EFFICACY OF BIOFEEDBACK IN THE TREATMENT OF URINARY INCONTI-NENCE IN POSTMENOPAUSAL WOMEN: A REVIEW OF RANDOMIZED CLINICAL TRIALS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511131002
Cauã Barbosa da Silva1
Débora Rodrigues Libório1
Maria do Carmo Gonçalo Rubem1
Phellipe Magalhães Ulguim1
Thaiana Bezerra Duarte2
Resumo
Introdução: A incontinência urinária de esforço (IUE) é uma condição prevalente em mulheres na pós-menopausa, decorrente da redução hormonal e do enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, o que compromete a qualidade de vida. O biofeedback (BF) tem sido utilizado como recurso fisioterapêutico para otimizar o aprendizado motor, melhorar a consciência corporal e promover maior controle da musculatura pélvica. Objetivo: Avaliar a eficácia do biofeedback no tratamento da incontinência urinária de esforço em mulheres na pós-menopausa, analisando seus efeitos sobre a força muscular e a qualidade de vida. Materiais e método: Trata-se de uma revisão de ensaios clínicos randomizados, realizada nas bases PubMed, PEDro, PubMed Central, BIREME, SciELO, CAPES e Cochrane, abrangendo publicações entre 2010 e 2025. Foram incluídos estudos em português e inglês que abordaram o uso do biofeedback como intervenção fisioterapêutica em mulheres menopausadas com IUE. Resultados: A literatura evidencia que o biofeedback associado ao treinamento dos músculos do assoalho pélvico potencializa o aprendizado motor, reduz os episódios de perda urinária e aumenta a adesão ao tratamento. O uso do estriol intravaginal também demonstrou resultados positivos, melhorando a resposta ao exercício e a integridade tecidual. Conclusão: O biofeedback, aliado ao treinamento muscular do assoalho pélvico e ao estriol intravaginal, constitui uma abordagem eficaz, segura e acessível para o tratamento conservador da IUE em mulheres na pós-menopausa.
Palavras-chave: Incontinência urinária. Biofeedback. Menopausa.
Abstract
Background: Stress urinary incontinence (SUI) is a prevalent condition in postmenopausal women, resulting from hormonal reduction and weakening of the pelvic floor muscles, which compromises quality of life. Biofeedback (BF) has been used as a physiotherapeutic resource to optimize motor learning, improve body awareness, and promote greater control of the pelvic musculature. Pourpose: To evaluate the effectiveness of biofeedback in the treatment of stress urinary incontinence in postmenopausal women, analyzing its effects on muscle strength and quality of life. Methods: This is a review of randomized clinical trials, conducted in the PubMed, PEDro, PubMed Central, BIREME, SciELO, CAPES, and Cochrane databases, encompassing publications between 2010 and 2025. Studies in Portuguese and English that addressed the use of biofeedback as a physiotherapeutic intervention in menopausal women with SUI were included. Results: The literature shows that biofeedback combined with pelvic floor muscle training enhances motor learning, reduces urinary incontinence episodes, and increases treatment adherence. The use of intravaginal estriol also demonstrated positive results, improving exercise response and tissue integrity. Conclusion: Biofeedback, combined with pelvic floor muscle training and intravaginal estriol, constitutes an effective, safe, and accessible approach for the conservative treatment of stress urinary incontinence in postmenopausal women.
Keywords: Urinary incontinence. Biofeedback. Menopause.
INTRODUÇÃO
A menopausa é amplamente reconhecida como uma etapa de transição na vida da mulher, caracterizada pela cessação dos ciclos menstruais, resultado da diminuição na produção hormonal pelos ovários, o que leva à perda da capacidade de conceber (Souza et al., 2015). A última menstruação é considerada um marco para essa alteração. Este período marca um importante ponto biológico na trajetória feminina. Durante a menopausa, a função reprodutiva diminui e condições de saúde relacionadas, como a incontinência urinária de esforço (IUE), que se manifesta como perda involuntária de urina, tornam-se mais evidentes.
A incontinência urinária (IU) é dividida em três categorias principais: a IUE, que envolve a perda involuntária durante atividades físicas; a incontinência urinária de urgência (IUU), caracterizada pela necessidade súbita e intensa de urinar; e a incontinência urinária mista (IUM), que combina características tanto da IUE quanto da IUU (Melo et al., 2012). Independentemente do tipo, as mulheres na menopausa frequentemente não relatam IU por considerála uma consequência natural do envelhecimento e por sentirem vergonha (Elenskaia et al., 2011). Isso leva muitos indivíduos afetados a negarem ou esconderem o problema, resultando em limitações físicas e psicossociais que comprometem sua qualidade de vida. As consequências incluem perda de autoconfiança e isolamento social, assim como efeitos adversos como depressão, ansiedade, deterioração da vida sexual e redução da atividade física (Farage et al., 2008).
Para um diagnóstico preciso, é vital realizar uma avaliação abrangente que inclua histórico clínico, exame físico e, em alguns casos, testes específicos como pad-test ou estudos urodinâmicos. O tratamento pode variar desde abordagens conservadoras—como fisioterapia focada no fortalecimento do assoalho pélvico — até intervenções farmacológicas ou cirúrgicas conforme a gravidade dos sintomas e a resposta inicial do paciente às primeiras medidas adotadas (Wei et al., 2022). Devido aos altos custos associados e à prevalência dessa condição, o tratamento conservador para incontinência tem se tornado mais comum devido ao seus menores efeitos colaterais e custo reduzido.
Em 2005, a Sociedade Internacional de Continência – International Continence Society (ICS) reconheceu a fisioterapia como o tratamento prioritário para IU por meio de métodos eficazes e menos invasivos como o biofeedback (BF) (Souza et al., 2015). O Biofeedback é uma técnica terapêutica que fornece feedback em tempo real sobre o estado muscular envolvido no tratamento. Ao monitorar a tensão do assoalho pélvico (MAP), as pacientes podem acompanhar continuamente suas contrações musculares, aumentando assim sua motivação e adesão ao tratamento além dos benefícios psicoterapêuticos associados (Hagen et al., 2020). O BF auxilia na reeducação muscular através das orientações verbais do fisioterapeuta e é utilizado no início do tratamento para otimizar os resultados terapêuticos (Alves et al., 2020). Este estudo propõe contribuir para a saúde e bem-estar das mulheres menopausadas com incontinência urinária, ao oferecer uma alternativa terapêutica que respeite suas necessidades individuais promovendo autonomia. O objetivo deste trabalho é avaliar a eficácia do biofeedback no tratamento de mulheres menopausadas com incontinência urinária. Especificamente busca-se analisar os efeitos desta intervenção na diminuição dos sintomas bem como verificar seu impacto na qualidade de vida das pacientes.
2 MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de uma revisão de ensaios clínicos randomizados, cuja obtenção de dados ocorreu através das bases de dados PubMed, PEDro, PubMed Central, BIREME, SciELO, CAPES e Cochrane no período de setembro de 2025. Foram utilizadas palavras chaves em português e inglês, combinados com o operador booleano AND para realizar a busca dos estudos sendo: incontinência urinária (urinary incontinence), biofeedback (biofeedback), menopausa (menopause).
Os critérios de inclusão para escolha dos artigos foram: Publicados nos últimos 15 anos (período de 2010-2025) no idioma inglês e português, estudos randomizados realizados com mulheres menopausadas portadoras de incontinência urinária de esforço que realizaram tratamento fisioterapêutico com biofeedback, tendo como objetivo melhorar a consciência corporal e, fortalecer os músculos do assoalho pélvico, como intervenção para incontinência urinária de esforço. Os critérios de exclusão foram: estudos duplicados, estudos que não estão disponíveis na íntegra, e que associam a prolapso de órgãos pélvicos. Os resultados foram compilados em forma de tabela.
3 RESULTADOS
No primeiro momento, foram realizadas buscas nas bases de dados, resultando em um total de 636 artigos identificados. Em seguida, procedeu-se à eliminação dos artigos duplicados, à leitura e análise dos títulos e resumos, bem como à aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Após essas etapas, foram selecionados 3 estudos que compuseram a amostra final desta pesquisa, conforme ilustrado na Figura 1.
Figura 1. Fluxograma do estudo

A tabela 1 reúne informações de diferentes estudos que investigaram a eficácia do biofeedback no tratamento da incontinência urinária de esforço em mulheres na pós menopausa. Estão descritos o autor e ano de publicação, o tipo de estudo realizado, os objetivos das pesquisas, os instrumentos utilizados para coleta de dados, os procedimentos de intervenção empregados e os resultados de cada estudo.
Tabela 1 – Estudos selecionados para esta revisão.
| AUTOR/ANO | TIPO DE ES-TUDO | OBJETIVO | METODOLOGIA | RESULTADOS |
| Bertotto et al.(2017) | Ensaio Clínico Randomizado Controlado. | Comparar a eficácia dos exercícios para os músculos do assoalho pélvico (EMAP) realizados de forma isolada versus EMAP associados ao biofeedback eletromiográfico (BF) para o aumento da força muscular, melhora da atividade mioelétrica e da pré-contração, e impacto na qualidade de vida em mulheres na pós-menopausa com incontinência urinária de esforço. | O estudo randomizou 49 mulheres na pós-menopausa com queixa de incontinência urinária de esforço, com 45 completando o protocolo. As participantes foram alocadas em três grupos: Grupo Controle (n=14),Grupo EMAP(n=15) e Grupo EMAP + BF(n=16). O protocolo de tratamento para os grupos de intervenção consistiu em oito sessões individuais de 20 minutos, realizadas duas vezes por semana. As variáveis avaliadas incluíram força muscular por palpação digital (Escala de Oxford Modificada), atividade eletromiográfica do assoalho pélvico e qualidade de vida através do questionário ICIQ-SF. | Ambos os grupos de tratamento (EMAP e EMAP+ BF) apresentaram aumentos significativos na força muscular, na pré-contração durante a tosse, na contração voluntária máxima, na duração da contração de resistência e nos escores do ICIQ-SF (qualidade de vida) (P<0,0001) .O grupo EMAP + BF demonstrou uma melhora significativamente superior na força muscular, na pré-contração, na contração voluntária máxima e na duração da contração de resistência quando comparado ao grupo que realizou apenas EMAP (P<0,05). Apesar de ambos os grupos de tratamento terem melhorado a qualidade de vida, não houve diferença estatisticamente significativa neste quesito entre o grupo EMAP e o grupo EMAP + BF. |
| Castellani et al. (2015) | Ensaio Clínico Randomizado | Investigar os efeitos da combinação da reabilitação do assoalho pélvico com o uso de estriol intravaginal (IE) no tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE) em mulheres na pós-menopausa. | Foram randomizadas 62 mulheres com IUE, divididas em 2 grupos por 6 meses. Grupo 1: realizou treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP), estimulação elétrica (EE) e biofeedback. Grupo 2: realizou o mesmo tratamento do Grupo 1, associado ao uso de 1 mg de estriol intravaginal. As avaliações incluíram teste do absorvente de 24 horas (pad test) e questionários de sintomas (ICIQUI) e qualidade de vida (IIQ-7). | A perda de urina no teste do absorvente de 24 horas reduziu mais no Grupo 2 (de 48,3 g para 22,3 g) do que no Grupo 1 (de 42,3 g para 31,5 g). Os escores de sintomas de incontinência (ICIQ-UI) e o impacto na qualidade de vida (IIQ-7) foram estatisticamente melhores no Grupo 2, que utilizou o estriol intravaginal, em comparação ao Grupo 1 (p<0,05). A conclusão do estudo é que o estriol intravaginal adicionado à reabilitação do assoalho pélvico é uma terapia de primeira linha segura e eficaz para mulheres na pós-menopausa com IUE. |
| Aksac et al. (2003) | Ensaio clínico randomizado controlado | Avaliar a eficácia dos exercícios do assoalho pélvico (PFM) ensinados via palpação digital ou biofeedback no tratamento da incontinência urinária de esforço e comparar os resultados entre os métodos. | O estudo randomizou 50 mulheres na pós-menopausa com IUE confirmada urodinamicamente, todas em terapia de reposição hormonal. As participantes foram alocadas em tês grupos: Grupo Pal-pação Digital(n=20), Grupo Biofeedback (n=20) e Grupo Controle (n=10). O protocolo de tratamento durou 8 semanas. Avaliações pré e pós-tratamento incluíram teste do absorvente (pad test), perineometria, força muscular via palpação digital, frequência da incontinência e índice de atividade social (SAI) pela escala visual analógica | Ambos os grupos de intervenção (palpação digital e biofeedback) apresentaram melhora significativa em todos os parâmetros em relação ao grupo controle (p < 0,001). O grupo biofeedback mostrou aumento maior na força do assoalho pélvico comparado ao grupo palpação digital (p <0,001). Taxa de cura: 75% no grupo palpação digital e 80% no grupo biofeedback; melhoria parcial em 25% e 20%, respectivamente. Nenhuma melhora significativa no grupo controle. |
4 DISCUSSÃO
A incontinência urinária de esforço (IUE) é uma condição que afeta a população feminina de forma significativa, diminuindo a qualidade de vida de mulheres, principalmente na pós-menopausa. Há indícios de que a reabilitação do assoalho pélvico seja o tratamento prioritário, apresentando redução dos episódios de perda urinária e aumento da função muscular (Hagen et al., 2020). Revisões sistemáticas recentes corroboram a eficácia do Treinamento Muscular do Assoalho Pélvico (TMAP) tanto como intervenção isolada quanto em combinação com outras modalidades terapêuticas, embora haja necessidade de estudos específicos em mulheres na pós-menopausa, nas quais as alterações hormonais podem influenciar a resposta ao tratamento (Marcellou et al., 2024). Pesquisas que tratam apenas de mulheres na pós-menopausa também chegam à mesma conclusão: um estudo que combinou 15 ensaios experimentais encontrou melhora na função dos músculos do assoalho pélvico em 93% dos casos após programas de treinamento dos músculos do assoalho pélvico nessa população, independentemente do modo de intervenção (Piernicka; Labun e Szumilewicz, 2025).
O papel do biofeedback (BF), especialmente o eletromiográfico (EMG-BF), tem sido muito significativo na otimização dos resultados da reabilitação. Esse método fornece feedback visual e auditivo da contração muscular, permitindo que o paciente aprenda a ativar os músculos do assoalho pélvico corretamente, condição essencial para o sucesso terapêutico. O estudo de Aksac et al., (2003) revelou que a combinação de BF e exercícios pélvicos associados à micção (MAPX) resultou em maior força perineal e melhor controle muscular voluntário. De forma semelhante, Bertotto et al. (2017) constataram que o uso do biofeedback eletrofisiológico como complemento ao TMAP levou a melhorias significativas na força muscular, na atividade eletromiográfica e na pré-contração reflexa do assoalho pélvico durante a tosse, além de um efeito positivo na qualidade de vida de mulheres na pós-menopausa.
Esses achados são corroborados por revisões sistemáticas que demonstram os benefícios do uso do biofeedback em protocolos de fisioterapia, especialmente em pacientes com dificuldade em realizar as contrações corretamente (Fitiz et al., 2012). Contudo, revisões de escopo mais amplo, como a de Hagen et al. (2020), sugerem que, embora o biofeedback melhore o aprendizado motor, o efeito adicional do biofeedback na cura completa da incontinência pode variar, sendo mais significativo em subgrupos específicos. Portanto, o uso do biofeedback é recomendado como uma ferramenta para otimização e adesão ao tratamento, e não como um substituto para o treinamento convencional.
De acordo com a literatura, a adesão ao tratamento com biofeedback é considerada um fator chave para o sucesso terapêutico, uma vez que o recurso fornece feedback visual e auditivo imediato, facilitando o reconhecimento da contração correta e promovendo a consciência corporal (Berghmans et al., 2019). Esse feedback motor aumenta o engajamento dos pacientes e contribui para uma execução mais precisa dos exercícios, o que leva a ganhos funcionais mais duradouros (Dumolin et al., 2018). Além disso, estudos destacam que o monitoramento objetivo do desempenho aumenta a motivação, reduz as taxas de abandono e fortalece a adesão ao tratamento, tornando o biofeedback uma ferramenta de apoio indispensável na reabilitação do assoalho pélvico (Hagen et al., 2020).
O biofeedback também desempenha um papel crucial no ganho de força e na reeducação dos músculos do assoalho pélvico, pois melhora a integração do controle neuromuscular e o recrutamento de unidades motoras, favorecendo, assim, tanto a força quanto a resistência (Dumolin et al., 2018). Por meio de estímulos visuais e auditivos, a paciente começa a identificar a contração correta com mais precisão, aumentando a consciência corporal e corrigindo hábitos motores incorretos, frequentemente observados em mulheres com incontinência urinária (Berghmans et al., 2019). Esses resultados enfatizam a importância do biofeedback como meio de otimizar a aprendizagem motora e o suporte à adesão ao tratamento, consolidando-o como um recurso complementar e eficaz dentro dos protocolos fisioterapêuticos convencionais (Hagen et al., 2020).
Outro destaque na reabilitação do assoalho pélvico em mulheres na pós-menopausa é o papel do estriol intravaginal (EI) como adjuvante terapêutico. O hipoestrogenismo característico desse período leva à atrofia urogenital, diminuição da vascularização e do tônus uretral, bem como a alterações no tecido conjuntivo, o que pode reduzir a resposta aos exercícios fisioterapêuticos (Castellani et al., 2015). Nesse sentido, o uso de estriol em baixa dose surge como uma estratégia complementar capaz de restaurar a integridade epitelial, modular o pH vaginal e favorecer a função uretral, criando assim um ambiente mais receptivo à terapia muscular (Dannecker et al., 2005). Pesquisas modernas também corroboram essa ideia. Um exemplo é que a administração de creme vaginal de estriol por 12 semanas demonstrou aliviar significativamente os sintomas de incontinência urinária e promover um ambiente vaginal mais saudável em mulheres pós-menopáusicas (TE WEST et al., 2023). Além disso, meta-análises mostram que o estrogênio intravaginal pode reverter a atrofia vaginal e a vaginite em mulheres na pósmenopausa, resultando em um epitélio e microbioma local mais saudáveis (Ali et al. , 2024). A combinação de intervenções fisioterapêuticas — treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP), estimulação elétrica e biofeedback — com estriol tem demonstrado efeitos superiores à reabilitação isolada, com melhores escores funcionais de continência e redução dos sintomas urinários (Castellani et al., 2015). Além disso, revisões sistemáticas mais abrangentes confirmam que a terapia local com estrogênio melhora o epitélio vaginal e a função uretral, facilitando assim a fisioterapia pélvica e a manutenção dos resultados a longo prazo (Weber et al. 2015; Taithongchai et al., 2023).
De acordo com as evidências analisadas, o manejo fisioterapêutico da incontinência urinária de esforço deve priorizar uma abordagem integrada, combinando o treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) com o uso de biofeedback como ferramenta de apoio à aprendizagem motora e à consciência corporal. Essa combinação potencializa o recrutamento muscular e melhora o controle funcional, resultando, portanto, em maior adesão e eficácia terapêutica. Além disso, o estriol intravaginal pode ser indicado como tratamento complementar em mulheres na pós-menopausa, promovendo a integridade tecidual e a resposta ao exercício. Assim, é recomendável que o fisioterapeuta adote uma conduta baseada em evidências, avaliando minuciosamente cada paciente e integrando recursos tecnológicos, estratégias educativas e intervenções hormonais locais para otimizar os resultados clínicos e a qualidade de vida (Hagen et al., 2020; Berghmans et al., 2019; Caruso et al., 2020).
Assim, a literatura concorda com a adoção de uma abordagem multimodal para o tratamento da incontinência urinária (IU), especialmente em mulheres na pós-menopausa. O treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP), otimizado por biofeedback e complementado por modulação hormonal local, como o estriol intravaginal, é a estratégia mais completa e eficaz para restaurar a função do assoalho pélvico e melhorar a qualidade de vida. No entanto, os autores ainda enfatizam a necessidade de ensaios clínicos randomizados, padronizados e multicêntricos que investiguem a extensão dos efeitos combinados e identifiquem quais subgrupos de pacientes se beneficiam mais dessa estratégia, apesar dos resultados promissores (Hagen et al., 2020; Fitiz et al., 2012).
5 CONCLUSÃO
O biofeedback, associado ao treinamento muscular do assoalho pélvico, é uma intervenção eficaz para a recuperação da musculatura perineal, aumento da consciência do corpo e adesão ao tratamento de incontinência urinária de esforço em pós-menopáusicas. Esta técnica melhora o potencial de aprendizagem motora, potencializa o controle muscular e propicia a redução direta do número de episódios de perda urinária. Percebeu-se ainda que o uso do estriol intravaginal maximiza os efeitos da fisioterapia, proporcionando melhor resposta ao exercício, crescimento gradual e regeneração da função uretral. Portanto, a conjugação de biofeedback, TMAP e estriol é uma opção complementar segura, acessível e eficaz no controle conservador dessa condição.
Desta forma, as abordagens devem ser prioritárias na prática clínica, para obter resultados eficazes e esmagadores para as pós-menopáusicas. Novas pesquisas devem continuar para estabelecer ensaios clínicos inovadores, sob metodologias rigorosas, para agregar evidências e orientar ações fisioterapêuticas futuras.
REFERÊNCIA
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1 Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2 Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
