REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510272027
Denílson Ferreira de Souza1
João Victor dos Santos Brito2
Samuel Soares Rocha3
Stephanie Vicente de Bessa4
Lucas Roberto de Carvalho5
Antônio Florentino de Lima Junior6
RESUMO: O presente estudo avaliou o efeito de diferentes doses de um bioestimulante fisiológico foliar à base de aminoácidos e extrato de algas sobre o desempenho agronômico do milho safrinha. O experimento foi conduzido em delineamento em blocos casualizados, com cinco tratamentos (0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 L ha⁻¹) e cinco repetições. Foram analisadas variáveis morfológicas e produtivas. Os resultados indicaram ausência de efeito significativo do produto nas características altura de plantas, altura de inserção da espiga, diâmetro de colmo, peso e diâmetro da espiga, comprimento da espiga e peso de grãos. Entretanto, observou-se incremento no comprimento radicular, com destaque para a dose de 1,0 L ha⁻¹ (24,35 cm), superior à testemunha (19,80 cm). Conclui-se que, nas condições avaliadas, o Reabilit 3 não promoveu aumento na produtividade do milho, mas contribuiu para o desenvolvimento radicular e maior vigor das plantas, indicando potencial de uso como ferramenta complementar em situações de estresse.
Palavras-chave: Nutrição foliar; Zea mays; radiculação; fisiologia vegetal.
ABSTRACT: This study evaluated the effect of different doses of a foliar physiological biostimulant based on amino acids and seaweed extract on the agronomic performance of second-season maize. The experiment was conducted in a randomized block design with five treatments (0, 0.5, 1.0, 1.5, and 2.0 L ha⁻¹) and five replications. Morphological and productive variables were analyzed. The results indicated no significant effect of the product on plant height, ear insertion height, stalk diameter, ear weight and diameter, ear length, and grain weight. However, an increase in root length was observed, especially at the 1.0 L ha⁻¹ dose (24.35 cm), which was superior to the control (19.80 cm). It is concluded that, under the evaluated conditions, Reabilit 3 did not enhance maize productivity but contributed to improved root development and greater plant vigor, indicating potential use as a complementary tool under stress conditions
Keywords: foliar nutrition; Zea mays; rooting; plant physiology.
1. INTRODUÇÃO
O milho (Zea mays L.) é uma das principais culturas agrícolas do mundo, com importância estratégica na alimentação humana, produção animal e setor industrial. No Brasil, o milho safrinha representa cerca de 70% da produção nacional, consolidando-se como o principal sistema produtivo (CONAB, 2024). Esse avanço decorre do desenvolvimento de híbridos adaptados, da adoção de tecnologias de manejo e da expansão da produção em áreas do cerrado, reforçando seu papel socioeconômico.
Apesar de sua relevância, a cultura do milho safrinha é conduzida em condições de maior risco climático, como déficit hídrico, altas temperaturas e solos de baixa fertilidade, fatores que limitam o potencial produtivo. Nesse contexto, o uso de bioestimulantes fisiológicos foliares surge como alternativa promissora para reduzir estresses abióticos e otimizar a absorção de nutrientes. Compostos por aminoácidos e extratos de algas, esses insumos atuam na regulação do metabolismo vegetal, promovendo crescimento radicular, expansão foliar e maior tolerância a condições adversas (Lopes, 2020; Silva et al., 2021).
Estudos demonstram resultados positivos do uso de bioestimulantes em diversas culturas, mas ainda existem lacunas quanto à definição da dose ideal para o milho safrinha. A resposta pode variar conforme híbrido, ambiente e manejo (Rodrigues & Alves, 2022). Assim, torna-se necessário avaliar o efeito de diferentes doses desses produtos em condições específicas de cultivo.
Diante disso, este trabalho teve como objetivo analisar o efeito de diferentes doses do bioestimulante foliar Reabilit 3 sobre características morfológicas e produtivas do milho safrinha híbrido Velocitá VIP3, buscando identificar concentrações mais eficientes e fornecer subsídios técnicos para recomendações de manejo.
2. MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na Fazenda Escola da UNIBRAS, em São Luís de Montes Belos, GO (16.534006° S, 50.375378° O; 569 m de altitude). O clima é Aw (tropical com estação seca), com precipitação média anual de 1.785 mm e temperatura média de 23,5 °C (Alvares et al., 2013).
O solo foi classificado como Latossolo Vermelho Distrófico (EMBRAPA, 2013), de textura argilosa. A análise química revelou pH (CaCl₂) de 5,2; V = 68%; P = 8,0 mg/dm³; K = 0,184 cmolc/dm³ e matéria orgânica = 12 g/dm³.
O híbrido utilizado foi Velocitá VIP3, de ciclo super precoce. O produto testado, Reabilit 3, contém aminoácidos e extratos de algas. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco doses (0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 L ha⁻¹) e cinco repetições, totalizando 25 parcelas de 10 m².
A semeadura ocorreu em 02/03/2025, com densidade de 60 plantas/parcela. A adubação de base foi NPK 05-25-15 (400 g/parcela) e em cobertura NPK 20-00-20 (480 g/parcela). A irrigação foi realizada por aspersão, diariamente até o estádio V8 e depois alternadamente. O Reabilit 3 foi aplicado nos estádios V4, V6 e pendoamento.
Foram avaliadas: altura de plantas, altura de inserção da espiga, diâmetro de colmo, comprimento de raiz, peso do sabuco, peso da espiga, diâmetro da espiga, comprimento da espiga e peso de grãos. Os dados foram submetidos à ANOVA, e as médias comparadas pelo teste de Tukey (5%), com uso do software Sisvar (Ferreira, 2019).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A aplicação do Reabilit 3 não promoveu diferenças significativas (p ≤ 0,05) em altura de plantas, altura de inserção da espiga, diâmetro de colmo, peso da espiga, comprimento da espiga, diâmetro da espiga e peso de grãos (Tabela 1). Esses resultados sugerem que, para o híbrido Velocitá VIP3, o bioestimulante não contribuiu diretamente para incremento de produtividade.
Tabela 1. Efeito da aplicação de diferentes doses do bioestimulante Reabilit 3 sobre características agronômicas do milho híbrido Velocitá VIP3.


Por outro lado, o produto apresentou efeito positivo no desenvolvimento radicular, com aumento significativo no comprimento de raízes entre 0,5 e 2,0 L ha⁻¹, sendo a dose de 1,0 L ha⁻¹ a mais eficiente (24,35 cm), superando a testemunha (19,80 cm). Esse resultado confirma a função dos bioestimulantes em estimular o sistema radicular, aumentando a capacidade de absorção de água e nutrientes (RODRIGUES; ALVES, 2022).
De acordo com Lopes (2020) e Silva et al. (2021), os bioestimulantes à base de aminoácidos e extratos de algas atuam sobre rotas metabólicas associadas à síntese de fito hormônios, como auxinas e citocininas, promovendo maior desenvolvimento do sistema radicular. Isso favorece a absorção de nutrientes e a tolerância a estresses abióticos, o que explica o incremento observado no comprimento das raízes neste estudo.
Figura 2. Efeito do Reabilit 3 no comprimento de raízes do milho safrinha híbrido Velocitá VIP3. Observa-se incremento significativo na dose de 1,0 L ha⁻¹ em relação à testemunha.

Figura 3. Efeito do Reabilit 3 no peso de grãos do milho safrinha híbrido Velocitá VIP3. Não foram observadas diferenças significativas entre tratamentos.

Embora não tenham sido observados ganhos de produtividade, notou-se maior vigor vegetativo e menor incidência de estresse hídrico em plantas tratadas, em consonância com Oliveira et al. (2024), que relataram benefícios indiretos dos bioestimulantes, como maior eficiência fotossintética e recuperação pós-estresse.
Resultados semelhantes foram descritos por Batista et al. (2023), ao avaliarem o uso de bioestimulantes à base de algas marinhas na cultura do milho, observando melhora no enraizamento e na biomassa vegetal, porém sem aumento expressivo na produtividade. Segundo esses autores, os efeitos fisiológicos positivos tendem a ser mais perceptíveis em condições de estresse hídrico, o que reforça o potencial uso do produto em situações de limitação de água.
Em contrapartida, Alves et al. (2022) verificaram aumento significativo na altura e produtividade de grãos de milho com outro bioestimulante (Stimulate®), o que reforça que a resposta depende fortemente da composição do produto, do híbrido e das condições ambientais. Resultados semelhantes de variabilidade de resposta também foram reportados por Moraes et al. (2021), destacando que fatores como a época de aplicação e o estado nutricional das plantas influenciam na eficiência dos bioestimulantes.
Santos et al. (2022) ressaltam que produtos formulados com aminoácidos e extratos de algas apresentam efeitos fisiológicos diferenciados, podendo atuar mais fortemente no crescimento vegetativo do que na produtividade final, especialmente em híbridos de ciclo precoce, como o Velocitá VIP3 utilizado neste experimento. Nesse sentido, o período reduzido de desenvolvimento do híbrido pode ter limitado o tempo de resposta fisiológica, justificando a ausência de ganhos de rendimento.
Além disso, a interação entre o genótipo e o bioestimulante é determinante para o desempenho agronômico (CARVALHO et al., 2023). Essa variabilidade de resposta sugere que novos estudos devem considerar diferentes híbridos, condições ambientais e épocas de aplicação para recomendações mais precisas e economicamente viáveis.
Portanto, o presente estudo confirma a importância dos bioestimulantes como ferramentas complementares de manejo, atuando principalmente no sistema radicular e na mitigação de estresses ambientais, ainda que nem sempre resultam em aumentos diretos de produtividade.
4. CONCLUSÃO
O bioestimulante foliar Reabilit 3 não promoveu incrementos significativos em variáveis de produtividade no milho híbrido Velocitá VIP3. Entretanto, apresentou efeito positivo no desenvolvimento radicular, especialmente na dose de 1,0 L ha⁻¹, além de favorecer maior vigor das plantas. Conclui-se que o produto não deve ser utilizado como estratégia direta para aumento de produtividade de grãos desse híbrido, mas pode ser uma ferramenta auxiliar em situações de estresse. Novos estudos com diferentes híbridos, doses e épocas de aplicação são recomendados.
REFERÊNCIAS
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Agrolink. Bioestimulantes: perspectivas de mercado no milho safrinha. Disponível em: https://www.agrolink.com.br. Acesso em: 15 abr. 2025.
BATISTA, L. M. et al. Aplicação de bioestimulantes à base de algas marinhas na cultura do milho. Revista de Ciências Agrárias, v. 46, n. 1, p. 78–87, 2023.
BioQualitá. Relatório técnico sobre o uso de bioestimulantes. Disponível em: https://www.bioqualita.com.br. Acesso em: 15 abr. 2025.
CARVALHO, J. P. et al. Respostas fisiológicas do milho ao uso de bioestimulantes em diferentes híbridos. Pesquisa Agropecuária Tropical, v. 53, p. e61321, 2023.
CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos, v. 11, safra 2023/2024. Brasília: CONAB, 2024.
EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3. ed. Brasília: Embrapa, 2013.
FERREIRA, D. F. Sisvar: a computer analysis system to fixed effects split plot type designs. Revista Brasileira de Biometria, v. 37, n. 4, p. 529–535, 2019.
LOPES, F. Bioestimulantes na agricultura moderna: mecanismos de ação e benefícios. Revista de Ciências Agrárias, v. 43, p. 25–33, 2020.
MORAES, A. C. et al. Eficiência de bioestimulantes no desenvolvimento inicial do milho sob diferentes doses e épocas de aplicação. Revista Agripecuária Brasileira, v. 56, p. 221–230, 2021.
OLIVEIRA, R. et al. Uso de bioestimulantes em sistemas agrícolas tropicais. Revista Brasileira de Agricultura Sustentável, v. 14, p. 78–92, 2024.
RODRIGUES, M.; ALVES, A. Bioestimulantes vegetais: potencial de uso e efeitos fisiológicos. Revista de Agronomia, v. 56, p. 118–130, 2022.
SANTOS, E. R. et al. Influência de bioestimulantes à base de aminoácidos e extratos de algas no crescimento e produtividade do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v. 21, p. 99– 109, 2022.
SILVA, J. et al. Efeitos de bioestimulantes na cultura do milho. Revista Agripecuária, v. 30, p. 65–74, 2021.
1Graduando em Engenharia Agronômica, Centro Universitário UNIBRAS Montes Belos, e-mail: denilson.ferreira.agronomia@gmail.com.
2Graduando em Engenharia Agronômica, Centro Universitário UNIBRAS Montes Belos, e-mail: dossantosbritoj301@gmail.com.
3Graduando em Engenharia Agronômica, Centro Universitário UNIBRAS Montes Belos, e-mail: samuelsr023@gmail.com.
4Mestre em Desenvolvimento Rural Sustentável, Docente do curso de Engenharia Agronômica, Centro Universitário UNIBRAS Montes Belos, e-mail: stephaniebessa86@gmail.com.
5Mestre em Engenharia Agrícola.
6Mestre em Engenharia Agrícola, Engenharia de Sistemas Agroindústriais e Pragas de Grãos Armazenados.
