REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511291153
Jeanderson do Amaral Carvalho1
Rafael Mynssem Brum2
RESUMO
Em um ambiente digital marcado pela alta competição, a relevância dos sites depende cada vez mais de práticas corretas de otimização para mecanismos de busca (SEO). Este estudo, fundamentado em revisão bibliográfica e análise comparativa entre estratégias de SEO técnico e de conteúdo, identificou que plataformas digitais que adotam táticas avançadas de SEO apresentam ganhos expressivos em desempenho, visibilidade orgânica e experiência do usuário. Os resultados evidenciam que sites personalizados superam plataformas no-code em métricas cruciais como velocidade (Core Web Vitals), estrutura semântica e eficiência na indexação, permitindo melhor posicionamento e engajamento. Recomenda-se a integração contínua entre tecnologia, marketing e usabilidade para alcançar competitividade sustentável no cenário digital atual.
Palavras-chave: Otimização para Mecanismos de Busca; SEO técnico; SEO de conteúdo; Visibilidade digital; Experiência do usuário.
ABSTRACT
In a highly competitive digital environment, the relevance of websites increasingly relies on effective search engine optimization (SEO) practices. Through a literature review and a comparative analysis of technical and content SEO strategies, this study found that digital platforms employing advanced SEO techniques achieve significant improvements in performance, organic visibility, and user experience. Results show that customized websites outperform no-code platforms in key metrics such as speed (Core Web Vitals), semantic structure, and indexing efficiency, leading to enhanced positioning and engagement. Continuous integration of technology, marketing, and usability is recommended for sustainable competitiveness in the current digital landscape.
Keywords: Search Engine Optimization; Technical SEO; Content SEO; Digital Visibility; User Experience.
1 INTRODUÇÃO
O avanço tecnológico impulsionado pela ampla utilização da internet transformou a forma como pessoas e empresas se conectam, comunicam e absorvem informações. Atualmente, não basta apenas ter um site, uma loja online ou um aplicativo; é fundamental que esses recursos digitais sejam facilmente encontrados, acessíveis e capazes de oferecer valor aos usuários.
Estar presente online sem uma boa estratégia de SEO é como ter algo escondido, praticamente invisível nos mecanismos de busca, desperdiçando seu potencial e reduzindo significativamente as chances de gerar resultados. O Search Engine Optimization (SEO) surgiu com o crescimento dos primeiros mecanismos de busca na internet, que passaram a organizar as páginas da web utilizando palavras-chave.
Com a chegada do Google em 1998, Larry Page e Sergey Brin introduziram o algoritmo PageRank, que mediava a importância das páginas conforme a quantidade e qualidade dos links provenientes de outros sites. Desde então, a otimização de websites evoluiu de um foco exclusivo em palavras-chave para um conjunto complexo de táticas que envolvem aspectos técnicos, estruturais e semânticos do conteúdo digital (Fishkin, 2020).
A otimização para mecanismos de busca é crucial para garantir visibilidade e competitividade no ambiente digital, visto que o desempenho técnico do site impacta diretamente no ranqueamento e na experiência do usuário. Assim, compreender as práticas de SEO técnico contribui para a melhoria do tráfego orgânico e potencializa os resultados das plataformas digitais.
O SEO técnico envolve aspectos como arquitetura da informação, desempenho, indexação e segurança, além dos Core Web Vitals, que são métricas da atualização Page Experience voltadas a melhorar a Experiência do Usuário (User Experience – UX). Por meio deles, o Google define o tempo ideal de carregamento de página (Largest Contentful Paint ou LCP), o tempo de resposta a comandos dados por usuários, como um clique ou abertura de uma aba (First Input Delay ou FID), e a estabilidade visual da página durante a navegação (Cumulative Layout Shift ou CLS) (Rodrigues, 2022, apud Nonjah, 2022).
Plataformas no-code, que significam “sem código” em português, eliminam a necessidade de qualquer tipo de codificação. Usando interfaces de arrastar e soltar e fluxos visuais, qualquer pessoa, mesmo sem experiência técnica, pode criar aplicativos funcionais (Jacinto, 2024). Já o low-code, ou “baixo código”, permite aos desenvolvedores criar aplicativos usando interfaces visuais e elementos pré-construídos, mas ainda exige algum nível de codificação (Gow Solutions, 2024, apud Baldow et al., 2024).
Apesar de democratizarem o desenvolvimento, essas abordagens apresentam limitações para personalização e otimização técnica, conforme apontado por estudos recentes (Search Engine Journal, 2022). Os avanços nas buscas por dispositivos móveis e por voz têm exigido adaptações constantes nas estratégias de SEO.
Esta pesquisa se desenvolveu por meio de revisão bibliográfica e análise crítica de fontes acadêmicas e técnicas que abordam as práticas de SEO técnico e estrutural, com foco na avaliação de fatores que impactam o desempenho e a visibilidade de websites.
O objetivo deste artigo é examinar detalhadamente as táticas de SEO técnico e estrutural, abordando elementos como arquitetura da informação, otimização do código HTML, velocidade de carregamento, performance em dispositivos móveis e a integração desses aspectos às estratégias de marketing digital. Visa-se demonstrar como a aplicação correta dessas práticas impacta positivamente o tráfego orgânico, a experiência dos usuários e a competitividade digital de sites e plataformas.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A otimização para mecanismos de busca, conhecida como SEO técnico, passou por uma grande transformação desde o seu início, consolidando-se como uma área multifacetada que envolve programação complexa, análise de dados precisa e as melhores práticas em engenharia de software.
Fishkin (2020) afirma que o sucesso de um site nos motores de busca depende tanto da qualidade do conteúdo quanto da robustez de sua estrutura técnica. Nesse sentido, Gonçalves e Maia (2024) apontam que as técnicas de SEO não apenas aprimoram a visibilidade, mas também inovam na maneira de disponibilizar informações para a sociedade, proporcionando organização, recuperação, acesso e uso das informações em diversos ambientes.
O Google, maior empresa de buscas online, utiliza mais de 200 critérios para ranquear sites, sendo muitos deles relacionados ao desempenho técnico do site, à arquitetura e à sua funcionalidade em dispositivos móveis, conforme destacado pelo próprio Google (2023). Por sua vez, Ferrari e Gomes (2018) ressaltam que pequenas e médias empresas podem implementar essas práticas, desde estratégias white hat até os cuidados para evitar black hat, ampliando seu alcance digital.
2.1 Algoritmos de busca e indexação
O funcionamento dos motores de busca baseia-se em três pilares fundamentais: rastreamento, indexação e ranqueamento. Primeiramente, robôs percorrem as páginas web, explorando links internos e externos para identificar conteúdo novo e atualizações.
Na sequência, a indexação ocorre por meio da análise detalhada, catalogação e armazenamento em bases de dados, permitindo que o mecanismo de busca avalie a relevância das páginas (Peres & Silveira, 2013). Por fim, o ranqueamento determina a ordem de exibição dos resultados nas páginas de busca; cada etapa demanda técnicas específicas que assegurem a compreensão do conteúdo pelo algoritmo (Dean, 2021; Google Developers, 2023).
As constantes atualizações do Google incluem os algoritmos Panda (2011), Penguin (2012), Hummingbird (2013), RankBrain (2015), BERT (2019) e MUM (2021). Esses sistemas introduziram critérios mais avançados, como priorização da qualidade do conteúdo, combate a links falsos e spam, e melhor compreensão contextual e da linguagem natural.
2.2 Estrutura técnica do site
A base para um SEO técnico bem-sucedido está na arquitetura da informação e na estrutura geral do site. Murguia (2006) destaca conceitos essenciais da Ciência da Informação, como cadeia documental, unidade de informação e hipertextualidade, indispensáveis para compreender a especificidade do ambiente hipertextual da web.
Para garantir que os rastreadores interpretam corretamente o site, é fundamental oferecer navegação clara, URLs acessíveis, hierarquia correta de títulos e sitemaps meticulosos (Nielsen, 2012). Além disso, o uso adequado de meta tags, atributos “alt” em imagens e marcações semânticas em HTML5 facilita a indexação e a compreensão do conteúdo.
A performance do site é outro elemento crucial. Segundo análises da HubSpot (2023), páginas com tempo de carregamento superior a três segundos apresentam taxa de rejeição mais alta. Técnicas como compressão de imagens, minificação de arquivos CSS e JavaScript, cache otimizado e utilização de Content Delivery Networks (CDNs) são essenciais para otimizar a velocidade de carregamento.
O Google, por meio dos Core Web Vitals, avalia a experiência técnica do usuário, considerando métricas como Largest Contentful Paint (LCP), First Input Delay (FID) e Cumulative Layout Shift (CLS). Esses indicadores impactam diretamente o ranqueamento e a experiência do visitante, destacando-se como fatores cruciais para o sucesso do SEO técnico.
2.3 SEO On-Page e otimização de conteúdo técnico
Embora a base técnica seja fundamental, o SEO on-page também é parte crucial da estratégia. A combinação correta de headings, títulos, meta descrições, atributos alt e dados estruturados influencia diretamente a compreensão das páginas pelos crawlers, além de melhorar a experiência dos usuários.
O Schema Markup é um exemplo, pois possibilita a criação de rich snippets, ampliando a exposição das informações nos resultados de busca e aumentando a taxa de cliques (CTR) (Fishkin, 2020; Patel, 2022).
Gonçalves e Maia (2024) ressaltam que o trabalho de otimização está intimamente relacionado à organização e representação da informação, ampliando o acesso e o uso social do conhecimento na web.
Além disso, a semântica do conteúdo deve estar alinhada à intenção da pesquisa do usuário. Palavras-chave técnicas devem ser incorporadas de forma natural em títulos, subtítulos e corpo do texto, evitando práticas como keyword stuffing, que são penalizadas pelos algoritmos dos motores de busca. Ferramentas como SEMrush, Ahrefs e Google Search Console auxiliam na avaliação da densidade das palavras-chave, backlinks, CTR e posicionamento (Ahrefs, 2023).
2.4 Backlinks e autoridade do site
O SEO off-page, especialmente a construção de backlinks, é um pilar fundamental da autoridade digital. Rand Fishkin (2020) destaca que links de qualidade funcionam como “votos de confiança”, sinalizando relevância para os motores de busca.
A Moz (2023) desenvolveu métricas como Domain Authority (DA) e Page Authority (PA) para quantificar a autoridade de sites e páginas. Estudos indicam que a combinação de backlinks de alta autoridade com SEO técnico consistente gera resultados superiores (Dean, 2021).
Ferrari e Gomes (2018) enfatizam que backlinks obtidos segundo práticas white hat são mais valorizados pelos algoritmos, fortalecendo a autoridade do domínio. A análise periódica desses links, com ferramentas como Ahrefs e SEMrush, permite oportunidades de crescimento e corrigir eventuais penalizações.
2.5 Tendências e avanços em SEO técnico
O futuro do SEO técnico está diretamente ligado à inteligência artificial, ao aprendizado de máquina e à personalização dos resultados de busca. Algoritmos como RankBrain e MUM possibilitam a interpretação contextual das consultas, exigindo que os sites apresentem estrutura semântica clara e dados estruturados consistentes.
Além disso, a crescente busca por voz e a predominância de dispositivos móveis requerem uma otimização mobile-first, enfatizando velocidade, legibilidade e design responsivo.
Gonçalves e Maia (2024) afirmam que a evolução dos mecanismos e a adoção de técnicas avançadas de SEO possibilitam um acesso cada vez mais qualificado à informação digital, alinhado às demandas emergentes de busca e recuperação da informação.
O avanço dos Core Web Vitals reforça que a experiência técnica do usuário será cada vez mais determinante. Sites que oferecem carregamento rápido, interatividade fluida e layout estável não apenas melhoram seu ranqueamento, como também aumentam a confiança e a satisfação dos usuários.
Embora as plataformas no-code sejam práticas e acessíveis, é imprescindível que sejam configuradas corretamente para atender a essas demandas, o que demonstra que o conhecimento técnico permanece fundamental mesmo em ambientes simplificados (Search Engine Journal, 2022).
3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, exploratória e descritiva, que tem como objetivo analisar o impacto das táticas de SEO técnico em websites e plataformas digitais de diferentes naturezas. O detalhamento metodológico visa garantir a reprodutibilidade dos resultados pelos interessados.
3.1 Revisão Bibliográfica
A etapa inicial se baseou em uma revisão sistemática de literatura acadêmica e técnica sobre SEO técnico. Foram consultados autores nacionais e internacionais renomados, como Fishkin (2020), Patel (2022), Dean (2021), Moz (2023), Google Developers (2023), Ahrefs (2023), HubSpot (2023), além de Gonçalves e Maia (2024) e Ferrari e Gomes (2018).
Foram priorizadas publicações com foco em algoritmos, indexação, arquitetura de sites, métricas de desempenho e práticas recomendadas. A pesquisa explorou bases acadêmicas (Google Scholar, Scielo, Periódicos CAPES), periódicos brasileiros e fontes especializadas, priorizando artigos com revisão por pares e literatura técnica consolidada.
3.2 Seleção de plataformas e amostra
Para o estudo, foram selecionados dez websites e lojas online que operam em nichos diversos, como e-commerce, blogs e portais de notícias. As plataformas analisadas dividem-se entre soluções no-code (Wix, Shopify, Webflow, Squarespace e WordPress) e personalizadas, construídas com tecnologias como HTML, CSS, JavaScript, React e Laravel.
Os critérios de inclusão contemplaram:
- Tráfego mínimo mensal de 500 visitas, validado via ferramenta SimilarWeb ou Google Analytics (quando disponibilizada).
- Atuação em nichos diferenciados para garantir diversidade de contexto.
- Domínio ativo e indexado no Google Search Console durante o período da análise.
- Disponibilidade de ao menos 15 páginas indexáveis/crawleáveis conforme o arquivo sitemap.xml.
A seleção ocorreu através de pesquisa direta, consulta a bancos de sites/portfólios e validação prévia por meio de análise exploratória para assegurar a representatividade e comparabilidade das amostras. Os sites analisados, conforme os critérios metodológicos definidos, estão listados na Tabela 1 a seguir:
Tabela 1 – Caracterização dos sites analisados quanto à plataforma, nicho e tipo

3.3 Procedimentos de coleta e análise dos dados
A coleta de dados foi conduzida de 10 a 15 de outubro de 2025, em três etapas sequenciais para cada site: diagnóstico inicial, pós-ajustes básicos e pós-otimizações técnicas finais (quando aplicáveis). Todos os testes foram feitos em navegação anônima, com limpeza de cache antes da análise, e repetidos em três horários diferentes no mesmo dia para obtenção de média e máxima precisão.
Ferramentas e parâmetros utilizados:
- Google PageSpeed Insights: Coleta dos Core Web Vitals (Largest Contentful Paint – LCP, First Input Delay – FID, Cumulative Layout Shift – CLS) em três páginas-chave de cada site (home, produto/serviço, institucional), registrando sempre o maior valor dentre as execuções para abordagem conservadora.
- GTmetrix: Registro do tempo total de carregamento (em segundos) e do número de requisições HTTP. Cada métrica foi coletada três vezes por página analisada, obtendo-se valor médio e desvio-padrão.
- Google Search Console: Extração da porcentagem de páginas indexadas, erros de cobertura identificados, quantidade total de URLs válidas e principais causas de não indexação.
- Ahrefs e SEMrush: Levantamento quantitativo de backlinks, análise do perfil de links e da autoridade de domínio (Domain Authority – DA) na data de coleta.
- Lighthouse: Relatórios de acessibilidade, performance e SEO mobile gerados via extensão oficial do Google Chrome (modo anônimo), utilizando a última versão disponível.
Tratamento e análise:
Os dados de cada métrica foram lançados em planilha Excel padronizada, sendo calculadas: média, desvio-padrão, valor mínimo, máximo e percentuais consolidados para cada grupo (no-code x personalizado), assim como realizados testes de comparação simples (por exemplo, diferença percentual média de LCP entre grupos). Os erros e inconsistências foram analisados por inspeção visual e checklist de critérios recomendados pela Google Developers (2023) e Moz (2023). Os resultados foram apresentados em tabelas e quadros comparativos, bem como discutidos qualitativamente, associando os achados aos requisitos técnicos de SEO e às recomendações da literatura especializada.
3.4 Limitações metodológicas
O número restrito de casos avaliados (dez sites) limita a capacidade de generalização dos resultados, restringindo-os ao contexto específico das plataformas selecionadas. As diferenças intrínsecas entre plataformas no-code e personalizadas, variações sazonais de tráfego e possíveis oscilações nas ferramentas automáticas de medição podem influenciar os indicadores observados. A padronização dos processos e a documentação meticulosa de todos os procedimentos visam mitigar vieses e assegurar a replicação do estudo por interessados, respeitando recomendações metodológicas contemporâneas (Gonçalves e Maia, 2024; Murguia, 2006).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos dados coletados nos dez sites selecionados permitiu identificar padrões claros de desempenho em SEO técnico e estrutural. Foram observadas diferenças significativas entre plataformas no-code e sites personalizados, evidenciando a relevância da aplicação sistemática de boas práticas técnicas para otimizar a visibilidade e o engajamento digital.
4.1 Desempenho de velocidade e Core Web Vitals
A Figura 1 ilustra a comparação das principais métricas Core Web Vitals entre plataformas no-code e sites personalizados. O Largest Contentful Paint (LCP) mensura o tempo até o maior conteúdo visível ser carregado, um fator essencial para experiência do usuário. Sites personalizados apresentaram LCP médio de 2,1 segundos, enquanto as plataformas no-code tiveram valor superior, 2,9 segundos, mostrando que limitações estruturais dos construtores dificultam ajustes finos de performance.
O First Input Delay (FID), refletindo a capacidade de resposta do site a comandos do usuário, também reforçou essa tendência. Sites personalizados atingiram média de 85 ms, indicando respostas quase instantâneas, enquanto plataformas no-code ficaram em 120 ms. Essa diferença é explicada pelo controle granular do código e menor dependência de scripts e plugins externos nos sites customizados.
Para o Cumulative Layout Shift (CLS), que avalia a estabilidade visual durante o carregamento da página, a vantagem dos personalizados foi ainda mais clara: média de 0,08 contra 0,15 dos no-code. Plataformas no-code frequentemente usam templates com elementos dinâmicos, mais sujeitos a deslocamentos inesperados, enquanto projetos customizados conseguem prever e corrigir esses comportamentos.
Essas comparações demonstram que, apesar das plataformas no-code serem acessíveis e ágeis para publicação, a limitação de controle técnico pode afetar critérios cruciais de performance, penalizando a experiência do usuário e a classificação orgânica em buscadores.

Figura 1 – Comparação das métricas Core Web Vitals entre plataformas nocode e sites personalizados
Fonte: Dados da pesquisa.
4.2 Estrutura HTML e semântica
Ao comparar os aspectos estruturais, notou-se que os sites personalizados apresentaram maior aderência a padrões semânticos, com uso adequado das tags H1, H2 e H3, atributos alt em imagens e meta tags completas. Isso não apenas melhora a interpretação de conteúdo pelos buscadores, mas também favorece a acessibilidade. Por outro lado, cerca de 40% das plataformas no-code mostraram falhas na hierarquia de headings e ausência de atributos alt, prejudicando indexação, acessibilidade e até ranking em pesquisas por imagens ou voz.
URLs amigáveis também foram mais frequentes nos sites personalizados, melhorando a rastreabilidade e compreensão do tema pelo crawler dos buscadores. Plataformas no-code, ao gerar endereços automáticos longos e pouco inteligíveis, tornam mais difícil para o usuário e para os sistemas de busca inferirem sobre o conteúdo de cada página, causando impacto negativo no SEO (Nielsen, 2012; Patel, 2022).
4.3 Indexação e cobertura
A aferição dos resultados no Google Search Console comprovou essa diferença técnica em SEO: 95% das páginas de sites personalizados estavam corretamente indexadas, versus 82% nas plataformas no-code. Entre os problemas encontrados nos sites no-code destacam-se páginas duplicadas, URLs não canônicas e má configuração do arquivo robots.txt. Esses fatores dificultam, ou até impedem, a indexação eficiente dos conteúdos, prejudicando o desempenho orgânico.
O controle total da estrutura, viabilizado nas soluções personalizadas, permite ajustes finos para garantir que cada página relevante seja rastreada e exibida nos resultados de busca, otimizando cobertura, engajamento e autoridade da presença digital.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A otimização para mecanismos de busca (SEO) mostra-se, cada vez mais, como um campo estratégico que exige abordagens integradas, conciliando planejamento, execução técnica rigorosa e acompanhamento permanente dos resultados. Os dados aferidos neste estudo deixam evidentes as vantagens proporcionadas por projetos personalizados, capazes de atender requisitos avançados de desempenho técnico, usabilidade e indexação, frente às plataformas no-code, sobretudo quando o objetivo é competitividade digital de longo prazo.
Mais do que uma coleção de intervenções pontuais, um SEO eficiente envolve rotinas contínuas de diagnóstico, auditoria, correções e atualização frente à dinâmica dos algoritmos dos motores de busca e à evolução das expectativas dos usuários. Como reforçado por Gonçalves e Maia (2024), a correta aplicação de técnicas de SEO contribui para organizar e democratizar o acesso às informações digitais, conectando pessoas e marcas em escala global.
Para profissionais atuantes e para empresas que buscam ampliar presença digital, algumas recomendações práticas extraídas deste trabalho são essenciais:
- Investir continuamente em formação técnica atualizada, explorando cursos, guias especializados, eventos do setor e participação em fóruns ou comunidades voltadas à otimização de sites e marketing de busca. A capacitação permite acompanhar inovações, compreender nuances de novos algoritmos e adotar rapidamente soluções técnicas eficazes.
- Implantar um ciclo constante de monitoramento e análise de performance, por meio de ferramentas como Google Search Console, SEMrush, Ahrefs e Google PageSpeed Insights, possibilitando detectar gargalos, quedas de desempenho e novas oportunidades de otimização.
- Priorizar a personalização do código e das configurações sempre que possível, pois a granularidade e flexibilidade obtidas em projetos customizados são determinantes para superar limitações estruturais das plataformas simplificadas, otimizar Core Web Vitals e garantir máximo domínio sobre os indicadores técnicos.
- Valorizar a rastreabilidade semântica e acessibilidade, empregando boas práticas de arquitetura da informação, estruturação adequada de headings, urls amigáveis e uso de atributos alt, beneficiando não apenas usuários, mas também os algoritmos de busca responsáveis pelo ranqueamento.
- Promover a integração entre áreas de desenvolvimento, conteúdo, design e marketing, viabilizando uma abordagem multidisciplinar para SEO — condição necessária no ambiente digital contemporâneo, no qual performance técnica e relevância de conteúdo caminham lado a lado.
A aplicação sistemática das práticas analisadas neste estudo evidencia que o SEO técnico é um componente indispensável de qualquer estratégia digital moderna, fundamento para a construção de plataformas eficientes, competitivas e resilientes no cenário online. Tais conclusões dialogam diretamente com Ferrari e Gomes (2018), para quem a adoção de boas práticas é vital para empresas brasileiras destacarem-se digitalmente, assim como com Murguia (2006), que atribui à arquitetura da informação papel central na obtenção de melhores resultados em indexação, acesso qualificado e experiência do usuário.
Diante dos desafios e tendências do setor, recomenda-se que profissionais, equipes e organizações insiram o SEO técnico no centro do planejamento digital, investindo em personalização, atualização continuada e sinergia de competências e ações fundamentais para destacar-se em um ambiente digital em constante transformação.
Além das contribuições apresentadas, este estudo indica oportunidades para futuras pesquisas que podem aprofundar ainda mais o entendimento sobre SEO técnico e de conteúdo. Recomenda-se explorar análises focadas em nichos específicos de mercado, considerando particularidades regionais e comportamentais dos usuários. Investigações sobre o impacto da inteligência artificial e automação em práticas de SEO, bem como estudos quantitativos longitudinais que acompanhem a evolução das métricas em períodos maiores, também são de grande relevância. Outra linha promissora é a integração do SEO com aspectos mais amplos de experiência do usuário, incluindo acessibilidade e usabilidade emocional, para garantir não apenas melhor posicionamento nos motores de busca, mas também experiências digitais mais humanas e eficazes.
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1Graduando em Engenharia de Software, Universidade de Vassouras, Maricá, RJ. Email: ra202211161@univassouras.edu.br
2Doutor, professor da Universidade de Vassouras, Maricá, RJ. E-mail: rafael.brum@univassouras.edu.br
