EFFECTIVENESS OF CONNECTIVE TISSUE GRAFT ASSOCIATED WITH CORONAL ADVANCED FLAP IN THE TREATMENT OF GINGIVAL RECESSIONS: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601131802
Sthefany Bento e Silva1; Maria Giulia Gomes de Oliveira Silva2; Wilson Déda Gonçalves Júnior3; Caroline Weinert Marçal4; Elissa Frauches Dalla5; Vinícius Duarte Oliveira6; Paulo Vinícius de Oliveira Bastos7; Daniel Domingues S. Jr.8; Bruna Martins Gonçalves9; Josiel Abrahão Pereira de Oliveira.10
Resumo
A recessão gengival é uma condição clínica frequente na prática odontológica, caracterizada pelo deslocamento apical da margem gengival, podendo acarretar comprometimentos funcionais, estéticos e impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Dentre as abordagens terapêuticas disponíveis, o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal é amplamente reconhecido como o padrão-ouro para o tratamento das recessões gengivais, especialmente nas Classes I e II de Miller. Objetivo: avaliar a efetividade do enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal no tratamento das recessões gengivais, por meio de uma revisão dos últimos seis anos. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e Science Direct, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2026. Foram utilizados os descritores “Periodontics”, “Surgical Flaps” e “Gingival Recession”. Após a triagem e exclusão de duplicatas, seis estudos foram selecionados para análise. Resultados: Os estudos incluídos demonstraram altas taxas de recobrimento radicular, melhora significativa dos parâmetros periodontais e resultados estéticos satisfatórios, evidenciando a previsibilidade da técnica. Embora técnicas alternativas e biomateriais adjuvantes apresentem resultados comparáveis em determinadas situações clínicas, o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal mostrou-se consistente em termos de estabilidade a longo prazo e qualidade estética. Conclusão: Conclui-se que essa abordagem terapêutica é eficaz e previsível, devendo ser considerada uma das principais opções no manejo das recessões gengivais, sobretudo em áreas estéticas.
Palavras-chave: Recessão Gengival. Enxerto de tecido conjuntivo. Retalho Avançado Coronal. Plástica Periodontal.
Abstract
Gingival recession is a frequent clinical condition in dental practice, characterized by the apical displacement of the gingival margin, which can lead to functional and aesthetic impairments and negative impact on patients’ quality of life. Among the available therapeutic approaches, connective tissue grafting associated with advanced coronal flap is widely recognized as the gold standard for the treatment of gingival recessions, especially in Miller’s Classes I and II. Objective: to evaluate the effectiveness of connective tissue grafting associated with coronal advanced flap in the treatment of gingival recessions, through a review of the last six years. Methodology: This is an integrative literature review, conducted in the databases PubMed, SciELO, LILACS and Science Direct, including articles published between 2020 and 2026. The descriptors “Periodontics”, “Surgical Flaps” and “Gingival Recession” were used. After screening and exclusion of duplicates, six studies were selected for analysis. Results: The included studies demonstrated high rates of root coverage, significant improvement of periodontal parameters and satisfactory aesthetic results, evidencing the predictability of the technique. Although alternative techniques and adjuvant biomaterials have comparable results in certain clinical situations, the connective tissue graft associated with the advanced coronal flap was consistent in terms of long-term stability and aesthetic quality. Conclusion: It is concluded that this therapeutic approach is effective and predictable, and should be considered one of the main options in the management of gingival recessions, especially in aesthetic areas.
Keywords: Gingival Recession. Connective Tissue Graft. Coronal Advanced Flap. Periodontal Plastic.
1 INTRODUÇÃO
A recessão gengival (RG) é definida como o deslocamento apical da margem gengival em relação à junção cemento-esmalte de um dente ou à plataforma protética de um implante dentário, resultando na exposição da superfície radicular (Rao et al., 2024). Trata-se de uma condição clínica frequentemente observada na prática odontológica, com implicações funcionais, biológicas e estéticas relevantes.
A etiologia da recessão gengival é considerada multifatorial, estando associada, principalmente, ao acúmulo de placa bacteriana e à ação traumática decorrente de técnicas inadequadas de higiene bucal, especialmente em populações de países industrializados (Paolantonio et al., 2025). Além disso, quando não tratada, a recessão gengival apresenta elevada probabilidade de progressão ao longo do tempo. Outros fatores predisponentes incluem biotipo gengival fino, ausência ou quantidade reduzida de gengiva inserida, defeitos ósseos alveolares, posicionamento dentário desfavorável e inserções musculares ou de freios em posição elevada (Mostafa; Fatima, 2022).
Essa alteração clínica está relacionada ao comprometimento gradual das estruturas periodontais de suporte, abrangendo a gengiva, o ligamento periodontal, o cemento radicular e o osso alveolar nos dentes, além da reabsorção de tecidos moles e duros ao redor de implantes dentários. A frequência da recessão gengival apresenta ampla variação nos estudos científicos, podendo oscilar entre 40% e 100%, conforme as características da população analisada e os critérios metodológicos empregados (Rao et al., 2024).
Estudos demonstram que adultos apresentam maior risco de desenvolvimento de recessões gengivais quando comparados a crianças, com prevalência aumentando progressivamente com a idade, podendo atingir praticamente 100% em indivíduos acima dos 50 anos. Observa-se ainda maior incidência no sexo masculino em relação ao feminino na mesma faixa etária (Potharaju et al., 2022). Apesar dessa associação, o envelhecimento não deve ser considerado um fator causal direto, mas sim um elemento relacionado à maior exposição cumulativa aos fatores etiológicos ao longo da vida (Mostafa; Fatima, 2022).
Clinicamente, a recessão gengival ocorre com maior frequência nas superfícies vestibulares dos dentes. Embora não seja classificada como uma doença periodontal, sua presença está associada ao aumento da sensibilidade dentinária, maior risco de cárie radicular e comprometimento estético, especialmente quando localizada em dentes anteriores, impactando negativamente a qualidade de vida dos pacientes (Rao et al., 2024).
Para fins de diagnóstico e planejamento terapêutico, a classificação proposta por Miller é amplamente utilizada, uma vez que considera o prognóstico de recobrimento radicular. De acordo com essa classificação, as recessões gengivais são divididas em quatro classes, variando desde situações sem perda óssea ou de tecido mole interproximal (Classes I e II) até casos mais severos com comprometimento interproximal significativo (Classes III e IV). Quanto à previsibilidade terapêutica, as Classes I e II apresentam elevada probabilidade de cobertura radicular completa, enquanto as Classes III permitem apenas recobrimento parcial em parte dos casos, e a Classe IV apresenta prognóstico desfavorável para cobertura radicular (Lopes et al., 2020).
O tratamento da recessão gengival envolve uma abordagem multifatorial, baseada na associação de diferentes técnicas cirúrgicas e materiais de enxertia, com o objetivo de alcançar cobertura radicular completa, estabilidade tecidual e resultados estéticos satisfatórios. Entre as técnicas mais utilizadas destacam-se o retalho avançado coronal e a técnica do túnel. Dentre os materiais de enxerto disponíveis, o enxerto de tecido conjuntivo é amplamente reconhecido como o padrão-ouro, por atuar como um preenchedor biológico que favorece a adaptação do retalho, aumenta a espessura gengival e contribui para a estabilidade dos resultados ao longo do tempo (Osorio et al., 2022). Após a realização do procedimento cirúrgico, a correta aproximação e estabilização dos tecidos são fundamentais para o sucesso do tratamento (Rao et al., 2024).
Diversos procedimentos cirúrgicos têm sido descritos para o manejo das recessões gengivais e para o aumento da largura do tecido queratinizado, incluindo enxertos pediculados posicionados coronal ou lateralmente, retalhos rotacionais, enxertos de tecido livre epitelizado, enxertos de tecido conjuntivo e técnicas de regeneração tecidual guiada (Potharaju et al., 2022).
Diante da relevância clínica da recessão gengival e da ampla utilização do enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal, torna-se fundamental analisar criticamente as evidências científicas recentes sobre a efetividade dessa abordagem terapêutica.
2 METODOLOGIA
Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: “Qual a efetividade do enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal no tratamento das recessões gengivais, considerando os desfechos clínicos relatados na literatura dos últimos seis anos?” Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed),
Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Science Direct para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre 2020 e 2026. Obtemos um total de 1.743 artigos, foram excluídos 1.653 após os critérios, foram encontradas 2 duplicatas e, após a triagem, 6 artigos foram selecionados para compor esta pesquisa. Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foram feitas uma busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo de pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. Foram utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): [(Periodontia / Periodontics) AND (Retalhos Cirúrgicos / Surgical Flaps) AND (Recessão Gengival / Gingival Recession)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.
3 RESULTADOS
Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo; Resultados e Conclusão).
Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão.
| Íntegra | Após critérios | Artigos selecionados | |
| PubMed | 1.094 | 31 | 4 |
| SciELO | 0 | 0 | 0 |
| LILACS | 28 | 2 | 1 |
| Science Direct | 621 | 57 | 1 |
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados.
| Autor/Ano | Objetivo | Resultados | Conclusão |
| Rao et al. (2024) | Comparar e avaliar a eficácia da cola de fibrina autóloga (AFG) e das suturas absorvíveis convencionais no tratamento de recessões marginais do tecido gengival utilizando enxertos de tecido conjuntivo (ETC) e a técnica de retalho avançado coronalmente (RAC). | Os índices de recessão gengival (RH), índice estético de recobrimento radicular (RCES), escala visual analógica (VAS) e índice de cicatrização (HI) foram significativamente reduzidos ao final de seis meses em comparação com o valor basal (P < 0,005) em ambos os grupos; no entanto, não houve diferença estatística entre os grupos, indicando eficácia equivalente das suturas AFG e das suturas convencionais na cicatrização. | Em todos os locais tratados, observou-se cobertura radicular apreciável com cicatrização pós-operatória satisfatória. Portanto, pode-se sugerir que tanto os fios de sutura AFG quanto os fios absorvíveis são igualmente eficazes na cicatrização de tecidos moles após cirurgia. |
| Potharaju et al. (2022) | compara a eficácia dos procedimentos de retalho de avanço coronal (RAC) com e sem membrana bioabsorvível de colágeno tipo I na regeneração tecidual guiada (RTG) no tratamento da recessão gengival de Miller Classe I e II. | Ambas as terapias resultaram em um ganho notável na cobertura radicular (RC), com média de 73,13% e 71,60%, respectivamente, mas a diferença não foi estatisticamente significativa quando comparada entre os grupos. Tanto a profundidade de recessão (RD) quanto a largura da recessão (RW) foram significativamente reduzidas do início do estudo até 6 meses após a cirurgia. Embora tenha havido um ganho em largura da gengiva queratinizada (WKG) e nível de inserção clínica (CAL) em ambos os locais experimentais, nenhuma diferença significativa foi observada entre os grupos. | Embora existam diversos procedimentos de recessão gengival, a técnica retalho de avanço coronal (RAC) oferece uma perspectiva previsível, direta e adequada para o tratamento de recessões gengivais de Classe I e II de Miller. A integração dessa abordagem com a colocação de uma membrana bioabsorvível não parece melhorar os resultados após o tratamento cirúrgico desses defeitos. No entanto, ambos os grupos demonstraram a vantagem potencial de se obter a recessão gengival. |
| Paolantonio et al. (2025) | comparar a eficácia da técnica de enxerto palatino de espessura total (FTPGT) e do retalho avançado coronalmente com enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (RAC + SCTG) na obtenção de cobertura radicular completa (CRC) em recessões gengivais únicas (GR). | Na avaliação de 12 meses, 19 pacientes do grupo FTPGT alcançaram a recessão gengival completa (RGC), em comparação com 12 no grupo RAC + SCTG (p < 0,004). O grupo FTPGT apresentou redução significativamente maior na recessão gengival (RG) (0,7 mm ± 0,19), maior ganho de nível de inserção clínica (NIC) (0,65 mm ± 0,20), aumento na espessura gengival (EG) (0,99 mm ± 0,27), p < 0,001, e ganho na espessura da gengiva queratinizada (EGQ) (2,95 mm ± 0,5), além de maior porcentagem de recessão gengival (RG%) (12,71 ± 3,82), p < 0,002. Os desfechos relatados pelos pacientes (DRP) não diferiram significativamente entre os tratamentos, assim como os parâmetros de cicatrização palatina. O grupo RAC + SCTG apresentou escores de recessão gengival superiores ao grupo FTPGT (p < 0,0003). | A técnica de enxerto palatino de espessura total (FTPGT) é mais eficaz do que o retalho avançado coronalmente com enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (RAC + SCTG) na obtenção de cobertura radicular completa (CRC) e na melhoria da espessura gengival (GT), largura do tecido queratinizado (KTW), ganho de nível de inserção clínica (CAL) e redução da recessão gengival (GR), particularmente em recessões profundas. O retalho avançado coronalmente com enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (RAC + SCTG) proporciona resultados estéticos superiores. Os desfechos relatados pelos pacientes foram comparáveis entre as duas técnicas, mas a cicatrização palatina foi mais lenta no grupo FTPGT. |
| Osorio et al. (2022) | Avaliar qual a abordagem mais eficaz para o tratamento de recessões gengivais, a técnica de retalho avançado coronalmente ou túnel com autoenxertos ou substitutos poliméricos. | A cobertura radicular média foi semelhante entre as técnicas túnel (TUN) e retalho avançado coronal (RAC) (p = 0,49). As únicas diferenças entre as duas foram encontradas em recessões simples, onde a técnica RAC apresentou maior percentual de cobertura radicular (diferença média = 4,98%; p = 0,006). Não houve diferenças na aplicação de autoenxerto ou substituto polimérico com nenhuma das duas técnicas cirúrgicas testadas (p = 0,445). | Considerando as limitações do presente estudo, pode-se concluir que existem algumas evidências que indicam que o retalho avançado coronal (RAC) é mais eficaz do que o túnel (TUN) em termos de percentagem de cobertura radicular. Há benefícios claros na utilização do RAC em vez do TUN no tratamento de uma única recessão gengival. Tanto o autoenxerto quanto os substitutos poliméricos foram igualmente eficazes quando utilizados em qualquer um dos dois procedimentos cirúrgicos testados. |
| Mostafa e Fatima (2022) | Discutir os fatores causadores e as modalidades de tratamento para recessão gengival. Além disso, destacar as indicações e a viabilidade de cada técnica invasiva e não invasiva para o tratamento da recessão gengival. | A seleção da técnica apropriada para o manejo da recessão gengival está relacionada à avaliação adequada do caso, o que, por sua vez, proporcionará resultados previsíveis e bem-sucedidos. | O enxerto gengival livre (EGL) é indicado para recessões gengivais estreitas e isoladas em áreas não estéticas com mucosa queratinizada inadequada. Já o enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (ETCS) com técnica bilaminar é o padrão ouro para recessão gengival, especialmente na zona estética, em termos de previsibilidade e estabilidade a longo prazo. Embora os procedimentos de enxerto de tecido mole sejam previsíveis, a coleta na região palatina aumenta a morbidade do paciente, a dificuldade técnica e o tempo de tratamento. Assim, o enxerto de tecido conjuntivo autólogo (ETCA) tem sido utilizado como substituto do ETCS no tratamento da recessão gengival. A técnica retalho posicionado lateralmente (LPF) é indicada para recessões gengivais estreitas e isoladas com periodonto de biotipo espesso. Além disso, a técnica retalho de adesão celular (CAF) é utilizada no tratamento de pacientes com recessões gengivais superficiais e periodonto de biotipo espesso. As técnicas do envelope supraperiosteal (SET) e a técnica cirúrgica estenopeica (PST) são minimamente invasivas, utilizadas em recessões gengivais múltiplas e indicadas para qualquer biotipo periodontal, porém ambas apresentam sensibilidade técnica. A seleção da técnica apropriada para o tratamento da recessão gengival baseia-se na avaliação adequada do caso, o que, por sua vez, proporcionará resultados previsíveis e bem-sucedidos. |
| Lopes et al. (2020) | Avaliar clinicamente os resultados de duas técnicas cirúrgicas utilizadas para recobrimento radicular: o retalho avançado coronalmente em “L” isolado (RAC) ou associado a enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (SCTG). | Grupo controle. O grupo controle foi composto por dez indivíduos. Na avaliação inicial, observou-se um valor médio de recessão gengival (RG) de 3,4 ± 0,48 mm. Na avaliação final, os valores médios encontrados foram de 0,6 ± 0,72 mm de RG. Comparando os valores obtidos nessas avaliações, observa-se um ganho médio de 2,8 ± 0,72 mm de recobrimento radicular, o que corresponde a uma taxa de sucesso de 85 ± 18%. | Este estudo permite concluir que o RAC isolado ou sua associação com SCTG apresentou resultados favoráveis no tratamento de recessões gengivais de classe I e II de Miller. |
| Grupo de teste. O grupo de teste foi composto por sete indivíduos. Na avaliação inicial, observou-se um valor médio de 3,0 ± 0,96 mm de GR. Na avaliação final, os valores médios encontrados foram de 0,14 ± 0,66 mm de GR, apresentando uma taxa de sucesso de 95 ± 4%, conforme mostrado na Tabela II. Em relação às técnicas cirúrgicas (grupo controle e grupo teste), a variável taxa de sucesso (p=0,36) não apresentou diferença estatisticamente significativa. |
4 DISCUSSÃO
Os estudos analisados na presente revisão demonstram que o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal (ETC + RAC) permanece como uma das abordagens mais eficazes e previsíveis para o tratamento das recessões gengivais, especialmente nas classes I e II de Miller. De modo geral, os resultados evidenciam altas taxas de recobrimento radicular, melhora significativa nos parâmetros clínicos periodontais e resultados estéticos satisfatórios, corroborando sua consolidação como técnica padrão na Periodontia plástica.
Rao et al. (2024) avaliaram a eficácia do uso de cola de fibrina autóloga em comparação às suturas convencionais na estabilização do enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal (RAC), observando redução significativa dos índices de recessão gengival, melhora no índice estético de recobrimento radicular e adequada cicatrização pós-operatória em ambos os grupos. A ausência de diferença estatisticamente significativa entre as técnicas de fixação sugere que o sucesso do procedimento está mais relacionado à correta indicação e execução cirúrgica do ETC + RAC do que ao método de estabilização utilizado, reforçando a previsibilidade da técnica independentemente do material empregado
De forma semelhante, Potharaju et al. (2022) demonstraram que o retalho avançado coronal, quando associado ou não a uma membrana bioabsorvível de colágeno tipo I, apresentou resultados comparáveis em termos de recobrimento radicular, redução da profundidade e largura da recessão, bem como ganho de gengiva queratinizada e nível de inserção clínica. Esses achados indicam que a adição de biomateriais à técnica do RAC nem sempre resulta em benefícios clínicos adicionais, reforçando a eficácia intrínseca do retalho avançado coronal como abordagem terapêutica previsível para recessões gengivais de menor complexidade.
Em contrapartida, Paolantonio et al. (2025) observaram que o enxerto palatino de espessura total apresentou melhores resultados clínicos em termos de cobertura radicular completa, ganho de espessura gengival e aumento da largura do tecido queratinizado quando comparado ao retalho avançado coronalmente com enxerto de tecido conjuntivo subepitelial (RAC + SCTG), especialmente em recessões mais profundas. Contudo, apesar da superioridade clínica do enxerto de espessura total, o grupo tratado com RAC + SCTG apresentou melhores resultados estéticos, além de menor morbidade da área doadora, aspectos fundamentais na tomada de decisão clínica, sobretudo em áreas estéticas. Esses achados reforçam que, embora outras técnicas possam oferecer ganhos clínicos superiores em situações específicas, o enxerto de tecido conjuntivo (ETC) associado a técnica de retalho avançado coronalmente (RAC) mantém vantagens relevantes relacionadas à estética e ao conforto do paciente.
Osorio et al. (2022), ao compararem as técnicas de túnel e retalho avançado coronal, observaram que ambas apresentaram taxas semelhantes de cobertura radicular, porém o retalho avançado coronal (RAC) mostrou desempenho superior no tratamento de recessões únicas. Além disso, não foram observadas diferenças significativas entre o uso de autoenxertos ou substitutos poliméricos, indicando que o sucesso do tratamento está mais relacionado à técnica cirúrgica empregada do que ao tipo de material enxertado. Esses resultados reforçam a versatilidade do RAC, especialmente quando associado ao enxerto de tecido conjuntivo, como uma opção eficaz para diferentes cenários clínicos.
A revisão narrativa conduzida por Mostafa e Fatima (2022) reforça que o enxerto de tecido conjuntivo subepitelial associado a técnicas bilaminares, como o retalho avançado coronal, é considerado o padrão-ouro no tratamento das recessões gengivais, principalmente em zonas estéticas, devido à sua previsibilidade e estabilidade a longo prazo. Entretanto, os autores também destacam a maior morbidade associada à área doadora palatina, o que tem motivado o uso de alternativas e substitutos teciduais, sem, contudo, comprometer significativamente os resultados clínicos quando bem indicados.
Por fim, Lopes et al. (2020) demonstraram que tanto o retalho avançado coronalmente (RAC) isolado quanto sua associação ao enxerto de tecido conjuntivo subepitelial resultaram em altas taxas de sucesso no tratamento das recessões gengivais de classe I e II de Miller, sem diferença estatisticamente significativa entre as abordagens. Ainda assim, o grupo que recebeu o enxerto apresentou maior porcentagem de recobrimento radicular, sugerindo um possível benefício clínico adicional, especialmente em casos que demandam maior espessura tecidual e estabilidade dos resultados a longo prazo.
De maneira geral, os estudos analisados convergem para a conclusão de que o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal apresenta elevada efetividade no tratamento das recessões gengivais, com resultados clínicos e estéticos consistentes. As variações observadas entre as técnicas comparativas reforçam a importância da avaliação criteriosa do caso clínico, considerando fatores como profundidade da recessão, biotipo periodontal, demanda estética e morbidade associada, para a escolha da abordagem terapêutica mais adequada.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na análise dos estudos incluídos nesta revisão, pode-se concluir que o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal apresenta elevada efetividade no tratamento das recessões gengivais, especialmente nas Classes I e II de Miller, proporcionando resultados clínicos previsíveis, estáveis e esteticamente satisfatórios. De modo geral, os achados evidenciam altas taxas de recobrimento radicular, ganho de espessura gengival, aumento da largura do tecido queratinizado e melhora dos parâmetros periodontais, reforçando o papel dessa associação terapêutica como abordagem de referência na Periodontia plástica.
Os estudos analisados demonstram que, embora técnicas alternativas e o uso de diferentes biomateriais possam apresentar resultados clínicos comparáveis em situações específicas, o enxerto de tecido conjuntivo mantém vantagens importantes, sobretudo no que se refere à previsibilidade, estabilidade dos resultados a longo prazo e qualidade estética. Além disso, variações técnicas, como o método de estabilização do enxerto ou a associação com membranas bioabsorvíveis, nem sempre resultam em benefícios clínicos adicionais significativos, destacando a importância da correta indicação e execução cirúrgica.
Observou-se ainda que a escolha da técnica cirúrgica deve ser individualizada, considerando fatores como profundidade da recessão, biotipo periodontal, demanda estética, condição da área doadora e morbidade associada. Em recessões mais profundas ou em situações clínicas específicas, outras abordagens podem apresentar desempenho superior em determinados parâmetros clínicos; contudo, o retalho avançado coronal associado ao enxerto de tecido conjuntivo permanece como uma opção altamente confiável e amplamente respaldada pela literatura científica recente.
Apesar dos resultados favoráveis, esta revisão evidencia a necessidade de estudos clínicos controlados com maior padronização metodológica, acompanhamento a longo prazo e avaliação de desfechos centrados no paciente, a fim de fortalecer ainda mais as evidências disponíveis. Dessa forma, conclui-se que o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho avançado coronal constitui uma estratégia terapêutica eficaz e previsível, devendo continuar a ser considerado o padrão-ouro no manejo das recessões gengivais, sobretudo em áreas estéticas.
REFERÊNCIAS
LOPES, Guilherme da Rocha Scalzer et al. Avaliação do retalho avançado coronalmente em “L” associado ao enxerto de tecido conjuntivo subepitelial no tratamento de recessões gengivais de Miller classe I e II. Int J Odontostomat , v. 14, p. 457-63, 2020.
MOSTAFA, Diana; FATIMA, Nikhat. Recessão gengival e recobrimento radicular atualizados: uma revisão da literatura. Dentistry review , v. 2, n. 1, p. 100008, 2022.
PAOLANTONIO, Michele et al. Comparação clínica de duas técnicas cirúrgicas na obtenção de cobertura radicular completa de recessões gengivais RT1 únicas. Clinical Oral Investigations , v. 29, n. 10, p. 1-13, 2025.
POTHARAJU, Santhi Priya et al. Eficácia comparativa do retalho avançado coronalmente com e sem regeneração tecidual guiada no tratamento de defeitos de recessão gengival: um estudo de boca dividida. Annals of African Medicine , v. 21, n. 4, p. 415-420, 2022.
RAO, Thottempudi Haswitha et al. Avaliação comparativa da cola de fibrina autóloga e suturas convencionais no tratamento da recessão gengival utilizando enxerto de tecido conjuntivo – um ensaio clínico randomizado controlado. Indian Journal of Dental Research , v. 35, n. 2, p. 181186, 2024.
TOLEDANO-OSORIO, Manuel et al. Treating gingival recessions using coronally advanced flap or tunnel techniques with autografts or polymeric substitutes: a systematic review and meta-analysis. Polymers, v. 14, n. 7, p. 1453, 2022.
1Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de Patos de Minas sthefanybento3@gmail.com
2Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Tabosa de Almeida (ASCES-UNITA)
3Mestre em Saúde Ambiente pela Universidade Tiradentes, Aracaju – SE
4Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES
5Graduada do Curso Superior de Odontologia pela FAESA Centro Universitário – Campus Vitória, ES
6Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES
7Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
8Especialista em Prótese Dentária pela Universidade Estácio de Sá, Campus Barra World, RJ
9Especialista em Ortodontia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
10PhD em Ciências Morfológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
