EFFICACY OF LASER THERAPY AS ADJUVANT THERAPY IN ROOT CANAL SYSTEM DISINFECTION: A REVIEW OF THE LAST 5 YEARS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512150038
Helon Bonfim Lisboa1; Renato Neves Bergamini2; Sthefany Bento E Silva3; Maria Victor do Nascimento4; Lyvia Tavares Maciel Leitão5; Camilla Almeida Braga Venâncio6; Romeo Magalhães da Silva Júnior7; Rhuann Ayran Castro Borburema8; Ingrid Vasconcelos Gonzaga9; Beatriz Cristina da Silva Coelho10
Resumo
A infecção persistente do sistema de canais radiculares representa um dos principais desafios ao sucesso dos tratamentos endodônticos, especialmente pela complexidade anatômica e pela resistência dos biofilmes microbianos. Nesse contexto, diferentes modalidades de laserterapia têm sido investigadas como terapias adjuvantes à desinfecção convencional. Objetivo: Avaliar, por meio de uma revisão da literatura dos últimos cinco anos, a eficácia da laserterapia e aplicações como adjuvante na desinfecção do sistema de canais radiculares. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane e Science Direct, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025. Foram utilizados os descritores “Low-Level Light Therapy”, “Disinfection” e “Root Canal”. Após a triagem e exclusão de duplicatas, sete estudos foram selecionados para análise. Resultados: A análise dos estudos demonstrou que diferentes modalidades de laser apresentam potencial significativo na redução microbiana. A terapia fotodinâmica (PDT) modificada, especialmente quando combinada com azul de metileno e óxido de grafeno, alcançou reduções bacterianas superiores a 99%, com altas taxas de culturas negativas. Revisões recentes confirmam que lasers Nd:YAG, diodo, Er:YAG e CO₂ podem ser empregados em diversas fases da terapia endodôntica, incluindo desinfecção, remoção de materiais e ativação de irrigantes. A fotobiomodulação mostrou benefício adicional na redução da dor pós-operatória. Em dentes decíduos, o hipoclorito permaneceu mais eficaz isoladamente; contudo, a PDT apresentou desempenho superior ao laser isolado. Estudos também apontaram o papel da terapia fotodinâmica (PDT) e potencial regenerativo da fotobiomodulação (PBM) em protocolos regenerativos, favorecendo a formação de tecido duro e menor inflamação. Conclusão: A laserterapia, em suas diferentes modalidades, apresenta eficácia consistente como terapia adjuvante na desinfecção dos canais radiculares, potencializando o efeito antimicrobiano dos protocolos convencionais e contribuindo para melhores desfechos clínicos. Embora os resultados sejam promissores, ainda há necessidade de padronização dos parâmetros de aplicação e de estudos clínicos adicionais para consolidar sua implementação rotineira na prática endodôntica.
Palavras-chave: Endodontia. Laserterapia. Fotobiomodulação. Desinfecção de Canais Radiculares.
Abstract
The persistent infection of the root canal system represents one of the main challenges to the success of endodontic treatments, especially due to the anatomical complexity and resistance of microbial biofilms. In this context, different modalities of laser therapy have been investigated as adjunctive therapies to conventional disinfection. Objective: To evaluate, through a literature review of the last five years, the efficacy of laser therapy and applications as an adjuvant in root canal disinfection. Methodology: This is an integrative literature review, conducted in the PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane and Science Direct databases, including articles published between 2020 and 2025. The descriptors “Low-Level Light Therapy”, “Disinfection” and “Root Canal” were used. After screening and exclusion of duplicates, seven studies were selected for analysis. Results: The analysis of the studies showed that different laser modalities have significant potential in microbial reduction. Modified photodynamic therapy (PDT), especially when combined with methylene blue and graphene oxide, achieved bacterial reductions greater than 99%, with high rates of negative cultures. Recent reviews confirm that Nd:YAG, diode, Er:YAG and CO lasers can be employed in several stages of endodontic therapy, including disinfection, material removal and irrigator activation. Photobiomodulation showed additional benefit in the reduction of postoperative pain. In deciduous teeth, hypochlorite remained more effective in isolation; however, PDT presented superior performance to the isolated laser. Studies also pointed to the role of photodynamic therapy (PDT) and regenerative potential of photobiomodulation (PBM) in regenerative protocols, favoring hard tissue formation and lower inflammation. Conclusion: Laser therapy, in its different modalities, presents consistent efficacy as adjuvant therapy in root canal disinfection, enhancing the antimicrobial effect of conventional protocols and contributing to better clinical outcomes. Although the results are promising, there is still a need for standardization of application parameters and additional clinical studies to consolidate its routine implementation in endodontic practice.
Keywords: Endodontics. Laser therapy. Photobiomodulation. Root canal disinfection.
1. INTRODUÇÃO
A infecção persistente do sistema de canais radiculares permanece como uma das principais causas de insucesso nos tratamentos endodônticos. A eliminação microbiana efetiva é, portanto, determinante para o sucesso terapêutico. No entanto, a complexa arquitetura do sistema de canais radiculares, associada à elevada resistência dos biofilmes, torna difícil a completa desinfecção por meio de protocolos quimio-mecânicos convencionais. Mesmo após a irrigação com hipoclorito de sódio (NaOCl), estudos indicam que entre 40% e 60% dos canais ainda podem apresentar microrganismos viáveis, evidenciando as limitações dos métodos tradicionais (Jouhar et al., 2025). Nessas condições, bactérias remanescentes podem perpetuar ou restabelecer o processo infeccioso, contribuindo para falhas terapêuticas e necessidade de retratamento (Barbosa et al., 2024).
A dificuldade em se alcançar adequada esterilização decorre, em grande parte, da anatomia intrincada do sistema endodôntico e da presença de uma flora polimicrobiana diversificada. Os microrganismos podem penetrar até 200 µm nos túbulos dentinários, dificultando a ação dos irrigantes, mesmo quando associados à instrumentação. Pesquisas apontam reduções microbianas em torno de 70% após a fase químico-medicamentosa, ressaltando que a erradicação completa raramente é atingida (Hristova et al., 2025). Entre esses microrganismos, Enterococcus faecalis é frequentemente associado a infecções persistentes, lesões periapicais crônicas e casos de retratamento, devido à sua elevada resistência e capacidade de adaptação (Jouhar et al., 2025).
Diante das limitações dos protocolos tradicionais, tecnologias complementares têm sido estudadas, entre elas o uso de lasers. Os lasers são dispositivos que produzem radiação luminosa coerente, monocromática e colimada, com ampla aplicação nas diversas especialidades odontológicas, como cirurgia, periodontia, implantodontia e endodontia (Hristova et al., 2025). Em endodontia, os lasers de baixa potência têm se destacado pela capacidade de penetração na dentina, especialmente quando associados a corantes fotossensibilizantes, conferindo propriedades antibacterianas adicionais. Nesse contexto, a terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT) desponta como um importante recurso adjuvante ao tratamento convencional, utilizando um fotossensibilizador como o azul de metileno ativado por luz de comprimento de onda específico, produzindo espécies reativas de oxigênio capazes de destruir microrganismos intra-radiculares (Barbosa et al., 2024).
Diversos tipos de lasers são empregados na prática odontológica, incluindo Nd:YAG, Er:YAG, Er,Cr:YSGG, CO₂ e lasers de diodo, cada qual com propriedades físicas particulares. Em especial, os lasers de diodo apresentam maior absorção em tecidos dentários e efetiva penetração nos túbulos dentinários, favorecendo a desinfecção em profundidade. Estudos demonstram sua eficácia na redução de patógenos como E. faecalis, Porphyromonas gingivalis e até mesmo Candida albicans, microrganismos frequentemente envolvidos em infecções perirradiculares persistentes (Hristova et al., 2025).
Apesar dos benefícios, o uso de lasers no espaço endodôntico apresenta limitações. O feixe de luz apresenta propagação linear, dificultando a cobertura completa das superfícies internas do canal. Além disso, há risco de extrusão apical de soluções irrigadoras quando a ativação é realizada com determinados comprimentos de onda, especialmente nos lasers Er:YAG e Nd:YAP, o que pode resultar em dor pós-operatória e retardo no processo de reparo periapical. O risco de perfuração em canais curvos, danos térmicos e extrusão de detritos também são pontos críticos a serem considerados (Hristova et al., 2025).
Diante desse cenário, o interesse crescente pelo emprego da terapia fotodinâmica e da fotobiomodulação como adjuvantes à desinfecção endodôntica tem motivado investigações recentes. Tais abordagens apresentam potencial para ampliar a eficácia antimicrobiana do tratamento, atingindo regiões de difícil acesso e contribuindo para maior previsibilidade clínica.
2. METODOLOGIA
Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: “Qual é a eficácia da laserterapia, utilizado como terapia adjuvante, na redução da carga microbiana em canais radiculares?” Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Science Direct para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre 2020 e 2025. Obtemos um total de 1.767 artigos, foram excluídos 1760 após os critérios, foram encontradas 3 duplicatas e, após a triagem, 7 artigos foram selecionados para compor esta pesquisa. Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foi feita uma busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo de pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. Foram utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): [(Terapia com Luz de Baixa Intensidade / Low-Level Light Therapy) AND (Desinfecção / Disinfection) AND (Canal Radicular / Root Canal)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.
3. RESULTADOS
Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo; Resultados e Conclusão).
Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão.

Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados.
| Autor/Ano | Objetivo | Resultados | Conclusão |
| Jouhar et al. (2025) | Este estudo avaliou a eficácia antimicrobiana da terapia fotodinâmica (PDT) utilizando óxido de grafeno funcionalizado com azul de metileno (MB/rGO) para alcançar a desinfecção do canal radicular contra Enterococcus faecalis. | Observou-se uma redução substancial na carga bacteriana (p < 0,001) em todos os grupos experimentais. A maior redução (99,99%) foi observada no grupo 6 (PDT modificada com MB/rGO), que também apresentou a menor contagem de UFC (1,21 × 10³ / mL) e a maior taxa de culturas negativas (40%). O grupo 4 (PDT modificada com MB) apresentou eficácia semelhante (redução de 99,99%, 33,33% de culturas negativas), enquanto a irrigação com NaOCl (grupo 1) apresentou a menor redução (99,83%) e nenhuma cultura negativa. | A terapia fotodinâmica (PDT) com MB/rGO funcionalizada, ativada por ultrassom e laser, alcançou a maior redução da carga bacteriana, seguida de perto pela PDT modificada com MB. A irrigação com NaOCl foi eficaz, mas não resultou em culturas negativas. Nossos achados destacam o potencial da PDT modificada para aprimorar a limpeza do canal radicular. |
| Hristova et al. (2025) | Examinar os diversos aspectos das aplicações do laser em endodontia e sua importância clínica. | A revisão de todos os artigos e publicações incluídos indica que a maioria dos tipos de laser pode ser usada durante o tratamento endodôntico. Os lasers também são usados para remover pinos, instrumentos fraturados e material obturador antigo do canal radicular. | Nesta revisão, apresentamos uma visão geral das aplicações emergentes de lasers em endodontia e em vários procedimentos odontológicos comuns, destacando a terapia a laser como uma abordagem promissora no tratamento odontológico. |
| Barbosa et al. (2024) | Analisar a eficácia do uso da terapia fotodinâmica antimicrobiana associada ao tratamento endodôntico convencional. | Foram selecionados 10 estudos os quais abordam o uso da aPDT como tratamento em infecções dos canais radiculares. Quanto aos ensaios clínicos incluídos na pesquisa, os resultados demonstram a redução da carga bacteriana e até mesmo sua eliminação total após tratamento com a aPDT nas infecções dos canais radiculares, além da supressão de bactérias multirresistentes. | A aPDT associada ao tratamento endodôntico é um meio eficaz de reduzir a carga bacteriana promovendo um controle e eliminação de bactérias multirresistentes ao preparo químico mecânico durante tratamento endodôntico. Sendo assim, torna-se uma terapia cada vez mais usual, eficaz e segura para evitar falhas no tratamento dos canais radiculares. |
| Bianchini et al. (2020) | Verificar in vitro o efeito bactericida da laserterapia e da terapia fotodinâmica com laser de baixa potência (660 nm e 808 nm) em bactérias presentes nos canais radiculares. | Dividiu-se cada grupo em 10 subgrupos (duas placas cada): três subgrupos tratados com laserterapia 660 nm em doses de 150, 225 e 300J/ cm², três subgrupos tratados com terapia fotodinâmica (azul de metileno 0,2% e laser 660 nm) em doses de 150, 225 e 300J/cm²; um subgrupo tratado com laserterapia 808 nm na dose de 225J/cm², um subgrupo com terapia fotodinâmica e laser 808 nm, em dose 225J/cm²; um subgrupo tratado apenas com fotossensibilizante (FS), e um não tratado (controle). Os tratados com laserterapia e terapia fotodinâmica foram irradiados uma única vez e incubados por 24 horas. Os últimos dois não receberam irradiação. As culturas foram analisadas visualmente para verificação do halo de inibição. Nos grupos submetidos somente à laserterapia, para o grupo FS e para o grupo controle, não foram observados halos de inibição, já onde houve aplicação da TFD, tanto com L1 quanto com L2, observaram-se halos de inibição em todas as espécies bacterianas estudadas. | Conclui-se que a laserterapia, não produziu efeitos bactericidas e/ou bacteriostáticos, enquanto a terapia fotodinâmica nos dois comprimentos de onda produziu halos significativos de inibição de crescimento nas três bactérias do estudo. |
| Hanna, Miron e Benedicenti (2025) | O presente estudo investigou a ativação do hipoclorito de sódio (NaOCl) a 5,25% utilizando um laser de diodo de 980 nm (irrigação ativada por laser) como adjuvante à descontaminação convencional, com a adição da terapia de fotobiomodulação. | Os resultados mostraram uma melhora significativa nessas variáveis clínicas, bem como uma redução na dor pós-endodôntica após a irradiação por fotobiomodulação. A combinação de irrigação ativada por laser de 980 nm e descontaminação convencional mostrou-se significativa na otimização dos resultados do tratamento. | O estudo conclui que são necessários estudos comparativos mais abrangentes com conjuntos de dados maiores para validar ainda mais esses resultados. |
| Fouad et al. (2024) | Avaliar o potencial regenerativo da fotobiomodulação (PBM) na regeneração endotelial radicular (RET) em raízes imaturas quando o protocolo de terapia fotodinâmica (PDT) é implementado para a desinfecção do canal radicular em um modelo canino. | O tecido duro recém-formado assemelhava-se muito à dentina verdadeira, onde os túbulos dentinários apresentavam-se bem organizados, revestidos por um padrão de paliçada de múltiplas camadas de células arredondadas semelhantes a odontoblastos, com prolongamentos citoplasmáticos que se estendiam através da camada de predentina. O grupo GI exibiu escores estatisticamente significativos mais altos de infiltração de tecido vital e deposição de tecido duro nos subgrupos A e B (p ≤ 0,05). Os escores de células inflamatórias foram significativamente menores no grupo GI do que no grupo GII em todos os intervalos de tempo. No entanto, nenhuma significância pôde ser detectada em relação ao fechamento apical. | O protocolo de desinfecção da PDT e a subsequente irradiação com laser de baixa potência no protocolo PBM representam um potencial promissor para a endodontia regenerativa em dentes imaturos. |
| Tehrani, Javadinejad e Shirani (2024) | Comparar o efeito de três métodos de desinfecção de canais radiculares em dentes decíduos: laser de diodo de 810 nm, terapia fotodinâmica com laser de 660 nm e azul de metileno, e hipoclorito de sódio. | A média de UFC (unidades formadoras de colônias) difere significativamente entre os quatro grupos. A taxa de incidência de colônias de *E. faecalis* apresentou redução nos três grupos de intervenção em comparação com o grupo controle negativo. No grupo tratado com laser de alta intensidade de 810 nm, a redução foi de 68,4%; no grupo tratado com terapia fotodinâmica com diodo de 660 nm e azul de metileno, foi de 88%; e no grupo tratado com hipoclorito, observou-se uma redução de 98,3% em comparação com o grupo controle negativo. | Com base nos resultados deste estudo, ao comparar três métodos de desinfecção de canais radiculares em dentes decíduos sem preparo prévio, o hipoclorito de sódio apresentou maior eficácia. Todos os três grupos – laser, terapia fotodinâmica e hipoclorito de sódio – demonstraram redução na quantidade de colônias bacterianas de *E. faecalis* em comparação ao grupo controle. O efeito redutor na contagem de unidades formadoras de colônias (UFC) foi maior no grupo tratado com hipoclorito de sódio, seguido pelos grupos tratados com terapia fotodinâmica e, por fim, com laser de radiação direta. |
4. DISCUSSÃO
Os resultados compilados nesta revisão demonstram que a fotobiomodulação com laser de baixa intensidade (LBI), especialmente quando associada à terapia fotodinâmica (PDT/aPDT), apresenta potencial significativo como terapia adjuvante na desinfecção do sistema de canais radiculares. De modo geral, os estudos analisados convergem para a premissa de que a combinação entre fotossensibilizadores e irradiação laser promove maior redução microbiana quando comparada ao uso isolado do laser ou às técnicas convencionais de irrigação.
Inicialmente, o estudo de Jouhar et al. (2025) evidenciou que a PDT modificada, sobretudo com o uso de azul de metileno funcionalizado em óxido de grafeno (MB/rGO), alcançou reduções bacterianas superiores a 99,99%, com maior proporção de culturas negativas quando comparada ao hipoclorito de sódio (NaOCl). Esses achados reforçam a capacidade da PDT em superar limitações da irrigação convencional, sugerindo não apenas maior eficácia microbiológica, mas também potencial complementaridade ao preparo químico-mecânico tradicional. Tal eficácia também foi confirmada por Barbosa et al. (2024), que, ao analisar ensaios clínicos, observaram reduções bacterianas expressivas e até eliminação completa da microbiota em alguns casos após a aplicação da aPDT, incluindo supressão de bactérias multirresistentes, aspecto altamente relevante para o manejo de infecções endodônticas persistentes.
Do ponto de vista mecanístico, Suresh et al. (2024) destacam vantagens exclusivas da PDT, como a ausência de resistência microbiana e o amplo espectro de ação antimicrobiana. Entretanto, os autores alertam para desafios importantes, como a penetração da luz no interior dos túbulos dentinários e a padronização insuficiente dos protocolos na literatura, o que interfere diretamente na reprodutibilidade clínica e na comparação entre estudos.
Em consonância, o trabalho de Bianchini et al. (2020) corrobora a superioridade da PDT em relação ao laser isolado. O estudo demonstrou que a laserterapia de baixa potência, quando utilizada sem fotossensibilizante, não apresentou efeito bactericida, enquanto a PDT produziu halos significativos de inibição bacteriana nos diferentes comprimentos de onda avaliados. Esses achados reforçam que, apesar do LBI possuir efeitos biomoduladores clinicamente relevantes, sua ação antimicrobiana direta é limitada, sendo dependente da presença de fotossensibilizadores para atingir eficácia contra biofilmes dentinários. Além da desinfecção, alguns estudos abordaram benefícios clínicos adicionais do uso do laser. Hanna, Miron e Benedicenti (2025) observaram que a fotobiomodulação reduziu significativamente a dor pós-operatória, ao mesmo tempo em que a ativação do NaOCl por laser de 980 nm potencializou a descontaminação convencional. Esses resultados sugerem que o LBI, além da contribuição antimicrobiana indireta, pode otimizar o conforto pós-operatório e melhorar a eficácia dos irrigantes.
Em relação à endodontia regenerativa, os achados de Fouad et al. (2024) demonstraram que a associação entre PDT e fotobiomodulação favoreceu a formação de tecido duro semelhante à dentina e redução de infiltrado inflamatório em modelos animais, sugerindo que o LBI pode desempenhar papel importante não apenas na desinfecção, mas também na reparação biológica das estruturas radiculares. Esse resultado abre novas perspectivas para sua aplicação em protocolos de regeneração pulpar, especialmente em dentes imaturos. Por outro lado, estudos como o de Tehrani, Javadinejad e Shirani (2024) evidenciam que, apesar da eficácia da PDT e do laser, o NaOCl ainda apresenta maior capacidade desinfetante quando utilizado isoladamente. Nesse estudo, a redução de Enterococcus faecalis foi de 98,3% para o hipoclorito, contra 88% para a PDT e 68,4% para o laser de diodo direito. Esses dados reforçam que a PDT deve ser compreendida como terapia adjuvante, e não substitutiva, do preparo químico-mecânico tradicional.
Finalmente, a revisão de Hristova et al. (2025) contextualiza o uso do laser dentro da endodontia moderna, reforçando sua aplicabilidade ampliada em diferentes procedimentos, como remoção de materiais obturadores, corte de tecidos e ativação irrigadora, consolidando o laser como ferramenta versátil e em expansão na prática clínica.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão demonstrou que a laserterapia, em suas diferentes modalidades incluindo lasers de diodo, Nd:YAG, Er:YAG, Er,Cr:YSGG e protocolos de terapia fotodinâmica (PDT/aPDT) constitui uma estratégia adjuvante promissora para a desinfecção do sistema de canais radiculares. Os estudos analisados, publicados nos últimos cinco anos, convergem ao evidenciar que a associação do laser aos métodos convencionais de preparo químico-mecânico promove uma redução bacteriana superior à obtida isoladamente pelos irrigantes tradicionais.
Tecnologias como a PDT modificada com fotossensibilizadores específicos e diferentes comprimentos de onda mostraram reduções microbiológicas expressivas, chegando a níveis próximos de completa eliminação de Enterococcus faecalis, um dos microrganismos mais resistentes da microbiota endodôntica. Os achados de Jouhar et al. (2025) e Bianchini et al. (2020) reforçam que a ativação luminosa potencializa significativamente o efeito antimicrobiano dos fotossensibilizantes, superando inclusive a eficácia isolada da laserterapia sem corantes fotossensíveis. Além do efeito antimicrobiano, evidências recentes mostram que a laserterapia também pode contribuir para benefícios clínicos adicionais, como menor dor pós-operatória, maior conforto do paciente e até mesmo estímulo regenerativo tecidual, conforme observado em protocolos que combinaram PDT e fotobiomodulação em modelos imaturos (Fouad et al., 2024). No entanto, apesar dos resultados animadores, limitações importantes persistem. A falta de padronização dos protocolos clínicos especialmente quanto à dose, potência, tempo de exposição, tipo de laser e natureza do fotossensibilizador dificulta a comparação direta entre estudos. Além disso, tecnologias baseadas em lasers de alta potência exigem cautela devido ao risco de extrusão apical, aquecimento excessivo e danos teciduais, o que restringe seu uso a protocolos bem controlados. Dessa forma, os dados analisados permitem concluir que a laserterapia representa uma ferramenta adjuvante eficaz e segura para a desinfecção dos canais radiculares, especialmente quando integrada a fotossensibilizadores na forma de terapia fotodinâmica antimicrobiana. Contudo, sua implementação clínica rotineira depende da consolidação de protocolos padronizados, estudos clínicos de longo prazo e amostras maiores que permitam a extrapolação dos resultados para diferentes perfis de pacientes e complexidades anatômicas. Portanto, embora ainda não substitua o preparo químico-mecânico convencional, a laserterapia emerge como um elemento complementar relevante, capaz de potencializar a descontaminação endodôntica e, possivelmente, elevar as taxas de sucesso do tratamento.
REFERÊNCIAS
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FOUAD, Eman M. et al. Terapia endodôntica regenerativa em dentes imaturos utilizando fotobiomodulação e terapia fotodinâmica; um estudo histomorfológico em modelo canino. BMC Oral Health , v. 24, n. 1, p. 1430, 2024.
GRANDO, Caroline Pietroski et al. Efeito in vitro da laserterapia e da terapia fotodinâmica na redução de bactérias presentes em canais radiculares. Revista da Faculdade de Odontologia UPF, v. 25, n. 2, p. 184-190, 2020.
HANNA, Reem; MIRON, Ioana Cristina; BENEDICENTI, Stefano. Manejo de caso complexo na interface periodontal-endodôntica com hipoclorito de sódio fotoativado a 980 nm para otimizar a descontaminação do sistema de canais radiculares com acompanhamento de 12 meses. Folia Medica , v. 67, n. 4, p. e143587, 2025.
JOUHAR, Rizwan et al. Antimicrobial efficacy of methylene blue-functionalized graphene oxide-mediated photodynamic therapy against Enterococcus faecalis in root canal disinfection. Journal of Taibah University Medical Sciences, v. 20, n. 4, p. 558-567, 2025.
TEHRANI, Nima Amini; JAVADINEJAD, Shahrzad; SHIRANI, Amir Mansour. Comparação entre três métodos de desinfecção do canal pulpar de dentes decíduos: laser de diodo de 810 nm, terapia fotodinâmica com laser de 660 nm e solução de hipoclorito. Dental Research Journal , v. 21, n. 1, p. 23, 2024.
ZANEVA-HRISTOVA, Denitsa et al. O papel da tecnologia laser na endodontia moderna: uma revisão da literatura. Folia Medica , v. 67, n. 5, p. e153378, 2025.
1Discente do Curso Superior de Odontologia pela União Metropolitana de Educação e Cultura, UNIFAS. dr.helonlisboa@gmail.com
2Especialista em Endodontia pela Faculdade São Leopoldo Mandic, Campinas – SP
3Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de Patos de Minas
4Especialista em Ortodontia pelo Instituto de Odontologia das Américas – IOA, Campina Grande
5Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ
6Graduada do Curso Superior de Odontologia pela UNINOVAFAPI
7Discente do Curso Superior de Odontologia pela UNIFTC, Salvador- Ba
8Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Maurício de Nassau de Campina Grande
9Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário – UNIESP, João Pessoa – PB
10Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos
