IMPRESSÃO 3D NA ODONTOLOGIA: APLICAÇÃO E MÉTODOS DE PRODUÇÃO

3D PRINTING IN DENTISTRY: APPLICATION AND PRODUCTION METHODS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601131355


Dr. Luiz André Dias Telles¹
Brenda Baptista Laranjeiras Silva²
Camilla Victória Soares Costa da Silva³
Igor Sampaio Melo4
Renata Fortuna Barros5


RESUMO 

A Odontologia está passando por uma evolução, com o incremento de  inovações tecnológicas digitais, que vêm transformando o planejamento e execução de reabilitações estéticas e funcionais. Por meio da combinação da captação de imagens e uso de softwares específicos, é viável planejar tratamentos com um elevado nível de exatidão e converter essas informações em modelos físicos impressos. Isso proporciona maior conforto aos pacientes, além de minimizar erros, otimizar o tempo de atendimento clínico e aumentar a previsibilidade dos resultados. Este estudo discorre sobre a contribuição da utilização do Fluxo Digital, com ênfase na impressão 3D, para tornar os procedimentos mais eficientes, precisos e individualizados. São abordados os principais métodos de impressão 3D utilizados na Odontologia, apontando suas principais funções, benefícios e possíveis restrições. Estes métodos  são: Estereolitografia a Laser (SLA), Processamento Digital de Luz (DLP), Sinterização Seletiva a Laser (SLS), Modelagem por Fusão e Deposição (FDM), Impressão Tridimensional (3D Printing), Sistema Polijet, Fusão Seletiva a Laser (SLM), Sinterização Direta de Metal a Laser (DMLS) e Fabricação por Feixe de Elétrons Seletivo (EBM). Adicionalmente são relatadas algumas aplicações da impressão 3D nas especialidades odontológicas. Embora os avanços sejam notáveis, o alto custo dos equipamentos, a necessidade de capacitação técnica e algumas limitações dos materiais ainda representam desafios para a ampla adoção dessa tecnologia. Conclui-se que, apesar dos obstáculos e desafios, a impressão 3D se estabelece como um recurso indispensável na Odontologia contemporânea, proporcionando tratamentos mais seguros, precisos e apropriados para sanar as necessidades dos pacientes. 

Palavras-chave:  Fluxo Digital, Impressão 3D e Odontologia digital.

ABSTRACT 

Dentistry is undergoing an evolution, with the increase in digital technological innovations that are transforming the planning and execution of aesthetic and functional rehabilitations. Through the combination of image capture and the use of specific software, it is possible to plan treatments with a high level of accuracy and convert this information into printed physical models. This provides greater comfort to patients, in addition to minimizing errors, optimizing clinical care time, and increasing the predictability of results. This study discusses the contribution of using Digital Workflow, with an emphasis on 3D printing, to make procedures more efficient, precise, and individualized. The main 3D printing methods used in dentistry are addressed, pointing out their main functions, benefits, and possible limitations. These methods are: Stereolithography Laser (SLA), Digital Light Processing (DLP), Selective Laser Sintering (SLS), Fused Deposition Modeling (FDM), 3D Printing, Polijet System, Selective Laser Melting (SLM), Direct Metal Laser Sintering (DMLS), and Selective Electron Beam Manufacturing (EBM). Additionally, some applications of 3D printing in dental specialties are reported. Although the advances are notable, the high cost of equipment, the need for technical training, and some material limitations still represent challenges to the widespread adoption of this technology. It is concluded that, despite the obstacles and challenges, 3D printing is establishing itself as an indispensable resource in contemporary dentistry, providing safer, more precise, and appropriate treatments to meet patients’ needs. 

Keywords: Digital Workflow, 3D Printing, and Digital Dentistry.

INTRODUÇÃO 

Com a facilidade de acesso às informações, a procura por um sorriso harmonioso e estético tem se tornado crescente. Os pacientes demandam cada vez mais de tratamentos que ofereçam conforto, eficácia e agilidade, buscando melhorar sua aparência e autoestima (1). Melhorar a saúde bucal, reestabelecendo a função mastigatória e a estética, frequentemente se torna um desafio que envolve diferentes especialidades odontológicas. O planejamento digital informa previamente aos pacientes as opções estéticas e restauradoras e, aliado à impressão 3D, ganhou relevância na prática odontológica (2). O chamado “Fluxo digital”, abrange as etapas desde a captura das imagens, até à confecção de peças por intermédio da impressão tridimensional (3D). Com a implantação desta tecnologia, tornou-se possível a aquisição de imagens intraorais usando scanners, dispensando a necessidade de moldagens convencionais e oferecendo mais conforto ao paciente. Esses scanners intraorais, que variam em tecnologia e aplicação, produzem arquivos digitais que podem ser processados em softwares específicos para o planejamento virtual estático e funcional do sorriso e posterior confecção de modelos de trabalho, proporcionando maior previsibilidade, eficácia e precisão aos procedimentos odontológicos (3). A sequência lógica de utilização destes dispositivos começa com o escaneamento e obtenção de imagens que são processadas e transformadas em imagens computadorizadas tridimensionais. É feito então, o planejamento da peça por meio de um software de desenho do sistema Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacturing (CAD/CAM) e, por fim, a produção aplicando equipamentos de processamento (4). O software de processamento é empregado para determinar as coordenadas tridimensionais e gerar nuvens de informação (pontos e malhas) que são agregadas, possibilitando reconstruir o objeto escaneado, criando com isso, um modelo confiável (5). O escaneamento intraoral de qualidade, gera próteses fixas com funcionalidade clínica comparável ou superior à moldagem convencional (6), além de proporcionar mais conforto ao paciente. O escaneamento intraoral diminui o tempo clínico necessário para o atendimento do paciente, além de estar vinculado a um processo laboratorial mais ágil, reduzindo o tempo total de fabricação, tornando-o ideal para uma gestão mais eficaz do tempo de atendimento clínico (7). 

A tecnologia digital de impressão 3D começou em 1986, quando Charles Hull, engenheiro graduado pela Universidade do Colorado, apresentou a primeira técnica de impressão tridimensional. Até então, os procedimentos restauradores eram dependentes de métodos analógicos, que exibiam limitações quanto à exatidão e à reprodutibilidade (8). Todavia, nos anos subsequentes, a tecnologia alcançou progressos significativos devido ao processo de modelagem por deposição fundida (FDM) (9). As técnicas de impressão 3D evoluíram consideravelmente  no mercado consumidor a partir de 2009, estendendo-se também esta tendência para a indústria odontológica. As impressoras passaram a se tornar mais acessíveis e compactas, resultando em mudanças nas suas aplicações. Agora, são capazes de  imprimir vários materiais, e os processos de prototipagem rápida foram categorizados com base nos tipos de materiais utilizados (10).  A tecnologia digital de impressão 3D, permitiu a otimização do enceramento odontológico com a criação de protótipos virtuais que podem ser impressos em 3D e convertidos em modelos físicos para avaliação clínica ou confeccionar trabalhos protéticos entre outras aplicações (11). A impressão tridimensional possibilita a construção de um objeto tridimensional a partir de um modelo digital. Em relação aos processos convencionais de fabricação subtrativa, a impressão 3D permite a criação de formas complexas que seriam inviáveis de realizar por outras tecnologias (12). Com aperfeiçoamentos na precisão e desenvolvimento de materiais imprimíveis, diversos setores têm empregado a tecnologia de impressão 3D não apenas para criar protótipos funcionais, mas também para produzir um produto final adequado e acessível às suas aplicações específicas de forma mais eficiente e econômica (13). Na Odontologia, o progresso da tecnologia de impressão 3D e sua utilização são cada vez mais significativas (14). Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo discorrer sobre a aplicabilidade da impressão 3D e sua finalidade no contexto do fluxo digital na Odontologia, enfatizando as diferentes métodos de confecção e os materiais envolvidos nesse processo, proporcionando subsídios aos profissionais para o entendimento dos processos clínicos e laboratoriais. 

METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão da literatura narrativa, de caráter descritivo e com abordagem qualitativa. O estudo foi desenvolvido com base na busca de literatura científica relacionada ao tema “Fluxo Digital” com ênfase na “Impressão 3D”, seus métodos de obtenção e suas aplicações. Para a pesquisa bibliográfica foram utilizados os termos: “Fluxo Digital”, “Impressão 3D” e “Odontologia Digital”, escritos também na língua inglesa na tentativa de ampliar o potencial na busca.  As combinações e variações dos descritores visaram ampliar a probabilidade de encontrar resultados significativos. A seleção foi realizada nos idiomas português, espanhol e inglês, inserindo um filtro para publicações realizadas no período de 2015 à 2025, tendo como estratégia a busca nas bases de dados eletrônicas PubMed, SciELO, Elsevier e o uso do mecanismo de busca Google Acadêmico.  Após análise criteriosa dos títulos e resumos, foram incluídos, tendo como critério de elegibilidade, artigos originais, dissertações, teses, revisões sistemáticas, revisões integrativas e revisões bibliográficas. A leitura na íntegra para avaliação de elegibilidade foi realizada apenas para aqueles que não apresentaram informações prévias suficientes relativas aos critérios de inclusão e exclusão. Feita a triagem, os dados considerados relevantes ao estudo, que contemplavam informações pertinentes ao tema, foram extraídos e aproveitados na pesquisa. A análise e síntese dos dados seguiram as seguintes etapas: Elaboração de critérios de inclusão; delimitação das informações a serem extraídas dos estudos selecionados; análise metódica dos estudos incluídos na revisão; avaliação dos resultados obtidos, síntese do conhecimento e formulação de uma organização lógica. 

REVISÃO DE LITERATURA 

A aquisição das imagens para posterior confecção dos biomodelos pode ser realizada por meio do escaneamento, da tomografia computadorizada, ou ambos, fornecendo dados para estudo, enceramento diagnóstico e previsão do resultado final do trabalho (15). Entre as técnicas tomográficas, a Tomografia Computadorizada Cone Bean (TCCB) ou de feixe cônico, emite menores doses de radiação que a tomografia convencional. As imagens podem ser adquiridas em qualquer um dos planos (axial, sagital e coronal) de forma mais rápida e com mínima distorção, garantindo uma exposição mais delimitada (16). Já o escaneamento, inicia-se com um feixe de luz direcionado ao objeto a ser digitalizado. Quando o feixe atinge a superfície alvo, se deforma e duas ou mais câmeras na ponta dos dispositivos do scanner capturam esse efeito (17). 

Para o escaneamento digital são utilizados os scanners intraorais e os scanners de bancada. Os scanners intraorais são dispositivos que permitem a captura direta das estruturas bucais, eliminando as tradicionais moldagens com materiais de impressão (18). Geram arquivos digitais tridimensionais extremamente fiéis à anatomia dos dentes e dos tecidos gengivais (Figura 1). O uso desse recurso otimiza o tempo clínico tornando-o mais ágil, proporcionando maior conforto ao paciente, minimizando falhas existentes nas técnicas convencionais e garantindo uma precisão elevada nos detalhes, sendo essencial onde a exigência estética e funcional é elevada (19). Dentre as tecnologias de aquisição de imagens por scanner intraoral, a tecnologia MDC (Multidirectional Capture) tem demonstrado menores erros em termos de fidelidade e precisão, em comparação com as tecnologias confocal e de luz estruturada (17).

Figura 1- Captação das imagens pelo scanner (A) e obtenção de arquivo digital (B).

 Fonte: Os autores. 

Os scanners de bancada (Figura 2) são empregados na digitalização de modelos físicos confeccionados previamente em gesso ou resina. Eles são basicamente utilizados em laboratórios de prótese dentária, em situações em que a moldagem convencional foi realizada primeiro, e na sequência este modelo é digitalizado. A escolha entre eles dependerá da estrutura disponível, do objetivo, e das particularidades de cada caso clínico. Ambos os métodos são importantes para assegurar a precisão dimensional dos modelos 3D, com impacto direto na qualidade e previsibilidade dos tratamentos realizados (20). 

Figura 2- Escaneamento de modelo físico (A) e aquisição de arquivo digital (B).

 Fonte: Os autores. 

O uso de softwares de CAD|CAM, possibilita criar peças totalmente personalizadas e adaptadas à anatomia de cada paciente, favorecendo os resultados estéticos e funcionais. O software indicado para desenho dentário, conhecido como D-CAD, funciona como uma ferramenta intuitiva para os profissionais. Contudo, a flexibilidade para desenvolver projetos virtuais é mais restrita, devido ao custo por versão ou pacote adquirido, quando confrontado com o software de projeto não específico GCAD (21). Em reabilitações mais complexas, a reprodução com alta fidelidade dos detalhes anatômicos se mostra bastante útil. Os modelos digitais criados podem ser virtualmente arquivados, reduzindo a necessidade de espaço físico para armazenamento de moldes de gesso (22). Apesar destes benefícios, a aplicação desta tecnologia ainda possui alguns entraves como a necessidade de preparo profissional e conhecimento técnico especializado para o manuseio das impressoras, o alto custo para aquisição dos equipamentos, e a manutenção periódica de softwares CAD|CAM (23). Terminada esta etapa, o modelo digital será enviado para uma impressora 3D que irá transformar o arquivo virtual em um objeto físico tridimensional. A impressão tridimensional (3D) também, conhecida como manufatura aditiva ou prototipagem rápida, tem como  principais vantagens: a economia no custo de criação das peças, sem restos ou sobras; a ajustabilidade com a possibilidade de modificação no arquivo digital; a otimização de tempo de desenvolvimento, sem a necessidade de criação de moldes e  o operador não necessita de conhecimentos matemáticos especializados, pois o desenho estrutural se molda a partir de medidas geométricas e proporções realizadas pelo software (24). Na tecnologia digital, as técnicas aditivas envolvem a adição de material em camadas que são fundidas uma a uma, formando a peça desejada ao final do processo (25). Na Odontologia, há uma variedade de técnicas de fabricação utilizando a impressão tridimensional, cada uma destinada a um uso específico, podendo ser usados materiais como polímeros sintéticos, materiais cerâmicos ou metais (14). A maior diferença entre cada categoria está no estado físico do  material usado (líquidos, sólidos e em pó)  e no indutor da reação de polimerização (calor, luz ultravioleta, laser ou elétron). Dentre as técnicas utilizadas estão a Estereolitografia (SLA), o Processamento Digital de Luz (DLP), a Sinterização Seletiva a Laser (SLS), a Modelagem por Deposição Fundida (FDM), a Impressão Tridimensional (impressão 3D), o Sistema Polyjet, a Fusão Seletiva a Laser (SLM), a Sinterização Direta de Metal a Laser (DMLS) e o Feixe de Elétrons Seletivo (EBM) (26)(16). A seguir são descritas cada uma dessas técnicas  para obtenção de uma impressão 3D:  

Estereolitografia a Laser (SLA) 

A Estereolitografia a Laser é uma das técnicas mais usadas em decorrência da precisão elevada, alta resistência e boa lisura superficial. O biomodelo é construído camada por camada, a partir da polimerização de uma resina líquida fotossensível e de baixo peso molecular composta por monômeros, fotoiniciadores e aditivos (27). Esse processo ocorre por meio da emissão por galvanômetros de um feixe de luz ultravioleta (UV) com comprimento de onda entre 385 nm e 405 nm. Essa luz reflete em um espelho que se move para formar a imagem pré-determinada sobre a plataforma, promovendo a solidificação do material conforme prévia definição (16). Formatado o modelo, este é imerso em um solvente para remoção dos monômeros residuais não curados, passando na sequência, por um forno de luz UV para a polimerização da resina e cura completa da peça. Esta técnica pode ser usada para produzir guias cirúrgicos de implantes, alinhadores ortodônticos, coroas totais (Figura 3), entre outras aplicações (28). 

Figura 2- Peça impressa sem acabamento (A) e Acabamento final da peça (B).

Fonte:  https://zortrax.com/resins/raydent-crown. 

Processamento Digital de Luz (DLP) 

A DLP também utiliza a polimerização de resina líquida, mas diferencia-se da SLA, pois a luz UV é emitida de um projetor e incide diretamente sobre o tanque que contém a resina, produzindo a imagem correspondente a cada camada do biomodelo que será formado. Essa tecnologia é relativamente mais rápida e econômica comparada à SLA, e proporciona a obtenção de biomodelos com superfícies lisas (29).  

Na aquisição do modelo pelas técnicas DLP e SLA, existe a necessidade de exposição posterior à luz UV para finalizar a polimerização do material, pois no processo, a resina atinge cerca de 80% de polimerização. Os fotoiniciadores do material, a intensidade de radiação UV e a temperatura de cura, podem ocasionar uma contração dimensional do material, pela acentuada formação de ligações covalentes entre os monômeros. Estas duas tecnologias têm custo elevado, permitindo somente a produção de modelos a partir de resinas líquidas. Como desvantagens, os protótipos podem causar irritações no epitélio bucal do paciente devido à permanência de monômeros residuais do modelo e também são propensos a apresentar durabilidade reduzida, limitando o uso em algumas aplicações (16).  

Sinterização Seletiva a Laser (SLS)  

A Sinterização Seletiva a Laser (SLS) é uma técnica empregada na fabricação de objetos sólidos. A produção inicia com um software CAD, que possibilita a elaboração de um modelo tridimensional do objeto pretendido. Em seguida, o software cria seções finas desse modelo para que o laser possa realizar a impressão (30). Esse sistema utiliza um feixe de laser para fundir seletivamente as partículas de um polímero em pó, por meio da impressão de camadas sucessivas, formando assim o objeto sólido final (Figura 4). Neste processo, o pó é espalhado e nivelado na plataforma onde a peça será fabricada. Essa base é aquecida tornando a resina líquida, sendo então aplicada, formando a primeira camada em seguida, são agregadas as camadas posteriores com ativação pelo calor. O objeto é imerso em um solvente que removerá a resina não curada e finalmente conduzido a um forno ultravioleta para a complementação do processo (31).

Figura 15- Impressora 3D SLS.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=oV8Q6bLrMTU 

Essa técnica permite a utilização de diferentes materiais, expandindo suas opções de uso tanto na clínica quanto no laboratório (32). 

Modelagem por Fusão e Deposição (FDM) 

Ela funciona com a fusão de filamentos termoplásticos, podendo ser poliéster, cera ou resina, que são depositados em camadas para formar o objeto. O ácido polilático, a acrilonitrila butadieno estireno, o policarbonato e PEEK – poli (éter-éter cetona), são os polímeros termoplásticos utilizados na técnica. O aparelho possui 3 eixos com 2 bicos extrusores que se movimentam nos eixos X e Y (Figura 5). O material é extruído nos orifícios depois de aquecido até sua forma semilíquida. As camadas sobrepostas se solidificam rapidamente na plataforma que se movimenta no eixo Z (33). A FDM tem como vantagens, a rapidez na produção, e a possibilidade de criar peças em diferentes cores com custo reduzido. A qualidade na FDM depende da velocidade de extrusão do material, da fluidez e do tamanho de cada camada. Uma desvantagem é o chamado “efeito escada”, que acontece em razão da sobreposição das camadas e aparece nas superfícies inclinadas ou curvas (34). Pode ser minimizado utilizando camadas delgadas, melhorando com isso o acabamento visual do modelo. É útil na produção de protótipos que não necessitam de muitos detalhes anatômicos, pois sua precisão é menor que as outras técnicas, além de resistência variável e alta porosidade (29).

Fonte: https://www.youtube.com/ watch?v=1bfYIQcXvRg

Fonte: https://3dlab.com.br                                 

Impressão Tridimensional (3D Printing)  

Sistema baseado em jato de tinta, onde os protótipos são constituídos por um pó cerâmico, um polímero e um agente aglutinante. Possui 3 eixos: X, Y e Z como na técnica FDM. O cabeçote com o agente aglutinante nos dois primeiros movimentos se desloca, e em seguida, libera o conteúdo sobre o pó cerâmico e o polímero que estão na mesma plataforma, que se move no eixo Z. A polimerização do material pode ser realizada por radiação ultravioleta, reação química, calor ou secagem. Desta maneira, é formada camada por camada em alta velocidade e pode-se criar modelos coloridos com jatos de tinta na impressão, com menor custo (16) (35).  

Sistema Polyjet 

O material usado é um líquido fotossensível translúcido, disposto em um tanque onde é solidificado por meio da emissão de luz ultravioleta. Uma peça contendo quatro ou mais cabeçotes de jato de tinta e lâmpadas ultravioleta (UV), percorre a área de trabalho, depositando gotas minúsculas de fotopolímeros, que são substâncias que se solidificam ao serem expostas à luz UV (Figura 6). Após a impressão de uma fina camada de material, o processo é repetido até que um objeto 3D esteja completamente formado (36). Uma variedade de materiais pode ser empregada, levando-se em consideração a densidade, dureza e a resistência. O processo é rápido e permite a manufatura de réplicas mais complexas, além da manutenção do aparelho ser mais simples que algumas outras técnicas (13).

Fonte: https://www.stratasys.com 

Fusão Seletiva a Laser (SLM) 

Com esta tecnologia é viável imprimir peças metálicas usando quase todos os tipos de liga metálica. Para evitar reações químicas indesejadas quando exposto a altas temperaturas e garantir a qualidade do processo, o material em pó é inserido em uma câmara com atmosfera controlada a vácuo ou com gás inerte (16). 

Para se obter modelos com alta definição, lisura de superfície e propriedades mecânicas satisfatórias, o laser utilizado nesse método possui alta densidade de energia e um foco extremamente preciso. Por conta dessa precisão, em muitos casos não é preciso realizar processos de acabamento pós impressão. É uma alternativa considerada quando se quer qualidade, resistência e detalhamento em peças metálicas, apesar do processamento mais lento e custo mais elevado (37). 

Sinterização Direta de Metal a Laser (DMLS)  

O processo de DMLS utiliza um laser seletivo de fibra como fonte de energia para produzir peças através da fusão e empilhamento simultâneo do material em altas temperaturas de construção, resultando na forma desejada da peça. O processo inicia, com aplicação de uma fina camada de pó metálico de 20–100 μm de espessura que é espalhada pelo revestidor sobre a plataforma de construção. Em seguida, um feixe de laser é utilizado e percorre a superfície para fundir seletivamente as seções da camada de pó, solidificando seletivamente o material conforme a geometria definida pelo arquivo CAD da primeira camada da peça. O pó é fundido à base ou nas camadas já sinterizadas, permitindo a formação do objeto de forma precisa e controlada (25). 

O laser é aplicado em uma câmara preenchida com gás inerte, podendo ser gás argônio (Ar) ou nitrogênio (N2) purificado, que ajudam no resfriamento dos componentes e protegem a peça contra oxidação durante a fabricação garantindo maior pureza. É necessário resfriamento adequado após a conclusão do processo, pois um resfriamento abrupto pode causar acúmulo de tensões residuais dentro das peças, afetando sua qualidade e propriedades (38). Para evitar esse problema, pode-se utilizar uma placa com temperatura elevada para manter a peça aquecida e evitar o acúmulo de tensões (39). 

A potência do laser, a velocidade e outros parâmetros podem ser controlados , assim como o tamanho das partículas de pó, que pode ser selecionado entre as opções disponíveis pelo fabricante (40). 

Feixe de Elétrons Seletivo (EBM) 

As peças obtidas por esse processo são formadas a partir de pó metálico, que é fundido camada por camada com o uso de um feixe de elétrons em ambiente de alto vácuo, direcionado por um campo magnético (Figura 7). Uma das principais vantagens dessa tecnologia é a capacidade de fabricar componentes com materiais de alta densidade e peso elevado (39). Apenas as técnicas DMLS e EBM são capazes de fundir completamente o pó de metal e tem como principais diferenças, a fonte de energia utilizada, as condições da câmara, a temperatura alcançada, o tamanho do grão e a espessura da camada (25) Na área odontológica, a impressora 3D que utiliza o método EBM é especialmente aplicada em procedimentos como a cirurgia maxilofacial, uma vez que esse tipo de intervenção requer estruturas porosas feitas de titânio. 

Figura 7- Esquema de funcionamento do Feixe de Elétrons Seletivo.

 Fonte: Os autores 

Aplicação na Odontologia 

São várias as aplicações da impressão 3D na Odontologia a partir do planejamento feito dos modelos virtuais obtidos no escaneamento (Figura 8). Em Reabilitação Oral, auxilia na confecção de modelos de estudo e placas interoclusais para o tratamento de bruxismo e  disfunção temporomandibular (DTM). Na Implantodontia com guias cirúrgicos para implantes e bandejas personalizadas, entre outros (34). Na Prótese Dentária possibilita a produção de próteses mais leves, fortes e resistentes, com maior aderência à gengiva e menor chance de inflamação (27). São exemplos da utilização, as moldeiras individuais, modelos de estudo, coppings, próteses metálicas unitárias ou pontes, e estruturas para próteses parciais removíveis. São fabricados para a prática da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, os guias e, talas cirúrgicas, placa oclusal, modelo de trabalho, scaffolds, placas de titânio, próteses reparadoras maxilofaciais, modelos anatômicos e implantes cirúrgicos.  Contribui na produção de modelos anatômicos realistas auxiliando o planejamento e execução da cirurgia de forma mais eficaz, resultando em melhores resultados pós operatórios. planejamento pré-operatório de anomalias dentofaciais complexas (12). Para a Ortodontia, pode ser usada como ferramenta para diagnóstico e planejamento de tratamento, identificação da posição exata do canino impactado e a relação anatômica com os demais dentes, fabricação de acessórios metálicos para tração canina, além de aparelhos ortodônticos personalizados, alinhadores ortodônticos e placas miorrelaxantes. Na Periodontia são aplicadas na produção de estruturas (scaffolds) que auxiliam a regeneração de tecidos duros e moles, guias cirúrgicos e modelos de estudo. Na Endodontia, a tecnologia de impressão 3D tem servido a diversos propósitos, incluindo o preparo da cavidade de acesso, procedimentos de apicectomia, visualização completa do sistema de canais radiculares, verificação do tamanho da lesão apical, bem como casos de reabsorção radicular. Há muitos estudos que relatam a alta precisão do preparo guiado da cavidade usando uma guia de acesso impressa em 3D (14).

Figura 8: Modelos virtuais para planejamento de próteses e implantes.

Fonte: https://www.dentsplysirona.com

CONCLUSÃO  

A impressão 3D se estabeleceu como uma ferramenta versátil possibilitando a confecção de estruturas personalizadas com alta precisão anatômica. Os benefícios observados incluem a redução do tempo clínico e laboratorial, e a elevação da qualidade final dos tratamentos. Contudo, ainda se impõem obstáculos a serem superados, como o alto custo para aquisição dos equipamentos, a demanda por capacitação técnica contínua e a limitação de materiais compatíveis com todos os protocolos clínicos. As perspectivas futuras da impressão 3D na Odontologia incluem o desenvolvimento de novos biomateriais com propriedades físico-químicas, que combinem biocompatibilidade, resistência mecânica, estabilidade dimensional e estética aprimorada. Adicionados a isso, a incorporação de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a ampliação do acesso ao aprendizado, favorecida pela redução dos custos de aquisição e manutenção de impressoras 3D e insumos.

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1Departamento de Odontoclínica, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Brasil.
2Graduanda em Odontologia pela UFF.
3Graduanda em Odontologia pela UFF.
4Graduando em Odontologia pela UFF.
5Graduanda em Odontologia pela UFF.

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