REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202509300721
Girlandio Pedro Dantas
José Amauri Siqueira da Silva
Suzana Gusmão Lima
RESUMO
Este estudo investigou os desafios e as estratégias de adaptação das aulas de Educação Física para alunos com necessidades especiais em escolas da Zona Centro-Oeste de Manaus. O objetivo principal foi identificar as condições que impactam a participação desses estudantes nas atividades físicas e analisar as abordagens pedagógicas mais eficazes. Fundamentado em autores como Mantoan (2015) e Silva e Oliveira (2021), o trabalho adotou uma metodologia mista, com aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas com professores de Educação Física e professores de apoio pedagógico. Os resultados evidenciaram que a falta de capacitação docente e a inadequação da infraestrutura escolar são os principais obstáculos à inclusão. Por outro lado, o uso de materiais adaptados e a implementação de estratégias pedagógicas específicas favorecem a participação dos alunos. Conclui-se que investimentos em formação profissional contínua e melhorias estruturais são essenciais para a efetivação da Educação Física inclusiva.
Palavras-chave: Educação Física Inclusiva. Necessidades especiais. Adaptação pedagógica. Participação escolar. Inclusão.
ABSTRACT
Este estudio investigó los desafíos y las estrategias de adaptación de las clases de Educación Física para alumnos con necesidades especiales en escuelas de la Zona Centro-Oeste de Manaos. El objetivo principal fue identificar las condiciones que impactan la participación de estos estudiantes en las actividades físicas y analizar los enfoques pedagógicos más eficaces. Fundamentado en autores como Mantoan (2015) y Silva y Oliveira (2021), el trabajo adoptó una metodología mixta, con aplicación de cuestionarios y entrevistas semiestructuradas a profesores de Educación Física y docentes de apoyo pedagógico. Los resultados evidenciaron que la falta de capacitación docente y la inadecuación de la infraestructura escolar son los principales obstáculos para la inclusión. Por otro lado, el uso de materiales adaptados y la implementación de estrategias pedagógicas específicas favorecen la participación de los alumnos. Se concluye que las inversiones en formación profesional continua y en mejoras estructurales son esenciales para la efectividad de la Educación Física inclusiva.
Keywords: Inclusive Physical Education. Special needs. Pedagogical adaptation. School participation. Inclusion.
1.INTRODUÇÃO
A inclusão na Educação Física escolar ainda enfrenta obstáculos como infraestrutura inadequada, escassez de recursos adaptados e falta de formação docente. Embora legislações brasileiras assegurem o direito à educação inclusiva, a realidade mostra que professores muitas vezes se sentem despreparados e sem apoio institucional, o que compromete a participação efetiva de alunos com deficiência.
Na Zona Centro-Oeste de Manaus, tais dificuldades se intensificam pela ausência de materiais adaptados, apoio especializado limitado e práticas pedagógicas pouco flexíveis. Nesse contexto, torna-se essencial investigar como os professores enfrentam esses desafios e quais estratégias utilizam para adaptar suas aulas.
Dessa forma, a presente pesquisa busca responder à seguinte questão geral: quais são os principais desafios e estratégias para a adaptação das aulas de Educação Física para alunos com necessidades especiais em escolas da Zona Centro-Oeste de Manaus?
Para tanto, desdobram-se as seguintes perguntas específicas:
- Quais as principais dificuldades enfrentadas pelos professores na adaptação das aulas de Educação Física para alunos com necessidades especiais?
- Quais estratégias pedagógicas são utilizadas para promover a inclusão desses alunos nas aulas?
- Como a infraestrutura e os recursos disponíveis nas escolas impactam a prática da Educação Física inclusiva?
- Qual o papel da formação docente na preparação dos professores para trabalhar com alunos com necessidades especiais na Educação Física?
- De que maneira os alunos com necessidades especiais percebem sua participação nas aulas de Educação Física?
O objetivo geral deste estudo é analisar os desafios e as estratégias utilizadas para a adaptação das aulas de Educação Física para alunos com necessidades especiais em escolas da Zona Centro-Oeste de Manaus.
Como objetivos específicos, propõe-se:
- identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos professores na adaptação das aulas;
- mapear as estratégias pedagógicas utilizadas para promover a inclusão;
- avaliar como a infraestrutura e os recursos disponíveis nas escolas influenciam a prática inclusiva;
- investigar a influência da formação docente na preparação dos professores para esse trabalho;
- compreender a percepção dos alunos com necessidades especiais sobre sua participação nas aulas.
A relevância do estudo está em subsidiar a formação docente, a gestão escolar e políticas públicas, oferecendo contribuições teóricas e práticas para a construção de uma Educação Física mais inclusiva.
2. MARCO METODOLÓGICO
2.1 Contexto da investigação
A investigação foi conduzida em escolas públicas da Zona Centro-Oeste de Manaus, região que sintetizou a diversidade socioeconômica e pedagógica da capital, marcada por contrastes entre instituições consolidadas e unidades em áreas periféricas. A escolha do contexto permitiu analisar, em escala viável, as dinâmicas sociais e educacionais presentes no ambiente escolar.
A delimitação espacial favoreceu a compreensão de como políticas de inclusão eram operacionalizadas em cenários com realidades distintas, desde escolas com infraestrutura adequada até aquelas com condições mais precárias. O período da pesquisa possibilitou a observação de práticas pedagógicas e decisões relacionadas à implementação de políticas inclusivas, garantindo profundidade e sensibilidade na análise do fenômeno estudado.
2.2 Métodos e técnicas
O estudo focou na compreensão de como práticas inclusivas eram implementadas e aprimoradas no ambiente escolar, promovendo o desenvolvimento físico e social dos alunos. Foram aplicados procedimentos que permitiram analisar de forma abrangente os fenômenos observados, combinando diferentes perspectivas para enriquecer os resultados.
2.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA
A população-alvo compreendeu docentes de Educação Física e professores de apoio pedagógico atuantes em escolas da Zona Centro-Oeste de Manaus, diretamente envolvidos com a inclusão de alunos com necessidades especiais. A amostra, de caráter não probabilístico intencional, considerou profissionais com experiência mínima de três anos, assegurando relatos fundamentados em vivências significativas.
O número de participantes variou entre 10 e 30, definido pelo princípio da saturação teórica, garantindo equilíbrio entre profundidade analítica e diversidade de informações. A seleção contemplou diferentes instituições, permitindo observar contrastes e convergências nas práticas inclusivas diante das especificidades regionais.
2.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
A coleta de dados contou com diferentes instrumentos, integrando técnicas quantitativas e qualitativas para assegurar uma análise ampla do fenômeno estudado. Foram utilizados questionários estruturados, aplicados a professores e professores de apoio, entrevistas semiestruturadas com docentes selecionados, grupos focais para troca de experiências, observação participativa em aulas de Educação Física e análise documental de planos de ensino e diretrizes pedagógicas.
Essa combinação permitiu captar tanto padrões gerais quanto significados subjetivos, equilibrando amplitude e profundidade. A triangulação metodológica fortaleceu a validade da pesquisa ao confrontar múltiplas perspectivas, assegurando maior consistência aos resultados.
2.5 PROCEDIMENTOS E APLICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS
Os procedimentos envolveram o planejamento das visitas às escolas, a realização do trabalho de campo com observação e aplicação de questionários, além da análise bibliográfica para fundamentação teórica. A utilização de múltiplas fontes de dados fortaleceu a validade e a confiabilidade dos resultados.
2.6 ANÁLISES DE DADOS
A análise dos dados ocorreu em duas etapas complementares. Na etapa quantitativa, os questionários estruturados foram tratados por meio de estatística descritiva (frequências, médias e percentuais), possibilitando identificar padrões nas respostas. Na etapa qualitativa, entrevistas, grupos focais e observações foram examinados por meio da análise de conteúdo, conforme Bardin (2011), permitindo identificar categorias temáticas e significados subjacentes às falas dos participantes.
A triangulação entre métodos quantitativos e qualitativos fortaleceu a validade e a confiabilidade da pesquisa, proporcionando uma compreensão ampla e aprofundada do impacto das práticas pedagógicas inclusivas na Educação Física escolar.
2.7 ENFOQUE DA INVESTIGAÇÃO
A pesquisa caracterizou-se como de natureza aplicada e abordagem mista qualitativa e quantitativa, combinando a objetividade dos dados numéricos com a profundidade das percepções dos sujeitos. O caráter quantitativo, de nível descritivo e exploratório, possibilitou identificar padrões por meio de questionários estruturados e escalas de avaliação. Já a vertente qualitativa, realizada com entrevistas semiestruturadas, grupos focais, observação participante e análise documental, permitiu compreender experiências, desafios e estratégias inclusivas no ensino da Educação Física.
O uso da triangulação assegurou maior credibilidade e confiabilidade aos resultados, integrando diferentes técnicas e fontes de dados. Essa combinação possibilitou uma análise ampla e contextualizada do fenômeno, oferecendo subsídios práticos para o aperfeiçoamento de práticas pedagógicas e para a promoção de ambientes escolares mais inclusivos.
2.8 DESENHO DO ESTUDO
A investigação caracterizou-se como uma pesquisa de campo de caráter exploratório-descritivo, com o objetivo de analisar as estratégias pedagógicas utilizadas na adaptação das aulas de Educação Física para estudantes com necessidades especiais em escolas da Zona Centro-Oeste de Manaus.
Foram empregadas técnicas qualitativas, como observação participante e entrevistas semiestruturadas com docentes, conforme defendem Gil (2019) e Sassaki (2003), que destacam a importância do contato direto com o campo e da análise das adaptações curriculares como processos dinâmicos mediados pela interação entre professor, aluno e contexto.
A pesquisa também se apoiou no modelo de triangulação metodológica, conforme Tani et al. (2005), integrando diferentes técnicas para ampliar a validade dos dados e oferecer uma visão multifacetada do fenômeno. A análise dos dados foi realizada pela técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2016), organizada em categorias como formação docente, recursos pedagógicos e políticas institucionais.
Essa abordagem permitiu identificar lacunas e potencialidades na implementação da inclusão, articulando teoria e prática e oferecendo subsídios para o aprimoramento das práticas pedagógicas no contexto amazônico.
2.9 ALCANCE
A pesquisa buscou promover uma reflexão na comunidade escolar sobre a importância das estratégias utilizadas na Educação Física com alunos com necessidades especiais, destacando seu papel no processo de ensino-aprendizagem. Os resultados têm relevância social, pois dialogam com a legislação educacional que assegura o desenvolvimento da capacidade de aprender de todos os estudantes.
3. MARCO ANALÍTICO
3.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS COLETADOS
A pesquisa coletou dados por meio de questionários, entrevistas, grupos focais e observações de campo, combinando abordagens quantitativas e qualitativas para compreender as estratégias de inclusão em aulas de Educação Física na Zona Centro-Oeste de Manaus.
Os dados quantitativos mostraram que 68% dos professores utilizam adaptações pedagógicas e apenas 45% se consideram preparados para tal. Já os dados qualitativos revelaram limitações recorrentes, como falta de formação específica, recursos adaptados e apoio profissional.
A triangulação dos dados, conforme Bardin (2011), evidenciou três principais desafios: formação docente, adaptação de conteúdos e barreiras institucionais. Nessa linha, Lima (2014) reforça que a formação contínua é imprescindível para a inclusão, enquanto Santos (2016) destaca a importância de apoio especializado e recursos adequados.
Outro achado relevante foi a diferença entre escolas: aquelas com maior suporte institucional tiveram 85% de participação ativa dos alunos com necessidades especiais, contra menos de 50% nas escolas com suporte limitado resultado que confirma Oliveira (2018), para quem o apoio institucional é determinante para o sucesso da inclusão.
Assim, os dados revelam o compromisso dos professores com a inclusão, mas também a necessidade urgente de formação continuada, suporte institucional e recursos adaptados para garantir práticas verdadeiramente inclusivas na Educação Física escolar.
3.2 RESULTADOS DO TRABALHO DE CAMPO
A pesquisa revelou que 65% dos professores reconhecem a necessidade de adaptar as aulas de Educação Física para alunos com necessidades especiais, mas apenas 40% se sentem capacitados para tal. Essa discrepância evidencia uma lacuna entre a percepção da importância da inclusão e a preparação prática dos docentes, marcada pela falta de formação continuada e de recursos adequados.
As entrevistas e observações mostraram que os professores, apesar de motivados, enfrentam barreiras significativas, como ausência de infraestrutura, carência de materiais específicos e falta de apoio de profissionais especializados.
A análise de conteúdo (Bardin, 2011) identificou três fatores centrais que impactam a Educação Física Inclusiva:
- Formação docente insuficiente;
- Deficiência de infraestrutura e recursos pedagógicos;
- Apoio institucional limitado.
A triangulação dos dados permitiu integrar números e narrativas, revelando que, em escolas com maior suporte institucional, a participação dos alunos com necessidades especiais é mais ativa e eficaz, enquanto em escolas com menos recursos a inclusão é comprometida.
Os resultados apontam para a necessidade de políticas públicas que garantam:
- Formação continuada dos professores;
- Melhoria da infraestrutura e oferta de materiais adaptados;
- Apoio institucional com profissionais especializados;
- Envolvimento da comunidade escolar e das famílias no processo inclusivo.
Assim, a análise reforça que a inclusão plena na Educação Física só será possível com investimento em capacitação docente, suporte estrutural e fortalecimento de práticas pedagógicas inclusivas.
3.2.1 RESULTADOS COM PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Gráfico 1: Você já teve alunos com necessidades especiais em suas aulas de Educação Física

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
Todos os professores entrevistados (12/12) já trabalharam com alunos com necessidades especiais, o que confirma que a inclusão está presente nas aulas de Educação Física. Contudo, a efetividade dessa inclusão depende dos recursos disponíveis, das adaptações realizadas e da capacitação docente. Esse resultado evidencia a necessidade de formação continuada para assegurar que a participação dos alunos seja ativa e significativa.
Gráfico 2: Você recebeu formação específica sobre Educação Física Inclusiva durante sua graduação ou por meio de cursos

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A maioria dos professores entrevistados (11 de 12) recebeu formação específica sobre Educação Física Inclusiva, seja na graduação ou em cursos complementares. Essa formação é fundamental para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas adequadas e para promover a participação ativa de alunos com necessidades especiais.
Apesar do cenário positivo, a existência de um docente sem formação evidencia a necessidade de investimentos contínuos em capacitação, garantindo que todos os professores estejam preparados para atuar de forma eficaz.
Gráfico 3: Sua escola oferece algum tipo de suporte para a inclusão de alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
Dos 12 professores entrevistados, metade (6) afirmou que suas escolas oferecem suporte para a inclusão de alunos com necessidades especiais, enquanto a outra metade indicou ausência de apoio. Esse cenário evidencia que a falta de suporte institucional limita a adaptação das atividades e a participação plena dos alunos.
O fornecimento de recursos, formação continuada e apoio de profissionais especializados é essencial para o sucesso das práticas inclusivas, reforçando a necessidade de políticas e investimentos que garantam condições adequadas em todas as escolas.
Gráfico 4: Você já participou de alguma capacitação ou treinamento sobre Educação Física Inclusiva nos últimos dois anos

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A formação continuada é essencial para uma Educação Física Inclusiva eficaz, pois exige do professor conhecimento técnico, estratégias pedagógicas adaptativas e domínio de metodologias que favoreçam a participação de alunos com necessidades especiais (SANTOS; LIMA, 2020).
Dos 12 professores entrevistados, apenas 4 participaram de capacitações recentes, enquanto 8 não tiveram formação nos últimos dois anos, revelando uma lacuna significativa na formação continuada. Essa deficiência dificulta a implementação de adaptações curriculares, o uso de recursos acessíveis e estratégias pedagógicas eficazes (CARVALHO; MELO, 2021; SILVA; ALMEIDA, 2021).
Professores capacitados regularmente tendem a desenvolver práticas mais inclusivas, promovendo ambientes de aprendizagem equitativos (OLIVEIRA et al., 2020). Portanto, é necessária a ampliação de políticas públicas e programas de formação continuada, além da criação de espaços de troca de experiências entre docentes, para garantir a efetiva inclusão de todos os alunos.
Gráfico 5: Você percebe que os alunos sem deficiência aceitam bem e interagem com os colegas com necessidades especiais durante as aulas

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A inclusão na Educação Física vai além de adaptações estruturais, envolvendo também aspectos sociais e interpessoais, como aceitação e interação entre alunos com e sem deficiência. A socialização influencia diretamente a participação dos estudantes com necessidades especiais.
Dos 12 professores entrevistados, 9 (75%) perceberam aceitação e interação positiva entre os alunos, enquanto 3 (25%) relataram dificuldades. Esses resultados indicam que, em geral, os alunos sem deficiência demonstram postura inclusiva, mas ainda há desafios relacionados a preconceitos, falta de preparo ou barreiras nas atividades.
A promoção da interação pode ser fortalecida por metodologias cooperativas, rodas de conversa sobre inclusão e incentivo ao trabalho em equipe (SILVA; ALMEIDA, 2021; SANTOS; LIMA, 2020). Assim, é fundamental capacitar docentes e desenvolver práticas pedagógicas que estimulem colaboração e valorizem a diversidade, consolidando um ambiente escolar mais acolhedor e inclusivo.
Gráfico 6: Como você avalia sua preparação para adaptar as aulas para alunos com necessidades especiais

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
Dos 12 professores entrevistados, 8 se consideram preparados (3 muito preparados e 5 preparados), enquanto 4 se sentem pouco ou nada preparados para adaptar as aulas de Educação Física para alunos com necessidades especiais.
A preparação docente é crucial para o sucesso da inclusão, pois envolve conhecimento técnico, metodologias adaptativas e habilidades socioemocionais. A insegurança de alguns professores está relacionada à falta de formação específica, escassez de recursos e desconhecimento de estratégias eficazes.
Os resultados destacam a necessidade de investimentos em capacitação continuada, cursos específicos e troca de experiências entre profissionais, visando fortalecer a competência e a confiança dos professores e promover um ensino mais inclusivo e equitativo.
Gráfico 7: Quais recursos e materiais adaptados estão disponíveis em sua escola para a prática da Educação Física Inclusiva

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A acessibilidade na Educação Física Inclusiva depende da formação docente, da disposição dos alunos e, principalmente, da disponibilidade de recursos e materiais adaptados. Entre os 12 professores entrevistados, 5 relataram ausência de recursos, 6 citaram espaços acessíveis, apenas 1 mencionou apoio de profissionais especializados e nenhum relatou equipamentos esportivos adaptados.
Os resultados indicam carência significativa de materiais e suporte especializado, limitando a participação efetiva dos alunos com necessidades especiais. Pesquisas mostram que a presença de profissionais qualificados e de materiais adaptados é essencial para viabilizar práticas inclusivas (SILVA; ALMEIDA, 2021; SANTOS; LIMA, 2020).
Fica evidente a necessidade de investimentos em infraestrutura, aquisição de materiais inclusivos e fortalecimento das equipes pedagógicas, garantindo a participação plena e significativa de todos os estudantes nas aulas de Educação Física.
Gráfico 8: Qual a principal dificuldade que você enfrenta ao incluir alunos com necessidades especiais nas aulas

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A principal dificuldade apontada pelos professores para a Educação Física Inclusiva é a falta de materiais adaptados (8 de 12), seguida pela carência de formação específica (3) e ausência de apoio profissional (1). Nenhum docente relatou problemas de infraestrutura ou falta de tempo para planejamento.
Os resultados mostram que a escassez de recursos e a insuficiente capacitação docente limitam a participação ativa dos alunos com necessidades especiais, comprometendo a qualidade do ensino inclusivo. Isso evidencia a necessidade de investimentos em materiais adaptados e em formação continuada para garantir aulas de Educação Física acessíveis e efetivamente inclusivas.
Gráfico 9: Você adapta as atividades físicas para atender às necessidades dos alunos com deficiência.

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A adaptação das atividades físicas é essencial para a inclusão de alunos com necessidades especiais, envolvendo flexibilização de regras, uso de materiais adaptados e diferenciação das exigências motoras. Dos 12 professores entrevistados, 5 sempre adaptam as atividades, 6 o fazem apenas quando necessário e 1 não sabe como adaptar.
Os resultados mostram que, embora a maioria reconheça a importância da adaptação, há necessidade de formação contínua para que a prática se torne constante e eficaz. Garantir a inclusão efetiva exige que todos os professores estejam preparados para adaptar suas aulas de forma consistente, promovendo participação plena de todos os alunos.
Gráfico 10: O que poderia melhorar a inclusão de alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A inclusão de alunos com necessidades especiais na Educação Física depende de formação docente, infraestrutura adequada, materiais adaptados e suporte de profissionais especializados. Entre os 12 professores entrevistados, 7 apontaram a melhoria da infraestrutura e materiais como prioridade, 4 destacaram a necessidade de mais capacitação e 1 mencionou maior apoio profissional. Nenhum ressaltou maior engajamento da comunidade escolar.
Os resultados evidenciam que desafios estruturais e lacunas na formação docente ainda dificultam a implementação eficaz da Educação Física Inclusiva. A colaboração interdisciplinar e políticas que fortaleçam recursos, capacitação e conscientização da comunidade escolar são essenciais para ampliar a participação e promover uma inclusão efetiva.
3.2.2 RESULTADOS COM PROFESSOR DE APOIO
Gráfico 11: A escola disponibiliza recursos e adaptações suficientes para incluir alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A maioria dos professores de apoio (12 de 14) considera que as escolas oferecem recursos e adaptações suficientes para incluir alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física. No entanto, 2 professores apontaram limitações, indicando que ainda existem desafios, como falta de equipamentos específicos, espaços inadequados ou necessidade de maior formação docente. Apesar da realidade ser predominantemente favorável, os dados mostram a importância de ampliar e diversificar os recursos disponíveis para garantir uma inclusão mais eficaz.
Gráfico 12: Você considera que os alunos com necessidades especiais participam ativamente das aulas de Educação Física com o suporte adequado

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
A participação dos alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física está diretamente ligada ao suporte adequado, incluindo adaptações, materiais específicos e acompanhamento profissional. Os resultados mostram que a maioria dos professores de apoio (13 de 14) considera que, com esse suporte, os alunos participam ativamente das aulas, enquanto apenas um professor indicou dificuldades. Isso evidencia uma percepção positiva sobre a inclusão, embora ainda existam barreiras a serem superadas em alguns casos.
Gráfico 13: Você já acompanhou alunos com necessidades especiais durante as aulas de Educação Física

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
O gráfico 13 mostra que 100% dos professores de apoio já acompanharam alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física, indicando que todos possuem experiência prática na inclusão desses estudantes. Esses dados reforçam a importância do trabalho colaborativo entre professores de apoio e docentes para garantir estratégias inclusivas eficazes e atender às necessidades de cada aluno.
Gráfico 14: Como você avalia a comunicação entre professores de apoio e professores de Educação Física para adaptar as aulas

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
Os resultados indicam que a comunicação entre professores de apoio e professores de Educação Física é, em geral, satisfatória: 6 a consideram excelente e 7 boa, enquanto apenas 1 avaliou como regular. Esses dados sugerem que a interação entre os profissionais contribui para a implementação das estratégias inclusivas, embora ainda haja espaço para aprimoramento. Investir em planejamento colaborativo e capacitações conjuntas pode fortalecer essa comunicação e favorecer a inclusão dos alunos com necessidades especiais.
Gráfico 15: Quais adaptações são mais utilizadas para incluir alunos com necessidades especiais nas aulas de Educação Física

FONTE: Elaborado pelo pesquisador, 2025
As entrevistas com 14 professores de apoio mostraram que a adaptação mais utilizada nas aulas de Educação Física é a modificação das regras, citada por 6 profissionais. Além disso, 4 destacaram o apoio dos colegas e 3 o uso de materiais adaptados como estratégias de inclusão. A redução das exigências físicas foi mencionada por apenas 1 professor, e nenhum relatou não realizar adaptações. Esses dados evidenciam que todos os professores de apoio adotam estratégias inclusivas, sendo necessário investir em formação continuada e maior disponibilidade de recursos adaptados para aprimorar essas práticas.
4.CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa sobre Educação Física Inclusiva em escolas da Zona Centro-Oeste de Manaus evidenciou que, apesar do reconhecimento da importância da inclusão, os professores enfrentam desafios significativos para adaptar suas aulas a alunos com necessidades especiais. Entre os principais obstáculos identificados estão a falta de formação específica, recursos pedagógicos inadequados e suporte institucional insuficiente, o que limita a efetividade das práticas inclusivas.
Os resultados demonstram que, embora os docentes estejam dispostos a realizar adaptações e a promover a participação ativa dos estudantes, as condições estruturais e o acesso a materiais adaptados impactam diretamente a qualidade da inclusão. Além disso, a atuação colaborativa entre professores de Educação Física e professores de apoio se mostra essencial para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais eficazes.
Diante disso, a pesquisa confirma a relevância da formação continuada, da melhoria da infraestrutura escolar e do fortalecimento do apoio institucional como medidas imprescindíveis para viabilizar uma Educação Física verdadeiramente inclusiva. Os achados contribuem teoricamente para o conhecimento sobre práticas pedagógicas inclusivas e oferecem subsídios práticos para gestores, professores e formuladores de políticas públicas, apontando caminhos para ampliar a participação e o engajamento de todos os alunos.
Por fim, reforça-se a importância de novos estudos que ampliem o conhecimento sobre estratégias de inclusão, promovendo avanços na Educação Física Inclusiva e consolidando práticas pedagógicas equitativas nas escolas de Manaus e em outras regiões do país.
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