REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511281747
Luísa de Lamare dos Santos Paula
Bruno Henrique Ribeiro Valerio
RESUMO
Objetivo: Analisar criticamente e sintetizar as evidências publicadas de janeiro de 2015 a dezembro de 2025 sobre a Trombose de Veia Oftálmica (TVO), com ênfase na sua etiologia secundária à Celulite Orbitária (CO), detalhando a apresentação clínica, métodos diagnósticos, estratégias terapêuticas e desfechos de morbimortalidade.
Métodos: Esta Revisão Integrativa concentrou-se em artigos (relatos de caso, séries de casos e revisões) indexados nas bases de dados PubMed e SciELO, publicados dentro do período estipulado (2015–2025), nos idiomas português, inglês ou espanhol. Os descritores (MeSH/DeCS) utilizados na estratégia booleana incluíram variações de “Trombose de Veia Oftálmica” e “Celulite Orbitária”, além da Trombose de Seio Cavernoso (TSC) como complicação relacionada.1
Resultados: A Celulite Orbitária, geralmente originada por rinossinusite bacteriana, é a causa infecciosa mais prevalente da TVO, sendo esta última um precursor crucial da TSC.4 A apresentação clínica constitui uma emergência, caracterizada pelo início abrupto de proptose dolorosa, quimiose, oftalmoplegia e potencial diminuição da acuidade visual.3 O diagnóstico por imagem (Ressonância Magnética com venografia ou Tomografia Computadorizada com contraste) é mandatório e urgente para confirmação e exclusão de TSC.3 Embora a antibioticoterapia de amplo espectro seja o tratamento essencial, o uso concomitante de anticoagulação (AC) e corticoides (CE) é amplamente reportado na prática clínica, apesar da limitação de evidências robustas e da incerteza sobre seus benefícios para padronização.5
Conclusão: A TVO associada à CO representa um alto risco de morbidade funcional permanente, como a cegueira, e uma mortalidade significativamente elevada (20% a 30%).4 O reconhecimento e o diagnóstico precoces, seguidos por um manejo multidisciplinar e agressivo, são essenciais, visto que o tempo é o fator prognóstico mais importante na determinação dos desfechos.
Palavras-chave: Celulite Orbitária; Trombose de Veia Oftálmica Superior; Trombose do Seio Cavernoso; Anticoagulação.
1. INTRODUÇÃO
1.1 O Contexto da Celulite Orbitária e Suas Complicações Infecciosas
A Celulite Orbitária (CO) constitui uma infecção grave que acomete os tecidos moles posteriores ao septo orbital.2 Esta condição é distinta da celulite pré-septal, devido à sua localização profunda e seu potencial de rápida disseminação para estruturas vitais.7 A CO é considerada uma emergência médica, frequentemente resultando em complicações devastadoras. Sua etiologia é predominantemente bacteriana, com a fonte mais comum sendo a extensão de infecções dos seios paranasais, particularmente a rinossinusite.8 Outras fontes infecciosas incluem trauma local, infecções dentárias ou faciais, e cirurgias oftalmológicas.9
O manejo da CO exige intervenção imediata, devido ao risco iminente de complicações graves que podem ser limitadas à órbita (como abscesso subperiosteal ou orbital, neuropatia óptica, e cegueira) ou se estenderem intracranialmente.4 Dentre as complicações intracranianas, destacam-se a meningite, o abscesso cerebral, e, criticamente, a Trombose do Seio Cavernoso (TSC).4
1.2 A Trombose de Veia Oftálmica: Fisiopatologia da Propagação
A Trombose de Veia Oftálmica Superior (TVOS) é uma patologia rara, mas com risco potencial de perda visual e óbito.1 Ela representa o mecanismo intermediário e crucial na progressão da infecção orbital para o sistema nervoso central (SNC). A TVO pode ter etiologia multifatorial, incluindo hipercoagulabilidade, tumores sistêmicos ou locais e doenças autoimunes.3 No entanto, a causa mais comum é a extensão de um processo infeccioso/inflamatório, sendo a Celulite Orbitária a principal desencadeadora neste contexto.5
O mecanismo fisiopatológico central reside na anatomia do sistema venoso facial e orbital. As veias oftálmicas (superior e inferior) carecem de válvulas, o que facilita a propagação retrógrada de uma tromboflebite séptica originada na órbita ou nos seios paranasais diretamente para o seio cavernoso.4 Este processo transforma a TVO em uma condição ameaçadora à vida. A oclusão da Veia Oftálmica Superior (VOS) resulta em estase venosa e congestão orbital, manifestada por sinais clínicos dramáticos.12
1.3 Justificativa e Objetivos da Revisão
Apesar dos avanços na antibioticoterapia, a TVO e sua progressão para TSC continuam associadas a uma morbimortalidade inaceitavelmente alta.4 A raridade da condição resulta em uma escassez de estudos prospectivos e randomizados, levando a orientações terapêuticas divergentes, especialmente no que tange o uso de terapias adjuvantes como a anticoagulação e os corticoides.5
Esta revisão integrativa visa sintetizar a literatura científica indexada mais recente (2015-2025) para fornecer um panorama clínico e metodológico atualizado. O objetivo é analisar as características clínicas e epidemiológicas, avaliar a eficácia das diferentes modalidades de tratamento, e identificar os fatores prognósticos para guiar o clínico no manejo desta emergência.
2. MÉTODOS
2.1 Tipo de Estudo e Questão de Pesquisa
Este estudo consiste em uma Revisão Integrativa da Literatura, um delineamento metodológico robusto que permite a síntese e análise de múltiplas abordagens de pesquisa, incluindo relatos de caso e séries de casos, que são predominantes em patologias raras. A questão norteadora da pesquisa, em formato PICO (População, Intervenção/Exposição, Comparação, Outcome), buscou avaliar os desfechos da TVO (P: Pacientes com Trombose de Veia Oftálmica) secundária à CO (E: Celulite Orbitária), considerando os diferentes tratamentos (I: Antibioticoterapia, Anticoagulação, Corticoides) e desfechos de morbimortalidade (O: Cegueira, Óbito).
2.2 Estratégia de Busca e Bases de Dados
A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados eletrônicas PubMed e SciELO, abrangendo a literatura científica global e latino-americana indexada, conforme os critérios estabelecidos pelo protocolo. A busca foi restrita a publicações entre janeiro de 2015 e dezembro de 2025.
A estratégia de busca utilizou a combinação dos descritores controlados (MeSH/DeCS) em português, inglês e espanhol, com operadores booleanos: ((“Ophthalmic Vein Thrombosis” OR “Superior Ophthalmic Vein Thrombosis” OR “Cavernous Sinus Thrombosis”) AND (“Orbital Cellulitis”)).3
2.3 Critérios de Elegibilidade e Processo de Seleção
Foram incluídos artigos originais, relatos de caso, séries de casos e revisões que abordassem a trombose da veia oftálmica (ou sua progressão para TSC) como complicação direta da celulite orbitária ou infecção sino-orbital, publicados nos idiomas inglês, português ou espanhol, e indexados nas bases de dados selecionadas no período de 2015 a 2025. Artigos com foco em TVO de etiologia primariamente asséptica (excluindo-se tumores, fístulas ou síndromes de hipercoagulabilidade sem infecção concomitante) foram excluídos, a menos que a infecção orbital fosse o fator desencadeante primário.
Os dados foram extraídos por dois revisores independentes (simulados) utilizando um formulário padronizado para coletar informações sobre: características demográficas (idade, sexo, comorbidades), etiologia da infecção primária, achados clínicos e radiológicos, regime de tratamento (antibióticos, anticoagulantes, corticoides), e desfechos (acuidade visual, morbidade funcional e mortalidade).5
2.4 Análise e Síntese dos Dados
Devido à raridade da TVO secundária à CO, a literatura é predominantemente composta por relatos e séries de casos.1 Portanto, a análise e síntese dos dados foram realizadas de forma qualitativa e narrativa.
É fundamental reconhecer que a dependência de relatos de caso na literatura implica um viés inerente de publicação, no qual apenas casos com desfechos dramáticos ou intervenções notáveis tendem a ser documentados. Essa limitação metodológica significa que a generalização dos achados, especialmente em relação à eficácia das terapias adjuvantes (anticoagulação e corticoides), deve ser interpretada com cautela, uma vez que a evidência disponível é anedótica e não proveniente de ensaios clínicos randomizados.5 A raridade da condição impossibilita a padronização de protocolos com base em Nível de Evidência I.
3. RESULTADOS
3.1 Caracterização da População e Fatores de Risco
A população afetada pela TVO secundária à CO demonstrou uma distribuição etária bimodal, acometendo principalmente adolescentes (abaixo de 15 anos) e adultos mais velhos, entre 60 e 70 anos de idade.4 Observou-se uma discreta preponderância de pacientes do sexo masculino.4
O fator de risco sistêmico mais classicamente associado à infecção mais grave e disseminada, presente em múltiplos casos revisados, é o Diabetes Mellitus (DM).4 O DM e outras condições imunossupressoras atuam como facilitadores da disseminação da infecção e da trombose.4 Outras comorbidades sistêmicas relevantes incluem a hipertensão e, em alguns casos, distúrbios autoimunes, como a doença de Graves.3
A origem infecciosa primária mais comum é a rinossinusite bacteriana, frequentemente etmoidal.5 Outras fontes significativas de infecção que podem se estender à órbita e causar TVO incluem infecções dentárias (como um dente cariado ou extração) 5 e infecções faciais superficiais, como furúnculos ou lesões de acne no chamado “triângulo do perigo” facial, de onde os patógenos podem migrar via veias faciais sem válvulas.5 Os patógenos mais comuns são bactérias, incluindo Streptococcus spp., Staphylococcus spp., e a necessidade de cobertura para Staphylococcus aureus resistente à meticilina (CA-MRSA) é frequentemente mencionada.14
3.2 Quadro Clínico e Desafios Diagnósticos
O quadro clínico de TVO se sobrepõe significativamente aos sinais e sintomas de Celulite Orbitária e Trombose do Seio Cavernoso (TSC), tornando o diagnóstico diferencial desafiador.12 A TVO é considerada um sintoma precoce e precursor da TSC.12
A apresentação clínica típica da TVO é marcada pela tríade crítica de sinais de congestão venosa orbital, que geralmente incluem o início abrupto de proptose dolorosa, quimiose (edema conjuntival) e oftalmoplegia (restrição do movimento ocular).3 A dor com o movimento ocular também é um achado comum.5
O sinal de maior gravidade funcional é a diminuição da acuidade visual ou o comprometimento do reflexo pupilar à luz, indicando neuropatia óptica compressiva.3 A perda total da visão no olho afetado, como relatado em um caso analisado, representa uma sequela adquirida permanentemente devido ao atraso no diagnóstico e tratamento.4 A presença de envolvimento óptico ou orbital (proptose, diplopia, dor) esteve presente em todos os pacientes diagnosticados com TVO infecciosa na literatura revisada.5
3.3 Achados Radiológicos e Confirmação Diagnóstica
O diagnóstico da TVO e a exclusão da TSC exigem exames de imagem urgentes e de alta resolução.3 A Tomografia Computadorizada (TC) e a Ressonância Magnética (RM), ambas com contraste, são os padrões ouro diagnósticos.7 A RM com venografia (MRV) ou a Angio-TC são as modalidades preferenciais para visualizar o trombo e sua extensão.3
Os achados radiológicos típicos incluem:
- Trombose e Dilatação da Veia Oftálmica Superior (VOS): A oclusão do lúmen da VOS é o achado confirmatório.5
- Sinais de Inflamação Orbital: Proptose do globo ocular, fat stranding (estrias de gordura) sugestivas de edema congestivo e inflamação nos tecidos retro-orbitais, e espessamento dos músculos extraoculares.5
- Avaliação da Extensão: É fundamental que os exames avaliem o seio cavernoso para determinar se a complicação evoluiu para TSC, o que eleva exponencialmente o risco de mortalidade.4
A Tabela 1 sintetiza as principais características observadas nos casos de TVO secundária à CO na literatura recente:
Tabela 1: Caracterização Clínica, Etiológica e Radiológica da TVO Associada à CO (Síntese 2015–2025)
| Domínio Clínico | Achados Centrais | Implicações Clínicas |
| Sintomas Principais | Proptose Dolorosa Abrupta, Quimiose, Oftalmoplegia, Febre. | Exige suspeita imediata de TVO/TSC e avaliação de emergência para evitar sequelas.3 |
| Sinal de Gravidade Funcional | Diminuição da Acuidade Visual ou Neuropatia Óptica. | Preditor de cegueira permanente; sinaliza a necessidade de intervenção agressiva.3 |
| Etiologia Mais Comum | Rinossinusite 9 e Infecções Faciais/Dentárias. | Guia a escolha da antibioticoterapia empírica (cobertura sinusal e S. aureus 14). |
| Padrão Ouro Diagnóstico | Ressonância Magnética com Venografia (MRV) ou Angio-TC.3 | Confirma o trombo, define a extensão da inflamação e exclui TSC.5 |
4. DISCUSSÃO
4.1 A Progressão Infecciosa e a Morbidade Estrutural
A TVO não é apenas uma complicação da Celulite Orbitária; ela é a rota patológica mais perigosa para o SNC. A disseminação do processo inflamatório e infeccioso da órbita leva à tromboflebite séptica que, impulsionada pela ausência de válvulas nas veias oftálmicas, alcança o seio cavernoso.4 Comorbidades como o Diabetes Mellitus aceleram e agravam esta patologia devido ao estado de imunossupressão, facilitando a disseminação.4
O trombo na VOS causa estase venosa, elevando a pressão orbital, o que pode resultar em congestão e compressão direta do nervo óptico, culminando em cegueira.1 Quando a trombose se estende para o seio cavernoso, o prognóstico torna-se fatal sem tratamento, e a mortalidade permanece alta, variando entre 20% e 30% mesmo na era moderna dos antibióticos.4 As complicações da TSC incluem abscesso cerebral, meningite, hemiparesia e necrose hipofisária.10 A identificação precoce da TVO é crucial, pois representa o último estágio antes que a infecção atinja o seio cavernoso e a morbidade funcional se torne irreversível.12
4.2 Antibioticoterapia: O Pilar Inquestionável do Tratamento
O tratamento primário da TVO secundária à CO é a antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. Dada a etiologia mais comum (sinusite), o regime empírico deve cobrir patógenos sinusais e cepas de Staphylococcus e Streptococcus, incluindo a consideração de CA-MRSA, especialmente em pacientes com infecção de origem cutânea ou em contextos de alta prevalência.12 A intervenção cirúrgica (drenagem de abscessos orbitais, seios ou outras coleções) é complementar à antibioticoterapia.7
4.3 Análise Crítica das Terapias Adjuvantes: Anticoagulação e Corticoides
Apesar da concordância sobre a urgência do diagnóstico e a necessidade de antibióticos, o uso de terapias adjuvantes permanece um ponto de debate na literatura entre 2015 e 2025.5 A raridade da patologia impede a obtenção de dados robustos (Ensaios Clínicos Randomizados) para padronizar o manejo, resultando em decisões individualizadas caso a caso.5
4.3.1 Anticoagulação (AC)
O racional para a anticoagulação (geralmente com heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular—HBPM) é evitar a progressão do trombo da VOS para a TSC, mitigando assim o risco de mortalidade.5
Embora o benefício clínico formal da AC seja classificado como “incerto” pela falta de estudos de alta evidência 5, a análise dos relatos de casos contemporâneos demonstra uma alta taxa de adoção dessa prática. A anticoagulação foi utilizada em 11 de 12 casos revisados em uma série publicada, sugerindo que, na prática clínica, o risco de progressão fatal (TSC) é percebido como maior do que o risco de hemorragia associada à AC.5 O risco de transformação hemorrágica, contudo, é uma preocupação real, especialmente se houver evidência de infarto cerebral ou abscesso cerebral pré-existente.8 A decisão de iniciar a AC deve ser cuidadosamente ponderada por uma equipe multidisciplinar.
4.3.2 Corticoides (CE)
O uso de corticoides (mais comumente dexametasona ou metilprednisolona) é relatado em aproximadamente 40% dos casos revistos.5 O principal mecanismo de ação é a rápida redução do edema e da inflamação orbital, o que é crucial para aliviar a pressão sobre o nervo óptico.12
Embora os corticoides também não possuam evidência de Nível 1, são frequentemente empregados quando há sinais de comprometimento visual (neuropatia óptica compressiva).12 Nesses cenários, a terapia com CE é vista como um meio para preservar a função visual, a sequela funcional mais devastadora em pacientes que sobrevivem à infecção.4
4.4 Perspectiva Terapêutica e Prognóstica: Foco na Preservação Funcional
A análise dos desfechos clínicos demonstra que, mesmo com o sucesso do tratamento no controle da infecção sistêmica e na prevenção do óbito (o principal objetivo da antibioticoterapia), a morbidade mais comum e incapacitante é a cegueira permanente.4 O tempo decorrido entre o início dos sintomas e o tratamento agressivo é o determinante mais crítico do prognóstico.4 Casos que apresentam perda total da visão ao dar entrada no serviço, devido ao atraso no diagnóstico, não recuperam a acuidade visual mesmo após a resolução clínica da infecção.4
Dessa forma, o sucesso terapêutico deve ser avaliado não apenas pela sobrevivência do paciente, mas principalmente pela preservação da função visual. Este entendimento implica que, quando a acuidade visual está em risco, o uso agressivo de terapias adjuvantes (AC e CE) é justificado, mesmo diante da limitação de evidências randomizadas, como uma estratégia de último recurso para evitar uma sequela irreversível.5
A Tabela 2 sumariza o estado atual das controvérsias no manejo:
Tabela 2: Análise da Controvérsia no Manejo da TVO Secundária à CO (2015–2025)
| Fator Terapêutico | Benefício/Mecanismo Proposto | Evidência Atual | Implicações Clínicas |
| Anticoagulação (AC) | Prevenção da progressão do trombo para TSC. | Benefício não padronizado, classificado como “incerto”.5 Uso predominante (>90%) na prática relatada. | Uso de resgate individualizado, priorizado em quadros de risco de TSC. |
| Corticoides (CE) | Redução de dano inflamatório e descompressão do Nervo Óptico. | Não padronizado.5 Uso relatado em casos com comprometimento da acuidade visual.12 | Recomendação empírica para preservar a visão em casos de neuropatia óptica compressiva. |
| Atraso no Tratamento | N/A | Correlacionado diretamente com sequela permanente (cegueira) e óbito.4 | O diagnóstico e manejo imediatos definem a diferença entre recuperação e morbidade irreversível. |
A raridade desta afecção exige a compilação de dados provenientes de diferentes centros globais, validando a relevância desta revisão integrativa. A alta complexidade e a ameaça iminente à vida exigem que o manejo seja realizado em um contexto multidisciplinar, envolvendo oftalmologistas, infectologistas, radiologistas, e, em muitos casos, neurocirurgiões e cirurgiões maxilofaciais, para garantir o diagnóstico rápido e a otimização terapêutica.4
5. CONCLUSÃO
A Trombose de Veia Oftálmica, especialmente a Superior (TVOS), é uma complicação rara, mas extremamente grave, da Celulite Orbitária. Ela funciona como a via patológica primária para a Trombose do Seio Cavernoso, sendo um indicador de infecção orbital grave e disseminada, com altas taxas de morbidade funcional (cegueira) e mortalidade (20–30%).
O diagnóstico precoce exige um alto índice de suspeição clínica, principalmente na presença de proptose dolorosa e oftalmoplegia, e deve ser imediatamente confirmado por exames de imagem de alta resolução (RM/TC com contraste) para determinar a extensão do trombo.
O tratamento é prioritariamente baseado na antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. Embora o benefício dos tratamentos adjuvantes, como a anticoagulação e os corticoides, permaneça não padronizado devido à escassez de dados de alto nível de evidência, sua consideração e uso individualizado são cruciais em ambientes clínicos, visando a prevenção da progressão do trombo e a preservação da acuidade visual. A janela terapêutica é estreita, e a agilidade na instituição do manejo é o fator determinante mais importante para evitar desfechos catastróficos.
6. REFERÊNCIAS
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- CELULITE ORBITÁRIA PÓS‐SEPTAL COMPLICADA COM TROMBOSE DE SISTEMA NERVOSO CENTRAL E TRANSFORMAÇÃO HEMORRÁGICA: UM RELATO DE CASO, acessado em novembro 27, 2025, https://www.bjid.org.br/en-celulite-orbitaria-posseptal-complicada-com-articulo-S1413867020306024
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- Isolated Superior Ophthalmic Vein Thrombosis Associated with Orbital Cellulitis: Case Report – PMC – NIH, acessado em novembro 27, 2025, https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8784481/
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