REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510051109
Maria Patricia Jacuboski de Jesus
Debora Rickli Fiuza
RESUMO: Quando um bebê nasce prematuro e necessita de cuidados em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), a criação desse vínculo com a mãe encontra dificuldades, pois o ambiente hospitalar age como uma barreira dificultando a aproximação da mãe com o filho. Nesse sentido, realizou-se esse trabalho com o objetivo de, a partir de uma revisão integrativa de literatura, compreender como se desenvolve a criação de vínculos afetivos entre mães e filhos prematuros hospitalizados em uma UTIN. Foram utilizadas as bases SciElo, PubMed e Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH). O trabalho visa contribuir com a comunidade acadêmica na formação do conhecimento sobre questões voltadas ao desenvolvimento do bebê a partir do vínculo com a mãe e se relaciona diretamente com o trabalho desenvolvido pelo psicólogo hospitalar que atua em UTI .
PALAVRAS-CHAVES: Vínculos, Maternidade, Prematuridade, UTIN.
ABSTRACT: When a baby is born prematurely and requires care in a Neonatal Intensive Care Unit (NICU), the establishment of the bond with the mother faces difficulties, as the hospital environment acts as a barrier, hindering maternal proximity to the child. In this context, this study was carried out with the aim of understanding, through an integrative literature review, how affective bonds are developed between mothers and premature infants hospitalized in a NICU. The SciELO, PubMed, and Brazilian Society of Hospital Psychology (SBPH) databases were used. This work seeks to contribute to the academic community by expanding knowledge about issues related to the baby’s development through maternal bonding and is directly related to the role of the hospital psychologist working in the NICU.
KEYWORDS: Bonds, Maternity, Prematurity, NICU.
1. INTRODUÇÃO
A gravidez gera inúmeras mudanças na vida de uma mulher, não apenas em aspectos físicos, mas também no âmbito psicológico. Entre as principais transformações que ocorrem nesse processo estão as expectativas criadas em relação ao filho, quando a mãe passa a imaginar como será o nascimento e o desenvolvimento do bebê. Desde a gestação até os primeiros meses de vida, o recém-nascido depende integralmente dos cuidados de alguém que exerça a função materna e/ou paterna.
Nesse contexto, compreende-se a necessidade e a importância da criação de vínculos afetivos desde o nascimento, uma vez que esses vínculos exercem papel fundamental no desenvolvimento humano. A relação entre mãe e bebê é construída progressivamente, por meio da convivência e dos cuidados diários, fortalecendo-se ao longo do tempo.
Winnicott (1982, p. 17) evidencia que:
Para que os bebês se convertam, finalmente, em adultos saudáveis, em indivíduos independentes, mas socialmente preocupados, dependem totalmente de que lhe seja dado um bom princípio, o qual está assegurado na natureza, pela existência de um vínculo entre mãe e bebê: amor é o nome desse vínculo. Portanto, se você ama o seu filhinho, ele estará recebendo um bom princípio.
No entanto, a prematuridade pode provocar, sentimentos de culpa e responsabilização pelo nascimento antecipado do filho. O afastamento inicial decorrente da hospitalização do bebê em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) intensifica a angústia materna, uma vez que as mães não podem acompanhar continuamente seus filhos nem participar integralmente dos cuidados. Esses fatores contribuem para a vivência constante de medo e insegurança em relação ao estado de saúde do bebê e ao seu futuro.
O ambiente hospitalar e os procedimentos necessários à manutenção da vida do recém-nascido prematuro podem, ainda, dificultar o contato físico entre mãe e filho, limitando a formação do vínculo afetivo. Nesse cenário, a forma de interação, muitas vezes, restringe-se à observação ou à comunicação verbal, devido às intensas manipulações clínicas a que os bebês instáveis são submetidos, o que gera sobrecarga em seu sistema sensorial (ARAÚJO; RODRIGUES, 2010).
É fundamental para o desenvolvimento emocional e social da criança, a criação de vínculos afetivos com a mãe e com a família desde o nascimento. Essa ligação se torna ainda mais essencial em casos de prematuridade do bebê. Nesse cenário se faz necessário que a equipe multiprofissional que atua na UTIN, procure compreender as maiores dificuldades apresentadas pela mãe, buscando auxiliar estimular a proximidade dela com seu filho, a fim de proporcionar um ambiente mais acolhedor para a criação, o desenvolvimento e o fortalecimento do vínculo afetivo entre os dois. De acordo com SOUZA e SILVA (2017, p. 102) “A equipe de saúde, ao incentivar o contato e o envolvimento da mãe com o bebê, desempenha um papel fundamental no fortalecimento do vínculo afetivo, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento emocional de ambos”.
Com isso observa-se que a prematuridade e a hospitalização em UTIN configuram um contexto desafiador para a construção do vínculo afetivo entre mães e filhos. A compreensão desse processo torna-se relevante não apenas para a Psicologia, mas também para a atuação multiprofissional em saúde, uma vez que possibilita identificar estratégias de acolhimento e humanização capazes de minimizar o impacto da internação e fortalecer o desenvolvimento emocional do bebê e da mãe. Assim, a investigação desse tema justifica-se pela necessidade de ampliar o conhecimento científico sobre os vínculos afetivos em situações de prematuridade, bem como pela importância de subsidiar práticas que favoreçam o cuidado integral no ambiente hospitalar.
2. METODOLOGIA
A pesquisa busca compreender como se dá a criação dos vínculos afetivos entre mães e seus filhos prematuros durante a hospitalização na UTI Neonatal, identificando os principais desafios enfrentados pelas mães durante esse processo. Além de analisar estratégias realizadas que visam promover a criação do vínculo entre os dois nesse contexto. Por meio de uma pesquisa qualitativa realizada a partir de revisão integrativa de literatura, tal revisão caracteriza-se por ser um método de pesquisa que possibilita a síntese do conhecimento produzido, a partir da reunião e análise crítica de estudos com diferentes abordagens metodológicas, o que favorece discussões consistentes e a proposição de novos direcionamentos para futuras investigações (SOUSA et al., 2017).
A coleta de dados foi realizada no mês de setembro de 2025, através das bases de dados SciElo, PubMed e na revista Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (SBPH). As buscas foram realizadas através da utilização de combinações dos seguintes descritores: Unidade de terapia intensiva neonatal, maternidade e vínculos. Os critérios de inclusão foram: produções realizadas em língua portuguesa, publicações realizadas nos últimos dez anos (2015-2025), com conteúdo disponível online gratuitamente na íntegra e que tivessem relação com a UTIN, maternidade e vínculos. Inicialmente a pesquisa identificou 35 artigos, após a aplicação dos filtros de inclusão restaram 11 artigos.
Tabela 1- Caracterização dos artigos selecionados
| Nº | Autor | Título | Ano | Periódico |
| 1 | Prata & Cintra | Apoio e acolhimento à mulher que se torna mãe: uma escuta psicanalítica | 2017 | Rev. latinoam. psicopatol. fundam |
| 2 | Corrêa, Andrade, Manzo, Couto & Duarte. | As práticas do Cuidado Centrado na Família na perspectiva do enfermeiro da Unidade Neonatal | 2015 | Esc. Anna Nery |
| 3 | Silva & Almeida. | Avaliação de recém-nascidos prematuros durante a primeira oferta de seio materno em uma uti neonatal | 2015 | Rev. CEFAC |
| 4 | Rocha, Souza & Teixeira. | A saúde e o trabalho de médicos de UTI neonatal: um estudo em hospital público no Rio de Janeiro | 2015 | Rev. de saúde coletiva |
| 5 | Costa, Neves, Camargo & Yamamoto | Caracterização da transição para alimentação oral em recém-nascidos prematuros | 2022 | Rev. CoDAS |
| 6 | Notaro, Corrêa, Tomazoni, Rocha & Manzo | Cultura de segurança de equipes multidisciplinares de unidades de terapia intensiva neonatal de hospitais públicos | 2019 | Rev Lat Am Enfermagem |
| 7 | Sciotti & Carias | O bebê que nunca foi para casa | 2024 | Rev. da SBPH |
| 8 | Santos & Dittz | Participação e autoconfiança materna no cuidado ao recém-nascido prematuro extremo | 2025 | Rev. da SBPH |
| 9 | Almeida & Goldstein | Impactos psíquicos nas vivências de mães de bebê com extremo baixo peso internado em UTI Neonatal | 2022 | Rev. da SBPH |
| 10 | Neves & Dittz | Percepção materna sobre grupo de reflexão durante internação do neonato na Unidade de Terapia Intensiva | 2021 | Rev. da SBPH |
| 11 | Rodrigues, Pereira & Cardoso | Fortalecendo laços em tempos difíceis | 2025 | Rev. da SBPH |
Análise de dados
Após a coleta de dados realizou-se a análise qualitativa dos artigos. As principais informações encontradas foram selecionadas e organizadas conforme as seguintes categorias: dificuldades encontradas na criação dos vínculos entre mãe e bebê; fatores que favorecem o estabelecimento desse vínculo e o papel da equipe multiprofissional nesse processo. Após a identificação realizou-se a interpretação e o tratamento das informações obtidas.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Caracterização dos dados
Com relação aos anos das publicações os artigos dividiram-se da seguinte forma: 1 artigo de 2017 (1), 3 artigos de 2015 (2, 3, 4), 2 artigos de 2022 (5,9), 1 artigo de 2019 (6), 1 artigo de 2024 (7), 2 artigos de 2025 (8,11) e 1 artigo de 2021 (10). Todos os artigos selecionados são produções nacionais, dentre eles 5 (7, 8, 9, 10, 11) foram publicados na Revista da SBPH, e os demais estão disponíveis nos periódicos: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (1), Revista Esc. Anna Nery Revista de Enfermagem (2), Revista CEFAC (3), Revista de saúde coletiva (4), Revista CoDAS (5), Revista Latinoamericana de Enfermagem (6).
A metodologia dos artigos foram 7 (1, 2, 4, 7,9, 10,1) produções qualitativa, 3 (3, 5, 6) produções quantitativa e 1 pesquisa (8) foi mista, qualitativa e quantitativa. Os estudos foram elaborados por profissionais de diferentes áreas da saúde, além da psicologia, que atuam na UTI Neonatal, o que permite a análise de múltiplas perspectivas sobre o vínculo mãe-bebê e sua dinâmica nesse contexto hospitalar.
Fatores que dificultam a criação dos vínculos entre mãe e bebê
A criação dos vínculos entre mãe e bebê tem início na gestação e desenvolvem-se a partir da interação constante, sendo assim o contato imediato após o parto essencial para o estabelecimento dessa relação afetiva. No entanto, quando o bebê nasce prematuro e necessita ser internado imediatamente na UTIN, as mães muitas vezes não conseguem nem sequer ver seu filho após o nascimento. Segundo Sciotti e Carias (2024), uma das principais fontes de sofrimento materno é justamente a separação entre mãe e bebê nesse período inicial. De forma semelhante, Almeida e Goldstein (2022) destacam que a discrepância entre o imaginário durante a gestação e a realidade vivenciada está relacionada principalmente à restrição do contato com o bebê, uma vez que essas mães, desde a gestação, idealizam desempenhar os cuidados ao bebê após o nascimento.
As dificuldades na criação do vínculo entre a mãe e bebê prematuro que depende de cuidados em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) são ocasionadas principalmente pelo ambiente hospitalar, que age como uma barreira distanciando o contato entre mãe e filho, conforme o relato de uma mãe “sempre entrava ali com medo, sempre esperando o pior porque UTI, já diz o nome, a gente já acha que ali dentro é tudo ruim, já chegava com medo” (Sciotti e Carias, 2024, p. 9). Além do distanciamento, o ambiente da UTIN gera insegurança às mães perante a possibilidade do contato físico, por mais mínimo que esse seja. Ao se deparar com a fragilidade do bebê prematuro muitas apresentam medo em tocar no filho e causar dano, seja ao assustá-los ou até mesmo de transmitir infecções (Almeida e Goldstein, 2022).
Prata e Cintra (2017) afirmam que o nascimento prematuro ou a presença de doenças no bebê podem gerar na mãe sentimentos de frustração, já que ela não consegue reconhecer no filho as idealizações que havia construído anteriormente. Ao se depararem com o filho em um ambiente cercado por máquinas e equipamentos, sob os cuidados da equipe profissional, as mães frequentemente sentem-se incapazes de exercer seu papel materno. A destituição do papel de cuidado é um dos maiores desafios enfrentados pelas mães durante a hospitalização do filho (Almeida e Goldstein, 2022).
Fatores que favorecem o estabelecimento desse vínculo
O estímulo a práticas como conversas com o bebê, acariciá-lo e participar dos cuidados diários, oferta do leite no copinho e da troca de fraldas, contribui para o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho, mesmo durante o período de internação. A inserção precoce da mãe no cuidado do recém-nascido configura-se como um ganho para a equipe, para a própria mãe e também para o bebê, uma vez que fortalece o vínculo e favorece o processo de cuidado compartilhado (Corrêa, Andrade, Manzo, Couto, Duarte, 2015).
O Método Canguru foi citado em quatro estudos (2, 8, 10, 11) pois têm se mostrado uma estratégia eficaz, além dos ganhos clínicos, no fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê (Santos, Dittz, 2025). Segundo Rodrigues, Pereira e Cardoso (2025), ao promover o contato pele a pele, o método permite que a mãe participe ativamente do cuidado, reduzindo a sensação de separação e a ansiedade materna. Dessa forma, o Método Canguru se apresenta como uma intervenção que não apenas auxilia no cuidado clínico do bebê, mas também fortalece os laços afetivos essenciais para a construção de um vínculo saudável entre mãe e filho (Corrêa et al., 2015).
Nos casos em que a amamentação pode ser iniciada, o período inicial costuma ser marcado por estresse e insegurança materna. Contudo, à medida que o bebê evolui e ganha peso, as mães passam a se sentir mais confiantes e preparadas para enfrentar essa etapa do cuidado. Entre os sete itens avaliados pelo Formulário de Avaliação Fonoaudiológica das Mamadas, o item III, aborda os sinais de vínculo entre mãe e recém-nascido. Esse critério permite identificar comportamentos que refletem a interação afetiva e a comunicação não verbal durante a amamentação, como contato visual, toque, vocalizações e respostas do bebê às ações maternas (Silva, Almeida, 2015). A observação desses sinais é fundamental, pois fornece informações não apenas sobre a efetividade da mamada, mas também sobre o fortalecimento do vínculo afetivo, o engajamento da mãe nos cuidados e o bem-estar emocional do recém-nascido.
Segundo Rodrigues, Pereira e Cardoso (2025) uma das estratégias apontada como facilitadora que visa proporcionar o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê são as rodas de conversas realizadas nos hospitais com as mães durante a internação. Essas permitem que as mães compartilhem seus sentimentos e se tornem apoio umas para as outras durante esse período desafiador que estão vivenciando. Neves & Dittz (2021, p. 72) afirmam “…pode-se dizer que enquanto o grupo favorece o bem-estar emocional da mãe, ele melhora suas condições para interagir com o filho, contribuindo para a redução do estresse e o processo positivo de maternagem.” Facilitando o fortalecimento dos vínculos entre a mãe e o filho mesmo durante a hospitalização na UTIN.
Rodrigues, Pereira e Cardoso (2025, p.9) destacam que mais da metade das mães relataram o apoio da família e a religião como um importante recurso de enfrentamento perante a situação delicada da hospitalização do filho. Conforme Silva e Almeida (2015) 86,7% das mães, participantes da pesquisa, afirmam ter o apoio da família no momento da iniciação à amamentação. Essas redes de apoio oferecem segurança e confiança às mães, podendo influenciar positivamente a relação mãe e bebê.
Equipe multiprofissional nesse processo
Conforme afirmação da profissional, “o ambiente da “neo”, apesar de ser um ambiente estressante, é um ambiente que tem uma humanização. É um setor que é o mais humanizado dentro da medicina” (Rocha, Souza, Teixeira, 2015). Em contrapartida (Corrêa et al., 2015) expõe que há uma compreensão restrita da equipe em relação à participação familiar nos cuidados com o recém nascido durante a internação na UTIN, gerando o distanciamento da família com o bebê e também com a equipe atuante. No entanto, o trabalho da equipe multiprofissional deve agir como um facilitador no contato da mãe e filho, no contexto da prematuridade e hospitalização do recém nascido em uma UTIN. “Inserir essa mãe nesse cuidado o mais precoce possível eu acho que é um ganho tanto pra equipe quanto para essa mãe quanto para paciente.” (Corrêa, Andrade, Manzo, Couto, Duarte, 2015, p. 852).
Apesar dos sentimentos de medo, ansiedade e estresse diante da fragilidade do bebê, a relação positiva com a equipe multiprofissional, marcada por acolhimento, empatia e comunicação efetiva, é essencial para a construção de segurança e confiança no cuidado (Santos,Dittz, 2025). Nesse sentido se faz necessário o engajamento da equipe multiprofissional ao desempenhar seu papel frente aos casos, principalmente na condição da UTIN. Conforme Notaro, Corrêa, Tomazoni, Rocha e Manzo (2019) em relação ao trabalho em equipe, a pesquisa demonstra que há respeito e apoio entre os profissionais da equipe. Além de favorecer a assistência ao paciente, contribui para que o ambiente, mesmo diante da complexidade do cuidado, se torne mais leve e acolhedor.
Rocha, Souza e Teixeira (2015) apresentam a carga horária de trabalho excessiva realizada pelos médicos “…cerca de um quinto dos médicos dedicava de 61 a 100 horas por semana ao trabalho”, essa jornada de trabalho está muito acima do que é estabelecido pelas leis trabalhistas. Essa é a realidade de muitos profissionais da área da saúde. Esse desgaste, ocasionado pelo elevado período de trabalho, tem relação diretamente com a maneira que se dará a atuação do profissional perante o paciente e seus familiares.
A grande maioria dos fatores que favorecem a criação dos vínculos afetivos das mães com os filhos prematuros são possíveis de serem realizados a partir da integração da família com a equipe multiprofissional. Como nos métodos de contato físico, método canguru, que depende da equipe médica e de enfermagem para orientação às mães. Na introdução a amamentação se faz necessário o acompanhamento dos profissionais como da fonoaudiologia, para garantir uma transição segura (Costa, Neves, Camargo, Yamamoto, 2022). Como também as rodas de conversas direcionadas, pelos profissionais da psicologia, que proporcionam um ambiente acolhedor para as mães expressarem suas emoções.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observa-se que existem diversos fatores que dificultam a criação de vínculos afetivos entre a mãe e o filho, que nasce prematuro e necessita de cuidados na UTIN. São eles a separação imediata após o nascimento, a fragilidade do bebê, a insegurança materna diante do contato físico e as barreiras impostas pelo ambiente hospitalar, que muitas vezes geram medo, ansiedade e sentimentos de frustração. Todos esses interferem na aproximação entre os dois nesse período, prejudicando assim a criação e fortalecimento dos vínculos.
No entanto, são realizadas estratégias que auxiliam essa aproximação entre mãe e filho, como o método canguru, a inserção precoce da mãe nos cuidados diários, a estimulação da amamentação, as rodas de conversa e a valorização da rede de apoio familiar e religiosa demonstraram-se recursos eficazes na promoção de maior segurança, confiança e bem-estar emocional para essas mães mesmo perante a hospitalização.
Outro fator importante nesse processo é o trabalho da equipe multiprofissional, que deve atuar de forma humanizada e conjunta, buscando tornar o ambiente da UTIN mais acolhedor. Por outro lado, as pesquisas apontaram que existem fatores que limitam a eficácia no desenvolvimento deste trabalho, como a sobrecarga e a falta de compreensão da equipe em relação à importância da inclusão da família nesse momento da internação no bebê.
Portanto, torna-se necessário que práticas que favoreçam o contato entre mãe, bebê e família sejam cada vez mais implementadas, reconhecendo que essa aproximação é essencial durante a hospitalização em UTIN. Além disso, é fundamental o desenvolvimento de estudos que aprofundem a compreensão acerca do papel da família, principalmente da mãe, nesse contexto, e também as percepções dos profissionais de saúde atuantes nesse processo. Dessa forma, a criação e o fortalecimento dos vínculos afetivos se tornam indispensáveis nos cuidados do recém nascido prematuro na UTIN.
A partir disso, conclui-se que apesar dos inúmeros obstáculos, decorrente do nascimento prematuro e a hospitalização em uma UTIN, que dificultam a criação dos vínculos entre a mãe e filho, são realizadas diversas estratégias que visam contribuir na busca pela aproximação e atuação da mãe com o recém nascido, com o apoio do trabalho conjunto da equipe multiprofissional. Essas práticas contribuem para assegurar um desenvolvimento mais saudável ao bebê e reforçam a necessidade de aprofundar os estudos sobre o tema, sobretudo no campo da psicologia, permitindo ampliar a compreensão e incentivos visando a prática mais humanizada pelos profissionais da área na saúde.
5. REFERÊNCIAS
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