EDUCAÇÃO ESPECIAL NUMA PERSPECTIVA INCLUSIVA: UMA ANÁLISE A PARTIR  DO CONTEXTO HISTÓRICO E CONTEMPORÂNEO DA EDUCAÇÃO OFERECIDA ÀS PESSOAS  COM DEFICIÊNCIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509102151


Maria Inês Ferreira da Silva1; Maria do Socorro da Cruz Brito2; Paula Santos Cabral3; Regiane de Paula Ferreira da Silva4; Eli Vilmar Moro5; Maria Emília da Silva Ribeiro6; Maria Regiane Gomes Pereira7; Maria Gorete Vilhena Neves8; Eliane do Socorro Ferreira da Silva9; Juciane Pereira Rios10


RESUMO 

O presente estudo abordou a Educação Especial numa perspectiva Inclusiva: uma  análise a partir do contexto histórico e contemporâneo da Educação oferecida às  Pessoas com Deficiência. Os argumentos aqui apresentados buscam suscitar a  reflexão sobre a prática inclusiva apresentada nas escolas desde a antiguidade até a contemporaneidade. Para tal, apresentou-se os objetivos e conceitos da educação  inclusiva a qual destaca-se o reconhecimento e a valorização das diversidades  existentes na sociedade, logo, a escola deve reconhecer essas particularidades e  considerá-las no processo de construção do conhecimento. Tal temática surgiu a  partir da análise do contexto histórico de lutas pela garantia dos direitos das pessoas  com deficiência no que diz respeito à Educação, pois foi constatado que mesmo  diante das evoluções e implantações de Leis que buscam assegurar o acesso a  escola, infelizmente, na maioria das vezes não é oferecido condições para que o  educando possa desenvolver suas competências e habilidades. Essa realidade pode  ser percebida diante das barreiras atitudinais, estrutura física dos espaços escolares  e organização pedagógica das instituições de ensino. Quanto ao procedimento  adotado para a coleta de dados, utilizou-se pesquisa bibliográfica. 

Palavras-chave: Desafios para inclusão. Educação Inclusiva. Necessidades  Educacionais Especiais. 

INTRODUÇÃO 

Ao analisar o contexto histórico da educação no Brasil é visível as marcas das  desigualdades e exclusões presentes nas práticas educativas, seja por fatores  sociais ou físicos. Diante desse contexto, busca-se ressaltar o tratamento oferecido  as pessoas com deficiência.  

Inicialmente, é importante identificar que somente no final do século XVIII e  início do século XIX que a “educação inclusiva” surge no Brasil e inicia-se o  atendimento a crianças com deficiências nas instituições de acolhimento (JANNUZZI, 2004, p. 21 apud SILVA, 2012). Pode-se perceber que nesse período  houve uma preocupação em oferecer assistência as pessoas com deficiências,  contudo, é notório que a inclusão de fato não acontecia, pois esses indivíduos eram  atendidos em lugares específicos, destinados ao acolhimento de crianças que  apresentavam “prejuízo” físicos ou mentais.  

Diante do exposto, é evidente que a luta pela igualdade e acesso aos direitos  das pessoas com deficiência inicia-se tardiamente, e sua implantação é feita de  maneira lenta, visto que na contemporaneidade ainda é comum a exclusão desse  público em diversas instâncias sociais, inclusive nas escolas.  

Desse modo, o presente estudo aborda uma importante questão relacionado aos direitos e igualdades no campo educacional: Educação Especial numa  perspectiva Inclusiva: uma análise a partir do contexto histórico e contemporâneo da  Educação oferecida as Pessoas com Deficiência. Este surgiu a partir da análise do  contexto histórico de lutas pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência no  que diz respeito à Educação, pois foi constatado que mesmo diante das evoluções e  implantações de Leis que buscam assegurar o acesso a escola, infelizmente, na maioria das vezes não é oferecido condições para que o educando possa  desenvolver suas competências e habilidades.  

Sabe-se que a educação é um direito de todos, segundo a Lei de Diretrizes e  Bases da Educação Nacional é dever da família e do Estado garantir o acesso e a  permanência nas instituições escolares, contudo, é imprescindível destacar que é  necessário oferecer condições para que os discentes possam desenvolver suas  competências. Neste sentido, as instituições de ensino, tal qual o corpo docente  deve estar preparado para o atendimento dos alunos considerando suas  particularidades e necessidades.  

Assim, essa pesquisa surge com o objetivo de identificar as causas que  dificultam ou impedem a inclusão dos alunos com necessidades educacionais  especiais nas escolas. Entende-se que muitos fatores contribuem para o fracasso da inclusão escolar. Entre eles, pode ser destacado, a desestruturação do espaço físico  das escolas (prédios pouco adaptados ou adaptação insuficiente), profissionais  desabilitados para o atendimento especializado, ou ausência desses profissionais e  a falta de formação continuada aos docentes. Por considerar esses fatores, a  presente pesquisa buscou: analisar a estrutura física das escolas voltadas à acessibilidade, verificar quais ações institucionais são desenvolvidas para a inclusão  desse público no espaço escolar. 

Logo, deve-se salientar que o tema sugerido no estudo é indispensável, pois  promove a discussão e análise da inclusão no espaço escolar. Dessa maneira,  colabora para a construção de bases teóricas e consequentemente para o  aprofundamento dos estudos voltados à temática discutida na vigente pesquisa.  Ainda, contribui para a formação e reflexão da identidade docente no que se refere a  sua prática educativa considerando a diversidade, pois a realidade educacional  exige um fazer pedagógico comprometido com as necessidades dos educandos,  para que assim, seja ofertada uma educação de qualidade.  

Desta forma, procurando alcançar os objetivos indicados, o presente estudo  baseou-se a partir de uma vasta pesquisa bibliográfica, logo, quanto ao  procedimento adotado para a coleta de dados, utilizou-se pesquisa bibliográfica, ou  seja, realizada a partir de pesquisas e estudos em trabalhos científicos publicados  “com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com “todo” material já  escrito sobre o assunto da pesquisa” (Prodanov, 2013, p. 56). Do ponto de vista da sua natureza, trata-se de uma pesquisa básica, pois tem a finalidade de gerar novas  discussões e o aprofundamento da temática abordada.  

CONCEITUANDO EDUCAÇÃO INCLUSIVA PARA ALUNOS COM  NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS 

Inicialmente, é importante compreender o conceito de tais termos, dessa  maneira, entende-se por educação inclusiva aquela oferecida com qualidade a todos  os indivíduos, desse modo, no processo educativo são consideradas suas  particularidades e subjetividades. A esse respeito, Aranha (2000, p. 2) traz sua  contribuição ao expor que: a inclusão se fundamenta em uma filosofia que  reconhece e aceita a diversidade na vida social. Isso significa garantia de acesso de  todos, a todas as oportunidades, independentemente das particularidades de cada  indivíduo ou grupo social”. 

Desse modo, não podemos considerar a educação inclusiva de maneira  isolada somente dentro dos muros escolares é necessário reconhecê-la como uma  construção social, ligada diretamente as mais diferentes questões vivenciadas na  sociedade a qual forma os espaços escolares.  

Logo, podemos perceber que a escola a partir dos princípios da inclusão deve  acolher a todos, reconhecer e valorizar a diversidade existente. Nesse processo de  aceitar as diferenças e entender que cada aluno possui suas especificidades, surgem  então as necessidades educacionais especiais. Segundo Glat & Blanco (2007),  necessidades educacionais especiais referem-se as questões específicas de cada  educando para que ele consiga desenvolver as habilidade e competências  pretendidas ao decorrer de seu processo educativo. Portanto, está relacionada a  necessidade de um currículo, recursos didáticos ou metodologias adaptadas de  acordo com as necessidades do aluno, em algumas situações poderão precisar de  um tempo maior que os demais educandos da turma para desenvolver as atividades  ou compreender os conteúdos no seu percurso escolar. 

Ainda, sobre o conceito de educação para alunos com necessidades  educacionais especiais, é imprescindível destacar que: 

[…] necessidade educacional especial não é o mesmo que deficiência. O conceito de deficiência se reporta às condições orgânicas do indivíduo, que podem resultar em uma necessidade educacional especial, porém não obrigatoriamente. O conceito de necessidade educacional especial, por sua vez, está intimamente relacionado à interação do aluno com a proposta ou a realidade educativa com a qual ele se depara (GLAT, 2011, p. 45). 

Dessa maneira compreende-se que necessidade educacional especial está  relacionada as necessidades de adaptações ou mudanças nas práticas educativas  como já mencionada anteriormente, com o objetivo de atender as especificidades de  determinados alunos para que eles consigam acompanhar a turma, ou desenvolver  as habilidades e competências no seu tempo, pois considera-se que cada educando  possui seu modo e tempo de aprender, desde que seja oferecido condições para  que ele se desenvolva.  

É importante mencionar que esses conceitos e práticas nem sempre fizeram  parte das pautas educacionais, por muito tempo a Educação desenvolvida nos  espaços escolares era destinada a poucos, os grupos sem poder aquisitivo,  mulheres e pessoas com deficiências não tinham acesso à Educação Formal. Foi a  partir dessa realidade, marcada pela exclusão que surge intensas lutas pelos direitos  dos grupos minoritários até então isentos do acesso ao espaço escolar. 

Percebe-se desse modo que o acesso a educação a todos os indivíduos,  surge a partir da luta pelos direitos dos grupos minoritários ligado ao ato de inserir,  reconhecer, valorizar as diferenças, relacionadas as pessoas com deficiências, e a  todos os indivíduos excluídos por suas crenças, etnias, classe social, ou tantos  outros fatores estereotipados na sociedade. 

Faz-se necessário destacar que apesar do conceito de inclusão e educação  para alunos com necessidades educacionais especiais apresentar um sentido amplo  não ligado somente as pessoas com deficiência, o presente estudo dará ênfase na  educação para alunos com deficiência. Para prosseguir as discussões, é importante  abordar o surgimento dos marcos que influenciaram o reconhecimento dos direitos  desse público aos espaços escolares. Assunto abordado no item a seguir. 

BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO PARA ALUNOS COM NECESSIDADES  EDUCACIONAIS ESPECIAIS VOLTADA ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. 

Ao analisarmos o contexto histórico do tratamento oferecido as pessoas com  deficiência, nota-se que eram deixadas ao acaso, não recebiam nenhum tratamento  específico, inclusive não frequentavam as escolas pois eram vítimas do abandono e negligência. Somente no início do século XIX a “educação especial”, oferecida as  pessoas com deficiência inicia-se no Brasil (Silva, 2012).  

Essa educação especial configurou-se distante/segregada do ensino regular  oferecido as crianças ditas “normais”, surge a partir de um modelo médico ou clínico.  Segundo Jannuzzi (2004), pode-se destacar a medicina como uma importante  ferramenta que influenciou a educação das pessoas com deficiência, pois os  médicos atuavam diretamente com esses sujeitos como professores e diretores  educacionais. Por isso, o primeiro período da educação oferecida a esse público foi  marcado pela segregação. 

Essa realidade é alterada na década de 1960, quando existiu um amplo  número de instituições especializadas no atendimento as pessoas com deficiência, a  “prática de segregação começou a ser questionada, tendo início então a luta pelo  direito à escolarização das pessoas com necessidades educacionais especiais nas  escolas regulares de ensino”. O primeiro momento dessa luta é representado pelo  “movimento de integração, visava garantir a presença e a participação dos alunos  com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares” (Silva, 2012).  

Porém, a prática de integração escolar logo passou a ser criticada por alguns  grupos ao reconhecerem que ela não proporcionava aos educandos a oportunidade  para que pudessem desenvolver-se, uma vez que o aluno era responsável por  adaptar-se ao espaço escolar. Dessa forma, Rodrigues (2006, p. 1), conclui, “o aluno  com dificuldade não era um membro de pleno direito da escola, mas tão só uma  benesse que a escola condicionalmente lhe outorgava”. 

Em busca de assegurar o pleno desenvolvimento dos discentes, a partir da  década de 1990 o movimento de inclusão escolar ganha força, defendendo a necessidade do reconhecimento das diferenças e o oferecimento de oportunidades a  todos.  

A partir desse momento surge importantes documentos que orientam,  garantem e direcionam a prática da educação inclusiva nos estabelecimentos de  ensino. Assunto que será abordado a seguir.  

EDUCAÇÃO INCLUSIVA E SEUS FUNDAMENTOS LEGAIS 

Segundo Mendes (2006, p. 18) no contexto de lutas em busca do direito ao  acesso as instituições de ensino, a Declaração de Salamanca simboliza “o mais importante marco mundial na difusão da filosofia da educação inclusiva”. Esse  documento estabeleceu os seguintes princípios:  

[…]  

Art. 2º Acreditamos e proclamamos que: Toda criança tem direito fundamental a educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; Toda criança possui características, interesses e necessidades de aprendizagem que são únicas; 

[…] 

Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer tais necessidades.

[…] (BRASIL, 1994). 

Percebe-se desse modo que o documento supracitado explicita práticas inclusivas dentro da escola, buscando assegurar assim o direito a todas as crianças  e consequentemente aos adultos uma educação de qualidade que reconhece todos  nas suas subjetividades.  

A partir desse momento, surge uma preocupação maior em atender as  necessidades e demandadas do público pertencente à escola e aqueles que até  então eram excluídos desse processo. Para tal, a Lei de Diretrizes e Bases da  Educação Nacional destaca no inciso III a “garantia do atendimento especializado  aos educandos com deficiências” […] (BRASIL, 1996, p. 16). Ainda, destina um  capítulo específico para tratar sobre a educação especial. No capítulo V, artigo 58 da  referida Lei é especificado que educação especial é “a modalidade de educação  oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educando com  deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou  superdotação”. Dessa maneira, nota-se que muitas são as medidas para que a  educação seja ofertada aos educandos com deficiência, porém, na  contemporaneidade há barreiras para que de fato a inclusão seja realidade em seu  sentido pleno. 

É importante citar também a Lei 13.146/2015, Lei Brasileira da Pessoa com  Deficiência ou Estatuto da Pessoa com Deficiência que teve como apoio a  Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Em conjunto com as leis  já mencionadas anteriormente, essa última é imprescindível, pois é designada a  assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das  liberdades fundamentais, inclusive o acesso à educação de qualidade (BRASIL,  2015). 

Portanto, foi possível notar que os alunos com deficiência ao longo da história  enfrentaram e ainda enfrentam muitas dificuldades para ter acesso à educação de  qualidade, pois como podemos perceber o sucesso da inclusão escolar depende de  inúmeros fatores, como: flexibilização do currículo, espaços que possam promover a  acessibilidade aos que possuem dificuldade de locomoção, materiais didáticos  adaptados as necessidades dos educando, professores e profissionais de apoio  especializados aos atendimentos específicos de cada público e a participação da  família de maneira ativa no processo de ensino e aprendizagem. 

METODOLOGIA 

O presente estudo trata-se de uma pesquisa básica, pois tem a finalidade de  gerar novas discussões e o aprofundamento da temática abordada. Quanto ao procedimento adotado para a coleta de dados, utilizou-se pesquisa bibliográfica,  realizada a partir de pesquisas e estudos em trabalhos científicos publicados: “livros,  revistas, publicações em periódicos e artigos científicos, jornais, boletins,  monografias, dissertações, teses, material cartográfico, internet” (Prodanov, 2013, p.  49).  

Assim, buscando proporcionar mais informações sobre o assunto investigado,  possibilitando sua definição e seu delineamento através de um planejamento  flexível, permitindo o estudo do tema sob diversos ângulos e aspectos, a pesquisa é  classificada como exploratória do ponto de vista de seus objetivos.  

Para análise e interpretação dos resultados fez-se o uso do método dialético  por considerar que tudo está em constante transformação, comungando com Jesus,  Jucá Santos Nascimento e Santos (2016), o método dialético possibilita “analisar de  forma mais crítica os acontecimentos descritos através de algum fenômeno, de uma  forma mais ampla”. Por fim, trata-se de uma abordagem qualitativa pois considera  que existe uma relação interdependente entre o mundo real e as subjetividades dos  sujeitos que o integram (Prodanov, 2013). 

ANÁLISE DOS RESULTADOS 

Diante das análises e estudos realizados, compreende-se a prática inclusiva  imprescindível no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que proporciona a oportunidade ao acesso à educação de qualidade a todos os indivíduos, destaca-se  aqui os alunos com necessidades educacionais especiais devido deficiência física,  sensoriais, motoras, cognitivas, distúrbios psicológicos ou de comportamento,  transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação. 

Contudo, infelizmente essa prática ainda não é uma realidade concreta nos  espaços escolares, como bem foi exposto ao longo do presente estudo, a educação  inclusiva atende todos os indivíduos nas suas especificidades. Portanto, é de  conhecimento comum que para a concretização dessa prática faz-se necessário  uma reestruturação no sistema educacional, desde aspectos físicos, interpessoais  (atitudinais), e pedagógicos. 

A esse respeito, Pires (2006, apud Silva, 2012, p. 48), destaca que o principal  obstáculo “a ser considerado é a própria característica de nossa sociedade”, pois  segundo o autor, “a mesma sociedade que defende a igualdade de direitos e valores  entre os seres humanos assim como o reconhecimento e respeito às diferenças,  prática a desigualdade amplamente”. 

Desse modo, compreende-se que é necessário que a sociedade se reestruture  culturalmente e reconheça as diferenças como algo subjetivo a cada indivíduo.  Destaca-se ainda que o modo como a sociedade lida em relação às pessoas com  deficiência reflete de maneira significativa nos espaços escolares, pois a escola é  formada pela sociedade.  

Ainda de acordo Silva (2012), cita-se outras barreiras existentes para a  efetivação da inclusão da pessoa com deficiência especificamente nas escolas: 

Prédios escolares com insuficiência de adaptação, sem rampa, barra de apoio, banheiro adaptado, portas largas para que possam permitir a passagem de cadeiras de rodas, extintores localizados muito baixos de modo que o aluno com deficiência possa esbarrar; Adaptação insuficiente no mobiliário da escola, falta de mesas e cadeiras adaptadas de acordo com as características dos alunos; Número elevado de alunos por sala; Falta de recursos materiais, como material didático e equipamentos específicos; Falta de recursos humanos, como profissionais especializados, intérpretes, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, entre outros. (SILVA, p.127, 2012). 

Nota-se que a inclusão de fato requer planejamento e investimento, não é o  suficiente elaborar discursos e discutir sobre a prática inclusiva se ela não se  concretiza de acordo com seus princípios. Não é possível incluir um aluno com  deficiência em um espaço cercado de barreiras, o discente vai apenas frequentar a escola, mas não vai conseguir desenvolver suas habilidades em vista do não  oferecimento de oportunidades a ele. Percebemos desse modo, que está enraizado  nas instituições de ensino e na própria sociedade a cultura da integração, que  constantemente é confundida com a inclusão.  

Pode-se citar também Macedo (2018), que durante seu trabalho de pesquisa  constatou aspectos relacionados aos já citados anteriormente sobre as barreiras  para a implantação da inclusão, como espaço escolar pouco adaptado que  “implicam na negação dos direitos de ir e vir com autonomia e independência de  alunos, pais e funcionários”. Além disso, é destacado pelo autor a fragilidade e  pouca comunicação entre os funcionários para o planejamento escolar.  

Por fim, fica evidente a lacuna na prática inclusiva educacional diante dos  dados apresentados. De acordo com o Censo em 2010 quase 7% da população  brasileira possui alguma deficiência, segundo os dados apresentados pela Pesquisa  Nacional de Saúde (PNS) organizada pelo IBGE, publicada esse ano (2021), desse  grupo da população brasileira 67% não tinham formação escolar ou apenas o Ensino  Fundamental incompleto, já as pessoas sem deficiência apresentavam um  percentual de 30% (BRASIL, 2021).  

Essa realidade demanda da desorganização dos sistemas de ensino, falta de  espaços escolares adequados as necessidades dos docentes. Do mesmo modo,  escassez de profissionais habilitados para o atendimento dos alunos com  necessidades educacionais especiais, tal qual a ausência da formação continuada  dos profissionais da educação. Ou seja, a educação é ofertada, contudo, não é  oferecido condições para que os educandos se desenvolvam e permaneçam nos  estabelecimentos de ensino. 

Portanto, ao analisar as questões apresentadas considera-se um longo  percurso a seguir para a implantação da inclusão escolar principalmente as pessoas  com deficiências, pois considera-se que não existe inclusão com barreiras que  dificultam ou impedem o desenvolvimento do educando, sejam elas, atitudinais,  arquitetônicas, metodológicas, sociais, dentre outras.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao reconhecer a escola como um espaço privilegiado para a construção do  saber, compreende-se imprescindível que todos tenham acesso ao sistema de  ensino, deve ser garantido meios para que os educandos possam frequentar e  participar ativamente do processo de ensino e aprendizagem. Considerando esses  fatores, esta pesquisa buscou abordar a Educação Especial numa perspectiva  Inclusiva: uma análise a partir do contexto histórico e contemporâneo da Educação  oferecida as Pessoas com Deficiência para promover a discussão e análise da  prática inclusiva nas instituições de ensino direcionada ao público-alvo do estudo, por reconhecer que ainda a exclusão de alunos com deficiência é uma realidade  frequente nas instituições de ensino. Essa análise foi realizada a partir de uma vasta  pesquisa bibliográfica. 

Para atingir uma compreensão a respeito das causas que dificultam ou  impedem a inclusão das Pessoas com Deficiência nas escolas, inicialmente  investigou-se quais ações institucionais são direcionadas para inclusão desse  público. Verificou-se que existe um amparo legal voltado a garantir uma educação  inclusiva, contudo, a prática educacional ainda apresenta lacunas em relação ao  atendimento aos indivíduos com deficiência, essas lacunas são visíveis na estrutura  física das escolas que como bem apresentado anteriormente não são adaptadas ou  possuem adaptação insuficiente para promover o desenvolvimento dos alunos.  Ademais, foi possível constatar ainda, a falta de formação dos educadores para  trabalhar com alunos que possuem necessidade educacional especial, do mesmo  modo a ausência dos profissionais de apoio, como fonoaudiólogo, psicólogo,  intérpretes, entre outros essenciais para a promoção de um espaço inclusivo.  

Com isso, pode-se confirmar que os desafios para a inclusão das Pessoas com  Deficiência estão estreitamente ligados a ausência de um espaço físico adequado as  necessidades dos educandos, tal qual a escassez dos profissionais habilitados para  o atendimento desses alunos, sejam os profissionais de apoio ou os próprios  educadores.  

Por fim, fica evidente através da pesquisa que há necessidade de repensarmos  a prática educativa desenvolvidas nas escolas, faz necessário a reconstrução das  metodologias de ensino, conteúdos, avaliação, arquitetura da escola, relações  interpessoais e principalmente a maneira de olhar o outro, reconhecer que  deficiência não é sinônimos de incapacidade, compreender que todos podem aprender e desenvolver-se desde que seja oferecido meios para construção e  aprimoramento das habilidades.  

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