EFFICACY OF PHOTOBIOMODULATION IN THE HEALING OF DIABETIC FOOT ULCERS: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511130902
Graciete da Silva Santos¹
Luiz Gonzaga da Silva Neto¹
Marciana Guedes Morais¹
Rita Karen Clementino Farias¹
Jéssica Farias Macedo²
Resumo
Introdução: o pé diabético configura-se como uma das complicações mais graves do diabetes mellitus, caracterizando-se pela formação de ulcerações crônicas que frequentemente evoluem com infecção, risco elevado de amputação e aumento da mortalidade. A cicatrização dessas lesões é comprometida por fatores como neuropatia periférica, doença arterial periférica e descontrole metabólico, representando um desafio significativo para a prática clínica e a saúde pública. Objetivo: Analisar criticamente as evidências científicas acerca da eficácia da fotobiomodulação (FBM) no processo de cicatrização de úlceras em pé diabético. Materiais e método: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados PubMed, SciELO, PEDro, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library, incluindo estudos publicados entre 2011 e 2025. Foram selecionados artigos originais realizados com seres humanos portadores de diabetes mellitus e úlceras de pé diabético tratados com FBM, conforme as diretrizes do PRISMA 2020. Resultados: Foram identificados 258 estudos, dos quais 8 atenderam aos critérios de inclusão. A maioria utilizou laser vermelho (632–685 nm), com doses entre 3 e 6 J/cm², aplicadas em aproximadamente 12 sessões. Observou-se evidência consistente de redução da área ulcerada, aceleração da cicatrização, alívio da dor e melhora da perfusão tecidual, sem relato de eventos adversos significativos, o que confirma a segurança da técnica. Conclusão: A fotobiomodulação apresenta-se como uma intervenção eficaz e segura no tratamento de úlceras de pé diabético, com potencial para reduzir complicações clínicas, custos em saúde e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
No entanto, a heterogeneidade metodológica dos estudos reforça a necessidade de ensaios clínicos randomizados mais robustos e protocolos padronizados para consolidar sua aplicação clínica.
Palavras-chave: Fotobiomodulação. Laserterapia de baixa intensidade. Terapia com diodos emissores de luz. Pé diabético. Úlcera do pé diabético.
Abstract
Introduction: Diabetic foot represents one of the most severe complications of diabetes mellitus, characterized by chronic ulcerations that often progress to infection, a high risk of amputation, and increased mortality. The healing process of these lesions is impaired by factors such as peripheral neuropathy, peripheral arterial disease, and metabolic imbalance, posing a significant challenge to clinical practice and public health. Objective: To critically analyze the scientific evidence regarding the effectiveness of photobiomodulation (PBM) in the healing process of diabetic foot ulcers. Materials and Methods: An integrative literature review was conducted in the PubMed, SciELO, PEDro, Virtual Health Library (VHL/BVS), and Cochrane Library databases, including studies published between 2011 and 2025. Original studies involving human participants diagnosed with diabetes mellitus and diabetic foot ulcers treated with PBM were selected, following the PRISMA 2020 guidelines. Results: A total of 258 studies were identified, of which 8 met the inclusion criteria. Most studies used red laser (632–685 nm) with doses ranging from 3 to 6 J/cm², applied in approximately 12 sessions. Consistent evidence was observed for ulcer area reduction, accelerated healing, pain relief, and improved tissue perfusion, with no reports of significant adverse events, confirming the safety of the technique. Conclusion: Photobiomodulation is an effective and safe intervention for the treatment of diabetic foot ulcers, with the potential to reduce clinical complications, lower healthcare costs, and improve patients’ quality of life. However, methodological heterogeneity among studies highlights the need for more robust randomized clinical trials and standardized protocols to consolidate its clinical application.
Keywords: Photobiomodulation. Low-level laser therapy. Light-emitting diode therapy. Diabetic foot. Diabetic foot ulcer.
1. INTRODUÇÃO
O pé diabético constitui uma das complicações mais graves do diabetes mellitus, caracterizando-se pelo desenvolvimento de ulcerações frequentemente associadas a infecções, risco de amputação e alta mortalidade. Estima-se que entre 15% e 25% dos indivíduos com diabetes desenvolvam úlcera em membros inferiores ao longo da vida (Armstrong; Boulton; Bus, 2017; Rubio; Jiménez; Martínez, 2020).
A prevalência global dessa condição é de aproximadamente 6,3%, com variações regionais que alcançam 13% na América do Norte e 3% na Oceania (Zhang et al., 2017). Trata-se de um problema de saúde pública de grande magnitude, associado ao aumento de hospitalizações, amputações e óbitos (Rezende et al., 2008).
No Brasil, o impacto sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) é significativo, pois os custos hospitalares com o pé diabético podem ser até sete vezes superiores ao valor reembolsado. Diante desse cenário, torna-se essencial o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que acelerem a cicatrização e reduzam complicações, considerando-se que 85% das amputações em pacientes com diabetes são precedidas por úlceras (Zhang et al., 2017).
A fotobiomodulação (FBM), também denominada laserterapia de baixa intensidade, surge como uma alternativa promissora. Essa técnica utiliza radiações ópticas de baixa potência (600–1000 nm) de forma não térmica e não destrutiva, estimulando processos celulares e teciduais (Karu, 2010). Seu mecanismo de ação envolve a absorção da luz pelo citocromo c oxidase na mitocôndria, promovendo aumento da produção de ATP, óxido nítrico e cálcio intracelular, o que ativa vias de sinalização responsáveis pelo metabolismo e reparo tecidual (Karu, 2010).
Diretrizes internacionais, como as do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF), reforçam a importância de terapias inovadoras associadas ao manejo multidisciplinar (Schaper et al., 2020). Embora existam avanços terapêuticos, a cicatrização das úlceras de pé diabético continua desafiadora devido à presença de neuropatia periférica, doença arterial e infecções recorrentes (Armstrong; Boulton; Bus, 2017).
Assim, a utilização da FBM como terapia adjuvante pode potencializar o reparo tecidual mesmo em tecidos cronicamente comprometidos (Karu, 2010). No contexto brasileiro, seu uso representa não apenas uma possibilidade de melhora clínica, mas também uma estratégia de redução de custos e sustentabilidade no SUS (Rezende et al., 2008).
Avaliar a eficácia da fotobiomodulação na cicatrização de úlceras de pé diabético é, portanto, essencial para consolidar evidências científicas e subsidiar sua incorporação em protocolos clínicos, fortalecendo a integração entre ciência, prática assistencial e políticas públicas de saúde (Salvi et al., 2017; Santos et al., 2018).
Diante desse cenário, a presente pesquisa tem como objetivo analisar a eficácia da fotobiomodulação na cicatrização de úlceras de pé diabético, considerando seus possíveis impactos na redução das complicações clínicas.
2. MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida com rigor metodológico, com o objetivo de identificar, analisar criticamente e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre o uso da FBM no tratamento de úlceras de pé diabético. A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, PEDro, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Cochrane Library, considerando publicações dos últimos quinze anos (2011–2025), disponíveis nos idiomas português, inglês e espanhol.
Para a estratégia de busca, foram empregados descritores controlados e não controlados, combinados por operadores booleanos AND e OR, tais como: “photobiomodulation”, “low-level laser therapy”, “light-emitting diode therapy”, “diabetic foot” e “diabetic foot ulcer”, bem como suas correspondentes em português e espanhol.
Foram incluídos na revisão apenas artigos originais, publicados em periódicos indexados, que envolveram pacientes humanos com diagnóstico de diabetes mellitus e presença de úlcera de pé diabético, submetidos à intervenção terapêutica com FBM, aplicada isoladamente ou como adjuvante ao tratamento convencional.
Além disso, os estudos deveriam descrever de forma clara os parâmetros de aplicação, incluindo comprimento de onda, energia ou dose, tempo de exposição, frequência e número de sessões, bem como apresentar desfechos clínicos relacionados ao processo de cicatrização, como: tempo de fechamento da ferida, redução da área ulcerada, formação de tecido de granulação, epitelização e prevenção de amputações.
Foram excluídos estudos experimentais em animais ou modelos in vitro, pesquisas que abordaram úlceras de outras etiologias (venosas, arteriais ou por pressão), artigos sem disponibilidade do texto completo, relatos de caso isolados, editoriais, cartas ao editor e opiniões de especialistas que não apresentassem dados clínicos robustos. Também não foram considerados trabalhos com amostras insuficientes ou que não descreveram os parâmetros de aplicação da FBM.
Os artigos selecionados foram organizados em um banco de dados elaborado para esta pesquisa, no qual foram registradas informações relativas a: autores, ano, país, objetivos, delineamento metodológico, amostra, parâmetros de aplicação da fotobiomodulação e principais resultados clínicos.
A análise foi conduzida de maneira crítica, permitindo a síntese dos achados, a comparação entre diferentes estudos e a identificação de lacunas no conhecimento, possibilitando recomendações relevantes tanto para a prática clínica quanto para o desenvolvimento de futuras pesquisas.
3. RESULTADOS
Foram identificados 258 artigos nas bases de dados PubMed/MEDLINE (88), Cochrane Library (85), SciELO (2), PEDro (36) e BVS (47). Após a exclusão de 2 duplicatas e 11 artigos indisponíveis em texto completo, restaram 245 estudos para a etapa de triagem. Destes, 210 foram excluídos na triagem, sendo 150 por não atenderem aos critérios de inclusão e 60 por abordarem úlceras de outras etiologias ou apresentarem escopo temático incompatível.
Assim, 35 artigos foram avaliados na íntegra, dos quais 27 foram excluídos na etapa de elegibilidade, sendo 10 por ausência de parâmetros de aplicação da fotobiomodulação, 16 por descrição incompleta dos resultados ou inadequação metodológica, e 1 por se tratar de estudo realizado em animais.
Dessa forma, 8 artigos compuseram a amostra final desta revisão integrativa, sendo eles os que atenderam a todos os critérios de inclusão, conforme demonstrado no fluxograma PRISMA 2020. na Figura 1.
O processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos foi conduzido e reportado conforme as recomendações do Prisma 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), garantindo maior transparência e reprodutibilidade metodológica (Page et al., 2021).
Figura 1 – Fluxograma (Prisma 2020 – adaptado)

Os estudos incluídos nesta revisão apresentaram heterogeneidade metodológica significativa, mas revelaram padrões importantes quanto aos parâmetros de aplicação e aos desfechos clínicos. A maioria utilizou lasers no espectro vermelho (632,8–685 nm), com doses variando entre 3 e 6 J/cm², aplicadas em 12 sessões ao longo de quatro semanas, geralmente em dias alternados (Santos et al., 2018; Mathur et al., 2017; Ortiz et al., 2014).
Resultados consistentes foram observados em termos de redução da área ulcerada, aceleração da cicatrização, aumento da formação de tecido de granulação, epitelização e redução da dor (Santos et al., 2018; Mathur et al., 2017).
Um estudo que utilizou 830 nm e 20 J/cm² destacou a melhora da perfusão e da resposta vascular, indicando que comprimentos de onda mais longos podem atuar de forma diferenciada sobre parâmetros microcirculatórios (Salvi et al., 2017).
Além disso, estudos comparativos entre laser e LED demonstraram que ambos promovem efeitos terapêuticos positivos, embora o laser tenha produzido reduções de área mais expressivas (≈80% contra 55% com LED) (Ortiz-Prado et al., 2014).
As revisões sistemáticas reforçam esse cenário: uma meta-análise apontou que a LLLT é efetiva e segura, com protocolos ideais envolvendo comprimentos de onda entre 632,8–685 nm, doses de 3–6 J/cm² e 12 sessões ao longo de quatro semanas. Já a revisão sobre LED destacou seu potencial terapêutico, embora tenha ressaltado a falta de padronização dos parâmetros de aplicação (Ortiz et al., 2014).
Dos oito estudos incluídos, cinco utilizaram laser vermelho entre 632,8 e 685 nm, dois empregaram LED e um utilizou infravermelho próximo (830–904 nm). A dose mais comum foi de 3–6 J/cm², aplicada em 12 sessões ao longo de quatro semanas.
Em relação aos desfechos, sete estudos relataram redução significativa da área das úlceras, quatro observaram redução da dor e dois identificaram melhora da perfusão tecidual. Nenhum artigo relatou eventos adversos graves, confirmando a segurança da intervenção.
Esses achados indicam que a fotobiomodulação (FBM) é uma estratégia eficaz e segura para acelerar a cicatrização de úlceras de pé diabético, com potencial para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Quadro 1 – Descrição dos estudos incluídos
| Autor Ano/ | Tipo de Estudo | Objetivo | Metodologia | Resultados |
| Santos et al., 2018 | Ensaios clínicosrandomizado s (ECR) | Avaliar se o laser 660 nm é eficaz em úlceras de pé diabético. | 18 pacientes;660 nm; 6 J/cm²; 12 sessões em 4 semanas | Redução maior da área no grupo laser e melhora da dor. |
| Mathur et al., 2017 | ECR | Avaliar eficácia da Low-Level Laser Therapy (LLLT) como adjuvante ao tratamento convencional. | 30 pacientes DM2; úlceras Wagner I >6 sem; LLLT660 ± 20 nm; 3 J/cm²; 2 semanas | Redução da área: 37% (laser) vs15%(controle), p<0,001; aumento da granulação. |
| Salvi et al., 2017 | ECR | Avaliar perfusão e cicatrização com LLLT NIR. | 56 pacientes; 830 nm; 20J/cm² | Aumento da perfusão tecidual; melhora vascular e nervosa |
| Sandoval Ortíz et al., 2014 | ECR | Comparar LLLT, High-Voltage Pulsed Current HVPC e cuidado padrão. | 28 pacientes; 3 grupos; LLLT 685 nm, 30 mW; 16 semanas. | Cicatrização:7/9 (LLLT), 8/10 (HVPC), 6/9(controle); sem diferença significativa. |
| Ortíz et al., 2014 | Estudo clínico | Analisar cicatrização + imunohistoquímic a após LLLT. | Pacientes com úlceras tratados com laser. | 91% apresentara m cicatrização parcial ou total. |
| Santos et al., 2018 | ECR | Avaliar LLLT no reparo tecidual de úlceras crônicas em pés diabéticos. | 632,8 nm; 4J/cm²;3x/semana;12 semanas; grupo vscuidados convencionais | Redução significativa da área das úlceras e melhora histológica. |
| Borges et al., 2024 | ECR | Avaliar LED vermelho, infravermelho e combinado em úlceras do pé diabético (UPD). | Pacientes com DFU grau I–II; 4 grupos; 12 semanas; avaliações em dias 1, 30, 60, 90. | LED infravermelho e vermelho promoveram redução significativa da área; infravermelho mais eficaz; melhora da dor. |
4. DISCUSSÃO
A literatura clínica recente demonstra que a fotobiomodulação atua de forma adjuvante no manejo das úlceras de pé diabético, com redução acelerada da área ulcerada, melhora da dor e, em alguns protocolos, ganho de perfusão tecidual. Ensaios clínicos randomizados (ECRs) convergem para comprimentos de onda no vermelho (≈632–660 nm) e no infravermelho próximo (≈830–904 nm), com doses entre 3–6 J/cm² no vermelho e valores mais altos em protocolos NIR, aplicados 3x/semana por 4–8 semanas (Mathur et al., 2017; Santos et al., 2018; Santos et al., 2018; Salvi et al., 2017).
Em relação à dor, em dois ECRs utilizando laser vermelho (≈660 nm), a FBM promoveu redução significativa da intensidade dolorosa em pacientes com úlceras de pé diabético (Santos et al., 2018; Mathur et al., 2017). No estudo de Santos et al. (2018), ao final de 12 sessões, houve alívio clinicamente relevante, enquanto Mathur et al. (2017) relatou diminuição concomitante da intensidade dolorosa associada à redução da área ulcerada.
A melhora da dor favorece adesão ao tratamento e mobilidade, contribuindo indiretamente para melhores desfechos clínicos. A analgesia reflete a cicatrização, redução da inflamação local e modulação da excitabilidade nervosa periférica. A FBM atua, portanto, como estratégia complementar capaz de melhorar a experiência do paciente e a continuidade da terapia.
No que se refere à perfusão, o infravermelho próximo (NIR, ≈830 nm) elevou significativamente medidas microcirculatórias, promovendo maior aporte sanguíneo local (Salvi et al., 2017). Comparações entre 632 nm e 904 nm demonstraram que ambos os comprimentos de onda melhoram a área ulcerada, com vantagem discreta do vermelho para contração superficial da ferida (Alves et al., 2024).
Esses achados indicam que a FBM atua em múltiplos níveis: superficialmente, favorece epitelização e granulação; em camadas mais profundas, promove perfusão e metabolismo tecidual. A melhora da perfusão contribui para maior oxigenação e aporte de nutrientes, essenciais para reparo celular e cicatrização acelerada. (Alves et al., 2024)
Em termos histológicos e de mecanismos celulares, os ensaios clínicos relataram aceleração da formação de tecido de granulação, maior organização do colágeno e neoepitelização mais madura (Santos et al., 2018; Santos et al., 2018). Estudos de LED e laser demonstraram aumento da síntese de colágeno tipo I e III, promovendo maior resistência e qualidade do tecido reparado (Almeida et al., 2023).
A melhoria histológica é consistente com a aceleração da cicatrização e redução de recidivas. A integração de efeitos bioenergéticos, angiogênicos e anti-inflamatórios cria um ambiente tecidual favorável à regeneração eficiente. A FBM não atua apenas na superfície da ferida, mas promove reparo estrutural e funcional de forma integrada. (Almeida et al., 2023).
No âmbito do impacto clínico, a FBM promoveu redução consistente da área ulcerada em 2–12 semanas (Mathur et al., 2017; Santos et al., 2018; Santos et al., 2018; Borges et al., 2024), melhora funcional, analgesia e aumento da perfusão (Salvi et al., 2017). Embora nenhum estudo tenha avaliado desfecho primário de amputação, os ganhos observados sugerem efeito protetor indireto.
A cicatrização precoce protege contra infecções, osteomielite e amputações (Ferreira et al., 2020). A melhora da perfusão e analgesia favorece mobilidade, retorno às atividades básicas e qualidade de vida. Revisões sistemáticas reforçam que, embora a FBM não substitua o cuidado convencional, otimiza o tratamento integral, reduz sofrimento e potencializa resultados clínicos (Dos Santos et al., 2021; Almeida et al., 2023).
Perspectivas futuras incluem padronização de protocolos clínicos (comprimento de onda, densidade de energia, frequência, duração), integração com terapias avançadas (fatores de crescimento, células-tronco, curativos bioativos) e expansão do uso domiciliar via dispositivos portáteis. Ensaios clínicos futuros poderiam explorar biomarcadores inflamatórios e angiogênicos como desfechos intermediários, conectando mecanismos fisiológicos com resultados clínicos (Brandão et al., 2020; Dos Santos et al., 2021; Almeida et al., 2023).
Em síntese, a FBM apresenta relevância clínica significativa no tratamento de úlceras de pé diabético, impactando cicatrização, funcionalidade e qualidade de vida. A consolidação dessa técnica como parte essencial do arsenal terapêutico depende de padronização metodológica, produção de evidências de longo prazo e integração com abordagens terapêuticas emergentes.
5. CONCLUSÃO
Esta revisão integrativa evidenciou que a FBM, aplicada por laser ou LED, é uma abordagem eficaz e segura para o tratamento das úlceras de pé diabético, promovendo aceleração da cicatrização, redução da dor e melhora da perfusão tecidual. Entretanto, a significativa heterogeneidade nos parâmetros de aplicação limita a comparação entre os estudos e a padronização dos protocolos clínicos.
Dessa forma, recomenda-se a realização de ensaios clínicos randomizados com amostras maiores e metodologias mais rigorosas, visando consolidar os benefícios observados e estabelecer diretrizes claras. Esses avanços são fundamentais para a incorporação definitiva da fotobiomodulação nos protocolos multidisciplinares de cuidado ao paciente com pé diabético, contribuindo para a redução de complicações e a melhoria da qualidade de vida.
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¹Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
²Especialista em fisioterapia traumato ortopédica, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE. Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
