INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE: UMA ATUALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202512062334


Allana Victorya Santos Figueiredo1
Angélica Horaine Maria Silva1
Lucas Mendes de Lima1
Poliana Lucena Nunes1


RESUMO 

Introdução: Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) configuram um grave problema de saúde pública, impactando diretamente a qualidade do atendimento hospitalar, os custos institucionais e a segurança do paciente. Objetivo: Analisar o nível de conhecimento técnico e acadêmico dos profissionais de enfermagem sobre as IRAS. Método: Foi realizada uma revisão de literatura, com abordagem qualitativa, baseada em artigos científicos selecionados nas bases BVS, PubMed e SciELO, utilizando descritores específicos e critérios de inclusão e exclusão. Resultados: Foi observada uma disparidade significativa entre o nível de conhecimento sobre IRAS de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Os enfermeiros mostraram-se mais preparados para aplicar medidas preventivas e interpretar riscos clínicos associados às IRAS. Já os técnicos de enfermagem demonstraram conhecimento limitado, o que pode comprometer a eficácia das intervenções e reforça a necessidade de educação permanente aos profissionais. A pesquisa também destacou fatores como sobrecarga de trabalho, escassez de recursos e falhas na adesão aos protocolos como agravantes na ocorrência das infecções. Conclusão: A prevenção das IRAS exige não apenas conhecimento técnico, mas também uma cultura organizacional voltada à segurança do paciente, com investimentos em formação crítica e baseada em evidências. O fortalecimento da qualificação da equipe de enfermagem é essencial para reduzir complicações clínicas, otimizar os cuidados e promover ambientes hospitalares mais seguros e eficientes. 

Palavras-chave: Infecção hospitalar; Cuidados de enfermagem; Desinfecção das mãos; Educação em Saúde. 

INTRODUÇÃO 

Dentre os fatores que impulsionam um esforço global para o controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), destacam-se a crescente resistência microbiana e a alta prevalência dessas infecções, que acometem de sete a 10% dos pacientes hospitalizados em todo o mundo (1). Essa problemática ganhou notoriedade durante a chamada “Revolução Pasteuriana”, sendo discutida por figuras históricas como Ignaz Semmelweis, Florence Nightingale e Joseph Lister (10). 

No século XX, com o avanço do suporte de vida e das terapias imunossupressoras, tornou-se evidente a necessidade de medidas sistemáticas de controle dessas infecções nos hospitais, especialmente em países desenvolvidos (2). Entretanto, a prevenção e o controle das IRAS não dependem exclusivamente de tecnologias avançadas, mas, sobretudo, da capacitação e do engajamento dos profissionais da saúde, em especial da equipe de enfermagem, que atua de forma direta e contínua junto ao paciente. A enfermagem tem papel essencial na vigilância, na execução de protocolos de prevenção e na promoção de práticas seguras. Por isso, é fundamental que técnicos e enfermeiros graduados possuam conhecimento atualizado sobre as estratégias de controle das infecções (3). 

MATERIAIS E MÉTODOS 

Foi realizada uma revisão de literatura, com abordagem qualitativa, com o objetivo de avaliar o conhecimento técnico de técnicos de enfermagem e enfermeiros sobre as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). A coleta de dados foi realizada nas bases Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), PubMed e SciELO, utilizando descritores do DeCS/MeSH combinados com operadores booleanos: “Infecção Hospitalar” (OR) “Cross Infection” (AND) “Cuidados de Enfermagem” (OR) “Nursing Care” (AND) “Desinfecção das Mãos” (OR) “Hand Disinfection” (AND) “Educação em Saúde” (OR) “Health Education”

Os critérios para a inclusão de artigos originais foram: (a) publicações promovidas nos últimos cinco anos (entre 2020 e 2025); (b) textos publicados em português ou inglês; (c) disponibilização da versão completa; (d) apenas artigos científicos e (e) textos com o tema de interesse. Para os critérios para exclusão foram considerados: (a) ter sido publicado há mais de cinco anos; (b) publicações em outras línguas; (c) ter fornecido somente o resumo, (d) trabalhos científicos do tipo editorial, cartas, comentários, revisões, trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações, teses e livros não se relacionar ao tema avaliado; (e) textos duplicados; e (f) fuga ao tema de interesse. 

RESULTADOS 

Dos 47 artigos encontrados, 13 foram selecionados para compor a fundamentação teórica do estudo. A compreensão de como os profissionais aplicam os conceitos sobre IRAS é essencial para identificar fragilidades na formação e nas rotinas. Esse conhecimento subsidia estratégias de educação permanente e melhoria na assistência. O papel da equipe de enfermagem é determinante para a prevenção e controle das infecções. Uma atuação segura reduz a incidência de IRAS e promove maior qualidade e segurança ao paciente (4, 5). 

A higienização das mãos, embora seja uma das estratégias mais simples e eficazes para prevenir IRAS, ainda apresenta baixos índices de adesão entre os profissionais de saúde, o que compromete o controle das infecções. Dessa forma, torna-se essencial a implementação de medidas preventivas aliadas à transformação da cultura organizacional e à reestruturação das práticas institucionais (4). 

Destaca-se o Plano Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), criado em 2013 com o objetivo de qualificar e tornar mais segura a prestação dos cuidados em saúde. O plano estabeleceu metas voltadas à redução de riscos e à melhoria da qualidade assistencial, contribuindo para uma nova visão da assistência em saúde, na qual o hospital deve ser um local de recuperação, e não de adoecimento (5). 

No Brasil, o Programa Nacional de Prevenção e Controle das IRAS, criado em 1997 e regulamentado pela Portaria nº 2.616/1998, reforça a importância da prevenção. Mas depois, foi desenvolvido um roteiro de inspeção para orientar práticas de vigilância. Essas políticas demonstram o reconhecimento das IRAS como problema de saúde pública. Entre as principais infecções destacam-se a infecção primária da corrente sanguínea (IPCS) e a infecção do trato urinário (ITU). A IPCS, ligada ao uso de cateter venoso central, causa elevado impacto na morbimortalidade (7, 8). 

Já a ITU, embora predominantemente bacteriana, pode ser causada também por fungos e vírus, acometendo indivíduos de ambos os sexos, com maior prevalência em mulheres adultas e crianças até seis anos de idade (9). A infecção do sítio cirúrgico (ISC), por sua vez, é uma das mais relevantes, ocupando a terceira posição entre as IRAS no Brasil. Ela está associada ao aumento do tempo de internação, dos custos hospitalares e dos índices de morbimortalidade (14). 

Diversas intervenções foram implementadas para reduzir as infecções, sendo a higienização das mãos a principal medida. O PNSP contribuiu para a queda da incidência de IPCS associada ao cateter venoso central, comprovando a eficácia das estratégias. Contudo, apenas materiais adequados não garantem resultados, sendo necessários treinamentos contínuos. Programas de capacitação mantêm os profissionais atualizados sobre protocolos e boas práticas. Entre elas, destacam-se o uso correto de EPIs, a desinfecção de materiais e a higienização das mãos (5, 6, 10). 

Apesar de simples e eficaz, a lavagem das mãos ainda apresenta baixa adesão entre profissionais de saúde. Fatores como falta de recursos, sobrecarga de trabalho e ausência de treinamentos contínuos contribuem para esse cenário. A eficácia das medidas preventivas depende diretamente do conhecimento e capacitação da equipe. A falta de atualização e o descaso com protocolos mantêm práticas inadequadas. Assim, investir em formação contínua e consolidar a cultura de segurança são essenciais para o controle das IRAS (8, 9). 

A pesquisa sobre Indicadores de Risco de Aderência (IRA) revelou diferenças de conhecimento entre enfermeiros e técnicos de enfermagem. Os enfermeiros demonstraram maior domínio, aplicando os IRA na gestão do cuidado e na adesão terapêutica. Essa expertise os torna mais aptos a identificar e intervir sobre riscos de não adesão. Já os técnicos possuem conhecimento básico, exigindo capacitação específica. O aprimoramento dessa categoria é essencial para potencializar a eficácia das intervenções conjuntas (11, 14). 

O fortalecimento do conhecimento dos enfermeiros e a capacitação contínua dos técnicos são essenciais para a efetiva implementação dos IRA. Essa qualificação contribui para melhores desfechos clínicos e integralidade do cuidado. A vigilância sobre as práticas profissionais ajuda a mitigar as IRAS e reduzir intercorrências. A falta de preparo aumenta o tempo de tratamento e os custos em saúde (12,13). 

CONCLUSÃO 

As IRAS continuam sendo um desafio para os serviços de saúde, exigindo conhecimento técnico e cultura de segurança. A revisão evidenciou disparidades entre enfermeiros e técnicos, reforçando a necessidade de educação contínua. A adesão às medidas preventivas depende da capacitação e do suporte institucional. A qualificação da equipe é essencial para reduzir complicações, custos e garantir cuidado seguro. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

1 Daltro GMS, Fortes JS, Maccagnan R. Infecção hospitalar: conhecimento de profissionais de enfermagem. Rev Enferm Contemp. 2022;11(2):e03005. 

2 Hurbano AM, Opromolla PA. Histórico das infecções hospitalares: da Antiguidade à atualidade. Rev Saúde Integr. 2024;17(1):45-59. 

3 Padoveze MC, Fortaleza CMCB, Kiffer CRV, et al. Enfermagem e o controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. Rev Esc Enferm USP. 2021; 55:e20200528. 

4 Kachinski AL, et al. Inovação organizacional nas práticas de enfermagem: redução de infecções relacionadas à assistência à saúde. Arq Ciênc Saúde UNIPAR. 2023; 27(10):5572-87. 

5 Guerra C, et al. Segurança do paciente no Brasil: avanços e desafios. Rev Eletr Enferm. 2020; 22:60820. 

6 Martins J, Benito G. Hospital seguro: utopia ou meta possível? Rev Saúde Debate. 2020; 44(2):345-53. 

7 Fortunato CR, et al. Avaliação da estrutura e processo dos núcleos de controle de infecção hospitalar no Brasil. Rev Saúde Pública. 2023; 57:89. 

8 Silveira LS, Silva E, Franco RG. Infecção primária da corrente sanguínea e uso de cateter venoso central. Rev Enferm Atual. 2023; 92(1):e022345. 

9 Zaffari S, Pires K, Schneider T. Infecção no trato urinário: uma revisão bibliográfica. Rev Centro Univ FAI. 2023; 2(2). 

10 Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente e qualidade nos serviços de saúde. Brasília: ANVISA; 2021. 

11 Fonseca, BO et al. Autoeficácia da higienização das mãos e uso de luvas entre a enfermagem durante a pandemia do Covid-19. Rev Epid Control Infec. 2025; 15(1). 

12 Fonseca BO et al. Hand hygiene in high-complexity sectors as an integrating element in the combat of Sars-CoV-2. Rev Bras Enferm. 2020; 73(Suppl 2):e20200316. 

13 Araújo BS, Oliveira AC. Adesão às medidas de prevenção de infecção do sítio cirúrgico em hospitais. Acta Paul Enferm. 2023; 36.

 14 Teixeira NH, Pacheco ALO. Infecções relacionadas à assistência à saúde entre pacientes pediátricos internados em uma UTI de um hospital referência em infectologia no Amazonas. Braz J Health Rev. 2024; 7(4):e71399.


1Universidade Evangélica de Goiás – UniEVANGÉLICA Campus de Ceres