DISJUNTORES DE ALTA TENSÃO COM GÁS SF6: EFICIÊNCIA OPERACIONAL, SEGURANÇA E IMPACTOS AMBIENTAIS

HIGH-VOLTAGE CIRCUIT BREAKERS WITH SF6 GAS: OPERATIONAL EFFICIENCY, SAFETY AND ENVIRONMENTAL IMPACTS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202509301601


Kleber Barros de Oliveira Lêdo1
Jonk Jones de Castro Vinente2


Resumo 

Este artigo apresenta uma análise técnica e crítica sobre o funcionamento, variantes construtivas e dispositivos de proteção dos disjuntores de alta tensão que utilizam o gás SF6 como meio isolante e extintor de arco. A pesquisa, de natureza qualitativa e aplicada, fundamentou-se em revisão bibliográfica, análise documental e estudo de caso técnico com base na Especificação Técnica Unificada (ETU-103) da concessionária Energisa. Foram examinadas as características operacionais dos disjuntores SF6, comparando seu desempenho com tecnologias alternativas como os disjuntores a vácuo e a ar comprimido, com base em critérios como capacidade de interrupção, tempo de operação, vida útil, manutenção e impacto ambiental. Os resultados indicam que os disjuntores SF6 apresentam elevada confiabilidade operacional e excelente desempenho em aplicações de alta tensão, embora apresentem limitações ambientais devido ao alto potencial de aquecimento global do gás. Destaca-se, ainda, a importância da proteção 50BF (Breaker Failure) para garantir a atuação do sistema em caso de falha na abertura do disjuntor, preservando a seletividade e a segurança da rede elétrica. Por fim, o estudo recomenda a adoção de tecnologias de monitoramento digital e o aprofundamento de pesquisas sobre substitutos ambientais ao SF6, visando maior sustentabilidade no setor elétrico. Este trabalho contribui para o aprimoramento técnico de engenheiros e operadores do setor de energia, oferecendo subsídios práticos para decisões sobre especificação, operação e manutenção de equipamentos de alta tensão. 

Palavras-chave: Disjuntores de alta tensão. Gás SF6. Proteção 50BF. Equipamentos elétricos. Impacto ambiental. 

1 INTRODUÇÃO 

Os disjuntores de alta tensão desempenham um papel fundamental na proteção e na confiabilidade dos sistemas elétricos de potência, sendo responsáveis por interromper correntes de falta e realizar manobras essenciais em subestações de energia. Entre os diversos tipos existentes, os disjuntores que utilizam gás hexafluoreto de enxofre (SF6) como meio isolante e extintor de arco destacam-se por sua eficiência, elevada capacidade de interrupção e robustez operacional. Essa tecnologia se consolidou no setor elétrico em virtude de sua capacidade de operar em altas tensões, normalmente superiores a 72,5 kV, garantindo o isolamento e a extinção rápida do arco elétrico mesmo em condições severas de curto-circuito (FRONTIN, 2013; ENERGISA, 2025; ONS, 2023). 

O gás SF6, embora seja um excelente dielétrico e extintor de arco, apresenta desafios ambientais relevantes, por ser um gás de efeito estufa com elevado potencial de aquecimento global. Ainda assim, sua aplicação permanece amplamente difundida devido às suas características únicas, como alta rigidez dielétrica, estabilidade térmica e não inflamabilidade. Disjuntores que utilizam SF6 conseguem suportar operações frequentes e curtas janelas de religamento automático, características essenciais para a confiabilidade dos sistemas interligados nacionais (INOVAEQ, 2013; CIGRÉ, 2019; IEEE, 2005). 

Compreender o funcionamento detalhado desses disjuntores, suas variantes construtivas, mecanismos de proteção associados, bem como os critérios de operação e segurança, é de extrema importância tanto para o planejamento quanto para a manutenção preventiva em subestações. A proteção contra falhas de disjuntor, com destaque para o sistema 50BF (Breaker Failure), exemplifica uma das principais estratégias utilizadas para garantir a seletividade e a integridade dos sistemas diante da falha operacional de um disjuntor. Esse tipo de proteção assume papel crítico quando o disjuntor falha em abrir após o comando de trip, situação que, se não contida rapidamente, pode comprometer todo o sistema elétrico (INERGIZA, 2024; NBR IEC 62271, 2022; INOVAEQ, 2013). 

Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar em profundidade os disjuntores de alta tensão com tecnologia SF6, abordando seus princípios de funcionamento, tipologias construtivas e dispositivos de proteção. Além disso, serão discutidas as condições operacionais e as exigências de segurança aplicáveis, destacando os desafios técnicos e ambientais envolvidos. O estudo parte de uma abordagem aplicada e qualitativa, alicerçada em normas técnicas nacionais e internacionais, documentos de fabricantes e literatura científica da área, a fim de oferecer um panorama técnico e atualizado. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

A crescente demanda por sistemas elétricos mais seguros e eficientes tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias avançadas de manobra e proteção, com destaque para os disjuntores de alta tensão que utilizam o gás SF6 como meio isolante e extintor. Esses equipamentos são essenciais na arquitetura das subestações modernas, desempenhando a função de interromper correntes de falta, manobras de energização e desenergização de linhas, bem como garantir o isolamento adequado dos componentes da rede durante intervenções programadas (FRONTIN, 2013; ENERGISA, 2025; ABNT NBR IEC 62271, 2022). 

O gás hexafluoreto de enxofre (SF6) é reconhecido por sua alta rigidez dielétrica e elevada capacidade de extinção de arco, permitindo a miniaturização dos disjuntores e a redução do espaçamento entre fases. A estabilidade térmica e a não inflamabilidade tornam o SF6 uma escolha recorrente em sistemas de alta tensão, apesar de seus impactos ambientais adversos. De acordo com estudos técnicos realizados por consórcios ligados à ANEEL, como o INOVAEQ, os benefícios operacionais do SF6 superam as alternativas disponíveis em muitos cenários, especialmente em subestações compactas (INOVAEQ, 2013; CIGRÉ, 2019; IEEE, 2005). 

Os disjuntores SF6 são usualmente classificados segundo critérios construtivos, como sua montagem (externa ou encapsulada), o tipo de isolamento (híbrido ou integralmente em gás), e o número de polos manobrados simultaneamente. No caso dos disjuntores tripolares, a atuação é simultânea nos três polos, o que reduz o tempo de interrupção e melhora a simetria na extinção do arco. Além disso, a padronização desses equipamentos, conforme evidenciado na Especificação Técnica Unificada ETU-103 da Energisa, permite maior uniformidade na operação e manutenção dos ativos das concessionárias (ENERGISA, 2025; ONS, 2023). 

Um aspecto central na operação segura de disjuntores é a implementação de sistemas de proteção adequados. A proteção contra falha de disjuntor desempenha um papel central no sistema de proteção das instalações elétricas, especialmente em subestações de alta tensão. Um disjuntor pode falhar ao não realizar sua abertura quando comandado, o que compromete a capacidade do sistema de eliminar um curto-circuito de forma segura e eficiente. As causas dessa falha podem ser diversas, abrangendo desde defeitos mecânicos e elétricos até falhas nos circuitos auxiliares responsáveis pela energização do mecanismo de disparo do disjuntor. 

Quando essa condição ocorre, o curto-circuito permanece ativo, expondo os equipamentos e a própria subestação a riscos significativos de danos térmicos, elétricos e operacionais. Para mitigar esse risco, emprega-se um esquema lógico conhecido como proteção contra falha de disjuntor, também referido pela função 50BF. Esse sistema atua de forma coordenada, ao ser emitido o comando de abertura (trip) e o disjuntor não responder, um temporizador é imediatamente acionado. Caso o disjuntor permaneça fechado ao término desse tempo, a proteção 50BF envia um novo comando de abertura, desta vez direcionado aos disjuntores adjacentes ou de backup. Embora essa ação possa resultar na perda da seletividade da proteção, ou seja, na abertura de disjuntores que não estavam diretamente relacionados à falha, ela é essencial para garantir a rápida eliminação da falha e preservar a integridade do sistema elétrico como um todo (INERGIZA, 2024; ABNT NBR IEC 60255, 2021; ONS, 2023). 

A confiabilidade dos disjuntores isolado a gás SF6 também é favorecida pelo uso de sensores inteligentes para monitoramento da pressão e da densidade do gás indispensável para assegurar o bom funcionamento do disjuntor, a pressão do gás SF6 é monitorada por meio de um manômetro, enquanto a supervisão contínua da densidade é realizada por um densímetro de contato, cujos contatos internos atuam sucessivamente em diferentes níveis de pressão. Quando ocorre uma redução da densidade do gás abaixo de um limite mínimo estabelecido, o sistema promove o bloqueio do disjuntor na posição atual, seja ela aberta ou fechada, ou, alternativamente, aciona sua abertura automática como medida de proteção. Além disso, também existem alarmes para falhas como discordância de polos, bombeamento excessivo e perda de gás. O monitoramento contínuo permite ações preventivas antes que falhas críticas ocorram, contribuindo para a manutenção preditiva e o aumento da disponibilidade do sistema (FRONTIN, 2013; IEEE, 2005; VAN DEYCK et al., 2025). 

O gás hexafluoreto de enxofre (SF6) é amplamente utilizado como meio isolante e extintor de arco em disjuntores de alta tensão, devido à sua elevada rigidez dielétrica, estabilidade térmica e química, bem como sua eficácia na interrupção de correntes de curto-circuito. No entanto, o desempenho confiável e seguro desses equipamentos está condicionado à realização periódica de ensaios que avaliem o estado dos componentes internos e do gás isolante, conforme estabelecido por normas internacionais, como a IEEE Std C37.09, a ABNT NBR IEC 62271 e as diretrizes técnicas do CIGRÉ. 

2.1 Ensaios Elétricos 

Os ensaios elétricos realizados em disjuntores de alta tensão têm como objetivo principal avaliar a integridade da condução elétrica e da isolação entre os polos e entre os polos e a terra. Dentre os ensaios mais relevantes está a medição da resistência de contato, que verifica a continuidade elétrica entre os contatos principais. Elevações anormais dessa resistência podem indicar oxidação, desgaste ou presença de impurezas, comprometendo a eficiência do equipamento. Outro teste essencial é a verificação da resistência de isolação, que permite identificar degradações nos materiais isolantes e possíveis caminhos de fuga para a terra, o que representa risco de falhas dielétricas.  

Complementarmente, o ensaio de fator de potência, também conhecido como tangente delta (tan δ), mensura a qualidade do isolamento elétrico por meio da análise das perdas dielétricas. Valores elevados são indicativos de envelhecimento do isolamento, absorção de umidade ou contaminação dos materiais isolantes. Por fim, os ensaios de tempos de manobra analisam os tempos de abertura, fechamento e sincronismo entre os polos, possibilitando a identificação de falhas mecânicas, atrasos operacionais e falhas em dispositivos auxiliares de comando (IEEE, 2005; ABNT, 2022). 

2.2 Ensaios no Gás SF6 

Como o gás SF6 é o meio responsável tanto pelo isolamento quanto pela extinção do arco elétrico em disjuntores de alta tensão, sua avaliação periódica é essencial para garantir a operação segura do equipamento. A medição da pressão e da densidade do gás é realizada com o objetivo de assegurar que os parâmetros estejam dentro dos limites operacionais definidos pelo fabricante, visto que reduções na densidade comprometem a rigidez dielétrica e a capacidade de extinção de arco. A análise da pureza do SF₆ também é indispensável, uma vez que impurezas, como produtos da decomposição do gás após operações repetidas, podem reduzir sua eficácia.  

Outro aspecto crítico é a verificação do teor de umidade, pois concentrações elevadas afetam diretamente as propriedades dielétricas do gás e podem promover a formação de subprodutos corrosivos. A detecção de vazamentos, por sua vez, é realizada por meio de sensores portáteis ou câmeras infravermelhas, possibilitando uma inspeção precisa e não invasiva. A execução regular desses ensaios permite a antecipação de falhas, garantindo maior confiabilidade ao sistema elétrico (CIGRÉ, 2019; ABB, 2024). 

2.3 Ensaios Mecânicos e Funcionais 

Além dos testes elétricos e da análise do gás isolante, os disjuntores de alta tensão devem ser submetidos a ensaios mecânicos e funcionais que visam verificar o correto desempenho dos mecanismos de acionamento. Um dos principais procedimentos é o teste de manobra sem carga, no qual o disjuntor é operado em vazio para detectar ruídos anormais, travamentos ou sinais de desgaste excessivo. A sincronização entre os polos também é verificada, uma vez que o dessincronismo pode provocar desequilíbrios de corrente e afetar o desempenho das proteções do sistema.  

Outro ponto essencial é a inspeção dos componentes móveis do mecanismo de acionamento, com especial atenção à lubrificação de partes críticas. A ausência de lubrificação adequada pode gerar atrito excessivo, aumento do tempo de resposta e falhas operacionais. A realização periódica desses ensaios está em conformidade com as normas técnicas internacionais e com as boas práticas recomendadas pelos fabricantes, contribuindo para a manutenção preditiva e a confiabilidade do sistema elétrico de potência (FRONTIN, 2013; ABNT, 2022; IEEE, 2005). A Figura 1, abaixo, apresenta uma representação esquemática do ciclo de ensaios e manutenção preditiva aplicável aos disjuntores de alta tensão com isolamento a gás SF6. O diagrama sintetiza as etapas que envolvem a medição de parâmetros elétricos, avaliação do gás isolante e inspeções mecânicas, permitindo uma abordagem integrada e sistemática para garantir a confiabilidade e a segurança operacional dos equipamentos. 

Figura 1.  Ciclo de ensaios e manutenção preditiva de disjuntores SF6.

Fonte: Elaborado pelo autor, com base em CIGRÉ (2019), IEEE (2005) e ENERGISA (2025) 

Por fim, deve-se destacar que estudos recentes apontam para uma tendência de substituição progressiva do SF6 por alternativas mais sustentáveis, como gases mistos ou dielétricos sólidos. No entanto, essas tecnologias ainda não atingiram a mesma maturidade e confiabilidade operacional do SF6 em níveis de tensão superiores a 100 kV, especialmente em climas tropicais ou ambientes industriais agressivos (CIGRÉ, 2019; FRONTIN, 2013; VAN DEYCK et al., 2025).  

3 METODOLOGIA  

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa aplicada de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, voltada à análise técnica e funcional de disjuntores de alta tensão com isolamento em gás SF6. A abordagem adotada busca compreender tanto os aspectos construtivos quanto os operacionais e de proteção, com ênfase em práticas adotadas por concessionárias e descritas em normas nacionais e internacionais (GIL, 2010; INOVAEQ, 2013; ENERGISA, 2025). 

O método utilizado baseia-se predominantemente em pesquisa bibliográfica e documental, incluindo a análise de manuais técnicos, normas da ABNT e IEC, artigos científicos indexados e especificações de fabricantes. Este procedimento tem por objetivo reunir subsídios teóricos e práticos para compreender o funcionamento dos disjuntores SF6 em ambientes de alta tensão e os dispositivos de proteção associados, como a função de proteção 50BF (Breaker Failure) (FRONTIN, 2013; ABNT NBR IEC 62271, 2022; CIGRÉ, 2019). 

Complementarmente, empregou-se um estudo de caso técnico baseado na especificação ETU-103, da concessionária Energisa, voltada a disjuntores de potência para subestações de até 145 kV. A análise concentrou-se nas seguintes dimensões técnicas: funções operacionais do disjuntor, como interrupção de corrente de falta, manobra de cargas capacitivas e indutivas, e religamento automático; variantes construtivas, classificadas como V1 (básica), V2 (normal) e V3 (compacta), conforme critérios estruturais e de instalação; sistemas de monitoramento, com destaque para sensores de densidade de gás, indicadores de pressão e alarmes para perda de SF6; dispositivos de proteção, incluindo bloqueios contra antibombeamento, discordância de polos e falha de abertura; comparação entre tecnologias, confrontando disjuntores SF6 com alternativas históricas, como os de ar comprimido e óleo isolante, com foco em confiabilidade e impacto ambiental. 

A coleta de dados deu-se por meio de análise de documentos normativos e operacionais, como a IEC 62271-100, além de publicações científicas acessadas via bases como arXiv, CIGRÉ e Scopus. O conteúdo foi sistematizado em categorias temáticas: funcionamento, variantes, proteção, segurança e impactos ambientais, conforme recomendado por Bardin (2011). 

A análise dos dados seguiu os princípios de conteúdo técnico, buscando identificar relações entre especificações normativas, requisitos operacionais e práticas de segurança. Essa técnica permitiu inferências quanto ao desempenho dos disjuntores SF6 em cenários de operação real, além de destacar suas vantagens e limitações quando comparados às tecnologias anteriores (GIL, 2010; IEEE, 2005; ONS, 2023). 

Por fim, os dados foram interpretados à luz das tendências de inovação tecnológica em equipamentos de alta tensão, conforme apresentado no projeto INOVAEQ (2013), sendo possível avaliar o potencial evolutivo desses dispositivos frente a requisitos de sustentabilidade, confiabilidade e digitalização do setor elétrico brasileiro. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Com base na análise documental e técnica realizada, foi possível traçar um panorama comparativo entre diferentes tecnologias de disjuntores de alta tensão: SF6, vácuo e ar comprimido, conforme apresentado na Tabela 1. O foco recaiu sobre cinco critérios essenciais: capacidade de interrupção, tempo de operação, vida útil, necessidade de manutenção e impacto ambiental. 

Tabela 1. Comparação técnica entre disjuntores de alta tensão

Fonte: Adaptado de FRONTIN (2013), ENERGISA (2025) e IEEE (2005). 

A análise demonstrou que os disjuntores com SF6 oferecem excelente capacidade de interrupção (63 kA) e tempo de operação reduzido (40 ms), o que os torna altamente eficazes em cenários de exigência elevada de confiabilidade e rapidez de atuação. No entanto, sua vida útil é inferior à dos disjuntores a vácuo e sua contribuição ao aquecimento global (GWP ≈ 23900) é altamente preocupante (CIGRÉ, 2019; FRONTIN, 2013). 

Em contraste, os disjuntores a vácuo, embora não sejam indicados para níveis de tensão superiores a 145 kV, exibem maior vida útil (30.000 operações) e menor necessidade de manutenção, apresentando-se como uma alternativa mais sustentável e econômica para aplicações de média tensão (IEEE, 2005; INOVAEQ, 2013). Já os disjuntores a ar comprimido, apesar de historicamente relevantes, possuem desempenho técnico inferior e maiores exigências de manutenção, o que os torna obsoletos frente às novas tecnologias. 

Outro ponto crítico abordado foi o sistema de proteção 50BF (Breaker Failure), que se mostrou essencial em disjuntores com isolação à gás SF6. Esse sistema garante a atuação de disjuntores adjacentes caso a unidade principal falhe após o comando de abertura, evitando a propagação da falha no sistema. Tal proteção é especialmente relevante em subestações compactas ou em anéis de distribuição, onde a seletividade e a coordenação da proteção são vitais para a segurança operacional (ENERGISA, 2025; INERGIZA, 2024; ABNT NBR IEC 60255, 2021). 

Observou-se também que as variantes construtivas dos disjuntores SF6, V1 (básica), V2 (normal) e V3 (compacta), influenciam diretamente na aplicação do equipamento em função do espaço disponível, facilidade de manutenção e custo. A versão compacta, por exemplo, é altamente utilizada em subestações urbanas e móveis, devido à sua flexibilidade de instalação e confiabilidade (ONS, 2023; FRONTIN, 2013). 

Por fim, a tendência de substituição progressiva do SF6 por gases alternativos, como o Novec 4710 ou misturas à base de CO₂, representa um avanço importante em termos ambientais, mas ainda encontra barreiras tecnológicas, principalmente no que se refere à estabilidade dielétrica em tensões superiores a 145 kV (CIGRÉ, 2019; IEEE, 2005). 

Além da comparação entre diferentes tecnologias de disjuntores, a realização periódica de ensaios elétricos, mecânicos e sobre o gás SF6 demonstrou ser um fator determinante para garantir a confiabilidade operacional e a segurança dos equipamentos com isolação gasosa. Ensaios como resistência de contato, tangente delta e tempos de manobra permitem antecipar falhas elétricas e mecânicas, impactando diretamente na manutenção preventiva e na vida útil do disjuntor. A análise da densidade, pureza e umidade do gás SF6, por sua vez, revelou-se fundamental para assegurar a eficiência na extinção do arco e evitar riscos de falhas dielétricas.  

Testes funcionais como manobras sem carga e verificação do sincronismo entre polos também contribuíram para a avaliação da integridade dos mecanismos internos e para o correto desempenho da proteção 50BF. Assim, os dados obtidos por meio desses ensaios complementam os critérios técnicos apresentados na Tabela 1 e reforçam a necessidade de uma abordagem integrada entre especificação, operação e monitoramento dos disjuntores SF6 (IEEE, 2005; CIGRÉ, 2019; ABNT, 2022). 

5 CONCLUSÃO 

O presente estudo buscou compreender o funcionamento, as variantes construtivas e os dispositivos de proteção associados aos disjuntores de alta tensão com isolamento em gás SF6, além de analisar suas condições operacionais e implicações de segurança. Com base na pesquisa bibliográfica, documental e na análise de caso técnico, constatou-se que essa tecnologia permanece como a mais consolidada no setor elétrico brasileiro quando se trata de equipamentos aplicáveis a tensões superiores a 72,5 kV. 

Verificou-se que os disjuntores SF6 reúnem características técnicas de elevado desempenho, como rápida extinção do arco elétrico, alta capacidade de interrupção e confiabilidade em manobras críticas. Essas qualidades tornam-nos indispensáveis em subestações que demandam alta seletividade e continuidade operacional. Contudo, o elevado potencial de aquecimento global do gás SF6 representa um desafio ambiental significativo, o que reforça a importância de sistemas de monitoramento e manutenção preventiva para mitigar emissões (CIGRÉ, 2019; IEEE, 2005; FRONTIN, 2013). 

A análise das variantes construtivas mostrou que a escolha entre versões básica, normal ou compacta deve considerar fatores como espaço físico disponível, criticidade da instalação e facilidade de acesso para manutenção. Disjuntores compactos, por exemplo, destacam-se em ambientes urbanos e aplicações móveis, enquanto os convencionais oferecem maior robustez em grandes subestações. 

No que se refere à proteção contra falhas, a integração da proteção 50BF (Breaker Failure) provou ser essencial para garantir a integridade do sistema elétrico em casos de falha mecânica ou elétrica do disjuntor. Essa proteção auxilia na coordenação seletiva e na rápida contenção de falhas, atuando como barreira secundária para eventos catastróficos em sistemas interligados (ABNT, 2021; ENERGISA, 2025; INERGIZA, 2024). 

Como recomendação técnica, destaca-se a necessidade de atualização constante dos sistemas de monitoramento e proteção, especialmente em subestações que utilizam SF6. A adoção de sensores digitais, sistemas de alarme inteligente e procedimentos normatizados de manutenção preventiva deve ser priorizada para garantir a confiabilidade e sustentabilidade da operação. 

Para pesquisas futuras, sugere-se aprofundar estudos sobre a viabilidade técnica e econômica da substituição do SF6 por gases alternativos de menor impacto ambiental, especialmente em sistemas acima de 145 kV. Além disso, seria relevante investigar o desempenho de novas tecnologias de disjuntores híbridos e a aplicação de inteligência artificial para diagnóstico preditivo de falhas. 

Assim, conclui-se que, apesar dos desafios ambientais, os disjuntores SF6 permanecem fundamentais para a operação segura e eficiente de sistemas de alta tensão, e sua gestão exige ações coordenadas entre engenharia, meio ambiente e inovação tecnológica. 

REFERÊNCIAS 

ABB. High Voltage Products – Circuit Breaker Testing Manual. Zurich: ABB Corporate Research, 2024. Link: ABB Library – Disjuntores 

ABNT. NBR IEC 62271-100:2022 – Equipamentos de manobra e controle em alta tensão – Parte 100: Disjuntores de corrente alternada. Rio de Janeiro: ABNT, 2022. 

ABNT. NBR IEC 60255:2021 – Requisitos gerais para relés de proteção. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.  

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. 

CIGRÉ. SF6-Free Medium-Voltage Switchgear. Technical Brochure 838. Paris: International Council on Large Electric Systems – CIGRÉ, 2019. 

ENERGISA. ETU-103 – Especificação Técnica Unificada: Disjuntor de potência para subestação de distribuição para tensões até 145 kV. Versão 7.0. Cataguases: Energisa S.A., 2025. 

FRONTIN, Sergio O. (Org.). Equipamentos de Alta Tensão: Prospecção e Hierarquização de Inovações Tecnológicas. Brasília: Finatec/UnB, 2013. 

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 

IEEE. C37.12-2005 – IEEE Guide for Specifications of High-Voltage Circuit Breakers (Above 1000 V). New York: Institute of Electrical and Electronics Engineers, 2005. 

INERGIZA – Centro de Formação Profissional. Proteção contra falha de disjuntor em subestações de alta tensão. Publicação técnica informal. LinkedIn, 2024. Disponível em: https://www.linkedin.com/company/inergiza

ONS – OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. Procedimentos de Rede – Módulo 4.3: Equipamentos de Manobra e Proteção. Rio de Janeiro: ONS, 2023. 

VAN DEYCK, Merijn et al. Shortlisting Protection Configurations for HVDC Grids and Electrical Energy Hubs. arXiv preprint, 2025. Disponível em: http://arxiv.org/abs/2505.05886v1.


1Discente do Curso Superior de Engenharia elétrica da Universidade Nilton Lins Campus Parque das laranjeiras
e-mail: 21002243@uniniltonlins.edu.br
2Docente do Curso Superior de Engenharia Elétrica da Universidade Nilton Lins Campus Parque das Laranjeiras. 
e-mail: jonk.vinente@uniniltonlins.edu.br