PERIODONTAL DISEASE IN DIABETIC PATIENTS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511062224
Evelyn Cristina da Silva Macedo
Michele Alves Londono
RESUMO
Diabetes mellitus e periodontite são doenças crônicas, multifatoriais e altamente prevalentes em todo o mundo, que apresentam uma relação bidirecional importante. A periodontite é uma doença inflamatória associada a biofilmes disbióticos, caracterizada pela destruição progressiva dos tecidos de proteção e sustentação dentária, sendo influenciada pela resposta imunológica do hospedeiro e pelo acúmulo de biofilme na cavidade oral. Enquanto o diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas marcadas pela hiperglicemia, decorrente de alterações na secreção ou na ação da insulina. A hiperglicemia favorece a inflamação e prejudica a cicatrização, aumentando a suscetibilidade à periodontite, enquanto a infecção periodontal pode dificultar o controle glicêmico, reforçando a necessidade de cuidados integrados entre medicina e odontologia.
Palavras chaves: Doença periodontal, Diabetes mellitus, Tratamento periodontal, hiperglicemia, Saúde bucal.
ABSTRACT
Diabetes mellitus and periodontitis are chronic, multifactorial, and highly prevalent diseases worldwide, with a significant bidirectional relationship. Periodontitis is an inflammatory disease associated with dysbiotic biofilms, characterized by the progressive destruction of protective and supporting tooth tissues, influenced by the host’s immune response and the accumulation of biofilm in the oral cavity. Diabetes mellitus, on the other hand, is a group of metabolic diseases characterized by hyperglycemia, resulting from alterations in insulin secretion or action. Hyperglycemia promotes inflammation and impairs healing, increasing susceptibility to periodontitis, while periodontal infection can hinder glycemic control, reinforcing the need for integrated care between medicine and dentistry.
Keywords: Periodontal disease, Diabetes mellitus, Periodontal treatment, Hyperglycemia, Oral health.
1 INTRODUÇÃO
Diabetes mellitus e a periodontite são doenças crônicas multifatoriais com alta prevalência em todo o mundo. A periodontite é uma doença inflamatória multifatorial associada a biofilmes disbióticos e é caracterizada pela destruição progressiva dos tecidos de proteção e sustentação dentária, medida pelo acúmulo de biofilme na cavidade oral, influenciada pela imunidade do hospedeiro, enquanto o diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia resultante de defeitos na secreção ou ação da insulina do indivíduo.
O diabetes mellitus pode ser um fator de risco para a progressão da doença periodontal devido à hiperglicemia comprometer a atividade de leucócitos polimorfonucleados, além de danificar o endotélio microvascular que diminui a resposta inflamatória na região, causando, consequentemente, a doença periodontal. A relação entre diabetes mellitus e doença periodontal tem sido extensamente examinada. É evidente que, a partir das pesquisas epidemiológicas, que o diabetes aumenta o risco e a gravidade das doenças periodontais, diversos fatores associados ao diabetes mellitus podem influenciar na progressão e na agressividade da doença periodontal: tipo de diabetes, idade do paciente, maior duração da doença e controle metabólico inadequado (Cavalcante; de Azevedo e Azevedo, 2022, apud Paes et al., 2024 p.2).
Considerando a relação entre periodontite e diabetes e os benefícios gerados pelas boas práticas de saúde bucal para minimizar o risco dessa doença periodontal, é importante que pessoas com diabetes sejam motivadas a realizar acompanhamento odontológico. A primeira consulta odontológica, o cirurgiãodentista deverá obter o máximo de informações acerca do quadro de saúde geral, uso de medicações, alimentação e tratamentos já realizados, de modo a adequar a conduta conforme a necessidade individualizada (duração dos procedimentos, horários das consultas, interações medicamentosas, uso de fármacos e anestésicos locais etc (Barbosa et al.,2022, apud Souza 2023 p.9).
A associação epidemiológica entre a doença periodontal e a diabete mellitus resulta de dois mecanismos distintos: uma relação causal direta, na qual, as complicações da diabetes mellitus agem como modificadores da expressão da doença periodontal ou a presença de uma susceptibilidade genética para cada uma das doenças; ou ambas. A maioria dos autores parece aceitar mais o primeiro mecanismo, devido à evidência de que existe um risco aumentado de desenvolvimento da periodontite em pacientes diabéticos, baseado num estado de resistência à insulina ou ausência da mesma, da qual resulta um estado de hiperglicemia e dislipidemia. A base da relação existente entre a periodontite e a diabete mellitus é a presença de um estado de inflamação crónica e exacerbada. A premissa que está subjacente a esta relação é a presença de citosinas próinflamatórias, bactérias e seus produtos na doença periodontal, que são libertados localmente na gengiva e entram na circulação sistémica influenciando tecidos e órgãos à distância (Brandão, 2011 apud Martins, 2020 p.45).
Diabetes mellitus e doença periodontal tem uma forte ligação, a diabetes descontrolada aumenta o risco da doença periodontal, podendo alterar o metabolismo da glicose e dificultar o controle da diabetes. Afetando o processo inflamatório e de cicatrização, assim agravando a periodontite do indivíduo, e principalmente os tecidos de suporte (osso) e proteção (tecido gengival), que ao longo do tempo ocasiona a perca dentária.
De acordo Santos (2016 apud Baierle, 2020) quando a doença periodontal está nos estágios mais avançados prejudica diretamente no controle metabólico dos pacientes diabéticos. E a periodontite gera uma respostas imunoinflamatórias, alternado a resposta do hospedeiro e os níveis de mediadores pró-inflamatórios na diabetes, elevando quantidade de interleucinas nos tecidos periodontais, o que provoca um aumento da resistência da insulina e os níveis de glicose existentes.
Desse modo, o objeto desse trabalho é revisar a literatura sobre a relação entre diabetes mellitus e doenças periodontal, deixando clara a importância do tratamento odontológico e do conhecimento dos cirurgiões-dentistas sobre essa correlação, e que estes pacientes descompensados tenham informações sobre como o controle da doença periodontal influência para diminuição da glicemia dele.
2 METODOLOGIA
Este estudo se propõe a uma investigação do tipo artigo científico, de natureza básica, tem como objetivo ser explicativa e de abordagem qualitativa, o seu propósito é apontar a relação entre a doença periodontal e a diabetes mellitus, e identificar como os seus efeitos podem acarretar no tratamento do paciente. O artigo científico foi conduzido com base em uma ampla gama de fontes, incluindo artigos científicos, revisão de literatura e revistas especializadas. A busca de dados será realizada utilizando estratégias específicas, com a utilização de palavras chaves como “doença periodontal”, “diabetes mellitus”, “doença periodontal em pacientes diabéticos” e “saúde bucal” em bancos de dados acadêmicos renomados, como Pubmed e Google Acadêmico. Para análise do material bibliográfico utilizado nesta pesquisa considerou as variáveis: ano e texto completo.
Foram examinados artigos que discorrem sobre a relação direta entre a diabetes mellitus e o desenvolvimento da doença periodontal, bem como a progressão e gravidade dessas condições em diabéticos. Como resultado da revisão de literatura, destaca-se a evidência substancial que indica a diabetes mellitus como um importante fator de risco para uma série de doenças bucais.
Neste contexto, a pesquisa visa não apenas fornecer uma visão abrangente sobre os impactos da diabetes mellitus na saúde periodontal, mas também destacar a importância do conhecimento do cirurgião dentista para que tenha um diagnóstico e tratamento que seja eficaz a saúde do paciente.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Diabetes Mellitus é uma doença crônica caracterizada pela elevação dos níveis de açúcar no sangue, que impacta diretamente em alterações fisiológicas e bioquímicas no indivíduo, afetando negativamente os processos inflamatórios causados pelo acúmulo de placa bacteriana, levando às infecções gengivais. Por sua vez, a periodontite é uma doença inflamatória crônica que afeta os tecidos de suporte dos dentes, sendo uma das principais causas de perda dentária em adultos, além de estar associada a várias condições sistêmicas, como é o caso da diabetes mellitus. Assim, tanto a diabetes como a periodontite, são classificadas como doenças crônicas que estão relacionadas ao estilo de vida, hábitos ou fatores socioeconômicos e, ambas, estão interligadas a mecanismos de processos inflamatórios (Borgnakke et al., 2019, apud Chaves et al., 2024 p.3).
A causa principal da doença periodontal é o grande acúmulo de placa bacteriana que afeta os tecidos de suporte dentário, gerando efeitos que são aumentados com alterações fisiopatológicas, e de metabolismos que são características gerada pelo diabetes (Liccardo et al., 2019, apud Evangelista et al., 2023 p.6).
De acordo com Bello et al.,(2012 apud Martins, 2020) estudos relacionam a incidência e a severidade da doença periodontal em pacientes portadores de diabetes mellitus com controle metabólico inadequado. Há evidências para considerar o diabetes mellitus como fator de risco para a doença periodontal. Do mesmo modo, estudos demonstram que as infecções periodontais afetam negativamente o controle glicêmico. Seguindo o mesmo raciocínio, estudos clínicos que realizaram tratamento periodontal em pacientes com diabetes mellitus mostraram melhoras no controle glicêmico, comprovando que a inflamação periodontal interfere no controle dos níveis de glicose.
Os diabéticos têm o processo de cicatrização dificultado, uma vez que a hiperglicemia, contínua e sem controle, modifica a função dos leucócitos agravando os riscos de sangramento e atrapalhando os processos inflamatórios e de cicatrização (Santacroce et al., 2010 apud Parisi; Azevedo e Limeira, 2023, p.11).
De acordo com Malta et al.,(2012 apud De Sá, 2023) a vinculação entre a periodontite e o controle glicêmico pode ser explicada com o fato de indivíduos com periodontite apresentarem um estado inflamatório crônico sistêmico, com numerosos leucócitos circulantes, elevados parâmetros inflamatórios sistêmicos da proteína Creativa, interleucinas e o fator de necrose tumoral, que acarretam na resistência à insulina e agravam o controle glicêmico. Assim, a incidência de diabetes mellitus torna-se maior em pacientes que possuem doença periodontal do que em pacientes sem periodontite, como também são mais prevalentes em casos mais graves da doença periodontal.
Diante do exposto, é notável que existe sim uma relação entre a periodontite e a diabetes mellitus. Dos estudos apresentados todos mencionaram uma relação entre as duas doenças, porém quando tratado a respeito de uma bidirecionalidade onde a periodontite e a diabetes estão totalmente interligadas na medida em que o tratamento de uma tende a influenciar no controle da outra, a maioria concluiu que eram necessários mais estudos, sobretudo estudos prospectivos de forma a reforçar este tipo de relação.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo evidenciou que a periodontite é uma doença crônica que atinge os tecidos de sustentação e proteção do dente. É um processo inflamatório que se não for feito o tratamento correto, pode levar à perda do osso ou até à perda do elemento dental, Os pacientes diabéticos têm o processo de cicatrização dificultado. A periodontite por ser uma doença inflamatória, pode influenciar em algumas complicações sistêmicas, principalmente a diabete mellitus. Contudo, pacientes diabéticos não controlados, em longo prazo podem passar por fases de complicações sistêmicas frequentes.
A associação entre a doença periodontal e o diabetes mellitus está relacionada a vários fatores como suscetibilidade individual, idade, controle glicêmico, duração do diabetes, cuidados com a saúde bucal e hábitos nocivos.
Dessa forma, torna-se essencial que o cirurgião-dentista e a equipe multiprofissional de saúde atuem de forma integrada, visando não apenas o tratamento das manifestações orais, mas também a prevenção e o controle sistêmico da doença. A educação em saúde e o acompanhamento periódico desses pacientes são fundamentais para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.
Conclui-se, portanto, que o conhecimento sobre essa inter-relação deve ser amplamente difundido entre profissionais e pacientes, reforçando a importância de uma abordagem interdisciplinar e preventiva na atenção à saúde bucal e sistêmica.
REFERÊNCIAS
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