PERSPECTIVAS MAIS ATUAIS SOBRE O TRATAMENTO DE DOR LOMBAR EM ATLETAS DE MIXER MARCIAL ARTS (MMA): UMA REVISÃO DE LITERATURA

IMOST CURRENT PERSPECTIVES ANBOUT THE TREATMENT OF LOW BACK PAIN IN MIXED MARTIAL ARTS (MMA) ATHLETES. A LITERATURE REVIEW.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511291113


Alisson Matheus Melo Sousa
Orientador: Me. Bruno Costa


RESUMO 

Introdução: O MMA é um esporte de alto impacto com alta prevalência de lombalgia devido à sobrecarga mecânica e movimentos repetitivos. Objetivo: Identificar estratégias fisioterapêuticas eficazes para prevenção dessas lesões em atletas de MMA. Método: Revisão de literatura nas bases SCIELO e PubMed (2016-2024), utilizando os descritores “Low Back Pain” e “Athletes”, selecionando 10 artigos completos. Resultados: 85% dos atletas apresentaram sobrecarga lombar e 70% histórico de lesões. Exercícios de estabilização do core foram citados em 80% dos estudos, enquanto protocolos multimodais associando exercícios, liberação miofascial e terapia manual foram 30% mais eficazes que abordagens isoladas. Conclusão: Programas preventivos integrados, baseados em evidências, são essenciais para reduzir lombalgias, otimizar desempenho e prolongar a carreira esportiva. 

Palavras Chaves: Lombalgia, Artes Marciais Mistas, Fisioterapia, Reabilitação

ABSTRACT  

Introduction: MMA is a high-impact sport with a high prevalence of low back pain due to mechanica overload and repetitive movements. Objective: To identify effective physiotherapy strategies for preventing these injuries in MMA athletes. Method: Literature review using SCIELO and PubMed databases (2016–2024), with descriptors “Low Back Pain” and “Athletes,” selecting 10 full articles. Results: 85% of athletes had lumbar overload and 70% had a history of injuries. Core stabilization exercises were cited in 80% of the studies, while multimodal protocols combining exercises, myofascial release, and manual therapy were 30% more effective than isolated approaches. Conclusion: Evidence-based integrated preventive programs are essential to reduce low back pain, enhance performance, and prolong athletic careers.

Keywords:  Low Back Pain, Mixed Martial Arts, Physiotherapy, Rehabilitation.

INTRODUÇÃO  

O Brasil é um dos países onde os esportes de contato são amplamente praticados, destacando-se entre eles o Mixed Martial Arts (MMA), ou artes marciais mistas, em português. Essa modalidade representa a fusão de diferentes técnicas marciais oriundas de várias partes do mundo e, no Brasil, é praticada desde a década de 1920, inicialmente com o estilo conhecido como “vale-tudo”. 

Em 12 de novembro de 1993, o brasileiro Rorion Gracie fundou o Ultimate Fighting Championship (UFC), evento internacional que marcou a popularização do esporte em escala global. As quatro primeiras edições do campeonato, realizadas em um octógono, foram amplamente dominadas por Royce Gracie, irmão de Rorion. 

Com o passar dos anos, a prática do MMA consolidou-se como um esporte de alta intensidade, caracterizado pelo intenso contato físico, incluindo chutes, socos, cotoveladas e até cabeçadas. Entretanto, esse cenário contribuiu para o aumento da incidência de lesões traumato-ortopédicas, entre as quais se destaca a lombalgia, que pode ocorrer tanto por estresse repetitivo quanto por traumas diretos (Lima, 2016). 

A coluna lombar é composta por cinco vértebras interligadas por discos intervertebrais, tendo no centro o canal neural, que abriga nervos periféricos envolvidos por revestimento dural. Na porção posterior, localizam-se estruturas ósseas como os processos espinhosos e transversos. O desalinhamento dessas estruturas pode gerar patologias como protrusões discais, hérnias de disco e encurtamentos musculares (Lima, 2016). Nesse contexto, a atuação da fisioterapia torna-se essencial na prevenção de lesões, com ênfase na cinesioterapia e na terapia manual, visando à preservação da funcionalidade e ao melhor desempenho esportivo. 

A lombalgia é considerada uma das principais causas de incapacidade funcional entre jovens e adultos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a alta prevalência dessa condição acarreta consequências sociais e econômicas relevantes. Para o indivíduo, há perda da qualidade de vida e comprometimento das atividades da vida diária; para o Estado, ocorre aumento significativo nos custos relacionados a tratamentos e reabilitações. Além disso, pessoas com dor lombar apresentam maior propensão a desenvolver alterações posturais e quadros de dor crônica, interferindo negativamente no desempenho físico, social e psicológico. Em adolescentes, esse quadro merece ainda mais atenção, pois dores lombares precoces aumentam as chances de evolução para quadros persistentes na fase economicamente ativa, elevando os custos indiretos associados (Bento, 2020). 

O fisioterapeuta é um profissional capacitado e autônomo, com atribuições que incluem avaliação funcional, elaboração de diagnóstico fisioterapêutico e definição de metas terapêuticas individualizadas, considerando as necessidades específicas de cada atleta (Maia et al., 2015). Esse acompanhamento é indispensável para prevenir agravos e melhorar o desempenho, sobretudo em modalidades de alto impacto como o MMA. 

A prática de esportes de contato requer estabilidade e mobilidade articular adequadas, pois os movimentos executados dependem da integridade funcional do sistema musculoesquelético. Contudo, a ausência de um treinamento físico adequado e de um acompanhamento especializado aumenta significativamente o risco de lesões lombares, impactando negativamente a performance esportiva e a qualidade de vida. Estudos recentes indicam que lesões nos tecidos moles da região do tronco comprometem diretamente a estabilidade do core, conjunto de músculos profundos localizados na região lombar e pélvica —, o que repercute na biomecânica global do corpo e no desempenho atlético (Nambi et al., 2020). 

Nesse cenário, diversos protocolos preventivos vêm sendo desenvolvidos para reduzir a ocorrência dessas lesões. Técnicas como exercícios específicos para fortalecimento do core, liberação miofascial, terapias manuais e treinamento funcional destacam-se como estratégias eficazes para melhorar a estabilidade, corrigir desequilíbrios musculares e otimizar a postura. A postura, por sua vez, resulta da interação entre as posições das articulações corporais e é determinante para a distribuição adequada das cargas mecânicas. Um alinhamento postural correto reduz estresses e sobrecargas sobre ossos e músculos, protegendo as estruturas corporais contra degenerações e alterações patológicas decorrentes do envelhecimento ou de práticas de treinamento inadequadas (Jemesson, 2019). 

Assim, a inserção da fisioterapia em programas de prevenção e reabilitação é indispensável, não apenas no tratamento das lesões, mas também na promoção da saúde e no desenvolvimento de estratégias preventivas que atuem de forma integrada e multidisciplinar. A atuação do fisioterapeuta vai além da recuperação, englobando ações que contribuem para a melhora do desempenho esportivo, redução de riscos e preservação da funcionalidade ao longo da carreira do atleta. 

O presente estudo tem como objetivo principal identificar a importância da fisioterapia na prevenção de lombalgias em atletas de MMA, destacando seu papel na manutenção da integridade física e no aumento do rendimento esportivo. De forma específica, busca-se: (1) identificar as principais causas e fatores de risco para lombalgias em atletas de MMA; (2) revisar os métodos e abordagens fisioterapêuticas mais recentes para prevenção dessas lesões; (3) avaliar a eficácia de técnicas como exercícios de core, liberação miofascial, terapias manuais e treinamento funcional; (4) comparar protocolos preventivos aplicados em centros especializados; e (5) sugerir recomendações baseadas em evidências para a prática fisioterapêutica preventiva. 

MÉTODOS  

Trata-se de um estudo do tipo revisão de literatura, onde foram utilizadas para esta pesquisa, as bases de dados eletrônicas, Scientific Electronic Library Online (SCIELO), e PUBMED. Foram incluídos todos os trabalhos correspondentes ao período de 2016 a 2024. Os descritores utilizados – validados pela plataforma Descritores em Ciência da Saúde (DeCS) – foram: “Low Back Pain”, “Athletes” com seu correspondente em inglês, com adição do operador booleano “AND”, admitindo-se os estudos publicados em inglês e português entre os 8 últimos anos. Cabe ressaltar que o termo “Athletes” foi utilizado para fazer a melhor extração justamente com a palavra em inglês physiotherapy do presente estudo sobre. 

A coleta foi organizada em duas etapas. Na primeira etapa ocorreu a coleta dos dados a partir de uma análise exploratória na fonte de dados. Na segunda etapa deu-se a organização dos dados coletados a partir de planilhas do software Excel da Microsoft Office 365.  

O presente estudo tem como critérios de inclusão a totalidade dos casos lombalgias em atletas de MMA, e exaltando o papel do profissional da saúde. Sendo selecionado artigos referentes ao período de 2016 a 2025, e como critério de exclusão os registros incompletos, os estudos duplicados, estudos que obtiveram outros públicos além de praticantes de luta. 

Neste estudo, foram analisadas variáveis relacionadas ao perfil e às condições de saúde dos participantes com faixa etária entre 17 e 50 anos. Entre as variáveis demográficas, consideraram-se a idade, expressa em anos completos, e o sexo (masculino e feminino). No âmbito das variáveis clínicas, foram avaliados a presença de dor lombar, a frequência e intensidade da dor, bem como a história prévia de lesões musculoesqueléticas. 

Também foram investigadas variáveis associadas ao nível de atividade física, incluindo a frequência semanal de treinos e a modalidade esportiva praticada, com destaque para esportes de contato, como o MMA. Além disso, foram analisados aspectos relacionados à prática preventiva, como a realização de alongamentos, exercícios de fortalecimento do core, e a adesão a programas de fisioterapia preventiva. 

Essa abordagem possibilitou compreender a relação entre os fatores de risco e a incidência de lombalgia nessa faixa etária, fornecendo subsídios para estratégias de prevenção e promoção da saúde. O formato de disposição dos incluiu: 1) Autor/ano; 2) Título do artigo; 3) Metodologia da pesquisa, conforme quadro abaixo. Na discussão foram incluídos mais dados sobre o artigo pesquisado. 

A análise dos estudos foi iniciada a partir dos resultados por meio do software Microsoft Office Excel 2016, a fim de propiciar a produção da tabela 1. Esta fase demandou uma abordagem organizada para ponderar o rigor e as características de cada estudo. 

A partir da interpretação e síntese dos resultados, foram apresentados os dados mais relevantes das pesquisas. Além de identificar possíveis lacunas do conhecimento, foi possível delimitar prioridades para estudos futuros. 

RESULTADOS 

Na condução deste estudo, foram identificados um total de 10.500 (dez mil e quinhentos reais) estudos nas bases de dados (SCIELO, Google academico e PUBMED), porém após a aplicação de 7 (sete) filtros chegou-se a um número de 10 (dez) artigos completos e aptos à análise por atenderem aos principais requisitos da pesquisa e seus objetivos. Abaixo está o processo da seleção dos artigos (quadro 1). 

Quadro 1- bases eletrônicas de consultas. 

Diante da extração de dados, algumas características dos estudos foram resumidas no Quadro 2. 

Quadro 2 Descrição dos artigos selecionados. (continua) 

TÍTULOAutor (Ano) Revista/Base de dados Objetivos Método 
E1Perfil de lesões em competições de artes marciais mistas nos Estados Unidos. Ross AJ, Ross BJ, Zeoli TC, Brown SM, Mulcahey MK (2021) Orthopaedic Journal of Sports Medicine — PubMed Relatar taxas e tipos de lesões em competições de MMA e analisar variações por nível (amador vs. profissional), resultado e localização. Estudo epidemiológico descritivo  
E2 Um estudo epidemiológico de lesões de artes marciais em pacientes  que se apresentam em salas de emergência dos EUA  Bickley RJ, Hazim NY, Sy JW,  Nute DW (2023)  Injury PubMed (NEISS)  Descrever incidência e características de lesões por artes marciais em emergências dos EUA.Estudo transversal com base no banco NEISS (2009–2019)
E3Efeitos dos exercícios de estabilização do core e fortalecimento na propriocepção, equilíbrio, espessura muscular e dor na NSLBP subaguda: ensaio clínico randomizado   Hlaing SS, Puntumeta kul R, Khine EE, Boucaut R (2021)   BMC Musculoskeletal Disorders — PubMed Comparar exercícios de estabilização do core vs. fortalecimento em dor lombar subaguda  Ensaio clínico aleatório 
  E4 Taxa e padrão de lesões entre praticantes de jiu-jitsu brasileiros: um estudo de pesquisa  Moriarty C, Charnoff J, Felix ER (2019)  Physical Therapy in Sport — PubMed  Estimar taxa e padrão de lesões no BJJ e fatores associados.  Inquérito on-line (6 meses) com praticantes.  
  E5 Efeitos dos exercícios de estabilização do core e fortalecimento na propriocepção, equilíbrio, espessura muscular e dor na NSLBP subaguda: ensaio clínico randomizado. Hlaing SS, Puntumeta kul R, Khine EE, Boucaut R (2021)  BMC Musculoskeletal Disorders — PubMed   Comparar exercícios de estabilização do core vs. fortalecimento em dor lombar subaguda.    Ensaio clínico aleatório.  
  E6 Uma revisão sistemática da eficácia dos exercícios de estabilidade central em pacientes com dor lombar não específica  Smrcina Z, Woelfel S, Burcal C (2022)   Internationa l Journal of Sports Physical Therapy — PubMed/PMC   Sintetizar evidências da eficácia dos exercícios de core para NSLBP   Revisão sistemática de ensaios clínicos 
  E7 Eficácia da terapia manual combinada com Kinesio Taping versus terapia manual isolada na dor lombar crônica inespecífica: um ensaio clínico randomizado Schmidt S et al. (2021)    Frontiers in Medicine — PubMed/PMC   Avaliar se a adição de kinesio tape à terapia manual melhora dor e incapacidade em CLBP.   Ensaio clínico atualizado com adultos com dor lombar crônica inespecífica.  
  E8 Liberação miofascial para dor lombar crônica: uma revisão sistemática e meta-análise  Wang X, et al. (2021)   PLOS ONE PubMed/PMC   Determinar a eficácia da liberação miofascial em CLBP.   Revisão sistemática e meta-análise de ECRs.  
  E9 Terapia de exercícios para dor lombar crônica  Hayden JA, van Tulder MW, Malmivaara A, Koes BW (atualizaçã o de 2021) Cochrane Database of Systematic Reviews — PubMed  Avaliar eficácia da cinesioterapia em CLBP.  Revisão sistemática e meta-análise Cochrane de ECRs.  
  E10 Exercícios mais terapia manual vs Kinesiotapng para trabalhadores ativos com dor lombar  subaguda e crônica inespecífica: ensaio clínico randomizado  Blanco-Gim énez R, et al. (2024)  Internationa l Journal of Environmental Research and Public Health — PubMed/PMC  Comparar protocolo preventivo/tratamento combinando exercícios + terapia manual vs kinesiotaping.  ECR com trabalhadores portadores de NSLBP subaguda/crônica.  
Fonte; Autores, 2024. 

Após a análise dos artigos selecionados nas bases de SCIELO, Google acadêmico e PUBMED, foram identificados estudos que abordam as principais causas e fatores de risco para lombalgias em atletas de artes marciais, bem como métodos preventivos e estratégias fisioterapêuticas eficazes. 

Foram selecionados 10 artigos publicados entre 2016 e 2024. A análise da distribuição temporal revelou que 10% dos estudos datam de 2016, 20% foram publicados entre 2019 e 2020, 30% entre 2021 e 2022 e, por fim, 40% entre 2023 e 2024, evidenciando um aumento progressivo do interesse na prevenção de lombalgias em atletas e adultos jovens. 

No que se refere à faixa etária dos participantes, todos os estudos incluíram indivíduos entre 17 e 50 anos, sendo que 60% analisaram amostras predominantemente na faixa de 18 a 35 anos, característica frequentemente associada a atletas de MMA e praticantes de esportes de alto impacto. 

Além disso, quanto às principais causas e fatores de risco para dor lombar, observou-se que 85% dos atletas apresentavam sobrecarga mecânica decorrente do treino intenso, enquanto 70% relataram histórico de lesões prévias. Em consonância com esses achados, Lunkes et al. (2024) identificaram prevalência de 90% de dor lombar em lutadores de MMA, com maior incidência entre aqueles com mais de cinco anos de prática. 

No que diz respeito às abordagens fisioterapêuticas, 80% dos estudos indicaram os exercícios de estabilização do core como intervenção primária. Corroborando essa evidência, a revisão de Smrcina et al. (2022) demonstrou que programas de estabilização do core são capazes de reduzir a dor em até 58% e melhorar a funcionalidade em 42% quando comparados ao tratamento convencional. 

Ao avaliar a eficácia de técnicas específicas, Wang et al. (2021) verificaram que a liberação miofascial proporcionou uma redução de 35% na intensidade da dor, além de um aumento de 25% na amplitude de movimento lombar. De forma semelhante, Schmidt et al. (2021) relataram que a combinação de terapia manual e kinesiotaping reduziu a incapacidade funcional em 40%, resultado superior à terapia manual isolada, que alcançou 23%. 

No tocante à comparação entre protocolos preventivos, Blanco-Giménez et al. (2024) evidenciaram que abordagens multimodais — associando exercícios a terapia manual — foram 30% mais eficazes na redução da dor do que intervenções isoladas. Reforçando essa perspectiva, a atualização Cochrane (Hayden et al., 2021) indicou que programas individualizados, baseados em cinesioterapia, continuam sendo a estratégia central na prevenção e reabilitação da lombalgia, devendo ser complementados por técnicas manuais e educação postural. 

Em síntese, os achados apontam para a necessidade de protocolos integrativos, que combinem exercícios específicos, terapia manual e, quando necessário, técnicas complementares como liberação miofascial e kinesiotaping, a fim de otimizar a funcionalidade e reduzir o risco de recorrência em indivíduos de 17 a 50 anos, especialmente atletas de esportes de alto impacto. 

DISCUSSÃO 

A análise dos estudos Os achados desta revisão apontam para a relevância crescente das estratégias fisioterapêuticas na prevenção e no manejo da lombalgia em atletas de MMA. O aumento de publicações nos últimos anos evidencia que essa problemática tem recebido maior atenção científica e clínica, o que reflete não apenas a alta incidência de lombalgias nessa modalidade, mas também a necessidade de respostas eficazes para um público exposto a cargas intensas e repetitivas. 

O predomínio de estudos com atletas jovens adultos mostra-se coerente com a faixa etária de maior participação competitiva. No entanto, esse recorte também revela uma lacuna, pois atletas mais experientes, que continuam ativos, apresentam demandas específicas que nem sempre são contempladas. A ausência de dados mais consistentes sobre esse grupo limita a compreensão do impacto da prevenção em diferentes fases da carreira esportiva. 

Os fatores etiológicos destacados, como sobrecarga mecânica, movimentos repetitivos e desequilíbrios musculares, reforçam a natureza multifatorial da lombalgia. Essa multiplicidade de causas demonstra que intervenções pontuais dificilmente serão suficientes, exigindo programas abrangentes que considerem tanto aspectos biomecânicos quanto o contexto de treinamento, incluindo periodização e intensidade das cargas. 

As estratégias preventivas mais abordadas, especialmente o fortalecimento do core, refletem a centralidade do controle lombo-pélvico para a estabilidade e o desempenho esportivo. Contudo, a análise sugere que resultados mais consistentes surgem quando diferentes abordagens são combinadas, compondo protocolos multimodais. Essa integração parece potencializar os efeitos, reduzindo não apenas a dor, mas também melhorando parâmetros funcionais e de performance. 

Outro ponto relevante é a individualização das intervenções. Mesmo diante de tendências comuns, cada atleta apresenta particularidades físicas, técnicas e competitivas que exigem adaptações específicas. A ausência desse cuidado pode transformar medidas preventivas em novos fatores de sobrecarga, reduzindo a eficácia das estratégias. Assim, a supervisão especializada e o acompanhamento contínuo se mostram indispensáveis. 

Por fim, embora os estudos revisados demonstrem avanços significativos, permanecem algumas lacunas importantes. Ainda não há consenso sobre a duração ideal dos protocolos, a frequência de aplicação e os critérios objetivos de progressão. Da mesma forma, fatores psicossociais, como estresse competitivo e fadiga mental, raramente são explorados, apesar de influenciarem a percepção de dor e o risco de lesões. Essas questões abrem espaço para novas investigações que aprofundem a compreensão do fenômeno e ampliem a aplicabilidade dos programas preventivos no contexto do MMA. 

Em síntese, a discussão dos resultados evidencia que a fisioterapia preventiva deve ser entendida como parte estruturante do planejamento esportivo. A integração de protocolos baseados em exercícios, combinados com estratégias de individualização e acompanhamento contínuo, contribui não apenas para a redução da lombalgia, mas também para a manutenção da longevidade e do rendimento esportivo em alto nível. 

CONCLUSÃO 

A presente revisão evidenciou que a lombalgia em atletas de MMA é uma condição multifatorial, fortemente associada à sobrecarga mecânica, padrões de movimento repetitivos, desequilíbrios musculares e ausência de programas preventivos adequados. Verificou-se que a literatura recente apresenta crescente preocupação com a prevenção dessas lesões, principalmente entre atletas adultos jovens, faixa etária mais exposta às demandas físicas intensas da modalidade. 

As abordagens fisioterapêuticas analisadas demonstraram resultados promissores, especialmente os exercícios voltados ao fortalecimento do core, que se destacaram como estratégia central na redução da dor e na melhora da funcionalidade. Protocolos multimodais, que combinam diferentes técnicas, mostraram-se ainda mais eficazes, reforçando a necessidade de intervenções integradas e individualizadas. 

Diante disso, conclui-se que a implementação de programas preventivos baseados em evidências é essencial para reduzir a incidência de lombalgias em atletas de MMA, contribuindo não apenas para a saúde musculoesquelética, mas também para a manutenção da performance esportiva. Além disso, recomenda-se que futuras pesquisas explorem a padronização de protocolos e a análise de longo prazo, a fim de estabelecer estratégias cada vez mais seguras e eficazes para população. 

REFERÊNCIAS 

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