª semana ou seja, no início do terceiro trimestre.
Ugwu et al. (2018) verificaram que a massagem reduziu significativamente a incidência de episiotomia e aumentou as taxas de períneo íntegro, além de diminuir o risco de incontinência de flatos no puerpério. Esse efeito reforça a hipótese de que o alongamento e a maior vascularização dos tecidos promovidos pela técnica contribuem para melhor adaptação perineal durante o parto. Resultados semelhantes foram observados em uma revisão sistemática e meta-análise recente, que reuniu 11 ensaios clínicos randomizados com mais de 3.400 gestantes e demonstrou que a massagem perineal antenatal esteve associada à redução significativa das taxas de episiotomia e de lacerações perineais de maior gravidade, além de menor dor e disfunção perineal no pós-parto (Abdelhakim et al., 2020) Esses achados reforçam que o estímulo mecânico local, associado à maior vascularização e elasticidade tecidual, favorece a distensão fisiológica do períneo durante o período expulsivo (de Freitas et al., 2019).
Estudos mais recentes também têm explorado diferentes momentos de aplicação e seus efeitos específicos. Uma meta-análise publicada em 2024 por Yin et al., comparou a massagem perineal realizada no período antenatal e durante o segundo estágio do trabalho de parto, concluindo que a massagem durante o parto reduziu significativamente a dor perineal imediata, enquanto a massagem antenatal apresentou benefícios mais duradouros, como menor incidência de incontinência de fezes e flatos no puerpério. De forma semelhante, um ensaio clínico randomizado publicado em 2025 demonstrou que a massagem perineal realizada durante o segundo estágio do parto em mulheres nulíparas reduziu de forma significativa o trauma perineal global e a dor, ainda que sem diferença estatisticamente significativa nas taxas de episiotomia, confirmando que o momento da intervenção pode influenciar seus efeitos. Além disso, este estudo que teve como foco principal a incontinência anal, observou que a massagem perineal antenatal reduziu a gravidade dos sintomas e a ocorrência de incontinência fecal no pós-parto, ainda que sem diferença significativa na incidência total de incontinência anal. Esses achados ampliam a compreensão dos benefícios funcionais da técnica, que não se limitam à integridade tecidual, mas também incluem melhora na função do assoalho pélvico e no conforto materno.
De forma semelhante, Mohamed e Elngger (2011), em estudo quase-experimental no Egito, observaram menor ocorrência de lacerações e maior preservação do períneo no grupo que realizou massagem, reforçando seu papel protetor.
Em síntese, os resultados sugerem que a massagem perineal pode reduzir a ocorrência de episiotomia, lacerações graves e complicações funcionais no pós-parto, principalmente em nulíparas. Contudo, a efetividade ainda é inconsistente entre diferentes populações, e alguns ensaios não mostraram efeito protetor significativo (Beckmann e Stock (2013). Essas diferenças podem estar relacionadas à adesão, à técnica empregada, ao momento de início da prática e ao contexto obstétrico, especialmente no que diz respeito à política de episiotomia.
Dessa forma, recomenda-se cautela na generalização dos resultados, mas os benefícios potenciais e a ausência de efeitos adversos relevantes reforçam a relevância da massagem perineal como medida preventiva. Novos ensaios clínicos randomizados, com maior padronização metodológica e diversidade populacional, são necessários para consolidar as evidências e orientar recomendações clínicas universais.
5 CONCLUSÃO
A massagem perineal pré-natal demonstrou-se como uma estratégia promissora na prevenção do trauma perineal durante o parto vaginal., seja por lacerações espontâneas ou por incidência de episiotomia, principalmente em nulíparas, que representam o grupo com maior risco de lacerações. A análise dos estudos, evidenciaram possível melhora da função do assoalho pélvico no pós-parto e menor ocorrência de desconfortos como dispareunia, edema, incontinência urinária e fecal, contribuindo para a qualidade da recuperação materna.
No entanto, apesar da tendência positiva, os resultados dos estudos incluídos nesta revisão ainda demonstram variabilidade, muitas vezes sem significância estatística, o que pode ser explicado por diferenças metodológicas, adesão à técnica, frequência de aplicação e particularidades dos serviços obstétricos. Tais achados reforçam a necessidade de estudos adicionais com maior padronização e rigor metodológico, abrangendo amostras diversificadas e cenários assistenciais distintos.
Sendo assim, a massagem perineal pré-natal é uma estratégia mais acessível, de baixo custo, bem aceita pelas gestantes e demonstra-se como uma alternativa importante na assistência pré-natal, favorecendo uma experiência de parto mais fisiológica, confortável e com menor risco de traumas perineais. Dessa forma, sua inclusão nas orientações do pré-natal pode agregar benefícios à saúde materna, desde que utilizada de maneira adequada, por profissionais capacitados e com respaldo nas melhores evidências científicas disponíveis.
REFERÊNCIAS
AASHEIM V.; NILSEN ABV.; REINAR LM.; LUKASSE, M. Perineal techniques during the second stage of labour for reducing perineal trauma. Cochrane Database Syst Rev., v. 6, n. 6, p. (CD006672), junho de 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28608597/. Acesso em: 11 mai. 2025.
ABDELHAKIM, A. M.; ELNGGER, N. S.; OTHMAN, A. M.; et al. Antenatal perineal massage benefits in reducing perineal trauma and postpartum morbidities: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. European Journal of Midwifery, v. 4, p. 1–9, 2020. Disponível em: https://www.europeanjournalofmidwifery.eu/Patient-awarenessknowledge-and-acceptability-of-antenatal-perineal-massage-Asingle%2C194962%2C0%2C2.html . Acesso em: 17 out. 2025.
ALI, M. A. Effect of perineal massage on the incidence of episiotomy and perineal laceration in a nurse-midwifery service. Journal of Nurse-Midwifery, v. 31, n. 3, p. 128–134, 1986. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3704513/ . Acesso em: 17 out. 2025.
AQUINO, C. I.; GUIDA. M., SACCONE G.; CRUZ, Y.; VITAGLIANO. A; ZULLO, F. & BERGHELLA. Perineal massagem durante o trabalho de parto: revisão sistemática e metaanálise de ensaios controlados randomizados. J Matern Fetal Neonatal Med., v. 33, n. 6, p. 1051-1063, março de 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30107756/. Acesso em: 11 mai. 2025.
AVILÉS SÁEZ, Z.; LÓPEZ MARTÍNEZ, E. M.; DRIÉGUEZ CASTAÑO, C.; & CONESA FERRER, M. B. Estudio comparativo de la recuperación postparto en base a los Patrones de Marjory Gordon. Enfermería Global, v. 8, n. 1, p. 183–214, junho de 2019. Disponível em: https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1695- 61412019000100006 . Acesso em: 11 mai. 2025.
BECKMANN, M. M.; STOCK, O. M. Antenatal perineal massage for reducing perineal trauma. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 2013, n. 4, p. CD005123, 2013. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD005123.pub3/full . Acesso em: 17 out. 2025.
BELIHU, F. B.; SMALL, R.; & DAVEY, M.-A. Episiotomy and severe perineal trauma among Eastern African immigrant women giving birth in public maternity care: A population based study in Victoria, Australia. Women and Birth: Journal of the Australian College of Midwives, v. 30, n. 4, p. 282–290, agosto de 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27889259/. Acesso em: 11 mai. 2025.
BULCHANDANI, S.; WATTS, E.; SUCHARITHA, A.; YATES, D.; & ISMAIL, K. M. Manual perineal support at the time of childbirth: A systematic review and meta-analysis. BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology, v. 122, n. 9, p. 1157– 1165, agosto de 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25976557/ . Acesso em: 11 mai. 2025.
DA SILVA, F. M.; DE OLIVEIRA, S. M.; BICK, D.; OSAVA, R. H.; TUESTA, E. F.; RIESCO, M. L. Risk factors for birth-related perineal trauma: a cross-sectional study in a birth centre. J Clin Nurs, v. 2, n. 15-16, p. 2209-18, agosto de 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22646921/ https://www.redalyc.org/journal/3070/307070269050/307070269050.pdf?utm_source=chatgp t.com. Acesso em: 11 mai. 2025.
DE FREITAS, S. S. et al. Effects of perineal preparation techniques on tissue extensibility and muscle strength: a pilot study. International Urogynecology Journal, v. 30, n. 6, p. 951-957, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30343376/. Acesso em: 24 out. 2025
DIEB, A. S.; SHOAB, A. Y.; NABIL, H.; et al. Perineal massage and training reduce perineal trauma in pregnant women older than 35 years: a randomized controlled trial. International Urogynecology Journal, v. 31, p. 613–619, 2020. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00192-019-03937-6 . Acesso em: 17 out. 2025.
DÖNMEZ, S.; KAVLAK, O. Effects of prenatal perineal massage and Kegel exercises on the integrity of postnatal perineum. Health, v. 7, n. 4, p. 495–505, 2015. Disponível em: https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=55995 . Acesso em: 17 out. 2025.
JIANG, H.; QIAN, X.; CARROLI, G.; & GARNER, P. Uso seletivo versus rotineiro de episiotomia para parto vaginal. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 2, n. 2, p. (CD0000810), fevereiro de 2017.
LABRECQUE, M.; EASON, E.; MARCOUX, S.; LEMIEUX, F.; PINAULT, J.-J.; FELDMAN, P.; LAPERRIÈRE, L. Randomized controlled trial of prevention of perineal trauma by perineal massage during pregnancy. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 180, n. 3, p. 593–600, maço de 1999. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0002937899702607. Acesso em: 17 out. 2025.
LIMA, E.G.S.; PISCO, D.D.; DE OLIVEIREA, C.; BATISTA, P.A.; FRANCISCO, R. P. V. & TANAKA, C. Intervenções fisioterapêuticas para os músculos do assoalho pélvico no preparo para o parto: revisão da literatura e proposta de manual de orientação. Fisioter Bras, v. 22, n. 2, p. 216-232, 2021.
MEI-DAN, E.; WALFISCH, A.; RAZ, I.; LEVY, A.; HALLAK, M. Perineal massage during pregnancy: a prospective controlled trial. Israel Medical Association Journal, v. 10, n. 7, p. 499–502, julho de 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18751626/. Acesso em: 17 out. 2025.
MOHAMED, H. A. A.; ELNGGER, N. S. Effect of regular perineal massage during last month of pregnancy on perineal outcomes. Zagazig Nursing Journal, v. 7, n. 1, p. 33–50, 2011. Disponível em: https://journals.ekb.eg/article_38600.html. Acesso em: 17 out. 2025.
MONGUILHOTT, J. J.; BRÜGGEMANN, O. M.; VELHO, M. B.; KNOBEL, R.; COSTA, R.; Massagem perineal pré-natal para prevenção do trauma: piloto de ensaio clínico randomizado. Acta Paul Enferm, v. 35, p. (eAPE0381345), maio de 2022. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/3070/307070269050/307070269050.pdf?utm_source=chatgp t.com . Acesso em: 17 out. 2025
SCHREINER, L.; CRIVELATTI, I.; DE OLIVEIRA, J. M.; NYGAARD, C. C.; DOS SANTOS, T. G. Revisão sistemática das intervenções do assoalho pélvico durante a gravidez. Int J Gynaecol Obstet, v. 143, n. 1, p. 10–8, outubro de 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29705985/. Acesso em: 11 mai. 2025.
SEIJMONSBERGEN-SCHERMERS, A. E.; GEERTS, C. C.; PRINS, M.; VAN DIEM, M. T.; KLOMP, T.; LAGRO-JANSSEN, A. L.; DE JONGE, A. The use of episiotomy in a low-risk population in the Netherlands: a secondary analysis. Birth, v. 40, n. 4, p. 247- 55, dezembro de 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24344705/. Acesso em 11 mai. 2025. SMITH, L. A.; PRICE, N.; SIMONITE, V.; BURNS, E. E. Incidence of and risk factors for perineal trauma: a prospective observational study. BMC Pregnancy Childbirth, v. 13, n. 59, março de 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23497085/. Acesso em: 11 mai. 2025.
TEIXEIRA, D. M. de J.; MARQUES, V. E. S.; ANDRADE, D. S.; SANTOS, F. C.; PAULO, L. R. Perineal massage as a physical therapeutic resource for the prevention of laceration in vaginal birth: literature review. Research, Society and Development, v. 11, n. 90, p. (e309119317910), 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/31791. Acesso em: 11 mai. 2025.
UGWU, E. O.; IFERIKIGWE, E. S.; OBI, S. N.; ELEJE, G. U.; OZUMBA, B. C. Effectiveness of antenatal perineal massage in reducing perineal trauma and post-partum morbidities: A randomized controlled trial. J Obstet Gynaecol Res, v. 44, n. 7, p. 1252-1258, julho de 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29607580/. Acesso em: 17 out. 2025.
WEBB, S.; SHERBURN, M.; ISMAIL, K. M. Gerenciando trauma perineal após o parto. BMJ, v. 349, n. (g6829), novembro de 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25425212/. Acesso em: 11 mai. 2025.
YIN, J.; CHEN, Y.; HUANG, M.; CAO, Z.; JIANG, Z.; LI, Y. Effects of perineal massage at different stages on perineal and postpartum pelvic floor function in primiparous women: a systematic review and meta-analysis. BMC Pregnancy and Childbirth, v. 24, n. 405, junho de 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12884-024-06586-w. Acesso em: 17 out. 2025.
1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
