REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202512062309
Raíssa Emanuela Pascoal Julião1
William Silvio do Nascimento2
Mariana Delfino Rodrigues3
RESUMO
A análise da correlação entre achados de neuroimagem e o prognóstico funcional em pacientes acometidos por acidente vascular cerebral (AVC), tanto isquêmico quanto hemorrágico, tem se destacado como um importante recurso para orientar decisões clínicas e estratégias terapêuticas. Objetivo: Analisar como os achados de neuroimagem se relacionam com o prognóstico funcional de pacientes com AVC isquêmico e hemorrágico, identificando quais marcadores imagiológicos apresentam maior relevância para a previsão da evolução clínica e para o planejamento das condutas terapêuticas e de reabilitação. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática, desse modo, foram selecionados na amostragem final os 08 artigos cuja procura se deu nas bases de dados Latino-Americano e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e o Sistema Online de Busca e análise de Literatura Médica (MEDLINE. Resultados: A análise dos estudos incluídos na revisão sistemática indicou que no AVC isquêmico o volume da lesão detectado em imagens de difusão (DWI) e a extensão da penumbra cerebral demonstraram forte correlação com a severidade clínica inicial e com a recuperação funcional em curto e médio prazo, pacientes com lesões menores e preservação de tecidos críticos apresentaram melhores escores funcionais (medidos pelo Rankin Modificado e Barthel Index) em três meses pós-AVC. Conclusão: Os achados de neuroimagem apresentam papel relevante na predição do prognóstico funcional de pacientes com AVC isquêmico e hemorrágico, permitindo identificar precocemente aqueles com maior risco de incapacidades motoras, cognitivas ou maiores taxas de mortalidade. No AVC isquêmico, parâmetros como volume da lesão, extensão da penumbra e integridade das vias motoras mostram forte associação com a recuperação funcional, enquanto no AVC hemorrágico, o tamanho do hematoma, a presença de sangramento intraventricular e a expansão precoce são os principais indicadores de pior desfecho.
Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral. AVC Isquêmico. AVC Hemorrágico. Neuroimagem. Prognóstico Funcional.
1 INTRODUÇÃO
A relação entre os achados de neuroimagem e o prognóstico funcional em pacientes acometidos por AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico, mostra o quanto os exames diagnósticos se tornaram indispensáveis no cuidado neurológico, esses recursos permitem visualizar com mais clareza as áreas afetadas e a extensão das lesões, o que ajuda a compreender melhor o comportamento clínico de cada caso, essa compreensão detalhada é fundamental para orientar condutas que realmente atendam às necessidades específicas de cada paciente, o que reforça a relevância do tema no campo da prática clínica e da reabilitação (CABRAL, 2024).
O AVC continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, deixando sequelas que afetam profundamente a autonomia e o cotidiano dos indivíduos, a grande variação na evolução dos casos que pode ir desde recuperações rápidas até déficits permanentes torna indispensável o uso de ferramentas capazes de estimar com mais precisão o prognóstico funcional, tanto para os quadros isquêmicos quanto para os hemorrágicos, que apresentam comportamentos clínicos distintos, exigindo avaliações cuidadosas e individualizadas (VALE et al., 2024).
Nesse cenário, os exames de neuroimagem se consolidaram como um dos pilares do diagnóstico e do planejamento terapêutico, permitindo identificar características importantes da lesão, como localização, volume, viabilidade tecidual e possíveis complicações.
Logo, essas informações se refletem diretamente na recuperação cognitiva, motora e funcional dos pacientes, há evidências de que a integração entre dados de imagem e informações clínicas amplia de forma significativa a capacidade de prever desfechos, tornando as decisões terapêuticas mais seguras e específicas para cada caso (ARAKI, 2022).
A problemática central que norteia esta investigação consiste em compreender de que forma os achados obtidos por exames de neuroimagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética podem auxiliar na previsão da evolução clínica e funcional dos pacientes acometidos, especialmente quanto ao potencial de recuperação e às limitações permanentes. Como os achados de neuroimagem se correlacionam com o prognóstico funcional de pacientes acometidos por AVC isquêmico e hemorrágico?
O presente estudo justifica-se por tratar-se de um importante problema de saúde pública. O aumento crescente do AVC e suas incapacidades geram ao serviço público uma demanda que poderia ser amenizada através de intervenções preventivas, e quando já instalado a importância do diagnóstico precoce e a redução do tempo de respostas das equipes, propondo ação rápida para diminuir assim as incapacidades.
Além disso, o aprofundamento dessa correlação auxilia na construção de protocolos mais padronizados para avaliação e acompanhamento, o que se traduz em melhorias na qualidade de vida dos sobreviventes e na organização de políticas voltadas à reabilitação neurológica.
Os dados reunidos ao longo do estudo reforçam que a neuroimagem vai muito além da simples detecção de lesões, mostrando-se uma ferramenta valiosa na previsão de desfechos, permitindo que o tratamento seja direcionado com maior precisão. O avanço contínuo das tecnologias diagnósticas, aliado ao uso crítico das evidências científicas, amplia as possibilidades de recuperação e fortalece o cuidado oferecido aos pacientes, contribuindo diretamente para a evolução da prática neurológica.
Diante desse pressuposto estudo, o objetivo principal deste estudo é analisar como os achados de neuroimagem se relacionam com o prognóstico funcional de pacientes com AVC isquêmico e hemorrágico, identificando quais marcadores imagiológicos apresentam maior relevância para a previsão da evolução clínica e para o planejamento das condutas terapêuticas e de reabilitação
2 METODOLOGIA
Este estudo consiste em uma revisão sistemática, cujo objetivo é reunir e sintetizar de maneira criteriosa e transparente os resultados de estudos científicos previamente publicados sobre um tema específico.
A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE).
Para a busca foi utilizado o operador booleano “and” combinado com as palavras chaves: Acidente Vascular Cerebral. AVC Isquêmico. AVC Hemorrágico. Neuroimagem. Prognóstico Funcional.
O fluxograma é dividido em 4 partes, a saber: 1) Identificação: nessa fase é onde são elencados os artigos identificados nas bases de dados e buscas, além de outras fontes. 2) Seleção: nessa fase ocorre a leitura dos títulos e resumos onde são excluídos alguns artigos, sendo realizada uma primeira triagem. 3) Elegibilidade: nessa fase contempla a leitura na íntegra dos artigos, permanecendo os artigos com foco no estudo. 4) Inclusão: nessa fase acontece a escolha dos artigos que contemplam os estudos mais completos e que possuem os indicadores específicos para o estudo.
Para a seleção dos estudos, foram incluídos artigos científicos disponíveis na íntegra e de livre acesso, publicados entre 2020 e 2025, em língua portuguesa. A inclusão também considerou aqueles que, após a leitura do título e resumo, abordassem aspectos relacionados à temática do estudo. Nos critérios de exclusão, foram eliminados artigos que não se enquadravam no período de amostragem definido, artigos em línguas estrangeiras e artigos com textos incompletos. Na figura 1, está apresentado um fluxograma dos artigos pesquisados.
Figura 1 – Fluxograma das etapas para a seleção dos artigos desta revisão sistemática, 2025.

Durante a fase inicial de busca nas bases de dados, foram encontrados 250 artigos. Após a leitura dos títulos e resumos, 180 trabalhos que não correspondiam aos critérios de inclusão foram eliminados. Na etapa seguinte, dedicada à seleção, 70 artigos foram considerados pertinentes, porém, 35 deles foram descartados por não estarem alinhados com os objetivos estabelecidos para o estudo. Na fase de avaliação de elegibilidade, permaneceram 35 artigos; entretanto, 27 foram excluídos após a análise completa dos textos, por razões justificadas. Ao término do processo, 08 artigos foram incluídos para compor a análise final, com o propósito de fundamentar o desenvolvimento da pesquisa.
Posteriormente, realizou-se uma análise temática dos artigos selecionados nas bases de dados, seguida de uma avaliação minuciosa das referências bibliográficas de cada estudo, essa abordagem teve como meta organizar, de forma sistemática e objetiva, as informações e dados relevantes encontrados, facilitando assim a compreensão dos conteúdos abordados e contribuindo para o embasamento teórico do trabalho.
3 EMBASAMENTO TEÓRICO
3.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS SOBRE AVC ISQUÊMICO E HEMORRÁGICO
O acidente vascular cerebral (AVC) é reconhecido como uma das principais causas de incapacidade e mortalidade no mundo, podendo ser classificado em dois tipos principais: isquêmico e hemorrágico. O AVC isquêmico ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo em uma região do cérebro, geralmente devido à obstrução de uma artéria por um trombo ou êmbolo (CAVALCANTE et al., 2022).
Segundo Alkimim et al. (2024), essa redução abrupta na perfusão cerebral desencadeia uma série de eventos fisiopatológicos conhecidos como cascata isquêmica, caracterizada pela falência energética das células, desequilíbrios iônicos, liberação de radicais livres e morte neuronal, esse tipo de AVC representa cerca de 80% dos casos e sua evolução depende diretamente do tempo, pois quanto maior o período de hipoperfusão, maior a extensão do tecido cerebral que evolui para necrose.
O AVC hemorrágico, por sua vez, é causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo cerebral, resultando no extravasamento de sangue dentro do parênquima (hemorragia intraparenquimatosa) ou nos espaços meníngeos (hemorragia subaracnóidea) (MOTA, 2021).
Assim, os fatores como hipertensão arterial não controlada, malformações vasculares, uso de anticoagulantes ou fragilidade vascular adquirida estão frequentemente associados a esse tipo de evento. Conforme Pereira (2023), o AVC hemorrágico não apenas provoca lesão direta do tecido cerebral, mas também gera efeitos secundários, como aumento da pressão intracraniana, compressão de estruturas nobres e risco de expansão do hematoma, tornando seu desfecho clínico mais imprevisível e com maior taxa de mortalidade.
As diferenças entre AVC isquêmico e hemorrágico não se restringem apenas aos mecanismos fisiopatológicos, mas também se refletem no padrão de sequelas, nos fatores prognósticos e nas opções terapêuticas, enquanto o AVC isquêmico se beneficia de terapias de reperfusão, como trombólise e trombectomia mecânica, o AVC hemorrágico exige controle rigoroso da pressão arterial, manejo da coagulação e, em determinados casos, intervenção cirúrgica.
3.2 PRINCIPAIS TÉCNICAS DE NEUROIMAGEM UTILIZADAS
A neuroimagem desempenha papel fundamental tanto na diferenciação dos tipos de AVC quanto na identificação de características que influenciam diretamente a tomada de decisão clínica. A tomografia computadorizada (TC) é geralmente o primeiro exame solicitado, devido à sua rapidez, ampla disponibilidade e capacidade de distinguir lesões isquêmicas de hemorrágicas (FREITAS et al., 2024).
No AVC hemorrágico, a TC permite visualizar imediatamente o extravasamento de sangue, possibilitando avaliar o volume, a localização e sinais de expansão, no AVC isquêmico, as alterações iniciais podem ser sutis nas primeiras horas, mas a TC é capaz de identificar sinais precoces, como hipodensidade parenquimatosa, apagamento dos sulcos corticais e perda da diferenciação córtico subcortical (PINTO et al., 2024).
A ressonância magnética (RM) apresenta maior sensibilidade na detecção precoce de áreas de isquemia, sequências como difusão (DWI) e perfusão (PWI) permitem visualizar a extensão do dano tecidual e identificar a penumbra isquêmica, região que ainda pode ser recuperada com reperfusão rápida (OLIVEIRA et al., 2024).
A RM também auxilia na caracterização de lesões hemorrágicas, avaliando a evolução temporal do hematoma e diferenciando hemorragias secundárias a malformações vasculares ou tumores. Técnicas avançadas, como angio TC e angio RM, têm ganhado espaço clínico, possibilitando a visualização da árvore arterial e a identificação de obstruções, estenoses ou aneurismas (ARAKI, 2022).
A TC de perfusão, cada vez mais utilizada em centros especializados, ajuda a definir a elegibilidade para trombólise tardia e trombectomia, ao mensurar o volume do núcleo isquêmico e da penumbra, esses métodos ampliam a capacidade de intervenção e tornam o manejo do AVC mais seguro e direcionado.
3.3 EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS SOBRE CORRELAÇÃO ENTRE IMAGEM E EVOLUÇÃO CLÍNICA
A literatura científica demonstra que os achados de neuroimagem estão fortemente relacionados ao prognóstico funcional dos pacientes com AVC, no isquêmico, o volume do infarto e o tamanho da penumbra, identificados por RM e TC de perfusão, são indicadores importantes da capacidade de recuperação, o autor frisa que os pacientes com maior quantidade de tecido cerebral viável e menor extensão de necrose apresentam maior potencial de resposta aos tratamentos de reperfusão, enquanto sinais precoces de edema e hipodensidade extensa estão associados a maior risco de deterioração neurológica (MOTA, 2021).
Nos casos de AVC hemorrágico, o volume inicial do hematoma é um dos principais preditores de mortalidade e incapacidade a longo prazo, hematomas grandes, especialmente localizados em regiões profundas como tálamo ou tronco encefálico, comprometem funções vitais e resultam em prognóstico reservado (PEREIRA, 2023). O extravasamento ativo de contraste observado em angioTC indica maior risco de expansão do sangramento, sendo um fator crítico na definição de intervenções emergenciais (COSTA et al., 2024).
Os avanços em neuroimagem têm permitido compreender melhor a plasticidade cerebral e os mecanismos de recuperação pós-AVC, estudos longitudinais mostram que alterações na conectividade funcional e estrutural, observadas principalmente por técnicas avançadas de RM, podem explicar diferenças individuais na resposta à reabilitação. A integração desses achados com escalas clínicas, como a Modified Rankin Scale, fortalece a capacidade de prever desfechos e orientar condutas personalizadas (WILHELMS, 2024).
Dessa forma, a neuroimagem não apenas identifica a lesão, mas também orienta o manejo clínico, delimita o potencial de recuperação e contribui para o planejamento terapêutico, sua utilização sistemática na análise prognóstica representa um avanço significativo no cuidado ao paciente com AVC, ampliando as possibilidades de intervenções eficazes.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante a busca nas bases de dados, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Acidente Vascular Cerebral, AVC Isquêmico, AVC Hemorrágico, Neuroimagem e Prognóstico Funcional, foram inicialmente identificados 250 artigos. Após a leitura de títulos, resumos e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 180 estudos foram descartados por não se adequarem ao foco da pesquisa ou apresentarem temática distinta. Ao final do processo, 08 artigos foram considerados pertinentes para compor a análise desta revisão.
A interpretação e síntese dos resultados estão apresentadas no Quadro 1, que inclui autores, título, objetivo, metodologia, ano de publicação e principais achados sobre a correlação entre neuroimagem e prognóstico funcional em pacientes com AVC isquêmico e hemorrágico.
Quadro 1. Artigos científicos selecionados nas bases de dados segundo as características dos autores, títulos, objetivo, metodologia, ano e conclusão. Porto Velho, 2025.



Fonte: Dos pesquisadores, 2025.
Os resultados reunidos nesta revisão sistemática mostram com clareza que a neuroimagem tem um papel central na previsão do prognóstico funcional de pacientes que sofreram acidente vascular cerebral, seja ele isquêmico ou hemorrágico, embora exames como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética já façam parte do atendimento de rotina, Araki (2022) destaca que ainda há muito a avançar na compreensão sobre quais detalhes específicos dessas imagens ajudam a estimar, com maior precisão, as chances de recuperação.
De modo geral, os estudos analisados apontam que sinais radiológicos precoces como a extensão da área hipodensa no AVC isquêmico ou o volume inicial do hematoma no AVC hemorrágico influenciam diretamente na evolução do quadro clínico ao longo dos dias e semanas seguintes ao evento. No caso do AVC isquêmico, Wilhelms (2024) ressalta que avaliar a área de penumbra, identificar sinais iniciais de edema e analisar a perfusão cerebral são passos essenciais para prever o potencial de resposta às terapias de reperfusão.
Em consonância com o estudo de Vale et al. (2024), observa-se que pacientes que apresentam maior volume de tecido cerebral viável e menor área já necrosada tendem a ter melhores resultados funcionais, sobretudo quando tratados ainda dentro da janela terapêutica adequada.
Por outro lado, sinais como apagamento dos sulcos, hipodensidade extensa ou perfusão cerebral muito reduzida costumam indicar maior risco de piora neurológica, a leitura conjunta desses achados possibilita que a equipe de saúde ajuste expectativas, oriente familiares e escolha estratégias terapêuticas mais coerentes com a gravidade do quadro (COSTA et al., 2024).
No AVC hemorrágico, Oliveira et al. (2024) evidenciam que o volume do hematoma, sua velocidade de expansão e o comprometimento de áreas profundas como tálamo e tronco encefálico estão intimamente ligados à gravidade e ao prognóstico a longo prazo, a literatura mostra que hematomas de grande volume tendem a elevar a pressão intracraniana, comprimindo estruturas vitais e aumentando a chance de sequelas permanentes.
O extravasamento ativo do contraste, identificado na tomografia, é considerado um sinal importante de risco de expansão do sangramento, podendo influenciar decisões sobre intervenções cirúrgicas ou manejo clínico mais intensivo, assim, a neuroimagem ultrapassa o papel diagnóstico e passa a atuar como ferramenta de orientação e previsão, outro ponto recorrente entre os estudos é a influência direta dos achados radiológicos nas escalas de prognóstico funcional, como a Modified Rankin Scale ou a Glasgow Outcome Scale (PEREIRA, 2023).
Vale et al. (2024) observam que existe uma forte correspondência entre os padrões vistos nas imagens e os graus de incapacidade funcional, reforçando a importância de uma interpretação detalhada e multidisciplinar desses achados.
Mesmo com resultados consistentes, a diversidade metodológica entre os estudos analisados limita generalizações mais amplas, uma série de variáveis, como o tipo de equipamento utilizado, o tempo entre o evento e o exame, as escalas aplicadas e os critérios adotados para interpretar as imagens, contribuem para resultados heterogêneos.
Mota (2021) chama atenção para a influência de fatores clínicos e demográficos como idade, presença de doenças prévias e tempo de chegada ao atendimento que podem interferir no prognóstico e dificultar a análise isolada dos achados de neuroimagem, evidenciando a necessidade de mais pesquisas padronizadas e metodologicamente robustas.
Apesar dessas limitações, os achados desta revisão deixam claro que incorporar marcadores radiológicos à análise clínica diária representa um avanço importante no cuidado ao paciente com AVC, integrando dados de neuroimagem com informações clínicas e laboratoriais, torna-se possível construir uma abordagem mais precisa, sensível e eficiente.
Nesse sentido, a neuroimagem não apenas mostra a área lesionada, mas também oferece sinais importantes sobre o caminho possível de recuperação, ajudando no planejamento terapêutico e no uso adequado dos recursos disponíveis, o grande desafio para o futuro é ampliar o acesso a exames de alta resolução, capacitar equipes para uma interpretação mais refinada das imagens e fomentar pesquisas voltadas ao aprimoramento da capacidade preditiva desses métodos.
CONCLUSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão confirma que os achados de neuroimagem têm papel decisivo na compreensão da evolução clínica e na definição do prognóstico funcional de pacientes acometidos por AVC isquêmico ou hemorrágico. Tanto a tomografia computadorizada quanto a ressonância magnética se mostram fundamentais não apenas para identificar rapidamente a extensão da lesão, mas também para reconhecer padrões associados a maior risco de sequelas ou mortalidade.
Os resultados evidenciam que interpretar esses achados de forma integrada possibilita estimar, com mais precisão, o caminho evolutivo do paciente, tanto no curto quanto no longo prazo, contribuindo diretamente para decisões terapêuticas mais seguras, para a escolha de intervenções emergenciais adequadas e para um processo de reabilitação mais individualizado.
Ainda que haja variações metodológicas entre os estudos analisados o que indica a necessidade de protocolos mais uniformes e de escalas prognósticas mais completas, fica claro que a neuroimagem representa hoje um recurso indispensável na prática clínica.
Assim, conclui-se que a relação entre achados radiológicos e prognóstico funcional oferece um suporte valioso para condutas mais assertivas e personalizadas, o avanço contínuo das tecnologias diagnósticas, aliado ao desenvolvimento de pesquisas que explorem de forma mais detalhada os padrões de imagem e seus desdobramentos clínicos, tende a fortalecer ainda mais o cuidado multiprofissional e melhorar os desfechos de indivíduos que enfrentam um episódio de AVC.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso de Medicina Metropolitana (UNESSA – União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental). E-mail: manupascoalje@gmail.com
2Discente do Curso de Medicina Metropolitana (UNESSA – União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental). E-mail: apocalipsedesojoo@gmail.com
3Docente do Curso de Medicina Metropolitana (UNESSA – União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental). E-mail: mariana.delfino@metropolitana-ro.com.br
