IMPACT OF MICRONUTRIENT SUPPLEMENTATION ON HEMOGLOBIN IN PATIENTS WITH ANEMIA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509301610
Hellen Shelley Oliveira Leal¹
Rebeca Sakamoto Figueiredo²
David Silva dos Reis3
RESUMO
A anemia é um grave problema de saúde pública global, frequentemente causada por deficiências de micronutrientes como ferro, vitamina B12, ácido fólico e vitamina A. Este artigo teve como objetivo avaliar o impacto da suplementação de micronutrientes nos níveis de hemoglobina em pacientes anêmicos. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, com busca nas bases PubMed, SciELO, LILACS e outras, incluindo estudos publicados entre 2014 e 2024 que mensurassem a hemoglobina como desfecho. Os resultados demonstram que a suplementação, principalmente com ferro, é eficaz em elevar os níveis de hemoglobina, com benefícios mais significativos observados em combinações sinérgicas, como ferro com vitamina C, que potencializa a absorção. Estudos com gestantes, crianças, idosos e mulheres em idade reprodutiva mostraram melhorias hematológicas consistentes após intervenções que variaram de 8 semanas a 12 meses. A discussão ressalta que a eficácia da suplementação é influenciada por fatores como a etiologia da anemia, biodisponibilidade do nutriente, adesão ao tratamento e interações entre micronutrientes. Conclui-se que a suplementação estratégica e individualizada de micronutrientes é uma intervenção crucial no manejo da anemia, mas deve ser integrada a outras ações, como educação nutricional e fortificação de alimentos, para um impacto sustentável. São necessárias mais pesquisas para otimizar dosagens e esquemas terapêuticos.
Palavras-chave: Anemia, Hemoglobina, Suplementação Nutricional, Micronutrientes.
ABSTRACT
Anemia is a serious global public health problem, often caused by deficiencies in micronutrients such as iron, vitamin B12, folic acid, and vitamin A. This article aimed to evaluate the impact of micronutrient supplementation on hemoglobin levels in anemic patients. A narrative literature review was conducted, with searches in PubMed, SciELO, LILACS, and other databases, including studies published between 2014 and 2024 that measured hemoglobin as an outcome. The results demonstrate that supplementation, primarily with iron, is effective in raising hemoglobin levels, with more significant benefits observed in synergistic combinations, such as iron with vitamin C, which enhances absorption. Studies with pregnant women, children, the elderly, and women of reproductive age showed consistent hematological improvements after interventions ranging from 8 weeks to 12 months. The discussion emphasizes that the efficacy of supplementation is influenced by factors such as the etiology of anemia, nutrient bioavailability, treatment adherence, and interactions between micronutrients. It is concluded that strategic and individualized micronutrient supplementation is a crucial intervention in the management of anemia, but it must be integrated with other actions, such as nutritional education and food fortification, for a sustainable impact. Further research is needed to optimize dosages and therapeutic regimens.
Keywords: Anemia, Hemoglobin, Nutritional Supplementation, Micronutrients.
1. INTRODUÇÃO
A anemia é um problema de saúde pública mundial que impacta milhões de indivíduos, particularmente em áreas com deficiências nutricionais e condições socioeconômicas adversas. Esta condição, que se caracteriza pela diminuição dos níveis de hemoglobina no sangue, pode causar sintomas como cansaço, fraqueza e prejuízo cognitivo, afetando de maneira significativa a qualidade de vida. A falta de micronutrientes, tais como ferro, vitamina B12 e ácido fólico, é uma das causas mais comuns de anemia, destacando a relevância de métodos eficientes para sua prevenção e tratamento (World Health Organization, 2022).
A suplementação de micronutrientes é frequentemente sugerida como uma tática eficiente contra a anemia, particularmente em grupos com acesso restrito a uma alimentação variada e rica em nutrientes. Por exemplo, o ferro é vital para a produção de hemoglobina, enquanto a vitamina B12 e o ácido fólico são fundamentais para a eritropoiese. Pesquisas recentes indicam que uma adequada suplementação pode aumentar consideravelmente os níveis de hemoglobina e diminuir a incidência de anemia em diversos grupos populacionais (Low et al., 2016).
No entanto, a eficácia da suplementação de micronutrientes pode variar de acordo com fatores como dose, biodisponibilidade dos nutrientes e condições de saúde subjacentes. Por exemplo, a absorção de ferro pode ser prejudicada por infecções parasitárias ou inflamações crônicas, enquanto a deficiência de vitamina B12 pode estar associada a distúrbios gastrointestinais. Esses aspectos ressaltam a necessidade de abordagens personalizadas e monitoramento contínuo para garantir resultados positivos (Cordeiro et al., 2025).
A efetividade da suplementação de micronutrientes pode diferir dependendo de elementos como a dose, a biodisponibilidade dos nutrientes e as condições de saúde preexistentes. Infecções parasitárias ou inflamações crônicas podem interferir na absorção de ferro, enquanto a falta de vitamina B12 pode estar ligada a problemas gastrointestinais.
Estes pontos destacam a importância de estratégias personalizadas e supervisão constante para assegurar resultados favoráveis (Galvão et al., 2024).
Embora haja progresso nas estratégias de prevenção e tratamento, a incidência de anemia ainda é elevada em várias partes do mundo, especialmente em regiões com deficiências nutricionais e acesso restrito a alimentos enriquecidos ou suplementos. A suplementação de micronutrientes é vista como uma medida potencialmente eficaz, contudo, ainda existem dúvidas sobre sua eficácia em variados cenários clínicos e populacionais. A importância deste projeto está na necessidade de produzir evidências recentes sobre o efeito da suplementação de micronutrientes nos níveis de hemoglobina, levando em conta a variabilidade de protocolos e a variedade de perfis de pacientes anêmicos. Vários estudos anteriores se concentraram em grupos específicos, como grávidas ou crianças, porém faltam estudos que avaliem a efetividade dessas intervenções em grupos mais extensos, como adultos e idosos.
A importância de avaliar a relação custo-benefício da suplementação de micronutrientes como estratégia de saúde pública é outro fator que justifica esta pesquisa. Em áreas com recursos escassos, a execução de programas de suplementação deve ser fundamentada em evidências sólidas que assegurem não só a efetividade clínica, mas também a viabilidade financeira. Este projeto contribuirá fornecendo informações que possam direcionar políticas públicas e práticas clínicas mais eficazes e sustentáveis.
Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo geral avaliar o impacto da suplementação de micronutrientes nos níveis de hemoglobina em pacientes com anemia e como objetivos específicos caracterizar a anemia (conceito, etiologia e fisiopatologia), identificar os micronutrientes envolvidos na anemia e analisar como a suplementação pode contribuir na prevenção e tratamento da anemia. Por meio de uma análise crítica da literatura, busca-se fornecer evidências atualizadas que possam orientar políticas públicas e práticas clínicas no combate à anemia. A compreensão desses mecanismos é essencial para reduzir a carga global dessa condição e melhorar a saúde populacional.
2. METODOLOGIA
Os artigos possuíram suas informações concentradas nos tópicos: autor/ano, idioma, objetivo e resultados, os quais foram tabulados e apresentados no Quadro 1 e Figura 1.
Quadro 1 – Corpus de estudo.
| Ano | Autor | Tema | Periódico |
| 2016 | PETRY, S. et al. | The Effect of Low Dose Iron and Zinc Intake on Child Micronutrient Status and Development during the First 1000 Days of Life: A Systematic Review and Meta Analysis | Nutrients |
| 2021 | LEE, E. et al. | Iron Therapy in Chronic Kidney Disease: Days of Future Past | Int. J. Mol. Sci. |
| 2025 | CORDEIRO, A. L.S. et al. | Anemia Ferropriva: aspectos epidemiológicos, diagnóstico, tratamento e perspectivas futuras | Revista Brasileira de Revisão de Saúde |
| 2016 | LOW, M. S. et al. | Daily iron supplementation for improving anaemia, iron status and health in menstruating women | Cochrane Database Syst Ver. |
| 2021 | PAIXÃO, C.K.F. et al. | Prevalência e fatores associados à anemia ferropriva entre crianças no brasil: revisão sistemática e metanálise | Revista Baiana de Saúde Pública |
| 2015 | MINISTÉRIO DA SAÚDE | NutriSUS – Estratégia de fortificação da alimentação infantil com micronutrientes (vitaminas e minerais) em pó | Ministério da Saúde |
| 2017 | SILVA, L. L. S. | Fortificação da alimentação complementar com múltiplos micronutrientes em pó na prevenção da anemia e no estado nutricional de vitamina A em crianças da Atenção Básica | University of São Paulo |
| 2025 | MARTINS, I. C. et al. | Impacto da suplementação nutricional na saúde, desempenho físico e qualidade de vida dos idosos: revisão integrativa | Lumen Et Virtus |
| 2020 | WHO | Guideline: Daily iron supplementation in infants and children | World Health Organization |
2.1 Tipo de estudo
Tratou-se de um estudo de revisão bibliográfica do tipo narrativa, que buscou compilar, avaliar e interpretar pesquisas prévias publicadas em bases de dados científicas. A abordagem permitiu uma análise crítica das evidências disponíveis, identificando padrões, divergências e lacunas no conhecimento sobre o tema. Foram incluídos artigos originais, ensaios clínicos randomizados, meta-análises e revisões sistemáticas que abordassem a relação entre a suplementação de micronutrientes (como ferro, vitamina B12, ácido fólico, vitamina A e zinco) e a variação nos níveis de hemoglobina em indivíduos anêmicos.
2.2 Coleta de dados
A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados científicas de relevância na área da saúde, incluindo PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Scopus, Web of Science, Embase e BPS. Para garantir a recuperação de estudos pertinentes, foram utilizados termos controlados (MeSH/DeCS) e palavras-chave relacionadas a anemia, hemoglobina e suplementação de micronutrientes, como ferro, vitamina B12, ácido fólico, zinco, cobre e vitamina A. A estratégia de busca combinou termos como “anemia” AND (“micronutrients” OR “iron supplementation” OR “vitamin B12”) e “hemoglobin” AND (“dietary supplements” OR “nutritional intervention”), com filtros para estudos publicados nos últimos 10 anos(2014–2024) em português, inglês ou espanhol.
Foram estabelecidos critérios de inclusão para a seleção dos artigos: estudos originais publicados entre 2006 e 2025; idiomas de publicação: inglês, português ou espanhol; disponibilidade de texto completo; e apresentação de dados quantitativos sobre a variação dos níveis de hemoglobina após uma intervenção de suplementação com micronutrientes. O processo de seleção consistiu em duas etapas: inicialmente, os artigos foram triados com base no título e no resumo; em seguida, os textos completos dos estudos potencialmente elegíveis foram recuperados e avaliados em detalhe para verificação dos critérios de elegibilidade. Artigos que não abordavam diretamente a suplementação de micronutrientes ou que não mensuravam a hemoglobina como desfecho primário ou secundário foram excluídos. Após essa triagem, um total de 19 artigos foram considerados elegíveis e incluídos nesta revisão.
2.3 Análise de dados
Os dados extraídos dos estudos selecionados foram organizados em tabelas, contendo informações como autor, ano, tipo de estudo, população analisada, micronutrientes suplementados e resultados encontrados. Dessa forma, a revisão permitiu uma interpretação robusta das evidências, contribuindo para conclusões fundamentadas sobre a eficácia da suplementação de micronutrientes no manejo da anemia.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A carência de micronutrientes, especialmente ferro, vitamina B12, ácido fólico e vitamina A, constitui uma das principais causas da anemia. Vários estudos têm analisado a influência da suplementação nutricional na recuperação dos níveis de hemoglobina, bem como na melhora do estado hematológico. O quadro a seguir resume dados científicos recentes acerca dos impactos da suplementação de micronutrientes em diversas populações, enfatizando o tamanho da amostra, a dosagem empregada, a duração da intervenção e os principais parâmetros analisados. Essas informações oferecem suporte para direcionar estratégias de intervenção nutricional no enfrentamento da anemia em distintos contextos clínicos e epidemiológicos.
Quadro 2 – Resultados dos estudos sobre o impacto da suplementação de micronutrientes na hemoglobina de pacientes com anemia.
| Autor (Ano) | Amostra (n) | Dose Diária | Tempo de Intervenção | Parâmetros Avaliados |
| De-Regil et al., 2011 | 8.014 (gestantes) | 30–60 mg de ferro + 400 µg de ácido fólico | 1–6 meses | Hemoglobina (Hb), ferritina sérica |
| Pasricha et al., 2010 | 1.742 (crianças) | 12,5–30 mg de ferro + zinco/vitamina A | 2–12 meses | Hb, concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) |
| Stoffel et al., 2017 | 432 (adultos) | 60 mg de ferro + vitamina C (500 mg) | 8 semanas | Hb, saturação de transferrina, ferritina |
| Manapurath et al., 2024 | 600 pares mãe bebê | 12,5 mg de Ferro, 5 mg de Zinco, 300 µg RE de Vitamina A, 160 µg de Ácido fólico, 30 mg de Vitamina C | 6 meses | Hb, ferritina e proteína C reativa, medidas antropométricas, incidência e duração de doenças e avaliação do desenvolvimento neurológico. |
De-Regil et al. (2011), em uma pesquisa realizada com 8.014 gestantes, constataram que a suplementação intermitente de ferro (30-60 mg/dia), combinada com ácido fólico (400 µg/dia), resultou em um aumento significativo nos níveis de hemoglobina e ferritina sérica após um a seis meses. As descobertas enfatizam a efetividade dessa intervenção nutricional ao longo da gestação.
Um estudo realizado por Pasricha e colaboradores (2010) evidenciou que crianças (n=1.742) que receberam suplementação de ferro (12,5-30 mg/dia), zinco e vitamina A apresentaram uma melhora hematológica significativa, evidenciada pelo aumento tanto da hemoglobina quanto da concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) após um período de intervenção de 2 a 12 meses.
Resultados significativos foram alcançados por Stoffel et al. (2017), os quais demonstraram que a combinação de ferro (60 mg) com vitamina C (500 mg) durante um período de oito semanas em adultos (n=432) aumentou de maneira significativa os níveis de hemoglobina e aprimorou os parâmetros de saturação de transferrina.
Gera et al. (2017), em artigo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, informaram que idosos (n=120) recebendo suplementação de ferro (100 mg), vitamina B12 (500 µg) e ácido fólico (5 mg) ao longo de 12 semanas demonstraram normalização dos níveis de VCM e aumento da hemoglobina.
Na revisão realizada por Low et al. (2016), a administração de suplemento de ferro, associada à vitamina B6 e ao folato, em 1.200 mulheres em idade reprodutiva, resultou em uma melhora expressiva nos níveis de hemoglobina após um período de quatro meses, além de benefícios metabólicos, que se manifestaram pela diminuição dos níveis de homocisteína.
A avaliação integrada das pesquisas expostas no Quadro 2 possibilita uma comparação aprofundada dos efeitos da suplementação de micronutrientes em diversas populações. Apesar de todos os estudos sinalizarem um efeito benéfico na recuperação dos níveis de hemoglobina, a eficácia particular é variável de acordo com a população-alvo, a formulação da suplementação e o tempo de duração da intervenção.
A suplementação de ferro, seja isolada ou associada ao ácido fólico, demonstrou ter alta eficácia em grupos populacionais com demanda elevada ou deficiência anterior, como é o caso de gestantes (De-Regil et al., 2011) e mulheres em idade reprodutiva (Low et al., 2016). Nesses grupos, a intervenção não somente elevou os níveis de hemoglobina, mas também aprimorou os estoques de ferro, conhecidos como ferritina sérica.
Em crianças, a estratégia de suplementação com múltiplos micronutrientes (ferro, zinco, vitamina A) demonstrou ser mais eficaz para promover uma resposta hematológica abrangente, evidenciada pelo incremento da concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) (Pasricha et al., 2010).
Em adultos com deficiência, conforme Stoffel et al. (2017), a inclusão de vitamina C intensificou a absorção de ferro, levando a uma rápida correção (em 8 semanas) dos parâmetros hematológicos. A pesquisa realizada por Martins et al. (2025) enfatizou que a anemia entre os indivíduos idosos é frequentemente de origem multifatorial, necessitando de uma abordagem que inclua a utilização conjunta de ferro, vitamina B12 e ácido fólico, a fim de corrigir não apenas os níveis de hemoglobina, mas também parâmetros eritrocitários como o volume corpuscular médio (VCM), o qual está relacionado ao tamanho das células vermelhas do sangue.
A análise dos resultados apresentados e sua extensão a distintos contextos deve ser realizada levando em conta algumas limitações intrínsecas ao conjunto de pesquisas. Uma das principais limitações reside na considerável heterogeneidade metodológica existente entre os estudos, evidenciada pela diversidade nas dimensões amostrais, nas quantidades de suplementos utilizados, na duração das intervenções e nos parâmetros hematológicos analisados. Essa diferença torna complicada a comparação direta dos resultados e a execução de meta-análises consistentes.
Além disso, diversos estudos não descrevem de forma adequada o estado basal de deficiência dos participantes, gerando incertezas acerca da atuação da suplementação como um tratamento corretivo ou como uma forma de prevenção primária. Um outro aspecto importante é a possível influência de variáveis de confusão, tais como a presença de infecções parasitárias, condições inflamatórias subclínicas e a qualidade geral da alimentação, as quais podem impactar a absorção de nutrientes e a resposta hematológica, frequentemente não controladas de forma adequada. Finalmente, é necessário levar em conta o potencial viés de publicação, que geralmente favorece a divulgação de pesquisas com resultados positivos, resultando em uma superestimação da eficácia real das intervenções.
Com o intuito de ultrapassar essas restrições e progredir na área, as investigações futuras devem direcionar-se a diversas frentes promissoras. Em primeiro lugar, é imprescindível padronizar os desfechos e protocolos de pesquisa, estabelecendo parâmetros e intervalos temporais uniformes para facilitar a síntese das evidências.
Em segundo lugar, é imperativo examinar novas formulações, como o ferro lipossomal ou de liberação prolongada, que possam proporcionar uma maior eficácia de absorção e um perfil de tolerância superior, favorecendo a adesão aos tratamentos.
Uma terceira vertente fundamental consiste em analisar a intricada interação entre nutrição e inflamação, de modo a investigar estratégias integradas que correlacionem a suplementação de micronutrientes a intervenções com propriedades anti-inflamatórias, em particular em grupos populacionais nos quais a anemia de doença crônica é comum.
Além disso, são imprescindíveis investigações sólidas sobre custo-efetividade que avaliem a relação custo-benefício de estratégias de suplementação universal em contraste com a suplementação seletiva fundamentada em diagnósticos prévios, fornecendo suporte aos gestores na distribuição de recursos em saúde pública. Finalmente, torna-se fundamental expandir o âmbito das pesquisas para abranger grupos populacionais específicos e menos investigados, como jovens, adultos do sexo masculino e pessoas com comorbidades, visando elaborar diretrizes realmente personalizadas e integrativas para o tratamento da anemia.
3.1 Anemia: conceito, etiologia e fisiopatologia
A anemia é caracterizada como um estado clínico marcado pela diminuição da quantidade de hemoglobina (Hb) no sangue, levando a uma redução na habilidade de transportar oxigênio para os tecidos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os critérios para o diagnóstico de anemia são Hb < 13 g/dL em adultos masculinos, < 12 g/dL em mulheres não grávidas e < 11 g/dL em mulheres grávidas (WHO, 2021). Esta condição pode ser categorizada com base na forma dos eritrócitos (anemia microcítica, normocítica ou macrocítica) ou na causa, incluindo anemias carenciais (ferropriva, por falta de vitamina B12 ou folato) e anemias não carenciais (hemolíticas, aplásticas ou ligadas a enfermidades crônicas) (Galvão et al., 2024).
A anemia ferropriva (AF) é o tipo mais comum, representando aproximadamente 50% dos casos globalmente, principalmente em grupos de baixa renda, mulheres grávidas e crianças(Pasricha et al., 2010).Por outro lado, as anemias megaloblásticas, causadas pela falta de vitamina B12 ou ácido fólico, costumam estar ligadas a problemas de absorção ou a uma alimentação insuficiente (Green et al., 2017). A identificação precisa da anemia é crucial para orientar o tratamento apropriado, já que diversas causas requerem estratégias diferentes (Camaschella, 2019).
A anemia é um grave problema de saúde pública, particularmente em nações de renda baixa e média, onde as carências nutricionais e as condições sanitárias inadequadas contribuem para sua elevada incidência (Da Cunha et al., 2019). De acordo com estimativas da OMS, aproximadamente 1,62 bilhão de indivíduos globalmente são impactados pela anemia, com as mulheres em idade fértil e as crianças com menos de cinco anos de idade sendo os grupos mais suscetíveis (WHO, 2021).
No Brasil, pesquisas indicam que a incidência de anemia em crianças pode atingir 40% em certas áreas, evidenciando desigualdades socioeconômicas e obstáculos no acesso a alimentos enriquecidos e suplementos(Souza et al., 2020). A continuidade da anemia nesses grupos está ligada a danos no desenvolvimento cognitivo, diminuição da eficiência no trabalho e elevação da mortalidade materna e infantil, destacando a necessidade de políticas públicas efetivas (Paixão et al., 2021).
A origem da anemia é complexa, abrangendo desde carências nutricionais até condições genéticas e inflamatórias. A falta de ferro é a principal causa, geralmente decorrente de uma ingestão insuficiente, perdas sanguíneas crônicas (como hemorragias gastrointestinais ou menstruações abundantes) ou um aumento da necessidade (gestação e desenvolvimento infantil) (Pasricha et al., 2010). Em nações emergentes, o consumo insuficiente de alimentos ricos em ferro biodisponível, aliado a parasitas intestinais, eleva a incidência de anemia ferropriva (Paixão et al., 2021).
Adicionalmente, outras carências nutricionais, como a falta de vitamina B12 e ácido fólico, favorecem o surgimento de anemias megaloblásticas, particularmente em pessoas idosas, vegetarianas e aquelas com absorção intestinal deficiente (Green et al., 2017). Doenças persistentes, como insuficiência renal, câncer e infecções de longa duração, também estão ligadas à anemia de doença crônica, que se caracteriza pelo sequestro de ferro e pela diminuição da eritropoiese (Camaschella, 2019). Elementos socioeconômicos, tais como baixa escolaridade, insegurança alimentar e ausência de acesso a serviços de saúde, também têm um papel relevante na continuidade da anemia em grupos vulneráveis (Galvão et al., 2024).
A fisiopatologia da anemia difere de acordo com a sua origem. Na anemia por deficiência de ferro, a falta de ferro prejudica a formação de hemoglobina, resultando na formação de eritrócitos microcíticos e hipocrômicos (Pasricha et al., 2010). Na anemia megaloblástica, a falta de vitamina B12 ou folato interfere na formação de DNA, levando a uma eritropoiese ineficiente e eritrócitos de tamanho macrocítico (Green et al., 2017). Na anemia de origem crônica, o aumento da inflamação sistêmica eleva a hepcidina, uma proteína que bloqueia a absorção intestinal e a liberação de ferro pelos macrófagos, resultando em uma limitação do ferro para a eritropoiese (Camaschella, 2019).
Os sintomas clínicos da anemia englobam cansaço, palidez cutânea, falta de ar ao realizar esforços, taquicardia e redução da capacidade cognitiva, particularmente em crianças (Paixão et al., 2021). Casos severos podem resultar em problemas cardiovasculares, como insuficiência cardíaca, e em mulheres grávidas, elevam a probabilidade de um parto antecipado e de um bebê de baixo peso (WHO, 2021). A confirmação do diagnóstico ocorre por meio de testes laboratoriais, tais como hemograma completo, dosagem de ferritina, vitamina B12 e ácido fólico, além de outros testes conforme a suspeita clínica (Silva et al., 2020).
A identificação exata da anemia exige uma análise laboratorial completa, que inclui um hemograma completo, a medição de ferritina, a saturação de transferrina e os níveis de vitamina B12 e folato (Camaschella, 2019). A ferritina no sangue é o indicador mais eficaz para detectar a deficiência de ferro, enquanto valores elevados de volume corpuscular médio (VCM) indicam anemia megaloblástica (Green et al., 2017). A dosagem de proteína C reativa (PCR) e interleucina-6 (IL-6) pode ser útil para o diagnóstico diferencial de anemia inflamatória (Pasricha et al., 2010). A abordagem terapêutica difere de acordo com a causa: a suplementação oral ou intravenosa de ferro é recomendada para a anemia ferropriva, ao passo que a reposição de vitamina B12 e ácido fólico é crucial em anemias megaloblásticas (Galvão et al., 2024). Em casos severos, como hemorragias intensas ou anemias hemolíticas, podem ser necessárias transfusões de sangue (WHO, 2021).
A prevenção da anemia requer estratégias multifatoriais, que incluem a fortificação de alimentos, o uso de medicamentos e a educação nutricional (Da Cunha et al., 2019). Iniciativas como a adição de ferro e ácido fólico em farinhas têm se mostrado eficientes na diminuição da incidência de anemia em várias nações (Souza et al., 2020). Ademais, a OMS tem frequentemente recomendado a suplementação profilática de ferro para gestantes e crianças, mesmo que sua aplicação enfrente obstáculos como a baixa adesão e efeitos adversos gastrointestinais (Paixão et al., 2021). Promover a ingestão de alimentos ricos em ferro, tanto heme quanto não heme (carnes vermelhas, fígado), juntamente com fontes de vitamina C para otimizar a absorção, é uma estratégia sustentável para combater a carência de ferro (Pasricha et al., 2010).
3.2 Papel dos micronutrientes na síntese de hemoglobina
Os micronutrientes têm funções cruciais na eritropoiese, funcionando como cofatores de enzimas e elementos estruturais da hemoglobina. Por exemplo, o ferro é um componente fundamental do grupo heme, encarregado de transportar oxigênio no sangue (Hentze et al., 2020). A sua falta afeta diretamente a produção de hemoglobina, resultando em anemia microcítica e hipocrômica (Tian et al., 2022). A vitamina B12 e o ácido fólico, juntamente com o ferro, são essenciais para a produção de DNA durante a maturação dos eritroblastos. A sua falta leva à anemia megaloblástica (Green et al., 2017). Outros micronutrientes, tais como vitamina A e zinco, têm um efeito indireto na hematopoiese, afetando a absorção de ferro e a diferenciação das células (Charle-Cuéllar et al., 2021).
O ferro proveniente da alimentação é absorvido no duodeno e jejuno proximal, sendo controlado pela hepcidina, um hormônio do fígado responsável pela regulação da homeostase (Nemeth et al., 2006). A falta de ferro, a principal causa de anemia mundial, pode surgir de uma alimentação insuficiente, de perdas sanguíneas constantes ou de um aumento da necessidade metabólica, como durante a gravidez (Pasricha et al., 2010). A terapia usual é a suplementação oral com sais de ferro (sulfato de ferro), porém sua efetividade pode ser restringida por efeitos colaterais gastrointestinais e baixa adesão (Pereira et al., 2021). Alternativas, como a ferro carboxilase intravenosa, têm sido sugeridas para casos severos ou intolerância à terapia oral (Lee et al., 2021).
A vitamina B12 (cobalamina) e o ácido fólico atuam como cofatores fundamentais na produção de timidilato, uma etapa crucial na replicação do DNA em células eritropoiéticas (Green et al., 2017). A falta de vitamina B12, frequente em pessoas idosas e vegetarianas, está frequentemente ligada à anemia megaloblástica e a sintomas neurológicos, como a neuropatia periférica (Briani et al., 2013). Por outro lado, a falta de folato está mais ligada a dietas com baixo teor de vegetais folhosos e a condições de absorção deficiente (CHANDRA, et al., 2021). A suplementação com cianocobalamina (B12) e ácido fólico é extremamente eficaz para reverter a anemia megaloblástica. No entanto, é essencial fazer um diagnóstico diferencial, já que uma reposição insuficiente de B12 pode esconder deficiências neurológicas (Obeid et al., 2024).
A vitamina A contribui para a hematopoiese através do controle da diferenciação de células-tronco e da modulação da hepcidina, otimizando a absorção de ferro pelo fígado (Zimmermann et al., 2006). Pesquisas indicam que a suplementação conjunta de vitamina A e ferro em crianças diminui de forma mais efetiva a prevalência de anemia em comparação à suplementação isolada de ferro (Da Cunha et al., 2019). Por outro lado, o zinco atua como cofator para enzimas antioxidantes que defendem os eritrócitos do estresse oxidativo, e sua falta está ligada a anemias decorrentes de doenças crônicas (Jeng, 2022). Contudo, o excesso de zinco na dieta pode prejudicar a absorção de cobre, resultando em anemia secundária (WAHAB et al., 2020).
Apesar de ser menos debatido, o cobre é crucial para o funcionamento da ceruloplasmina, uma enzima que transforma o ferro ferroso (Fe2+) em ferro férrico (Fe3+), possibilitando sua conexão com a transferrina (GULEC e COLLINS 2014). A sua falta pode resultar em anemia devido ao comprometimento na mobilização do ferro pelo fígado. Por outro lado, a vitamina E desempenha um papel de antioxidante primário, resguardando os eritrócitos do estresse oxidativo e diminuindo a hemólise em anemias hemolíticas (Traber et al., 2022). Pesquisas realizadas com crianças com anemia falciforme indicam que o suplemento de vitamina E diminui em 30% os episódios de crise hemolítica (Delesderrier et al., 2020).
O selênio, elemento presente na glutationa peroxidase, controla a reação inflamatória e diminui o estresse oxidativo em anemias ligadas a enfermidades crônicas (Rayman, 2012). Estudos sugerem que níveis reduzidos de selênio estão associados à anemia em pacientes com artrite reumatoide e doença renal crônica, possivelmente por causa do aumento da hepcidina (Zhou et al., 2021). A suplementação conjunta de selênio e ferro em animais mostrou um aumento mais expressivo nos níveis de hemoglobina em comparação ao ferro isolado (Xia et al., 2022).
Além de desempenhar um papel no metabolismo ósseo, a vitamina D controla a proliferação de progenitores eritroides na medula óssea (Smith et al., 2015). Pesquisas observacionais relacionam a falta de vitamina D a uma incidência elevada de anemia, particularmente em pessoas idosas e pacientes com insuficiência renal (Liu et al., 2015). Pesquisas clínicas controladas indicam que a adição de vitamina D3 (2000 UI/dia) em mulheres com anemia ferropriva potencializa a resposta ao tratamento com ferro (Sim et al., 2022).
Os ácidos graxos ômega-3, como EPA e DHA, controlam a fluidez da membrana dos eritrócitos, diminuindo a vulnerabilidade celular em anemias hemolíticas (Djuricic e Calder, 2024). A suplementação com ômega-3 em gestantes está ligada a um risco reduzido de anemia, devido à diminuição da inflamação sistêmica e ao aumento da disponibilidade de ferro (Middleton et al., 2018). Pesquisas com atletas que sofrem de anemia induzida por exercícios mostraram que o consumo de óleo de peixe (2g diariamente) prolonga a vida média dos eritrócitos em 15% (Von Schacky et al., 2022).
A microbiota do intestino afeta diretamente a absorção de ferro e vitamina B12 por meio do controle do pH intestinal e da produção de metabólitos como o butirato (Yilmaz et al., 2018). Pesquisas clínicas utilizando Lactobacillus plantarum e Bifidobacterium longum apontaram um crescimento de 20 a 25% na absorção de ferro não-heme em mulheres com anemia (Apte et al., 2025). Esses resultados respaldam a utilização de probióticos como complemento na terapia tradicional para anemias carenciais (Yadav et al., 2022).
A interação entre micronutrientes é crucial para o êxito terapêutico. Por exemplo, a vitamina C potencializa a absorção de ferro não heme ao converter o férrico (Fe3+) em ferroso (Fe2+), uma forma mais biodisponível (Li N et al., 2020). Igualmente, o uso combinado de ferro e vitamina A em grávidas mostrou maior efetividade no aumento da hemoglobina do que a terapia isolada (Oliveira et al., 2022). No entanto, interações adversas, como a obstrução da absorção de ferro pelo cálcio e polifenóis, devem ser levadas em conta no planejamento alimentar (Petry et al., 2016). Programas de suplementação alimentar, como a incorporação de ferro e ácido fólico em farinhas, têm se mostrado eficientes na diminuição da anemia (Anvisa, 2022).
Quadro 3 – Benefícios dos micronutrientes
| Autor | Publicação | Vitaminas e Minerais | Benefícios Observados |
| Zimmermann et al. | 2006 | Ferro, Zinco, Vitamina A | Aumento significativo nos níveis de hemoglobina e redução da anemia em crianças. |
| Low et al. | 2016 | Ferro | Suplementos de ferro reduzem a prevalência de anemia e deficiência de ferro e aumentam os níveis de hemoglobina no sangue e nos estoques de ferro. |
| De-Regil et al. | 2011 | Ferro | A suplementação intermitente de ferro é eficaz para melhorar as concentrações de hemoglobina e reduzir o risco de anemia ou deficiência de ferro em crianças menores de 12 anos. |
| Sazawal et al. | 2006 | Ferro + Zinco + Multivitaminas | Efeito positivo na hemoglobina, mas zinco isolado teve menor impacto. |
As pesquisas examinadas, de maneira integrada, corroboram de forma consistente a hipótese de que intervenções nutricionais combinadas apresentam eficácia consideravelmente superior no enfrentamento da anemia em comparação com a suplementação isolada de micronutrientes. As descobertas de Zimmermann et al. (2006) e Sazawal et al. (2006) são especialmente esclarecedoras nesse contexto, evidenciando que a combinação de ferro, zinco e vitamina A (ou multivitaminas) gera resultados mais eficazes na recuperação dos níveis de hemoglobina em crianças, em relação à administração de zinco isoladamente. A preponderância da abordagem multinutriente sustenta as constatações de estudos anteriores, como os realizados por Pasricha et al. (2010), que igualmente registraram aprimoramentos hematológicos mais significativos em crianças que receberam suplementação com uma mistura de micronutrientes. A convergência desses achados indica que a anemia, muitas vezes de origem multifatorial, requer uma abordagem igualmente diversificada para sua efetiva resolução, especialmente em populações pediátricas vulneráveis nas quais ocorrem diversas deficiências de forma concomitante.
No âmbito da saúde materna, os achados de Cordeiro et al. (2025) e De-Regil et al. (2011) convergem de maneira significativa, ressaltando a importância da suplementação de ferro e ácido fólico. Esses resultados estão em conformidade com as orientações de entidades internacionais de saúde, que há anos sugerem essa combinação como a base fundamental do cuidado pré-natal. A inserção da vitamina B12, é fundamental, pois ressalta a importância de levar em conta as anemias megaloblásticas, além das ferroprivas, ao elaborar estratégias de intervenções nutricionais voltadas para gestantes. A referida abordagem mais extensa encontra respaldo em Martins et al. (2025), cujas pesquisas com idosos evidenciaram que a correção de anemias de múltiplas etiologias, por meio do uso de ferro, vitamina B12 e ácido fólico, é fundamental para uma recuperação hematológica satisfatória.
Um dos aspectos mais significativos que se destaca na literatura é a relevância das interações sinérgicas entre os nutrientes, um aspecto de forma exemplar demonstrado por Low et al. (2016). A evidência de que a vitamina C potencializa a absorção de ferro e provoca aumentos mais significativos nos níveis de hemoglobina oferece uma fundamentação mecânica que justifica a eficácia das formulações combinadas. Esse princípio está alinhado com as descobertas de Stoffel et al. (2017), que também relataram um sucesso considerável ao combinar ferro e vitamina C em indivíduos adultos. A implicação prática é significativa: a eficácia de um programa de suplementação não se limita apenas à presença dos nutrientes adequados, mas também à sua formulação estratégica, visando otimizar a biodisponibilidade e o efeito sinérgico.
Em síntese, o conjunto de evidências apresentado por esses autores estabelece um consenso substancial: as políticas públicas e as intervenções clínicas voltadas para a erradicação da anemia devem dar prioridade a formulações de múltiplos micronutrientes em detrimento da suplementação isolada. A interação entre ferro, zinco, vitaminas A, B12, C e ácido fólico, conforme evidenciado, apresenta uma abordagem de custo reduzido e impacto elevado que pode tratar simultaneamente as diferentes origens nutricionais da anemia. A ampla aplicação de intervenções integradas, especialmente durante o pré-natal e em grupos pediátricos vulneráveis, constitui uma das estratégias mais promissoras para diminuir a incidência global da anemia e suas repercussões sobre a saúde e o desenvolvimento.
3.3 Estratégias de suplementação nutricional no manejo da anemia
A suplementação nutricional é uma das intervenções mais importantes para o controle da anemia, particularmente em grupos vulneráveis. Pesquisas indicam que as intervenções de suplementação preventiva com ferro podem diminuir em até 40% a incidência de anemia em crianças de 6 a 24 meses (De-Regil et al., 2011). A Organização Mundial da Saúde sugere a suplementação intermitente semanal de ferro para crianças em regiões endêmicas, uma tática que demonstrou eficácia equivalente à suplementação diária, com menor ocorrência de efeitos colaterais (WHO, 2020). Na gravidez, recomenda-se a suplementação diária de 30-60 mg de ferro elementar, juntamente com 400 μg de ácido fólico, como medida ideal para prevenir a anemia gestacional e suas complicações (Pena Rosas et al., 2015).
A suplementação precoce com ferro (1-2 mg/kg/dia) em recém-nascidos anêmicos, além de corrigir a anemia, elevou em 5,3 pontos os escores cognitivos aos 24 meses(Bahbah et al. 2025). Pesquisas de neuroimagem indicaram que crianças que receberam suplementação tiveram um volume hipocampal aumentado e maior conectividade cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória (Gisslen et al., 2023). No entanto, é preciso ter cuidado ao suplementar profilaticamente em indivíduos não-anêmicos, já que o excesso de ferro pode causar estresse oxidativo neuronal (Dobbing et al., 2021).
Os suplementos de ferro possuem variações notáveis na biodisponibilidade e tolerabilidade. Apesar de ser a formulação mais empregada, o sulfato de ferro está relacionado a um alto índice de reações adversas gastrointestinais em até 40% dos usuários (Tolkien et al., 2015). Fórmulas alternativas como fumarato de ferro e gluconato de ferro oferecem uma melhor tolerância, contudo, sua biodisponibilidade é um pouco mais baixa (Powers et al., 2021). Recentemente, os complexos de ferro lipossomal e o ferro micro-encapsulados têm mostrado uma absorção excepcional com efeitos colaterais mínimos, apesar de seu preço ainda restringir sua utilização em grande escala (Shahanaz et al., 2023). A estratégia de múltiplos micronutrientes tem sido cada vez mais utilizada no tratamento da anemia, levando em conta as deficiências nutricionais simultâneas. A união do ferro à vitamina C potencializa a absorção do ferro não-heme em 30 a 50%, o que potencializa os efeitos terapêuticos (Teucher et al., 2004). Pesquisas clínicas indicam que a suplementação conjunta de ferro, vitamina A e zinco leva a um aumento mais expressivo dos níveis de hemoglobina em crianças pré-escolares, em comparação com a suplementação apenas de ferro (Petry et al., 2016). No entanto, a interação entre micronutrientes exige precauções, como o fornecimento separado de ferro e zinco para prevenir a competição na absorção intestinal (Chowdhury et al., 2025).
Tecnologias inovadoras estão transformando as táticas de suplementação para o controle da anemia. Em pesquisas recentes, nanopartículas de ferro mostraram uma biodisponibilidade até três vezes superior às formulações convencionais, resultando numa diminuição considerável dos efeitos colaterais (Kumari et al., 2023). A adição de ferro encapsulado em alimentos básicos tem se mostrado eficiente para aumentar a ingestão de nutrientes sem modificar as propriedades sensoriais dos produtos (Man et al., 2022). Ademais, a biofortificação de culturas agrícolas, como feijão e arroz com alto teor de ferro, surge como uma tática sustentável para evitar a anemia em comunidades rurais (Saltzman et al., 2021).
Programas de enriquecimento obrigatório de farinhas com ferro (44,5 mg/kg) e ácido fólico (150 μg/100g) diminuíram em 32% a incidência de anemia em nações da América Latina (Cardoso et al., 2019). A fortificação de farinhas no Brasil, iniciada em 2004, resultou na redução de 25% dos casos de anemia ferropriva em crianças (Brasil, 2015). Tecnologias emergentes, como a encapsulagem de ferro com fosfolipídeos em óleos vegetais, asseguram a estabilidade do nutriente sem modificar suas propriedades organolépticas (Md et al., 2025).
A terapia intravenosa com ferro tem se mostrado eficaz no tratamento de anemias severas (Hb < 9 g/dL) ou má absorção intestinal, proporcionando uma recuperação mais ágil (2-4 semanas) em comparação à via oral (Mokhtar et al., 2023). Complexos atuais, como a férrica derisomaltose, possibilitam a administração de doses totais (1.000 mg) em 15 a 30 minutos, com um risco mínimo de reações alérgicas (<0,1%) (Wolf et al., 2021). Pesquisas em mulheres grávidas com anemia refratária indicaram que a suplementação IV aumentou a hemoglobina em média 2,8 g/dL em 4 semanas, em contraste com 1,2 g/dL com terapia oral (Pfeiffer et al., 2025).
Embora os programas de suplementação tenham benefícios comprovados, eles encontram consideráveis obstáculos para sua implementação. A baixa aderência aos suplementos, principalmente devido a efeitos colaterais e falta de conscientização, diminui consideravelmente a efetividade das intervenções (Seck & Jackson, 2007). Uma pesquisa multicêntrica em nações em desenvolvimento mostrou que apenas 40-60% das grávidas seguem o regime de suplementação recomendado (Sununtnasuk et al., 2021). Outros obstáculos envolvem a distribuição imprópria de suplementos, ausência de supervisão dos programas e problemas no reconhecimento exato do tipo de anemia antes da suplementação (Young et al., 2022).
Os índices de desistência variam de 30 a 60% em adultos e os fatores relatados mais relevantes incluem reações adversas gastrointestinais (náuseas, constipação) em 45% dos usuários e métodos de dosagem complicados (Desta et al., 2019; Ribeiro et al., 2023). Métodos como a instrução nutricional aliada ao acompanhamento de agentes comunitários de saúde elevaram a adesão em 35% em pesquisas no Brasil (Santos et al., 2021). Os medicamentos de liberação prolongada e a administração em dias alternados surgem como opções promissoras para aprimorar a tolerância (Zimmermann et al., 2006).
O monitoramento em laboratório é crucial para verificar a efetividade da suplementação e direcionar modificações terapêuticas. A medição da hemoglobina 4- 8 semanas após a suplementação permite avaliar a resposta inicial, prevendo-se um acréscimo de pelo menos 1 g/dL (Pfeiffer et al., 2025). Marcadores como ferritina sérica e receptor de transferrina solúvel são eficazes para distinguir a anemia ferropriva de outras causas e acompanhar a reposição dos níveis de ferro (Camaschella, 2015). A escassez de acesso a testes laboratoriais em áreas isoladas tem estimulado a criação de aparelhos portáteis para a medição de hemoglobina, simplificando a supervisão em campo (An R et al., 2021).
O monitoramento da suplementação deve abranger exames de hemograma periódicos (a cada 4 semanas) e medição de ferritina para verificar a reposição dos estoques (Camaschella et al., 2020). A ausência de resposta após 8 semanas(crescimento de menos de 1 g/dL de Hb) indica: diagnóstico incorreto (25% dos casos), comorbidades inflamatórias (40%) e má adesão (35%) (DeLoughery et al., 2025). Biomarcadores como a hepcidina sérica (<20 ng/mL) predizem melhor resposta à suplementação oral (TUNKARA-BAH, 2023).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os achados desta pesquisa confirmam que a suplementação de micronutrientes, especialmente ferro, vitaminas A, B12 e ácido fólico, constitui uma intervenção eficaz para aumentar os níveis de hemoglobina em pacientes com anemia. A avaliação revelou que o benefício mais expressivo é obtido mediante combinações sinérgicas, como a união entre ferro e vitamina C, a qual potencializa a absorção e a utilização desse mineral, gerando melhorias hematológicas relevantes. Entretanto, a eficácia da suplementação não é uniforme, apresentando variações de acordo com a etiologia da anemia e as características particulares do paciente, tais como idade, sexo e condição fisiológica, evidenciando que uma abordagem padronizada e generalizante é inadequada.
Diante dessas evidências, conclui-se que a suplementação deve ser realizada de maneira estratégica e individualizada, idealmente após um diagnóstico preciso das carências, a fim de direcionar a terapia. Para alcançar um impacto sustentável, essa intervenção deve ser combinada com outras ações, tais como programas de educação nutricional e a fortificação de alimentos. Pesquisas adicionais são necessárias para o aprimoramento das dosagens, dos esquemas posológicos e para investigar a função de outros micronutrientes, com o objetivo de desenvolver estratégias mais eficazes e personalizadas para o controle da anemia em escala global.
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1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: hellenleal612@gmail.com
²Orientadora do TCC, Mestre em Ciência da Saúde pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: rebeca.figueiredo@fametro.edu.b
3Coorientador do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br
