THE PHYSICAL EDUCATION PROFESSIONAL AND THE CHALLENGES FACED IN THE SCHOOL CONTEXT
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509301615
Daniele Garcia Lopes1
Thaina Ferreira Silva2
Eva Vilma Alves Da Silva3
RESUMO
O presente estudo tem como objetivo evidenciar os desafios enfrentados pelo profissional de Educação Física no ambiente escolar. E são objetivos específicos: descrever as principais atividades e responsabilidades do profissional de Educação Física no ambiente escolar; identificar os principais desafios enfrentados por esses profissionais na implementação de práticas pedagógicas de qualidade; e discorrer sobre as estratégias utilizadas pelos profissionais de Educação Física para promover a inclusão e a motivação dos alunos em exercícios físicos. Trata-se de uma revisão de literatura com enfoque qualitativo, cujas pesquisas foram nas bases de dados CAPES, Google Acadêmico e revistas e periódicos institucionais, com estudos publicados entre os anos de 2019 e 2024. Os resultados evidenciaram que os resultados evidenciaram que os profissionais de Educação Física enfrentam desafios significativos na implementação de práticas pedagógicas de qualidade, principalmente devido à falta de recursos e apoio institucional. No entanto, eles utilizam diversas estratégias para promover a inclusão e a motivação dos alunos, como a adaptação das atividades às necessidades dos alunos e o uso de metodologias ativas. Além disso, o estudo destacou a importância de um ambiente escolar colaborativo e de políticas educacionais que valorizem a Educação Física.
Palavras-chave: Contexto Escolar. Educação Física. Ensino Fundamental.
1. INTRODUÇÃO
O ambiente escolar é um espaço adaptado para atender às diversas necessidades dos alunos, oferecendo recursos e infraestrutura adequados para atividades de ensino e práticas esportivas, promovendo assim uma educação integral. No qual, os alunos possam desenvolver não apenas habilidades cognitivas, mas também sociais e emocionais. Logo, a interação entre alunos, professores e a equipe pedagógica é fundamental para a construção de um clima escolar positivo, que favoreça a aprendizagem e a inclusão (Andrade et al., 2021).
Nesse contexto, Corso e Antunes (2021) discorrem que, o profissional de Educação Física atua como mediador do desenvolvimento físico, motor e social dos alunos, sendo responsável por planejar e implementar atividades que não apenas promovam a saúde e o condicionamento físico, mas que também incentivem a prática de valores como o trabalho em equipe, a disciplina e o respeito.
Logo, têm-se como indagação: quais os desafios enfrentados pelo profissional de Educação Física no ambiente escolar?
De modo geral, esta pesquisa é fundamental para entender o papel da Educação Física na formação integral dos alunos e na promoção de um estilo de vida saudável. Conforme Brito et al. (2024), em um contexto em que a obesidade infantil e o sedentarismo têm crescido de forma alarmante, a atuação do profissional de Educação Física se torna ainda mais relevante para promover hábitos saudáveis e a valorização da atividade física.
Além disso, a Educação Física contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais, como a cooperação, a empatia e a resiliência, que são essenciais para a convivência no ambiente escolar e na sociedade (Marcolan; Orth; Machry, 2021). Compreender os desafios enfrentados por esses profissionais permite a formulação de políticas públicas e ações que melhorem a qualidade do ensino de Educação Física, beneficiando não apenas os alunos, mas também a comunidade escolar como um todo (Cé et al., 2023).
Para tanto, o presente estudo tem como objetivo geral evidenciar os desafios enfrentados pelo profissional de Educação Física no ambiente escolar. E são objetivos específicos: descrever as principais atividades e responsabilidades do profissional de Educação Física no ambiente escolar; identificar os principais desafios enfrentados por esses profissionais na implementação de práticas pedagógicas de qualidade; e discorrer sobre as estratégias utilizadas pelos profissionais de Educação Física para promover a inclusão e a motivação dos alunos em atividades físicas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Educação Física na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Educação Física deve ser uma disciplina obrigatória em todas as etapas da Educação Básica, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, em que deve ser vista como uma disciplina que contribui para a formação integral dos estudantes, promovendo não só o desenvolvimento físico, mas também o cognitivo, social, emocional e cultural (Brasil, 2018).
São, portanto, divididas em diferentes atividades, como exercícios de ginástica, alongamento, atividades aeróbicas e anaeróbicas, jogos esportivos e atividades de equipe (Hildefonso; Pereira, 2015). Sendo de acordo com Rocha et al. (2022), o principal objetivo das aulas de educação física é fornecer aos alunos uma variedade de opções para que eles possam encontrar atividades que os motivem e os ajudem a desenvolver suas habilidades físicas.
Nesse sentido, a BNCC propõe que a Educação Física seja desenvolvida a partir de quatro eixos estruturantes: corpo, cultura, saúde e vivência de jogos e esportes. Esses eixos estão inter-relacionados e devem ser trabalhados de forma integrada, possibilitando aos estudantes a compreensão das dimensões biológicas, culturais, históricas, políticas e sociais que envolvem as práticas corporais (Brasil, 2018).
A BNCC destaca a importância da Educação Física para a promoção da saúde e prevenção de doenças, bem como para o desenvolvimento de habilidades e competências socioemocionais, como trabalho em equipe, respeito mútuo e cooperação. Além disso, a Educação Física deve valorizar a diversidade cultural e de gênero, promovendo o respeito às diferenças e a valorização da inclusão (Brasil, 2018).
De acordo com Santos e Brandão (2018), a Educação Física é uma disciplina que tem um papel fundamental na formação dos estudantes, pois contribui para o desenvolvimento de habilidades motoras, para a promoção da saúde e para a construção de valores sociais. Logo, cabe ressaltar que a BNCC não define como devem ser as aulas de Educação Física, mas sim estabelece competências e habilidades que devem ser desenvolvidas pelos estudantes, de forma a permitir a autonomia dos professores na definição de metodologias e conteúdos específicos a serem trabalhados em sala de aula.
A BNCC destaca a Educação Física como um meio de promover a inclusão social e de respeitar as diferenças, o que requer dos professores uma sensibilidade para adaptar as aulas às necessidades de todos os alunos, independente de suas habilidades físicas, gênero, etnia ou condição social (Impolcetto; Moreira, 2023).
2.2 Educação Física Escolar e o papel do Profissional de Educação Física na Educação Integral
A Educação Física como uma disciplina que promove a formação integral dos estudantes, contribuindo para o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social. Sendo fundamental que a Educação Física seja vista como um espaço para a construção de valores e atitudes que favoreçam a prática de atividades físicas e esportivas ao longo da vida (Lavoura, 2020).
A Educação Física, conforme destacado por Paula et al. (2022), deve ser entendida como uma disciplina que oferece uma variedade de experiências que contribuem para a formação de habilidades sociais, como a cooperação e o respeito, essenciais para a convivência em sociedade. Além disso, a prática de atividades físicas no ambiente escolar é uma oportunidade para que os alunos desenvolvam valores como a disciplina e a empatia, que são fundamentais para sua formação como cidadãos críticos e participativos.
De acordo com Melo, Lavoura e Taffarel (2020), a importância da Educação Física no contexto escolar se dá devido a abordagem de ensino crítico-superador, isto é, sua atividade promove uma periodização histórico-cultural do desenvolvimento humano e deve ser vista como parte integrante do currículo escolar, contribuindo para o desenvolvimento físico, social e emocional dos alunos. Além disso, Bego e Anjos (2020) discorrem que, a abordagem crítica-superadora da Educação Física enfatiza a importância de uma educação que vá além do corpo, incorporando aspectos culturais e sociais que influenciam a prática esportiva e a atividade física.
O papel do profissional de Educação Física na educação integral é fundamental para o desenvolvimento holístico dos alunos, pois ele não apenas promove a prática de atividades físicas, mas também contribui para a formação de valores sociais e emocionais (Vieira et al., 2024). A Educação Física, conforme discutido por Melo (2020), deve ser vista como uma disciplina que integra o conhecimento teórico e prático, permitindo que os alunos desenvolvam habilidades motoras e sociais que são essenciais para sua formação como cidadãos críticos e participativos.
Conforme Antunes, Knuth e Damico (2020) defendem, a Educação Física deve ser vista como, uma disciplina de papel crítico e transformador no contexto escolar, de modo que, é necessário que a Educação Física seja trabalhada de forma a questionar as relações sociais de poder e a promover a igualdade de gênero, raça e classe. Os profissionais de Educação Física têm a responsabilidade de criar um ambiente inclusivo e motivador, onde todos os alunos possam participar ativamente das atividades propostas. Isso é especialmente importante em tempos de retrocessos nas políticas públicas de educação, onde a disciplina de Educação Física é desvalorizada (Melo, 2020).
Deste modo, o papel do profissional de educação física é buscar constantemente formas de engajar os alunos, utilizando metodologias que considerem as diversidades de habilidades e interesses presentes na turma, promovendo assim uma educação que valorize a cultura corporal e as experiências dos estudantes (Paula et al., 2022).
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que tem como objetivo reunir, analisar e sintetizar resultados de diferentes estudos, tanto teóricos quanto empíricos, de forma a proporcionar uma compreensão abrangente sobre o tema abordado. A revisão integrativa é considerada adequada por possibilitar a inclusão de pesquisas com diferentes metodologias, permitindo identificar lacunas de conhecimento e orientar futuras investigações (Dorsa, 2020).
Para a busca das literaturas, foram consultadas as bases de dados SCIELO (Scientific Electronic Library Online), Periódicos CAPES, Google Acadêmico e repositórios de instituições de ensino superior. As estratégias de busca incluíram os descritores “educação física”, “desafios” e “ambiente escolar”, contemplando artigos científicos em português e inglês que abordassem o tema, considerando a presença das palavras-chave em títulos, resumos ou palavras-chave dos trabalhos.
Os critérios de inclusão foram: textos publicados entre 2020 e 2025, em português e inglês, disponibilizados de forma gratuita e completa. Foram excluídos materiais pagos, duplicados ou que não apresentassem relação direta com o objeto de estudo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram identificados sete artigos que atenderam aos critérios de inclusão e serviram de base para a análise e discussão dos resultados, conforme apresentado na Tabela 1.
Tabela 1 – Síntese dos Resultados



Andrade et al. (2021) destaca várias atividades e responsabilidades do profissional de Educação Física no ambiente escolar. Primeiramente, é primário que o profissional busque a inclusão das brincadeiras como forma de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, motricidade, imaginação, criatividade, interpretação, habilidades de pensamento, tomada de decisão, organização, conhecimento de regras, e resolução de conflitos pessoais e interpessoais.
Além disso, o profissional deve apresentar a nova geração à importância do brincar por meio de brincadeiras e jogos tradicionais, promovendo o desenvolvimento da vida e a interação social. É importante que o professor de Educação Física planeje suas aulas de forma a prender a atenção dos alunos, similarmente a como um aparelho tecnológico faz, utilizando as brincadeiras tradicionais como um recurso pedagógico (Andrade et al., 2021).
Ainda de acordo com Andrade et al. (2021), o profissional também deve estar atento ao seu campo de atuação, pesquisando e incorporando novos elementos nas brincadeiras tradicionais, como tecnologia e aspectos culturais, para efetivar as práticas educativas na escola. Por fim, é responsabilidade do professor despertar nos alunos a vontade de aprender por meio da brincadeira, enriquecendo o processo de ensino e aprendizagem e introduzindo valores que permeiam o ambiente escolar.
Borim et al. (2020) discorre que, os profissionais de Educação Física no ambiente escolar têm a responsabilidade de planejar e seguir um planejamento pedagógico que garanta a formação dos alunos. Eles devem também adaptar suas aulas para lidar com diferentes faixas etárias e contextos, como turmas grandes e a falta de materiais.
Contudo, Borim et al. (2020) discorre que, um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais de Educação Física é a adaptação das aulas para diferentes contextos, como a falta de materiais e o manejo de turmas grandes, especialmente com crianças e adolescentes. Outro desafio é a necessidade de manter um planejamento de aula eficiente e seguir esse planejamento para evitar defasagens no aprendizado dos alunos. Além disso, os profissionais precisam lidar com a responsabilidade de formar e informar, adaptando estratégias para atender às necessidades dos alunos.
Para promover a inclusão e a motivação dos alunos, os profissionais de Educação Física devem utilizar estratégias que envolvem a interação direta com os alunos e a adaptação das metodologias de ensino. Isto é, deve-se ter o contato direto com os alunos, o que ajuda a desenvolver a experiência para aprenderem a lidar com diferentes situações e a adaptar suas práticas pedagógicas de forma a incluir todos os alunos (Borim et al., 2020).
Conforme o estudo de Barbosa e Oliveira (2024) os profissionais de Educação Física no ambiente escolar têm a responsabilidade de integrar a Educação Física à proposta pedagógica da escola, superando a visão de que é apenas uma “atividade” prática sem relação com outros componentes curriculares. Eles devem atuar como mediadores do conhecimento, promovendo práticas pedagógicas interdisciplinares que valorizem a Educação Física como parte integral do currículo escolar. Ademais, é fundamental que esses profissionais sejam capazes de refletir sobre suas práticas pedagógicas e buscar constantemente novas possibilidades de ensino que envolvam a interdisciplinaridade.
No que tange os desafios enfrentados pelos profissionais de Educação Física, Barbosa e Oliveira (2024) incluem a superação do isolamento e distanciamento dos outros componentes curriculares, que muitas vezes veem a Educação Física como uma atividade auxiliar. Deste modo, a formação inicial e continuada dos professores, o tempo e a forma de planejamento nas escolas, e a falta de aproximação entre a Educação Física e outros componentes são barreiras significativas. Podendo citar ainda que, há uma resistência à mudança devido ao medo de sair da zona de conforto e a supervalorização de algumas disciplinas em detrimento de outras.
De acordo com o estudo de Barbosa e Oliveira (2024), para promover a inclusão e a motivação dos alunos, os profissionais de Educação Física utilizam estratégias como a tematização das práticas corporais, que incluem jogos, brincadeiras, esportes, ginásticas, dança, lutas e práticas de aventura. Essas atividades são desenvolvidas de forma interdisciplinar, envolvendo outros componentes curriculares, o que ajuda a criar um ambiente de aprendizagem mais integrado e motivador.
Por outro lado, Barbosa e Oliveira (2024) também enfatizam a construção de um caderno pedagógico com exemplos de aulas interdisciplinares permite que os professores explorem novas formas de ensino que incentivem a participação ativa dos alunos. A abordagem de temas geradores, que são discutidos coletivamente entre professores e alunos, também é uma estratégia eficaz para engajar os estudantes e promover a inclusão.
Conforme Silva et al. (2022), os profissionais de Educação Física no ambiente escolar têm como principal responsabilidade a inserção dos estudantes na esfera da cultura corporal de movimento, promovendo o desenvolvimento da cidadania, a construção de valores, o respeito às diferenças e o combate aos preconceitos. Logo, eles devem garantir que a Educação Física vá além do “saber fazer”, integrando as dimensões conceitual, procedimental e atitudinal, incluindo ensinar conceitos, história e regras (dimensão conceitual), movimentos e técnicas (dimensão procedimental), e promover valores como respeito e cooperação (dimensão atitudinal).
Todavia, Silva et al. (2022) afirmam que, os principais desafios enfrentados pelos profissionais de Educação Física é a predominância histórica do “saber fazer”, que muitas vezes ofusca as outras dimensões do ensino, pois há uma necessidade de ampliar as temáticas investigativas para incluir conteúdos e dimensões pouco explorados, como danças, lutas e práticas corporais de aventura. Outro desafio é a implementação de práticas pedagógicas que contemplem uma maior diversidade cultural e que não se limitem aos esportes tradicionais.
Assim, Silva et al. (2022) discorrem que, para promover a inclusão e a motivação dos alunos, os profissionais de Educação Física utilizam estratégias que enfatizam a integração das três dimensões do conteúdo, abrangendo a abordagem de temas contemporâneos que são relevantes para a vida cotidiana dos alunos, como saúde, lazer e consumo. Além do mais, a promoção de práticas corporais de aventura e a inclusão de esportes de diferentes perspectivas culturais também são estratégias utilizadas para aumentar o engajamento dos alunos.
Vale, Ferreira e Furtado (2024) afirmam em seu estudo que, os profissionais de Educação Física no ambiente escolar têm a responsabilidade de desenvolver intervenções pedagógicas que integrem as dimensões culturais e biológicas do corpo, promovendo práticas corporais que vão além dos aspectos naturais e culturais, conectando-se também com a saúde e a aptidão física. Eles devem trabalhar o humano em todas as suas dimensões e potencialidades, utilizando bases teóricas que sustentem práticas educativas ampliadas e híbridas. Logo, é esperado que esses profissionais promovam a inclusão, o lazer, o treinamento desportivo e as políticas públicas, contribuindo para a mediação de saberes necessários à intervenção profissional em Educação Física.
De acordo com Vale, Ferreira e Furtado (2024) os principais desafios enfrentados pelos profissionais de Educação Física é superar os dualismos e antagonismos históricos que dificultam o avanço da prática pedagógica nas escolas, pois há a necessidade de superar reducionismos e teorias que esgotam as possibilidades do discurso e a compreensão da realidade, especialmente no que diz respeito à dicotomia entre os aspectos culturais e biológicos do corpo. Outro desafio é a disputa de sentidos do conceito de práticas corporais no cotidiano das práticas pedagógicas, que pode ser utilizado tanto para referendar ações conservadoras quanto para inspirar intervenções críticas e emancipatórias.
Logo, Vale, Ferreira e Furtado (2024) enfatizam que, para promover a inclusão e a motivação dos alunos, os profissionais de Educação Física utilizam o conceito de práticas corporais como uma via para desenvolver práticas mais reflexivas e interdisciplinares. Eles buscam construir intervenções pedagógicas que problematizem e ressignifiquem as manifestações culturais, considerando as experiências culturais diversas e valorizando-as no processo educativo. Além disso, a noção de práticas corporais é utilizada para projetar intervenções profissionais ampliadas, críticas, inclusivas e reflexivas, que superem concepções fragmentadas do movimento humano.
Pinto et al. (2023) reforçam que o ambiente escolar é um espaço privilegiado para a promoção de hábitos saudáveis, sendo o professor de Educação Física peça-chave nesse processo. Além de trabalhar a dimensão motora, o docente deve também estimular a consciência crítica dos alunos sobre os riscos do sedentarismo e da má alimentação, especialmente diante do aumento dos índices de obesidade infantil. Os autores salientam que a escola deve oferecer programas contínuos de atividade física, planejados de maneira lúdica e inclusiva, que despertem o interesse dos estudantes e os motivem a se engajar em práticas corporais prazerosas. Nesse sentido, o papel do professor é conduzir os alunos a compreenderem que a atividade física não deve ser vista como obrigação, mas como oportunidade de saúde, lazer e desenvolvimento integral
Já Silva e Veneziano (2021) destacam que a Educação Física tem também a função de promover prazer e motivação nos alunos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade relacionada ao excesso de peso. Para os autores, o professor deve adotar metodologias que priorizem a experiência positiva com o movimento, criando aulas atrativas que minimizem o estigma e a exclusão frequentemente associados às crianças obesas. Além disso, enfatizam a necessidade de que os conteúdos sejam diversificados, indo além dos esportes tradicionais, e abranjam atividades corporais capazes de valorizar a autoestima, a socialização e a percepção do corpo de forma positiva. Com isso, amplia-se o alcance da disciplina como promotora de saúde física e mental.
Dessa forma, tanto Pinto et al. (2023) quanto Silva e Veneziano (2021) convergem na ideia de que a Educação Física deve ser um espaço de inclusão e de construção de hábitos saudáveis desde a infância. O professor, ao assumir um papel motivador e crítico, contribui não apenas para o desenvolvimento motor dos alunos, mas também para a formação cidadã e para a melhoria da qualidade de vida. Nesse processo, a articulação entre escola, família e comunidade torna-se essencial, visto que a efetividade das práticas pedagógicas ultrapassa os limites da sala de aula e precisa estar sustentada em um contexto social mais amplo, capaz de reforçar a importância da atividade física como prática cotidiana
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo realizado revelou que os profissionais de Educação Física é essencial no ambiente escolar, assumindo responsabilidades que vão além do ensino de habilidades motoras. Eles são encarregados de promover o desenvolvimento integral dos alunos, abordando aspectos físicos, sociais e emocionais. Entre as principais atividades destacam- se a elaboração e execução de planos de aula que incorporam princípios pedagógicos modernos, a avaliação contínua das capacidades dos alunos, e a promoção de um ambiente de aprendizado seguro e inclusivo.
Os desafios enfrentados por esses profissionais são a falta de recursos adequados, o grande número de alunos por turma, e a necessidade de adaptar as práticas pedagógicas para atender às diversas necessidades dos alunos são algumas das dificuldades comuns. Além disso, os profissionais muitas vezes precisam lidar com a desvalorização da disciplina de Educação Física dentro do currículo escolar, o que pode impactar negativamente na motivação dos alunos e no engajamento das atividades.
Para superar esses desafios, os profissionais de Educação Física têm a utilização de abordagens pedagógicas diversificadas, como a personalização das atividades para atender às diferentes habilidades e interesses dos alunos. Ademais, a promoção de um ambiente inclusivo, onde todos os alunos, independentemente de suas habilidades, se sintam motivados e encorajados a participar, é fundamental. Isso é alcançado por meio de práticas de ensino colaborativas e pelo incentivo à autonomia dos alunos na escolha de atividades que lhes proporcionem prazer e satisfação.
Em resumo, o estudo destaca a importância do profissional de Educação Física como um facilitador do desenvolvimento integral dos alunos, sublinhando a necessidade de apoio contínuo e formação para enfrentar os desafios do ambiente escolar moderno. A implementação de estratégias pedagógicas inovadoras e inclusivas visam promover a motivação e o engajamento dos alunos em atividades físicas, contribuindo assim para seu bem-estar geral.
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1Discente do Curso Superior de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Fametro. Manaus – Amazonas – Brasil. E-mail: danielegarcialopes7528@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Fametro. Manaus – Amazonas – Brasil. E-mail: thainaferreirasilva2023@gmail.com
3Docente do Curso Superior do Curso de Educação Física do Centro Universitário Fametro. Manaus. Mestre em Ciências do Movimento Humano. e-mail: eva.silva@fametro.edu.br
