REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512150048
Laís Araújo Eloy; Márcia Aparecida Nuevo Gatti; Taís Lopes Saranholi; Gabriel Grandis Gatti Neto; Rita de Cássia Altino; Ana Paula Ribeiro Razera; Diogo Rodrigues Castanheira; Pedro Henrique Gomes; Felipe Cesar Aparecido Canato Malagutti; Rafael Arruda Alves
RESUMO
Introdução: As vacinas são de extrema importância na proteção à saúde e na prevenção de doenças infectocontagiosas, além de evitar a ocorrência de surtos epidêmicos, pois estimulam o sistema imune do indivíduo a desenvolver anticorpos contra vírus e bactérias causadoras de doenças graves. Ao longo dos anos, a imunização infantil foi responsável por inúmeros benefícios na sociedade, como a redução da mortalidade infantil, a redução de hospitalizações e sequelas de doenças, o aumento da expectativa de vida e melhores condições de crescimento e desenvolvimento. Objetivo: Analisar o nível de informação da população sobre a imunização infantil, como também compreender a relação entre as Fake News e a não adesão à vacinação infantil e aumentar a adesão à vacinação infantil. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e exploratório que responderá questões relacionadas ao nível de informação da população sobre a imunização infantil e o contato com Fake News, buscando compreender a relação entre as “notícias falsas” e a recusa dos pais a vacinar seus filhos. Os dados foram obtidos através de um questionário semiestruturado, com duração de aproximadamente 20 minutos, aplicado pelo próprio pesquisador. Resultados: O público demonstrou conhecer a maioria das vacinas do calendário vacinal infantil, porém, de acordo com as respostas, ainda há uma grande insegurança em relação à vacinação. Quanto às Fake News, 50% dos pais que tiveram contato com alguma notícia falsa sobre as vacinas, deixaram de vacinar seus filhos. A maioria dos relatos de não adesão a alguma das vacinas se referiam a vacina contra o COVID-19. Considerações finais: O estudo evidenciou uma relação direta entre o contato com Fake News e a recusa em vacinar as crianças. É necessário maior foco em educação em saúde e orientação de enfermagem, com a finalidade de esclarecer dúvidas, diminuir a disseminação de notícias falsas acerca das vacinas e aumentar a adesão à imunização infantil.
Palavras-chave: Imunização; Vacinação Infantil; Adesão à Vacinação; Fake News; Desinformação.
INTRODUÇÃO
As vacinas constituem um dos mais importantes avanços da Saúde Pública, sendo fundamentais para a proteção individual e coletiva, a redução da transmissão de doenças infectocontagiosas e a prevenção de surtos epidêmicos. Funcionam ao estimular o sistema imune a produzir anticorpos contra vírus e bactérias potencialmente causadores de doenças graves. Historicamente, a imunização infantil tem contribuído para a redução da mortalidade infantil, diminuição de hospitalizações, prevenção de sequelas, aumento da expectativa de vida e melhores condições de crescimento e desenvolvimento (Sousa, Vigo, Palmeira, 2012).
Apesar desses benefícios amplamente comprovados, observa-se que parte da população ainda apresenta resistência em vacinar seus filhos, o que compromete diretamente a cobertura vacinal e favorece o retorno de doenças previamente eliminadas ou controladas no Brasil. A não adesão à imunização infantil decorre de fatores sociais, culturais, econômicos e, principalmente, da circulação de informações incorretas sobre as vacinas.
A desinformação relacionada aos imunobiológicos abre espaço para inseguranças e dúvidas, impulsionando a disseminação de Fake News. Estas são compreendidas como conteúdos falsos ou manipulados, potencialmente associados à rejeição de recomendações em saúde e até a geração de conflitos sociais (Forster, Carvalho, Filgueiras, 2021). Embora ainda não haja uma definição universalmente aceita, um conceito usual descreve as Fake News como “histórias falsas que parecem notícias e que se espalham pela internet ou outros meios de comunicação, frequentemente criados para influenciar opiniões ou como forma de entretenimento” (De Barcelos et al., 2021). Neste cenário, torna-se essencial compreender de que maneira as Fake News influenciam a decisão dos pais quanto à vacinação infantil, permitindo o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de promoção e prevenção em saúde. A vacinação se configura como uma atitude preventiva essencial contra doenças transmissíveis e é, historicamente, responsável pelo controle de importantes agravos (Silveira et al., 2007).
Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é reconhecido internacionalmente como uma política pública exemplar, responsável pela erradicação e controle de doenças imunopreveníveis no Brasil. O programa se destaca pela universalidade, ao garantir acesso às vacinas para toda a população, independentemente de condições sociais, econômicas ou geográficas (Brasil, 2020). Além disso, define calendários vacinais com base na situação epidemiológica e em aspectos de risco e vulnerabilidade, abrangendo diferentes ciclos de vida.
A efetividade do PNI é amplamente documentada. De acordo com Homma et al., (2011), a política brasileira de disponibilizar universalmente vacinas resultou na eliminação de agravos como poliomielite, sarampo e rubéola, alcançando reduções históricas na notificação de doenças imunopreveníveis.
Para sustentar esses avanços, ações como campanhas de vacinação, ampliação da oferta de imunobiológicos e estratégias de intensificação são essenciais. A informação adequada também é um fator determinante. Pais e responsáveis devem ser orientados quanto ao esquema vacinal, à importância da adesão ao calendário e ao registro adequado no cartão vacinal da criança (Hoffmann e Oliveira, 2009).
A família exerce papel central na tomada de decisão sobre a imunização infantil, influenciada por crenças, valores e condições socioeconômicas. No entanto, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde ainda impacta negativamente a cobertura vacinal, sobretudo entre famílias em situação de vulnerabilidade (Silva et al., 2022).
A hesitação vacinal, amplificada pelas Fake News, apoia-se no medo de eventos adversos, dúvidas sobre a eficácia das vacinas e interpretações equivocadas de conteúdo sensacionalista disseminado nas redes sociais.
Estudos demonstram que não há relação entre vacinas e autismo, por exemplo, mito frequentemente associado à vacina tríplice viral, uma vez que a prevalência do transtorno é igual entre crianças vacinadas e não vacinadas (Samorano, 2015).
Embora o movimento antivacinação tenha maior expressão nos Estados Unidos e na Europa, no Brasil sua influência vem crescendo, exigindo maior preparo dos profissionais de saúde para combatê-lo com informação qualificada. Estudos de Costa e Teixeira (2020) destacam que as Fake News atuam paradoxalmente “em defesa da vida”, ao alertarem falsamente para supostos riscos das vacinas, enquanto colocam vidas em perigo ao desencorajar a imunização e favorecer a ocorrência de doenças graves. Trata-se de um fenômeno comunicacional que, amplificado pelas redes digitais, altera comportamentos e decisões em saúde.
Diante desse panorama, este estudo objetivou analisar o nível de informação da população sobre a imunização infantil, como também, compreender a relação entre as Fake News e a não adesão à vacinação infantil e contribuir para o aumento da adesão à vacinação infantil por meio de orientações impressas ou em vídeo.
Foi realizado um estudo quantitativo, descritivo e exploratório, cujo objetivo foi responder questões relacionadas ao nível de informação da população acerca da imunização infantil e do contato com notícias falsas (Fake News), buscando compreender sua possível relação com a recusa parental à vacinação. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário semiestruturado, aplicado individualmente pelo pesquisador, com duração aproximada de 20 minutos, em duas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI) da cidade de Bauru: EMEI Arlindo Boemer Guedes de Azevedo, localizada na Alameda Cartago, Q6, Parque Santa Edwiges e EMEII Mônica Cristina de Carvalho, situada na Alameda Urano, Parque Santa Edwiges. Ambas atendem crianças de 4 meses a 5 anos e 11 meses, distribuídas entre as etapas de Creche e Pré-escola.
Segundo o Censo Escolar/INEP (2020), a EMEI Arlindo Boemer Guedes possui 55 crianças na Creche e 89 na Pré-escola; já a EMEI Mônica Cristina de Carvalho conta com 68 crianças na creche e 46 na Pré-escola.
Foram analisados dados de pais ou responsáveis por crianças regularmente matriculadas nas duas unidades escolares. A participação ocorreu mediante esclarecimento prévio e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Este estudo integra a pesquisa “Movimentos anti-vacinais e políticas de imunização: uma avaliação acerca do nível de informação dos discentes da saúde”, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Vacinas, e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário Sagrado Coração, sob parecer nº 3.788.801.
As variáveis quantitativas foram expressas como médias e desvios padrão ou medianas (p25–p75), conforme a normalidade avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Os dados foram organizados em banco eletrônico no software Microsoft Excel 2013®.
Resultados e Discussão
Participaram do estudo 54 pessoas, sendo 41 mulheres (75,9%) e 13 homens (24,1%). Quanto ao grau de parentesco, 32 eram mães (59,3%), 12 pais (22,2%), 7 avós (13%) e 3 tias (5,6%). Essa configuração é amplamente descrita na literatura, que aponta as mulheres, sobretudo as mães, como o principal público-alvo de campanhas de imunização e, simultaneamente, o grupo mais exposto a desinformações sobre vacinas nas redes sociais (SATO, 2018).
Em relação à renda familiar, 23 participantes (42,6%) declararam receber até um salário-mínimo nacional (SMN); 20 (37%) entre 1 e 2 SMN; 2 (3,7%) entre 2 e 5 SMN; e 9 (16,7%) preferiram não responder. Sobre escolaridade, 21 participantes (38,8%) possuíam ensino médio completo. No que diz respeito às condições socioeconômicas, percebe-se que 42,6% dos entrevistados possuem renda familiar de até um salário-mínimo e 38,8% têm ensino médio completo. Segundo a Lei nº 8.080/1990, fatores socioeconômicos e educacionais constituem determinantes e condicionantes da saúde, o que reforça a influência da vulnerabilidade social na capacidade de acesso, compreensão e adesão às informações em saúde (Brasil, 1990)
Estudos demonstram que indivíduos com menor renda e escolaridade tendem a apresentar maior exposição a Fake News e menor habilidade de avaliar criticamente conteúdos desinformativos, o que impacta negativamente a adesão à vacinação (Samorano, 2015).
O Gráfico 1 apresenta o nível de conhecimento dos participantes acerca do Programa Nacional de Imunização (PNI) e das vacinas em geral. Dos 54 entrevistados, 49 afirmaram desconhecer o PNI; entretanto, 40 disseram saber para que servem as vacinas.
Gráfico 1 – Nível de conhecimento dos participantes acerca do Programa Nacional de Imunização (PNI) e das vacinas em geral no estudo sobre a relação entre as Fake News e a recusa parental à imunização infantil.

Os dados apresentados no Gráfico 1 mostram um achado relevante: embora 49 participantes afirmem desconhecer o Programa Nacional de Imunização (PNI), 40 demonstram saber para que servem as vacinas. Esse contraste sugere que existe um conhecimento básico sobre o papel protetivo dos imunobiológicos, mas há desconhecimento expressivo sobre a estrutura institucional que organiza, garante e regula a vacinação no país. Esse cenário é preocupante, pois o PNI é uma das políticas públicas mais exitosas da saúde brasileira, responsável pela erradicação e controle de diversas doenças imunopreveníveis (DOMINGUES, 2020). A falta de conhecimento sobre o PNI pode fragilizar a confiança no sistema de saúde, ampliando a vulnerabilidade às narrativas falsas disseminadas digitalmente (OPAS, 2021).
A literatura aponta que o desconhecimento sobre o funcionamento dos programas de imunização aumenta a hesitação vacinal, uma vez que indivíduos que não compreendem os critérios de segurança, eficácia e logística tendem a superestimar riscos e subestimar benefícios (MACDONALD, 2015). Os resultados do estudo reforçam, portanto, a necessidade de ações educativas que abordem não apenas a importância das vacinas, mas também o papel estratégico do PNI e a lógica coletiva da imunização, especialmente em contextos em que a desinformação afeta diretamente a percepção parental sobre riscos e benefícios.
Para compreender o nível de conhecimento da população acerca das imunizações previstas no Calendário Nacional de Vacinação Infantil, solicitou-se aos participantes que indicassem quais vacinas conseguiriam reconhecer entre aquelas ofertadas na atenção básica. A Tabela 1 apresenta a distribuição das vacinas identificadas pelos respondentes, permitindo visualizar quais imunobiológicos fazem parte do repertório já conhecido pelas famílias e quais permanecem pouco familiares.
Tabela 1- As vacinas que são conhecidas pelo público que participou da pesquisa “A relação entre as Fake News e a recusa parental à imunização infantil”, 2023.

A análise desse levantamento é essencial para identificar lacunas de conhecimento que podem repercutir diretamente na adesão ao esquema vacinal. Estudos apontam que o reconhecimento prévio das vacinas está associado a maior segurança no processo decisório, já que a familiaridade com o nome do imunizante e sua finalidade contribuir para a confiança dos pais (SATO, 2018; DOMINGUES, 2020). Por outro lado, quando determinados imunobiológicos não são reconhecidos, aumenta-se o risco de hesitação vacinal, especialmente em um cenário permeado por desinformação crescente nas redes sociais (OPAS, 2021).
Além disso, compreender quais vacinas são mais lembradas permite inferir a influência das Fake News na percepção do público. Pesquisas evidenciam que imunizações amplamente alvo de desinformação, como HPV e COVID-19, tendem a ser menos aceitas ou frequentemente associadas a medos infundados, mesmo quando fazem parte do calendário oficial ou são ofertadas em campanhas específicas (MACDONALD, 2015). Portanto, conhecer o repertório vacinal reconhecido pela população auxilia na identificação de áreas prioritárias para intervenções educativas, ações de comunicação em saúde e fortalecimento da confiança no Programa Nacional de Imunizações.
Desse modo, tais resultados não apenas descrevem as vacinas lembradas pelos participantes, mas também fornece subsídios para compreender como o conhecimento, ou sua ausência, pode influenciar comportamentos relacionados à imunização infantil em um contexto de intensa circulação de Fake News.
Os resultados apresentados no Gráfico 2 evidenciam que 28 participantes (51,9%) relataram não sentir insegurança em relação às vacinas infantis, enquanto 26 (48,1%) afirmaram sentir-se inseguros. Essa distribuição relativamente equilibrada revela um cenário preocupante, pois indica que quase metade dos responsáveis apresenta algum grau de hesitação vacinal, um fenômeno complexo que pode comprometer a cobertura vacinal e favorecer o ressurgimento de doenças imunopreveníveis.
Gráfico 2 – A insegurança dos pais em relação às vacinas infantis, questionada na pesquisa “A relação entre as Fake News e a recusa parental à imunização infantil”, em 2023.

Tais achados corroboram evidências da literatura, como apontado por Bazanella de Sá et al., (2021), que identificam que insegurança, medo de efeitos adversos e dúvidas quanto à segurança dos imunobiológicos são fatores centrais que reduzem a adesão à vacinação infantil. A hesitação vacinal não se trata apenas de rejeição, mas inclui atraso ou dúvida sobre a aplicação de vacinas mesmo quando estas estão disponíveis, acessíveis e recomendadas (MACDONALD, 2015).
Além disso, estudos mostram que sentimento de insegurança são amplificados pelo consumo de Fake News, especialmente nas redes sociais, que disseminam narrativas falsas sobre supostos riscos, toxicidade ou efeitos a longo prazo das vacinas. Essas informações distorcidas impactam principalmente os responsáveis que apresentam menor literacia em saúde, maior dificuldade de interpretar dados científicos ou que vivenciam situações socioeconômicas mais vulneráveis, tornando-os mais suscetíveis a conteúdos alarmistas (BAZANELLA DE SÁ et al., (2021).
Outro ponto relevante é que a insegurança não surge isoladamente, mas é influenciada por experiências pessoais, relatos de terceiros, confiança na equipe de saúde e percepção de risco sobre as doenças preveníveis. Pesquisas mostram que pais que percebem baixa gravidade das doenças ou questionam a necessidade de múltiplas doses tendem a relatar maiores níveis de preocupação e medo. Esse achado reforça resultados como os de Bazanella de Sá et al., (2021), que apontam que a insegurança e medo relacionados aos imunobiológicos prejudicam a adesão à vacinação.
Sendo assim, o achado do presente estudo reforça a importância de estratégias de comunicação e educação em saúde que abordem não apenas os benefícios das vacinas, mas também acolham dúvidas, reduzam medos e desmistifiquem informações falsas. A insegurança parental deve ser compreendida como um elemento central da hesitação vacinal e, portanto, requer intervenções que aproximem os profissionais de saúde das famílias, promovendo diálogo, escuta ativa e informações claras e acessíveis.
A Tabela 2 apresenta a relação entre o contato com notícias negativas, muitas delas classificáveis como Fake News, e a não vacinação infantil. Entre os 32 entrevistados que relataram ter visto/ouvido informações negativas sobre vacinas, 16 (50%) deixaram de vacinar seus filhos em algum momento. Em contrapartida, todos os 22 participantes que disseram não ter contato com informações negativas relataram nunca ter recusado a vacinação infantil.
Tabela 2- A relação entre o contato com informações negativas e prováveis Fake News e a não vacinação infantil relatada pelos participantes desse estudo, em 2023.

Esses achados corroboram com as pesquisas de Honório Ferreira, Mesquita (2023), que demonstram que a recusa vacinal impacta não apenas o indivíduo, mas a imunidade coletiva, favorecendo surtos e bolsões de suscetíveis.
As informações negativas relatadas foram classificadas em:
a) Reações adversas
Muitos participantes relataram insegurança por experiências prévias de reações adversas após a vacinação, como febre, dor, edema local, irritabilidade, especialmente relacionadas à vacina contra COVID-19. Estudos de Santana (2016) destacam que a maioria dos eventos adversos pós-vacinação é leve e transitória, e que os benefícios da imunização superam amplamente os riscos.
b) Fake News
Quase 60% dos participantes afirmaram ter visto ou ouvido informações negativas nas redes sociais. Entre as Fake News relatadas:
• “vacinas fazem mal”;
• “deixam as crianças doentes”;
• “não funcionam”;
• “a vacina da gripe causa gripe”, além de informações incorretas sobre a composição da vacina Influenza.
As Fake News mais frequentes, entretanto, referiram-se às vacinas contra COVID-19 — especialmente dúvidas sobre segurança, efeitos colaterais graves e suposta insuficiência de estudos. A maioria das recusas vacinais no estudo relaciona-se especificamente a esse imunizante.
Considerações Finais
O estudo analisou o nível de informação da população sobre imunização infantil e a relação entre Fake News e a recusa vacinal. A metodologia adotada mostrou-se adequada aos objetivos propostos.
Os participantes apresentaram conhecimento básico sobre as vacinas, mas quase metade expressou insegurança em relação ao processo de imunização. Ficou evidente uma relação direta entre o contato com Fake News e a recusa vacinal: metade dos que tiveram acesso a informações falsas deixaram de vacinar seus filhos.
A predominância de Fake News sobre a vacina contra COVID-19 demonstra o quanto a circulação de informações negativas pode comprometer a cobertura vacinal e a prevenção de doenças.
À luz do princípio da equidade do SUS, reforça-se a necessidade de intensificação das ações de educação em saúde voltadas a essa população, de forma a reduzir dúvidas, desinformação e medos associados à vacinação. Destaca-se ainda o papel fundamental da enfermagem na orientação sobre eventos adversos, contribuindo para o fortalecimento da confiança e da adesão ao calendário vacinal infantil.
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