A RELAÇÃO ENTRE AS FAKE NEWS E A RECUSA PARENTAL À IMUNIZAÇÃO INFANTIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512150048


Laís Araújo Eloy; Márcia Aparecida Nuevo Gatti; Taís Lopes Saranholi; Gabriel Grandis Gatti Neto; Rita de Cássia Altino; Ana Paula Ribeiro Razera; Diogo Rodrigues Castanheira; Pedro Henrique Gomes; Felipe Cesar Aparecido Canato Malagutti; Rafael Arruda Alves


RESUMO 

Introdução: As vacinas são de extrema importância na proteção à saúde  e na prevenção de doenças infectocontagiosas, além de evitar a ocorrência de  surtos epidêmicos, pois estimulam o sistema imune do indivíduo a desenvolver  anticorpos contra vírus e bactérias causadoras de doenças graves. Ao longo dos  anos, a imunização infantil foi responsável por inúmeros benefícios na  sociedade, como a redução da mortalidade infantil, a redução de hospitalizações  e sequelas de doenças, o aumento da expectativa de vida e melhores condições  de crescimento e desenvolvimento. Objetivo: Analisar o nível de informação da  população sobre a imunização infantil, como também compreender a relação  entre as Fake News e a não adesão à vacinação infantil e aumentar a adesão à  vacinação infantil. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo  e exploratório que responderá questões relacionadas ao nível de informação da  população sobre a imunização infantil e o contato com Fake News, buscando  compreender a relação entre as “notícias falsas” e a recusa dos pais a vacinar  seus filhos. Os dados foram obtidos através de um questionário semiestruturado,  com duração de aproximadamente 20 minutos, aplicado pelo próprio  pesquisador. Resultados: O público demonstrou conhecer a maioria das  vacinas do calendário vacinal infantil, porém, de acordo com as respostas, ainda  há uma grande insegurança em relação à vacinação. Quanto às Fake News,  50% dos pais que tiveram contato com alguma notícia falsa sobre as vacinas, deixaram de vacinar seus filhos. A maioria dos relatos de não adesão a alguma  das vacinas se referiam a vacina contra o COVID-19. Considerações finais: O  estudo evidenciou uma relação direta entre o contato com Fake News e a recusa  em vacinar as crianças. É necessário maior foco em educação em saúde e  orientação de enfermagem, com a finalidade de esclarecer dúvidas, diminuir a  disseminação de notícias falsas acerca das vacinas e aumentar a adesão à  imunização infantil.  

Palavras-chave: Imunização; Vacinação Infantil; Adesão à Vacinação;  Fake News; Desinformação. 

INTRODUÇÃO 

As vacinas constituem um dos mais importantes avanços da Saúde  Pública, sendo fundamentais para a proteção individual e coletiva, a redução da  transmissão de doenças infectocontagiosas e a prevenção de surtos epidêmicos.  Funcionam ao estimular o sistema imune a produzir anticorpos contra vírus e  bactérias potencialmente causadores de doenças graves. Historicamente, a  imunização infantil tem contribuído para a redução da mortalidade infantil,  diminuição de hospitalizações, prevenção de sequelas, aumento da expectativa  de vida e melhores condições de crescimento e desenvolvimento (Sousa, Vigo,  Palmeira, 2012). 

Apesar desses benefícios amplamente comprovados, observa-se que  parte da população ainda apresenta resistência em vacinar seus filhos, o que  compromete diretamente a cobertura vacinal e favorece o retorno de doenças  previamente eliminadas ou controladas no Brasil. A não adesão à imunização  infantil decorre de fatores sociais, culturais, econômicos e, principalmente, da  circulação de informações incorretas sobre as vacinas. 

A desinformação relacionada aos imunobiológicos abre espaço para  inseguranças e dúvidas, impulsionando a disseminação de Fake News. Estas  são compreendidas como conteúdos falsos ou manipulados, potencialmente  associados à rejeição de recomendações em saúde e até a geração de conflitos  sociais (Forster, Carvalho, Filgueiras, 2021). Embora ainda não haja uma  definição universalmente aceita, um conceito usual descreve as Fake News como “histórias falsas que parecem notícias e que se espalham pela internet ou outros meios de comunicação, frequentemente criados para influenciar opiniões  ou como forma de entretenimento” (De Barcelos et al., 2021). Neste cenário, torna-se essencial compreender de que maneira as Fake  News influenciam a decisão dos pais quanto à vacinação infantil, permitindo o  desenvolvimento de estratégias mais eficazes de promoção e prevenção em  saúde. A vacinação se configura como uma atitude preventiva essencial contra  doenças transmissíveis e é, historicamente, responsável pelo controle de  importantes agravos (Silveira et al., 2007). 

Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é  reconhecido internacionalmente como uma política pública exemplar,  responsável pela erradicação e controle de doenças imunopreveníveis no Brasil.  O programa se destaca pela universalidade, ao garantir acesso às vacinas para  toda a população, independentemente de condições sociais, econômicas ou  geográficas (Brasil, 2020). Além disso, define calendários vacinais com base na  situação epidemiológica e em aspectos de risco e vulnerabilidade, abrangendo  diferentes ciclos de vida. 

A efetividade do PNI é amplamente documentada. De acordo com  Homma et al., (2011), a política brasileira de disponibilizar universalmente  vacinas resultou na eliminação de agravos como poliomielite, sarampo e rubéola,  alcançando reduções históricas na notificação de doenças imunopreveníveis. 

Para sustentar esses avanços, ações como campanhas de vacinação,  ampliação da oferta de imunobiológicos e estratégias de intensificação são  essenciais. A informação adequada também é um fator determinante. Pais e  responsáveis devem ser orientados quanto ao esquema vacinal, à importância  da adesão ao calendário e ao registro adequado no cartão vacinal da criança  (Hoffmann e Oliveira, 2009). 

A família exerce papel central na tomada de decisão sobre a imunização  infantil, influenciada por crenças, valores e condições socioeconômicas. No  entanto, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde ainda impacta  negativamente a cobertura vacinal, sobretudo entre famílias em situação de  vulnerabilidade (Silva et al., 2022). 

A hesitação vacinal, amplificada pelas Fake News, apoia-se no medo de  eventos adversos, dúvidas sobre a eficácia das vacinas e interpretações  equivocadas de conteúdo sensacionalista disseminado nas redes sociais. 

Estudos demonstram que não há relação entre vacinas e autismo, por exemplo,  mito frequentemente associado à vacina tríplice viral, uma vez que a prevalência  do transtorno é igual entre crianças vacinadas e não vacinadas (Samorano,  2015). 

Embora o movimento antivacinação tenha maior expressão nos Estados  Unidos e na Europa, no Brasil sua influência vem crescendo, exigindo maior  preparo dos profissionais de saúde para combatê-lo com informação qualificada.  Estudos de Costa e Teixeira (2020) destacam que as Fake News atuam  paradoxalmente “em defesa da vida”, ao alertarem falsamente para supostos  riscos das vacinas, enquanto colocam vidas em perigo ao desencorajar a  imunização e favorecer a ocorrência de doenças graves. Trata-se de um  fenômeno comunicacional que, amplificado pelas redes digitais, altera  comportamentos e decisões em saúde. 

Diante desse panorama, este estudo objetivou analisar o nível de  informação da população sobre a imunização infantil, como também,  compreender a relação entre as Fake News e a não adesão à vacinação infantil e contribuir para o aumento da adesão à vacinação infantil por meio de  orientações impressas ou em vídeo. 

Foi realizado um estudo quantitativo, descritivo e exploratório, cujo  objetivo foi responder questões relacionadas ao nível de informação da  população acerca da imunização infantil e do contato com notícias falsas (Fake  News), buscando compreender sua possível relação com a recusa parental à  vacinação. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário  semiestruturado, aplicado individualmente pelo pesquisador, com duração  aproximada de 20 minutos, em duas Escolas Municipais de Educação Infantil  (EMEI) da cidade de Bauru: EMEI Arlindo Boemer Guedes de Azevedo, localizada na Alameda Cartago, Q6, Parque Santa Edwiges e EMEII Mônica  Cristina de Carvalho, situada na Alameda Urano, Parque Santa Edwiges. Ambas  atendem crianças de 4 meses a 5 anos e 11 meses, distribuídas entre as etapas  de Creche e Pré-escola. 

Segundo o Censo Escolar/INEP (2020), a EMEI Arlindo Boemer Guedes  possui 55 crianças na Creche e 89 na Pré-escola; já a EMEI Mônica Cristina de  Carvalho conta com 68 crianças na creche e 46 na Pré-escola.

Foram analisados dados de pais ou responsáveis por crianças  regularmente matriculadas nas duas unidades escolares. A participação ocorreu  mediante esclarecimento prévio e assinatura do Termo de Consentimento Livre  e Esclarecido (TCLE). Este estudo integra a pesquisa Movimentos anti-vacinais  e políticas de imunização: uma avaliação acerca do nível de informação dos  discentes da saúde”, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Vacinas, e foi  aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário Sagrado Coração, sob parecer nº 3.788.801. 

As variáveis quantitativas foram expressas como médias e desvios padrão ou medianas (p25–p75), conforme a normalidade avaliada pelo teste de  Kolmogorov-Smirnov. Os dados foram organizados em banco eletrônico no  software Microsoft Excel 2013®. 

Resultados e Discussão 

Participaram do estudo 54 pessoas, sendo 41 mulheres (75,9%) e 13  homens (24,1%). Quanto ao grau de parentesco, 32 eram mães (59,3%), 12 pais  (22,2%), 7 avós (13%) e 3 tias (5,6%). Essa configuração é amplamente descrita  na literatura, que aponta as mulheres, sobretudo as mães, como o principal  público-alvo de campanhas de imunização e, simultaneamente, o grupo mais  exposto a desinformações sobre vacinas nas redes sociais (SATO, 2018). 

Em relação à renda familiar, 23 participantes (42,6%) declararam receber  até um salário-mínimo nacional (SMN); 20 (37%) entre 1 e 2 SMN; 2 (3,7%) entre  2 e 5 SMN; e 9 (16,7%) preferiram não responder. Sobre escolaridade, 21  participantes (38,8%) possuíam ensino médio completo. No que diz respeito às  condições socioeconômicas, percebe-se que 42,6% dos entrevistados possuem  renda familiar de até um salário-mínimo e 38,8% têm ensino médio completo.  Segundo a Lei nº 8.080/1990, fatores socioeconômicos e educacionais  constituem determinantes e condicionantes da saúde, o que reforça a influência  da vulnerabilidade social na capacidade de acesso, compreensão e adesão às  informações em saúde (Brasil, 1990) 

Estudos demonstram que indivíduos com menor renda e escolaridade  tendem a apresentar maior exposição a Fake News e menor habilidade de avaliar criticamente conteúdos desinformativos, o que impacta negativamente a  adesão à vacinação (Samorano, 2015). 

O Gráfico 1 apresenta o nível de conhecimento dos participantes acerca  do Programa Nacional de Imunização (PNI) e das vacinas em geral. Dos 54  entrevistados, 49 afirmaram desconhecer o PNI; entretanto, 40 disseram saber  para que servem as vacinas. 

Gráfico 1 – Nível de conhecimento dos participantes acerca do Programa  Nacional de Imunização (PNI) e das vacinas em geral no estudo sobre a  relação entre as Fake News e a recusa parental à imunização infantil. 

Fonte: Elaborada pela autora.

Os dados apresentados no Gráfico 1 mostram um achado relevante:  embora 49 participantes afirmem desconhecer o Programa Nacional de  Imunização (PNI), 40 demonstram saber para que servem as vacinas. Esse  contraste sugere que existe um conhecimento básico sobre o papel protetivo dos  imunobiológicos, mas há desconhecimento expressivo sobre a estrutura  institucional que organiza, garante e regula a vacinação no país. Esse cenário é  preocupante, pois o PNI é uma das políticas públicas mais exitosas da saúde  brasileira, responsável pela erradicação e controle de diversas doenças  imunopreveníveis (DOMINGUES, 2020). A falta de conhecimento sobre o PNI  pode fragilizar a confiança no sistema de saúde, ampliando a vulnerabilidade às  narrativas falsas disseminadas digitalmente (OPAS, 2021). 

A literatura aponta que o desconhecimento sobre o funcionamento dos  programas de imunização aumenta a hesitação vacinal, uma vez que indivíduos que não compreendem os critérios de segurança, eficácia e logística tendem a  superestimar riscos e subestimar benefícios (MACDONALD, 2015). Os  resultados do estudo reforçam, portanto, a necessidade de ações educativas que  abordem não apenas a importância das vacinas, mas também o papel  estratégico do PNI e a lógica coletiva da imunização, especialmente em  contextos em que a desinformação afeta diretamente a percepção parental sobre  riscos e benefícios. 

Para compreender o nível de conhecimento da população acerca das  imunizações previstas no Calendário Nacional de Vacinação Infantil, solicitou-se  aos participantes que indicassem quais vacinas conseguiriam reconhecer entre  aquelas ofertadas na atenção básica. A Tabela 1 apresenta a distribuição das  vacinas identificadas pelos respondentes, permitindo visualizar quais  imunobiológicos fazem parte do repertório já conhecido pelas famílias e quais  permanecem pouco familiares. 

Tabela 1- As vacinas que são conhecidas pelo público que participou da  pesquisa “A relação entre as Fake News e a recusa parental à  imunização infantil”, 2023.

Fonte: Elaborada pela autora.

A análise desse levantamento é essencial para identificar lacunas de  conhecimento que podem repercutir diretamente na adesão ao esquema vacinal.  Estudos apontam que o reconhecimento prévio das vacinas está associado a  maior segurança no processo decisório, já que a familiaridade com o nome do imunizante e sua finalidade contribuir para a confiança dos pais (SATO, 2018;  DOMINGUES, 2020). Por outro lado, quando determinados imunobiológicos não  são reconhecidos, aumenta-se o risco de hesitação vacinal, especialmente em  um cenário permeado por desinformação crescente nas redes sociais (OPAS,  2021). 

Além disso, compreender quais vacinas são mais lembradas permite  inferir a influência das Fake News na percepção do público. Pesquisas  evidenciam que imunizações amplamente alvo de desinformação, como HPV e  COVID-19, tendem a ser menos aceitas ou frequentemente associadas a medos  infundados, mesmo quando fazem parte do calendário oficial ou são ofertadas  em campanhas específicas (MACDONALD, 2015). Portanto, conhecer o  repertório vacinal reconhecido pela população auxilia na identificação de áreas  prioritárias para intervenções educativas, ações de comunicação em saúde e  fortalecimento da confiança no Programa Nacional de Imunizações. 

Desse modo, tais resultados não apenas descrevem as vacinas lembradas  pelos participantes, mas também fornece subsídios para compreender como o  conhecimento, ou sua ausência, pode influenciar comportamentos relacionados  à imunização infantil em um contexto de intensa circulação de Fake News. 

Os resultados apresentados no Gráfico 2 evidenciam que 28 participantes  (51,9%) relataram não sentir insegurança em relação às vacinas infantis,  enquanto 26 (48,1%) afirmaram sentir-se inseguros. Essa distribuição  relativamente equilibrada revela um cenário preocupante, pois indica que quase  metade dos responsáveis apresenta algum grau de hesitação vacinal, um  fenômeno complexo que pode comprometer a cobertura vacinal e favorecer o  ressurgimento de doenças imunopreveníveis.

Gráfico 2 – A insegurança dos pais em relação às vacinas infantis,  questionada na pesquisa “A relação entre as Fake News e a recusa parental à  imunização infantil”, em 2023.

Fonte: Elaborada pela autora.

Tais achados corroboram evidências da literatura, como apontado por  Bazanella de Sá et al., (2021), que identificam que insegurança, medo de efeitos  adversos e dúvidas quanto à segurança dos imunobiológicos são fatores centrais  que reduzem a adesão à vacinação infantil. A hesitação vacinal não se trata  apenas de rejeição, mas inclui atraso ou dúvida sobre a aplicação de vacinas  mesmo quando estas estão disponíveis, acessíveis e recomendadas  (MACDONALD, 2015). 

Além disso, estudos mostram que sentimento de insegurança são  amplificados pelo consumo de Fake News, especialmente nas redes sociais, que  disseminam narrativas falsas sobre supostos riscos, toxicidade ou efeitos a longo  prazo das vacinas. Essas informações distorcidas impactam principalmente os  responsáveis que apresentam menor literacia em saúde, maior dificuldade de  interpretar dados científicos ou que vivenciam situações socioeconômicas mais  vulneráveis, tornando-os mais suscetíveis a conteúdos alarmistas (BAZANELLA  DE SÁ et al., (2021). 

Outro ponto relevante é que a insegurança não surge isoladamente, mas  é influenciada por experiências pessoais, relatos de terceiros, confiança na  equipe de saúde e percepção de risco sobre as doenças preveníveis. Pesquisas mostram que pais que percebem baixa gravidade das doenças ou questionam a  necessidade de múltiplas doses tendem a relatar maiores níveis de preocupação  e medo. Esse achado reforça resultados como os de Bazanella de Sá et al., (2021), que apontam que a insegurança e medo relacionados aos imunobiológicos  prejudicam a adesão à vacinação. 

Sendo assim, o achado do presente estudo reforça a importância de  estratégias de comunicação e educação em saúde que abordem não apenas os  benefícios das vacinas, mas também acolham dúvidas, reduzam medos e  desmistifiquem informações falsas. A insegurança parental deve ser  compreendida como um elemento central da hesitação vacinal e, portanto,  requer intervenções que aproximem os profissionais de saúde das famílias,  promovendo diálogo, escuta ativa e informações claras e acessíveis. 

A Tabela 2 apresenta a relação entre o contato com notícias negativas,  muitas delas classificáveis como Fake News, e a não vacinação infantil. Entre os  32 entrevistados que relataram ter visto/ouvido informações negativas sobre  vacinas, 16 (50%) deixaram de vacinar seus filhos em algum momento. Em  contrapartida, todos os 22 participantes que disseram não ter contato com  informações negativas relataram nunca ter recusado a vacinação infantil. 

Tabela 2- A relação entre o contato com informações negativas e prováveis Fake  News e a não vacinação infantil relatada pelos participantes desse  estudo, em 2023. 

Fonte: Elaborado pela autora.

Esses achados corroboram com as pesquisas de Honório Ferreira,  Mesquita (2023), que demonstram que a recusa vacinal impacta não apenas o indivíduo, mas a imunidade coletiva, favorecendo surtos e bolsões de  suscetíveis. 

As informações negativas relatadas foram classificadas em: 

a) Reações adversas 

Muitos participantes relataram insegurança por experiências prévias de  reações adversas após a vacinação, como febre, dor, edema local, irritabilidade,  especialmente relacionadas à vacina contra COVID-19. Estudos de Santana  (2016) destacam que a maioria dos eventos adversos pós-vacinação é leve e  transitória, e que os benefícios da imunização superam amplamente os riscos. 

b) Fake News

Quase 60% dos participantes afirmaram ter visto ou ouvido informações negativas nas redes sociais. Entre as Fake News relatadas: 

• “vacinas fazem mal”; 

• “deixam as crianças doentes”; 

• “não funcionam”; 

• “a vacina da gripe causa gripe”, além de informações incorretas sobre a  composição da vacina Influenza. 

As Fake News mais frequentes, entretanto, referiram-se às vacinas contra  COVID-19 — especialmente dúvidas sobre segurança, efeitos colaterais graves  e suposta insuficiência de estudos. A maioria das recusas vacinais no estudo  relaciona-se especificamente a esse imunizante. 

Considerações Finais 

O estudo analisou o nível de informação da população sobre imunização  infantil e a relação entre Fake News e a recusa vacinal. A metodologia adotada  mostrou-se adequada aos objetivos propostos. 

Os participantes apresentaram conhecimento básico sobre as vacinas,  mas quase metade expressou insegurança em relação ao processo de  imunização. Ficou evidente uma relação direta entre o contato com Fake News e a recusa vacinal: metade dos que tiveram acesso a informações falsas  deixaram de vacinar seus filhos.

A predominância de Fake News sobre a vacina contra COVID-19  demonstra o quanto a circulação de informações negativas pode comprometer a  cobertura vacinal e a prevenção de doenças. 

À luz do princípio da equidade do SUS, reforça-se a necessidade de  intensificação das ações de educação em saúde voltadas a essa população, de  forma a reduzir dúvidas, desinformação e medos associados à vacinação.  Destaca-se ainda o papel fundamental da enfermagem na orientação sobre  eventos adversos, contribuindo para o fortalecimento da confiança e da adesão  ao calendário vacinal infantil. 

REFERÊNCIAS 

DE BARCELOS, T. do N. et al. Análise de Fake News veiculadas durante a pandemia  de COVID-19 no Brasil. Revista Panamericana de Salud Pública [online]. v. 45 e65.  Disponível em: <https://doi.org/10.26633/RPSP.2021.65. Acesso em 5 março 2023 

BAZANELLA DE SÁ, O. A. et al. Fatores associados à adesão e à não adesão à  vacina contra influenza em idosos: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of  Surgery and Clinical Research, v. 34, n. 1, 2021. Disponível em: https://mastereditora.com.br/20210304_112108.pdf. Acesso em: 14 jul. 2023. 

BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Disponível em:  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 6 jul. 2023. 

BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Disponível em:  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm. Acesso  em: 6 jul. 2023. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.  Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Manual de Normas e  Procedimentos para Vacinação. Departamento do Programa Nacional de Imunizações.  – 2.ed. rev. – Brasília: Ministério da Saúde, 2020. 294 p.: il. Disponível em www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2020 

DOMINGUES, C. M. A. S. et al.. 46 anos doPrograma Nacional de Imunizações: uma  história repleta de conquistas e desafios a serem superados. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, p. e00222919, 2020. Disponível em https://doi.org/10.1590/0102- 311X00222919 

COSTA, R.; TEIXEIRA, A. Fake News colocam a vida em risco: a polêmica da  campanha de vacinação contra a febre amarela no Brasil. RECIIS, 2020. Disponível  em: https://bvsalud.org. Acesso em: 17 mar. 2023. 

FORSTER, R.; CARVALHO, R. M.; FILGUEIRAS, A. E. A. Fake News: o que é, como  se faz e por que funciona? 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.3294. Acesso em: 23 mar. 2022. DOI:  10.1590/SciELOPreprints.3294. 

HOFFMANN, M. V.; OLIVEIRA, I. C. S. Conhecimento da família acerca da saúde de  crianças de 1 a 5 anos em uma comunidade ribeirinha: subsídios para a enfermagem  pediátrica. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v. 13, n. 4, p. 750-756, out./dez.  2009. 

HOMMA, A. et al. Atualização em vacinas, imunizações e inovação tecnológica.  Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 2, p. 445-458, 2011. 

HONÓRIO FERREIRA, A. C. B.; MESQUITA, J. A. B. Não adesão à vacinação: uma  revisão integrativa da literatura. Revista Científica Pro Homine, v. 5, n. 1, p. 46-64,  2023. Disponível em: http://orcid.org/0000-0003-4289-7699. Acesso em: 14 jul. 2023. 

MACDONALD NE; SAGE Working Group on Vaccine Hesitancy. Vaccine hesitancy:  Definition, scope and determinants. Vaccine. 2015 Aug 14;33(34):4161-4. Disponível  em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25896383 

OPAS — Organização Pan-Americana da Saúde. Relatório de situação da imunização  no Brasil. Brasília: OPAS, 2021. 

SAMORANO, C. Imunização racional? Correio Braziliense, 2015. Disponível em:  https://sbim.org.br/images/files/sbim-revista-correio-10-05.pdf. Acesso em: 31 mar.  2022. 

SANTANA, L. J. Q. Ações da enfermagem aos eventos adversos na vacinação infantil:  revisão integrativa. 2016. 32 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em 

Enfermagem) – Faculdade Maria Milza, Governador Mangabeira, BA, 2016. Disponível  em: http://131.0.244.66:8082/jspui/handle/123456789/190. Acesso em: 27 jul. 2023. 

SATO, A. P. S.. What is the importance of vaccine hesitancy in the drop of vaccination  coverage in Brazil?. Revista de Saúde Pública, v. 52, p. 96, 2018. Disponível em  https://revistas.usp.br/rsp/article/view/152007 

SILVA, J. F. G. et al. Paradigmas da adesão vacinal nos 1000 dias de vida: análise e  repercussões na saúde pública. Boletim Epidemiológico Paulista, v. 19, 2022.  Disponível em: https://bvsalud.org. Acesso em: 17 mar. 2023. 

SILVEIRA, A. S. DE A. et al.. Controle de vacinação de crianças matriculadas em  escolas municipais da cidade de São Paulo. Revista da Escola de Enfermagem da  USP, v. 41, n. 2, p. 299–305, jun. 2007. Disponível em https://doi.org/10.1590/S0080- 62342007000200018.  

SOUSA, C. J.; VIGO, Z. L.; PALMEIRA, C. S. Compreensão dos pais acerca da  importância da vacinação infantil. Revista Enfermagem Contemporânea, v. 1, n. 1,  2012. DOI: 10.17267/2317-3378rec.v1i1.39. Disponível em:  https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/39. Acesso em: 26  mar. 2023.