REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511281841
Emily Lopes Leal
Raissa Thaynara Ferreira de Santana
Orientador: Prof. Anderson Felipe Bernardo da Silva
Coorientadora: Profa. Amanda Maria Santiago de Mello
RESUMO
A escoliose idiopática do adolescente é um desvio anormal da coluna vertebral caracterizada por uma curvatura resultando no ângulo de cobb igual ou superior a 10°, costuma se manifestar na faixa etária entre 10 e 16 anos, afetando mais meninas e podendo progredir durante o período de crescimento. O objetivo deste estudo consistiu em avaliar a eficácia da fisioterapia visando o tratamento conservador da escoliose idiopática do adolescente através de coletes ortopédicos e métodos de schroth e SEAS para a redução da progressão da curvatura escoliótica. Trata-se de uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, identificados nas bases de dados PubMed/MEDLINE, LILACS, SciELO e PEDro durante os últimos 10 anos. Os resultados encontrados demonstram que o tratamento conservador é eficaz para o controle e diminuição da progressão da curvatura, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida em indivíduos com a EIA. Concluindo a combinação de coletes e exercícios fisioterapêuticos apresenta resultados positivos na redução da progressão da deformidade, dispensando a necessidade de intervenções cirúrgicas.
Palavras-chave: escoliose idiopática do adolescente; ângulo de cobb; tratamento conservador.
ABSTRACT
Adolescent idiopathic scoliosis is an abnormal spinal deviation characterized by a curvature resulting in a Cobb angle equal to or greater than 10°. It usually manifests between the ages of 10 and 16, affecting more girls and potentially progressing during the growth period. The objective of this study was to evaluate the effectiveness of physiotherapy for the conservative treatment of adolescent idiopathic scoliosis using orthopedic braces and the Schroth and SEAS methods to reduce the progression of scoliotic curvature. This is an integrative review with a qualitative approach, identifying data from the PubMed/MEDLINE, LILACS, SciELO, and PEDro databases over the last 10 years. The results demonstrate that conservative treatment is effective in controlling and reducing the progression of the curvature, as well as providing a better quality of life for individuals with AIS. In conclusion, the combination of braces and physiotherapy exercises shows positive results in reducing the progression of the deformity, eliminating the need for surgical interventions.
Keywords: Adolescent idiopathic scoliosis; Cobb angle; conservative treatment.
INTRODUÇÃO
A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é uma alteração tridimensional da coluna, sendo o desvio lateral o mais comum. Ela tende a se desenvolver entre os 10 e 16 anos, afetando principalmente meninas (Peng et al., 2020). De acordo com a Scoliosis Research Society (SRS), a escoliose idiopática do adolescente é caracterizada por uma curvatura da coluna com ângulo de Cobb igual ou superior a 10°, acompanhada de rotação vertebral (Addai; Zarkos; Bowey, 2020)
A escoliose idiopática do adolescente (EIA) apresenta uma prevalência global estimada entre 0,47% e 5,2%, sendo considerada a forma mais comum de deformidade estrutural da coluna vertebral em adolescentes. Estudos indicam que tanto a prevalência quanto a gravidade da condição são significativamente maiores no sexo feminino, com uma razão média de 3:1 em relação aos meninos na faixa etária de 11 a 12 anos, aumentando com o avanço da idade. No Brasil, estima-se que a EIA acometa de 2% a 4% das crianças e adolescentes com idades entre 10 e 16 anos, evidenciando a importância do rastreamento precoce e do acompanhamento clínico durante o período de crescimento acelerado (Aroeira et al., 2019).
Embora sua causa exata ainda não seja totalmente conhecida, acredita-se que esteja relacionada a fatores genéticos, hormonais, posturais e de crescimento. A predisposição genética pode influenciar seu surgimento, enquanto alterações hormonais e biomecânicas podem contribuir para sua progressão. A condição é relativamente comum na prática clínica, afetando entre 2% e 3% da população mundial (Gomes et al., 2023).
Nos casos leves, a escoliose geralmente não apresenta sintomas, podendo, em algumas situações, estar associada a dores musculoesqueléticas nas costas. No entanto, não há evidências de que leve à incapacidade ou comprometimento funcional. Já nos casos mais graves, quando o ângulo de Cobb atinge 40 graus ou mais, podem surgir dores, alterações estéticas, impactos psicossociais e, em raras ocasiões, comprometimento pulmonar (Kuznia; Hernandez; Lee, 2020)
A investigação inicial da EIA baseia-se em uma anamnese e um exame físico minuciosos, realizados com atenção à privacidade e à sensibilidade do adolescente, a fim de favorecer sua colaboração durante o processo. Além disso, recomenda-se a realização de registros fotográficos, que permitem o acompanhamento da progressão da curvatura ao longo do tempo. Outros métodos diagnósticos também podem ser empregados, visando uma avaliação mais precisa e abrangente do quadro clínico (Silva et al., 2022).
O Teste de Adams é frequentemente utilizado na prática clínica como ferramenta de avaliação inicial para a detecção precoce da escoliose, especialmente em crianças e adolescentes. Durante a avaliação, o paciente permanece em posição ortostática e realiza uma flexão anterior do tronco, a partir da cintura, com os braços soltos e as mãos unidas. Nessa fase do teste, é observado a região dorsal, identificando possíveis assimetrias ou gibosidades que indiquem rotação vertebral e curvatura lateral da coluna (Jinnah et al., 2024).
O sinal de Risser é um marcador radiográfico que avalia a maturação esquelética com base na ossificação da crista ilíaca. Ele varia de 0 a 5, indicando o potencial de crescimento e o risco de progressão da escoliose. Estágios 0–1 indicam alto risco de progressão; 2–3, risco moderado; e 4–5, baixa probabilidade de agravamento, por refletirem maior maturidade esquelética (Oetgen, Heyer e Kelly, 2021).
Para o diagnóstico da escoliose e a avaliação de sua gravidade, a mensuração do ângulo de Cobb é reconhecida como o padrão-ouro. Esse método permite quantificar a curvatura lateral da coluna vertebral por meio de radiografias realizadas no plano coronal, preferencialmente nas projeções ântero-posterior (AP) ou póstero-anterior (PA) (Chen et al., 2024).
A técnica consiste em identificar as duas vértebras mais inclinadas, situadas nas extremidades superior (cranial) e inferior (caudal) da curva escoliótica, traçando linhas sobre suas placas terminais. O ângulo formado entre essas linhas representa o grau de curvatura da coluna (Prestigiacomo et al., 2022).
A conduta clínica diante da escoliose varia conforme o valor do ângulo de Cobb. Curvas inferiores a 25° são geralmente monitoradas com observação clínica e radiografias semestrais, principalmente durante a fase de crescimento acelerado. Para curvas entre 25° e 40°, indica-se tratamento conservador com uso de colete ortopédico e fisioterapia, visando conter a progressão (Chen et al., 2024).
Além da análise radiográfica, é fundamental levar em conta o estágio de maturação esquelética do paciente. A puberdade, que tem início por volta dos 11 anos de idade óssea nas meninas e 13 nos meninos, é caracterizada inicialmente por uma fase de crescimento acelerado com duração média de dois anos, seguida por uma fase de desaceleração progressiva que pode durar até três anos (Ghanem & Rizkallah, 2020)
Durante esse período de crescimento rápido, a escoliose idiopática do adolescente tende a progredir com maior intensidade, sobretudo em indivíduos mais jovens com curvas já estabelecidas. Portanto, o monitoramento da maturação óssea e do ângulo de Cobb é essencial para determinar o momento ideal de intervenção terapêutica e minimizar os riscos de complicações a longo prazo (Jada et al., 2017).
Em casos de escoliose com curvas moderadas, o tratamento conservador envolve a associação entre o uso de coletes ortopédicos e a realização de exercícios terapêuticos, com o intuito de conter a progressão da curvatura. O colete atua promovendo o reposicionamento do tronco, mantendo-o em uma postura corrigida e estável. Já os exercícios têm como objetivo favorecer adaptações neuromusculares, estimulando padrões posturais e de movimento mais adequados por meio de estratégias de controle motor que se tornam automáticas e funcionais no dia a dia (Yagci; Yakut, 2019)
A EIA é uma condição ortopédica de patomecanismo complexo, exigindo, portanto, um plano de tratamento conservador abrangente e individualizado. Dentre as estratégias terapêuticas, destaca-se a utilização dos Exercícios Fisioterapêuticos Específicos para Escoliose (PSSE), considerados uma das abordagens mais eficazes para o manejo da curvatura espinhal sem necessidade cirúrgica (You et al., 2024).
Um dos princípios fundamentais apontados pelo consenso SOSORT (Sociedade Internacional de Tratamento Ortopédico e de Reabilitação da Escoliose) é a autocorreção tridimensional (3D), definida como a capacidade do paciente de buscar o melhor alinhamento possível nos três planos do espaço. Essa autocorreção deve ser acompanhada da estabilização da postura corrigida, educação postural e integração das correções na rotina diária (Seleviciene et al., 2022).
Diferentemente da fisioterapia convencional, a PSSE visa objetivos bem delineados, como a melhora da estética postural, a redução ou estabilização da curva escoliótica, o alívio de possíveis dores nas costas e a prevenção de alterações respiratórias, fatores frequentemente associados à progressão da escoliose (Negrini et al., 2018).
Diversas metodologias de PSSE têm sido estudadas e aplicadas clinicamente, sendo as mais conhecidas os métodos Schroth e SEAS (Scientific Exercises Approach to Scoliosis). O método Schroth é um tratamento tridimensional que enfatiza a respiração angular rotacional (RAB), a percepção postural e a correção específica dos padrões escolióticos (Dimitrijević et al., 2025).
Seus princípios fundamentais incluem o autoalongamento, a deflexão, a desrotação, a estabilização e a respiração rotacional. Além disso, o uso de espelhos durante os exercícios proporciona ao paciente um feedback visual imediato, favorecendo a correção ativa e consciente da postura (SCHREIBER et al., 2016).
Já o método SEAS baseia-se na autocorreção ativa e na estabilização postural, com dois objetivos principais: melhorar a função estabilizadora da coluna vertebral e corrigir eventuais déficits motores identificados na avaliação, como retrações musculares, fraqueza muscular e dificuldades de coordenação motora (Day et al., 2019).
O uso de coletes ortopédicos é uma das principais estratégias no tratamento conservador da EIA, especialmente em pacientes com curvas entre 20° e 45° de Cobb e que ainda apresentam potencial de crescimento. Seu uso adequado pode prevenir a progressão da curvatura e diminuir a necessidade de cirurgia (Costa et al., 2021).
A órtese de Boston é a mais utilizada e bem aceita por sua discrição, enquanto a Rigo-Chêneau se destaca por promover uma correção tridimensional da curvatura. Para alcançar bons resultados, o uso do colete deve ser mantido de 16 a 20 horas diárias até a maturidade esquelética, sendo considerado eficaz quando a progressão não ultrapassa 5°. Em casos específicos, órteses noturnas como Charleston e Providence podem ser indicadas para curvas entre 25° e 35° (Addai; Zarkos; Bowey, 2020).
Além das consequências físicas, a escoliose idiopática do adolescente pode ter um impacto profundo na saúde mental, manifestando-se em maior frequência de sintomas de ansiedade, depressão e dificuldades de adaptação social. Os autores destacam ainda que esses aspectos psíquicos tendem a se agravar em função do efeito estético da curvatura e da vivência de uso do colete ortopédico em contextos escolares e sociais (Mitsiaki et al., 2022).
Como ressaltam os autores, “a infância e a adolescência constituem o principal período de risco para o desenvolvimento de problemas de saúde mental, que variam de sintomas leves e transitórios a transtornos mais graves” (Mitsiaki et al., 2022, p. 2).
Complementando essas evidências, o diagnóstico da EIA pode representar uma ruptura na percepção de normalidade do adolescente, gerando sentimentos de incerteza, vergonha corporal e frustração com as restrições impostas pelo tratamento. Esses dados ressaltam a importância de uma abordagem multidisciplinar que considere não apenas o aspecto ortopédico, mas também o suporte psicológico ao longo do acompanhamento clínico (Hannink et al. 2023).
OBJETIVOS
Objetivo geral
Analisar a eficácia da fisioterapia específica em crianças e adolescentes com escoliose idiopática.
Objetivos específicos
- Identificar os critérios clínicos e radiológicos utilizados para o diagnóstico precoce da EIA, com ênfase no teste de Adams e no ângulo de Cobb.
- Investigar os impactos físicos e psicossociais da EIA em adolescentes, considerando os efeitos na imagem corporal, autoestima e qualidade de vida.
- Descrever as estratégias conservadoras de tratamento da EIA, incluindo o uso de coletes ortopédicos e a aplicação de exercícios terapêuticos.
METODOLOGIA
Este estudo é uma revisão integrativa que reúne artigos sobre escoliose idiopática do adolescente e tratamentos fisioterapêuticos, focando em como exercícios específicos e o uso de colete influenciam a curva e a qualidade de vida.
A revisão de literatura trata-se de um método que inclui busca e análise de informações através de outros artigos, garantido uma visão ampla e aprofundada em relação ao tema proposto, integrando uma fundamentação de saberes teóricos e práticos crucial na assistência à saúde.
Foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão para assegurar a relevância e a qualidade das evidências. Incluem-se estudos originais e revisões sistemáticas publicados entre 2015 e 2025, em português ou inglês, que envolvam pacientes de 10 a 16 anos com diagnóstico de escoliose idiopática submetidos a programas de fisioterapia específicos, independentemente do uso de colete ortopédico. Excluem-se pesquisas que avaliem faixas etárias fora desse intervalo, relatos de caso único, estudos em animais, publicações sem texto completo disponível ou em idioma diferente do português e do inglês.
Entre fevereiro e novembro de 2025, realizou-se uma busca integrativa nas bases PubMed/MEDLINE, LILACS, SciELO e PEDro, aplicando buscas avançadas por título, resumo e assunto para selecionar os estudos mais pertinentes. As combinações a seguir foram elaboradas utilizando descritores booleanos: “Specific exercises” AND “idiopathic scoliosis”; “Orthopedic brace” AND “idiopathic scoliosis”; e “Idiopathic scoliosis” AND “children” AND “adolescent” NOT “elderly” NOT “adult”.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na figura 1 é apresentado através de um fluxograma o esquema de busca metodológica usada na identificação de artigos científicos nas plataforma PubMed/MEDLINE, LILACS, SciELO e PEDro.
Figura 1. Fluxograma do processo de busca nas bases de dados PubMed/MEDLINE,LILACS, SciELO e PEDro.

Fonte: do próprio autor
Ao início das buscas, foi identificado um total de 2.507 artigos científicos, sendo 2.464 na base de busca da Pubmed/MEDLINE, 4 na LILACS, 3 na SciELO e 36 na PEDro. Após uma leitura exploratória através dos títulos e resumos, foram selecionados 22 artigos. Foram excluídos 4 artigos repetidos, 6 artigos sem acesso ao texto completo e 6 artigos pagos. Foi aplicado os critérios de busca de inclusão que consideraram estudos que comprovasse a eficácia da fisioterapia através do tratamento conservador da escoliose idiopática especificamente com o uso de coletes, método schroth e método SEAS, e os critérios de exclusão que eliminaram artigos com outro tipo de tratamento como cirúrgico, relatos de caso único ou faixa etária fora do intervalo proposto. Após esse processo de refinamento, e através dos descritores e palavras chave, 6 artigos atenderam plenamente aos critérios estabelecidos (Figura 1).
Durante o processo de análise dos artigos, foi realizada uma leitura detalhada dos resumos e textos completos com o intuito de identificar a relevância do conteúdo, forma, metodologia e o contexto coerente dos estudos selecionados que aperfeiçoaram adequadamente a temática investigada.
Os artigos que foram acrescentados a revisão integrativa foram selecionados, organizados e arquivados em uma pasta para aproveitamento de todos os dados obtidos em cada artigo para serem revisados mais de uma vez para melhor absorção do conteúdo que complementaria de uma forma coerente e coesa. Esse procedimento contribuiu para a construção de uma base sólida de dados, facilitando a interpretação e a discussão dos resultados encontrados durante a revisão integrativa.
Como apresentado no quadro 1. O tamanho da amostra variou entre 33 a 278 indivíduos/artigos que foram estudados para a análise do tratamento conservador para a redução da curvatura da escoliose idiopática da criança e adolescente através de métodos e coletes ortopédicos a qual foi apresentado o objetivo, resultados e conclusão. Os objetivos principais, foram voltadas para avaliar a eficácia da fisioterapia visando o tratamento conservador para um resultado positivo em relação à curvatura da EIA, utilizando os métodos de Schroth, SEAS e o uso de órteses.
Tabela 1. Mostra os principais objetivos, resultados e conclusão de acordo com estudo de cada autor relacionado ao tratamento conservador da escoliose idiopática da criança e adolenceste.
| Autor | Tipo de Estudo | Amostr a | Objetivos | Resultados | Conclusão |
| Costa et al., 2021 | Revisão sistemática e meta análise | N=33 | Comparar a eficácia de diferentes conceitos de órtese para o tratamento de AIS. | A comparação da eficácia entre os diferentes conceitos de órtese revelou que órteses rígidas apresentam melhores resultados do que órteses flexíveis e que órteses noturnas apresentam eficácia comparável à de órteses em tempo integral. | O uso de órteses é eficaz no tratamento da AIS. Órteses rígidas de uso integral, órteses noturnas rígidas e órteses macias de uso integral são mais eficazes do que a observação apenas em termos de interromper a progressão da curvatura. A eficácia relatada de órteses noturnas é comparável à de órteses rígidas de uso integral; órteses macias apresentam desempenho inferior. |
| Dimitri jević et al., 2025 | Ensaio clínico randomi zado | N=34 | Determinar a eficácia sobre método conservador de Schroth em pacientes com EIA. | Houve uma grande melhora estatisticamente e significativa em todos os resultados que foram remetidos e medidos no grupo experimental, enquanto não houve nenhuma alteração estatisticamente e significativa registrada no grupo controle.O ângulo de Cobb diminuiu 2,12.◦, já o ATR (Ângulo de Rotação do Tronco) diminuiu 2,88◦; A VC aumentou 0,15 L, a CVF 0,13 L, o VEF1 0,1 L e a CE aumentou 0,78 cm. | A aplicação de um programa de terapia de oito semanas usando o método Schroth por indivíduos com EIA teve mudanças estatisticamente de forma significativas em todos os resultados medidos no grupo que foi supervisionado pelos terapeutas de Schroth, enquanto não houve melhora estatisticamente significativa no grupo que aplicou a terapia em casa sem supervisão. |
| Dimitri jević et al., 2022 | Revisão Sistemát ica e Meta-Análise | N=278 141 participa ntes no grupo experim ental Schroth e 137 | Poder avaliar criticamente o tamanho do efeito sobre o método conservador de Schroth por meio de uma revisão sistemática e meta-análise. | O tamanho do efeito do exercício de Schroth variou de quase moderado a grande, para os resultados usados: ângulo de Cobb respectivos (ES=−0,492,p<0,005);ATR (ES=−0,471,p=0,013);Q V (ES= 1,087,p <0,001). (4) | A meta-análise atual indica que o método Schroth tem um efeito positivo em indivíduos com escoliose idiopática. |
| Negri ni et al., 2018 | Deadlin e de diretrize s | N=68 | Seu objetivo foi alinhar às novas comprovações científicas para assim garantir uma transferência mais rápida referente ao conhecimento para a prática clínica do tratamento conservador da escoliose idiopática (CTIS). | As diretrizes atuais citadas incluem um total de 68 recomendações sendo elas divididas nos seguintes tópicos:órteses (n=25), PSSE para prevenir a progressão da escoliose durante o seu crescimento (n=12), PSSE durante o tratamento com aparelho e terapia cirúrgica (n=6),outros tratamentos conservadores (n=2), função respiratória e exercícios (n=3) ,atividades esportivas em geral (n=6); e avaliação (n =14). De acordo com a escala de classificação de força e nível de evidência acordada, houve duas recomendações sobre órtese e uma recomendação sobre PSSE que atingiram o nível de recomendação “I”e o nível de evidência “II”. Três recomendações atingiram a força de recomendação A com base no nível de evidência I (2 para órtese e uma para avaliação); dentre elas 39 recomendações atingiram a força de recomendação B (20 para órtese, 13 para PSSE e 6 para avaliação). | No final representam uma melhoria adicional quando comparadas outras experiências anteriores que já foram produzidas de forma internacionalmente pelo SOSORT ou até mesmo produzidas de forma nacionalmente entretanto por outros grupos |
| Schrei ber et al.,20 16 | Ensaio clínico randomi zado | N=50 | Determinar o efeito de uma intervenção Schroth,PSS E de seis meses que foi adicionada ao tratamento padrão (grupo experimental ) no ângulo de Cobb em comparação ao tratamento padrão que foi realizado sozinho nomeado(gr upo controle) em pacientes com AIS. | Na análise de intenção de tratar, após seis meses, o grupo Schroth apresentou uma Curva Maior significativamente menor do que os controles (-3,5˚, IC 95% -1,1̊ a -5,9˚,p=0,006). Da mesma forma, a diferença entre grupos na raiz quadrada da Soma das Curvas foi de -0,40˚, (IC 95% – 0,03̊ a -0,8 ,̊p=0,046), sugerindo que um paciente médio com 51,2 no início do estudo terá uma Soma das Curvas de 49,3 em seis meses no grupo Schroth e 55,1 no grupo controle, com a diferença entre os grupos aumentando com a gravidade.Análises por protocolo produziu diferenças semelhantes, mas maiores: Maior Curva=-4,1̊ (IC 95% -1,7̊ a -6,5˚,p= 0,002) e Soma de Curvas¼ 0:5 (IC 95% -0,8 a 0,2,p=0,006). | O PSSE Schroth adicionado ao padrão de tratamento foi superior ao tratamento padrão sozinho para reduzir a gravidade da curva em pacientes com AIS. |
| Seleci viene et al., 2022 | Revisão bibliográ fica | N=123 | Analisar as metodologias de PSSE usadas para o tratamento conservador da escoliose idiopática do adolescente (EIA), bem como sua eficácia. | A análise das publicações científicas mais recentes revelou muitos dados que sustentam que o exercício físico intencional pode estabilizar ou até mesmo reduzir o tamanho de uma deformidade espinhal escoliótica. | Apenas o método Schroth reduz significativamente o ângulo de rotação do tronco, enquanto os métodos SEAS e Schroth melhoram de forma muito significativa os indicadores de qualidade de vida. |
Legenda: AIS = Adolescent Idiopathic Scoliosis ATR=Ângulo de Rotação do Tronco ES= Effect Size (Tamanho do Efeito) IC= Intervalo de confiança VC=Volume Corrente CFV=Capacidade Vital Forçada VEF1= Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo CE=Circunferência Expiratória QV= Qualidade De Vida PSSE= Processo Seletivo Simplificado e Especial EIA= Escoliose Idiopática Do Adolescente.
Os artigos apresentados nos resultados, como mostra na tabela 1, evidenciaram que o tratamento conservador da escoliose idiopática em crianças e adolescentes tem se mostrado uma alternativa eficaz para o controle e diminuição da progressão da curvatura, além de ter trazido um resultado positivo em relação a funcionalidade.
No estudo de Costa et al.,(2021) foi comparado a eficácia de diversos tipos de órteses para chegar a conclusão qual era mais relevante para o tratamento da escoliose idiopática, que ao analisar revelou que a órteses rígidas apresentavam melhores resultados em comparação as órteses flexíveis. Já comparando as noturnas e as de tempo integral foi apresentado que a noturna é mais eficaz. De forma geral, o uso de órteses, como as rígidas de uso integral, as rígidas noturnas e as macias utilizadas de forma contínua, mostra-se efetivo para interromper a progressão da curvatura, quando comparado à conduta de apenas observar o paciente. Tanto as órteses noturnas quanto as rígidas apresentam eficácia superior em relação às órteses macias, que demonstraram desempenho inferior na estabilização da curvatura.
Há evidências de que o método de Schroth, quando realizado sob supervisão de um profissional, pode trazer benefícios significativos para o tratamento, incluindo a redução do ângulo de Cobb, diminuição da rotação do tronco e melhora a função respiratória, portanto é um fator crítico para a eficácia de exercícios, enquanto um grupo domiciliar sem o acompanhamento não se apresentou efeitos relevantes (Dimitrijević et al.,2025).
Uma revisão sistemática de (Dimitrijević et al.,2022) avaliou a eficácia do método de schroth no tratamento da escoliose idiopática onde seus resultados mostraram uma melhora significativa no ângulo de Cobb indicando que o método resultou positivamente reduzindo a curvatura, além de ser benéfico na qualidade de vida melhorando o bem estar do paciente. Como abordagem fisioterapêutica conservadora, o método de schroth é considerado uma intervenção relevante e eficaz.
Ambos os estudos de Dimitrijević et al. (2025) e Dimitrijević et al. (2022) se complementam e se fortalecem: um, por ser uma revisão sistemática que aborda os benefícios do método, e o outro, por se tratar de um ensaio clínico que comprova de forma direta e controlada que, quando aplicado corretamente e de maneira estruturada, com acompanhamento profissional, o método traz efeitos mais favoráveis, além de protocolos padronizados.
De acordo com (Negrini et al., 2018) os tratamentos conservadores, especialmente os exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose (PSSE) e o uso de coletes ortopédicos, demonstraram eficácia na contenção e até na redução da progressão da curvatura escoliótica. Os autores destacam que o PSSE, quando aplicado de forma supervisionada e com programas individualizados, promove melhora do ângulo de cobb, controle neuromotor, função respiratória, força muscular e aparência estética.
Conforme (Schreiber et al., 2016), a aplicação do método schroth associado ao tratamento padrão demonstrou resultados superiores em comparação ao tratamento isolado em adolescentes com escoliose idiopática. Após seis meses de intervenção, observou-se redução média de 1,2° no ângulo de Cobb no grupo tratado, enquanto o grupo controle apresentou aumento médio de 2,3° resultando em uma diferença significativa de 3,5° entre os grupos. Além disso, a soma das curvas também apresentou melhora significativa, evidenciando menor progressão da deformidade no grupo submetido ao PSSE. Aproximadamente 88% dos participantes do grupo experimental mantiveram ou melhoraram suas curvas em contraste com 60% no grupo controle.
Os resultados obtidos a partir da revisão de (Seleviciene et al., 2022) demonstram que o PSSE apresenta resultados promissores no tratamento conservador da escoliose idiopática do adolescente. Entre as metodologias analisadas, os métodos Schroth e SEAS destacaram-se por apresentarem evidências mais consistentes de eficácia na estabilização e até redução do ângulo de Cobb. O método Schroth mostrou-se eficaz na correção postural tridimensional e na melhora da qualidade de vida, enquanto o SEAS também apresentou resultados positivos na prevenção da progressão da deformidade e na melhora funcional dos pacientes.
CONCLUSÃO
Com base na análise dos estudos selecionados, observa-se que o tratamento conservador da EIA, quando realizado por meio de programas fisioterapêuticos específicos e uso adequado de coletes ortopédicos, apresenta resultados positivos na contenção e até na redução da progressão da curva escoliótica. Os métodos Schroth e SEAS se destacam entre as abordagens mais eficazes por promoverem a autocorreção tridimensional, estabilização postural e a aplicação dessas correções nas atividades funcionais, contribuindo não apenas para o alinhamento corporal, mas também para a melhora da função respiratória e da qualidade de vida dos pacientes.
Os estudos analisados mostram que o uso de coletes ortopédicos, especialmente os modelos rígidos e de uso integral, é considerado uma estratégia eficaz na estabilização da curvatura, principalmente em adolescentes em fase de crescimento. Além disso, a combinação de coletes e exercícios fisioterapêuticos específicos potencializa os resultados reduzindo a progressão da deformidade evitando a necessidade de intervenções cirúrgicas.
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