EFEITOS DO TREINAMENTO COGNITIVO-MOTOR NO DESEMPENHO DE JOVENS ATLETASDE FUTEBOL DE CAMPO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

EFFECTS OF COGNITIVE-MOTOR TRAINING ON THE PERFORMANCE OF YOUNG FIELD SOCCER
ATHLETES: A SYSTEMATIC REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510312348


João Pedro Chavez Piaia¹
Ricardo Henrique Esquivel Azuma²
Lara Alves Moreira³


Resumo

O treinamento cognitivo-motor (CMT) tem se consolidado como uma estratégia inovadora para potencializar o desempenho esportivo em jovens atletas, sobretudo em modalidades coletivas como o futebol, que exigem respostas rápidas a estímulos imprevisíveis. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática, os efeitos do CMT sobre a agilidade, o tempo de reação, a tomada de decisão e o desempenho motor-cognitivo em atletas de base. A pesquisa seguiu as diretrizes PRISMA, abrangendo bases como PubMed, Scopus, Web of Science, ScienceDirect e Google Scholar, com inclusão de estudos publicados entre 2010 e 2024. Foram selecionados 18 artigos que atenderam aos critérios de elegibilidade. Os resultados evidenciam que o CMT promove melhorias consistentes na agilidade reativa, no tempo de resposta neural e na cognição tática, além de contribuir para maior segurança motora e redução do risco de lesões. Observou-se também impacto positivo em aspectos psicológicos, como concentração, autocontrole e motivação, favorecendo a adesão ao treinamento. Apesar dos benefícios relatados, a heterogeneidade dos protocolos, o reduzido tamanho amostral e a ausência de padronização metodológica limitam a generalização dos achados. Conclui-se que o CMT representa uma ferramenta promissora para a formação integral de jovens atletas, devendo ser aplicado de forma individualizada e integrada a outras dimensões do processo formativo. Novos estudos longitudinais e com maior rigor metodológico são necessários para consolidar diretrizes práticas para o uso do CMT em categorias de base.

Palavras-chave: treinamento cognitivo-motor; agilidade; tempo de reação; atletas de base; dupla tarefa; futebol.

Abstract  

Cognitive-motor training (CMT) has established itself as an innovative strategy for enhancing athletic performance in young athletes, especially in team sports like soccer, which require rapid responses to unpredictable stimuli. This study aimed to systematically analyze the effects of CMT on agility, reaction time, decision-making, and motor-cognitive performance in youth athletes. The research followed PRISMA guidelines, covering databases such as PubMed, Scopus, Web of Science, ScienceDirect, and Google Scholar, and included studies published between 2010 and 2024. Eighteen articles that met the eligibility criteria were selected. The results show that CMT promotes consistent improvements in reactive agility, neural response time, and tactical cognition, in addition to contributing to greater motor safety and a reduced risk of injury. A positive impact was also observed on psychological aspects such as concentration, self-control, and motivation, promoting training adherence. Despite the reported benefits, the heterogeneity of the protocols, the small sample size, and the lack of methodological standardization limit the generalizability of the findings. We conclude that CMT represents a promising tool for the comprehensive development of young athletes and should be applied individually and integrated with other aspects of the training process. New longitudinal studies with greater methodological rigor are needed to establish practical guidelines for the use of CMT in youth teams.

Keywords: cognitive-motor training; agility; reaction time; youth athletes; dual task; soccer.

1. INTRODUÇÃO

Na vida cotidiana, crianças e adolescentes frequentemente enfrentam situações desafiadoras que exigem a realização simultânea de tarefas motoras e cognitivas, ou o processamento conjunto dessas informações como lembrar uma direção enquanto caminham por uma rua movimentada ou aprender movimentos específicos em esportes coletivos (WOLLESEN et al., 2022). Atletas de esportes coletivos precisam de excelentes habilidades perceptivo-cognitivas, particularmente funções executivas (FE), para um desempenho estratégico em campo (MARTIN-NIEDECKEN et al., 2023).

No futebol não é diferente, sendo um esporte dinâmico e de alta complexidade, exigindo dos atletas uma combinação de fatores físicos, técnicos, táticos, emocionais e cognitivos para otimizar o desempenho (FILGUEIRAS et al., 2023). Habilidades de antecipação e tomada de decisão são requisitos importantes para jogadores de futebol (BENNETT et al., 2019). Como o futebol envolve variabilidade e incerteza (ROMEAS et al., 2016), os atletas devem monitorar e se adaptar continuamente a condições que mudam rapidamente dentro de campo (ZHU et al., 2024). 

Dentro desse cenário, a agilidade é um indicador-chave de desempenho no esporte. A agilidade foi definida como um “movimento rápido e preciso de corpo inteiro com mudança de velocidade, direção ou padrão de movimento em resposta a um estímulo externo” (MORRAL-YEPES et al., 2023). Para enfrentar essas demandas complexas e alcançar um um desempenho superior dentro do esporte, é necessário uma interação ideal entre habilidades motoras e cognitivas, como a velocidade de reação do atleta, tomada de decisão e agilidade (FRIEBE et al., 2024). Existem muitos fatores que influenciam a velocidade de reação, incluindo tipo de estímulo, idade, sexo, dominância lateral, visão direta e periférica, prática e erros, fadiga, distração, estimulantes, inteligência, estresse, doenças, etc. (PAŚKO et al., 2021).

Uma metodologia de treinamento eficiente é fundamental para atletas profissionais e, graças à união do esporte e das ciências cognitivas, novos protocolos de treinamento foram desenvolvidos para melhorar o desempenho físico e cognitivo (LUCIA et al., 2023). Nesse contexto, surgem os treinamentos que integram aspectos físicos e cognitivos, o treinamento cognitivo-motor (CMT) é utilizado  para exibir estímulos ou cenários esportivos que exigem reações perceptivas dos participantes, fornecendo um elemento de aleatoriedade e imprevisibilidade (SILVA et al., 2021). Por meio desse tipo de treinamento, os treinadores podem controlar cenários específicos de tomada de decisão e antecipação para melhorar efetivamente o conhecimento tático dos atletas e desenvolver sua atenção em relação a pistas perceptivas pertinentes (ZHAO et al., 2022).

Estudos voltados à reabilitação de atletas têm focado principalmente na aplicação da CMT durante o processo de recuperação após lesões. Curiosamente, grande parte das evidências sobre os efeitos positivos do treinamento em CMT não surgiu diretamente das investigações em desempenho atlético, mas sim dos âmbitos da reabilitação e da prática esportiva (TUENA et al., 2023). A CMT tem se mostrado eficaz na melhoria das funções neuromusculares, bem como nas capacidades motoras e cognitivas, contribuindo significativamente para a restauração das funções normais após uma lesão (WU et al., 2024).

Além disso, estudos clínicos evidenciam contribuições relevantes da CMT na análise de risco clínico e na estimativa prognóstica. Um exemplo, estratégias que integram a marcha com tarefas cognitivas têm sido utilizadas para identificar riscos de concussão em atletas, bem como para monitorar o progresso de recuperação em pacientes que sofreram esse tipo de lesão (HOWELL et al., 2017).

Enquanto a literatura com atletas adultos é robusta, nas categorias de base ainda há lacunas, Zhu et al. (2024) realizou uma revisão sistemática sobre os efeitos do CMT nas habilidades de antecipação e tomada de decisão de atletas de elite. Os resultados não mostraram diferenças significativas nos efeitos de transferência entre adultos e adolescentes. Isso pode ser explicado pelo fato de que os participantes adolescentes tinham, principalmente, mais de 15 anos. Por volta dessa idade, eles atingem um nível razoável de competência dos principais fatores de tomada de decisão, como percepção, atenção, antecipação e memória de trabalho (SILVA et al., 2021).

Renshaw et al. (2018) sugerem que, para maximizar os benefícios do treinamento e sua transferência para o desempenho no mundo real, o treinamento cognitivo deve ser projetado para se assemelhar às circunstâncias esportivas reais, trazendo reproduzindo movimentos semelhantes aos do jogo real. Casella (2022) destaca que na preparação das sessões de CMT, é fundamental conceber exercícios que recriem, da forma mais realista possível, as diferentes situações de jogo, mas que também obriguem o atleta a raciocinar para responder corretamente.

O estudo de Lucia et al. (2023) analisou uma intervenção de dupla tarefa cognitiva-motora pedindo a jogadores de basquete semi-elite que realizassem exercícios de drible enquanto trabalhavam de forma simultânea tarefas cognitivas usando dispositivos interativos localizados ao redor do atleta na quadra de basquete. Os participantes do grupo de intervenção aumentaram seus processos de tomada de decisão e desempenhos específicos do basquete.

Pesquisas recentes indicam que o treinamento cognitivo-motor de dupla tarefa focado na velocidade de tomada de decisão pode aprimorar o sprint, a agilidade e também encurtar o tempo de resposta no teste de tempo de reação, porém, sua aplicação em categorias de base ainda carece de investigações mais aprofundadas. Portanto, esta revisão sistemática, teve como objetivo central analisar o impacto que o treinamento cognitivo-motor tem sobre o desempenho esportivo (tempo de reação, agilidade, mudança de direção, atenção, etc) dos atletas de base, especialmente os futebolistas.

2. O TREINAMENTO COGNITIVO-MOTOR: FUNDAMENTOS, EVIDÊNCIAS E IMPLICAÇÕES PARA O FUTEBOL DE BASE

2.1 Futebol e suas demandas multidimensionais

O futebol é reconhecido por sua complexidade tática e alta exigência física e mental. Os atletas devem demonstrar domínio técnico da bola, resistência aeróbica, força muscular, velocidade, equilíbrio emocional e, sobretudo, capacidades cognitivas bem desenvolvidas, como atenção dividida, processamento rápido de informações e antecipação de ações (FILGUEIRAS et al., 2023).

Essas exigências tornam o futebol uma modalidade altamente dependente da integração entre corpo e mente. Segundo Williams e Hodges (2005), o jogador moderno precisa ser capaz de “ler” o jogo, identificar padrões de movimentação do adversário e decidir, em milésimos de segundos, a melhor ação a ser executada. Isso é especialmente relevante em posições estratégicas, como zagueiros, meio-campistas e goleiros, onde a capacidade de antecipar jogadas pode definir o sucesso ou fracasso da equipe.

Vinte e quatro atletas de 10 anos foram selecionados e distribuídos aleatoriamente em dois grupos: experimental (Exp) e controle (Con). Ambos os grupos participaram de treinamentos durante 10 semanas, duas vezes por semana (90 minutos por sessão), seguindo um programa padrão de futebol, com exercícios técnico e táticos. No grupo Exp, durante a primeira sessão semanal, os últimos 22 minutos foram dedicados à intervenção experimental, que consistiu em um treinamento psicocinético baseado em CMT. A avaliação dos participantes ocorreu antes e depois do período de treinamento por meio dos testes de cancelamento, Torre de Londres e WISC-IV. Os resultados indicaram que, após a intervenção, o grupo Exp apresentou desempenhos significativamente superiores ao grupo Con em todas as medidas cognitivas (CASELLA et al., 2022)

A pesquisa de Zhao et al. (2022) usou métodos diferentes para analisar o treinamento baseado em vídeo (VBT), tanto o treinamento explícito quanto o implícito melhoraram efetivamente as habilidades de antecipação e tomada de decisão dos participantes. Além disso, a implementação da perspectiva de “primeira pessoa” e da realidade virtual (RV) melhoraram a apresentação de estímulos de vídeo, melhorando efetivamente os resultados de antecipação e a tomada de decisão. As descobertas desta revisão sugerem que o VBT é benéfico no desenvolvimento de julgamentos de antecipação e tomada de decisão em jogadores de futebol. No entanto, algumas descobertas foram inconsistentes com estudos anteriores devido a diferenças na duração da intervenção e protocolos experimentais, e estudos adicionais são necessários.

Adicionalmente, Bennett et al. (2019) apontam que atletas com melhor desempenho em tarefas cognitivas tendem a tomar decisões mais rápidas e eficazes em contextos de pressão. Isso ocorre porque o ambiente do esporte é dinâmico, incerto e exige atualização contínua da percepção e da ação. Nesse contexto, o cérebro do atleta atua como um sistema de monitoramento constante, processando estímulos visuais, auditivos e sinestésicos simultaneamente (ROMEAS et al., 2016). A neurociência do esporte reforça essa visão. Estudos com neuroimagem funcional demonstram que atletas treinados em esportes de decisão rápida, ativam de forma mais eficiente regiões cerebrais como o córtex pré-frontal dorsolateral, relacionado ao planejamento e controle executivo (VOSS et al., 2010).

A revisão em questão examinou os efeitos das estratégias de treinamento cognitivo no desenvolvimento de habilidades motoras e psicológicas positivas no desempenho do futebol. Jogadores de futebol mais jovens empregaram técnicas de imagens cognitivas gerais e cognitivas específicas em maior proporção comparados com os jogadores mais velhos. Estratégias combinadas de treinamento cognitivo foram mais benéficas do que uma única estratégia cognitiva em relação ao aprimoramento de habilidades motoras em jogadores de futebol de elite (particularmente meio-campistas) e amadores (ou seja, ao praticar habilidades complexas e específicas de futebol no período pré-competitivo). Parece que há diferenças em intervenções de treinamento cognitivo/psicológico e sua eficácia, de acordo com o tipo de treinamento, competição, a idade, padrão e posição de jogo dos atletas (SLIMANI et al., 2016).

2.2 Agilidade: conceito e componentes

A agilidade no esporte não se resume à capacidade física de realizar movimentos rápidos. Trata-se de uma habilidade composta, que envolve componentes físicos (como velocidade, força e coordenação motora) e componentes cognitivos (como percepção, atenção e decisão) (FRIEBE et al., 2024). Nesse sentido, a agilidade é classificada como reativa quando está associada a estímulos imprevisíveis, comuns no futebol. Morral-Yepes et al. (2023) propõem um modelo de agilidade dividido em três fases: 1) percepção do estímulo externo; 2) tomada de decisão; 3) execução do movimento. Cada uma dessas fases depende de diferentes sistemas neurológicos e motores, exigindo sincronia precisa entre cérebro e músculos.

Segundo Young et al. (2002, apud FRIEBE et al., 2024), a agilidade é mais determinante para o sucesso esportivo do que a simples velocidade linear, pois envolve respostas adaptativas. Em situações de jogo real, um atleta pode precisar mudar de direção múltiplas vezes em menos de cinco segundos, com base em estímulos visuais como o movimento da bola ou do adversário. A maturação neurológica em adolescentes influencia diretamente a agilidade. De acordo com Paśko et al. (2021), fatores como mielinização das vias motoras, coordenação intermuscular e desenvolvimento da atenção seletiva contribuem para o desempenho em tarefas de mudança de direção e tempo de reação.

Andrašić et al. (2020), avaliou as diferenças de idade em agilidade, velocidade e velocidade de CODs, em um grupo de jogadores de futebol adolescentes altamente treinados. Um total de 75 jogadores de futebol do sexo masculino (com idades entre 14 e 19 anos) foram recrutados. Os atletas foram testados para sprints de 5, 10 e 20 m, CODS e testes de agilidade. Jogadores de elite tiveram tempo de movimento de reação mais rápido durante o RAT, em comparação com jogadores sub elite e amadores. Além disso, jogadores de elite mostraram um tempo mais rápido durante estímulos leves, mas apenas em comparação com jogadores amadores. Os resultados demonstraram que os jogadores habilidosos (elite e sub-elite) tiveram melhor desempenho em testes de agilidade, velocidade e velocidade COD em comparação aos jogadores amadores.

2.3 Fundamentos do treinamento cognitivo-motor (CMT)

O CMT surge como uma ferramenta contemporânea na preparação de atletas, especialmente naqueles esportes que exigem resposta rápida a estímulos imprevisíveis. Ele combina tarefas físicas (como corrida, drible, saltos) com desafios cognitivos (como identificar padrões, responder a cores/luzes, resolver problemas simples), criando um ambiente de treino mais próximo da realidade do jogo (SILVA et al., 2021). A base científica do CMT está nos conceitos de dupla tarefa e treinamento específico de decisão, que visam sobrecarregar o sistema nervoso central para melhorar sua eficiência sob estresse. Hillman et al. (2008) demonstraram que a combinação de atividade física com desafio mental aumenta a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, favorecendo a plasticidade sináptica e o tempo de resposta neural. Zhao et al. (2022) enfatizam que o CMT pode ser realizado com ou sem recursos tecnológicos. Exercícios simples como correr entre cones ao mesmo tempo em que se resolve um comando verbal (“esquerda”, “direita”, “volta”) já são suficientes para gerar ganhos cognitivos. Já intervenções mais sofisticadas incluem o uso de sensores de movimento, dispositivos com luzes aleatórias e realidade virtual (LUCIA et al., 2023).

Renshaw et al. (2018) ressalta a importância de o treinamento ser ecológico, ou seja, que respeite os princípios da aprendizagem representativa. Isso significa simular situações reais de jogo com o máximo de fidelidade possível, incluindo variações de ritmo, estímulos inesperados e ações táticas coletivas.

2.4 Evidências científicas dos benefícios do CMT

Os benefícios do CMT vêm sendo amplamente estudados nos últimos anos. Em atletas adolescentes, resultados consistentes foram encontrados em protocolos de 4 a 8 semanas, com frequência de 2 a 4 sessões semanais (ZHAO et al., 2022). Essas intervenções resultaram em melhora significativa no tempo de reação, no desempenho em testes de agilidade como o Illinois Agility Test, e na eficiência de movimentos específicos da modalidade. Além disso, evidências apontam para a transferência positiva dos efeitos do CMT para outras habilidades cognitivas, como atenção sustentada, memória operacional e flexibilidade mental – fatores que também influenciam a performance esportiva (VOSS et al., 2010).

Lucia et al. (2023) demonstraram que jogadores de basquete submetidos a um treinamento com estímulos visuais e auditivos obtiveram melhora de até 23% em tarefas de tomada de decisão sob pressão. Em estudo semelhante, Silva et al. (2021) relataram que jovens jogadores de futebol apresentaram redução de até 18% no tempo de reação após intervenções com CMT baseadas em dribles e sinais de LED. Friebe et al. (2024) compararam três grupos de atletas (controle, agilidade tradicional, CMT) e observaram que apenas o grupo CMT melhorou significativamente em testes com distrações inesperadas e mudanças rápidas de estímulo. Isso indica que o CMT pode ser mais eficaz do que o treinamento convencional na preparação para situações reais de jogo, onde a imprevisibilidade é constante.

Este estudo investigou os efeitos de um treinamento multicomponente de controle cognitivo (MTCC) em adolescentes, buscando entender se o treinamento aprimorava a capacidade de controle cognitivo e se esses efeitos eram generalizáveis a outros domínios cognitivos, além de identificar os correlatos neurais dos efeitos do treinamento. Participaram do estudo estudantes do ensino fundamental (com idades entre 11 e 14 anos). Em resumo, o treinamento de controle cognitivo multicomponente resultou em uma melhora limitada na inteligência visuoespacial de adolescentes tipicamente desenvolvidos e, mais notavelmente, aumentou relativamente o volume do córtex frontal inferior direito, uma região cerebral fundamental para o controle inibitório (LEE et al., 2019).

Abuín-Porras et al. (2020) investigou os efeitos de um treinamento de equilíbrio com multitarefas em crianças pré-escolares saudáveis (4 a 6 anos), a pesquisa, de caráter quase-experimental. O grupo experimental realizou 40 sessões de treinamento por 8 semanas, utilizando superfícies variadas e tarefas motoras e cognitivas combinadas, enquanto o grupo controle realizou atividades motoras básicas sem foco no equilíbrio. Os resultados mostraram melhora significativa no equilíbrio no grupo experimental (p < 0.001). O estudo reforça a eficácia de abordagens multissistêmicas que integram componentes motores, sensoriais e cognitivos no desenvolvimento do controle postural infantil, especialmente em uma fase crítica do desenvolvimento motor.

2.5 Neuroplasticidade e aprendizagem motora em atletas adolescentes

A neuroplasticidade refere-se à capacidade do sistema nervoso de modificar sua estrutura e função em resposta a estímulos e experiências, especialmente durante a infância e adolescência, períodos críticos para o desenvolvimento cognitivo e motor (KLEIM; JONES, 2008). Durante a adolescência, o cérebro apresenta um elevado grau de plasticidade sináptica, facilitando a aprendizagem de habilidades complexas, como as motoras e cognitivas exigidas no futebol (TASSONE et al., 2020).

Segundo Kolb e Gibb (2011), o processo de aprendizagem motora depende da repetição e da prática direcionada, que promovem mudanças adaptativas nas redes neurais envolvidas no controle motor e na tomada de decisão. Isso torna o treinamento cognitivo-motor particularmente eficaz em jovens atletas, já que eles podem consolidar novos padrões motores e cognitivos com maior facilidade (NEWMAN et al., 2016). Estudos indicam que protocolos de treinamento que combinam estímulos motores e cognitivos aproveitam essa plasticidade para otimizar a eficiência neural e acelerar a aquisição de habilidades esportivas (WANG et al., 2021). Portanto, compreender a neuroplasticidade é fundamental para o planejamento de intervenções que maximizem o potencial dos atletas em formação.

2.6 Impacto do treinamento cognitivo-motor na saúde mental de jovens atletas

Além dos benefícios físicos e motores, o treinamento cognitivo-motor tem impacto positivo na saúde mental dos jovens atletas. Pesquisas mostram que intervenções que promovem a atenção plena e o controle executivo podem reduzir níveis de ansiedade e estresse, comuns em esportistas submetidos à pressão competitiva (DEAR et al., 2019). Santos et al. (2022) demonstraram que jovens praticantes de esportes que participaram de programas de CMT apresentaram melhora significativa na concentração e no autocontrole emocional, fatores que contribuem para o desempenho atlético e o bem-estar geral. A melhora da autoestima e da autoconfiança também tem sido relatada, favorecendo a adesão aos treinamentos e o engajamento com a modalidade (FRANÇA et al., 2020).

A abordagem integrada do CMT, ao trabalhar simultaneamente o corpo e a mente, propicia um desenvolvimento mais equilibrado, auxiliando na prevenção de quadros de burnout esportivo e no fortalecimento da resiliência psicológica dos jovens (GOMES; LIMA, 2021).

2.7 Aplicação em jovens atletas

Adolescentes entre 12 e 17 anos representam um público-alvo ideal para o CMT, pois esse período coincide com o auge do desenvolvimento neurofisiológico e da aprendizagem motora. Segundo Zhu et al. (2024), atletas a partir de 14–15 anos já apresentam desempenho comparável ao de adultos em testes cognitivos básicos, como Stroop, Trail Making Test e tempo de reação simples.

No entanto, Casella (2022) alerta que o CMT aplicado em categorias de base deve respeitar os princípios do desenvolvimento infantil, como o nível de maturidade, o estágio de coordenação motora e a motivação. Protocolos mal planejados podem gerar frustração ou até lesões. Por isso, é essencial que os treinos sejam lúdicos, desafiadores e gradualmente complexos.

Renshaw et al. (2018) destacam que o desenvolvimento de habilidades cognitivas em jovens atletas também promove ganhos fora do campo, como melhoria na capacidade de concentração escolar, autocontrole e resiliência emocional. Assim, o CMT pode ser uma ferramenta de formação integral do jovem, não apenas física. A Figura a seguir descreve um gráfico comparativo de ganhos em agilidade de participantes com e sem utilização de CMT.

Figura 01 – Comparativo de Ganhos em Agilidade Com e Sem CMT

Fonte: Adaptado de Renshaw et al. (2018).

2.8 Aspectos motivacionais e adesão ao treinamento em categorias de base

A motivação dos jovens para participar e aderir a treinamentos que envolvem componentes cognitivos pode ser influenciada por diversos fatores, incluindo a percepção de relevância, o suporte social e a qualidade do ambiente de treino (RYAN; DECI, 2017). A adoção do CMT pode apresentar desafios nesse aspecto, especialmente se os atletas o perceberem como menos atrativo em comparação a treinos físicos tradicionais (MARTINS et al., 2021). Estratégias para aumentar a adesão incluem a gamificação dos exercícios, o uso de feedback imediato e a criação de contextos de treino desafiadores e lúdicos (LIMA et al., 2022). 

Casella (2022) destaca a importância de envolver os atletas na elaboração dos protocolos, promovendo autonomia e senso de pertencimento. Além disso, o suporte do treinador, familiares e colegas influencia diretamente a continuidade do engajamento, pois ambientes de treino positivos e colaborativos fortalecem a motivação intrínseca dos jovens (SILVA et al., 2021).

2.9 Protocolos cognitivos-motores aplicáveis ao futebol de base

A elaboração de protocolos eficazes de treinamento cognitivo-motor para atletas de futebol de base requer uma análise criteriosa das demandas específicas da faixa etária e do esporte. Silva et al. (2021) ressaltam que a integração das tarefas cognitivas com a execução motora deve refletir a imprevisibilidade e complexidade do jogo, respeitando os níveis de maturação neurológica e física dos jovens atletas.

A literatura aponta diversas modalidades de estímulos utilizados nos protocolos, que podem variar desde comandos verbais e visuais simples até sistemas tecnológicos avançados. Zhao et al. (2022) evidenciam que estímulos visuais, como luzes LED dispostas em cones que acendem aleatoriamente, representam um método eficaz para melhorar a capacidade de reação e tomada de decisão em situações similares ao jogo real.

Além disso, Casella (2022) enfatiza a necessidade de progressão gradual na dificuldade dos exercícios, iniciando com tarefas motoras básicas associadas a estímulos cognitivos simples e evoluindo para padrões mais complexos que envolvam múltiplos estímulos e decisões simultâneas. Essa abordagem permite que os jovens atletas desenvolvam habilidades cognitivas sem prejuízo da execução motora, evitando sobrecarga neurológica.

Lucia et al. (2023) apresentam um protocolo aplicado a jogadores semi-elite que envolveu o uso de dispositivos interativos com estímulos auditivos e visuais distribuídos ao redor da quadra, associados a movimentos de drible. O protocolo teve duração de seis semanas, com três sessões semanais, resultando em melhorias estatisticamente significativas na precisão e velocidade das tomadas de decisão.

No contexto do futebol juvenil, Renshaw et al. (2018) sugerem a incorporação de jogos reduzidos com regras modificadas que exijam rápida adaptação a comandos imprevistos, promovendo a transferência dos ganhos cognitivos para o ambiente competitivo. O treinamento deve contemplar não apenas a velocidade de reação, mas também a capacidade de antecipação e seleção eficiente de estratégias.

A duração recomendada para os protocolos varia entre 6 e 12 semanas, com frequência de 2 a 4 sessões semanais, sendo cada sessão composta por exercícios de 20 a 45 minutos, conforme a idade e o nível de condicionamento dos atletas (Silva et al., 2021; Zhao et al., 2022). A individualização é crucial para adaptar a carga cognitiva à capacidade de cada atleta, maximizando os benefícios e minimizando o risco de fadiga mental.

2.10 Tecnologias emergentes aplicadas ao treinamento cognitivo-motor

O avanço tecnológico tem proporcionado novas ferramentas para potencializar o treinamento cognitivo-motor. A realidade virtual (RV), por exemplo, permite a criação de ambientes imersivos e controlados, nos quais o atleta pode treinar respostas motoras e cognitivas em situações simuladas que reproduzem a complexidade do jogo real (PEREIRA et al., 2023).

Neurofeedback, que monitora e fornece informações em tempo real sobre a atividade cerebral, vem sendo utilizado para melhorar a atenção e o controle executivo em atletas, promovendo ajustes finos na performance cognitiva (SILVA; ALMEIDA, 2022). Sistemas de captura de movimento e inteligência artificial também possibilitam análises detalhadas do desempenho motor e cognitivo, possibilitando treinamentos cada vez mais personalizados (RODRIGUES et al., 2024).

Segundo Carvalho et al. (2023), a integração dessas tecnologias ao CMT não só aumenta a eficácia das intervenções, mas também melhora o engajamento dos jovens atletas, tornando os treinos mais atrativos e motivadores.

2.11 Aspectos fisiológicos do treinamento cognitivo-motor

O treinamento cognitivo-motor provoca alterações fisiológicas que vão além das adaptações musculares. Hillman et al. (2008) destacam que exercícios que combinam desafios físicos e mentais aumentam a liberação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, essenciais para a atenção, a motivação e a plasticidade cerebral.

Além disso, a demanda cognitiva associada ao treino pode modular a frequência cardíaca e o gasto energético, exigindo um equilíbrio entre carga física e mental para evitar fadiga excessiva (PAŚKO et al., 2021). A fadiga mental, se não controlada, pode prejudicar a execução motora e o desempenho cognitivo, tornando o monitoramento das cargas um aspecto fundamental (MARTINS et al., 2020).

Estudos recentes também indicam que o CMT pode melhorar a coordenação neuromuscular, promovendo maior eficiência nos padrões de movimento e reduzindo o risco de lesões associadas ao esforço físico (FRIEBE et al., 2024).

2.12 Testes utilizados para avaliação da agilidade e tempo de reação

A avaliação rigorosa dos efeitos do treinamento cognitivo-motor exige o uso de testes específicos que mensuram tanto a capacidade motora quanto a cognitiva dos atletas. O Illinois Agility Test (IAT) é um dos protocolos mais tradicionais e utilizados, por envolver deslocamentos em alta velocidade, mudanças de direção e controle motor preciso (MORRAL-YEPES et al., 2023). Embora originalmente focado em aspectos físicos, o IAT pode ser adaptado para incluir estímulos visuais ou auditivos, ampliando sua capacidade de avaliar a agilidade reativa.

O Reactive Agility Test (RAT) foi desenvolvido para mensurar especificamente a agilidade reativa, incluindo um componente decisório, que simula a necessidade do atleta de responder a estímulos imprevisíveis (RENSHAW et al., 2018). Este teste tem sido validado em múltiplas modalidades esportivas e apresenta alta correlação com o desempenho em jogos reais, sobretudo em esportes com alta demanda perceptiva, como o futebol.

Para a avaliação do tempo de reação, testes computacionais são amplamente utilizados. Paśko et al. (2021) destacam que existem protocolos de tempo de reação simples, que envolvem a resposta a um único estímulo, e tempo de reação de escolha, que exige respostas diferenciadas para múltiplos estímulos. Este último é especialmente relevante para esportes que demandam tomada rápida de decisão em contextos variados, como o futebol.

Ferramentas tecnológicas, como plataformas digitais de avaliação neuromotora e aplicativos móveis, têm sido incorporadas para melhorar a precisão e reprodutibilidade dos testes (ZHAO et al., 2022). Além disso, o uso de câmeras de alta velocidade e sistemas de captura de movimento permite a análise biomecânica detalhada dos movimentos executados durante os testes, fornecendo dados sobre velocidade, aceleração e coordenação.

A combinação de testes motores e cognitivos, aplicada em uma bateria de avaliação, é essencial para identificar melhorias específicas após a intervenção com CMT, garantindo uma visão holística do desenvolvimento dos atletas (SILVA et al., 2021). A avaliação pré e pós-treinamento deve ser realizada com o máximo rigor metodológico para assegurar a validade dos resultados, um comparativo ilustrado pela Figura 02.

Figura 02 – Comparativo de Tempo de Reação Médio

Fonte: Autor (2025).

2.13 CMT na reabilitação esportiva: possibilidades e limitações

O CMT tem sido incorporado na reabilitação de lesões esportivas como uma ferramenta para restaurar não apenas a força e a mobilidade, mas também as capacidades cognitivas que influenciam a qualidade do movimento e a prevenção de recaídas (ZHAO et al., 2022).

Segundo Rodrigues et al. (2023), protocolos que integram aspectos cognitivos ao treino funcional promovem uma recuperação mais completa, auxiliando o atleta a readquirir padrões motores seguros e eficientes. A plasticidade neural estimulada pelo CMT pode acelerar o processo de reeducação neuromuscular e a adaptação funcional (NEWMAN et al., 2016).

Entretanto, limitações incluem a necessidade de recursos tecnológicos e capacitação dos profissionais, além da escassez de estudos que avaliem o impacto do CMT em diferentes tipos de lesão e fases da reabilitação (SILVA et al., 2021). A individualização dos protocolos e o acompanhamento multidisciplinar são essenciais para o sucesso das intervenções.

2.14 CMT e prevenção de lesões

A conexão entre cognição e prevenção de lesões é um tema emergente na literatura esportiva. Friebe et al. (2024) explicam que, ao melhorar a capacidade de antecipar movimentos, o CMT permite respostas motoras mais seguras, diminuindo o risco de desequilíbrios posturais e torções. Jogadores que reagem tardiamente a um estímulo tendem a realizar movimentos bruscos e compensatórios – que são os principais fatores de lesão em esportes como o futebol.

Zhao et al. (2022) reforçam que o tempo de reação é um preditor relevante de segurança motora. Em testes de campo, atletas submetidos ao CMT apresentaram menor incidência de desequilíbrios em mudanças de direção, menor carga de impacto nos joelhos e melhor controle postural em tarefas dinâmicas. Silva et al. (2021) sugerem que programas de CMT inseridos na rotina de treino semanal podem funcionar como uma estratégia de pré-habilitação, preparando o corpo para reagir de maneira eficiente aos desafios motores e minimizando o impacto de ações imprevisíveis durante o jogo.

O conjunto de evidências científicas sobre o CMT demonstra seu potencial transformador no desenvolvimento de atletas jovens, especialmente no futebol de base. Os ganhos em agilidade reativa, tempo de resposta e tomada de decisão evidenciam que a integração entre componentes físicos e cognitivos é fundamental para preparar os atletas para as demandas modernas do esporte (FRIEBE et al., 2024; ZHAO et al., 2022).

Além da performance, a influência positiva do CMT na prevenção de lesões reforça seu papel estratégico dentro da fisioterapia esportiva, ampliando o escopo das intervenções para além da reabilitação e treinamento tradicional (SILVA et al., 2021). A redução de movimentos compensatórios e a melhora da consciência corporal são fatores que fortalecem a segurança funcional do atleta durante os jogos.

Entretanto, ressalta-se que a padronização dos protocolos ainda é um desafio. A heterogeneidade dos métodos e das amostras estudadas dificulta a comparação entre os resultados e a construção de diretrizes clínicas e esportivas definitivas (ZHU et al., 2024; CASELLA, 2022). Estudos longitudinais com amostras representativas são necessários para validar e aprimorar os protocolos existentes.

Assim, o presente estudo experimental visa contribuir com evidências que possam embasar a aplicação do CMT em categorias de base, fornecendo dados que auxiliem técnicos, preparadores físicos e fisioterapeutas a desenvolverem programas mais eficazes e seguros. Ao ampliar o repertório de estratégias para a formação integral do atleta jovem, o CMT representa um avanço na ciência do esporte, promovendo não apenas o desenvolvimento da performance, mas também a saúde e o bem-estar dos praticantes.

3 METODOLOGIA

3.1. Tipo de estudo

O presente trabalho utiliza a metodologia da revisão sistemática, caracterizada como uma pesquisa documental que visa reunir, avaliar criticamente e sintetizar os resultados de estudos científicos relacionados a um tema específico (PETERSEN et al., 2015). Diferente das revisões narrativas, a revisão sistemática segue protocolos rigorosos e pré-definidos para garantir a transparência, reprodutibilidade e minimizar vieses, o que fortalece a confiabilidade das conclusões (MOUSTAFIDIS; KAPOULAS, 2017).

Neste estudo, a revisão sistemática é aplicada para compilar as evidências disponíveis sobre os efeitos do treinamento cognitivo-motor (CMT) na agilidade de atletas jovens, focando especialmente em jovens jogadores de futebol de base, tema que apresenta lacunas significativas na literatura (ZHU et al., 2024).

3.2 Protocolo da Revisão

Seguindo as diretrizes do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) (MOHER et al., 2009), elaborou-se um protocolo que definiu claramente os critérios de inclusão e exclusão, as bases de dados consultadas, os termos de busca e as etapas de seleção dos estudos.

3.2.1 Critérios de Inclusão

  • Estudos publicados entre 2010 e 2024, em português ou inglês;
  • Artigos que abordam treinamento cognitivo-motor em atletas adolescentes, entre 12 e 17 anos;
  • Pesquisas que avaliaram agilidade, tempo de reação, tomada de decisão ou desempenho motor-cognitivo;
  • Tipos de estudos: ensaios clínicos controlados, estudos experimentais, revisões sistemáticas e meta-análises.

3.2.2 Critérios de Exclusão

  • Estudos com foco exclusivo em atletas adultos (>18 anos);
  • Publicações sem metodologia clara, relatos de caso, opiniões ou revisões narrativas;
  • Artigos publicados fora do período estabelecido;
  • Estudos com amostras heterogêneas sem dados segmentados para adolescentes.

3.3 Fontes de Dados e Estratégia de Busca

A pesquisa bibliográfica foi realizada nas seguintes bases de dados científicas: PubMed, Scopus, Web of Science, ScienceDirect e Google Scholar, no período de julho a agosto de 2025.

Os termos utilizados na busca foram combinados por operadores booleanos conforme segue: (“cognitive-motor training” OR “cognitive motor training” OR “dual-task training”) AND (“agility” OR “reaction time” OR “decision-making”) AND (“youth athletes” OR “adolescent athletes” OR “football players” OR “soccer players”).

3.4 Processo de Seleção dos Estudos

Essa tabela a seguir exemplifica a evolução do número de estudos durante a seleção, demonstrando a sistematização e rigor do processo.

Tabela 01 – Processo de Seleção

EtapaQuantidade de EstudosProcedimento
Busca inicial437Recuperação dos estudos por meio dos termos de busca nas bases de dados
Remoção de duplicatas382Eliminação dos artigos duplicados entre as bases
Triagem por título e resumo85Exclusão de artigos que não atendiam aos critérios de inclusão
Leitura completa dos artigos32Avaliação detalhada para verificar pertinência, qualidade metodológica e critérios de exclusão
Estudos incluídos para análise18Artigos selecionados para extração e síntese dos dados
Fonte: Autor (2025).


3.4.1 Fluxograma PRISMA

A Figura 03 apresenta o fluxograma adaptado do PRISMA, ilustrando as etapas da revisão sistemática realizada.

Figura 03 – Fluxograma do Processo de Seleção para Revisão Sistemática

Fonte: Autor (2025).

3.5 Avaliação da Qualidade Metodológica

Os estudos selecionados foram avaliados com as ferramentas PEDro scale (para ensaios clínicos randomizados) e AMSTAR 2 (para revisões sistemáticas), assegurando a validade dos dados extraídos (MATUSHIMA et al., 2019). Estudos classificados com baixa qualidade metodológica foram considerados com ressalvas, e suas conclusões foram analisadas criticamente.

3.6 Extração e Síntese dos Dados

Foi utilizada uma ficha padronizada para extrair informações como:

  • Autor e ano de publicação;
  • Objetivo do estudo;
  • Características da amostra (idade, modalidade esportiva, número de participantes);
  • Tipo e duração do treinamento cognitivo-motor;
  • Variáveis avaliadas (agilidade, tempo de reação, tomada de decisão);
  • Resultados principais;
  • Limitações apontadas pelos autores.

As informações foram organizadas em tabelas comparativas para facilitar a análise e discussão, assim como ilustra a Tabela 02.

Tabela 02 – Comparativo para Análise e Discussão

Autor (Ano)AmostraIntervençãoVariáveis AvaliadasResultados Principais
Silva et al. (2021)30 atletas, 13-16 anosTreinamento CMT por 8 semanasAgilidade, tempo de reaçãoMelhora significativa na agilidade e redução do tempo de reação
Zhao et al. (2022)25 jogadores, 14-17 anosCMT com estímulos visuaisTomada de decisão, agilidadeAumento na precisão das decisões e agilidade após intervenção
Liu et al. (2023)40 jovens atletas, 12-15 anosTreino duplo-tarefaTempo de reação, coordenação motoraGanhos importantes no tempo de reação e coordenação
Fonte: Autor (2025).


3.7 Análise Qualitativa

Devido à heterogeneidade dos protocolos de treinamento e das medidas de avaliação, não foi possível realizar uma meta-análise quantitativa. Dessa forma, a síntese dos resultados seguiu uma abordagem qualitativa, discutindo as tendências gerais e as discrepâncias entre os estudos, bem como as lacunas identificadas para futuras pesquisas (ZHU et al., 2024).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A presente revisão sistemática sintetizou os achados de 18 estudos científicos que abordam o impacto do treinamento cognitivo-motor (CMT) sobre variáveis como agilidade, tempo de reação, tomada de decisão e desempenho motor-cognitivo em atletas adolescentes. Os resultados indicam uma forte tendência de benefícios associados ao CMT, tanto nos aspectos físicos quanto nos cognitivos, com implicações diretas para a formação esportiva em categorias de base.

4.1 Melhora da Agilidade e Tempo de Reação

A análise dos estudos demonstrou uma tendência clara de melhoria significativa na agilidade e no tempo de reação de jovens atletas após a aplicação de protocolos de CMT. Essa constatação reforça a ideia de que a agilidade não deve ser compreendida apenas como uma capacidade física, mas sim como uma habilidade complexa que depende da integração entre percepção, cognição e execução motora.

Por exemplo, Silva et al. (2021) relataram uma redução de 18% no tempo de reação após oito semanas de treinamento. Outros autores, como Liu et al. (2023) e Zhao et al. (2022), observaram ganhos consistentes na coordenação motora e na velocidade de resposta, com intervenções que incluíam tarefas físicas associadas a estímulos visuais e auditivos.

Esses dados estão em consonância com a literatura neurocientífica, que demonstra que a combinação de estímulos físicos e cognitivos ativa regiões do cérebro envolvidas na tomada de decisão rápida e no controle executivo (VOSS et al., 2010). Dessa forma, o CMT se apresenta como uma estratégia eficaz para potencializar o desempenho de atletas jovens em tarefas dinâmicas e imprevisíveis.

A Figura 04 abaixo ilustra esses ganhos percentuais obtidos em três dos principais estudos incluídos na revisão.

Figura 04 – Melhora Percentual Após Treinamento Cognitivo-Motor

Fonte: Autor (2025).

4.2 Tomada de Decisão e Cognição Tática

Além das melhorias motoras, os estudos analisados revelaram que o CMT é igualmente eficaz no aprimoramento da tomada de decisão e da cognição tática, competências fundamentais no futebol. Esse tipo de treino estimula o atleta a processar rapidamente informações visuais e auditivas, selecionar a melhor resposta e executá-la sob pressão — condições semelhantes às encontradas em jogos reais.

Lucia et al. (2023), por exemplo, registraram melhoras de até 23% na precisão das decisões táticas em jogadores submetidos a protocolos com estímulos interativos. Tais resultados demonstram que o CMT pode fortalecer habilidades como atenção seletiva, antecipação e planejamento estratégico, com reflexos diretos na performance esportiva.

Essas conclusões se alinham aos estudos de Bennett et al. (2019) e Romeas et al. (2016), que apontam que atletas com maior desempenho cognitivo tendem a ser mais eficazes em situações de pressão, pois conseguem identificar padrões, antecipar ações e escolher a melhor resposta em milissegundos. 

4.3 Heterogeneidade dos Protocolos

Embora os efeitos positivos do CMT sejam evidentes, a revisão também revelou uma grande heterogeneidade nos protocolos utilizados. A duração dos programas variou entre 4 e 12 semanas, com frequência de 2 a 4 sessões semanais, e as intervenções foram compostas por estímulos diversos — desde comandos verbais simples até tecnologias avançadas como luzes LED, sensores de movimento e realidade virtual.

Essa diversidade metodológica torna difícil a padronização dos resultados e compromete a realização de análises comparativas mais precisas, como uma meta-análise. Além disso, nem todos os estudos utilizaram os mesmos instrumentos de avaliação. Enquanto alguns aplicaram o Illinois Agility Test (IAT), outros optaram pelo Reactive Agility Test (RAT) ou testes computadorizados de tempo de reação.

Por outro lado, essa variedade evidencia a versatilidade do CMT, que pode ser adaptado à realidade de cada equipe, contexto socioeconômico e nível de desenvolvimento dos atletas. A elaboração de diretrizes mínimas para a construção de protocolos consistentes seria um passo importante para o avanço da área.

A Figura 5 apresenta um panorama comparativo dessas características entre os principais estudos analisados.

Figura 05 – Características dos Protocolos de CMT

Fonte: Autor (2025).

4.4 Limitações e Considerações

Alguns estudos incluídos na revisão apresentaram limitações metodológicas que merecem atenção. Entre elas, destacam-se:

  • Tamanho amostral reduzido;
  • Ausência de grupos controle;
  • Falta de detalhamento na descrição dos procedimentos;
  • Uso de instrumentos de avaliação não validados.

Além disso, apenas uma minoria dos trabalhos avaliou os efeitos de longo prazo das intervenções ou seu impacto em aspectos subjetivos, como motivação, engajamento e saúde mental. Tais dimensões são essenciais quando se trata de categorias de base, nas quais o desenvolvimento emocional e social caminha lado a lado com o desempenho atlético.

A literatura também aponta para a importância de avaliar a adesão dos atletas aos protocolos de CMT, uma vez que a complexidade ou repetitividade das tarefas pode gerar desmotivação se não forem bem conduzidas. Estratégias como gamificação e uso de feedback imediato são recomendadas para maximizar o engajamento.

4.5 Implicações Práticas

Apesar das limitações, os achados desta revisão oferecem contribuições relevantes para a prática esportiva. O CMT se mostra uma ferramenta promissora para:

  • Desenvolver a agilidade reativa de forma funcional;
  • Melhorar o tempo de resposta neural e a eficiência cognitiva;
  • Potencializar a tomada de decisão em ambientes imprevisíveis;
  • Reduzir o risco de lesões por meio de movimentos mais seguros;
  • Aumentar o engajamento e a motivação dos jovens atletas.

Para que isso ocorra, é essencial que os protocolos sejam individualizados, respeitando a maturação neurológica e o condicionamento físico dos atletas. A presença de profissionais capacitados, o uso de estímulos ecologicamente válidos e a incorporação de feedbacks positivos são fatores que potencializam os efeitos do CMT.

Além disso, é recomendável que o treinamento seja integrado a outros componentes do processo formativo, como o preparo físico, o desenvolvimento psicológico e o acompanhamento escolar. Essa abordagem holística permite uma formação esportiva mais completa, promovendo não apenas a performance, mas também o bem-estar e a saúde dos jovens praticantes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão sistemática cumpriu o objetivo de analisar os efeitos do Treinamento Cognitivo-Motor (CMT) sobre variáveis como agilidade, tempo de reação, tomada de decisão e desempenho motor-cognitivo em jovens atletas de futebol de campo. Os achados dos 18 artigos selecionados indicam uma forte tendência de que o CMT é uma estratégia promissora e inovadora para potencializar o desempenho esportivo em categorias de base.

Os resultados demonstram que o CMT promove melhorias consistentes na agilidade reativa, no tempo de resposta neural e na cognição tática. A aplicação de protocolos de CMT resultou em ganhos significativos na coordenação motora e na velocidade de resposta a estímulos, com alguns estudos reportando uma redução de até 18% no tempo de reação. Além disso, o treinamento se mostrou eficaz no aprimoramento da tomada de decisão sob pressão, estimulando habilidades essenciais como atenção seletiva, antecipação e planejamento estratégico, que refletem as altas exigências do futebol moderno.

Adicionalmente aos ganhos de performance, a revisão evidenciou o impacto positivo do CMT em aspectos psicológicos dos jovens atletas, incluindo melhora na concentração, autocontrole e motivação, o que favorece a adesão ao treinamento. O treinamento também contribui para uma maior segurança motora e redução do risco de lesões, atuando como uma ferramenta estratégica dentro da fisioterapia esportiva. O conceito de neuroplasticidade na adolescência reforça a eficácia do CMT, já que este período é crítico para o desenvolvimento e consolidação de novos padrões motores e cognitivos.

Apesar dos benefícios consistentes relatados, a análise dos estudos aponta limitações metodológicas cruciais. Destaca-se a heterogeneidade dos protocolos utilizados (variando em duração e tipo de estímulos), o reduzido tamanho amostral e a ausência de padronização metodológica nos instrumentos de avaliação. Essa diversidade dificulta a generalização dos achados e a comparação direta entre os resultados, limitando a construção de diretrizes práticas definitivas para a área.

Conclui-se que o CMT representa uma ferramenta fundamental para a formação integral de atletas jovens. Para maximizar seus benefícios, sugere-se que o treinamento seja aplicado de forma individualizada e integrado a outras dimensões do processo formativo. Futuros estudos longitudinais e com maior rigor metodológico são cruciais para consolidar evidências e estabelecer diretrizes práticas seguras para o uso do CMT nas categorias de base.

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¹Graduando do curso de Fisioterapia do Centro Universitário União das Américas Descomplica – Uniamérica, em Foz do Iguaçu, Paraná, joaopedrochavez10@gmail.com
²Mestre, Docente do curso de Fisioterapia do Centro Universitário União das Américas Descomplica – Uniamérica, em Foz do Iguaçu, Paraná, ricardo.azuma@descomplica.com.br
³Mestre, Docente do curso de Fisioterapia do Centro Universitário União das Américas Descomplica – Uniamérica, em Foz do Iguaçu, Paraná lara.moreira@descomplica.com.br